ANÁLISE DAS PRÁTICAS DE LETRAMENTO UTILIZADAS NA REPORTAGEM AN“IEDADE , DO PERIÓDICO MENTE E CÉREBRO (OUT. 2014 - ED. Nº 261) Bruno Silva de Jesus Aluno especial do Mestrado em Divulgação Científica e Cultural – LABJOR – UNICAMP Especialista em Gestão Estratégica – Universidade de São Paulo – USP. [email protected] Resumo: Profissionais da área de educação, cientistas e acadêmicos têm discutido ao longo dos anos sobre as definições de letramento e letramento científico e sua importância no contexto individual e social. Consideram que a pessoa funcionalmente letrada é capaz de tomar decisões e incluir-se socialmente. A pessoa letrada cientificamente seria capaz de participar e colaborar com ações que melhoram a vida das pessoas do ponto de vista do letramento prático e cívico e buscar ciência como forma de conquista pessoal do ponto de vista cultural (SHEN, 1975). Diante dessas circunstâncias, a análise da matéria sobre ansiedade é realizada de acordo com o objetivo de transmitir a informação, muitas vezes complexas, de forma acessível ao leitor da revista, que é letrado funcionalmente para compreender as explicações sobre os sintomas de ansiedades e suas recomendações indicadas por profissionais da área. Palavras-chave: Letramento, Letramento Científico, Jornalismo Científico, Ansiedade. Área do conhecimento: Humanas 1. Introdução A divulgação da ciência por meio de revistas tem se popularizado cada vez mais. A Mente e Cérebro surgiu em 2004, originária da publicação americana da Scientific American. Além de estar presente no Brasil e nos Estados Unidos, a publicação circula na Alemanha, Espanha, França, Itália e Polônia. A publicação é voltada para profissionais e estudantes da área da saúde quanto para leigos, por isso a importância sobre a abordagem de conceitos e definições de letramento e letramento científico, a fim de compreender como o público alvo da publicação assimila as informações contidas nas reportagens. A matéria escolhida, sobre ansiedade, foi publicada na Edição número 261 de outubro de 2014, onde são descritos seis tipos de sintomas de ansiedades de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que é utilizado amplamente por profissionais da área de saúde, indústrias farmacêuticas e companhias de seguro. 1 2. Objetivos Apresentar os conceitos de Letramento, Letramento Científico, e analisar as informaçõesàdaà epo tage àso eà a siedade àdoàpe iódi oàMente e Cérebro de acordo com a identidade da revista e sua pluralidade e também conforme a proposta de apresentar informações de forma acessível ao leitor. 3. Materiais e Métodos Para a elaboração deste trabalho, foi realizada pesquisa na internet e na literatura especializada. Para coleta de dados, optou-se por ferramentas de busca de periódicos e bibliotecas virtuais, além do site específico da Mente e Cérebro e a Edição 261 de Outubro de 2014. 4. Conceitos e Definições de Letramento Segundo ABREU e BRITO (2003), o termo Letramento foi introduzido no Brasil a partir doàte oà e à i gl sà Lite a ,à oà ualà e aàt aduzidoà o oàalfa etizaç o.à Devidoà aosà ovosà sentidos adquiridos e às novas compreensões de Literacy, foi necessário adequar o termo para letramento. Portanto, é possível afirmar que a formulação e aplicação aos novos conceitos resultaram de necessidades teóricas e práticas várias, em função dos avanços na maneira de compreensão das relações inter-humanas, dos processos de participação social e do acesso à construção de conhecimento. De acordo com KLEIMAN (1991) o conceito de letramento começou a ser usado nos meios acadêmicos numa tentativa de separar os estudos sobre o "impacto social da escrita" dos estudos sobre a alfabetização. KLEIMAN (1995) afirma que a escola, como a mais importante das agências de letramento, exclui a preocupação de letramento como prática social e foca apenas na prática de letramento como alfabetização. Letramento é o conjunto de práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito. Para HILGERT (2000), o letramento abrange o uso de textos escritos também numa gradação que vai desde uma escrita formal de um texto acadêmico até uma escrita mínima que incorpora procedimentos próprios da prática social da fala. Segundo GRAFF (1987), letramento é uma tecnologia ou conjunto de técnicas usadas para a comunicação e para a decodificação e reprodução de materiais escritos ou impressos. As tentativas