TCC CORRIGIDO

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DIOVANA TAIS LINK ENGSTER
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
SANTA ROSA, DEZEMBRO, 2013
UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL – UNIJUÍ
DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCACÃO
CURSO DE PSICOLOGIA
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
DIOVANA TAIS LINK ENGSTER
ORIENTADORA: SONIA APARECIDA DA COSTA FENGLER
Trabalho de conclusão de curso
apresentado como requisito parcial para
conclusão do curso de formação de
psicólogo.
Santa Rosa, Dezembro, 2013
DIOVANA TAIS LINK ENGSTER
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
BANCA EXAMINADORA
SONIA APARECIDA DA COSTA FENGLER
Psicóloga; Mestre;
Professora do Departamento de Humanidade e Educação
LALA CATARINA LENZI NODARI
Doutora em Educação; Mestre;
Professora do Departamento de Humanidade e Educação
Dedico este trabalho de pesquisa a meus
pais Valdir Link e Noeli Dreger Link, e ao
meu marido Douglas André Engster, por
sempre me apoiarem em meu percurso
acadêmico, incentivando-me a nunca
desistir de meus objetivos, e não medindo
esforços para me impulsionar a alcançalos.
AGRADECIMENTOS
Durante a realização deste trabalho, existiram pessoas que foram muito
importantes para que eu não desistisse, e seguisse adiante até acaba-lo. Neste
momento quero agradecê-los por todo apoio.
Assim agradeço em primeiro lugar a Deus que me iluminou e me deu forças
para seguir sempre em frente e não desistir nos espinhos que apareceram em meu
caminho.
A minha orientadora professora Sonia Aparecida da Costa Fengler pelas suas
importantes contribuições, pela paciência e carinho o qual dispensou a mim durante
todo este semestre, e por seu jeito bondoso ajudar-me a findar minha jornada. Pelas
contribuições da professora Lala Catarina Lenzi Nodari no momento de minha
apresentação.
Ao meu irmão Giovan e minha cunhada Marla, que mesmo longe sempre me
ajudaram de alguma forma, mesmo que fosse com palavras de motivação e apoio,
por acreditarem em mim, pela minha sobrinha Mariana, que com sua alegria de viver
e amor, sempre me motivava.
A Danielle Tatiane Abran minha amiga, madrinha e irmã do coração,
companheira de todas as horas fossem elas boas ou ruins, sempre ao meu lado me
ajudando e motivando. As minhas colegas e amigas Tami e Leti pela amizade que
vai ficar para sempre.
Ao meu marido Douglas por ter me compreendido durante este semestre de
trabalhos incessantes, aos meus amigos e compadres Adriano e Beatriz, Tiago e
Aline, por sempre me fazerem acreditar que eu conseguiria, aos meus primos Daniel
e Eliana, pelo apoio.
E principalmente aos meus pais Valdir e Noeli que me deram a oportunidade
de estudar e fazer a faculdade que sempre quis, por sempre estarem ao meu lado, e
acreditarem e me fazer acreditar no meu potencial.
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
DIOVANA TAIS LINK ENGSTER
SONIA APARECIDA DA COSTA FENGLER
RESUMO:
Na sociedade contemporânea em que estamos inseridos a ansiedade é um dos
maiores males que acomete o indivíduo, pois são tantos os afazeres e
responsabilidades que assumimos e, em meio a este contexto está a nossa
estrutura subjetiva que em muitos momentos não está preparada para absorver toda
essa carga de compromissos. Assim, esse trabalho de conclusão de curso aborda
as patologias causadas pelo excesso de ansiedade. Parte então, de uma descrição
sobre o que é ansiedade, e os males que o excesso de ansiedade pode causar.
Apresenta as formas de reconhecer quando a ansiedade é considerada normal e a
partir de que momento ela torna-se patológica. Aborda de forma sucinta os
transtornos causados pela ansiedade “desenfreada”, e, em um segundo capítulo a
pesquisa se ocupa de um estudo específico do transtorno de ansiedade
generalizada.
PALAVRAS-CHAVE: Indivíduo, ansiedade, sintoma, transtorno, tratamento.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 7
CAPÍTULO l - ANSIEDADE ................................................................................................................ 8
CAPÍTULO ll - TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA .......................................... 16
2.1 Sintomas ................................................................................................................................... 20
2.2 Tratamento................................................................................................................................ 23
2.2.1 Farmacoterapia ................................................................................................................. 23
CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................................. 28
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................................................ 31
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem por objetivo descrever de modo amplo o que é
ansiedade, e também abordar os sintomas que se apresentam no transtorno de
ansiedade generalizada. Com o objetivo de esclarecer e de facilitar, o diagnóstico
precoce deste transtorno, para que alguns dos sintomas mais graves sejam
evitados, e que o prejuízo na vida do indivíduo portador deste transtorno seja o
menor possível.
Vale ressaltar, que todos os indivíduos em algum momento de suas vidas
apresentarão alguma forma de ansiedade, em menor intensidade, sendo
considerada uma situação normal.
No primeiro capítulo procuro tratar a respeito das definições de ansiedade
apresentadas pelos diferentes autores estudados. Para após trabalhar sobre os
males que o excesso de ansiedade pode causar, e os transtornos decorrentes desse
excesso. É feito um breve relato sobre o Transtorno do Pânico, o Transtorno de
Estresses Pós-traumático, as Fobias e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
Já no segundo capítulo, refletiremos a respeito do Transtorno de Ansiedade
Generalizada. Para aprendermos a identificar quando a ansiedade torna-se
patológica e quando é considerada normal. Procuro abordar também as fobias que
costumam aparecer concomitantemente ao Transtorno de Ansiedade Generalizada.
A escolha desse tema se deu devido a um percurso pessoal e conhecimentos
que surgiram na vida acadêmica, além deste ser um contexto muito presente na
sociedade atual, devido ao fato de geralmente as pessoas não disponibilizarem
muito tempo para o lazer, sendo este um sintoma cada vez mais presente no
cotidiano dos indivíduos.
Então certamente como profissional no campo da psicologia, em algum
momento de minha prática clínica irei me deparar com questões referentes a esse
transtorno.
CAPÍTULO l - ANSIEDADE
Atualmente, falar de ansiedade é falar de um dos maiores males da
sociedade em que vivemos, pois esta acomete grande parte dos indivíduos no
contexto em que estão inseridos hoje, ou seja, nossa sociedade capitalista, onde os
indivíduos acabam não tendo mais tempo para o lazer, e sim pensam apenas no
trabalhar, e com isso acabam “ansiosas”. Mas, percebe-se que apesar da ansiedade
ser um transtorno que gera sensações, sintomas desagradáveis, observa-se que
geralmente os indivíduos ansiosos se encontram ativos preocupam-se, e possuem
perspectivas futuras e, analisando por este âmbito são indivíduos que “fazem as
coisas acontecerem”, é claro que se deve analisar o grau da ansiedade.
