Universidade Federal de Minas Gerais Programa de Formação de Conselheiros Nacionais Curso de Especialização em Democracia Participativa, República e Movimentos Sociais Lílian Moreira Costa Controle Social e Participação no Conselho Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte: Desafios e Possibilidades Belo Horizonte 2010 Lilian Moreira costa Controle Social e Participação no Conselho Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte: Desafios e Possibilidades Monografia apresentada à Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para obtenção do titulo de Especialistas em Democracia Participativa, República e Movimentos Sociais Orientador (a): Marlise Miriam de Matos Almeida Co – orientador (a): Ana Paula Salej Belo Horizonte 2010 Agradecimentos A toda equipe do Conselho Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte, pela disposição permanente em colaborar, em especial a Domingos Sávio e Filipe Carvalho. Resumo O novo modelo de política de assistência social que se concretiza com o Sistema Único de Assistência Social - SUAS, compreende os conselhos como espaços privilegiados onde se efetiva a participação popular e devem se constituir de fato como espaço público de controle democrático. Este trabalho pretendeu compreender o papel do Conselho Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte – CMAS BH, no tocante ao controle social e à participação no âmbito do SUAS. Objetivou-se ainda delinear o funcionamento dessa instância e seus mecanismos de efetivo controle social. A pesquisa utilizou-se de registros das Atas das Plenárias do CMAS BH, durante o período de 2009, e legislações afetas. As principais conclusões são as de que este conselho vem trabalhando para rever seu papel de órgão fiscalizador da política de assistência social, uma vez que sua função normativa, atualmente, baseia-se em habilitar e desabilitar entidades. Palavras - Chave: Controle Social. Participação. SUAS. Assistência Social. Lista de Abreviaturas CMAS – Conselho Municipal de Assistência Social CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social CRAS – Centro de Referência da Assistência Social CREAS – Centro de Referência Especilaizado da Assistência Social LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome NOB SUAS – Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social PNAS - Política Nacional de Assistência Social SUAS – Sistema Único de Assistência Social Sumário 1- Introdução .................................................................................................................. 08 2 - Instrumentos de Controle Democrático......................................................................10 2.1 - Controle Social e Participação................................................................................15 3 - Os Conselhos de Assistência Social...........................................................................19 3.1- O Desafio da Participação nos Conselhos de Assistência Social .........................................................................................................................................21 4 - O Conselho Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte e o Controle Social...............................................................................................................................27 4.1 - Apresentação de Resultados ..................................................................................29 5- Considerações Finais...................................................................................................40 6 - Bibliografia ................................................................................................................43 1. Introdução Esse trabalho estudará especificamente o caso do Conselho Municipal de assistência Social de Belo Horizonte e propõe um estudo acerca do Controle Social1, no âmbito do CMAS BH e sobre os mecanismos que este utiliza para efetivação do controle social, principalmente no que tange à fiscalização dos serviços socioassistenciais prestados por entidades privadas. A assistência social, no rol de política pública não contributiva, destinada a quem dela necessitar, prevê a oferta à população de atendimento gratuito por entidades, ultrapassando e rompendo paradigmas que localizam a assistência social enquanto caridade, benemerência e doação. Portanto, o caráter público destas entidades e a garantia de direito aos usuários,2 devem prevalecer. Ademais, a violação desses direitos é uma questão pública, assim como a prevenção de sua violação. A partir do processo de descentralização, a estrutura organizacional da assistência social deve ser reordenada, a fim de trazer a participação de entidades privadas para uma relação que implica nova regulação do Estado. Esta percepção evidencia a importância do estudo conduzido nesse trabalho. Decorridos mais de quinze anos da regulamentação da Lei 8.742, de 07 de dezembro de 1993 - Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, faz-se necessário realizar um profundo debate sobre os caminhos do controle social no âmbito do Sistema Único de Assistência Social - SUAS. Ressalte-se que a dimensão política do controle social está relacionada à dinâmica e ao compromisso que os conselhos de assistência social alcançam. Nesse contexto é que se estabelece a necessidade de aprofundar o debate em âmbito local, como também na instância nacional. O fortalecimento do controle sobre a política e a recriação de uma cultura que responda às necessidades demandadas pela assistência social, para o alcance da universalidade das atenções de proteção social, demonstram os desafios que têm os conselhos de assistência social. Para conduzir a reflexão que envolve a temática Participação e Controle Social no SUAS3, é sabido que a reorganização jurídica, política e técnica no tratamento da assistência social como direito do cidadão e dever do Estado, inauguram tempo novo 1 Justifica-se o uso do termo controle social, o fato do mesmo ser apropriado e definido para a área da assistência social. 2 O termo usuário é definido pela Política Nacional de Assistência Social (PNAS) como “[...] cidadãos e grupos que se encontram em situação de vulnerabilidade e riscos [...]” (PNAS, p. 33). 3 O SUAS foi instituído por meio da Resolução do Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS nº.145, de 15 outubro de 2004. 8 com a promulgação da Constituição Federal de 1988. No entanto, mais de 20 anos depois, pouco se percebe nos municípios uma efetiva representação dos interesses da população ou dos segmentos. [...] no entanto, há uma significativa unanimidade nos estudos e avaliações da experiência dos conselhos quanto à frágil presença dos segmentos populares em tais espaços, por meio de suas associações e representações coletivas. Se a pobreza, para além de sua expressão monetária, é um tipo de relação social que define sociabilidades e lugares dos indivíduos na sociedade, sua contraface é a carência de representação política nos espaços públicos (Raichellis. 2006, p.113). Entre as funções dos conselhos, merece destaque aquela regulamentada pelo Governo Federal, por meio do Decreto nº 6.308, de 14 de dezembro de 2007, que regulamentou a obrigatoriedade da inscrição dos serviços, programas, projetos e benefícios executados pelas entidades de assistência social, além de sua mera inscrição no Conselho de Assistência Social como ato cartorial. Espera-se que esse novo procedimento traga transparência e legitimidade ao órgão. 4 Atualmente, estas entidades prestadoras de serviços complementam a rede socioassistencial, sendo denominadas co-gestoras, parceiras da política de assistência social. Entretanto, a função da execução desta política pública é do Estado que não deve eximir-se de seu papel. É de suma importância ter referenciado ao CMAS, as atividades prestadas pela entidade privada de assistência social, bem como o público que esta atende, pois cabe aos Conselhos a fiscalização dos serviços de assistência social prestados pela Rede socioassistencial, definindo padrões de qualidade de atendimento e estabelecendo critérios para o repasse de recursos no âmbito do Sistema Único de Assistência Social - SUAS (PNAS/2004). Como o intuito de promover a discussão proposta, essa monografia está organizada em 5 (cinco) partes, sendo I) introdução, II) identificação do objeto de estudo, o CMAS BH; III) desenvolvimento, considerando os instrumentos de controle democrático, marco regulatório e os conselhos de assistência social, controle social, os desafios da participação nos conselhos de assistência social; IV) apresentação de resultados; e V) considerações finais. A abordagem metodológica a ser utilizada neste trabalho, prevê estudo bibliográfico e pesquisa documental ou com material consultado em bases de dados do CMAS BH. 4 Referido Decreto estabelece que as entidades e organizações de assistência social terão prazo de doze meses, a contar da data de publicação deste Decreto, para requerer a inscrição de seus serviços, programas, projetos e benefícios nos Conselhos Municipais de Assistência Social ou Conselho de Assistência Social do Distrito Federal. 9 2 – Instrumentos de Controle Democrático A década de 1980 contribuiu para um novo debate acerca da Democracia. Muito se discutiu sobre o funcionamento do regime democrático e os possíveis caminhos para a sua sustentação e consolidação. Neste mesmo período, o conceito de accountability surgiu como um dos instrumentos de controle democrático. Schedler (1999), citado por Bronzo (2004) define accountability como a capacidade de resposta dos governos, sendo obrigação dos agentes públicos responderem por seus atos; e a capacidade das agências de accountability impor sanções e perda de poder para aqueles que violaram os deveres públicos. A concepção de accountability remete a uma visão bidimensional, envolvendo a capacidade de resposta e capacidade de punição. As formas de accountability são classificadas por O`Donnell (1998) em dois tipos: vertical, realizado pelo eleitorado, e horizontal, realizado pelas instituições administrativas, ou seja horizontal como sendo a existência de agências estatais que estão legalmente capacitadas e autorizadas, e realmente dispostas e aptas, a tomar ações que ultrapassem da vigilância rotineira a sanção criminal ou impedimento em relação às ações ou omissões por outros agentes ou agências do Estado que podem ser qualificadas como ilegais... e vertical para referir-se à vigilância e sanções que eleitores, imprensa, ONG´s, e outras organizações da sociedade civil exercem sobre funcionários públicos. Implica a existência de um agente de controle externo, principalmente o eleitorado (O’DONNELL 1998. p.10, apud DÁLIA 2007, p. 5). O autor referenda ainda que nas poliarquias modernas, a dimensão democrática da accountability é assegurada pelo exercício da accountability vertical, principalmente por meio dos mecanismos das eleições e do voto. Porém, tais mecanismos são insuficientes para o controle da ação governamental. Carneiro (2004) destaca que alguns autores, como Przerworsky, Manin e Stokes, apontam esta insuficiência. Nesse sentido, conclui-se que as eleições não constituem o mecanismo democrático por excelência para induzir a representatividade. Distinguindo entre governo responsivo (adota política assinaladas como preferidas pelos cidadãos) e accountable (na medida em que os cidadãos podem discernir se os governos estão agindo em seus interesses e podem punir apropriadamente os governos não representativos) os autores identificam que um governo pode agir de forma representativa (agir no melhor interesse do cidadão) porque ou é responsivo ou accountable, ou ambos (CARNEIRO, 2004, p. 05). 