o homem religioso lança mão de cerimoniais e práticas

Propaganda
PSICOLOGIA DA RELIGIÃO (Breve Panorama)
Definição
Entende-se por Psicologia da Religião o campo da Psicologia dedicado ao estudo do
comportamento religioso, comportamento que envolve aspectos cognitivos e afetivos do ser
humano. A Psicologia da Religião, assim, apesar do nome, não estuda propriamente a religião,
mas a relação do ser humano com a religião seja ela qual for, tanto de adesão como de
afastamento, de modo a serem estudados tanto o comportamento dos religiosos como o
comportamento dos não-religiosos. Em resumo, os psicólogos da religião não se pronunciam
quanto à realidade do objeto religioso, ou seja, não afirmam nem negam a existência de uma
transcendência nem de figuras religiosas como deuses, demônios, espíritos, mas querem
conhecer o que leva as pessoas a afirmarem ou negarem essa transcendência, a crer ou não
crer nessas figuras e a venerá-las ou combatê-las.
Não há um consenso acadêmico para uma definição unilateral, todavia a explicitamos
como uma logia (estudo/reflexão) do fenômeno religioso do ponto de vista psicológico, ou seja, a
aplicação dos princípios e métodos da psicologia ao estudo científico do comportamento
religioso do homem, quer como indivíduo, quer como membro de uma comunidade religiosa. O
que pode se aplicar a qualquer ato ou atitude, individual ou coletiva, pública ou privada, que
tenha específica referência ao divino ou sobrenatural. Muito embora, esse divino ou sobrenatural
é definido em termos da fé pessoal de cada indivíduo o que por si só às vezes torna o terno a
ser analisado de grande complexo, pois cada indivíduo em si pode ser contemplado como um
universo paralelo.
História
A origem do fenômeno religioso mescla-se a origem do próprio homem em sua crescente
tomada de consciência, constituindo um fato impreciso aos atuais historiadores. Os primeiros
indícios de comportamento religioso acham-se entre os homens da pré-história, mais
especificamente os de Cro-Magnon (entre 10.000 a 40.000 anos) que em certo momento
passaram a personificar os elementos exteriores, personificando e espiritualizando as forças da
natureza, dando origem as primeiras entidades mais ou menos autônomas e as primeiras formas
de cultos conhecidas. Desde então a religião vem se desdobrado em um contínuo elaborar de
suas próprias práticas e conteúdos, resultando na miríade de rituais e crenças que encontra-se
atualmente.
A concepção moderna do conceito de Religião surgiu a não mais que 150 anos, durante o
curso do iluminismo europeu, idéia que foi se desenvolvendo no Ocidente em um paulatino
processo de confirmação, gradualmente transformando-se em objeto até ser concebida como
uma entidade sistemática objetiva. A necessidade de identificar as diferenças doutrinárias
fundamentais das quais dependiam a salvação eterna levaram os estudiosos a focarem-se no
aspecto externo da conduta dos fiéis, formando assim a idealização das religiões modernas
como instituições sociais de crenças e ritos. Até então, o que se entendia por religião indicava
apenas "um conjunto de regras, de interdições sem se referir à adoração de divindades nem as
tradições místicas, nem à celebração de festas, nem a tantas outras manifestações
consideradas em nossos dias, como religiosas", assim ao aplicarmos esse termo a outras
épocas e contextos, como por exemplo, a civilização oriental há uma transposição de sentido.
A psicologia, como saber coligado ao campo científico, parece constituir um binômio
conflitante com a religião. Estudiosos afirmam que a atitude científica sempre desconfiou da
veracidade de certezas transcendentes, pois a “Religião” procura dar aos humanos um acesso a
verdade do mundo. Esse relacionamento foi conflituoso durante os primeiros passos da
disciplina psicológica, quando a “Ciência” ainda se firmava como vertente separada do domínio
religioso. Eruditos da área constatam que até a metade do século XX, psicólogos e psiquiatras
viam a expressão religiosa como um evento perigoso, ou mesmo nociva para a saúde mental,
baseados em ocorrências como a manifestação de delírios místicos, encorajamento de
experiências suspeitas, neuroses coletivas e etc. Sendo assim a psicologia e a religião estiveram
por muito tempo isoladas, pois enquanto a psicologia buscava seu status de ciência, aspectos
referentes a espiritualidade e religiosidade foram negados já que poderiam gerar confusões,
principalmente em relação ao papel do psicólogo, visto que ele não almejava ser confundido
com um pregador ou algo do gênero.
