VII

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VII- MICROECONOMIA E FUNCIONAMENTO DOS MERCADOS:
ECONOMIA EMPRESARIAL
VII.1- MACROECONOMIA E MICROECONOMIA
MACROECONOMIA – a economia dos países, dos blocos económicos, a
economia internacional e a economia mundial.
MICROECONOMIA – a economia dos consumidores individuais, das famílias,
das empresas e organizações, dos negócios, dos sectores de actividade, das industrias e dos
mercados.
Microeconomia clássica
Mercados anónimos
Consumidores e produtores procuram maximizar uma função: os consumidores
tentam maximizar a função utilidade (na fruição do bem), enquanto que os
produtores procuram maximizar o lucro;
 Equilíbrio de mercado: oferta igual a procura;
 Os jogadores (consumidores e produtores) assumem comportamentos estáticos,
maximizando a sua função e não seguindo o comportamento dos outros jogadores;
 Microeconomia aplicada
o Na vida prática, todos nós (consumidores e produtores), tomamos as nossas
opções mas depois não ficamos estaticamente agarrados às opções que
fizemos: vamo-nos ajustar e reagir às opções dos outros, de modo que na
vida prática há uma grande interacção entre todos os jogadores (players) e o
resultado final do jogo vai depender das acções e reacções de todos nós.
Aproximamo-nos assim dos modelos conhecidos por Teoria dos Jogos em
que há comportamentos estratégicos de acção e reacção entre jogadores
(players).


TEORIA DOS JOGOS É A VERDADEIRA
MICROECONOMIA APLICADA
Não vamos entrar na Teoria dos jogos nem nos estudos dos modelos de análise
estratégica, matéria que ficará certamente para disciplinas subsequentes.
Vamos apenas enunciar alguns tópicos básicos de microeconomia clássica, úteis para o
nosso programa de Introdução à Gestão de Empresas.
Principio de optimização: as pessoas tendem a escolher os melhores perfis de consumo,
entre as opções disponíveis;
Principio do equilíbrio: os preços ajustam-se até que a quantidade que os consumidores
procuram (consomem) se ajuste à quantidade que os produtores oferecem (produzem).
S = D
S – Supply (oferta)
D – Demand (procura)
Os que pretendem comprar PROCURAM (DEMAND CURVE) um bem/serviço.
Os que pretendem vender OFERECEM (SUPPLY CURVE) um bem/serviço.
1
VII. 2 – A CURVA DA PROCURA (Demand curve)
Preço (P)
D1→ D2 Choque da Procura
Para o mesmo preço (px) vai
consumir-se mais (q1 para q2)
D2
px
D1
Q1
Q2
Procura (D)
px
Para os bens normais, quanto maior o preço, menor a procura:
P↑
P↓
D↓
D↑
Preço (P)
Bens de luxo
Procura (D)
Para os bens de luxo, quanto maior o preço, maior o prestigio de usufruir esse bem e por
isso maior é a procura.
2
Preço (P)
Bem rígido ao preço
Procura (D)
Dentro de certos limites de preços, a procura é rígida (inelástica) ao preço. É o que
acontece com bens essenciais, dentro dos limites que o orçamento familiar suporta!
´
BENS SUBSTITUTOS E BENS COMPLEMENTARES
Substitutos – Quando o preço de um bem substituto aumenta, tendendo a sua procura a
contrair-se, a procura do outro aumenta. (exemplo: Coca-Cola vs Pepsi, Windows vs
Linux).
Complementares – Quando o preço de um bem aumenta, tendendo a sua procura a
contrair-se, também a procura do outro diminui. (exemplo: computadores e impressoras).
VII. 3 – A CURVA DA OFERTA (Supply Curve)
S1→S2 – Choque da Oferta
(neste caso restrição da
oferta) para o mesmo preço
produz-se menos.
