Distúrbios Alimentares

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Instituto Educativo do Juncal
Psicologia B
Ano Lectivo 2010/2011
Alunas: Ana Feteiro e Marta Malhó
Docente: António Trindade
Psicologia B – 2010/2011
Distúrbios Alimentares
Índice
Introdução
1. Distúrbios Alimentares
1.1 - Definição
1.2 - Distúrbios
1.2.1 - Anorexia Nervosa
1.2.1.1 - Definição
1.2.1.2 – Sintomas
1.2.1.3 – Complicações a longo prazo
1.2.1.4 - Causas
1.2.1.5 - Diagnóstico e Tratamento
1.2.2 - Bulimia Nervosa
1.2.2.1 - Definição
1.2.2.2 – Sintomas
1.2.2.3 – Complicações a longo prazo
1.2.2.3 - Causas
1.2.2.4 - Diagnóstico e Tratamento
1.2.3 – Ortorexia
1.2.3.1 - Definição
1.2.3.2 – Sintomas
1.2.3.3 – Complicações a longo prazo
1.2.3.4 - Causas
1.2.3.5 - Diagnóstico e Tratamento
1.2.4. - Compulsão Alimentar
1.2.4.1 - Definição
1.2.4.2 - Sintomas
1.2.4.3 – Complicações a longo prazo
1.2.4.4 - Causas
1.2.4.5 - Diagnóstico e Tratamento
1.2.5 – Vigorexia
1.2.5.1 - Definição
1.2.5.2 – Sintomas
1.2.5.3 – Complicações a longo prazo
1.2.5.3 - Causas
1.2.5.4 - Diagnóstico e Tratamento
1
Distúrbios Alimentares
Psicologia B – 2010/2011
1.2.6 - Obesidade
1.2.6.1 - Definição
1.2.6.2 – Sintomas
1.2.6.3 – Complicações a longo prazo
1.2.6.4 - Causas
1.2.6.5 - Diagnóstico e Tratamento
1.2.7 – Hipergafia
1.2.7.1 – Definição
1.2.7.2 – Sintomas
1.2.7.3 – Complicações a longo prazo
1.2.7.4 – Causas
1.2.8 – Pica
1.2.8.1 – Definição
1.2.8.2 – Causas
1.2.8.3 – Diagnóstico e Tratamento
2 – Curiosidades
Conclusão
Bibliografia/Webgrafia
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Psicologia B – 2010/2011
Distúrbios Alimentares
Introdução
Ao tomarmos conhecimento dos temas que iriam ser abordados durante
este período, optamos pelo tema “Distúrbios Alimentares”, uma vez que se
trata de um tema actual e que nos suscitou interesse.
Demo-nos conta que, no nosso país, menos de metade da população
apresenta o Índice de Massa Corporal normal, ou seja, mais de metade da
população apresenta um peso anormal, ora acima do normal, ora abaixo*. Foi
este um dos motivos que nos motivou a trabalhar este tema, no sentido de
reunir mais conhecimentos e interesse sobre o tema.
Um dos objectivos do nosso trabalho é compreender a complexidade
que rodeia os tão conhecidos “Distúrbios Alimentares”, nomeadamente o que
são, os sintomas que manifestam, os problemas de saúde que podem advir, as
causas e, por fim, o diagnóstico e o tratamento.
*Anexo (dados retirados da página Web da Organização Mundial de Saúde)
Adultos com falta de peso (IMC <18.5) – 2.2%
Adultos peso normal (IMC 18.5-24.99) - 44.2%
Adultos pré-obesidade (IMC 25.0-29.9) - 39.4%
Adultos obesos (IMC>30) – 14.2%
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Psicologia B – 2010/2011
Distúrbios Alimentares
DISTÚRBIOS ALIMENTARES
Distúrbios Alimentares são um grupo de doenças psicológicas
caracterizadas por alterações significativas do comportamento alimentar
normal, definidas por um conjunto de atitudes e comportamentos relacionados
com a alimentação, o peso e a imagem corporal, incluindo também transtornos
de imagem, humor, controlo dos impulsos e relações interpessoais.
ANOREXIA NERVOSA
Definição
Usualmente denominada anorexia, é uma
doença do foro psiquiátrico caracterizada pela
“incessante procura da magreza pela fome até à
morte”, ou seja, perda intensa e intencional de
peso, busca desenfreada pela magreza, com distorção grave da imagem. Os
anoréxicos, quando comem, limitam-se a alimentos hipocalóricos e, com
frequência, praticam exercícios físicos extenuantes,
numa tentativa de queimar as calorias que ingeriram.
