a filosofia prática segundo paul ricoeur

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A FILOSOFIA PRÁTICA SEGUNDO PAUL RICOEUR
Maria Elizabeth Schwab da Silva (ICV/UNICENTRO; IC-Voluntária), Ruth Rieth
Leondhardt (Orientadora), e-mail: [email protected]
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Palavras-chave: ética, hermenêutica, solicitude, Paul Ricoeur.
Resumo:
Esta pesquisa que tem por título Ética em Paul Ricoeur, propôs-se a investigar as
idéias deste pensador sobre o agir ético, no contexto contemporâneo. O interesse
em estudá-lo é em conseqüência de sua contribuição quanto à descoberta e
aprofundamento das diversas problemáticas que fazem parte das questões éticas
em debate na filosofia. O estudo durou de agosto/07 a julho/08 e nesse período deuse a ênfase ao estudo da obra o Si mesmo como um Outro deste pensador e
familiarizar-se com a literatura de seus comentadores como, também, daqueles
filósofos citados por Ricoeur, que de uma ou outra maneira influenciaram no seu
pensamento. A filosofia prática de Paul Ricoeur se fundamenta em princípios
aristotélicos. Por exemplo, a questão da vida boa como perspectiva para um agir
correto, moral. O outro, é a questão da amizade nas relações intersubjetivas.
Entretanto, este pensador contemporâneo, entende que há necessidade de uma
atualização no pensamento do filósofo grego para a nova realidade. Diante de um
mundo heterogêneo, pensar o agir humano frente à tamanha diversidade é um
grande desafio. Embora, o pensador priorize a ética à moral, ele entende a
necessidade dum mecanismo legislador que propiciem possibilidades para o viverjunto, com segurança, liberdade, solidariedade, ou seja, forneça condições de
igualdade, que é o princípio da justiça nas instituições.
Introdução
Paul Ricoeur, filósofo francês do século XX, fundamenta sua filosofia prática em
base aristotélica, tanto é que, o conceito de vida boa é inerente tanto a ética
aristotélica como a ricoeuriana. O filósofo francês constrói, então, seu pensamento
ético, partindo da reflexão dos pontos hoje insustentáveis da ética aristotélica. Um
deles é o que trata do diferente. Na sabedoria prática do Estagirita, Paul Ricoeur
constata que não há lugar para o conceito de alteridade. Este é, então, um dos
pontos desafiantes com o qual o filósofo francês tenta lidar. Considerando que a
ética é o reino da liberdade e não podendo mais pensar sob regras criteriosas, sob
pena de, frustrar o princípio da igualdade que é direito de todo homem, a ética para
este século, segundo Ricoeur, deve ser embasada na justiça, tolerância, respeito e
sua ligação com outros princípios como, responsabilidade e a solicitude, que
segundo a interpretação do autor, é mais fecunda do que a amizade. A intenção
deste estudo é, portanto, buscar identificar e entender algumas das respostas
apresentadas por Ricoeur sobre o problema levantado.
Materiais e Métodos
O estudo foi desenvolvido na forma de pesquisa bibliográfica, com base na obra de
Paul Ricoeur o Si mesmo como um Outro especificamente, os capítulos VII, VIII e IX,
que são visar à vida boa..., com e para o outro;... nas instituições justas. Buscou-se
um entendimento maior de sua filosofia, estendendo o leque de leituras, ou seja,
recorrendo aos seus comentadores, estudiosos, como também, daqueles filósofos
citados por Ricoeur, que de uma ou outra maneira influenciaram no seu
pensamento.
Resultados e Discussão
A crise da subjetividade é o início da mudança de paradigma. O conhecimento que
se efetiva na relação estabelecida entre sujeito-objeto não mais satisfaz, se mostra
ineficaz para entender o mundo, as relações sociais. Na obra o Si mesmo como um
Outro, Paul Ricoeur faz uma análise da crise da subjetividade, examinando o
confronto entre a exaltação do cogito em Descartes e a destruição do cogito em
Nietzsche e suas implicações, principalmente, no que se refere à filosofia prática.