Preço (P)
S2
S1
Oferta (S)
Normalmente, a oferta reage positivamente ao aumento dos preços:
P↑
P↓
S↑
S↓
Há situações de curto prazo em que os produtores já não conseguem produzir mais por
estarem no seu limite de capacidade de produção (é o que aconteceu aos produtores de
petróleo)
3
Preço (P)
Rigidez na oferta no curto-prazo
Oferta (S)
É obvio que no longo prazo tal não acontecerá porque os produtores vão investir em novas
capacidades de produção estimulados pelo aumento dos preços (ou da procura).
Preço (P)
Longo prazo
Curto-prazo
Oferta (S)
VII.4 – EQUILIBRIO DE MERCADO (Market Equilibrium)
Preço (P)
S
P1
D
Q
Q1
(P1, Q1) situação de equilíbrio entre a oferta e a procura
P1 (clearing price) – é o preço que permite um ajuste / equilíbrio entre a oferta e a procura.
4
Procura Rígida:
S2
Preço (P)
D
-consumidor fixa a quantidade
(Q1)
S1
-produtor fixa o preço
P1
S1→S2 Choque da oferta
Q
Q1
Se a procura é rígida ao preço, é a procura que fixa a quantidade, mas o produtor ao
aperceber-se da rigidez da procura, aumenta o preço (S1→S2)!
Preço (P)
Oferta Rígida:
S
-produtor fixa a quantidade (Q1)
-o nível da procura fixa o preço
P1
D1→D2 Choque da procura
D2
D1
Q
Q1
Neste caso, o mercado está limitado pela rigidez da oferta, a qual fixa a quantidade
consumida, Ser aparecerem novos consumidores (D1→D2), tal conduzirá a um aumento
de preço (P1→P2) sem se alterar o consumo total. Os consumidores que não querem (ou
não podem) pagar o preço mais alto são substituídos por novos consumidores que podem
ou querem comprar.
É de certo modo o que está a acontecer com a entrada da China num mercado mundial de
petróleo, em que a curto prazo a oferta é rígida e se assiste a um choque da procura
(aumenta a procura pela entrada em cena da China).
Preço (P)
S
Procura e oferta rígida
P1
D
Q
Q1
Não haverá equilíbrio de mercado
5
VII. 5 – RESTRIÇÃO ORÇAMENTAL
Suponhamos um consumidor que quer consumir quantidades X1 e X2 de dois bens que
têm preços P1 e P2 e só pode gastar m. Teremos então:
P1 X1 + P2 X2 ≤ m
I – Opções de consumo sujeitos
À restrição orçamental m1
II – Opções de consumo
sujeitos à restrição orçamental
m2
Ao passar de m1 para m2
diminui a restrição orçamental e
aumentam as possibilidades de
consumo.
X2
+ m1
P2
m2
m1
I
II
m1
P1
X1
VII. 6 – A ELASTICIDADE DA PROCURA EM RELAÇÃO AO PREÇO – e (price
elasticity of demand)
Suponhamos que estamos num ponto da curva da procura Q (P)
P
∆P
Q
Q
e =
P
P
●
●
∆Q
Q’
Q
P
=
Q
P
Q
Exemlo: Suponhamos que o preço é 10 e a quantidade é 100.
Ao deslocarmo-nos na curva da procura teremos ∆P = 1
∆Q = -20
 20
 20%
e  100 
 2
1
10%
10
|e|=2
Exemplo -Curva Linear da Procura Q = a - bp
A elasticidade é no fundo o
quociente entre a variação
percentual da quantidade e a
variação percentual do preço.