de definição de letramento se baseiam em duas concepções de letramento: Atributo dos indivíduos: Descrever habilidades individuais adquiridas através do letramento. Para SOARES (2010), no ponto de vista da dimensão individual de letramento, a leitura é um conjunto de habilidades linguísticas e psicológicas, que se estendem desde habilidades de decodificar palavras escritas até a capacidade de compreender textos escritos. A autora explica que a escrita também é um conjunto de habilidades linguísticas e psicológicas como a capacidade de registrar unidades de som e transmitir significado a leitores. A escrita também é um processo de transmitir ideias e organizar o pensamento em língua escrita; 2 Fenômeno social: Apresenta letramento como produto de transmissão cultural. De acordo com SOARES (2010), na dimensão social, letramento é o que as pessoas fazem com as habilidades de leitura e escrita, em um contexto específico, e como essas habilidades se relacionam com as necessidades, valores e práticas sociais. STREET (1984) propôs um modelo de letramentos, que enfatiza o contexto social de práticas como escrita e leitura e o papel das pessoas comuns que fazem usos desses aprendizados. Com base nas duas concepções de letramento, SOARES (2010) permite concluir que o conceito de letramento envolve um conjunto de fatores que variam de habilidades e conhecimentos individuais a práticas sociais e competências funcionais além de valores ideológicos e metas políticas. De acordo com a UNESCO (1978), uma pessoa é funcionalmente letrada quando pode participar de todas aquelas atividades nas quais o letramento é necessário para o efetivo funcionamento de seu grupo e comunidade e, também, para capacitá-la a continuar usando a leitura, a escrita e o cálculo para seu desenvolvimento e o de sua comunidade. Para AYALA (1996), o indivíduo funcionalmente letrado se define pela capacidade de compreender o que é lido ou escrito em uma extensão suficiente para desempenhar adequadamente seu papel na sociedade, promover interesses econômicos ou responder às questões técnicas que permeiam nossas vidas diárias e o mundo de forma significativa. 5. Conceitos e Definições de Letramento Científico “egu doàLáUGK“CHà ,àoàte oà let a e toà ie tífi o àfoià iadoà aàd adaàdeà 1950 em uma publicação de Paul Hurd sobre letramento científico para escolas americanas e o interesse pelo tema surgiu na comunidade científica americana devido à rivalidade com a União Soviética na corrida espacial. Nas décadas seguintes, o tema foi cada vez mais discutido em virtude das preocupações com o meio ambiente e se criou um modelo de desenvolvimento tecnológico e científico a ser adotado nas escolas. De acordo DURANT (1993), letramento científico se tornou um slogan educacional internacionalmente conhecido e passou a ser um dos principais objetivos da educação contemporânea. Para o autor, letramento científico é o que o público em geral deveria saber sobre ciência. Segundo SHAMOS (1995), letramento científico é o processo que envolve um conhecimento mais aprofundado dos construtos teóricos da ciência e sua epistemologia, entendimento dos elementos da pesquisa científica, da função da experimentação e do processo de criação dos modelos científicos. Para AYALA (1996) o letramento científico, entendido como um conhecimento prático de ciência, é tão necessário como a alfabetização para viver satisfatoriamente no mundo moderno. Para o autor, o letramento científico é necessário para que haja uma força de trabalho capaz, para o bem estar econômico e saudável de cada pessoa e da sociedade, além de servir para o exercício da democracia participativa. 3 AYALA (1996) diz que letramento científico não é conhecer detalhadamente a ciência e sim ter uma compreensão do que pode ser chamado de abordagem científica, maneira científica ou método científico. Consiste em compreender os conhecimentos científicos específicos sem um amplo detalhamento ou aprofundamento no assunto. Segundo AYALA (1996), desta forma, uma pessoa cientificamente letrada saberia diferenciar astrologia de ciência e que as crianças não nascem com músculos por conta dos pais praticarem musculação, porém não há nenhuma exigência de que a pessoa cientificamente letrada saiba detalhadamente questões sobre DNA. O conhecimento científico seria útil para a pessoa se posicionar diante de questões e impasses científicos, como