Afasta-se tanto de um modo de pensar como de outro e, no distanciamento, enxerga
contribuições e falhas que se manifestam neste conflito. Diante de um mundo
heterogêneo, pensar o agir humano frente à tamanha diversidade é um grande
desafio. Considerar o diferente, respeitando suas formas de pensar e de agir sem
que, para tanto, os direitos de um não interfiram nos de outro é o objeto de estudo
da ética ricoeuriana. O conflito aí instaurado é resolvido por Ricoeur, ao lançar mão
de recursos como a solicitude e o imperativo categórico. O primeiro termo diz
respeito à consideração ao outro como fim e não como puro meio, ver no outro um si
mesmo, adita uma possibilidade maior de tolerância ao diferente, ao inusitado.
Quanto ao outro termo, na ética de Paul Ricoeur é imprescindível. Embora, o
pensador priorize a ética sobre a moral, ele entende a necessidade dum mecanismo
legislador que iniba situações de arbitrariedade, do constrangimento do poder de
uma vontade que se eleva sobre a outra. O filósofo francês examina a questão da
ipseidade no tempo atual e tal investigação é analisada nas obras O conflito das
interpretações e em Si mesmo como um outro. A ética de Paul Ricoeur admite,
portanto, a necessidade da coação moral, para amparar a possibilidade de
articulação, do que ele denomina de a estima de si e o respeito de si. Esse
processo, em que interpretando a ação e entendendo como boa, o sujeito interpretase a si mesmo, possibilitando o auto aperfeiçoamento. Desenvolve desta maneira,
uma hermenêutica baseada na fenomenologia concebendo o agir humano como um
dos eixos essenciais de sua reflexão. Essa complementação entre ética e moral, ou,
perspectiva e norma o que propicia o viver junto, com segurança, liberdade,
solidariedade, ou seja, forneça condições de igualdade, que é o princípio da justiça
nas instituições.
Conclusões
Reflexão e interpretação de si e do mundo possibilitam a tomada de decisão livre e,
aquele que usufrui dessas condições no mundo de hoje, tem maiores possibilidades
de discernimento, capacidade de escolha e, consequentemente, lida melhor com
suas carências e anseios numa sociedade pluralista sem, contudo, perder sua
identidade. Ricoeur substitui o ego pelo si mesmo por entender que no movimento
da consciência o si mesmo é o agente aberto à alteridade e por ela afetado e, nesta
reflexidade adquire capacidades em se colocar e observar o ponto de vista do outro.
Desta forma, pode agir com tolerância frente ao diferente, ao estranho, evitando
atitudes intolerantes e violentas. A contribuição de Ricoeur para a filosofia está
justamente neste sentido de consideração a outras formas de pensar, seja aceitando
ou negando o pensamento do outro. A consciência não é algo pronto, mas aquilo
que vai se fazendo, tal como uma tarefa. O diálogo, proporcionado pela linguagem
se torna ferramenta usada para interpretação de tanta diversidade, sejam elas
culturais, religiosas ou econômicas e desta maneira cria possibilidades de abertura
para um novo vir-a-ser.
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Agradecimentos
À Unicentro que possibilitou a bolsa de Iniciação Cientifica e a profª. Ms Ruth Rieth
Leonhardt por se disponibilizar a orientá-la no trabalho desenvolvido.
Referências
1. César, Constança Marcondes (org.). Paul Ricoeur: Ensaios. Paulus. São
Paulo, 1998.
2. Leonhardt, Ruth Rieth. As Reflexões éticas de Paul Ricoeur. Revista
Analecta, Guarapuava v.7 nº2 p.61-76 jul/dez 2007.
3. Mongin, Olivier. Paul Ricoeur. As fronteiras da filosofia. Ed: Instituto Piaget.
Lisboa, 1994.
4. Ricoeur, Paul. O Si mesmo como um Outro. Ed: Papirus. Campinas, 1991.
5. Russ, Jaqueline. Pensamento Ético Contemporâneo. Paulus. São Paulo,
1999.
6. Vaz, Henrique C. de Lima. Escritos de Filosofia V: Introdução à Ética
Filosófica 2. Edições Loyola. São Paulo, 2000.
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