6
P
a
●
b
a
2b
●
| e |
| e |1
●| e |1
| e |
| e |0
●
a /2
a
Q
VII.7 – CURVAS DE CUSTOS: CUSTOS FIXOS E CUSTOS VARIÁVEIS
Cf= Custos fixos – não dependem da quantidade produzida mas sim da estrutura criada
CV (q) = Custos Variáveis – são função da quantidade produzida
Cf = Cf (estrutura)
Custos
CV(q)
CV = CV (quantidade produzida)
Cf
Q
DECISÕES DE INVESTIMENTO E DECISÕES DIÁRIAS DA GESTÃO DA
PRODUÇÃO
Cf = Cf + Cv (q)
Quando se toma a decisão de investir, interessa tomar em consideração os custos totais
(fixos e variáveis):
Mas quando se está a produzir, a optimização será feita em função dos custos variáveis
pois que os custos fixos já são um dado rígido do nosso problema.
A partir do momento em que investe e se passarem a ter custos fixos (pois que ao investirse se criou uma dada estrutura fixa), não há optimização possível dos custos fixos na
operação, quer queiramos quer não, eles já estão afundados nos custos da empresa.
Custos fixos (Cf) são “sunk costs” (custos afundados).
Na operação, o que estará em causa é fixar o nível de produção mais conveniente em
função dos nossos custos variáveis e por isso a nossa produção (aquela que queremos
fazer) vai depender da nossa estrutura de custos variáveis no curto prazo.
Curto prazo Cv
Produção
No longo prazo podemos alterar a dimensão e a estrutura da empresa para nos adaptarmos
a evolução do mercado.
Por isso os custos fixos são variáveis no longo prazo.
Variações na estrutura e na capacidade instalada
Variações nos custos fixos
7
Em resumo:
Curto prazo
Cf é um dado pois a estrutura é fixa
Cv = Cv (q)
Longo prazo
Cf = Cf (estrutura) que pode variar
Cv = Cv (q)
No longo prazo tudo é variável, só no curto prazo é que estamos amarrados a uma dada
capacidade instalada (estrutura).
Em suma:
1. Antes de fazermos a fábrica, temos que ver se na sequência da decisão de
investirmos na fábrica, o nosso projecto gera receitas que paguem não só os custos
variáveis mas também os custos fixos.
Antes da decisão de investimento, temos que tomar em consideração Ct = Cf+ Cv (q)
2. Depois de investirmos e pormos a fábrica a funcionar, os custos fixos já lá estão,
não há nada a fazer!
Temos é que ver se pelo facto de produzirmos mais uma unidade, a receita adicional é ou
não superior ao custo adicional ( custo variável ) de produzir mais uma unidade.
Rm
Cm ?
Nota: Cm = ∂ Ct =
∂q
∂ Cv(q)
∂q
Na questão do dia-a-dia, a que interessa comparar é a receita com o custo variável!
Esquecemos os custos fixos!
VII.8 – FUNÇÕES DE PRODUÇÃO E FUNÇÕES DE CUSTO NUMA EMPRESA
No curto prazo e para uma dada capacidade instalada, vamos variar o nível de produção,
tomando em linha de conta os custos variáveis da produção.
No longo prazo e em termos de evolução de mercado, podemos também ter que ajustar
(aumentar) a capacidade instalada (e por isso os custos fixos irão variar) de forma a
podermos satisfazer novos níveis de produção solicitadas pelo mercado.
No fundo, no longo prazo a nossa oferta estará sempre condicionada e ligada à nossa
estrutura de custos fixos e variáveis.
Numa empresa
FUNÇÃO DE PRODUÇÃO
E
FUNÇÃO DE CUSTOS
São funções da mesma
realidade: a tecnologia e a
estrutura que escolhemos para
a empresa.
8
Pois que ao fixar uma tecnologia e uma estrutura escolhemos/ criamos:
-a estrutura de custos;
-os níveis de produção
Por outras palavras: as funções de produção e de custos são o verso e o reverso da mesma
realidade. Elas sumarizam no fundo a tecnologia e a estrutura que estamos a
utilizar.