Este regime leva a uma acentuada perda de peso,
chegando a alcançar níveis 50% inferiores ao ideal
estatístico.
A incidência mundial é estimada em 1:100000,
porém, se considerarmos apenas as mulheres jovens e
brancas, de países desenvolvidos, esta taxa eleva-se para
1:200. A anorexia é mais comum em raparigas e mulheres,
no
entanto,
rapazes
e
homens
têm
gradualmente
desenvolvido também esta doença. Sendo mais comum
entre adolescentes, afecta pessoas de várias idades, apesar
de ser rara em pessoas com idade acima dos 40 anos.
Também atletas, actores, dançarinos e modelos apresentam maior risco de
desenvolver a condição.
Sintomas
● Recusar comer e negar a fome;
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Distúrbios Alimentares
● Medo constante de ganhar peso;
● Imagem própria distorcida;
● Contagem obsessiva de calorias;
● Saltar refeições;
● Brincar com a comida no prato em vez de comer;
● Esconder comida (num guardanapo, debaixo de
uma travessa, etc.) para evitar comê-la;
● Mentir quanto a já ter comido, numa tentativa de
evitar uma refeição;
● Ingerir apenas um determinado tipo de comida;
● Fazer exercício em excesso, particularmente depois de uma refeição, ou
“para abrir o apetite”;
● Perda dramática de peso;
● Excessivo interesse em questões relacionadas com peso, imagem corporal e
jejum;
● Vestir (para esconder o corpo) roupa larga ou disforme;
● Baixos níveis de energia;
● Amenorreia
● Dores abdominais, pele seca, temperatura corporal
baixa, ritmo cardíaco irregular, pressão sanguínea
baixa, desidratação;
● Sono excessivo;
● Reduzido ou inexistente apetite sexual.
Complicações a longo prazo
● Anemia;
● Alterações cardíacas;
● Alterações ósseas;
● Alterações gastrointestinais;
● Mulheres: ausência do período menstrual;
● Homens: diminuição da testosterona;
● Problemas de rins;
● Alteração nas concentrações de sódio e potássio no organismo
● Morte.
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Distúrbios Alimentares
Causas
Causas Biológicas/Genéticas
A apoiar esta perspectiva temos o facto de os
anoréxicos
tenderem
a
apresentar
níveis
anormalmente baixos de hormonas sexuais e de
crescimento, bem como níveis anormais de alguns
neurotransmissores. Não existem certezas se os
problemas hormonais são uma causa ou uma
consequência dos problemas psicológicos e do
regime.
Sabe-se que aproximadamente entre 6 a 10%
dos familiares do sexo feminino de anoréxicos
sofrem também da mesma doença. A mesma percentagem também se aplica
aos descendentes de indivíduos que apresentem a doença. Sabe-se ainda que
para gémeos idênticos, se um deles sofrer de anorexia nervosa, o outro tem
mais de 50% de probabilidade de também sofrer. Investigadores descobriram
uma área no cromossoma 1 que parece estar ligado a esta doença.
Causas Psicológicas/Sociais
A nível psicológico existem muitas explicações
para o aparecimento desta doença, uma delas está
relacionada com as mensagens contraditórias de uma
sociedade
que
publicita
constantemente
produtos
altamente calóricos e que paralelamente valoriza um
ideal de beleza, marcado pela magreza, por vezes
exagerada. Este contexto, intimamente ligado com um
conjunto de factores, desde o medo da sexualidade,
conflitos
com
as
figuras
parentais,
insegurança,
dificuldades de relacionamento interpessoal, baixa autoestima, fraca autonomia, vai gerar uma rebelião, uma
busca do controlo através deste regime. Nas palavras de um paciente:
“Quando uma pessoa se sente muito infeliz e sem saber o que realizar seja o
que for, ter o controlo do seu próprio corpo torna-se uma façanha suprema.
Fazer do seu corpo o seu próprio reino onde é o tirano, o ditador absoluto”.
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Distúrbios Alimentares
Psicologia B – 2010/2011
Várias situações podem também aumentar o risco de anorexia, como um
período de transição, por exemplo, para uma nova escola, emprego ou casa, a
morte de alguém próximo, ou seja, períodos de stress emocional.
Diagnóstico e Tratamento
Para o diagnóstico desta condição existem três critérios padrão:
- O indivíduo recusa-se a manter um peso
corporal adequado (relativamente à sua idade e
altura);
- Medo constante de ter peso a mais, ou de
engordar;
- Falta de auto-confiança, relacionada com
uma distorção da sua imagem corporal
- Perda dos períodos menstruais (no caso
do diagnóstico feminino).