“Dessa forma, o termo ansiedade provém do grego Anshein,
que significa oprimir, sufocar. Ansiedade exprime a experiência
subjetiva e esta sempre associada à manifestação de sintomas
corporais. Ela constitui-se como resposta a uma possível
ameaça desconhecida, vaga. Pode-se afirmar, que a
impossibilidade do ser humano em dar sentido a determinadas
situações é de longe o maior gerador de ansiedade possível de
vivenciar.” (www.scielo.br, acesso dia 23 de setembro de
2013).
Segundo Beck e Clarck “a ansiedade é um estado de sentimento
desagradável evocado quando o medo é estimulado” (2012, pag.17), ou seja, o
medo estimula a ansiedade, então isso significa que o medo é antecipatório a
ansiedade. Todos em algum momento da vida iremos passar pela experiência de
nos sentirmos ansiosos, seja a ansiedade causada pelo medo, ou por alguma outra
situação que possa estimular a ansiedade em nosso corpo.
Conforme Clark e Beck: “Ansiedade é um sistema de resposta
cognitiva, afetiva fisiológica e comportamental complexo que é
ativado quando eventos ou circunstâncias antecipadas são
consideradas
altamente
aversivas
porque
são
9
Percebidas como eventos imprevisíveis que poderiam
potencialmente ameaçar os interesses vitais de um indivíduo.”
(2012, pag.17).
Para Freud, o que gera a ansiedade são os conflitos psíquicos ligados à
sexualidade. Já segundo Taylor a ansiedade faz parte de nossas vidas, e, assim a
sua originalidade pode ocorrer a qualquer momento e pode ser de forma saudável,
ou causando algum tipo de transtorno psicológico. Assim a ansiedade é um estado
emocional de apreensão, uma expectativa de que algo ruim aconteça acompanhado
por varias reações físicas e mentais desconfortáveis. Ou seja, a ansiedade poderá
manifestar-se a qualquer momento em nossas vidas.
Freud em seus escritos referia-se a ansiedade como angst, que no português
seria angustia, porem foi um termo que complicou bastante as traduções de suas
publicações, pois alguns tradutores acharam que ansiedade seria o termo mais
correto para ser usado nas traduções, que se adequava mais com os sintomas
apresentados pelo autor, devido a este fato posteriormente o próprio Freud
concordou no uso de ansiedade no lugar de angustia.
Neste contexto algo que acontece bastante é o fato de confundir-se o medo e
a ansiedade. Porém estas são emoções diferentes.
“A ansiedade é uma resposta a uma possível ameaça
desconhecida, vaga, diferente do medo que é um estado
emocional similar, só que, em resposta a uma ameaça
conhecida e definida”. Pode-se dizer que o medo envolve a
avaliação intelectual de um estimulo ameaçador e a ansiedade
é a resposta emocional a essa avaliação.” (Gonçalves, Betsie,
2003). “Assim, o medo produz a ansiedade, que prepara o
indivíduo a tomar as medidas necessárias, para evitar a
ameaça ou, ao menos atenuar suas consequências.”
(Gonçalves, Betsie, 2003)”.
Segundo Beck e Clark: “O medo é um estado neurofisiológico automático
primitivo de alarme envolvendo a avaliação cognitiva de ameaça ou perigo eminente
à segurança e integridade de um indivíduo.” (2012, pag.17)
Portanto, o medo sempre é destinado a algo conhecido, tem um destino, ou
um objeto definido, enquanto que a ansiedade esta ligada ao fato de algo
desconhecido, que causa insegurança. Quando sentimos medo, sentimos de alguma
situação, ou, como por exemplo, de algum animal, e quando estamos ansiosos
sentimos insegurança de que algo ruim possa nos acontecer, ou com alguém que
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nos seja próximo. Porem, tanto o medo quando a ansiedade nos remete ao futuro de
algum modo.
Dessa maneira, a presença excessiva de ansiedade causa vários danos,
tanto físico quanto psicológico ao seu portador, o excesso de ansiedade faz com que
o indivíduo mantenha-se sempre em estado de vigília, com um sono geralmente
perturbado, pode-se dizer que o indivíduo muito ansioso ao deitar-se para dormir
“não desliga, permanece o tempo todo ligado”, mesmo com os olhos fechados seu
cérebro continua funcionando, não descansa. Além de ter crises de choro
involuntário, das quais não consegue ter controle.
Ainda, a ansiedade também faz com que o indivíduo sinta receio de enfrentar
algumas situações, e, consequentemente acontece o aparecimento do medo, que
pode fazer com que o indivíduo sinta-se sempre ameaçado, causando uma
dependência de sempre estar com alguém que lhe faça sentir seguro.
Portanto, os sinais e sintomas somáticos observados em estados ansiosos
incluem aumento do tônus autonômico e suas consequências, como midríase,
alterações respiratórias, cardiovasculares, digestivas, contraturas musculares,
cefaleias e outras dores tensionais, tremores, calafrios, cinestesias e parestesias,
tontura e sensação de flutuação, entre outros. Os sinais psíquicos incluem
insegurança, apreensão, nervosismo aflição, choro, sustos e reações de
sobressalto, alterações cognitivas, fadiga, insônia inicial ou sono entrecortado,
pesadelos, terror noturno, sensações de despersonalização ou desrealização.
“Assim, alguns indivíduos queixam-se também, de opressão,
vazio ou constrição na região precordial ou epigástrica, similar
à dor e tristeza do que medo, de fundo emocional, que
corresponde ao sintoma classicamente conhecido como
“angústia”. Adolescentes tendem a expressar ansiedade como
irritação. Em maior intensidade, o indivíduo ansioso pode sentir
que vai desmaiar ou perder a consciência, o autocontrole, ou
morrer, podendo entrar em pânico. Assim, o comportamento de
um indivíduo em estado ansioso pode variar da inibição
psicomotora à agitação e ao desespero.” (Hetem e Graeff,
2012, pag. 31).
Nesse contexto, acha-se necessário descrever um pouco de cada transtorno
que o excesso de ansiedade pode causar, a começar pelo transtorno do pânico. O
transtorno do pânico tem como característica principal o medo, que quando se
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manifesta de forma intensa causa ataques de pânico, segundo Barlow o pânico é a
apresentação mais clara de medo.
Freud inicialmente chamava o transtorno do pânico de neurose de angústia,
ainda diz que é caracterizada pela ansiedade crônica, ou por ataques de ansiedade,
porem, não considera sintomas distintos e sim duas variáveis de uma mesma
síndrome.