VII. 9 – CUSTOS MÉDIOS DE PRODUÇÃO E CUSTOS MARGINAIS
Suponhamos uma empresa com a seguinte estrutura de custos
Ct= Cf + aq
em que Cv(q) = aq
NOTA:
Se q→0
O custo médio da produção será:
CMP =
cf
∞
ct Cf

a
q
q
Q
Se q→∞ cf
0
Q
a é a assimptota de curva Ct
q
CUSTO MÉDIO DE
PRODUÇÃO - CMP
CMP
a
Q
9
Ct (q) = Cf + aq
Custos variáveis como função linear da quantidade produzida
Cv(q)
C
Cv(q) = aq
β
Cf(Q1)
Cf
α
Q
Q1
CMP (Q1) = Ct (Q1) = tg α (CUSTOS MÉDIOS)
Q1
Cm (Q1) = ∂ Ct (Q1) = a = tg β (CUSTOS MARGINAIS)
∂Q
Nota: ∂ Ct ~ ΔCt = ΔCv
∂Q
ΔQ
ΔQ
ΔCf = 0
Ct(Q) = Cf + Cv(Q)
Caso Geral
Tangente à curva Cv(Q) no ponto C(Q1)

Ct(Q1)
ß Cv(Q)
Cv(Q)
Cf
α
Q
Q1
10
CMP (Q1) = Ct (Q1) = tg α (CUSTOS MÉDIOS)
Q1
Cm (Q1) = ∂ Ct (Q1) = ∂ Cv (Q1) = tg β (CUSTOS MARGINAIS)
∂Q
∂Q
Nota: ∂ Cv (Q1) ~
∂Q
Δ Cv
ΔQ
O Custo Marginal é a derivada da função Custo em relação á variável Q.
No ponto Q1 a derivada é a inclinação da tangente á curva nesse ponto (Cm = tg β). Para
uma variação marginal a curva Cv (Q) confunde-se com a tangente nesse ponto!
VII.10 – EMPRESAS DE CAPITAL INTENSIVO
Custos fixos baixos em
relação aos custos
variáveis
CV
Cf
Q
Custos fixos elevados em
relação aos custos
variáveis
EMPRESA DE CAPITAL
INTENSIVO
CV
Cf
Q
Numa empresa quanto mais for de capital intensivo, mais importância assumem os custos
fixos relativamente aos variáveis.
Capital Intensivo Cf >> Cv
Numa empresa de capital intensivo, dada a importância dos custos fixos, é crucial
maximizar a utilização da capacidade instalada, pois quanto mais se produzir mais se pode
diluir no custo médio unitário do produto os custos fixos.
Suponhamos novamente:
Ct  Cf  a
Cf  aq
11
CMP 
Cf Cv(q) Cf


a
q
q
q
CMFP CMVP
Cf
 Custos médios fixos de produção
q
CMVP = a  Custos médios variáveis de produção
CMFP =
Se q
é muito grande
CMFP =
Cf
é pequeno
q
Cf
 0
q
q 
Quanto maior a produção, mais se diluem os custos fixos nos custos médios de produção
(CMP)
VII.11 – ECONOMIAS DE ESCALA, DE GAMA E DE EXPERIÊNCIA
Economias de escala
Como o nome indica, quanto mais se produz, menor o custo médio de produção
CMP
Zona das economias de escala
Zona das deseconomias de escala
Q1
Q1 – Capacidade instalada. É uma noção económica ligada à quantidade produzida ??? do
custo médio de produção mínimo.
Numa empresa, quando se trabalha abaixo da capacidade instalada, há alguma
ineficiência, pois não estamos a utilizar totalmente a estrutura existente e não
aproveitamos em pleno as economias de escala.
Numa organização (ou empresa) a partir de uma certa dimensão, começa a haver
problemas de transmissão de informação, e problemas de gestão e organizativos. Também
as máquinas, quando trabalham acima do regime e da capacidade óptima, conseguem
trabalhar em sobre-regime, sendo menos eficientes. Também muitas vezes, haverá que
pagar horas extraordinárias aos trabalhadores.
