ESTUDO DE CASO 02 GESTÃO DE REDES

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GESTOR 2013
Prof. Leonardo Albernaz – ESTUDO DE CASO nº 02
ESTUDO DE CASO 02
GESTÃO DE REDES ORGANIZACIONAIS
O Estado e Rede ara teriza-se pelo compartilhamento da autoridade no âmbito de uma rede
de instituições. Uma rede, por definição, não possui centro, senão nós, de diferentes dimensões e
com relações internodais que são frequentemente assimétricas. Mas, em termos finais, todos os
nós são necessários para a existência da rede. Assim, o estado-nação se articula cotidianamente
na tomada de decisões com instituições supranacionais de distintos tipos e em disti tos
itos.
Ta é fu io a
essa rede i stituições regio ais e lo ais. Orga izações o gover a e tais
(ou neo-governamentais, porque trabalham com e a partir dos governos) se conectam com esta
rede interinstitucional, feita de negociação e decisão, de compromisso e autoridade, de informação
e estratégia. Esse tipo de estado parece ser o mais adequado para processar a complexidade
crescente de relações entre o global, o nacional e o local, a economia, a sociedade e a política, na
era da i for aç o.
Castells
Admitindo o texto acima como meramente motivador, considere o objetivo do Governo Federal
de apoiar a constituição de uma rede interorganizacional que englobe organizações não estatais
de interesse público, direcionada à promoção do desenvolvimento regional equilibrado no país.
Nesse contexto, elabore uma análise conclusiva sobre a pertinência da adoção do modelo, que
evidencie as vantagens e as limitações da utilização de redes organizacionais na gestão pública,
identificando os fatores que favorecem a aplicação do modelo e os principais aspectos e desafios
de gestão a serem contemplados. Adicionalmente, analise a possibilidade de que a rede
porventura constituída venha a ter também um caráter intergovernamental, abordando o tema da
coordenação federativa no que se refere ao alcance de resultados estratégicos.
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Prof. Leonardo Albernaz – ESTUDO DE CASO nº 02
Modelo de Resposta
As organizações estruturadas em rede são caracterizadas pela horizontalidade das
relações, típica das concepções atuais de governança pública, em que entes governamentais se
articulam com atores sociais para a formulação, a implementação e a avaliação de políticas
públicas. Nesse contexto, há um compartilhamento de autoridade e responsabilidade entre os
integrantes da rede, cuja interdependência requer um delicado equilíbrio entre coordenação e
autonomia. Além disso, as redes compõem estruturas flexíveis e com grande capacidade de
adaptação, o que as tornam especialmente aptas a atuar em ambientes dinâmicos.
A crescente relevância que as estruturas em rede têm recebido deve-se, em grande parte,
às condições que tornam sua aplicação mais adequada, como a escassez relativa de recursos ante
ao aumento da demanda por direitos sociais e melhores serviços governamentais. Ao mesmo
tempo, os governos se veem desafiados a lidar com problemas cada vez mais complexos e
contingências mais voláteis, que requerem uma multiplicidade de atores para sua solução. A
ampliação da participação social, portanto, reflete não somente a busca por maior legitimidade,
mas também por um melhor desempenho na produção e na entrega de bens e serviços públicos.
Os modelos de rede interorganizacionais, no âmbito de políticas públicas, têm um amplo
conjunto de potenciais benefícios, como a pluralidade de atores, a diversidade de opiniões sobre
os temas e a definição de prioridades de forma mais democrática, envolvendo organizações mais
próximas da origem dos problemas. Além disso, por englobarem entes estatais e organizações
não-governamentais, as redes possibilitam o fornecimento de bens e serviços públicos sem que
seja necessária a constituição de novas estruturas burocráticas, desenvolvendo uma gestão
adaptativa, colaborativa e baseada em consensos entre seus participantes, fortalecendo o
compromisso com as metas compartilhadas.
Por outro lado, é preciso reconhecer as limitações e os problemas do modelo, como a
maior dificuldade para prestação de contas e responsabilização, tanto acerca do emprego dos
recursos públicos, quanto sobre os resultados alcançados. Ademais, a atuação com base em
consensos pode demandar lapsos excessivos de tempo para a tomada de decisão, o que dificulta a
ação das redes em questões que demandam respostas imediatas, além de não assegurar que os
resultados serão alcançados, devido à própria diluição das responsabilidades. Outra preocupação
concernente à atuação em redes diz respeito à dinâmica flexível do modelo, que pode permitir o
distanciamento dos propósitos iniciais ou a desintegração da estrutura, o que evidencia as
dificuldades de coordenação inerentes às redes.
Nesse sentido, os esforços para conjugar o máximo de vantagens com o mínimo de
problemas típicos da atuação em rede requerem novos padrões de gestão. Considera-se que os
modelos tradicionais de administração pública não são plenamente aplicáveis à gerência das redes
de políticas, em que são demandadas novas competências, como a capacidade de atuar em
conjunto sem valer-se de disposições hierárquicas para definir prioridades, compartilhar recursos
e articular ações. Assim, é preciso desenvolver formas de coordenação e controle que valorizem os
mecanismos de comunicação, recorrendo-se ainda a instrumentos financeiros e regulatórios
necessários para assegurar a governança das redes, evitando a criação de estruturas
excessivamente formalizadas que comprometam a própria concepção do modelo.
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Prof. Leonardo Albernaz – ESTUDO DE CASO nº 02
Concluindo, ressalta-se que a constituição de redes federativas é essencial em um estado
como o brasileiro, em que as dimensões territoriais, a dispersão populacional, as desigualdades
regionais e a existência de três níveis de governo tornam muito complexas as relações entre
governo e sociedade. Portanto, sob uma perspectiva estratégica, a obtenção de padrões
superiores de eficiência e efetividade depende da atuação conjunta e coordenada dos entes
federativos, assegurando colaboração horizontal e vertical para o êxito das políticas públicas.
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