construção de usina nuclear com base nos impactos ambientais e saber diferenciar o que é prejudicial e benéfico. De acordo com SHEN (1975) o letramento científico pode envolver muitas coisas, desde colocar ingredientes em uma refeição até conhecer leis da física, e esse autor identifica três formas de classificar o letramento científico: Letramento Científico Prático: oferece um antídoto prático, ainda que pouco possa fazer para corrigir as desigualdades socioeconômicas que normalmente estão na raiz do problema. Conhecimento técnico e científico que seja posto em prática para melhorar os padrões básicos da vida, como saúde, moradia e fome; Letramento Científico Cívico: referente ao conhecimento de assuntos atuais que fazem parte da sociedade, em relação aos quais o cidadão possa se posicionar como saúde, energia, alimentos e agricultura, recursos naturais, meio ambientes, comunicação, transporte, entre outros, ou seja, cria uma função social e desenvolve a capacidade mínima funcional para agir como cidadão e consumidor. Letramento Científico Cultural: necessidade de conhecer algo sobre ciência como uma conquista pessoal. Não resolve problemas práticos diretamente, mas ajuda a aproximar as culturas científicas e humanísticas. No ponto de vista de PELLA (1976), existem sete dimensões para descrever o cidadão cientificamente letrado: I. II. III. IV. V. VI. VII. Compreende a natureza do conhecimento científico; Aplica com precisão conceitos científicos apropriados, princípios, leis e teorias para interagir com o seu universo; Utiliza processos da ciência na resolução de problemas, tomada de decisões e para promover a sua própria compreensão do universo; Interage com os vários aspectos do seu universo de uma forma que é consistente com os valores que estão subjacentes à ciência; Entende e aprecia as empresas mistas de ciência e tecnologia e a inter-relação destes com cada um e com outros aspectos da sociedade; Desenvolveu uma visão mais rica, mais gratificante, mais excitante do universo como resultado de sua educação científica e continua a aumentar esta educação ao longo da sua vida; Desenvolve inúmeras competências de experimentos associados com a ciência e tecnologia. 4 Para CHASSOT (2003), a alfabetização científica é uma forma de inclusão social, fazendo com que a ciência possa ser facilitadora do estar fazendo parte do mundo. O autor ta àdefe deàaà uda çaàdeà etodologiaàdeà de o e a àapli adaà asàes olas,àeàdefe deà que a ciência é uma linguagem e para a pessoa ser alfabetizada cientificamente, precisa aprender a linguagem em que está escrita a natureza. CHASSOT (2000) endossa que a revolução galiláica e a copernicana foi o ponto chave para a ciência moderna e produção cultural. Para SANTOS (2007) a educação científica por meio do uso social inclui abordagens metodológicas contextualizadas com aspectos sociocientíficos, por meio da prática de leitura de textos científicos, a fim de possibilitar o entendimento das relações entre ciência, tecnologia e sociedade e tomar decisões pessoais e coletivas. 6. Apresentação da revista Mente e Cérebro publicada em outubro de 2014 e análise da reportage A siedade . 6.1. A Revista Mente e Cérebro A Mente e Cérebro começou a circular no Brasil em setembro de 2004, com a proposta de apresentar reportagens e artigos sobre o funcionamento psíquico voltados tanto para profissionais e estudantes da área da saúde quanto para leigos. (MENTE E CÉREBRO, 2015). A publicação faz parte do grupo internacional Scientific American, e os textos são embasados em estudos realizados em universidade e centros de pesquisas de vários países. (MENTE E CÉREBRO, 2015). A proposta de Mente e Cérebro é oferecer informação consistente, que sirva como referência para estudo, pesquisa, complementando a formação profissional e possibilitando reflexões a respeito das variadas formas de compreender o funcionamento do corpo, do cérebro e da mente. (MENTE E CÉREBRO, 2015). Uma característica fundamental ligada à identidade da revista é sua pluralidade, que privilegia diversos olhares sobre o ser humano, a partir de várias teorias. Nesse sentido, prevalece o desafio de apresentar informações, muitas vezes complexas, de forma acessível ao leitor, sem que a qualidade e a profundidade sejam perdidas. (MENTE E CÉREBRO, 2015). 