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1
HISTÓRIA DA FILOSOFIA MEDIEVAL
T C D
A RELAÇÃO ENTRE RAZÃO E FÉ NO PERÍODO MEDIEVAL
2
1. TCD: A RELAÇÃO ENTRE RAZÃO E FÉ NO PERÍODO
MEDIEVAL.
2.
INTRODUÇÃO
Para podermos distinguir a relação entre razão e fé no período medieval, precisamos
antes buscar o conceito de razão e fé, e analisarmos o período medieval. Iniciaremos,
definindo o que é razão e o que é fé:
RAZÃO: Faculdade de julgar que caracteriza o ser humano. “A capacidade de bem
julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é o que propriamente se denomina o bom senso
ou razão, é naturalmente igual em todos os homens.”(Descartes, Discurso do Método,I)1
FÉ: Atitude religiosa do verdadeiro crente que se liga a Deus por um ato voluntário, a
partir de uma testemunha de origem sobrenatural. “(...) segundo Tomás de Aquino, “foi
necessário, para a salvação do homem que houvesse, fora das ciências filosóficas que a razão
prescruta, uma doutrina diferente, procedendo por revelação divina”.2
Embasados nas definições que encontramos quanto ao significado da razão e da fé,
podemos notar a autonomia de cada uma. Enquanto a razão utiliza-se da lógica, da capacidade
do ser humano de avaliar e dar seu parecer, fundamentada em comprovações científicas, a fé
utiliza-se em acreditar ou não em algo, que do ponto de vista da fé, a ciência não pode
comprovar, embora tente.
3.
DESENVOLVIMENTO
Durante a Idade Média, estiveram em conflito a razão e a fé, diante do progresso da
Igreja Católica, influenciando as atitudes humanas. Vejamos algumas discordâncias entre
certos historiadores:
1
JAPIASSÚ, Hilton, MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia, 4º ed. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,
2006, p. 234.
2
JAPIASSÚ,Hilton, MARCONDES, Dnilo. Dicionário Básico de Filosofia, 4º ed. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,
2006, p. 104
3
Parisi, Cotrin relata a estagnação intelectual desse período:
“ As idéias religiosas da Idade Média se baseavam em uma série de dogmas ditados pela Igreja.
Esses dogmas eram tidos como “verdades” incontestáveis, porém as afirmações neles contidas
nem sempre correspondiam à realidade dos fatos. Entretanto, todos aqueles que ousasse opor
alguma resistência aos dogmas era submetido a severas punições por parte das autoridades
religiosas”.3
E ainda:
“ Todas as idéias inovadoras eram repudiadas se contrariassem direta ou indiretamente os dogmas
religiosos. Tudo era explicado como manifestação da vontade de Deus. Aos homens pouco
restava explicar, e isso gerava um acomodamento, um conformismo, que eliminava o espírito de
curiosidade bem como o desejo de explicar e descobrir”. 4
Carlos Nascimento discorda que houve uma estagnação intelectual nesse período,
declarando:
“ ( ...) é bom desfazermo-nos de certos preconceitos mais ou menos difundidos acerca da Idade
Média como um período de trevas e estagnação intelectual, em que o pensamento, cercado por
toda espécie de entraves, entre os quais a religião, não logrou mais do que uma repetição
empobrecida de algumas concepções da filosofia grega e principalmente de Aristóteles”.
5
E mais adiante:
“(...) o ensino na Idade Média passa a contar , de um lado, com um elenco de temas ou de
disciplinas vinculados ao saber profano, e, de outro, com a teologia sustentada na autoridade da
revelação”. “(...) a retórica, parte do ensino profano, justifica-se apenas enquanto serve para
entender e comentar a Sagrada Escritura”. (Nascimento, 1992, p. 38)
Por ora, vamos analisar essas duas concepções. Notamos claramente a divisão feita na
Idade Média entre os pagãos e a Igreja Católica, com predomínio dos dogmas religiosos
dentro da sociedade.