Uma das dificuldades do tratamento é que
os anoréxicos raramente reconhecem o seu
estado como prejudicial e não procuram tratamento, daí que a iniciativa parta
geralmente dos indivíduos próximos do doente.
Não existe uma cura para esta doença, mas o sistema normalmente
utilizado baseia-se em terapia, aconselhamento, grupos de apoio, planeamento
nutricional, etc. É utilizada medicação quando está associada a doenças
psicológicas, como depressão, etc.
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Distúrbios Alimentares
BULIMIA NERVOSA
Definição
Outro transtorno alimentar grave
é
a
bulimia
nervosa,
geralmente
denominada apenas por bulimia. Este
distúrbio consiste em comer grandes
quantidades de comida e depois a
tentativa de purgar as calorias por vias
prejudiciais à saúde, tais como o induzir
vómito,
utilização
de
laxantes
e
diuréticos, jejuns e exercícios físicos
intensos Esta situação tende a repetirse, tornando-se, num ciclo. São comuns entre os bulímicos, danos no tracto
digestivo, dentes, glândulas salivares, tal como depressão grave, transtornos
de ansiedade e obcessivos-compulsivos.
É difícil apurar concretamente a incidência da doença, mas afecta de 3%
a 7% da população (90% em indivíduos do sexo feminino), sendo bastante
frequente em: estudantes universitários (uma revisão apurou-a em 19% das
mulheres e 5% dos homens), atletas, actores, dançarinos e modelos.
Sintomas
● Sentimento de descontrolo face à comida;
● Comer até ao nível de desconforto e até dor;
● Induzir o vómito após as refeições;
● Exercício excessivo;
● Uso indevido de laxantes e diuréticos;
● Preocupação extrema com o corpo e o peso;
● Distorção da imagem corporal;
● Anormal funcionamento do sistema digestivo;
● Dentes e gengivas afectadas;
● Feridas na boca e na garganta;
● Desidratação;
● Batimento cardíaco irregular;
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Distúrbios Alimentares
● Feridas nas mãos;
● Alterações no período menstrual ou até amenorreia;
● Depressão
● Ansiedade
Complicações a longo prazo
● Problemas cardíacos;
● Alterações dentárias severas;
● Mulheres: ausência do período menstrual;
●
Alterações
digestivas
e
possibilidade
de
dependência de laxantes;
● Abuso de drogas e álcool;
● Morte.
Causas
Causas Genéticas/Biológicas
Tal como acontece com a anorexia nervosa, existem evidências de
genes que tornam certos indivíduos mais vulneráveis ao desenvolvimento de
distúrbios alimentares, como por exemplo bulimia. É também possível que uma
deficiência de seritonina possa ter um papel no desenvolvimento da bulimia.
Causas Psicológicas/Sociais
Um início para esta condição é uma
dieta, ou exercício em excesso, que encoraja a
formação de regras mais rígidas em relação à
comida,
que,
conduzir
a
sendo
uma
quebradas
perda
de
podem
controlo
e
alimentação excessiva. Esta doença está
ligada problemas psicológicos e emocionais,
tais como: baixa auto-estima, perfeccionismo,
dificuldades de controlo de raiva, conflitos
familiares, etc. Todos estes factores, em
contacto
com
uma
sociedade
que
particularmente entre jovens mulheres.
9
cultiva
o
desejo
pela
magreza,
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Distúrbios Alimentares
Diagnóstico e Tratamento
Apesar de a bulimia ser um transtorno alimentar que afecta a saúde
física, é diagnosticada tendo em conta cinco critérios padrão de saúde mental:
- Comer compulsivamente;
- Purgar (indução do vómito, jejuns, uso impróprio de laxantes e
diuréticos, exercício em excesso, etc);
- Ciclo de compulsão alimentar-purga pelo menos duas vezes por
semana durante três meses;
- Obsessão com o peso e a comida;
- Ausência de anorexia ou de outro distúrbio alimentar com sintomas
muito característicos.
Tal como na anorexia, não existe uma cura efectiva para esta condição,
no entanto, terapia, aconselhamento,
grupos
de
apoio,
planeamento
nutricional, etc, podem ser utilizados
para tratar esta doença. É utilizada
medicação quando está associada a
doenças
psicológicas,
depressão, etc.
10
como
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Distúrbios Alimentares
ORTOREXIA
Definição
Aparentemente este transtorno não é reconhecido como tal, pois parece
apenas
uma
preocupação
em
comer saudavelmente. Mas mais do
que preocupação, este transtorno
consiste na obsessão por alimentos
saudáveis e nutritivos, pelo que a
pessoa com este transtorno exclui
da sua alimentação uma grande
quantidade
de
alimentos,
principalmente os mais industrializados. Ao contrário da bulimia, a pessoa com
ortorexia não deixa de comer, mas fica obcecada com aquilo que come que
não pensa noutra coisa a não ser na sua dieta.