6.2. Edição Número 261 de outubro de 2014 A edição analisada no estudo foi publicada em outubro de 2014 e traz em seu sumário os seguintes assuntos: Ansiedade O quadro, bastante frequente, pode causar problemas físicos e psíquicos, a ponto de comprometer a vida afetiva e profissional. Meditação, acupuntura, psicoterapia e alterações no estilo de vida são fundamentais para combater o problema. Por Fernanda Teixeira Ribeiro. 5 Mais neurônios, mais equilíbrio O aumento da produção de células cerebrais pode ajudar a criar e a fixar novas memórias, contribuindo para reverter sintomas de pânico, estresse pós-traumático e outros transtornos de ansiedade. Por Mazen A. Kheirbek e René Hen. A mínima diferença Os ícones de feminilidade têm se modificado e as diferenças entre os sexos, se diluído, mas permanecem impasses sobre sexualidade, amor e desejo. Por Maria Rita Kehl. Medo e modernidade líquida Durante a maior parte de nossa vida estamos submetidos a algum sofrimento e tememos a dor; liberdade e segurança são – e sempre serão – inconciliáveis. Por Zygmunt Bauman. Sim, tempo é dinheiro Estudo realizado em seis países, incluindo Brasil, mostra o que pessoas de diversas nacionalidades levam em conta na hora de comprar e investir e quanto a noção de temporalidade influencia essas decisões. Por Philip Zimbardo, Nick Clements e Umbelina Rego Leite. Que coisa feia! Numa sociedade em que as queixas em relação à aparência e a busca pela perfeição do corpo e da peleà s oà t oà f e ue tes,à algu asà pessoasà supe valo iza à asà p óp iasà falhas à físicas, a ponto de se considerarem deformadas. Por Susanne Rytina. Uma história ilustrada do cérebro Século após século, cientistas avançam nas pesquisas tentando entender a complexidade neurológica. Por Isabelle Bareither. As novas teorias da consciência Neurocientistas trabalham com a hipótese de que essa capacidade fundamental surja no momento em que a informação é transmitida pelo cérebro. Por Christof Koch. 6.3. Reportagem sobre Ansiedade RIBEIRO (2014) inicia a reportagem apresentando ao leitor sobre sintomas de ansiedade que afetam o bem-estar das pessoas no cotidiano, ao afirmar que a principal característica do transtorno é o pensamento de que algo desconfortável ou catastrófico pode acontecer. A influência no cotidiano da pessoa ocorre pelo receio de sofrer crises ou ataques de pânico em outros ambientes. A repórter finaliza a introdução aconselhando a pessoa a reconhecer seus sintomas e procurar ajuda médica ou psicológica. Segundo GERHARDT (2011), o jornalismo científico é uma ferramenta importante que funciona como um canal de ligação entre a comunidade científica e a sociedade não especializada em ciência. 6 De acordo com BUENO (2007), o jornalismo científico é a veiculação de informações sobre ciência, tecnologia e inovação segundo os padrões jornalísticos e deve contribuir para o processo de alfabetização científica. Quadro 1: Apresentação dos sintomas baseados no DSM Fonte: Revista Mente e Cérebro (2014) A publicação se baseia em sintomas presentes no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM), que é utilizado por profissionais da área da saúde mental e lista diferentes categorias de transtornos mentais e critérios para diagnosticá-los, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (2013). É usado ao redor do mundo por clínicos e pesquisadores bem como por companhias de seguro, indústria farmacêutica e parlamentos políticos. Antes de iniciar a análise da reportagem, é necessário ressaltar que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais é bastante questionado por profissionais e acadêmicos da área. SPITZER e WAKEFIELD (1999) afirmam que o contexto político do DSM é um tópico controverso, incluindo seu uso por indústrias farmacêuticas e seguradoras. O potencial conflito de interesses tem surgido porque aproximadamente 50% dos autores que previamente selecionaram e definiram as desordens psiquiátricas do DSM tiveram ou têm relacionamentos com indústrias farmacêuticas. A matéria destaca seis tipos mais comuns de transtorno de ansiedade e os classifica o oà a siedadeà patológi a à ueà s oà des itosà deà fo aà did ti aà e à pe ue osà uad os,à enquanto a matéria aborda alternativas de tratamento de acordo com especialistas de cada área. 7 Oàpsi uiat aàeàte apeutaàTitoàPaesàdeàBa osàNetoàafi aà à evistaà ueà áàp i ípioà não existe ansiedade boa. É essencialmente desagradável de caráter antecipatório. É uma emoção complexa que envolve o edoà o oàsi to a .