10 Ou seja, “um governo pode ser responsivo sem ser representativo, uma vez que pode ter informações e condições de agir no melhor interesse do cidadão mas não o faz, embora siga as orientações de seu mandato ” (CARNEIRO, 2004). Partindo do princípio básico da Teoria Democrática de que a Democracia equivale à soberania popular, uma vez que o poder é exercido pelo povo, o desafio seria pensar os mecanismos de controle para além do processo eleitoral. Nesse sentido, um terceiro tipo, a accountability societária ou social, aparece como formato vertical de controle que não advém do eleitorado em relação ao governo e sim da sociedade civil, da opinião pública que vem pressionar o governo para corrigir determinados comportamentos. É a Democracia cumprindo seu papel: pensar em como coibir os abusos. Schedler (1999), citado por Carneiro (2004), “enfatiza que um cenário de perfeito controle do poder é fictício, uma vez que este nunca pode ser totalmente controlado em um sentido estrito”. A partir de um cenário de informação insuficiente e “opacidade do poder”, surge a demanda por accountability, que tem como eixo básico o princípio da publicização. No entanto, o exercício da accountability só tem sentido quando preserva suas três dimensões: informação, justificação e punição. Levando em conta que cada uma das tradições políticas tem sua forma de organização da burocracia - mais eficiente ou mais constituída - podemos dizer que o Brasil tem suas especificidades no tocante ao controle público e à gestão pública. Até 1988, a União contava com a ação legal do Governo, por meio da Advocacia Geral da União - AGU. Após esse período, o Ministério Público começou a incorporar as reclamações das minorias organizadas. (...) a criação no Brasil do Ministério Público, após a reforma constitucional de 1988, introduziu um ator institucional acessível e aberto às reivindicações cidadãs, fomentando um notável crescimento do uso da estratégia judiciária por parte da sociedade civil. (PERUZZOTTI, 2005, p. 13) Novos elementos para promoção, desenvolvimento e consolidação da accountability social surgem com a inserção de diretrizes de promoção da participação social, tais como os conselhos gestores de políticas públicas, conferências, fóruns, orçamentos participativos, além do próprio Ministério Público. A partir dos anos 1990, com a emergência de novas formas associativas e organizativas, a sociedade civil ficou mais complexa. Conquistou centralidade com a expansão do chamado "associativismo civil" que abarca um conjunto heterogêneo de 11 instituições sociais, entidades prestadoras de serviços de variadas naturezas, organizações comunitárias e entidades com caráter assistencial, que passaram a disputar os espaços públicos como novos atores políticos. Considerando o universo de formas associativas que os atores da accountability social assumem, é importante considerar duas das principais instâncias participativas e de intervenção social: os movimentos sociais e as associações civis e de caráter permanente. Outro ator de fundamental importância da política de acountability social, afirma ainda o autor, é a mídia que denuncia possíveis atos ilegais dos governos e também dá visibilidade às reinvidicações da sociedade civil. Quando a sociedade civil consegue voltar a atenção da mídia para si, possui maiores respostas de mobilização social que não alcançaria pelas iniciativas cívicas do setor. Há que se pensar na produção equilibrada dos três atributos produzidos e conquistados da ordem democrática: democracia estável, accountability e representatividade. Segundo Anastasia (2006), estes “requerem a institucionalização e a operação continuada de mecanismos de vocalização de preferências e de accountability horizontal e vertical” (ANASTASIA; INACIO, 2006, p. 03). Os conselhos gestores de políticas públicas, como instrumentos de Controle público, exercem um conjunto de ações de natureza sócio - política e técnico -operativa, objetivando exercer influências sobre as ações governamentais. Nesse contexto, é oportuno elencar, de acordo com Campos (2009), três dimensões distintas e indissociáveis desse processo complexo: a) a dimensão política, que refere-se à mobilização da sociedade para influenciar a agenda governamental e indicar prioridades; b) a dimensão técnica que corresponde ao trabalho da sociedade de fiscalizar a gestão de recursos e a apreciação das ações governamentais, inclusive sobre o grau de efetividade dessa última na vida dos destinatários; e c) a dimensão ética que diz sobre a construção de novos valores e de novas referências, fundadas nos ideais de solidariedade, da soberania e da justiça social. ...o ideal que orienta a constituição dos conselhos de assistência social está comprometido com a participação direta da sociedade nos assuntos de governo, destacando-se entre suas principais virtudes a influência que a sociedade civil pode exercer na agenda do governo; a aproximação entre governantes e governados, reduzindo, dessa forma, o hiato provocado pela democracia representativa entre eleitores e eleitos e, ainda; envolver a sociedade civil em assuntos de interesse público, fortalecendo vínculos de integração social, ao 12 mesmo tempo em que estimula comportamentos cooperativos. (CAMPOS, 2009, p.24) O Brasil tem hoje em torno de cem mil conselheiros - praticamente o mesmo número de vereadores. Dessa forma, o envolvimento da sociedade civil, no que se refere ao controle das ações dos governantes, é cada vez maior.5 Nesse sentido, é fundamental que a representação não governamental tenha seus fóruns próprios para avaliar e debater os rumos desta política, no intuito de ampliar e democratizar essa representação nos conselhos. Para Campos (2009), a democracia participativa, ao contrário da democracia representativa, “valoriza, se apoia e se nutre nos atores coletivos, ou seja, nos cidadãos organizados.” Nesse viés, o povo pode se constituir, efetivamente, em fonte de poder, em autoridade. O cidadão é dotado de um conjunto de direitos civis, políticos e sociais. Em tese, é dotado de autoridade para realizar escolhas e eleger governantes. Todavia, na prática, o experimento democrático representativo estimula e cultiva o afastamento do cidadão comum das arenas que tratam do negócio público. Como afirma Hirst (1992, p. 34), um dos limites da democracia representativa consiste no inexpressivo controle que os eleitores exercem sobre os eleitos, visto que [...] “Os eleitores escolhem algumas das pessoas envolvidas na tomada de decisão governamental, mas não podem escolher diretamente as decisões” (CAMPOS, 2009, p. 19). Arendt (1983), citada por Campos (2009) revela que a autoridade originada das bases não significa a ficção de um povo absoluto, pois se trata da articulação desses corpos constituídos em convenções e assembléias. Nesse caso, o povo significa um conjunto de cidadãos organizados segundo leis reconhecidas por todos (ARENDT, 1983, apud CAMPOS, 2009, p.19). O sistema democrático e participativo de gestão e de controle social na assistência social, pode se dar por meio de vários mecanismos, tais como os Conselhos e Conferências de Assistência Social realizadas a cada biênio, organizadas e sustentadas pela respectiva esfera de governo; publicização de dados e informações referentes às demandas e necessidades de usuários, da localização e padrão de cobertura dos serviços de Assistência Social; canais de informação e de decisão com organizações 5 Quanto à representação da sociedade civil, os conselhos de assistência social apresentam três segmentos: trabalhadores, entidades de assistência social e representantes de usuários; escolhidos em foro próprio sob fiscalização do Ministério Público Federal. 13 socioassistenciais parceiras, submetidos ao controle social; por meio de audiências públicas; mecanismos de audiência da sociedade, de usuários, de trabalhadores sociais; conselhos paritários de monitoramento de direitos socioassistenciais; comissões e comitês temáticos; e conselhos de gestão dos serviços. As formas de controle usadas pelos conselhos de políticas públicas são definidas, basicamente, por um Plano de Ação e pela prestação de contas dos recursos públicos. Na área da assistência social, existe anualmente um Plano de Ação das ações socioassistenciais e um Demonstrativo de Execução Físico - Financeira (instrumento de prestação de contas) preenchidos pelos gestores em âmbito municipal, do Distrito Federal e estadual, aprovados, logicamente, pelos seus respectivos conselhos de assistência social. Nesse sentido, a assistência social, por meio da Rede Suas, que se configura no sistema de informação do SUAS, inova possibilitando a gestores, sociedade civil, bem como a população em geral, obter informações atualizadas acerca dos recursos públicos utilizados no atendimento aos usuários da assistência social. Cada ator, munido de senha e login próprios para acessar o sistema, deverá lançar os dados de acordo com o papel que exerce na política pública e posteriormente, validar tais informações. O gestor deve referir-se ao público atendido especificamente com recurso federal, como também, sobre os recursos estaduais (se for o caso) e recursos próprios, utilizados no exercício para execução das ações da assistência social. O Conselho, no papel de órgão fiscalizador, deverá informar se o atendimento foi realmente realizado e se o recurso foi executado pela rede socioassistencial - composta por órgãos públicos e pela rede privada de assistência social - além de definir padrões de qualidade de atendimento e estabelecer critérios para o repasse de recursos no âmbito do SUAS.6 Através do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, a política de assistência social assegura a primazia e a precedência da regulação estatal sobre essa atividade pública, cuja dinâmica democrática do controle social prevê a participação da população e da sociedade na formulação e controle das ações, bem como o comando único das ações em cada esfera de governo (NOB SUAS/2005, p. 26). A descentralização político-administrativa é uma importante diretriz estruturante do SUAS. Esta afirma-se no provimento de poder político a cada esfera de governo (estados, municípios e Distrito Federal) favorecendo, dessa forma, a constituição de 6 Deve constar dos estatutos e regimentos das entidades, definição/especificação do atendimento que realiza e a natureza de suas atividades. 