Portanto:
“os sintomas definidores de pânico são, palpitações ou
taquicardia, sudorese, tremores ou abalos, sensações de
sufocação ou falta de ar, sensação de asfixia, aperto, dor ou
desconforto torácico, desconforto abdominal ou náusea,
tontura, vertigem, desmaio ou sensação de instabilidade,
sentimentos de irrealidade (desrealização) ou de estar
distanciados de si mesmo (despersonalização), sensações de
entorpecimento ou formigamento, calafrios ou ondas de calor,
medo de perder o controle ou enlouquecer, medo de morrer”.
(Clark, e Beck, 2012, pag. 281)
Sabe-se que Indivíduos portadores deste transtorno também relatam que
algumas situações como ficar sozinho em casa, ir ao supermercado, lojas, andar de
ônibus, caminhar na rua, dirigir, até mesmo sinais internos como pensamentos,
sentimentos, imagens ou sensações corporais, entre outras situações podem causar
ataques de pânico. Assim, o indivíduo passa a evitar este tipo de situações a fim de
evitar sofrer algum ataque de pânico.
Conforme o DSM (Diagnóstico de Transtornos Mentais), atualmente
reconhece três tipos de pânico que são ataques de pânico espontâneos ou
inesperados, quando o ataque acontece sem ser percebido antecipadamente o
sujeito somente percebe o que esta tendo um ataque de pânico quando ele já esta
acontecendo, enquanto que os ataques de pânico ligados a situações ocorrem no
momento de exposição a algo que perturbe o indivíduo, e, o ataque de pânico
predisposto pela situação que acontecem geralmente quando o indivíduo
aparentemente está bem, sujeitando-se a passar por uma situação que lhe causa
pânico e de repente acontece um ataque de pânico, como por exemplo, quando se
esta esperando na fila de um banco.
Por esta razão, faz se necessário conhecermos o conceito de fobia, que
segundo Hetem e Graeff:
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“O aspecto essencial das fobias é o medo persistente,
exagerado e irracional, desencadeado pela presença ou pela
antecipação de contato de situações ou objetivos específicos.
Em razão dele, o indivíduo fóbico evita a todo custo à situação
temida ou a enfrenta com extrema dificuldade. Ataques de
pânico podem ocorrer se o indivíduo se vê obrigado a
confrontar a situação ou o objeto fóbico.” (2012, pag. 118)
Portanto, frequentemente o transtorno do pânico vem acompanhado de
agorafobia, que é caracterizada pela ansiedade e preocupação de estar em um
ambiente do qual não vai conseguir sair, ou que poderá vir a ter um ataque de
pânico e não terá ninguém que lhe ajudará, a partir de então, o indivíduo passar a
evitar estes ambientes ou somente os frequenta se estiver acompanhado.
Conforme Beck e Clark:
“O termo agorafobia tem origem na palavra grega ágora que
significa lugar público de reunião. Trata-se de um medo
irracional e persistente de ficar só em lugares públicos, nos
lugares em que pode ser difícil sair ou obter ajuda no caso de
uma incapacitação repentina. Entre situações que evocam
esse medo intenso estão sair à rua, usar transporte público, ir a
lugares muito frequentados.” (2012, pag. 127).
Nota-se que a agorafobia caracteriza-se principalmente pelo medo de lugares
públicos, porem inúmeros outros medos também podem se manifestar, e estas
manifestações acabam causando ataques de pânico no indivíduo que na maioria
das vezes o seu primeiro acontecimento é em público, o que faz com que o indivíduo
passe a esquivar-se de lugares que possam o expor. Porem, a agorafobia é
considerada o quadro fóbico mais limitante e comprometedor.
Para tanto, o transtorno de fobia social é caracterizado pelo medo de qualquer
tipo de exposição em público, pois para o indivíduo portador do transtorno, a
possibilidade de ser avaliado por outros lhe causa medo, insegurança em errar
gaguejar, ou mesmo não saber o que fazer perante o público. Porem, não se resume
somente a este tipo de situações, o indivíduo também passa a privar-se de
frequentar locais públicos pelo simples fato de sentir medo que alguém lhe aborde
para conversar e o mesmo não saiba o que fazer.
Segundo Hetem e Graeff:
“O termo fobia social refere-se ao medo diante da perspectiva
de ser observado, em especial quando o indivíduo precisa
fazer certas atividades na presença de outros. Essas atividades
incluem comer, beber, escrever, assinar, usar aparelhos
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públicos, trabalhar ou viajar em transportes públicos, caminhar
com outras pessoas, falar para outras pessoas ou
simplesmente ser olhado. As principais preocupações incluem
o medo de ser incapaz de se expressar, parecer estúpido, não
saber o que dizer e ser ignorado, entre outros. Os indivíduos
com fobia social avaliam as situações problemáticas como
ameaçadoras e potencialmente catastróficas.” (2012, pag.123)
Dessa forma, também são frequentes entre indivíduos portadores de fobia
social os ataques de pânico, que acontecem quando o nível de ansiedade é muito
elevado desencadeando assim um ataque de pânico. Então para o indivíduo
portador de fobia social podemos constatar que toda e qualquer atividade que o faça
ter contato com outras pessoas, o faz mal, lhe causa constrangimento, e o deixa
com medo de não ter a reação adequada para a situação.
Para tanto, o transtorno obsessivo compulsivo, também conhecido como
TOC, é mais um dos transtornos de ansiedade e, Clark e Beck o definem como: “O
TOC é um transtorno de ansiedade no qual os aspectos principais são a ocorrência
de obsessões e ou compulsões de gravidade suficiente a ponto de consumir tempo
e ou causar sofrimento acentuado ou prejuízo funcional”. (2012, pag.447).
Portanto, o indivíduo portador de TOC pode apresentar tanto a obsessão
como a compulsão, ou somente um dos sintomas, porem geralmente os dois se
apresentam. Assim é importante sabermos diferenciar o que é obsessão e o que é
compulsão. Portanto obsessão são pensamentos, imagens, impulsos repetitivos
indesejados pelo indivíduo, muitas vezes o mesmo sabe que esta exagerando em
seus pensamentos, porem não consegue controlar. Enquanto que a compulsão é
uma resposta mental repetida, e geralmente envolve uma ação, às vezes
involuntária, porem incontrolável, como verificar se a porta esta trancada várias
vezes.
Dessa forma, para que o indivíduo seja diagnosticado com TOC é importante
que ele apresente compulsão ou obsessão, ou mesmo os dois, e que estas sejam
excessivas ou irracionais, causando prejuízos na vida do indivíduo.
Assim, faz-se necessário conceituar estresse que segundo dicionário é um
“conjunto de perturbações, orgânicas, psíquicas, provocadas por vários agentes
agressores, como o frio, uma doença infecciosa, uma emoção um choque cirúrgico,
as condições de vida muito ativa e trepidante, etc.” (Dicionário Aurélio).