à I agi eàat avessa àaà ua,àoà edoà de ser atropelado nos faz olhar para os dois lados. Tem função protetora. Mas, se deixarmos deàsai àdeà asaàpo ueàe isteàpossi ilidadeàdeàsof e àu àa ide te,à àpatológi oà si to a .à Outro paralelo traçado por Barros Neto são os sintomas físicos causados pela ansiedade, como coração acelerado, boca seca, mãos frias e respiração ofegante, nesse caso, Barros Neto define como ansiedade adaptativa. Quadro 2: Fobia Específica Fonte: Revista Mente e Cérebro (2014) O psiquiatra Antônio Egídio Nardi, coordenador do Laboratório de Pânico e Respiração da UFRJ, alerta que os sintomas de ansiedade adaptativa podem ser úteis quando ajuda a ter preocupações com o futuro e começa a causar prejuízos quando afetam o sono e a capacidade de estudar ou trabalhar. Os exemplos de situações cotidianas que foram abordados por Barros facilitam o entendimento e a identificação do leitor com a maneira em que a matéria está escrita. Segundo SILVEIRA e PIPPI (2005), dependendo da especificidade do tema envolvido, os 8 passos para a produção de uma matéria podem variar, necessitando de reformulações discursivas com o objetivo de fazer-se entender com mais clareza possível. Quadro 3: Transtorno de Pânico Fonte: Revista Mente e Cérebro (2014) O psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade da USP, comenta que o transtorno de pânico sofre mais influência dos fatores hereditários, da ultu aà deà e ito a iaà eà aà daà u a izaç o.à G uposà deà is oà i lue à i ig a tes,à pessoas ueà vive à e à egiõesà o à altoà is oà deà viol iaà eà ulhe esà jove sà deà ai aà e da ,à dizà Bernik. A reportagem comenta a posologia do tratamento de transtorno de pânico: Oà t ata e toà edi a e tosoà va iaà o fo eà oà tipoà deà t a sto o.à Noà p i o,à geralmente, é iniciado feito com associação de ansiolíticos (bezondiazepínicos) e antidepressivos, especialmente inibidores seletivos da receptação de serotonina. Quando estesà o eça à aà faze à efeito,à osà a siolíti osà s oà eti ados .à MENTEà Eà CÉREBRO,à 5.A reportagem não se preocupa em explicar o que são ansiolíticos (bezondiazepínicos) e serotonina. 9 Para BUENO (1998), o discurso da ciência é permeado por termos e expressões que pretendem atingir a precisão, segundo ele, esse jargão científico precisa ser simplificado para facilitar a compreensão do público não especializado. Barros Neto alerta sobre os perigos de dependência química e problemas de memória na utilização de ansiolíticos por tempo prolongado. Apesar de não existir evidências completas, Bernik sugere que o tratamento seja combinado com psicoterapia, onde os resultados costumam ser superiores. Quadro 4: Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC) Fonte: Revista Mente e Cérebro (2014) Para CUNHA (2008), jornalistas, cientistas, pesquisadores da área de comunicação e analistas do discurso concordam que há uma transformação da linguagem especializada do discurso científico para a linguagem não especializada no processo de divulgação científica para o público leigo. Essa transformação é considerada uma recodificação, reformulação ou a formulação de um novo discurso. O objetivo da transformação é tornar a informação complexa em algo palpável para o público em geral. 10 Com exceção da falta de recodificação dos termos científicos para ansiolíticos e serotonina, a matéria sempre procura utilizar exemplos do cotidiano para que o público geral possa entender as informações. Quadro 5: Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) Fonte: Revista Mente e Cérebro (2014) A medicina tradicional chinesa também é abordada na matéria como no trecho i tituladoà águlhasà ueà t ata .à áà o sultaà pelasà i fo açõesà foià feitaà o à aà di aà especialista em acupuntura Márcia Yamamura, do setor de Medicina Chinesa da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Segundo Yamamura, cada emoção está relacionada a um órgão e a ansiedade está associada ao coração. A matéria ressalta que a acupuntura tem efeito preventivo, assim como a alimentação saudável e a prática de exercícios físicos. Yamamura afirma que a acupuntura é um tratamento coadjuvante à medicina tradicional, não curativo, que atua no fator emocional desencadeante da doença ou no grau energético. 