14 novas dinâmicas de gestão redesenhadas no âmbito municipal e orientadas pela perspectiva de acesso universal. Nesse sentido, “a diretriz participativa confere à sociedade poderes para interferir na agenda do governo, definindo prioridades e também dotando-a de prerrogativas para avaliar as ações governamentais em todos os níveis.” (CAMPOS, 2009, p. 18) O caso da assistência social ilustra que a tarefa de concretizar o controle público não é fácil. Passa pela conjugação de esforços dos órgãos públicos e das instâncias de articulação e participação social - Conselhos de Políticas Públicas, Entidades de Defesa e Garantia de Direitos, Associações - além da mídia que, vale salientar, exerce papel fundamental. Faz-se necessário, portanto, estreitar os laços entre Estado e Sociedade civil para se ter uma maior força política nos formatos possíveis de accountability. Tal ação pode implicar numa maior efetividade das sanções tanto eleitoral quanto administrativa e pode repercutir em um maior impacto da sanção simbólica. A partir do momento em que os representantes governamentais darem crédito ao poder da opinião pública, haverá transparência nas ações governamentais e logo o fortalecimento das instituições públicas. 2.1 - Controle Social e Participação Sobre o tema, o que se observa é uma convergência de alguns autores no entendimento da categoria Controle Social. Nessa seção, destacaremos as contribuições de alguns deles, a começar por Correia (2002) que destaca duas concepções que são básicas para este debate. A primeira é aquela que entende o controle social como controle do Estado sobre a sociedade. Esse controle favorece os interesses da classe dominante e as políticas sociais são meios utilizados para abrandar conflitos sociais. A autora referenda ainda que tal perspectiva garante o consenso social para aceitação da ordem do capital sobre os membros da sociedade e classifica esse estado de “Estado Restrito”, apoiando-se na teoria de Marx sobre o Estado. A segunda concepção refere-se ao controle social como controle da sociedade. Nesta última, a sociedade tem possibilidades de controlar as ações do Estado em benefício dos interesses das classes subalternas (CORREIA, 2002, p. 121). É nessa dicotomia que se baseiam algumas críticas ao uso do termo controle social, substituindo-o por outros como, controle público ou societal. Contudo, a despeito dos debates teóricos, os gestores públicos e os 15 atores sociais que integram os espaços institucionalizados de participação na gestão pública usam primordialmente o termo controle social, ficando alheios ao debate teórico. Essa atitude desses atores é que orientou a decisão de usar o termo controle social a despeito do conhecimento de seus desafios. Raichellis (2009), por sua vez, enfatiza que, sobre o tema do controle social, há um debate atual originado no contexto político dos anos de 1970/1980 - anos de enfrentamento da ditadura estabelecida em 1964, e no processo de transição democrática no Brasil - quando se deu a luta pela conquista e extensão de direitos, associada à construção democrática do Estado e da sociedade. A autora reforça ainda que, no movimento de mobilização que culminou com a Constituição Federal de 1988, mesmo que a intenção fosse restabelecer o regime político democrático e reativar os canais de representação política (eleições diretas, partidos políticos, funcionamento do Congresso Nacional), diversos setores e movimentos sociais ao discutirem a importância dessa conquista, também sinalizaram seus limites para a efetiva democratização, em especial quanto a sua capacidade de fomentar uma cultura de relações democráticas na sociedade brasileira. A discussão se baseava na própria concepção de democracia, vista não apenas como um conjunto de procedimentos e normas que regulam a participação do cidadão na vida político - institucional do País, “mas principalmente como reconhecimento da dimensão dos direitos como fundamento das novas leis e instituições democráticas a serem criadas.” (RAICHELLIS, 2009, p. 13) Em sua compreensão de esfera pública, Raichelis (1998) propõe como elementos constitutivos e que devem estar articulados dinamicamente: visibilidade social, representação de interesses coletivos, democratização, cultura política e controle social, traduzidos como: (…) acesso aos processos que informam as decisões no âmbito da sociedade política. Permite participação da sociedade civil organizada na formulação e na revisão das regras que conduzem as negociações e a arbitragem sobre os interesses em jogo, além do acompanhamento da implementação daquelas decisões, segundo critérios pactuados (RAICHELIS, 1998, p. 41). Campos (2009) já ressalta que o exercício do controle social pressupõe de um lado, a existência de uma sociedade civil organizada, mobilizada, representativa e politicamente estimulada para a valorização do interesse público, e de outro, a existência de governantes democráticos que valorizem o diálogo com a sociedade civil e que demonstrem disposição para partilhar decisões com a sociedade. O autor destaca 16 ainda que, numa gestão democrática, é atribuição da sociedade civil intervir na definição de políticas e na fiscalização das ações governamentais. No entanto, cabe a ela o exercício do controle social, de modo que esta é uma questão já reivindicada por Rousseau no século XVIII em suas preocupações sobre o "bom governo". Rosseau afirmava que o governante é um comissário do povo, e a fiscalização pelo povo sobre as ações do governo é a forma segura para evitar a usurpação e o predomínio do interesse privado sobre o interesse público (CAMPOS, 2006, p. 115) Outra questão, trazida por alguns autores e com merecimento à reflexão, aborda as particularidades que os conselhos de assistência social apresentam. Os três segmentos que compõe a sociedade civil - entidades de assistência social, trabalhadores do setor e representantes ou organizações de usuários - são muito diferentes entre si e em âmbito interno, ou seja, na dinâmica de seus espaços de funcionamento. Nesse eixo, o primeiro fato a ser avaliado é a forte tendência, observada em muitos conselhos, acerca das entidades de assistência social que, historicamente, operam serviços e ações do Estado e em muitos conselhos ocupam vagas do segmento de usuários. Há que se questionar quais os motivos da baixa participação e do protagonismo das organizações e representações de usuários da política de assistência social. A desigualdade de recursos, informações e organização estão na base dessa situação (PAZ, 2009, p. 27) O segundo refere-se aos casos em que na presidência dos Conselhos Municipais de Assistência Social predomina a presença das primeiras-damas, fragilizando as representações de trabalhadores e tornando praticamente ausentes as organizações coletivas de usuários Essas últimas, na maioria das vezes, são confundidas com a representação das entidades de assistência social, o que termina por sonegar dos usuários sua fala e presença autônomas. No campo da sociedade civil, é preciso repensar também a própria dinâmica da participação e da representação nos conselhos, devido à influência de alguns fatores tais como: heterogeneidade dos atores e das concepções ideopolíticas, fragmentação de interesses e demandas, deslocamento do debate frente às questões da política de assistência social e de seus programas, serviços, projetos e benefícios para a luta por interesses particulares, tornando ainda mais difícil a construção de alianças estratégicas e processos de pactuação em torno de pautas coletivas. Na representação das entidades de assistência social, verifica-se a presença de um conjunto heterogêneo e fragmentado de instituições e organizações, com 17 antigos e novos interlocutores que disputam acesso ao fundo público: as tradicionais entidades assistenciais, com histórica intervenção na assistência social, mas com forte tradição de autonomia em relação à regulação pública e ao controle social; as ONGs de diferentes naturezas, que passam a disputar novos espaços de intervenção, em muitos casos substituindo o papel do Estado e as responsabilidades estritamente governamentais; a chamada filantropia empresarial, que introduz nova racionalidade privada na produção de serviços, programas e projetos de interesse público (RAICHELLIS, 2009, p. 17). A heterogeneidade e as disputas que caracterizam a sociedade civil, possibilita que se constate suas dificuldades em assumir uma postura propositiva sem perder seu papel crítico e trazer riscos de despolitização das relações entre Estado e sociedade. A participação, imbuída de um caráter político transformador entre os atores sociais, potencializa a atuação nos conselhos setoriais de políticas públicas, fóruns, conferências das cidades e orçamento participativo, resultando em participação política transformadora da cultura política tradicional, do poder público centralizado, em que o indivíduo não passa da condição de cliente da política. Tais práticas de participação fortalecem os valores de solidariedade, de ação coletiva, de participação política e de prática cidadã cotidiana. A concepção de cultura política merece ser “considerada não como uma variável independente, mas um fator impulsionador da participação política e da construção da democracia em suas diversas dimensões” (OLIVEIRA, 2003 apud MONTEIRO; LOPES, 2009, p. 5569). Nesse sentido, há que se concluir que a participação política, além de romper com a cultura política tradicional, também estimula o indivíduo a comprometer-se com o processo de conquista da sua condição de sujeito e cidadão ativo. Isso ocorre à medida que este sujeito constrói as relações políticas e sociais na sociedade, ou seja, no momento em que ele decide sobre a sua condição de ser sujeito, a partir do exercício efetivo da cidadania (OLIVEIRA, 2003 apud MONTEIRO; LOPES 2009, p. 5573). Estabelecer diretrizes nacionais para fortalecer o controle social e a participação tem sido o rumo que os conselhos de assistência social vêm tomando. Recentemente, os Conselhos Estaduais de Assistência Social pactuaram com o governo federal prioridades nacionais a serem trabalhadas com os conselhos municipais. Foi estabelecido um plano de atividades que contempla apoio técnico aos municípios, inclusive fortalecendo a participação e o controle social no âmbito local e capacitação permanente a gestores, técnicos e conselheiros da área. Esse movimento é condição indispensável para trazer à tona o significado da ação política no processo de construção histórica dessas relações, 18 uma vez que o cenário político atual prevê uma sinergia entre Estado e sociedade civil. Isso irá refletir em uma análise acerca dos novos formatos participativos, os quais apontam para a efetivação do controle social nos Conselhos de assistência social, por meio da participação pró-ativa de seus atores. 