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AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO HEPÁTICA DE CAVALOS COM DUODENO-JEJUNITE PROXIMAL
BETIOL, P. S1; MATUSHIMA2, E. R; FERNANDES, W. R3.
1 [email protected] Doutoranda da FMVZ-USP; 2 [email protected] Professora Associada da FMVZ-USP; 3 [email protected]
Professor Associado da FMVZ-USP
INTRODUÇÃO
A duodeno-jejunite proximal (DJP) é uma doença aguda
caracterizada por inflamação e edema do duodeno e da porção
proximal do jejuno, com acúmulo de fluído em intestino delgado e
estômago, refluxo nasogástrico profuso, íleo adinâmico e dor
abdominal. Processos de estrangulamento e isquemia intestinal,
acompanhados por choque, podem levar a alterações em órgãos
vizinhos como o fígado e o pâncreas. Alguns trabalhos científicos
relacionaram doença gastrintestinal com disfunção hepática em
cavalos. .
OBJETIVO
O objetivo da presente pesquisa foi investigar a hipótese de que a
duodeno-jejunite proximal causa disfunção hepática em cavalos.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram utilizados oito cavalos atendidos no HOVET-USP com
diagnóstico de DJP. O diagnóstico baseou-se na anamnese, exame
físico (freqüência cardíaca, freqüência respiratória, temperatura,
auscultação intestinal, coloração de mucosas oral e ocular), volume
e pH do refluxo e anormalidades laboratoriais relacionadas à
doença. A idade dos animais variou de 4 a 20 anos. Foram colhidas
amostras de sangue a cada 12 horas e, nos mesmos momentos,
avaliadas as freqüências cardíaca (FC), respiratória (FR),
temperatura retal, volume do refluxo e o hematócrito. Estes
procedimentos foram feitos até a estabilização do quadro (melhora
das funções vitais e quando o refluxo nasogástrico cessou). Deste
momento em diante, estes foram realizados a cada 24 horas até o
completo restabelecimento dos animais com o retorno da ingestão
de alimento. Com as amostras de sangue foram determinadas AST,
GGT, bilirrubinas total (BT); direta (BD) e indireta (BI), proteína total
(PT) e albumina. Foi feito também o exame histopatológico do
fígado de dois dos três animais que vieram a óbito.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A hipótese que a DJP causa disfunção hepática não foi aceita
discordando de Davis et al. (2003). Os animais da presente pesquisa
não demonstraram predisposição à lesão hepática através dos
exames bioquímicos. Apenas os valores das bilirrubinas foram
significantes, provavelmente pelo fato destes animais estarem em
jejum prolongado. Os resultados entre a presente pesquisa e a
pesquisa de Davis et al. (2003) podem ter sido tão diferentes em
decorrência de fatores como 1) é necessário um dano grande para
diminuir a capacidade hepática, 2) diferença quanto a sensibilidade
dos testes e 3) o fígado tem tantas funções que avaliar uma não
reflete a condição do órgão como um todo. Porém, a avaliação
histopatológica indicou injúria hepática, concordando com Davis et al.
(2003) que indicaram evidências de doença hepática em cavalos
com DJP. Os resultados da presente pesquisa sugerem que a FC e o
hematócrito são exames de grande sensibilidade para realizar nos
animais durante o processo da DJP. Trabalhos similares a este não
discutiram a respeito da FC e do hematócrito. Estes parâmetros
indicam dor e desidratação que indiretamente refletem o processo
inflamatório do intestino delgado que é a base da DJP.
Frequência cardíaca
bat/min
80
70
60
50
40
30
20
10
0
%
GM
* Financiamento FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) – Processo n° 07/53307-5.
GS
60
50
40
30
20
10
0
GM
GS
Grupos
Grupos
Gráfico 1- Valores médios de frequência
cardíaca do grupo de cavalos que morreu (GM)
e do grupo que sobreviveu (GS), no momento
de chegada ao hospital .
Gráfico 2- Valores médios de hematócrito do
grupo de cavalos que morreu (GM) e do grupo
que sobreviveu (GS), no momento de chegada ao
hospital .
Hematócrito
Frequência cardíaca
60
60
50
40
bat/min 30
20
10
0
%
40
20
0
M1
M1
Dos oito cavalos avaliados, três morreram e cinco se recuperaram.
No momento da chegada ao hospital o valor de P para FC e
hematócrito foi maior nos animais que morreram em relação aos
que sobreviveram (respectivamente P=0,029; P=0,01), gráficos 1 e
2. Durante a pesquisa, não houve significância para FR, T°C,
volume de refluxo, AST, GGT, PT e albumina. Com relação aos
animais que sobreviveram, o momento de admissão ao hospital em
relação ao momento que o refluxo cessou foi significantemente
maior no momento de admissão para BT, BD, BI e FC
(respectivamente, P=0,036; P=0,042; P=0,041 e P=0,005), gráfico
3. Já o momento de admissão ao hospital em relação ao momento
do retorno da ingestão de alimentos foi significativo apenas para
hematócrito (P=0,049), gráfico 4. A avaliação histopatológica
indicou em um cavalo vacuolização hepatocelular moderada,
colestase e infiltrado monocítico em ducto biliar e, no outro,
congestão vascular e degeneração hepática moderada.
Hematócrito
M2
M2
M3
M3
Momentos
Momentos
Gráfico 3- Valores médios de frequência cardíaca
do grupo que sobreviveu nos momentos M1, M2 e
M3 (respectivamente chegada, retirada da sonda e
alta).
Gráfico 4- Valores médios de hematócrito do grupo
que sobreviveu nos momentos M1, M2 e M3
(respectivamente chegada, retirada da sonda e
alta).
CONCLUSÃO
Concluiu-se que os cavalos com DJP não demonstraram
predisposição à injúria hepática nos exames bioquímicos. E que o
hematócrito e a FC são parâmetros muito importantes a serem
avaliados durante o processo da DJP.
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