11 Quadro 6: Transtorno de ansiedade social (TAS) ou fobia social Fonte: Revista Mente e Cérebro (2014) Para aproximar o leitor e ajudá-lo a se identificar com o sintoma de fobia social, a epo tage à t ataà oà te aà o oà Medoà deà ge te .à I fo aà dadosà estatísti osà so eà aà ocorrência do sintoma na sociedade, entre 3,5% e 16% da população. Bernik menciona as possíveis causas do transtorno durante a vida, como ansiedade de separação, preocupação de se afastar dos pais ou que algo ruim aconteça com eles. Situações em que crianças falam apenas na presença dos pais e recusam-se a ir à escola ou manifestam sofrimento excessivo na véspera de provas ou competições esportivas. Barros Neto identifica a pessoa com fobia social como aquela que tende a se isolar e evitar situações cotidianas onde possa vir a sentir constrangimento. O tratamento sugerido na reportagem envolve a utilização de antidepressivos e teoria comportamental, onde ambientes sociais são simulados. A reportagem traz um conceito inovador para tratar fobia social que envolve a tecnologia: a terapia de exposição à realidade virtual cria um cenário fictício simulando eventos cotidianos. 12 Foto 1: Exposição à realidade virtual (ERV) Fonte: Revista Mente e Cérebro (2014) A psicóloga Cristiane Gebara é mencionada na reportagem como autora de um estudo que avalia os impactos do tratamento ERV nos pacientes com fobia social em que a média de redução dos sintomas de ansiedade foi superior a 70%. Quadro 7: Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) Fonte: Revista Mente e Cérebro (2014) 13 O psicólogo e psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, coordenador da Clínica de Redução de Estresse da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-U“P ,à e pli aà ueà Oà processo biológico de luta ou fuga do estresse permanece. A mente cria fantasias: uma ameaça fictícia é apazà deà dese adea à todaà aà io uí i aà doà est esse .à áà F“P-USP ensina técnicas de meditação de atenção plena a pessoas com problemas de saúde relacionados ao estresse. A reportagem classifica a meditação de atenção plena o oà E a eà deà Pe sa e tos à ueà de acordo com os especialistas, ajuda a se conscientizar da real proporção das ameaças que inquietam a mente. 7. Considerações finais O estudo abordou conceitos e definições de letramento e letramento científico com o objetivo de demonstrar os níveis e classificações de letramento e suas funcionalidades. Apresentar a publicação Mente e Cérebro e analisar o conteúdo da matéria sobre Ansiedade da edição 261 de Outubro de 2014. A análise concluiu que o objetivo da publicação em apresentar informações, muitas vezes complexas, de forma acessível ao leitor, sem que a qualidade e a profundidade sejam perdidas, é realizada com sucesso, pois os públicos os quais a revista está direcionada (profissionais e estudantes da área de saúde e público em geral) conseguem assimilar as informações de maneira simples, onde um leitor letrado funcionalmente tem acesso a diversos pontos de vistas de profissionais da Psiquiatria, Psicologia e até da medicina chinesa. 8. Referências Bibliográficas ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. Manual Diagnósico e Estatístico de Transtornos Mentais - Dsm V - 5ª Ed. 2013. AYALA, F. J. I trodu tor essa : the ase for s ie tifi litera . World Science Report, Unesco. 1996. Disponível em http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001028 /102819eo.pdf BUENO, W. C. 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Gregory (Eds.), Science and culture in Europe. London: Science Museum. 1993. GERHARDT. L. B. A Didatização do Discurso da Ciência na Mídia Eletrônica. Tese de Doutorado. UFSM. Santa Maria-RS. 2011. GRAFF, H. J. The Interface between the Written and the Oral. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. HILGERT, J. G. A o strução o te to falado por es rito: A conversação na internet. Fala e escrita em questão. 2000. KLEIMAN, A. B. O Letramento na Formação do Professor. Resumo publicado nos Anais do VII Encontro Nacional da ANPOLL Porto Alegre 1992. Goiânia, ANPOLL, 1991. KLEIMAN, A. B. Modelos de letra e to e as práti as de alfa etização a es ola . Em Kleiman, Angela B. (org). Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras. 1995. Manual Diagnósico e Estatístico de Transtornos Mentais - Dsm V - 5ª Ed. 2013. MENTE E CÉREBRO. Disponível em http://www2.uol.com.br/vivermente/gehirn_geist/. PELLA, M. O. 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