3 - Os Conselhos de Assistência Social Os conselhos são espaços públicos com força legal para atuar nas políticas públicas, na definição de suas prioridades, de seus conteúdos e recursos orçamentários, de segmentos sociais a serem atendidos e na avaliação dos resultados. A composição plural e heterogênea, com representação da sociedade civil e do governo em diferentes formatos, caracteriza os conselhos como instâncias de negociação de conflitos entre diferentes grupos e interesses, portanto, como campo de disputas políticas, de conceitos e processos, de significados e resultados políticos (RAICHELLIS, 2006, p.11). Paz (2006) afirma que os conselhos “são essencialmente espaços de interlocução política, negociação e deliberação, lugares de disputa de projetos e recursos, mecanismos de partilha de poder e de democratização da vida social”. A autora ressalta ainda que um dos problemas da representação ou do ato de delegar poderes é uma certa omissão na participação, como se só o representante tivesse responsabilidades. Representação é uma via de mão dupla. De um lado o coletivo de um determinado segmento que precisa discutir, mobilizar e, de outro, o representante escolhido que deve fomentar o debate e defender as propostas do segmento que o colocou naquele espaço. Dessa forma, a representação política coloca no centro do debate a representatividade, ou seja, o maior ou menor grau de legitimidade do representante (PAZ, 2009, p. 26). Em seu artigo 16, a Lei 8.742/1993 - Lei Orgânica da Assistência Social/LOAS normatiza o formato dos conselhos de assistência social no âmbito das três esferas de governo, mais o Distrito Federal. As instâncias deliberativas do sistema descentralizado e participativo de assistência social, de caráter permanente e composição paritária entre governo e sociedade civil, são: I – o Conselho Nacional de Assistência Social; II - os Conselhos Estaduais de Assistência Social; III – o Conselho de Assistência Social do Distrito Federal; e 19 IV – os Conselhos Municipais de Assistência Social. Nesta mesma linha, o artigo 18 da LOAS dispõe que: “os conselhos têm como principais atribuições a deliberação e a fiscalização da execução da política e de seu financiamento, em consonância com as diretrizes propostas pela conferência; a aprovação do plano; a apreciação e aprovação da proposta orçamentária para a área e do plano de aplicação do fundo, com a definição dos critérios de partilha dos recursos, exercidas em cada instância em que estão estabelecidos. Os conselhos, ainda, normatizam, disciplinam, acompanham, avaliam e fiscalizam os serviços de assistência social prestados pela rede socioassistencial, definindo os padrões de qualidade de atendimento, e estabelecendo os critérios para o repasse de recursos financeiros” (PNAS, 2004, p. 47). Para o avanço pretendido, a política aponta para a construção de uma nova agenda para os conselhos de assistência social. Uma primeira vertente é a articulação do Conselho Nacional de Assistência Social com os conselhos nacionais das outras políticas sociais, integrando um novo movimento neste País. Outra é a construção de uma agenda comum dos conselhos nacional, estaduais e municipais de assistência social. Esta última tem como objetivo organizar pontos comuns e ações convergentes, resguardando as peculiaridades regionais (PNAS/2004). De acordo com a Política Nacional de Assistência Social – PNAS (2004), a assistência social se expressa em cada nível da Federação na condição de comando único, na efetiva implantação e funcionamento de um Conselho de composição paritária entre sociedade civil e governo, bem como do Fundo, que centraliza os recursos na área, controlado pelo órgão gestor e fiscalizado pelo conselho, e do Plano de Assistência Social que diz sobre a Política e suas inter-relações com as demais políticas setoriais e ainda com a rede socioassistencial. Portanto, Conselho, Plano e Fundo são os elementos fundamentais de gestão da Política Pública de Assistência Social.7 É oportuno dizer ainda que, na conjuntura atual, com a promulgação da Lei 12.101, de 27 de novembro de 2009, que dispõe sobre as novas regras para Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social, o CNAS não mais será o órgão responsável pelo processo de certificação de entidades. A partir desta nova regra, é chegado o momento deste Conselho rever e propor novas medidas que busquem de fato o exercício do controle social na perspectiva do SUAS. 7 De acordo com o art. 30 da LOAS, é condição sine qua non para o repasse de recursos federais aos Estados, Distrito Federal e municípios, a existência de Conselho, Plano e Fundo de assistência social. 20 3.1 - O Desafio da Participação nos Conselhos de Assistência Social A PNAS (2004) faz algumas reflexões acerca da participação dos usuários nos Conselhos de Assistência Social. A primeira delas é sobre a natureza da assistência social, que só em l988 foi elevada à categoria de política pública. A concepção de doação, caridade, favor, benemerência e ajuda que, tradicionalmente, caracterizou essa ação, reproduz usuários como pessoas dependentes, frágeis, vitimizadas, tuteladas por entidades e organizações que lhes “assistiam” e se pronunciavam em seu nome. Em consequência disso, esse segmento, por um período, demonstrou baixo nível de atuação propositiva na sociedade. Nesse sentido é importante dizer da necessidade de um amplo processo de formação, capacitação, investimentos físicos, financeiros, operacionais e políticos, que envolva esses atores da política de assistência social. Sabe-se que a participação é algo que se aprende e se experimenta na relação com pares - no enfrentamento dos conflitos e na construção de processos cooperativos na reflexão crítica sobre a realidade vivida e compartilhada no coletivo. Para tanto, não haverá espaço político de sujeito de direitos dos usuários dos serviços socioassistenciais se não houver um investimento político-pedagógico no cotidiano em que se desenvolve o trabalho social. A seguir abordaremos alguns temas que perpassam esse processo. Comecemos pela descentralização das ações em instâncias regionais consultivas, ela é uma saída para tornar os Conselhos mais próximos da população. Outra estratégia para mobilização dos Conselhos e garantia de maior participação da população passa pela realização de reuniões itinerantes nos três níveis de governo. Há ainda a “organização do conjunto dos Conselhos no nível regional, propiciando articulação e integração de suas ações, fortalecendo a política de assistência social, já que a troca de experiência capacita para o exercício do controle social” (PNAS, 2004, p. 46). Nesse processo de inclusão, os usuários se deparam com dois riscos principais: o primeiro, diz respeito às possibilidades de cooptação política que se expressam na inclusão subalterna, e o segundo trata da “incorporação artificial que desconsidera a representatividade dos atores e exponencia o simbolismo da presença.” Contudo, tais riscos não podem servir de obstáculos para coibir a participação desse segmento nas instâncias de fiscalização da execução da política (CAMPOS, 2009, p. 23). Faz-se necessário pensar mecanismos que venham garantir a participação dos usuários nos conselhos enquanto sujeitos não mais sub - representados. Além das 21 dificuldades decorrentes da frágil representatividade da sociedade civil, o exercício do controle social enfrenta também o grande desafio de ser efetivado em um ordenamento institucional marcado pela precariedade de instrumentos legais e culturalmente amparado por uma tradição avessa ao ideal de cidadania. A gestão participativa, para ser bem sucedida, precisa estruturar-se em bases institucionais sólidas que assegurem aos cidadãos instrumentos legais para exercerem soberania na relação com o governo. Mesmo considerando os relevantes avanços preconizados na LOAS, observa-se, entretanto, que o formato dos Conselhos e a legislação disponível para balizar o controle social, limitam estritamente o agir das organizações da sociedade, no desafio para fiscalizar as ações governamentais no interior da assistência social. Sem a garantia de instrumentos legais, a gestão participativa, nas condições previstas no sistema de assistência social brasileira, pode significar para a sociedade civil uma aposta política de resultados profundamente incertos (CAMPOS, 2009, p. 23). No CNAS, atualmente, há seis representantes legítimos de usuários e de organizações de usuários. Tal fato é uma grande conquista, no entanto há muito a ser feito e muitos outros segmentos devem se fazer representar. Esse parâmetro deve se configurar não apenas no Conselho Nacional, mas também nos conselhos estaduais, municipais e do Distrito Federal. No intuito de integrar uma agenda estratégica para aperfeiçoar o controle social no âmbito do SUAS, Raichellis (2009) indica alguns pontos - no âmbito do público, democrático e participativo – que podem afirmar um novo lugar político dos usuários na política de assistência social: I. fortalecimento dos espaços de controle social, como conselhos e conferências, para discutir e deliberar sobre a política de assistência social, em termos de suas prioridades, da qualidade dos bens e serviços públicos aos usuários e da garantia de acesso aos direitos socioassistenciais; II. o avanço na articulação entre Conselhos de Assistência Social (nacional, estaduais e municipais) e conselhos das demais políticas setoriais, em torno de pautas e agendas comuns; III. ampliaçao e fortalecimento de novos espaços de participação da sociedade civil, menos formalizados e mais permeáveis à participação popular, como fóruns, plenárias e redes, entre outros; 22 IV. combate a subalternidade dos usuários nos espaços públicos da assistência social, estimulando a criação de comissões locais eleitas pela população, nos equipamentos estatais CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) e CREAS (Centro de Referência Especializado da Assistência Social) e nos serviços da rede socioassistenciais; e V. estímulo a presença atuante e autônoma de organizações coletivas de usuários, que contribuam para conferir níveis crescentes de representação e legitimidade às deliberações na esfera pública da assistência social. Mais uma questão de grande relevância neste processo é o diálogo e a articulação entre as entidades e organizações de assistência social e os gestores nos três níveis de governo. Sabe-se que a responsabilidade constitucional pela prestação da assistência social a quem dela necessitar é do Estado, nas três esferas de governo, e as instituições e organizações de assistência social, por fim, acabam por desempenhar esse papel mediante convênios ou custeio próprio das ações socioassistenciais. Para que haja articulação e diálogo efetivo e produtivo, é necessário que as entidades não fiquem submissas a questões partidárias, que transcendam essas injunções, ao contrário de determinados gestores que, ao assumir uma pasta de qualquer natureza, desconsideram tudo que seu antecessor realizou e iniciam uma nova caminhada no campo da assistência social, como se nada do que fora realizado anteriormente pudesse ser aproveitado ou estivesse de acordo com os postulados da política de assistência social (COELHO, 2009, p. 30) . É de suma importância considerar sociedade civil e Estado como pólos que se complementam e conflitam em uma dinâmica permeada de tensões. É necessário, portanto, superar análises reducionistas e dicotômicas que ora enfatizam a sociedade civil como o pólo de todas as virtudes, ora satanizam o Estado como responsável por todos os problemas (PAZ, 2006, p. 118). Isso irá refletir em uma análise acerca dos novos formatos participativos, os quais apontam para a efetivação do controle social nos Conselhos de assistência social, por meio da participação pró-ativa de seus atores. “Estamos vivendo um momento de reconstrução histórica, em que idéias cristalizadas como a de