A atualidade não caminha nesse sentido, pois entende-se que a psicologia e religião são
complementares. Isso é verdadeiro em três sentidos: em primeiro lugar, nós não devemos mais
pensar em termos de psicologia versus religião, como explicações opostas do comportamento
humano. Não se destrói a validade de uma área simplesmente porque se aceita a validade da
outra, porquanto elas não são reciprocamente excludentes. Como uma explicação psicológica
da vida das pessoas não elimina o possível valor de verdade de uma visão religiosa (e viceversa), os pesquisadores e os peritos de um campo não precisam considerar os outros como
uma ameaça. Ao contrário, eles são livres para influenciar-se e ajudar-se mutuamente. Em
segundo lugar, psicologia e religião chegaram, em certos casos, a conclusões paralelas. Em
terceiro lugar, psicologia e religião são, na prática, complementares.
O Fenômeno Religioso
O fenômeno religioso está enquadrado dentro do comportamento religioso que se pode
entender que seja qualquer ato ou atitude que tem referência específica ao divino ou
sobrenatural. Em síntese esboçaremos duas das principais vertentes dessas interpretações
religiosas.
Para Freud, a religião nada mais é do que a projeção infantil da imagem paterna. Ela é
uma ilusão, não porque seja má em si, mas porque tende a levar o homem a fugir de sua
realidade e contingência humanas. Para Freud a religião não passa de mera ilusão psicológica,
pois assim se transcreve a sua tese: ...Todo bebê, ao nascer, vive as primeiras fases de sua
vida em um estado fusional com a mãe. Chega, porém, um momento em que a união
fusional com a mãe é interrompida pela entrada, em cena, da figura do pai, como
Portador da Lei simbólica. Para continuar a se desenvolver, a criança precisa aceitar esta
Lei e assumir sua castração simbólica, ou seja, renunciar às ambições fálicas do seu
narcisismo infantil. Surge, então, um grande conflito que a Lei do pai impõe à criança, ou
seja, o sentimento de amor e de ódio que ela nutre pela figura deste pai. Ela o odeia por
tê-la separado de sua mãe, rompendo a relação fusional em que se encontrava; mas, ao
mesmo tempo, ela o ama e anseia por sua proteção. Para Freud, esse sentimento infantil
perdura por toda a idade adulta.
Assim, Deus nada mais é do que a imagem idealizada do pai, no qual a criança
procura proteção para superar o seu desamparo. Esta imagem idealizada de um pai
protetor onipotente é uma criação imaginária da criança, que só tem sentido enquanto
ela vive sob a égide do princípio do prazer, sem ainda não se confrontar com a realidade.
Fixar-se, porém, nesta imagem, mesmo depois que a criança deixou de ser criança e se
tornou uma pessoa adulta, é o que, para Freud, se caracteriza como ilusão. Para ele, a
religião se originou do desamparo da criança prolongada na idade adulta. No lugar do pai
protetor da infância, o homem adulto põe o Deus, Pai, Todo-Poderoso, a quem se
deveria louvar e dar graças em todo o tempo e lugar... (David, 2003, p.14).
Sigmund Freud analisa tal perspectiva partindo do pressuposto que o homem religioso
lança mão de cerimoniais e práticas religiosas a fim de neutralizar a força pulsional dos seus
desejos. Ou seja, o religioso enfrenta um sério embate psicológico interno: obedecer às pulsões
e desobedecer à lei ou obedecer à lei e abrir mão das pulsões. Sendo assim, os rituais
assumem uma função protetora diante do conflito. "Assim, os atos cerimoniais obsessivos
surgem, em parte, como proteção contra o mal esperado" e outra como fuga de suas pulsões
internas. Muito embora para Freud tais “atos” podem ser motivadas por razões inconscientes
que seguem a lógica da neurose obsessiva.