Deseconomias de escala
Razões·
● “entropia” organizative
● “sobreregime” dos equipamentos
● “sobrecusto” das horas extraordinárias
Economias de gama (“scope” economics)
12
Existem nas empresas multiproduto em que se utiliza a mesma plataforma para produzir
dois ou mais produtos.
Por outras palavras, a mesma estrutura serve para produzir dois ou mais produtos.
Economias de gama
Custo (q1, q2, qm) < Custo (q1) + custo (q2) + …..custo (qm)
Por exemplo, um balcão de um banco que vende crédito bancário, cartões de
crédito, produtos poupança-reforma, seguros de vida fazendo o chamado “cross-selling”, é
no fundo uma empresa multiproduto que tem economias de gama pois os custos serão
certamente menores que aqueles que teria se houvesse um balcão (mesmo mais pequeno)
para cada um dos produtos.
No fundo, um balcão de um banco é uma plataforma/estrutura comum ao crossselling (venda cruzada) dos vários produtos.
Plataforma comum
“cross-selling”(venda de vários produtos)
Com economias de gama
Economias de Experiência – São economias derivadas da aprendizagem, em que devido á
acumulação de experiência e Know-how, o custo médio de produção (custo unitário) se
reduz com a quantidade produzida no passado.
VII.12 – LUCRO MÁXIMO E OPTIMIZAÇÃO DA PRODUÇÃO
Ct = Cf + Cv (q) – estrutura de custo
q = q (p) – curva da procura
A sua Receita (R) será:
R (q) = p×q (p)
O lucro será:
Lucro= L(q) = R(q) – Ct
O lucro máximo será obtido para uma quantidade de produção q* tal que:
∂L(q) = ∂R ( q ) – ∂ (Cf + Cv(q) ) = 0
∂q
∂q
∂q
∂R (q) = ∂Cv (q)
∂q
∂q
Rm = Cvm
13
Ou seja o lucro máximo será obtido para um nível de produção q* tal que:
Receita Marginal = Custo Marginal
Vamos produzindo enquanto em cada nova unidade produzida a receita de produzir essa
unidade adicional (Rm = Receita Marginal) for superior ao custo de produzir essa tal
unidade adicional (Cm = Custo Marginal).
Chegaremos a um ponto em que a receita marginal iguala o custo marginal e a partir daí
quando a receita produzir mais uma unidade for inferior ao respectivo custo já não
interessa produzir!
R, C
Cvm (custo de produzir
mais uma unidade)
●
Lucro-
Rm (receita de produzir
mais uma unidade)
●
Lucro+
Lucro máximo/nível óptimo de produção
●
Q
Q*
VIII.13 – PONTO CRÍTICO (BREAK EVEN POINT)
Ponto Crítico = Nível de actividade a partir do qual a empresa passa a ter lucro. O ponto
critico vai depender da relação entre custos fixos (Cf) e custos variáveis (Cv(q)).
Como já vimos
L(q) = R (q) – Ct= P ×q – Cf – Cv (q)
Ponhamos cv(q) = cvu * q em que:
cvu =custo variável unitário
Então no ponto critico (qc) teremos
L(qc)= 0 = p × qc – Cf – cvu × qc
(p - cvu) × qc – Cf = 0
(p - cvu) × qc = Cf
Chamemos a
14
p-cvu=mcu em que
mcu= margem de contribuição unitária
Virá então
Qc = Cf
= Cf =
Total dos custos fixos
p-cvu
mcu
margem de contribuição unitária
Se q > qc
L (q) > 0
q < qc
L (q) < 0
Vendas
(p*q)
$
Rc
Total dos custos
(CF+cvu×q)
B
Custos Variáveis
(cvu×q)
●
●
Custos Fixos
A
qc
Q
A= Zona de Prejuízo
B= Zona de Lucro
VII.14 – ESTRUTURAS DE MERCADO
Concorrência perfeita.