democracia se misturam a concepções mais fluidas como a de participação” (De Paula, 2009, p. 39). Nesse sentido, os Conselhos devem ser compreendidos como instrumentos importantes para a promoção da descentralização administrativa, ampliação da participação popular no processo decisório e introdução de maior eficácia na implementação de políticas 23 públicas. Sendo assim, no processo de democratização da gestão do SUAS, a participação da sociedade civil, torna-se elemento desafiador para uma gestão democrática e para a consolidação de direitos no SUAS. Na perspectiva da ação intergovernamental, a articulação entre conselhos deve ser considerada na diretriz de gestão, tanto entre conselhos afins à política, dentro da mesma esfera de governo, como entre as demais esferas de governo. A responsabilidade de aprovar a política em seu âmbito caberá a cada um dos conselhos de assistência social, conforme estabelecido no artigo 18 da LOAS, uma vez que a cada um dos Conselhos, além de normatizar as ações e regular a prestação de serviços de natureza pública e privada no campo da assistência social, deve ainda apreciar e aprovar a proposta orçamentária, acompanhar e avaliar a gestão dos recursos, entre outros. Nesse contexto, não é demais reafirmar o compromisso que os conselhos de assistência social têm para efetivar a democratização da gestão do SUAS. Certamente configura-se a partir disso um grande desafio quando sabemos que o papel dos conselhos de assistência social nem sempre está acompanhado de interesses em prol do coletivo. O Brasil apresenta outra característica: um conjunto amplo de heterogeneidades estruturais, gerando uma sociedade desigual e diferentes identidades que eclodem na dinâmica social. Essas condições afetam a operação das instituições democráticas. “No plano da norma há uma fragilidade na constituição do direito e seu exercício efetivo. Aqueles que não sabem que têm direitos, não vão reivindicá-los” (Informação verbal)8. Padrões extremados de desigualdade econômica e social afetam negativamente o exercício dos direitos consagrados no plano da norma. No que tange aos recursos, financeiros e informacionais, para o debate político, se torna mais difícil para alguns cidadãos transformarem direitos em capacidades, que permitam sua intervenção na ordem política e social. A capacidade dos cidadãos controlarem os atos de seus representantes eleitos requer o acesso a um conjunto de recursos, tais como: educação, informação e participação no debate politico. No entanto, essas questões não estão disponíveis a todos da mesma forma. Os direitos iguais são afetados pelas desigualdades que se expressam no plano social. Do ponto de vista civil, temos direito a um Estado que nos proteja, nos dê segurança, liberdade e propriedade. Posto isso, o maior desafio se inscreve em combinar, de forma adequada, 8 Informação obtida por meio de vídeo aulas apresentadas pela professora Fátima Anastasia para o curso de Especialização em Democracia Participativa, República e Movimentos Sociais. UFMG. 2009 24 instituições e condições para garantir a tradução dos direitos, recursos e preferências dos diferentes atores politicos. Anastasia (2006) comenta essa questão ao dizer que embora a ativação desses recursos dependa de uma série de condições a partir das quais a cidadania é exercida, cabe ressaltar o impacto dessas inovações no sentido de tornar mais complexas as cadeias de interação que compõem o sistema decisório. Para além das relações horizontais entre os Poderes constituídos, as decisões relativas à ação governamental passam a ser instruídas também pelas deliberações oriundas de arenas de participação continuada dos cidadãos (ANASTASIA; INACIO, 2006, p. 10). A autora reitera ainda que, do ponto de vista dos atributos democráticos desta relação, tratar destas questões requer uma maior discussão acerca da capacidade desse arranjo convergir com as instâncias participativas e representativas em direção à ação pública democrática e responsável. No contexto de um sistema representativo de governo, Anastasia (2006) reforça que a promoção dessa convergência supõe: 1) que os diferentes atores em interação – cidadãos, legisladores e líderes de coalizões – sejam dotados das capacidades requeridas para o desempenho adequado de seus papéis; 2) o reconhecimento das diferenças entre essas arenas quanto aos seus potenciais para promover os princípios basilares da democracia: igualdade política, participação, deliberação e não-tirania (Fishkin, 1995) A construção de ações sinérgicas entre as instâncias participativas e representativas requer, portanto, o reconhecimento (ANASTASIA; INACIO, 2006, p. 10). O Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS vem demonstrando que é possível a convivência entre instâncias de participação e representação. Também no Conselho Nacional de Assistência Social há avanços importantes como a definição do que são entidades e organizações de assistência social, regulamentado por meio do artigo 3º da LOAS, que originou o Decreto 6.308/07 e reconheceu o caráter público das ações prestadas pelas entidades socioassistenciais, questão fundamental para a inserção destas à rede socioassistencial e para o controle social. A LOAS e a PNAS reconheceram a ampliação da concepção de “prestação de serviços públicos assistenciais”, ao incluir o atendimento, o assessoramento aos beneficiários e a defesa e garantia de direitos, e ao estabelecer como campos de ação desta política pública a proteção e a vigilância social, bem como a defesa de direitos socioassistenciais. (PAZ, 2009, p. 28.) A inserção nos espaços de decisões imprime ao CNAS autonomia para discutir o formato desta política, de modo a atender realmente as demandas de seus usuários, 25 porque estas foram ouvidas. O planejamento conjunto e o esforço dos vários atores culminam com a efetivação da política de assistência social. A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Assistência Social, existente desde 2007 na Câmara Federal, juntamente com o CNAS, trabalham para garantir a aproximação entre representantes e representados, ou representantes e cidadãos que conhecem seus direitos. Ademais, as Conferências de assistência social, nas três esferas de governo, também possibilitam aos usuários a manifestação à respeito do desenho da política formatada para eles. Gestão e Controle Social juntos elaboram estratégias que promovem a interação e a aliança entre os vários atores envolvidos na construção desta política pública. A relação entre democracia representativa e participativa deve ser de tencionamento e complementaridade e não de subordinação de uma a outra, o que tem se observado em muitas situações, como a interferência de disputas político-partidárias e eleitorais na agenda das instâncias participativas (PAZ, 2009, p. 08). Diante disso, acredita-se que é possível contribuir para a construção de uma sociedade justa e igualitária, prevista na Constituição brasileira, e esta deixa de ser tarefa de alguns e passa a ser tarefa de todos. “O Estado deixa de ser o “Estado do governo” e se torna o “Estado Nação” construído pelo povo brasileiro” (COELHO, 2009, p. 30). 26 4 - O Conselho Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte e o Controle Social O Conselho Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte - CMAS BH é um órgão colegiado de caráter permanente e deliberativo, paritário entre Governo e Sociedade Civil e vinculado à Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social de Belo Horizonte. No que tange às suas diretrizes básicas e competências, o CMAS BH, no exercício de suas atribuições, “propugnará para que a Assistência Social seja direito do cidadão e dever do Estado e assegurada como política de seguridade social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas” (Lei nº 7.099/96). De acordo com o Decreto 12.033, de 02 de maio de 2005, que dispõe sobre a composição do Conselho Municipal de Assistência Social - CMAS, criado pelo art. 7º da Lei nº 7.099, de 27 de maio de 1996, composto por 40 (quarenta) membros titulares, além dos respectivos suplentes, respeitada a composição paritária entre poder público e sociedade civil, é constituído da seguinte forma: a) 01 (um) representante da Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social; b) 01 (um) representante da Secretaria Municipal Adjunta de Trabalho e Direitos de Cidadania; c) 01 (um) representante da Secretaria Municipal Adjunta de Esportes; d) 01 (um) representante da Secretaria Municipal de Saúde; e) 01 (um) representante da Secretaria Municipal de Educação; f) 01 (um) representante da Secretaria Municipal de Governo; g) 01 (um) representante da Secretaria Municipal de Finanças; h) 01 (um) representante da Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento; i) 01 (um) representante da Secretaria Municipal Adjunta de Abastecimento; j) 01 (um) representante da Fundação Municipal de Cultura; k) 01 (um) representante da Associação Municipal de Assistência Social; l) 01 (um) representante de cada uma das 9 (nove) Secretarias de Administração Regional Municipal. 27 II - 20 (vinte) representantes da sociedade civil, sendo: a) 09 (nove) representantes dos usuários, sendo 01 (um) de cada Conselho Regional de Assistência Social - CRAS; b) 03 (três) representantes de entidades prestadoras de serviços, programas e projetos de assistência social, com atuação municipal; c) 03 (três) representantes de entidades de defesa dos direitos dos usuários de assistência social; d) 01 (um) representante do Conselho Municipal do Idoso; e) 01 (um) representante do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; f) 01 (um) representante do Conselho Municipal de Pessoas Portadoras de Deficiência; g) 02 (dois) representantes dos trabalhadores da área, sendo 01 (um) representante dos servidores públicos municipais e 01 (um) representante dos trabalhadores do setor filantrópico e privado. § 1º - Cada membro poderá representar apenas um órgão, entidade ou instituição. § 2º - Os CRAS organizar-se-ão segundo a divisão territorial das Secretarias de Administração Regional Municipal. No que se refere à representação das entidades de assistência social no CMAS BH, verifica-se a presença de um conjunto heterogêneo e fragmentado de instituições e organizações. A representação do estado no CMAS BH, tentou reunir órgãos ligados à gestão da assistência social. Sobre suas ações, percebe-se uma grande necessidade de ampliar a discussão acerca da participação e do controle social junto a este Conselho, uma vez que se instituiu um novo modelo de política de assistência social no país que se concretiza com o Sistema Único de Assistência Social – SUAS. Quanto à sua organização e competência de seus órgãos, o CMAS BH é composto por um Plenário, uma Diretoria Executiva e uma Secretaria Executiva. Por meio do SUAS, a política de assistência social assegura a primazia e a precedência da regulação estatal sobre essa atividade pública, cuja dinâmica democrática do controle social prevê a participação da população e da sociedade na formulação e controle das ações, bem como o comando único das ações em cada esfera de governo (NOBSUAS/2005). A análise realizada nessa pesquisa tomará como objeto de estudo as Atas das Plenárias (ordinárias e extraordinárias) ocorridas no exercício de 2009, bem como a 28 análise da legislação pertinente neste período, perfazendo um total de 13 (treze) atas e as respectivas Resoluções, sendo que estas últimas somam 49 (quarenta e nove). Tem como objetivo verificar as ações voltadas ao controle social pautadas em Plenária. Sendo assim, a abordagem metodológica utilizada teve caráter qualitativo, baseando-se em estudo bibliográfico e pesquisa documental com informações consultadas em base de dados do CMAS BH. Nesta perspectiva, alguns pontos serão observados no intuito de: apresentar uma reflexão acerca da concepção de controle social existente no CMAS de Belo Horizonte, remetendo-a ao modelo implantado pelo SUAS; verificar a regulamentação existente no âmbito do controle social; proceder análise da capacidade que o CMAS BH detêm no processo de acompanhamento das ações executadas pela entidades prestadoras de serviços socioassistenciais, bem como seu grau de autonomia na formulação, execução e fiscalização desta política; proceder análise da metodologia utilizada pelo CMAS BH quanto à verificação da execução dos serviços prestados pela Rede Socioassistencial pública e privada, a fim de emitir parecer anual acerca do Plano de Ação e da prestação de contas dos recursos próprios, estaduais (se for o caso) e federais. 