penectomia parcial em cão srd devido a estenose uretral

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PENECTOMIA PARCIAL EM CÃO SRD DEVIDO A ESTENOSE
URETRAL: RELATO DE CASO
LETÍCIA MELO OLIVEIRA1, THAMIZA CARLA COSTA DOS SANTOS1,
IAGO MARTINS OLIVEIRA1, LÉO LINDSAY SOUSA GALVÃO1,
THAYANNE CAROLINA MARIANO DA SILVA1, NEUSA MARGARIDA
PAULO1
1. Universidade Federal de Goiás
Resumo
Na rotina de trabalho do Médico Veterinário existe uma alta casuística
de afecções do pênis em cães. A penectomia é recomendada como
tratamento em muitos casos, como exemplo em neoplasias difusas e
lesões pós-traumatismos. Dependendo do grau de comprometimento do
pênis, é indicada a penectomia total ou parcial. Neste trabalho relatamos
o caso de um cão que passou por penectomia parcial após ter uma
deformação na glande peniana e estenose uretral devido à presença de
miíases e após a cirurgia obteve uma recuperação excelente, não
apresentando nenhum sinal de anormalidade na micção.
Palavras-chave: cirurgia, macho, osso peniano, traumatismo, uretra.
PARTIAL PENECTOMY IN DOG SRD DUE TO URETHRAL
STENOSIS: CASE REPORT
Abstract
The veterinarian's work routine there is a high series of penis disorders in
dogs. The penectomy is recommended as a treatment in many cases, for
example in diffuse neoplasms and post-traumatic injuries. Depending on
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the degree of penile impairment is indicated the total or partial
penectomy. We report the case of a dog that underwent a partial
penectomy after a deformation in the glans penis and urethral stricture
due to the presence of myiasis larvae, and after the surgical procedure
achieved an excellent recovery, not showing any signs of abnormal
urination.
Key words: surgery, male, penis bone, trauma, urethra.
Introdução
As afecções do pênis em cães são frequentes na rotina de
trabalho do médico veterinário, principalmente as adquiridas (Volpato et
al., 2010). Em muitos casos a penectomia é indicada, como por
exemplo, em neoplasias difusas no pênis e prepúcio, lesões devido a
traumatismos, lesões de coluna com perturbação da inervação do pênis
e pseudo-hermafroditismo.
Dependendo
do grau
de
comprometimento
é
indicado a
penectomia total ou parcial (Faria et al., 1983). Os ferimentos prepuciais
e penianos são comuns em cães e a principal causa são traumatismos
causados por arame farpado e acidentes automobilísticos (Slatter,
2007). Fossum (2008) afirma que esses traumas são mais comuns em
machos inteiros, jovens e quando há uma fêmea no cio envolvida.
O diagnóstico baseia-se no exame físico e radiográfico da uretra e
do osso peniano. Abscessos, granulomas e infecções fúngicas são
importantes diagnósticos diferenciais. O tratamento de traumas
penianos consiste na limpeza da ferida e debridamento em casos
simples, as lacerações podem ser suturadas com fio absorvível e se o
trauma for grave a penectomia é mais indicada (Volpato et al., 2010). O
objetivo deste relato de caso foi ressaltar a importância da penectomia
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parcial como tratamento em caso de estenose uretral devido à
cicatrização de lesão por miíases após traumatismo.
Relato de Caso
Foi atendido um cão, macho, SRD e com sete anos de idade. O
proprietário relatou que o paciente apresentava disúria e estrangúria e
que há cerca de seis meses antes da consulta teve miíases no pênis
após um trauma. O paciente foi medicado durante o ocorrido e obteve
melhora, não sendo observada nenhuma alteração na micção.
No exame físico não foi possível sondar o paciente, pois não foi
encontrado o orifício uretral devido à deformação na glande causada
pelas larvas (Figura 1-A). Foi indicada a penectomia parcial.
Para a cirurgia o paciente foi posicionado em decúbito dorsal e foi
realizada a antissepsia. Após nova tentativa frustrada de passar a sonda
uretral, o pênis foi exposto e foi realizada uma incisão de 2 cm. abaixo
da glande peniana, incisando a túnica albugínea e o tecido cavernoso
(Figura 1-B). Foi transeccionado o osso peniano com a ajuda da Cizalha
o mais caudal possível (Figura 1-C). Neste momento foi possível
encontrar a uretra e passar a sonda uretral. Transeccionou-se a uretra
cranialmente a transecção peniana, e realizou-se duas incisões na
uretra em forma de “pétalas”, foi feita uma sutura hemostática no corpo
cavernoso do pênis em padrão Wolff utilizando fio Vicryl 3-0,
posteriormente foi realizada a sutura das pétalas uretrais na porção final
do pênis utilizando fio Vicryl 3-0 em padrão simples separado. Foi feita a
ressecção do prepúcio, para encurtá-lo de forma que permitisse a
extrusão do pênis (Figura 2-A e 2-B). Além disso, fixou-se a sonda
uretral utilizando ponto separado simples. A recuperação do paciente foi
boa, não apresentando nenhum sinal de anormalidade na micção.
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FIGURA 1. Imagens do pênis com deformação na glande peniana,
durante o exame físico e procedimento cirúrgico. (A) deformação na
glande peniana exposta. (B) incisão na túnica albugínea e tecido
cavernoso do pênis do paciente durante a penectomia parcial. (C)
transecção do osso peniano do paciente com a ajuda da cizalha durante
a penectomia parcial.
FIGURA 2. Imagens do prepúcio após a penectomia parcial.(A) vista
lateral do prepúcio após a penectomia parcial (B) vista cranial do
prepúcio após a penectomia parcial.
Resultados e Discussão
O paciente relatado teve um traumatismo ao pular uma cerca para
encontrar uma fêmea no cio. De acordo com Fossum (2008) esse tipo
de trauma é comum, principalmente em cães inteiros e jovens.
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Faria et al. (1983) afirmam que o tratamento depende da extensão
da lesão e como no paciente em questão a deformação havia sido
somente na parte caudal do pênis foi recomendada a penectomia
parcial.
Fossum (2008) recomenda que antes de se iniciar a penectomia
parcial é importante reduzir a carga microbiológica local, bem como
colocar um cateter uretral a fim de facilitar a orientação, o que não foi
possível neste caso pois não foi encontrado o orifício uretral.
Conclusões
As afecções penianas em cães são frequentes, sendo a
penectomia muito indicada como tratamento. Por isso é importante
realizar anamnese detalhada e uma técnica cirúrgica bem feita no intuito
de promover uma rápida recuperação do paciente e sem nenhuma
recorrência, tal como no caso aqui reportado.
Referências
FARIA, M.A.R.; PIPPI, N.L.; RAISER, A.G. et al. Amputação total da
genitália externa do cão. Revista Centro de Ciências Rurais, v. 13, n.
4, p.301-306, 1983.
FOSSUM, T.W. Cirurgia de pequenos animais. 3.ed. Rio de janeiro:
Ed. Elsevier Ltda., 2008. 1314p.
SLATTER, D. Manual de cirurgia de pequenos animais. 3.ed. São
Paulo: Manole, 2007. 2714p.
VOLPATO, R.; RAMOS, R.S.; MAGALHÃES, L.C.O. et al. Afecções do
pênis e prepúcio dos cães - Revisão de literatura. Veterinária e
Zootecnia, v. 17, n. 3, p.312-323, 2010.
2011
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