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Nesse contexto, entramos no transtorno de estresse pós-traumático (TEPT),
este transtorno se manifesta após o indivíduo passar por uma situação de trauma
específico, que podem ser os mais variados, como algum tipo de acidente, algum
crime, ser diagnosticado com alguma doença grave, ou algum evento traumático.
Assim, o indivíduo com TEPT apresenta sintomas de revivência, onde o
evento traumático é revivido, seja por pensamentos, imagens, ou pequenos filmes
que passam em sua cabeça relembrando o evento, esta revivência lhe causa um
grande sofrimento, e pode causar uma descarga de ansiedade, que fará com que o
indivíduo sinta como se estivesse acontecendo tudo novamente.
Dessa maneira, o indivíduo passa também a evitação, onde evita alguns
contatos e situações na tentativa de não sofrer mais nenhuma revivência que lhe
traga sofrimento. Ocorre também do indivíduo perder a capacidade de sair sozinho
de casa, pelo fato de temer que algo lhe aconteça. O indivíduo passa ainda a ter
dificuldades de expressar seus sentimentos por pessoas próximas, de emocionar-se,
em alguns casos amnésia de fatos traumáticos, e por fim, são indivíduos
permanentemente alertas, como se fossem ser atacados ou sofrer algo a qualquer
momento, e não estivessem seguros em lugar algum.
Dessa maneira, o transtorno de estresse agudo (TEA), assim como o
transtorno de estresse pós-traumático o TEA caracteriza-se como uma resposta a
algum acontecimento traumático, porem com três diferenças fundamentais, a
primeira e mais importante que é temporal, é imediato se apresenta em no máximo
dois dias, e se permanecerem os sintomas, o diagnóstico passa a ser de TEPT.
Ainda, a segunda diferença esta na obrigatoriedade de o indivíduo apresentar
pelo menos três sintomas dos seguintes sintomas, amnésia dissociativa, sentimento
de
distanciamento,
despersonalização,
ausência
de
resposta
emocional,
desrealização, redução da consciência das coisas que o rodeiam. E a terceira
diferença é apresentar sintomas de evitação, intrusão e hipervigilância, sendo que
se apresentar somente um destes sintomas pode-se fazer o diagnóstico de TEA
enquanto que no caso de TEPT, são necessários três ou mais sintomas.
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Assim, segundo Clark e Beck:
“o transtorno de estresse aguda (TEA) é um estado de
ansiedade imediato em resposta a um evento traumático no
qual sintomas dissociativos agudos predominam juntamente
com alguma revivência da experiência relacionada ao trauma,
esquiva, e sintomas de excitabilidade aumentada que juntos
causam significativo sofrimento ou prejuízo funcional. A maioria
dos indivíduos com TEA eventualmente satisfará os critérios
para TEPT.” (2012, pag. 495).
Dessa forma, surge um segundo momento da pesquisa em que passo a
escrever especificamente do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), que é
mais um dos transtornos causados pelo excesso de ansiedade.
CAPÍTULO ll - TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
“Atualmente, o transtorno de ansiedade generalizada é a principal categoria
diagnóstica para a ansiedade proeminente e crônica na ausência de transtorno de
pânico.” (Hollander e Simeon, 2004, pag. 45).
“O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é um estado
persistente
de
ansiedade
generalizada
envolvendo
preocupação crônica, excessiva e invasiva que é
acompanhada por sintomas físicos ou mentais de ansiedade
que causa sofrimento significativo ou prejuízo no
funcionamento diário.” (Clark e Beck, 2012, pag. 391).
Portanto, este transtorno é caracterizado principalmente, pela ansiedade
excessiva, e descabida, em grande parte das vezes. A ansiedade manifesta, esta
relacionada a fatos cotidianos do dia a dia do indivíduo com transtorno de ansiedade
generalizada, fatos que antes do TAG manifestar-se, eram vistos como normais pelo
indivíduo, as atividades eram realizadas sem dificuldades e sem nenhum problema,
após o TAG manifestar-se, até mesmo a atividade mais simples antes desenvolvida
pelo indivíduo pode tornar-se um grande problema.
“TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) é um transtorno
da aflição com uma estrutura diagnóstica e de sintoma
semelhante, e ao mesmo tempo distinta, de depressão maior.
A avaliação clínica e o tratamento de TAG deve incluir a alta
probabilidade de distúrbio afetivo na forma de um transtorno ou
sintoma depressivo concomitante”. (Clark e Beck, 2012, pag.
393).
Dessa forma, os sintomas apresentados pelo indivíduo com transtorno de
ansiedade generalizada se assemelham a vários sintomas de outros transtornos
ligados a ansiedade, por isso pode-se dizer que existem sintomas que irão aparecer
no TAG que também aparecem em outros casos, como no caso do transtorno de
pânico e depressão maior, por isso a importância de saber diferenciar os sintomas, e
assim
consequentemente
diagnosticar
o
TAG
com
precisão.
Neste contexto, “segundo alguns índices de qualidade de vida, os indivíduos
com TAG sem co-morbidade realmente se sentem pior do que aqueles com
depressão maior não associada à outra condição mórbida.” (Hollander e Simeon,
2004, pag. 22)
Portanto, sabemos que este diagnóstico não é uma tarefa fácil, justamente
porque os mesmos sintomas se apresentam em vários outros transtornos, Por isso,
para facilitar o diagnóstico é preciso constatar que a ansiedade realmente seja
excessiva e crônica, e que esta preocupação excessiva esta causando prejuízos
significativos na vida do indivíduo que esta apresentando tais sintomas.
Assim, em contraste com o transtorno de pânico, nenhum evento isolado faz
com que o indivíduo com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) busque ajuda.
Somente com o passar do tempo esses indivíduos parecem desenvolver o
reconhecimento de que a sua experiência de tensão crônica, hiperatividade,
preocupação e ansiedade é excessiva.
Por esta razão:
“frequentemente, declaram que nunca houve um momento de
suas vidas, pelo que eles podem se lembrar, em que não se
sentissem ansiosos. O TAG parece ser uma condição mais
crônica do que o transtorno do pânico, com menos períodos de
remissão espontânea. Os indivíduos com TAG cujos sintomas
de ansiedade iniciam mais precocemente, nas duas primeiras
décadas de vida, parecem ficar em geral mais comprometidos,
sofrer de ansiedade mais grave que não é precipitada por
eventos estressantes específicos e ter história de mais medo
na infância, ambientes familiares perturbados e maior
desajuste social.” (Hollander e Simeon, 2004, pag. 84; 85).