4.1 – Apresentação dos Resultados As 13 (treze) atas analisadas contemplam o período de março de 2009 a dezembro de 2009, conforme tabela a seguir: Atas das Plenárias em ordem cronológica Data Ata da Plenária Ordinária, nº 124 11 /03/2009 Ata da Plenária Ordinária, nº 125 08/04/2009 Ata da Plenária Extraordinária nª 24 16/04/2009 Ata da Plenária Ordinária, nº 126 13/05/2009 Ata da Plenária Ordinária, nº 127 10/06/ 2009 Ata da Plenária Ordinária, nº 128 08/07/ 2009 Ata da Plenária Extraordinária nº 26 28/08/2009 29 Ata da Plenária Ordinária, nº 129 12/08/2009 Ata da Plenária Ordinária nº 130ª 09/09/2009 Ata da Plenária Extraordinária nº 27 17/09/2009 Ata da Plenária Ordinária nº 131 21/10/2009 Ata da Plenária Ordinária nº 133 09/12/2009 Ata da Plenária Extraordinária nº 28 17/12/2009 Sobre a prestação de contas e o Plano de Ação da assistência social - aprovados pelo CMAS por estarem em conformidade com as diretrizes nacionais - destacamos um movimento de efetivação do controle social por meio dos instrumentos de planejamento das ações continuadas desta politica, que de forma clara e transparente, os gestores apresentaram os gastos dos recursos da proteção social básica e proteção social especial no âmbito do SUAS, bem como o público atendido. Percebe-se, quanto a inscrição das entidades no CMAS, que as ações e atividades deste Conselho estiveram, na maioria das vezes, voltadas para a questão normativa e cartorial, principalmente no tocante à mera inscrição das entidades. O controle social sobre as ações das entidades de assistência social, requer atenção no intuito de garantir o acesso gratuito do usuário aos serviços, programas, projetos, benefícios e à defesa e garantia de direitos, previstos na PNAS/2004, sendo vedada a cobrança de qualquer espécie. As entidades de assistência social devem ainda possuir finalidade pública e transparência nas suas ações, comprovadas por meio de apresentação de planos de trabalho, relatórios ou balanço social de suas atividades ao CMAS e aplicar suas rendas, seus recursos e eventual resultado operacional integralmente no território e na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Sobre a política de assistência social a pauta se baseou na gestão do SUAS, no âmbito da proteção social básica e proteção social especial, seus instrumentos de gestão, sobre controle social, representação externa, avanços e desafios do SUAS. 30 Pôde-se constatar que o Conselho esteve atento ao planejamento do órgão gestor da assistência social sobre a implantação do equipamento público CRAS no município, inclusive sobre os critérios de escolha das áreas consideradas vulneráveis. No que tange aos desafios do SUAS, cabe salientar a Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social. Após regulamentação da Lei 12.101/2009, percebe-se que grande parcela dos conselheiros do CMAS demonstraram preocupação em compreender o papel deste conselho, principalmente no tocante à inscrição e fiscalização das entidades e organizações que prestam serviços socioassistenciais. Uma questão relevante tratada na lei é sobre a comprovação do vínculo da entidade à rede socioassistencial privada no âmbito do SUAS, como condição suficiente para a concessão da certificação como Entidade Beneficente de Assistência Social pelo Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS. Para tal vinculação à rede socioassistencial, a entidade deverá: ser constituída conforme art. 3º da LOAS9; estar inscrita no CMAS e constar no CADSUAS, sistema que comporta todas as informações cadastrais de prefeituras, órgão gestor da assistência social, fundo e conselho municipal de assistência social, além de entidades que prestam serviços socioassistenciais. Nesse contexto, o CNAS deixa de ter papel de gestão (cartorial), no entanto continua a executar o de controle social sobre os atos do governo, inclusive sobre o processo de certificação. Na mesma linha de avanços e desafios do SUAS, aparece o Decreto 6.308/2007, que, além de definir o que são entidades de assistência social, trata também da inscrição dos programas e projetos executados pelas entidades e que o CMAS terá responsabilidade em fiscalizar a execução destes. Este trabalho apresenta a seguir um resumo das Atas das Plenárias do CMAS BH, no exercício de 2009, como forma de ilustrar em detalhe as atividades do Conselho, a evidência dos temas acima descritos e a verificação do efetivo controle social. Partindo de uma análise em ordem cronológica, a Ata da Plenária Ordinária, nº 124, de 11 de março de 2009, discutiu e avaliou a inscrição de Entidades de Assistência Social no CMAS BH10 , e trata ainda da Prestação de Contas dos Recursos da Assistência Social do FMAS do ano de 2008; do processo de implantação de 6 (seis) Centros de Referência de Assistência Social - CRAS, considerando a aprovação pela 9 O Art. 3º da lei 8.742/93 - LOAS dispõe que as entidades e organizações de assistência social são aquelas que prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos por esta lei, bem como as que atuam na defesa e garantia de seus direitos. 10 Essa deliberação corresponde às Resoluções CMAS nº 02/2009 a 011/2009. 31 Câmara Municipal de Belo Horizonte em dezembro de 2008, e os demais já previstos para 2008, 2009 e 2010; e discute e institui a Comissão Organizadora da VIII Conferência Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte, prevista para o exercício de 2009. No que se refere a implantação do equipamento CRAS no município, o Vereador convidado Arnaldo Godoy, ressaltam a importância da mobilização do conselho para que a implantação dos CRAS ocorram prioritariamente nos territórios mais vulneráveis da cidade. Nesse sentido, a representante da SMAAS, Shirley Jacimar Pires, apresentou os indicadores para a escolha das áreas dos CRAS, no âmbito do Programa BH Cidadania. Pontuou que são considerados os seguintes indicadores sociais: Indice de Qualidade de Vida Urbana – IQVU e Índice de Vulnerabilidade Social – IVS (Mapa da Exclusão Social); Índice de Vulnerabilidade à Saúde: índices de alto e baixo risco da Saúde; condições urbanas: áreas com planejamento de intervenções estruturais urbanas cronologicamente compatíveis com a implantação do Programa BHC (OP, Vila Viva, Habitar Brasil); áreas com características urbanas definitivas; e áreas com existência de espaços físicos adequados às intervenções do Programa BH Cidadania. A usuária da região nordeste, Edvalda de Souza Modesto, destaca que a implantação do CRAS em sua região foi deliberada em Conferência, com participação de aproximadamente mil pessoas e questionou o por que do não cumprimento desta deliberação. A SMAAS se prontificou a posteriormente esclarecer sobre o assunto. A pauta referente a Prestação de Contas dos Recursos da Assistência Social do FMAS do ano de 2008, foi encaminhada para a plenária seguinte. A Ata da Plenária Ordinária, nº 125, de oito de abril de 2009, discutiu a organização da VIII Conferência Municipal de Assistência Social em Belo Horizonte; discutiu e avaliou a proposta do equipamento CREAS – Centro de Referência Especializado da Assistência Social, cuja implantação está sendo prevista nas Regionais; discutiu e avaliou a Prestação de Contas dos Recursos da Assistência Social do FMAS do ano de 2008; e discutiu e avaliou a inscrição de Entidades de Assistência Social no CMAS BH. No tocante à VIII Conferência Municipal de Assistência Social, cujo tema foi a Participação Popular e o Controle Social no SUAS, o representante da SMAAS, Mário Moreira ressaltou que no primeiro momento da Conferência Municipal seriam avaliados as deliberações da VII Conferência Municipal de Assistência Social e o que foi realizado para além destas deliberações. Num segundo momento, os trabalhos ocorreram com o intuito de sensibilizar, identificar e levantar junto aos usuários quais 32 os entraves que dificultaram sua participação nos Conselhos. Mário destacou ainda as questões a serem trabalhadas segundo orientações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome – MDS e CNAS a respeito da participação popular, além do exercício do controle social no âmbito do SUAS: I- avaliação da dinâmica de efetivação dos (10) Dez Direitos Socioassistenciais aprovados na IV Conferência Nacional de Assistência Social, definindo estratégias de fortalecimento da participação popular; II- discussão e avaliação da participação popular e do controle social em relação ao orçamento e ao co-financiamento para a implementação do Plano Decenal da Assistência Social nos três níveis de governo; III- debate sobre a atuação do trabalhador da assistência social na perspectiva da articulação do protagonismo dos usuários na implementação do SUAS e no fortalecimento do controle social; IV- discussão da gestão, instrumentos e processos de trabalho no âmbito do SUAS na perspectiva dos direitos dos trabalhadores; V- sobre a representatividade, composição, dinâmica e processo de escolha dos membros dos Conselhos de Assistência Social, visando a democratização e efetivação do controle social e da participação popular; VI- da atuação das entidades de Assistência Social, sua co- responsabilidade no âmbito do SUAS na execução da política e na perspectiva do fortalecimento do controle social em todos os níveis, da participação popular e da democratização de sua gestão interna; VII- conhecer e debater experiências de implementação do SUAS, que envolvam a participação popular e o controle social. Na seqüência, sobre a inscrição das entidades, foi apresentado pela conselheira Mary Cristina as entidades que tiveram sua inscrição deferida. Quanto à apresentação pela SMAAS sobre o equipamento público CREAS, foi esclarecido pela conselheira Débora Akerman, que o mesmo tem como proposta o reordenamento dos serviços de forma descentralizada, com objetivo de superar a fragmentação e sobreposição das ações, dentre outros