Sintomas
● Examina cada pormenor do que se encontra em cada alimento, o conteúdo
nutricional dos alimentos é analisado a pormenor, como quantidade de calorias,
vitaminas e nutrientes;
● Só deseja comer alimentos saudáveis;
● Não consegue comer uma refeição preparada por outra pessoa, pois tem
medo que esta não seja a adequada, tendo necessidade de preparar a sua
própria refeição para poder controlar tudo aquilo que ingere;
● Observa e comenta a maneira como outras pessoas preparam a comida;
● Dá consigo a pensar em conteúdo nutricional durante o dia;
● Preocupa-se ao comer qualquer coisa que possa não ser “boa” para si;
● Perde muito peso rapidamente, sem ter bem noção disso, nem noção da
dieta que está a levar.
Complicações a longo prazo
A pessoa, ao passar a maior parte do seu tempo a pensar na sua dieta,
afasta-se das pessoas que a rodeiam e deixa as suas actividades habituais,
deixando de ser capaz de se concentrar numa tarefa.
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Distúrbios Alimentares
O doente ao eliminar grande
quantidade
de
alimentos
da
sua
alimentação, irá ter carência de alguns
componentes essenciais dos alimentos
que à partida lhe parecem prejudiciais
à saúde e que desconhecendo são
necessários,
em
quantidades
reduzidas mas nunca nulas.
Causas
Enquanto
os
doentes
com
os
outros
distúrbios
se
prendem
essencialmente à preocupação com a aparência física, desprezando a saúde
esta obsessão está relacionada apenas com a preocupação com a saúde.
A principal causa que levará a esta obsessão será a constante evolução
do conhecimento a nível da nutrição e a consciência de que é necessário ter
cuidados com a alimentação e ao tentarem ter uma alimentação equilibrada
acabam por obcecar-se com a ideia de ter de comer saudavelmente.
Diagnóstico e Tratamento
Como os sintomas não são reconhecidos rapidamente como um
problema, o distúrbio demora até que seja diagnosticado. Mas depois de se
perceber a obsessão que afecta a pessoa, o apoio terá de ser efectuado por
um profissional de saúde, pois esta pessoa precisa de tratamento, uma vez
que, embora a doença não seja tão conhecida como outros tipos de transtorno
alimentar, é igualmente séria.
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Distúrbios Alimentares
COMPULSÃO ALIMENTAR
Definição
A compulsão alimentar caracteriza-se por
episódios de alimentação em excesso, em que
são
consumidas
rapidamente
grandes
quantidades de comida, mesmo que o indivíduo
não tenha fome e até se sinta desconfortável
com tanta comida. Ao contrário dos bulímicos,
não purga depois de comer nem pratica exercício
físico, traduzindo-se num constante aumento de
peso, que se pode tornar em obesidade.
Estima-se que esta doença afecta entre 0.7% a 4% da população em geral,
podendo ocorrer em pessoas de qualquer sexo, raça, idade ou estrato
socioeconómico.
Sintomas
● Episódios de compulsão alimentar (ingestão de quantidades anormalmente
grandes de comida);
● Continuar a comer, mesmo estando sem fome e cheio;
● Comer rapidamente durante os episódios de compulsão;
● Sentimento de descontrolo relativamente ao regime alimentar;
● Depressão;
● Ansiedade;
● Dietas frequentes, muitas vezes não dando resultado;
● Comer sozinho;
Complicações a longo prazo
● Depressão;
● Pensamentos suicidas;
● Insónias;
● Obesidade;
● Pressão sanguínea elevada;
● Diabetes tipo-2;
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Distúrbios Alimentares
● Colesterol alto;
● Doenças da vesícula biliar e outras do sistema digestivo;
● Doenças de coração;
● Dor nas articulações;
● Dores musculares;
● Dores de cabeça.
Causas
Causas Psicológicas
Existem algumas características psicológicas que podem promover o
desenvolvimento
desta
condição,
nomeadamente
baixa
auto-estima,
dificuldades em controlar comportamentos impulsivos, o humor e expressão da
raiva.
Diagnóstico e Tratamento
Para o diagnóstico desta condição existem vários critérios padrão:
-
Episódios
recorrentes
de
alimentação compulsiva, que incluem a
ingestão de uma quantidade anormalmente
grande de alimentos e sentimentos de
descontrolo
face
à
alimentação;-
Compulsão alimentar está associada com,
pelo menos, três destes factores: comer rapidamente; comer até estar
inconfortavelmente cheio, comer grandes quantidades de alimentos quando
não tem fome; comer sozinho devido à vergonha; sentimentos de tristeza,
depressão ou consciência pesada depois de comer.