Portanto, devemos levar em consideração no momento do diagnóstico, que
não necessariamente somente os indivíduos que tinham maior nível de medo na
infância ou ambientes familiares conturbados podem desenvolver este tipo de
transtornos, e sim que todos, de uma forma ou de outra estamos propensos a
desenvolver não só este, mas qualquer tipo de transtorno emocional. Devemos
lembrar que não são somente estes acontecimentos que colaboram no
desenvolvimento destas perturbações, e sim, que devemos considerar que hoje
vivemos em um mundo de muitas cobranças, o qual nos oferece poucas horas de
lazer, pouco tempo para descansar, isso e muitos outros acontecimentos cotidianos
devem também ser levados em consideração no momento do diagnóstico.
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Conforme Hollander e Simeon:
“Parece haver um componente genético no TAG, embora
relativamente modesto. Foi encontrado um risco de morbidade
de 19,5% para o TAG entre familiares de indivíduos com o
transtorno, comparando com 3,5% em familiares de controle
psicológica e medicamente saudáveis.” (2004, pag. 107).
Outro fator importante, que não devemos esquecer, é que o atraso na busca
por ajuda e, também no diagnóstico correto, pode fazer com que o indivíduo com tal
transtorno tome algumas atitudes, as quais atentem a própria vida, pois fazem com
que o sujeito perca o controle da situação, e, em alguns casos de tão transtornado
que se encontra não percebe que determinadas atitudes podem lhe custar à vida.
Dessa forma, o indivíduo com TAG tende a se isolar, não sentindo mais
necessidade de comunicar-se, este pode até sentar-se em uma roda de pessoas,
porem, não participa de nenhum tipo de assunto, nem mesmo dos assuntos dos
quais eram de seu interesse anterior.
Portanto, existem algumas alternativas de tratamento que auxiliam na
recuperação de autocontrole e melhora a estrutura psicológica do indivíduo. Os
sintomas são simples e fáceis de identificar, desde que se tenha um pequeno
conhecimento sobre este transtorno.
Porem, “o transtorno de ansiedade generalizada é o terceiro transtorno mais
comum com uma prevalência ao longo da vida de 5,7%, é duas vezes mais comum
em mulheres e pode ser um pouco mais prevalente em brancos”. (Clark e Beck;
2012, pag.398). Entre pacientes portadores de TAG e portadores de fobia social, os
com TAG tem maior probabilidade de buscar ajuda.
Nesse contexto:
“O TAG esta associado a prejuízos significativos no
funcionamento social e ocupacional, bem como na qualidade
de vida. Vários estudos revelam que os indivíduos com TAG
experimentam diminuições significativas nos relacionamentos
profissionais e sociais, bem como na qualidade de vida.” (Clark,
e Beck; 2012, pag. 398).
Dessa forma, em alguns casos de transtorno de ansiedade generalizada, é
comum que o indivíduo também desenvolva fobia social, entre outros transtornos
que podem se apresentar concomitantemente. Isso na maioria dos casos se deve ao
fato da demora em buscar ajuda. Quando isto acontece, os prejuízos causados na
19
vida do indivíduo são ainda maiores, pois a fobia social faz com que o mesmo se
esquive de contato com outras pessoas, e consequentemente, o indivíduo aos
poucos vai se afastando de seus colegas de trabalho, até isolar-se, e perder
totalmente o contato com o mundo que o rodeia. Logo esta falta de contato com
outras pessoas acaba por causar prejuízos ainda maiores para o indivíduo de tal
transtorno.
É importante ressaltar que, o transtorno de ansiedade generalizada,
geralmente vem acompanhado de outros transtornos desta natureza, como
transtorno do pânico, depressão ou mesmo abuso de substâncias como álcool ou
drogas.
Portanto, para os indivíduos com TAG é complicado dizer a partir de quando
que os sintomas começaram a aparecer, sendo que alguns dos sintomas começam
muito precocemente, e estudos mostram que geralmente a manifestação do TAG
acontece na entrada da fase adulta, supõe-se que pode ser em consequência de ser
a fase na vida em que se começa a assumir responsabilidades, não só
empregatícias, mas também na própria vida pessoal.
Por esta razão, para que haja o diagnóstico diferencial é necessário certificarse de que os sintomas corporais os quais o indivíduo esta apresentando queixa,
sejam provenientes do Transtorno, e não de qualquer outro tipo de atividade que o
indivíduo possa ter desenvolvido. Além de que a ansiedade tem que ser persistente
e intensa, ao ponto de causar prejuízos para a vida do indivíduo com transtorno.
Diferentemente das pessoas depressivas, os indivíduos com TAG não deixam de
aproveitar os bons momentos dos quais tem a oportunidade de desfrutar.
Assim, outro ponto importante é que na grande maioria das vezes o
transtorno de ansiedade generalizada, aparece acompanhado de outros transtornos.
Como no caso do transtorno de humor, que é caracterizado pela depressão, e
variabilidades constantes de humor. O transtorno do sono queixa esta que 70% dos
indivíduos com TAG apresentam que é a redução do tempo de sono e, o mesmo
não tem mais o efeito reparador que tinha antes, o indivíduo acorda sempre
cansado.
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Dessa forma, outro fator é o abuso de álcool que é frequentemente presente
nesse caso de transtorno, porém o indivíduo geralmente apresenta os sintomas de
TAG antes de começar a abusar da substância. Além de outros transtornos de
ansiedade, como transtorno do pânico, transtorno de ansiedade social e fobia
simples.
Assim, sabemos que além dos sintomas característicos do transtorno de
ansiedade generalizada o indivíduo poderá também apresentar sintomas dos outros
transtornos acima citados, por esta razão, como foi mencionado anteriormente, é
fundamental o diagnóstico correto, para tratar o real transtorno que acomete o
indivíduo.
2.1 Sintomas
Critérios
diagnósticos
do
DSM-IV-TR para
transtorno
de
ansiedade
generalizada:
A - “Ansiedade e preocupação excessiva (expectativa apreensiva, ocorrendo na
maioria dos dias pelo período mínimo de seis meses, com diversos eventos ou
atividades, tais como desempenho escolar ou profissional)”. (Clark e Beck; 2012,
pag. 391).
Portanto, é a presença de ansiedade generalizada e persistente, que pode
estar ligada a eventos cotidianos, sem necessariamente ser alguma situação
determinada, pode acorrer com qualquer tipo de situação, e, pode vir acompanhada
de uma grande carga de irritabilidade.
B - “O indivíduo considera difícil controlar a preocupação”. (Clark e Beck; 2012, pag.
391).
Assim, a preocupação torna-se algo presente na vida do indivíduo com
transtorno de ansiedade generalizada, porem chega o momento em que foge de seu
21
controle, e o mesmo não tem mais condições de dominar sua preocupação,
perdendo assim o autocontrole de qualquer situação.
C - “A ansiedade e a preocupação estão associadas com três (ou mais) dos
seguintes seis sintomas (com pelo menos algum deles presente na maioria dos dias
nos últimos seis meses):”
1.
Inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele
2.
Fatigabilidade
3.
Dificuldade de se concentrar ou sensação de branco na mente
4.