aspectos, unificar os serviços da proteção social especial de média complexidade: Serviço de Orientação Sociofamiliar - SOSF, Programa de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Programa de 33 Erradicação do Trabalho Infantil - PETI, Serviço de Abordagem de Rua, Serviço de atendimento a medidas socieducativas de Prestação de Serviço a Comunidade - PSC, e Liberdade Assistida -LA. A Ata da Plenária Extraordinária nº 24ª, de dezesseis de abril de 2009, que corresponde às Resoluções CMAS nº 18, 19 e 21/2009, trata da seguinte matéria: a aprovação do Plano de Ação, referente ao exercício de 2009, da SMAAS e da prestação de contas, referente ao exercício de 2008, do Fundo Municipal de Assistência Social – FMAS. Referida Ata nomeia a representante da SMAAS, Ana Paula Simões Hilário para proceder aos esclarecimentos e orientações acerca do Plano de Ação/2009. Foram apresentados o planejamento para execução da Proteção Social Básica e da Proteção Social Especial, uma vez que as metas de atendimento aumentaram significativamente. No tocante à prestação de contas dos recursos financeiros, o sr. Roberto César, Gerente Administrativo Financeiro da SMAAS, apresentou os gastos executados pelo FMAS no exercício de 2008. Houve ainda apresentação dos recursos do exercício de 2007, reprogramados para utilização em 2008 e possivelemente em 2009 e aplicação destes nas ações da proteção social básica. Na sequência, Domingos Sávio, secretário executivo do CMAS, apresentou o parecer favorável da Comissão de Financiamento do conselho em relação ao Plano de Ação 2009 e aos recursos empenhados, orçados e pagos pelo FMAS em 2008. No que tange à definição de padrões da qualidade de atendimento ao público e estabelecimento de critérios para o repasse de recursos no âmbito do SUAS, o relatório da Comissão de Avaliação do CMAS, em seu parecer, propôs: discutir e estruturar fluxo de atendimento à pessoa idosa, elaborando proposta de articulação entre CMAS, SMAAS, Conselho Municipal do Idoso e outros Conselhos; discutir e avaliar o Serviço de Socialização Infanto- Juvenil de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos, tendo em vista as dificuldades no conveniamento com entidades para atendimento a este público em Belo Horizonte, além da necessidade de se avaliar o Sistema de Educação Integral no município. Não obstante constatação pelo CMAS do empenho de recursos para execução da política de assistência social no exercício de 2008 chegar a 93%, constata-se que não há uma verificação por este CMAS in loco da qualidade dos serviços públicos prestados pela rede socioassistencial. 34 A Ata da Plenária Ordinária, nº 126, de treze de maio de 2009, deu continuidade a pauta da plenária anterior sobre a organização da VIII Conferência Municipal de Assistência Social, mais especificamente sobre as pré – conferências regionais. A Ata da Plenária Ordinária, nº 127, de dez de junho de 2009, apresentou o Demonstrativo Sintético Anual de Execução Físico e Financeiro, referente ao exercício de 2008, instrumento de gestão dos recursos do Sistema Único da Assistência Social – SUAS e que o prazo para sua aprovação seria até o dia 15/06/2009. Nesse sentido, a conselheira Ana Paula Simões apresentou os pisos que compõem a proteção social básica e proteção social especial para que o Demonstrativo fosse apreciado e aprovado pelo conselho de acordo com as orientações do governo federal. Em seguida foi apresentado a relação das entidades de educação que teriam as inscrições deferidas e que seria constiuído um Grupo de Trabalho que aprofundaria a discussão acerca da transição da inscrição destas entidades no conselho municipal de educação, a partir dos dispositivos da Lei 12.101/2009. A Ata da Plenária Ordinária, nº 128, de oito de julho de 2009, apresentou a Proposta de Resolução que se refere ao processo de inscrição de Entidades de Assistência Social no CMAS BH; discutiu e avaliou o projeto do Ministério do MDS para financiamento dos CREAS; e deu continuidade sobre os assuntos da organização da VIII Conferência Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte. A Ata da Plenária Extraordinária nº 26, de vinte e oito de agosto de 2009, correspondente à Resolução CMAS nº 46/2009, tratou do Plano Plurianual de Ação Governamental 2010/2013 – PPAG da SMAAS. Pressupondo a garantia e o reconhecimento da importância do debate público para o processo democrático, foi apresentado aos conselheiros o conteúdo do referido PPAG pela conselheira Mary Cristina Xavier. O PPAG é um instrumento de planejamento estratégico de médio prazo, que explicita diretrizes, objetivos, ações, programas e metas a serem atingidas pelo governo. Seu período corresponde a 4 (quatro) anos, sendo os 3 (três) últimos do governo atual e o primeiro, 1 (um) ano da gestão seguinte. Tem como objetivo: definir metas e prioridades do governo; organizar as ações em programas, voltados para a oferta de bens e serviços que atendam demandas da sociedade; nortear a alocação de recursos nos orçamentos anuais; e permitir o gerenciamento das ações, atribuindo responsabilidade por seu monitoramento e resultados. Posto isso, a Comissão de Financiamento e a Comissão de Política do CMAS, emitiram parecer favorável à aprovação do PPAG 2010/2013 da SMAAS. 35 A Ata da Plenária Ordinária, nº 129, de doze de agosto de 2009, correspondente a Resolução CMAS n 43/2009, discutiu sobre a inscrição de Entidades de Assistência Social no CMAS BH e as regras de transição para resolução CMAS nº 027/09 que trata da inscrição das entidades de Assistência Social; apresentou o Programa Pro Jovem; e discutiu sobre a realização da VIII Conferência Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte. A assessora jurídica do CMAS, Daniela Nogueira, apresentou a minuta de resolução que define as regras de transição para a exigibilidade dos requisitos previstos no artigo 1º da resolução 027/09 do CMAS. Tal normativa, concede o prazo de 120 (cento e vinte dias) para que as entidades adéqüem seu Estatuto Social sem prejuízo da tramitação do processo de inscrição/renovação de inscrição no Conselho. Na seqüência, a conselheira Jaqueline Matias fez a leitura das entidades de assistência social e educação que tiveram seu processo de inscrição deferido no conselho. Em seguida, a presidente do conselho, Ana Paula Simões, apresentou o segundo ponto de pauta: o Programa Pro Jovem Adolescente e convidou a representante da SMAAS, Raquel, Gerente de Proteção Social Básica, para apresentá-lo. Raquel contextualizou as diretrizes e metodologia deste Programa, esclarecendo que o Pro Jovem Adolescente é uma modalidade do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Pro Jovem) voltado, exclusivamente, para jovens de 15 (quinze) a 17 (dezesset) anos, pertencentes a famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família (PBF); egressos de medida socioeducativa de internação ou em cumprimento de outras medidas socioeducativas em meio aberto; em cumprimento ou egressos de medida de proteção; egressos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI); e egressos ou vinculados a programas de combate ao abuso e à exploração sexual. O último ponto de pauta desta plenária tratou da realização da VIII Conferência Municipal de Assistência Social de Belo Horizonte, destacando os pontos discutidos na reunião com a Comissão Organizadora da VIII Conferência, que avaliou os avanços conquistados tais como: apoio do grupo técnico da SMAAS; metodologia adotada para mobilização, (desde as reuniões das Comissões Locais, Ampliadas, Pré-Conferências, Capacitação de Delegados, Conferência), metodologia adotada, eixos temáticos, e condução da Plenária Final. A Ata da 130ª Plenária Ordinária do CMAS, datada de nove de setembro de 2009, tratou sobre inscrição das Organização da Sociedade Civil de Interesse Público OSCIP no CMAS; eleição dos Delegados para Conferência Estadual de Assistência 36 Social; proposta de Capacitação de Conselheiros; inscrição de Entidades no CMAS BH; e cadastramento de Conselheiros no Sistema de Cadastro do SUAS - CADSUAS. Sobre a inscrição das OSCIP’s no CMAS, a assessora jurídica do CMAS, Daniela Nogueira, esclareu que após estudo jurídico sobre a matéria, contatou-se que não existe impedimento legal para inscrição de OSCIP no CMAS, desde que as mesmas apresentem os requisitos necessários para certificação conforme resolução CMAS n.º 27/2009. Quanto a eleição de delegados para a Conferência Estadual de Assistência Social, o município de Belo Horizonte teve direito a 06 (seis) representantes governamentais, preferencialmente 04 (quatro) do órgão gestor e 02 (dois) de outras secretarias; e 06 (seis) representantes da sociedade civil, sendo 04 (quatro) representantes dos usuários; 01 (um) representação de entidade defesa direitos e ou prestadora de serviços; e 01 (um) de trabalhador da área. Na seqüência, a conselheira Mary Cristina apresentou a proposta de capacitação para os Conselheiros, dividida em três módulos. O primeiro módulo abordaria o histório, funcionamento, composição, competências, estrutura e organizacional do CMAS, bem como direitos e deveres dos Conselheiros e ainda o funcionamento dos Conselhos Regionais e Comissões Locais de Assistência Social. Essa capacitação foi executada pela secretaria executiva do CMAS com o apoio da SMAAS.11 A conselheira Fúlvia apresentou a relação de entidades com processo de inscrição a ser deferido pelo conselho e em seguida foi repassado aos membros do CMAS a relação de entidades com processo indeferido. Em seguifa foi apresentado e informado sobre o cadastramento de Conselheiros no Sistema de Cadastro do SUAS CADSUAS, a partir de uma demanda do MDS. Dessa forma, foi encaminhado aos conselheiros, formulário e documento esclarecendo o objetivo do preenchimento do instrumental, e que os dados seriam disponibilizados para o CADSUAS. A Ata da Plenária Extraordinária nº 27, de dezesseis de setembro de 2009, refere-se à prestação de contas do FMAS sobre o período de janeiro a agosto de 2009. Assim sendo, o conselheiro Marcelo Emediato procedeu à leitura do parecer da Comissão de Financiamento, esclarecendo que o olhar da Comissão sobre referida matéria caracterizou-se por observar prioritariamente a proporcionalidade entre recurso empenhado, recurso orçado e recurso pago, na perspectiva de que uma possível 11 O CNAS e o MDS vêm desde 2003, apoiando tecnicamente os conselhos quanto a capacitação aos conselheiros governamentais e da sociedade civil, constituindo expressão da vontade política para além do cumprimento de suas atribuições legais. 