- Preocupação relativa à compulsão alimentar;
- Episódio de compulsão ocorrem duas vezes por semana durante pelo
menos 6 meses;
- A compulsão alimentar não está associada com métodos inapropriados
para compensar o exagero de comida.
Sendo um distúrbio alimentar, não existe uma cura efectiva, mas o
tratamento baseia-se em terapia (comportamento cognitivo, interpessoal, etc),
medicamentos, por exemplo, para a depressão, e programas de perda de peso.
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Distúrbios Alimentares
VIGOREXIA
Definição
A
vigorexia
trata-se
da
obsessão por um corpo musculado e
atraente, o que leva a um cuidado
excessivo com a alimentação e ao
exagero
do
exercício
físico,
nomeadamente exercício muscular.
O doente abusa no cultivo da
sua imagem e chega mesmo a
consumir anabolizantes.
Os portadores desta condição são, e na sua maioria, homens entre 18 e
35 anos, os quais começam a dedicar demasiado tempo (entre 3 e 4 horas
diárias) a actividade de modelação física. A idade de início mais comum da
Vigorexia também é no final da adolescência ou início da idade adulta. A média
de idade está em torno dos 20 anos, não sendo raro que o diagnóstico seja
feito mais tardiamente
Sintomas
● Controlo de tudo aquilo que come;
● Abuso de musculação;
● Disformismo corporal;
● Consumo de anabolizantes;
● Abuso do culto do corpo.
Complicações a longo prazo
● Anemia;
● Alterações cardíacas;
● Alterações ósseas;
● Alterações gastrointestinais;
● Mulheres: ausência do período menstrual;
● Homens: diminuição da testosterona;
● Problemas de rins;
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Distúrbios Alimentares
● Alteração nas concentrações de sódio e potássio no organismo
● Morte.
Causas
Ainda que não se tenham dúvidas sobre o forte elemento sociocultural
no desenvolvimento e na incidência da vigorexia, também parece que a
patologia
esteja
relacionada
com
desequilíbrios
de
diversos
neurotransmissores do sistema nervoso central, mais precisamente da
serotonina.
Diagnóstico e Tratamento
Existem um conjunto de critérios de diagnóstico desta doença:
- Preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira
anomalia física está presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente
excessiva;
- A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo
no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da
vida do indivíduo;
- A preocupação não é melhor explicada por outro transtorno mental (por
ex., insatisfação com a forma e o tamanho do corpo na Anorexia Nervosa).
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Distúrbios Alimentares
OBESIDADE
Definição
A obesidade define-se por uma acumulação excessiva de gordura
corporal. Esta doença, no entanto, é mais que uma preocupação estética, é
uma doença que faz aumentar os riscos de doenças e problemas de saúde
como diabetes e pressão sanguínea alta.
A forma mais recomendada para a
avaliação do peso corporal em adultos é o
IMC
(Índice
de
Massa
Corporal),
recomendado inclusive pela Organização
Mundial
de
Saúde.
Esse
índice
é
calculado dividindo-se o peso do paciente,
pela sua altura elevada ao quadrado. O
valor assim obtido estabelece o diagnóstico de obesidade e caracteriza
também a gravidade da condição:
IMC (kg/m2)
Grau de Risco
Tipo de Obesidade
18 – 24,9
Peso saudável
Ausente
25 – 29,9
Moderado
Sobrepeso (Pré-obesidade)
30 – 34,9
Alto
Obesidade Grau I
35 – 39,9
Muito Alto
Obesidade Grau II
40 ou mais
Extremo
Obesidade Grau III (“Mórbida”)
Conforme pode ser observado, o peso normal, no indivíduo adulto, com
mais de 20 anos de idade, varia conforme sua altura, o que faz com que
possamos também estabelecer os limites inferiores e superiores de peso
corporal para as diversas alturas conforme a seguinte tabela :
17
Altura (cm)
Peso Inferior (kg)
145
150
155
160
165
170
38
41
44
47
50
53
Peso Superior
(kg)
52
56
60
64
68
72
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Distúrbios Alimentares
175
180
185
190
56
59
62
65
77
81
85
91
Hoje em dia, um em cada três adultos Americanos é considerado obeso,
mas esta enfermidade está-se a tornar um crescente problema de saúde no
Mundo.
Sintomas
● Dificuldades em dormir;
● Ressonar;
● Apneia do sono;
● Dores nas costas e articulações;
● Transpiração excessiva;
● Sensação constante de calor;
● Eczemas ou infecções em pregas de pele;
● Dificuldades de respiração com o menor esforço;
● Fadiga e cansaço;
● Depressão.