Irritabilidade
5.
Tensão muscular
6.
Perturbação do sono (dificuldade em conciliar ou manter o sono ou sono
insatisfatório e inquieto). (Clark e Beck; 2012, pag. 391).
Dessa forma, alguns sintomas apresentam-se como os protagonistas do
desencadeamento da ansiedade, como a facilidade de fatigar-se, sempre está
cansado, não tem disposição para realização de trabalhos de qualquer natureza. É
como se a inquietação e falta de paciência do indivíduo o cansasse de forma
exagerada. Esta inquietação também tem por consequência a dificuldade de
concentração, ou lapsos de memória causando esquecimento de acontecimentos
simples, os quais dificilmente seriam perdidos se o indivíduo não fosse portador
deste transtorno.
Ainda, o indivíduo com transtorno de ansiedade tem uma grande facilidade de
irritarem-se, com acontecimentos simples, cotidianos, os quais antes passavam
despercebidos, agora lhe causam grande irritabilidade. Esta irritabilidade se torna
algo habitual, passa a fazer parte do dia a dia do mesmo, e ele nem percebe mais o
que esta acontecendo, e cabe aos que o rodeiam o auxiliar orientando que esta
irritabilidade esta fora dos padrões normais.
Assim, a ansiedade excessiva faz com o indivíduo com transtorno acabe por
não conseguir dormir, a pessoa deita na cama até dorme porem seu cérebro não
“desliga”, fica o tempo todo ligado, o que faz com que acorde mais cansado do que
no momento em que foi dormir. E, além de apresentar tensão muscular, apresentará
dificuldade de concentração, ou mesmo esquecimento de acontecimentos recentes,
fato que não acontecia anteriormente ao aparecimento dos sintomas do transtorno.
22
D – “O foco da ansiedade ou preocupação não esta confinado a aspectos do Eixo I;
por exemplo, a ansiedade ou a preocupação não se refere a ter um ataque de
pânico (como no Transtorno de Pânico), ser envergonhado em público (como na
Fobia Social), ser contaminado (como no Transtorno Obsessivo-Compulsivo), etc, e
a ansiedade ou preocupação não ocorre exclusivamente durante Transtorno de
Estresse Pós-Traumático.” (Clark e Beck; 2012, pag. 391).
Por esta razão, geralmente o fato da ansiedade dos indivíduos com transtorno
de ansiedade generalizada, esta ligado a fatores que podem vir a acontecer, como
algum acidente envolvendo alguém da família, ou mesmo que alguém possa fazer
mal para ele próprio. Na maioria dos casos está ligado a fatos que podem vir a
acontecer, porem que tem uma possibilidade maior de não acontecer.
E - “A ansiedade, a preocupação ou os sintomas físicos causam sofrimento
clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em
outras áreas importantes da vida do indivíduo.” (Clark e Beck; 2012, pag. 391).
Portanto, o indivíduo com TAG acaba, devido ao seu comportamento, se
retraindo de contato com o público, pois este convívio para ele se torna algo difícil e
que lhe causa sofrimento. E com isso acaba por ter prejuízos até mesmo no campo
de trabalho, pois se torna disperso e desatento.
F – “A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância
(droga, medicamento) ou de uma condição médica geral (ex. hipertireoidismo) nem
ocorre exclusivamente durante um transtorno de humor, transtorno psicótico ou
transtorno global do desenvolvimento.” (Clark e Beck; 2012, pag. 391).
Assim, a perturbação do indivíduo com transtorno de ansiedade generalizada,
se deve ao alto nível de ansiedade que se apresenta, isto faz com que o mesmo
tome algumas atitudes que não são consideradas normais para o mesmo, causando
assim um grau de estranhamento entre as pessoas com as quais convive.
“Os indivíduos com TAG são cronicamente preocupadas,
inibidas, meticulosas e emocionalmente sensíveis. A
característica essencial do TAG é ansiedade e preocupação
excessivas e desnecessárias acerca de diversos eventos ou
atividades. Em geral, o paciente relata preocupações ou
“pressentimentos ruins” relacionados a questões de sua vida
rotineira. É comum o relato de medo. E durante o curso do
transtorno é comum à preocupação deslocar-se de um foco
para outro.” (Hetem e Graeff, 2012, pag. 179).
Nesse contexto, a preocupação que se manifesta de forma intensa, acaba por
tornar a vida social do indivíduo com este transtorno para com a sociedade um tanto
23
incomoda, pois apresenta dificuldades de relacionamento devido aos sintomas que
apresenta. “É uma preocupação exagerada que pode abranger diversos eventos ou
atividades da vida da pessoa. Costuma causar um comprometimento significativo no
funcionamento social ou ocupacional da pessoa, podendo gerar um acentuado
sofrimento.” (www.abcdasaude.com.br, acesso em 14 de julho de 2011).
2.2 Tratamento
2.2.1 Farmacoterapia
Neste contexto, antigamente usavam-se os benzodiazepínicos para o controle
da ansiedade, porem com o passar dos anos, estudos foram sendo realizados e
constatou-se a eficácia de outros medicamentos. Atualmente dispomos de quatro
classes de medicamentos para o tratamento do TAG, que são os seguintes:
Antidepressivos: os mais utilizados no TAG são os inibidores de serotonina,
como, citalopram, escitalopram, fluoxetina, paroxetina e sertralina, e também os que
são denominados duais como duloxetina e venlafaxina. Alguns casos de
medicamentos não são indicados devido ao fato de seus efeitos colaterais serem
incômodos. Depois de acertada a dosagem o indivíduo passa a apresentar
resultados a partir de quatro a oito semanas.
Benzodiazepínicos: eficaz no controle da ansiedade, porem de resultado
imediato, o que faz com que o paciente tenha que fazer uso contínuo do
medicamento.
Buspirona: Tem basicamente o mesmo efeito do benzodiazepínico no controle
da ansiedade, porem tem como vantagem a ausência de abstinência no momento
da retirada da medicação. O que o torna incomodo são os efeitos colaterais, as
dores de cabeça e a irritabilidade.
24
Ainda, existem duas maneiras básicas de tratamento nestes casos. A
monoterapia, que é o tratamento com o uso de somente uma medicação, porem
nem sempre é indicado pelo fato de não se conseguir controlar todos os sintomas
com somente uma medicação. E a associação que é caracterizada pelo uso de dois
ou mais medicamentos, para o controle de todos os sintomas apresentados pelo
indivíduo, às vezes isso se faz necessário. E é claro a psicoterapia em uma
abordagem cognitivo-comportamental, que hoje é comprovadamente a mais eficaz
nos casos de transtornos ligados a ansiedade.
Assim, algumas das principais técnicas empregadas são:
- Auto monitoramento, onde o indivíduo faz um registro dos acontecimentos que lhe
deixam ansioso, assim como qual foi à atitude tomada para controlar a ansiedade.