Outro expoente e em tese divergente a Freud é o proeminente Jung. Para Jung, o seu
campo interpretativo no tocante a experiência religiosa resulta do inconsciente coletivo, que por
sua vez, é composto de energias dinâmicas e de símbolos de significação universal. Jung
considerava todas as religiões válidas, visto que todas recolhem e conservam imagens
simbólicas advindas do inconsciente, elaborando-as em seus dogmas e, assim,
realizando conexões com as estruturas básicas da vida psíquica. "As organizações ou
sistemas são símbolos que capacitam o homem a estabelecer uma posição espiritual que
se contrapõe à natureza instintiva original, uma atitude cultural em face da mera
instintividade. Esta tem sido a função de todas as religiões (Jung, 1997, p. 57)
Jung via a religiosidade como uma função natural e inerente à psique. Chegava a
considerá-la, como um instinto, um fenômeno genuíno. A religião era vista mais como
uma atitude da mente do que qualquer credo, sendo este uma forma codificada da
experiência religiosa original. Para Jung a Religião tinha importância tal que julgava que
os indivíduos ficavam doentes quando se desligavam do ser divino subjacente em quase
todas as religiões e que a cura somente acontecia pelo fato deste mesmo indivíduo
retornar as suas origens religiosas.
A grande síntese de tal temática em torno de todos os grandes pensadores sobre o
assunto seja um dualismo paradoxal, pois alguns defendem o ponto de vista que o aspecto
religioso-psicológico é positivo, pois é fator importantíssimo na integração da “personalidade”,
enquanto outros defendem que a experiência religiosa tem basicamente a mesma dinâmica da
esquizofrenia, sendo apenas expressões da personalidade que se vê ameaçada por algum
motivo (interno ou externo) ao ponto de sua desintegração, recorrendo assim ao método mais
eficaz para evitar a catástrofe, i é a “religio”.
Experiência Religiosa
Entende-se por experiência religiosa toda emocionalidade que emana de dentro para a
fora, mas que, todavia deve ser entendido com um sentido mais amplo, isto é da própria
“vivência do indivíduo” que lhe pode ser aprendido ou influenciado externamente e que lhe é
percebido tanto pelos sentido sociais ou fisiológicos do ser.
A experiência religiosa é fundamental ao funcionamento harmonioso do psiquismo e ajuda
o homem a compreender realidades do universo que não podem ser conhecidas de outras
maneiras. A experiência religiosa pode ser entendida pelo nível de intensidade da “vivência
religiosa”, onde podem ocorrer ao indivíduo êxtases acompanhados ou não de outros
fenômenos extraordinários como visões, levitações, vozes, e etc, muito embora não
confundamos experiência religiosa e a experiência mística.
Pois a primeira está diretamente atrelado aos ritos cerimoniais e vivência do indivíduo em
si, enquanto o místico na verdade é um “iluminado” que conhece profundidades da divindade, ou
que a própria “experiência religiosa” lhe proporcionou lhe dando assim um “status’ de alguém
com um conhecimento superior que os demais não possuam.
Conversão Religiosa
Tal fator é extremamente complexo de ser analisado, todavia o que podemos perceber é
que existem estágios que precedem tal “fenômeno” que são de suma importância para tal
reconhecimento, sendo a título de exemplo a própria dúvida que é parte integral ao
desenvolvimento religioso do homem, bem como de todo o processo evolutivo de sua
personalidade.
O processo da conversão religiosa parece ter certas características comuns. Não importa
qual seja a religião do homem, sua conversão é, ordinariamente, marcada por certos estágios
bem definidos. Quase todos os eruditos que estudam o fenômeno da conversão religiosa
reconhecem pelo menos três estágios fundamentais: o período de inquietação, o período de
crise e o período de paz espiritual. Ainda alguns acadêmicos acrescentam um quarto estágio,
isto é, a expressão concreta dessa experiência através da vida e do comportamento do
indivíduo.