Complicações a longo prazo
● Anormalidades nos lípidos do sangue;
● Cancro, incluindo cancro do útero, cérvix, ovários, mama, cólon, recto e
próstata;
● Depressão;
● Doenças de bexiga;
● Problemas ginecológicos, como infertilidade e período irregular;
● Doenças de coração;
● Pressão sanguínea alta;
● Anormalidades metabólicas;
● Doenças de fígado;
● Osteoartrite;
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Distúrbios Alimentares
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● Problemas de pele;
● Apneia do sono;
● Ataques cardíacos;
● Diabetes tipo-2.
Causas
A obesidade ocorre quando uma
pessoa consome mais calorias do que
aquelas que consegue “queimar”. Para
muitas pessoas isto vai de encontro a comer
demasiado e praticar pouco exercício físico.
Mas existe outros factores que também têm
um papel na obesidade. Estes podem
incluir:
- Estilo de vida sedentário;
- Regime alimentar incorrecto (alimentos com uma grande taxa de
calorias, em grandes quantidades e frequência);
- Gravidez (quando uma mulher engravida existe naturalmente um
aumento do peso, por vezes, esse aumento de peso pode conduzir ao
sobrepeso);
- Poucas horas de sono (dormir menos de sete horas por noite pode
causar alterações hormonais que provocam um aumento de apetite);
- Certos problemas de saúde, por exemplo, de tiróide;
-Idade (à medida que a idade aumenta, diminui a capacidade de
metabolizar os alimentos, diminuindo assim a dose necessária de calorias
requeridas ao bom funcionamento do organismo);
- Género (as mulheres tendem a apresentar com mais frequência este
transtorno, por um lado devido aos efeitos da menopausa, por outro, os
homens “queimam” mais calorias em descanso que as mulheres);
- Factores genéticos (estudos comprovam que há predisposição de um
indivíduo apresentar este transtorno se os pais ou parentes directos também o
apresentarem. De tal forma que, se a mãe de um indivíduo for obesa, o filho
tem 75% de probabilidade de também o ser);
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Distúrbios Alimentares
Psicologia B – 2010/2011
- Factores psicológicos (indivíduos com problemas
psicológicos, desde depressão a baixa auto-estima, etc têm
maior predisposição a apresentar este transtorno. Por outro
lado, sabe-se que 30% dos doentes sofrem igualmente de
compulsão alimentar).
Diagnóstico e tratamento
O tratamento da obesidade tem como objectivos a manutenção de um
peso saudável, com redução de riscos de doenças cardiovasculares e aumento
da auto-estima e qualidade de vida. Baseia-se em cinco conceitos básicos:
- Alterações no regime alimentar;
- Actividades físicas;
- Alterações de comportamentos negativos;
- Medicação (para promover a diminuição do peso e em casos de
problemas psicológicos);
- Cirurgias para promover a perda de peso.
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Distúrbios Alimentares
HIPERGAFIA
Definição
Aumento repentino do consumo de
alimentos.
Sintomas
● Aumento repentino de peso;
● Falta de auto-estima e auto-confiança;
● Posteriormente, obesidade.
Complicações a longo prazo
Como o doente começa a comer compulsivamente, vai resultar disso um
rápido aumento de peso, resultando em obesidade. Consequentemente, o
doente vai sentir uma diminuição da sua auto-estima e auto-confiança.
Causas
Acontecimento traumático, que o leva a comer compulsivamente para de
certa forma aliviar o seu estado de ansiedade e consequentemente sentir-se
bem.
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Distúrbios Alimentares
PICA (Alotriofagia)
Definição
Trata-se do impulso de comer objectos não nutritivos nem cuja ingestão
é aceite socialmente, como metais, argila, carvão, areia, ou até mesmo,
impulso para ingredientes alimentares, como farinha, batata, arroz, crus e
cubos de gelo. Mais comum em crianças e mulheres grávidas.


