Sendo repudiadas todas as idéias inovadoras, com o desejo de descobrir e explicar
reprimido, o progresso da ciência desestimulado, poucos tentaram rebelar-se como por
exemplo, Abelardo que defendeu a argumentação dialética. Assim, o homem foi ficando cada
vez mais conformista, predominando a concentração no misticismo e na religiosidade.
3
PARISI, Mário, COTRIM, Gilberto, TDF Trabalho Dirigido de Filosofia, 5º ed. São Paulo, Saraiva, 1981, p.
135
4
PARISI, Mário, COTRIM, Gilberto, TDF Trabalho Dirigido de Filosofia, 5º ed. São Paulo, Saraiva, 1981,
p.136
5
OLIVEIRA, Armando Mora de, NASCIMENTO, Carlos Arthur Ribeiro do, SILVA, Franklin Leopoldo E,
WATANABE, Lygia Araujo, CHAUI, Marilena, Aspectos da História da Filosofia, 10º ed. São Paulo,
Brasiliense, 1992, p. 36
4
Diante dessas premissas, notamos com evidência a estagnação na Idade Média em
relação ao pensamento filosófico, prevalecendo as idéias religiosas, principalmente a
“filosofia cristã”.
Santo Agostinho (354-430) dá ênfase maior nessa “filosofia”, pois, segundo Nascimento
(1992, p.40): “(...) tentou discutir os fundamentos da religião cristã com base na filosofia
platônica”.
Conforme Japiassú - Marcondes Santo Agostinho torna-se:
“ (...) um dos principais responsáveis pela síntese entre o pensamento filosófico clássico e o
cristianismo”. e mais “(...) sua filosofia tem como preocupação central a relação entre a fé e a
razão, mostrando que sem a fé a razão é incapaz de promover a salvação do homem e de trazerlhe felicidade. A razão funciona como auxiliar da fé, permitindo esclarecer, tornar inteligível
aquilo que a fé revela de forma intuitiva”.6
Percebemos que Santo Agostinho utilizou-se do pensamento filosófico, fundamentado
nos ensinamentos de Platão para fazer prevalecer a fé. Em sua célebre fórmula: “Creio para
que possa entender”, está nítido o dogma religioso. Ora, isso não é filosofar, pois a filosofia se
utiliza da razão como método, isto é, o caminho para chegar a compreensão da verdade.
Vimos também ser esta uma capacidade “natural” de todos os homens. Ao contrário, pela fé,
o crente, chega a verdade, isto é, Deus, “a partir de uma testemunha sobrenatural”.
Vemos assim, o que diferencia a filosofia da teologia, a saber: para a filosofia, a
capacidade de conhecer a verdade é natural, implícita, inerente a todos os homens; enquanto
que na teologia, esta capacidade é adquirida por mérito, através do cumprimento dos dogmas
religiosos, sendo este o método, o caminho, e à partir daí, quer dizer, a fé, através da verdade
é revelada pela graça de Deus.
A estagnação da Idade Medieval tem sua continuação num período posterior com Santo
Tomás de Aquino (1227-1274), que embasado na filosofia de Aristóteles, utiliza-se desta para
unir a fé e a razão. Buscou harmonizar os textos de Aristóteles com as escrituras, refutando o
conflito entre ambas, conforme a citação de Carlos Nascimento a seguir:
“ Possui com eixo de sua filosofia a relação entre razão e fé, que para ele, não estão em conflito,
desde que se entenda que a inteligência humana, independente na busca de verdades filosóficas
6
JAPIASSÚ, Hilton, MARCONDES, Danilo, Dicionário Básico de Filosofia, 4º ed. Rio de Janeiro, Jorge
Zahar, 2006, p. 4
5
acerca do mundo sensível e do mundo inteligível, não poderá nunca infirmar uma verdade da fé,
que por definição excede o poder da razão”.7
Segundo Russell (1969, p.168) , “(...) Tomás de Aquino conseguiu persuadir a Igreja de
que o sistema de Aristóteles devia ser preferido ao de Platão como base da filosofia cristã, e
que os cristãos e averroístas haviam interpretado mal Aristóteles”.