- Psicoeducação, é esclarecer para o indivíduo e seus familiares o tratamento e o
transtorno, de forma simples para que possam entender.
- Reestruturação cognitiva, nada mais é do que identificar quais os pensamentos
prejudiciais ao indivíduo e tentar afasta-los da mente do mesmo.
- Treinos de relaxamento, ensinar técnica de relaxamento que auxiliem o indivíduo a
manter-se calmo.
- Exposição, fazer com que o indivíduo tente enfrentar seus temores, para assim ver
que não existe o que temer, embora esta seja uma técnica pouco utilizada no
tratamento do TAG.
- Prevenção de recaídas, preparação do psicológico do indivíduo para confrontar-se
com situações de dificuldades.
- Treinamento de algumas habilidades, orientações relativas a tempo, aprender a
dizer não, aprender a delegar atividades, não querer fazer tudo sozinho, aceitar
auxílio.
“A meta central da terapia cognitiva para TAG é a redução da
frequência, intensidade e duração de episódios de
preocupação que levariam a uma diminuição associada nos
pensamentos intrusivos ansiosos automáticos e na ansiedade
generalizada.” (Clark e Beck; 2012, pag. 425).
Dessa forma, esta meta central será alcançada através de um trabalho de
modificações nos critérios de avaliação das crenças responsáveis por causar um
nível muito elevado de preocupação.
25
“Uma tentativa bem sucedida de terapia cognitiva transformaria
a preocupação de uma estratégia de enfretamento de esquiva
patológica em um processo construtivo orientado ao problema,
mais controlado no qual o indivíduo ansioso tolera e aceita
mais risco e incerteza.” (Clark e Beck; 2012, pag.425).
Portanto, de acordo com Beck e Clark, a terapia cognitiva é expressa por uma
série de metas específicas para o tratamento de transtorno de ansiedade
generalizada. Estas metas são as seguintes:
- Normalizar a preocupação
- Corrigir crenças e interpretações de ameaças tendenciosas de questões
preocupantes
- Modificar crenças metacognitivas positivas e negativas sobre preocupação
- Eliminar metapreocupação
- Reduzir à confiança em estratégias de controle da preocupação disfuncional e
promover respostas de controle adaptativas a preocupação
- Melhorar a confiança na capacidade de solucionar problemas
- Aumentar o controle percebido sobre a preocupação
- Intensificar o senso de segurança e autoconfiança para lidar com desafios futuros
- Aceitar risco e tolerar resultado incerto de situações e eventos futuros
- Aumentar a tolerância à emoção negativa. (2012, pag. 425).
Dessa forma, ainda segundo Beck e Clark, para que haja êxito do tratamento
do TAG, e para que as metas acima sejam alcançadas serão aplicadas estratégias
de intervenção que serão empregadas de acordo com o caso de cada indivíduo.
- Educar sobre a perspectiva cognitiva da preocupação
- Diferenciar entre preocupação produtiva e improdutiva
- Reestruturação cognitiva e teste empírico da hipótese de avaliações e crenças de
ameaças tendenciosas sobre preocupação
- Indução de descatastrofização da preocupação
- Expressão da preocupação repetida com prevenção de respostas de estratégias
ineficazes de controle da preocupação
26
- Processamento forçado autodirigido de sinais de segurança
- Reestruturação cognitiva de crenças metacognitivas negativas sobre preocupação
- Inoculação de risco e incerteza
- Treinamento de solução de problemas construtiva
- Processamento elaborativo do presente
- Treinamento do relaxamento. (2012, pag. 425).
Para tanto, em uma primeira sessão faz-se necessário que o terapeuta
apresente para o indivíduo o que é transtorno de ansiedade generalizada e o modelo
de tratamento, então o terapeuta deve questionar o mesmo, com relação aos seus
excessos de preocupações, se os níveis de preocupação mudam com o passar dos
anos, para assim poder avaliar a receptividade do indivíduo ao tratamento.
Assim, dentro das primeiras sessões faz-se o trabalho de ensinar o indivíduo
com TAG a diferenciar as suas preocupações, ou seja, ensina-se a identificar o que
são preocupações consideradas normais e quais são consideradas excessivas ou
patológicas.
Portanto, a terapia cognitiva também vai mostrar para o indivíduo com TAG,
como direcionar seus sentidos com relação aos pensamentos negativos, ou
ameaçadores, ensinando a controlar seus pensamentos, não os remetendo sempre
para algo ruim que possa vir a acontecer. Em alguns casos o encorajando e
enfrentar as situações que lhe causam medo, pois a partir do momento em que este
ato se torna menos doloroso ao indivíduo com TAG, isso fará com que o mesmo
diminua sua tendência a pensamentos catastróficos.
Também, no decorrer da terapia o indivíduo com TAG passará a apresentar
resultado com relação à tolerância a incertezas, ou seja, o que antes lhe causava
ataques de ansiedade e pânico passará a ser visto de forma mais amena, como algo
que não vai causar nenhum mal nem a ele mesmo e nem aos seus próximos. O
mesmo torna-se capaz de solucionar problemas, que durante o ápice de seu
transtorno era tarefa quase que impossível para ele.
Dessa forma, à durabilidade do tratamento do TAG, aconselha-se o uso
medicamentoso por pelo menos um ano, e posterior retirada gradativa e lenta, para
observar possíveis sintomas de recaída. São observados mais facilidade de recaída
27
em casos que não tem acompanhamento psicoterápico, e que tem menor tempo de
tratamento. Por isso aconselha-se que se faça uso dos medicamentos por um
período mínimo de um ano, podendo este período ser maior de acordo com o
comportamento do indivíduo e avaliação médica e terapêutica. Nos casos onde esta
combinação
foi
seguida
por
mais
tempo,
os
índices
de
recaída
são
significativamente menores, e nos outros casos as recaídas tornara-se recorrentes.
Assim, segundo Clark e Beck:
“Terapia cognitiva e terapia cognitiva comportamental são
tratamentos efetivos para o TAG que alcançam uma taxa de
recuperação após o tratamento de 50 a 60%. Os tratamentos
são altamente efetivos para reduzir a preocupação patológica
que caracteriza o TAG. Há evidências de manutenção de longo
prazo dos efeitos do tratamento, embora a maioria dos
indivíduos continue a experimentar alguns sintomas e mesmo a
satisfazer os critérios diagnósticos. Indivíduos mais velhos com
TAG podem não responder tão bem à terapia cognitiva ou a
terapia cognitiva comportamental e os tratamentos são pelo
menos tão efetivos quanto Farmacoterapia ou treinamento do
relaxamento aplicado. De modo geral a efetividade da terapia
cognitiva para o TAG pode ser mais variável e limitada do que
a terapia cognitiva para outros transtornos de ansiedade.”