Acufagia - ingerir objectos pontiagudos
Amilofagia - comer amido (i.e. de milho
ou mandioca)
Auto-canibalismo - comer partes do
corpo
Cautopireiofagia - ingerir palitos de
fósforo apagados
Coniofagia - comer pó
Coprofagia - comer excremento
Emetofagia - comer vómito
Geomelofagia - comer batatas cruas
Geofagia - ingerir terra ou solo
Ctonofagia - ingerir terra ou argila (arcaísmo)
Hematofagia - comer sangue
Hialofagia -ingerir vidro
Lithofagia - comer pedras
Mucofagia - ingerir muco
Pagofagia - comer (patologicamente) gelo
Trichofagia - comer cabelo ou lã (fios ou tecido)
Urofagia - ingerir urina
Xilofagia - comer madeira
Causas
Os poucos estudos que existem sobre este transtorno sugerem que a sua
causa tem origem no défice de minerais, nomeadamente do ferro, não
significando que qualquer pessoa com falta de ferro no seu organismo seja
afectada por este distúrbio. Poderá também ter origem na pessoa quando
confrontada com um acontecimento traumático, podendo estar associado à
Hipergafia e possivelmente ao transtorno obsessivo compulsivo por alimentos.
Diagnóstico e tratamento
O tratamento deste transtorno depende do tipo de doente, criança,
deficiente, grávida. A maior parte das vezes passa por acompanhamento
psicológico e medicação.
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Curiosidades
TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO POR ALIMENTOS
Definição
O indivíduo com este transtorno sofre com
pensamentos
incontroláveis,
repetitivos
e
persistentes, tal como em todos os transtornos
obsessivo compulsivos, mas neste caso, esses
pensamentos são aliviados ao comer, enquanto não
se alimentar, o indivíduo sofre uma ansiedade
imensa.
O doente, geralmente, está ciente de que seus pensamentos são
prejudiciais a si mesmo e inapropriados, mas não consegue controlar-se.
Tratamento
Ao contrário dos outros transtornos alimentares os anti-depressivos são
bastante eficazes neste distúrbio.
TRANSTORNO DE RUMINAÇÃO
Definição
Este transtorno é caracterizado pela regurgitação ou remastigação
repetida. É o chamado bolçar dos bebés, sendo mais frequente nestes.
Complicações
Podem resultar em desnutrição, perda de peso, desidratação e até
morte. Mas geralmente, este transtorno é encarado como uma situação normal,
pois ocorre com a maioria dos bebés.
Causas
As suas causas são desconhecidas. Poderá ocorrer devido à falta de
habituação à ingestão de alimento, uma vez que ocorre com recém-nascidos,
bebés e crianças pequenas.
Tratamento
Não há tratamento uma vez que este transtorno passa com a idade.
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Distúrbios Alimentares
ISABELLE CARO
“Isabelle Caro, actriz e manequim anoréxico,
que morreu num hospital em França para onde
viera trazida muito doente de Tóquio, onde estivera
a trabalhar uma temporada, de complicações de
infecção pulmonar, no dia 17 de Novembro do ano
passado, mas cuja morte só foi anunciada ao
mundo a 29 de Dezembro pela sua professora de
representação, muito depois de enterro discreto em
Paris só com família e alguns amigos íntimos,
tendo-se, nestes últimos dias, a sua página de
Facebook enchido de pêsames e homenagens
(mas também de algumas críticas acerbas à maneira como decidira chamar a
atenção das pessoas para o facto de a anorexia poder ser uma doença mortal
e para os laços entre esta e a indústria da moda feminina), fora exactamente a
cara pública (e o corpo também) da anorexia desde que em 2007 a agência
que procurava a rapariga ideal para ser fotografada por Oliviero Toscani
(mitificado no mundo da publicidade desde as suas campanhas nos anos
oitenta e noventa do século passado para a casa italiana Benetton, cuja
audácia tinha agradado a muitos e ofendido muitos outros por incluírem - para
ajudar a vender trapos - imagens realistas e pungentes de um moribundo de
sida e de condenados no corredor da morte de uma prisão norte-americana) a
fim de ilustrar a doença, a fora desencantar, ao fim de semanas de busca,
numa enfermaria de hospital em Paris.
A rapariga não fora lá ter por acaso, nem era esse o seu primeiro
internamento. Filha de pai muitas vezes ausente e de mãe intensamente
neurótica - obcecada pela saúde da filha ao ponto de não a deixar ir à escola
não fosse apanhar doenças ou não fosse o ar livre fazê-la crescer de mais e
também atormentada com a ideia de que a pequena quando viesse a ser
grande lhe iria escapar - Isabelle cedo se culpabilizou por se achar pesada
(descobriu um dia ter mais 5 quilos do que uma garrafa de gás que a mãe não
conseguira carregar) e começou a fazer esforços sobre-humanos para
emagrecer. A certa altura passara a comer só quatro corn flakes e dois
quadrados de chocolate por dia. Aos 13 anos era anoréxica diagnosticada.
