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LEITURAS
3040
FESTA DE ARROMBA
MATEUS 2.1-8- NO NATAL, VOCÊ COMEMORA O QUÊ?
Dezembro é mês de festejar e isso significa submeter a saúde a uma
maratona. Quanto maior a animação, maior o desafio: cérebro, fígado,
estômago, células defensoras, até coração trabalham cada vez mais
freneticamente, enquanto o festeiro se diverte. O folião nem desconfia
que o maior agito não está ao seu redor e sim dentro dele próprio. Veja
aqui o que acontece em um réveillon e tenha boas festas, quer dizer,
agüente firme!
21h30
Pronto para fugir
A campainha da casa do anfitrião é um alarme para o cérebro do
convidado, que dispara mensageiros químicos rumo a duas glândulas acima
dos rins, as supra-renais. Ao receber o aviso, elas despejam os hormônios
do estresse: a adrenalina, que acelera o coração, e os glicocorticóides, que
retiram nutrientes das células. Tudo para mandar mais sangue e
combustível aos músculos, deixando o corpo preparado para dar no pé,
caso encontre uma surpresa desagradável do outro lado da porta. É um
mecanismo de defesa inevitável.
21h40
Água na boca
Os olhos captam a imagem perturbadora de uma bandeja de salgados. A
boca, então, fica cheia de saliva, que é 99,5% água, para transformar o
petisco numa papa fácil de ser engolida. O líqüido contém ainda enzimas
para quebrar as moléculas de amido, presentes na massa de uma
empadinha, por exemplo. Mas esses preparativos podem ser em vão, se a
oferta do garçom é recusada. “A digestão é acionada só de se ver comida,
mesmo quando não estamos com fome”, explica o fisiologista Francisco
Gacek, professor da Universidade de São Paulo.
21h45
Primeiros goles
No estômago, a bebida alcoólica estimula a secreção do suco gástrico,
quebrador de proteínas. Por isso, ela ajuda na digestão. Mas se a barriga
está vazia o suco gástrico ataca o próprio estômago, provocando uma azia.
E a pessoa fica tonta depressa, pois o álcool logo vai parar no sangue.
Circulando, as moléculas alcoólicas confundem os neurônios do cérebro,
antes de serem destruídas lentamente pelo fígado. Se o convidado come
tira-gostos gordurosos, agüenta mais tempo sem sentir tontura, porque a
gordura retarda a absorção do álcool.
www.4tons.com
Pr. Marcelo Augusto de Carvalho
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21h50
Bate-papo
No cérebro, a circulação sangüínea fica mais intensa na área do hipocampo
e na superfície escura chamada córtex. Isso porque é preciso resgatar a
memória de filmes, livros, situações curiosas, viagens, enfim, tudo o que
possa servir de assunto para alimentar uma conversa. Existem recordações
gravadas em todo canto cerebral, mas a gente só tem consciência delas
quando alcançam o córtex. Já o hipocampo participa da gravação de novos
arquivos, como a lembrança do rosto de quem participa da discussão.
22h00
Depois da piada
Será que a brincadeira agradou? Segundo o psicólogo Ailton Amélio da
Silva, da Universidade de São Paulo, na gargalhada legítima os cantos da
boca sobem, empurrando as pálpebras inferiores para cima. “Os músculos
em torno dos olhos também se contraem, deixando-os semi-fechados.” Já
na risada falsa, a boca se estica para as laterais da face, sem apertar os
olhos, que continuam arregalados. Só o riso verdadeiro, porém, faz as
células cerebrais reagirem com uma descarga de endorfinas, calmantes
naturais.
22h30
Sinais de paquera
Os olhos flagram alguém atraente e, sempre que é surpreendido, o coração
bate mais forte. O corpo, então, bota para rodar o seu programa de
charme, que é diferente conforme o sexo. “As mulheres tocam bastante os
cabelos e mostram as palmas da mão enquanto falam. Já os homens
estufam o peito”, diz Ailton Amélio da Silva, que observou quase 200
casais nessa situação. Olhos nos olhos são outro sintoma do casal
paquerador. As pupilas se dilatam, obedecendo involuntariamente as
ordens do cérebro seduzido.
23h00
Efeitos da gula
De novo, o olhar aciona a digestão, agora diante da ceia. O estômago
começa a se movimentar. A chegada de comida acelera o rebolado
estomacal, que serve para misturar tudo com o suco gástrico. Mas ao se
exagerar no prato o estômago lotado fica com as paredes tão esticadas,
que mal podem se mexer. Resultado: peso na barriga. O alívio demora,
porque não é fácil para o intestino quebrar as gorduras, comuns nos
cardápios de fim-de-ano. Assim, ele fecha a sua entrada e só passa um
pouco de comida por vez.
Meia noite
Feliz ano novo...
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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho
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Todos cantam e começam a falar alto. O som captado pelos ouvidos deve
ser decifrado na região temporal do cérebro. Esse não quer nem saber se
toda a barulheira é sinal de alegria. O sistema nervoso gosta que falem
baixinho. Volumes altos são interpretados como sirenes de alerta. Outra
vez caem no sangue os hormônios do estresse. Os batimentos cardíacos
aumentam e o pulmão passa a trabalhar mais rápido para fornecer
oxigênio. O desgaste só tem fim quando a poluição sonora termina.
2h00
Nariz confuso
O ar está saturado de moléculas odoríferas desprendidas de pessoas e
objetos. Elas são analisadas por 25 milhões de células no fundo do nariz,
que enviam sinais elétricos ao bulbo olfativo no cérebro. Mas, cansadas, as
células mandam mensagens confusas e, por isso, nessas alturas só se
decifram cheiros fortes, como o do cigarro. A fumaça desse, aliás, carrega
moléculas de nicotina para o sangue de todos os presentes, por meio da
respiração. Aumenta a trabalheira do fígado incumbido de liqüidá-las.
2h30
Faxina interna
Enquanto dura a folia, as células defensoras do sistema imunológico não
têm sossego. É assim sempre que se enfrenta uma pequena multidão: o
corpo entra em contato com micróbios alheios e partículas de poeira que
os sapatos levantam do chão. Calma, raramente alguém começa o ano
doente, porque as defesas são recrutadas para fazer uma limpeza mal um
agente estranho entra nos pulmões, na boca ou numa brecha da pele. A
célula macrófago é a que mais trabalha, engolindo e derretendo os
invasores.
4h00
Fim de festa
Por mais que se tente vencer o sono, o sistema nervoso cansado fala mais
alto, espalhando sinais de fadiga no corpo. Os ombros ficam caídos e as
pálpebras, idem.
A voz perde a força.
A memória não registra os acontecimentos direito.
O estômago continua quase paralisado. O fígado não consegue ter folga,
principalmente por causa do álcool e das gorduras. Os músculos estão
tombados.
O sistema imunológico, à beira do esgotamento. O corpo termina em
frangalhos, mas quem festejou sai delirantemente feliz.
Super Dezembro de 1995
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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho
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