(2012, pag. 440).
Portanto, como foi mencionado acima, esta comprovado pela literatura
apresentada acima que a terapia cognitiva comportamental é a mais indicada e mais
eficaz para o tratamento dos transtornos de ansiedade, mas, a terapia psicanalítica,
também tem demonstrado bons resultados na melhora do tratamento do transtorno
de ansiedade generalizada.
CONSIDERACÕES FINAIS
Durante o trabalho de conclusão de curso realizado sobre o transtorno de
ansiedade generalizada, pode-se perceber que a ansiedade é caracterizada pelo
indivíduo pelo sentimento de “sufocamento, opressão no peito”. O indivíduo
descreve essas sensações, além de também ter manifestações corporais como
contratura muscular, entre outros sintomas que podem se manifestar.
Diante desse contexto, observou-se que os sintomas comportamentais
geralmente são de irritabilidade e inquietação. O indivíduo aparenta hiperatividade,
perturbações do sono (dorme, porém não descansa), sente-se sempre cansado
(como se tivesse realizado muitas atividades), perde a concentração, tem a
sensação de que às vezes sua mente apaga,
Em alguns estudos realizados, a estatística apresenta que o transtorno de
ansiedade generalizada acomete mais mulheres, estes estudos mostram que todos
têm uma probabilidade de desenvolver qualquer transtorno ligado a ansiedade,
porem é duas vezes mais comum que uma mulher desenvolva do um homem.
Dessa forma, assim como os transtornos de ansiedade são mais comuns em
mulheres, estudos também comprovam que existe um percentual significativamente
maior de casos em pessoas brancas do que em negros, ou seja, os transtornos de
ansiedade são mais comuns de se manifestarem em pessoas de pele brancas do
que em negros.
Geralmente não somente o transtorno de ansiedade generalizada, mas todos
os transtornos ligados à ansiedade se apresentam nas duas primeiras décadas de
vida dos indivíduos. Acredita-se, entre outros fatores, que pode acontecer devido ao
fato do período da adolescência e também por estar entrando na fase adulta na qual
terão que assumir responsabilidades. Pode se apresentar na velhice, nesta fase,
muitas vezes isso ocorre devido a vida agitada anterior e o dar-se conta do
envelhecer e a diminuição de suas possibilidades.
29
É importante relatar que os transtornos de ansiedade geralmente vêm
acompanhados de outros problemas psicológicos, são raros os casos em que o
indivíduo apresenta somente sintomas de um transtorno. No decorrer do tratamento
constata-se que o indivíduo apresenta outras perturbações psicológicas, é comum
em basicamente todos os transtornos ligados à ansiedade, o surgimento de
agorafobia. Porem também se encontram casos em que concomitantemente se
manifestam depressão, pânico, fobia social. E estes episódios nos quais se
manifesta a concomitância de transtornos é importante à precisão no diagnóstico.
Observou-se no decorrer do desenvolvimento do trabalho que existem dois
tipos de tratamento farmacológico, a monoterapia que é o uso de somente um
medicamento, e a associação que é o uso de dois ou mais medicamentos, que é
quando se usa basicamente um medicamento específico para o controle de cada
sintoma apresentado pelo indivíduo.
Conclui-se ainda que, para que o indivíduo seja diagnosticado com transtorno
de ansiedade generalizada, o mesmo deve apresentar um ou mais dos sintomas
citados no decorrer desta pesquisa bibliográfica, pelo tempo mínimo de seis meses,
e sua carga de ansiedade deve ser expressivamente elevada, e preocupante.
Observou-se nos estudos realizados, que os indivíduos com transtorno de
pânico apresentam menos resistência ao tratamento, do que os indivíduos
diagnosticados com transtorno de ansiedade generalizada. Estes geralmente no
momento em que buscam por ajuda já se encontram com um nível elevado de
comprometimentos devido à demora em procurar tratamento.
Recentemente verificou-se que transtorno de ansiedade generalizada hoje é
considerado o que mais causa prejuízos tanto em esfera social como pessoal para o
indivíduo que desenvolve o referido transtorno.
Percebeu-se também no decorrer do desenvolvimento deste trabalho, uma
grande dificuldade em encontrar bibliografias sobre o assunto, pois são poucos os
autores que abordam o tema central deste trabalho que é o transtorno de ansiedade
generalizada.
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A partir pesquisa bibliográfica realizada é possível constatar que sintomas de
ansiedade em menor grau podem ser encontrados em todos os indivíduos, sendo
considerado algo normal. Porem quando esta se torna excessiva é considerada
patológica e caracteriza-se por um transtorno de ansiedade, podendo este ser
acompanhado por vários outros transtornos e fobias concomitantemente.
É de fundamental importância saber observar precocemente os sintomas para
realizar o diagnóstico correto, com a maior brevidade possível, para que o
tratamento tenha uma maior eficácia. Pois quanto mais cedo o transtorno é
descoberto, menores serão os prejuízos para o indivíduo.
Dessa maneira, é importante ressalta que se deve seguir de forma correta o
tratamento farmacológico receitado pelo profissional de psiquiatria, pois esta
medicação dará inicio ao processo de amenização dos sintomas, fazendo assim
com que o indivíduo comece a apresentar resultados.
Também, não se pode esquecer a importância da associação dos
medicamentos com a psicoterapia, pois em alguns dos casos a psicoterapia assume
um papel tão importante quanto o tratamento farmacológico.
Vale ressaltar que a psicoterapia cognitiva e cognitiva comportamental
costuma apresentar melhores resultados, porem isso não significa que um
acompanhamento psicanalítico também não apresente resultados tão significativos
quanto os referidos acima.
Deve-se lembrar de que a problemática encontrada esta longe de ser
completamente abordada, sendo este trabalho apenas um ponto de partida para
discussões futuras a respeito do tema aqui abordado.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
TRANSTORNO
de
ansiedade
generalizada
–
Disponível
em
<http://www.abcdasaude.com.br> Acesso em 14 de junho de 2011
DICIONÁRIO, Aurélio on-line www.diocionariodoaurelio.com; Acesso dia 21 de
novembro de 2013
SITUAÇÕES Geradoras de Ansiedade e Estratégias Para Seu Controle Entre
Enfermeiras - Disponível em <www.scielo.br> Acesso em 23 de setembro de 2013.
Gonçalves, Betsie - Transtorno do pânico e algumas possibilidades de
libertação, 2003
Hetem, Luiz Alberto B.; Graeff, Frederico Guilherme – Transtornos de Ansiedade,
2ª edição; 2012; editora Atheneu
Clark, David A.; Beck Aaron T.; Terapia Cognitiva para os Transtornos de
Ansiedade; 2012; editora Artmed
Hollander, Eric; Simeon, Daphne; Transtornos de ansiedade; 2004; editora Artmed
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