(Uma descrição técnica sumária da doença poderia rezar: 'Anorexia nervosa
caracteriza-se por emagrecimento extremo, busca constante de magreza,
recusa em manter peso normal, terror de engordar, falta de menstruação em
raparigas e mulheres e hábitos alimentares muito perturbados'). Com altos e
baixos na magreza, ao fim do liceu tentara carreira de modelo: contava que
uma estilista lhe dissera que precisaria de perder ainda 10 quilos; e que nas
múltiplas conversas travadas com gente variada do ramo nunca alguém
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alguma vez lhe sugerira que ganhasse um pouco de peso. Quando, depois de
internamentos e de uma queda em coma, foi tirada do hospital e fotografada
para o cartaz da marca de roupas italiana 'No-L-ita' que a tornaria célebre, tinha
psoríase, o peito caído, um corpo de velha escanzelada - e estava segura de
que a imagem iria assustar candidatas a modelo e não aliciá-las. A altura era
propícia: em 2006, o mundo da moda fora abalado pela morte por anorexia de
uma brasileira que era manequim conhecido. Mas foi efeito de pouca dura.
Hoje só a Espanha proíbe manequins com índice de massa corporal abaixo de
certo número (p. ex., têm de ter mais de 56 quilos para 1,75 metros de altura).
Todos os outros países fazem recomendações mas não obrigam ninguém,
entre outras razões porque as grandes marcas se recusam a cooperar.
Às vezes mal apreciada (o fotógrafo que lhe trouxe fama considerava-a
egocêntrica e exibicionista) desde 2007 fizera esforço titânico para alertar
outras raparigas do perigo mortal da anorexia, em entrevistas de jornal e de
televisão, no seu blogue, num livro - "A Menina que Não Queria Engordar" publicado em França em 2008. Passara a apetecer vorazmente a normalidade;
tinha há pouco tempo um namorado com quem arriscava vida de casal;
conseguia pesar 42 quilos. Morreu convencida de que se curaria da anorexia.“
Texto publicado na edição do Expresso de 8 de janeiro de 2011
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Conclusão
Através deste trabalho tivemos oportunidade de estudar sobre distúrbios
alimentares e compreender o porquê da sua existência, que não se
desenvolvem apenas através de causas estéticas e por influência da
sociedade, como se poderá pensar, mas também através de causas biológicas,
ou até mesmo causados por obsessões, tanto por uma má alimentação ou uma
alimentação saudável como pelo exercício físico.
Concluímos, também, que a comunicação social é um dos maiores
agentes causadores destes distúrbios, tendo grande capacidade de influenciar
a sociedade. Estes distúrbios para além de causarem imensos transtornos
físicos são inicialmente causados por transtornos psicológicos causados pela
influência deste agente. Por um lado, somos levados a ter como ideia de um
físico ideal, uma imagem de uma pessoa magra, por outro lado, somos
“bombardeados” com publicidade de comida, que, geralmente, para além de
não ser essencial à nossa alimentação, também não faz bem à saúde.
Como complemento do trabalho, referimos uma situação em que a
comunicação social usou o seu poder para corrigir o erro das más influências
que transmite, mostrando uma modelo com anorexia, com o fim de alertar a
população para este distúrbio, causado pela obsessão pela magreza.
Verificamos que os distúrbios causados por causas biológicas não são
muito estudados, sendo ainda estranhos para a medicina actual, não lhes
dando grande relevância. Verificamos também que os distúrbios causados por
obsessões são encarados como um distúrbio apenas psicológico e não
alimentar.
Estes distúrbios são um grave problema de saúde, cujo diagnóstico e
tratamento é importante desenvolver, pois ainda não há grande evolução,
prova disso são a pouca diversidade de tratamentos e mesmo associações de
apoio a estes doentes, que em Portugal são apenas duas: NDCA - Núcleo de
Doenças do Comportamento Alimentar (http://www.comportamentoalimentar.pt/ ) e
AFAAB - Associação dos Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímico.
A realização deste trabalho foi bastante enriquecedora, uma vez que
reunimos grande conhecimento sobre o temo e nos foi despertado mais algum
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interesse sobre ele. Confirmamos, também, que uma importante área a
desenvolver futuramente é esta da nutrição.
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BIBLIOGRAFIA/WEBGRAFIA
http://apps.who.int/bmi/index.jsp
http://www.alimentacaosaudavel.org/
http://www.mayoclinic.com/
http://www.wikipedia.org
http://www.medicinenet.com/anorexia_nervosa/article.htm
http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol31/n4/pdf/154.pdf
http://www.fmrp.usp.br/revista/1998/vol31n1/disturbios_conduta_alimentar.pdf
http://aeiou.expresso.pt/isabelle-caro-1982-2010=f625825
GLEITMAN, Henry; FRIDLUND, Alan J.; REISBERG, Daniel. Psicologia.
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2009
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