Suponhamos um mercado com:
-um produto homogéneo
-muitos e pequenos produtores
-muitos e pequenos consumidores
Nesta estrutura de mercado, ninguém consegue ter estratégia e individualidade próprias e o
preço é formado pela intersecção de agregação das ofertas com a agregação das procuras.
Nem os produtores nem os consumidores conseguem individualmente influenciar o preço,
sendo este um dado a que todos têm de se ajustar (“price-tokers”).
Estudar-se-á na micro-economia que nesta situação da concorrência perfeita, o lucro
económico de cada produtor é nulo (veremos adiante quando estudarmos o EUA –
Economic Value Added – o que é o lucro económico, distinguindo-o do lucro
contabilístico).
15
Em suma, ninguém se consegue diferenciar dos outros nem pelo preço (são “pricetokers”), nem pelo produto que é homogéneo (situação típica do mercado das
“commodities”).
Este modelo é uma referência teórica, um arquétipo para as situações que temos na vida
prática e nos mercados reais.
Quando vemos uma empresa ameaçada por um número crescente de concorrentes sem se
conseguir diferenciar deles no produto que oferece, tal vai conduzir essa empresa a uma
situação em que é incapaz de fixar os preços, assistindo à sua descida pela pressão dos
concorrentes e tendo que se ajustar aos preços fixados pelo mercado (“price-tokers”), se
quiser continuar a vender. Por via disso, as suas margens de lucro vão diminuir (o lucro
económico tenderá para zero).
Esta empresa aproxima-se da situação indesejada do arquétipo de concorrência perfeita.
Monopólio – Apenas um produtor.
Nesta situação, o produtor poderá tender a abusar dos consumidores, devido ao seu poder
absoluto de mercado, obtendo a chamada renda de situação.
Convém referir aqui os chamados monopólios naturais, em que a tecnologia subjacente ao
negócio implica custos fixos de tal forma elevados (capital muito intensivo) que não fará
sentido ter outra estrutura a competir com esta no mesmo mercado, quer porque os custos
fixos são de tal forma elevados que dissuadem outro concorrente de entrar (custos fixos
elevados criam elevadas barreiras à entrada) quer porque se houvesse duas estruturas
dessas a competir, o consumidor acabaria por pagar mais caro o serviço pois teríamos duas
estruturas de custos fixos elevados a serem suportados pelos consumidores, em vez duma.
Tal situação acontece nas redes de transporte e distribuição de energia (gás natural e
electricidade) e de água.
Nestes casos de monopólios naturais, em que naturalmente tem de haver um monopólio, o
que se deve fazer para evitar abusos de posição de mercado é a chamada regulação
económica do monopólio.
Nos casos em que os monopólios não são naturais, deve-se acabar com os condicionantes
legais que impedem outros de entrar no mercado.
Ao liberalizar-se o mercado e ao deixar outros entrarem, a concorrência destes vai regular
o monopólio incumbente. É o que já está a acontecer em áreas de energia (como a
produção de electricidade) ou nas telecomunicações com as redes móveis.
Monopsónio - É o contrário do monopólio.
Há apenas um comprador no mercado e muitos vendedores. As grandes empresas (como
os construtores de automóveis ou os hipermercados) aproximam-se desta situação,
comportando-se como quase monopsónios em relação aos seus fornecedores.
Estes, quanto mais dependentes, ficarem de uma só empresa compradora, mais estimulam
o comportamento de monopsónio desta.
Oligopólio –
16
Na vida prática nos mercados reais, há muitas situações que ficam entre o modelo da
concorrência perfeita e o monopólio.
É o caso do oligopólio em que temos do lado da produção um número limitado de
empresas actuando num mercado.
O caso quase limite é o do duopólio em que apenas há duas empresas.
Muitas vezes, os duopólios entendem-se e passam a actuar como um monopólio, embora
sem a visibilidade odiosa do mesmo.
Nestas estruturas oligopolistas, há os que têm maior poder de mercado e conseguem impor
as suas estratégias. Estes são os chamados “leaders”, sendo os outros os “followers”.