Misticismo Religioso
Entende-se por misticismo religioso o senso-percepção de um ser ou de uma realidade
através de meios que são os processos cognitivos ordinários ou o uso da razão. Está
relacionado diretamente com a experiência do indivíduo variando sempre do seu nível de
intensidade. Sendo que tais manifestações devem variar em seus expoentes, pois, existem
aqueles que procuram através de danças, expressões corporais diversas, jejuns, abstinências
diversas, uso de bebidas embriagantes, etc, a atingirem o nível de percepção espiritual para que
o indivíduo tenha a capacidade de atingir o infinito, tal posição remonta uma postura mais ativa.
Na outra vertente mais passiva o indivíduo simplesmente se expõe a receber a visitação divina.
Religião e a Saúde Mental
Tal questão hoje é muito mais esclarecida que outrora, pois a grade do reconhecimento
tem a cada dia se alastrando em diversos cantos do país, pois tem se reconhecido o papel da
religião na formação da personalidade trazendo equilíbrio para as funções psíquicas nas mais
variadas etapas do processo evolutivo do indivíduo.
A Religiosidade e a Saúde Mental são assuntos que estão sendo alvos de estudos e
pesquisas, pois busca-se explorar a experiência da fé religiosa no benefício das pessoas e como
essa afeta diretamente o indivíduo. Os estudos de boa qualidade apontam que os níveis mais
elevados no envolvimento religioso associam-se de forma positiva a indicadores de bem estar
psicológico, tais como: satisfação com a vida, felicidade, afeto positivo e moral mais elevado e a
menos depressão, pensamentos e comportamentos suicidas, e uso abusivo de álcool e drogas.
Parece-nos cada vez mais contundentes nos meios acadêmicos que a “Religião,
Espiritualidade ou Fé” se mostram cada vez mais benéficos aos indivíduos a lidarem com seus
traumas, stresses, bem como a recuperação das doenças e de curas propriamente ditas, isto
significa um significativo avanço de percepção das contribuições que a “fé” pode exercer sobre o
homem.
Bibliografia
David, S. N. (2003). Freud e a religião. Rio de Janeiro: Zahar.
JUNG, C.G A Energia Psíquica. Petrópolis: Vozes.
TRABALHO: Recomendações Importantes
OBS: Os trabalhos devem ser entregues de acordo com as normas da ABNT.
 Capa
 Sumário
 Desenvolvimento
 Fonte: Arial ou Times New Roman
 Tamanho: 12
 Espaçamento: 1,5.
ESCOPO: Trabalho de Campo (Pesquisa)
Uma vez que o campo da psicologia da religião analisa a psique humana em face às
questões transcendentais ou religiosas... A presente proposta consiste em realizar uma
“pesquisa de campo.” Que deve perfazer a algumas etapas como se segue:
1º Entrevistar no mínimo três (3) pessoas (uma de cada denominação) e relatar o seu
testemunho de conversão religiosa. Preferência: um cristão de uma igreja Pentecostal,
outro de uma igreja Tradicional, e outro de uma igreja Neo-Pentecostal.
2º É preciso nome completo da pessoa, sexo, idade, nome da igreja, e tempo de cristã.
3º Levar em consideração no presente trabalho aspectos da conversão do indivíduo, ou
seja, as crises existenciais, dúvidas, medo, fé, conversão, experiências espirituais, paz
interior, alegria, satisfação, sentimentos, emoções, motivação e etc. Ou seja, em termos
bem práticos: Como era essa pessoa antes de se converter e como ela é agora?
Todas as informações diretas e indiretas serão de grande valia para que você aluno, saia
das questões técnicas e teóricas e adentre ao mundo prático-real, aguçando assim um
senso perceptivo do que realmente se trata a psicologia da religião.
Data de Entrega: 24/08
Valor: 10 pontos
Posterior a data: (-) 2 pontos
“O mundo da linguagem sem o mundo da prática é um mundo vazio”.
Banda Cadetral, anos 90.
Download