37 discrepância não comprometesse, ao fim do exercício, a porcentagem de 90% de execução exigida por este Conselho na análise da Prestação de Contas anual. Nesse sentido, foi emitido indicativo de parecer favorável pela Comissão de Financiamento do CMAS. Na seqüência, o representante da SMAAS, Roberto César de Assis Fonseca apresentou o detalhamento da Prestação de Contas do FMAS no referido período. A Ata da Plenária Ordinária nº 131, de vinte e um de outubro de 2009, correspondente as Resoluções CMAS nº 59/2009 a nº 61/2009, tratou sobre as Mensagens e Comunicados da SMAAS; proposta de utilização do Saldo Reprogramável do ano de 2008; relação do Programa de Socialização Infanto Juvenil e Escola Integrada, bem como a transição do Programa de Socialização Infanto Juvenil para a Educação; inscrição de entidades de assistência social, educação e saúde no CMAS BH. No tocante às Mensagens e Comunicados da SMAAS, a Mensagem de Abertura tratou do processo público de escolha de entidade para cobertura de 15 (quinze) novas vagas em unidade de acolhimento institucional (abrigo) para crianças e adolescentes na forma descrita na Proposta da SMAAS de nº. 19/2009. A presidente do conselho proferiu a leitura dos outros comunicados da SMAAS, aprovados pela Comisão de Financiamento do conselho. Dando seqüência, foi apresentada a relação de entidades que teriam sua inscrição deferida ou indeferida. Sobre o saldo reprogramável, a representante da SMAAS, Eliane Quaresma, fez a apresentação da proposta de utilização do saldo reprogramável, do exercício de 2008, em ações continuadas da assistência social. Alguns conselheiros questionaram a execução deste saldo, sugerindo sua aplicação em capacitação de equipe dos CRAS. Ficou pactuado ainda na plenária, que esta pauta seria tratada em plenária extraordinária. Sobre a Ata da Plenária Ordinária nº 133, de nove de dezembro de 2009, destaca-se a apresentação, pela Secretária Adjunta de Assistência Social de Belo Horizonte, Elizabeth Leitão, sobre execução do SUAS. No que se refere as ações intersetoriais, na perspectiva do controle social, informou a realização das Conferências Municipais da Assistência Social e dos Direitos da Criança e do Adolescente; a realização do processo de escolha dos Conselheiros Tutelares – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - CMDCA; a criação na estrutura da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte da Gerência de Acompanhamento de Colegiados, objetivando o acompanhamento dos Conselhos de 38 Políticas. No que tange à representação externa, destacou a participação na Comissão Intergestores Tripartite - CIT, Comissão Intergestores Bipartite - CIB; Colegiado dos Gestores Municipais de Assistência Social de Minas Gerais – COGEMAS ; Conferência Nacional de Assistência Social; Seminário Preparatório para a I Conferência Mundial sobre Sistemas de Seguridade Social. Sobre os desafios elencados pela Secretaria, destaca-se: a reestruturação física e dos processos de trabalho nos Conselhos; qualificação dos processos de monitoramento e acompanhamento dos serviços; implantação do vínculo SUAS; consolidação do Sistema Municipal de Assistência Social integrando, regulando e definindo fluxos dos serviços socioassistenciais; concluir a implantação do Sistema de Informações Gerenciais das Políticas Sociais - SIGPS, integrando os serviços de execução direta e indireta; garantir a legislação municipal e regulação do SUAS BH; aumentar aporte de recursos para financiamento das ações; aperfeiçoar a relação com as entidades que compõem a rede socioassistencial; e ampliar o quadro de trabalhadores efetivos nos serviços. Após a fala da Secretária, foi aberto debate e o conselheiro Antônio João questionou a localização do CRAS na região centro-sul, especificamente na Vila Fátima, devido à dificuldade de acesso para o usuário. A conselheira Maria Aparecida Mendes propôs que a SMAAS articule o aperfeiçoamento da interlocução entre o usuário, órgão gestor e as entidades. Assim sendo, a Secretária finalizou sua apresentação destacando os principais avanços do SUAS BH no exercício de 2009. Ainda sobre a Ata 133/2009, foi apresentado pela conselheira Eloisa, as Mensagens e Comunicados da SMAAS, e análise da Comissão de Financiamento acerca destes. Finalizando, foi apresentado a relação de entidades de assistência social, educação e saúde com processo de inscrição deferido ou indeferido, além de entidades que pleiteavam renovação de inscrição. A Ata da Plenária Extraordinária nº 28, de dezessete de dezembro de 2009, tratou da discussão acerca da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social.12 Dessa forma, a assessora jurídica do conselho, Daniela Nogueira, contextualizou todo o processo de 12 Entidade portadora do Certificado emitido pelo CNAS passa a ter condições para requerer benefícios concedidos pelo Poder Público Federal, dentro de sua área de atuação. Em especial, destaca-se a isenção da quota patronal junto a Receita Federal do Brasil - SRFB. 39 inscrição das entidades de saúde e educação no CMAS BH, se reportando à legislação afeta. A presidente do CMAS, Ana Paula Simões, enfatizou esse momento de transição, e reforçou a necessidade de uma a interlocução com os parceiros da educação e saúde, uma vez que referida lei, divide a responsabilidade sobre inscrição de entidades com o Ministério da Saúde e Ministério da Educação. Informou ainda que o CMAS emitiu ofício à Procuradoria Geral do Município – PGM e ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, solicitando esclarecimentos sobre a lei e para os conselhos de saúde e educação do município, convidando-os à fomentar mais a discussão e responsabilidades afetas a cada pasta. Domingos Sávio, secretário executivo do conselho, apresentou os Comunicados enviados pela SMAAS de nº 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 e 15, esclarecendo que o conteúdo dos mesmos foram discutidos e suficientemente entendidos pelos membros da Comissão de Financiamento. A coordenadora da Comissão de Financiamento, Renilde Nassar, esclareceu sobre o Projeto do MDS para financiamento do CREAS, de modo que a comissão de financiamento analisou a proposta de convênio para aquisição de material permanente e equipamento para o Centro de Referência da Criança e Adolescentes, que significa a aquisição de computadores e impressoras com vistas à inclusão digital de 50 (cinqüenta) crianças e adolescentes atendidos diariamente no referido Centro. Em seguida, a conselheira Jaqueline Matias apresentou a relação de entidades de assitência social e saúde que tiveram o processo de inscrição deferido ou indeferido pelo conselho. 13 5- Considerações Finais Após ter sido realizado nesse trabalho toda a trajetória acerca do controle social como processo político, no âmbito do CMAS BH, conclui-se que os atores da sociedade civil estão munidos de prerrogativas para intervir propositivamente na agenda do governo. 13 Sobre a escolha das entidades que iriam compor a rede socioassistencial, ou seriam desligadas desta, percebe-se, no tocante à inscrição das mesmas no CMAS, que o conselho exerce ainda somente sua função cartorial, uma vez que a partir de 2009, com a legislação acima referendada, é que o mesmo anuncia a importância de um controle social mais efetivo. 40 Os conselhos e as organizações credenciadas para atuar na área da assistência social estão investidos de atribuições e competências legais para definir as prioridades políticas que deverão nortear os compromissos governamentais no âmbito das três esferas de governo. Contudo, os limites a que os Conselhos de Assistência Social estão expostos - o poder de controle dos governos sobre a agenda política e a produção das políticas públicas, os riscos de burocratização, cooptação e rotinização do seu funcionamento – confirmam o desafio para o exercício do controle social. Não existe controle social quando os Conselhos Municipais de Assistência Social - CMAS cumprem somente suas funções básicas de meros órgãos normatizadores. O equívoco é sobre a concepção da função deste órgão somente como normativa, no sentido de regulamentar as ações do Conselho, perdendo de vista o acompanhamento das ações da rede socioassistencial pelo poder público e pelas entidades privadas de assistência social. No tocante aos pontos analisados neste trabalho, foi possível elaborar reflexão acerca da concepção de controle social existente no CMAS de Belo Horizonte, remetendo-a ao modelo implantado pelo SUAS. Verificou-se ainda que não há regulamentação existente no âmbito do controle social, no entanto esforços foram empregados para cumprimento das diretrizes nacionais que orientam os Conselhos quanto à fiscalização e normatização de suas ações, inscrição e procedimentos para cumprimento do controle social no âmbito do SUAS, uma vez que as recentes normatizações do governo federal orientarão este CMAS nesse sentido. Quanto a capacidade que o CMAS BH detêm no processo de acompanhamento das ações executadas pela entidades prestadoras de serviços socioassistenciais, pode-se dizer que é inexistente, contudo seu grau de autonomia na fiscalização da política pública se restringe à verificação da execução dos serviços prestados pela Rede Socioassistencial pública, a fim de emitir parecer anual acerca do Plano de Ação e da prestação de contas dos recursos financeiros próprios, estaduais (se for o caso) e federais. A análise das atas permitiram observar que o tema mais recorrente durante as plenárias foi sobre a inscrição das entidades no CMAS, uma vez que consta em 9 (nove) das 13 (treze) atas analisadas. Sobre a prestação de contas dos recursos da assistência social, foi tratado em 5 (cinco) reuniões durante o exercício de 2009. A realização da Conferência Municipal de Assistência Social mobilizou o conselho na sua organização, uma vez que foi assunto para 4 (quatro) plenárias. Sobre a política de assistência social - no que tange ao planejamento, gestão, controle social, plano de ação, organização da 41 proteção social básica e da proteção social especial no âmbito do SUAS - as discussões foram mais esparsas, de modo que estes assuntos foram pautados em 7 (sete) reuniões das 13 (treze) ocorridas no exercício de 2009. Pôde-se perceber a importância de se repensar e investir no trabalho de base com os usuários nos territórios onde estão instalados os equipamentos públicos CRAS e CREAS e onde são prestados os serviços socioassistenciais junto à população em situação de vulnerabilidade social. O protagonismo da população precisa ser estimulado por meio de processo pedagógico de experimentação de relações democráticas e participativas junto aos grupos de usuários dos serviços, programas, projetos e benefícios da assistência social, nas comissões de bairro, nos conselhos locais, nos fóruns e articulações com os diversos movimentos populares. Faz-se necessârio também aprofundar a articulação entre os múltiplos conselhos setoriais (saúde, educação, habitação, trabalho) e de desfesa e garantia de direitos em funcionamento nas diferentes políticas públicas, sendo aqueles transversais a várias áreas, como dos segmentos: criança e adolescência, idosos, juventude, pessoas com deficiência; além da relação interconselhos no próprio campo específico da política de assistência social, nas três esferas de governo. Urgente se faz ainda redefinir o papel dos conselhos, em todo território nacional, quanto ao modelo construído, até a atualidade, de exercício do controle social principalmente quanto à verificação da qualidade dos serviços públicos prestados pelas entidades privadas, uma vez que a Lei 12.101/2009 regulamenta tais procedimentos. Importante se faz desconstruir o modelo predominante acerca da prestação de serviços socioassistenciais sob o viés assistencialista e como atividade auxiliar ao Poder Executivo. 42 6. 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