Tomás de Aquino foi tão bem sucedido que tornou Aristóteles uma autoridade entre os
católicos, conforme cita Russell (1969, p.167): “(...) O Estagirita tem entre os católicos, uma
autoridade quase tão grande quanto a dos Padres; criticá-lo em matéria de filosofia pura
chegou a ser considerado coisa quase impiedosa”.
Baseado no argumento do “motor imóvel” de Aristóteles, Tomás de Aquino tenta provar
a existência de Deus, elaborando as cinco vias para a prova da existência de Deus. Entretanto,
conforme Russell (1969, p.168) “(...) as idéias de Aristóteles sobre a maioria das questões de
lógica e filosofia não eram definitivas, sendo que, desde então, provaram ser em grande parte,
errôneas”.
E ainda, sobre o “motor imóvel”, na nota de rodapé: “mas, em Aristóteles, o argumento
conduz a 47 ou 55 deuses”.( Russell, 1969, p. 170)
Notamos claramente que enquanto Santo Agostinho busca harmonizar a razão e a fé,
através do neoplatonismo, posteriormente, Santo Tomás de Aquino esforçando-se em unir a fé
e a razão, com base em Aristóteles, desenvolve seu “próprio sistema filosófico” conhecido
como Tomismo.
Segundo Japiassú – Marcondes (2006, p.15) “(...) sua teoria do conhecimento pretende
ser ao mesmo tempo universal (estende-se a todos os conhecimentos) e crítica (determina os
limites e as condições do conhecimento humano). O conhecimento verdadeiro seria uma
“adequação da inteligência à coisa”.
Ora, que tipo de filosofia foi praticado? Se partirmos da concepção de que temos que
“determinar os limites e as condições do conhecimento humano”, temos então, uma
dicotomia: pois, se o conhecimento pretende-se universal, não pode limitar-se à determinadas
7
OLIVEIRA, Armando Mora de, NASCIMENTO, Carlos Arthur Ribeiro do, SILVA, Franklin Leopoldo E,
WATANABE, Lygia Araujo, CHAUI, Marilena. Aspectos da História da Filosofia. 10º ed. São Paulo,
Brasiliense, 1992, 151 p.
6
condições. Houve ou não houve uma estagnação na Idade Média? Se temos que determinar
os limites e as condições do conhecimento humano, o homem torna-se acomodado, sem
estímulo para buscar novos avanços.
4.
CONCLUSÃO
Concluímos que, tanto em Santo Agostinho como em Santo Tomás de Aquino, houve
muito pouco do verdadeiro espírito filosófico, pois conforme Russell (1969, p.179): “(...)
antes de começar a filosofar, ele já conhece a verdade; está declarada na fé católica”. E
“(...) a descoberta de argumentos para uma conclusão dada de antemão não é filosofia,
mas uma alegação especial”.
Finalizamos, insistimos na estagnação que caracteriza o período medieval, marcado pelo
domínio da Igreja Católica.
5.
BIBLIOGRAFIA
JAPIASSÚ, Hilton, MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia.4º ed. Rio de
Janeiro, Jorge Zahar, 2006, 309 p. ISBN. 8571100950.
PARISI, Mário, COTRIM, Gilberto, TDF – Trabalho Dirigido de Filosofia. 5º ed. São Paulo,
Saraiva , 1981. 206 p.
RUSSELL, Bertrand, História da Filosofia Ocidental, 3º ed. São Paulo, Nacional, 1969, 206
p.
OLIVEIRA, Armando Mora de, NASCIMENTO, Carlos Arthur Ribeiro do, SILVA, Franklin
Leopoldo E, WATANABE, Lygia Araujo, CHAUI, Marilena. Aspectos da História da
Filosofia. 10º ed. São Paulo, Brasiliense, 1992, 151 p. ISBN 8511120599.
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