Tal acontece muito nas guerras dos preços, em que há um “price leader” e outro (ou
outros) é o “price follower” se a estratégia for fixada pela quantidade teremos os “quantity
leaders” e os “quantity followers”.
As estratégias delineadas, ao serem executadas ou apercebidas pelos outros oligopolistas,
dão normalmente lugar a comportamentos estratégicos de reacção, os quais são
formulados tomando em conta as estratégias dos primeiros. Estes poderão de novo reagir,
dando origem a jogos sequenciais com comportamentos estratégicos de acção e reacção a
serem estudados pela teoria dos jogos, como vimos, e não pela micro-economia clássica.
Nalgumas vezes, os oligopolistas também se concertam (como no exemplo já referido do
alvopólio organizado). Chamam-se a estes comportamentos colusão, que poderá levar a
um jogo cooperativo entre os players em colusão.
Concorrência Imperfeita
No fundo, nos mercados reais temos modelos de concorrência imperfeita, entre o modelo
de concorrência perfeita e o monopólio e que passam muitas vezes por estruturas
oligopolistas.
Uma empresa, ao inovar tenta diferenciar-se de concorrência, procurando pela inovação
colocar-se numa situação de quase monopólio.
Os oligopolistas, ao conluierem-se e a terem comportamentos colusivos, tentam também
criar um comportamento de monopólio.
A concorrência é excelente para os consumidores mas os produtores tentam fugir dela
através da inovação ou de colusão.
Ao contrário do mercado de concorrência perfeita, em que não havia comportamentos
estratégicos, ajustando-se todos passivamente à estrutura do mercado, nos mercados reais
a concorrência imperfeita, há lugar a estratégias dos vários players. Voltaremos à
estratégia adiante noutro capítulo do nosso programa.
Mercado do Comprador
Situação em que os compradores estão em vantagem por haver excesso da oferta em
relação à procura, situação habitual nos mercados industriais, o que leva à afirmação “o
consumidor é rei”.
17
Mercado do Vendedor
Situação em que a procura excede a oferta.
Por exemplo, construtores automóveis de luxo como a Ferrari ou a Aston-Martin,
produzem deliberadamente um número de viaturas limitado de um dado modelo de forma
a criarem uma pressão da procura sobre a oferta que é limitada. Geram assim
estrategicamente a rarefacção de oferta, criando um mercado do vendedor.
CARACTERÍSTICAS CONCORRÊNCIA OLIGOPÓLIO
PERFEITA
MONOPÓLIO
CONCORRÊNCIA
MONOPOLÍSTICA
(conc. Imperfeita)
Número de
concorrentes
Muitos, de
dimensão
semelhante
Poucos, de
grande
dimensão
Um, de grande
dimensão
Muitos
Barreiras à Entrada
Inexistentes
Consideráveis
Intransponíveis
Poucas
Produtos
Substitutos
Bens
homogéneos
Bens podem ser Inexistentes
homogéneos ou
diferenciados
Existe diferenciação
Poder de Mercado
das Empresas
Inexistente
Dependente da
interacção
estratégica
Considerável
Depende da
diferenciação
Exemplos
Mercado de
Operadores de
produtos agricolas telemóveis,
refrigerantes
Electricidade
para consumo
doméstico,
SportTV
Cafés, retalho em
geral
Fonte: “Mercados e Informação Financeira”
Folhas da cadeira horizontal de Gestão – DEG-IST 2006-07
BIBLIOGRAFIA
- “Intermediate Microeconomics, A modern Approach” by Hal R. Varian
- “Microeconomics for Managers” by David. M.Kreps Stanford University – Graduate
School of Business.
- “Mercados e Informação Financeira”
Folhas da cadeira horizontal de Gestão – DEG/IST 2006-07
18
- “Economia da Empresa” - José Mata
4ªEdição Fundação Calouste Gulbenkian
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