ROSELI SANTOS DE FREITAS CARACTERIZAÇÃO FENOTÍPICA E

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ROSELI SANTOS DE FREITAS
CARACTERIZAÇÃO FENOTÍPICA E PADRONIZAÇÃO
DE ANTÍGENOS DE H. capsulatum VAR. capsulatum
PARA O DIAGNÓSTICO DA HISTOPLASMOSE.
Dissertação de Mestrado, apresentada ao Programa
de Pós-Graduação em Ciências da Coordenadoria de
Controle de Doenças da Secretaria de Estado da
Saúde de São Paulo.
Área de Concentração: Pesquisas Laboratoriais em
Saúde Pública
Orientadora: Dra. Adriana Pardini Vicentini
São Paulo
2005
1
FICHA CATALOGRÁFICA
Preparada pelo Centro de Documentação – Coordenadoria de Controle de Doenças/SES
reprodução autorizada pelo autor
Freitas, Roseli Santos de
Caracterização fenotípica e padronização de
antígenos de Histoplasma capsulatum var. capsulatum
para o diagnóstico da histoplasmose / Roseli Santos de
Freitas – São Paulo, 2005.
Dissertação (mestrado)—Programa de PósGraduação em Ciências da Coordenadoria de Controle
de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São
Paulo.
Área de concentração: Pesquisas Laboratoriais em
Saúde Pública
Orientadora: Adriana Pardini Vicentini
1. Histoplasma 2. Histoplasmose / diagnóstico 3.
Antígenos 4. Testes sorológicos 5. Imunoquímica
SES/CCD/CD-070/05
2
Este trabalho foi realizado na Seção de
Imunologia do Serviço de Microbiologia e
Imunologia da Divisão de Biologia Médica
do Instituto Adolfo Lutz de São Paulo e no
Laboratório de Micologia Médica (LIM-53)
do Instituto de Medicina Tropical da
Universidade de São Paulo.
Apoio Financeiro:
Instituto
Adolfo
Lutz
de
São
Paulo-
Coordenadoria de Controle de DoençasSES-SP.
Projeto CTC-IAL # 107/97 e 06/04.
3
MENSAGEM
4
“Uma reflexão implica sempre em uma análise crítica do trabalho
que realizamos. Se estamos fazendo uma reflexão sobre nosso
trabalho estamos questionando sua validade, o significado que ele tem
para nós e para com os sujeitos com quem trabalhamos, e para a
comunidade da qual fazemos parte e que estamos construindo. A
resposta as questões que nos propomos só pode ser encontrada em
dois espaços: no da nossa prática, na experiência cotidiana da tarefa
que procuramos desempenhar, e no da reflexão crítica sobre os
problemas que essa prática faz surgir como desafios para nós.
Questões-limites não são perguntas quaisquer. São perguntas
que nascem de situações problemáticas e que, portanto, precisam ser
respondidas. O que as caracteriza como problemáticas, aliás, é
exatamente a necessidade de superação. Nós nos deparamos com
inúmeros obstáculos em nossa vivência das situações em que nos
encontramos. Só alguns deles, entretanto, merecem a denominação de
problemas – são aqueles que têm uma significação especial em nossa
perspectiva existencial e precisam sair de nosso caminho. Esse “tirar
do caminho” um obstáculo tem sido chamado de solução do problema.
Entretanto, se analisarmos bem, verificaremos que os problemas não
sofrem uma solução, não são “solvidos”, não são solúveis. Eles são
superáveis, devem ser superados. Quando superamos um problema,
não diluímos – o que fazemos é seguir a dinâmica de um processo, no
qual há como que uma absorção, um rearranjo de elementos, e em que
se vai à frente de forma nova. Não deixamos para trás os elementos
problemáticos; levamo-los conosco de outra maneira, incorporados á
experiência, que é contínua”.
Terezinha A. Rios, “O caminho
educador”
5
DEDICATÓRIAS
6
Dedicatórias
A Deus...sem Ti...nada é possível!
Aos meus filhos Rodrigo, Rafael e André Felipe, maior conquista e
razão da minha vida, pelos momentos em que não pude estar presente.
Apesar de crianças sempre estavam prontos a me ajudar e
compreender da maneira mais carinhosa. Amo vocês!!!
A minha mãe Maria da Conceição, meu exemplo de dignidade, força e
determinação. Obrigada por confiar em mim.
A meus irmãos Rosemeire, Fernanda e Rildo, de perto ou de longe
vocês são o meu amparo, meus companheiros nas horas felizes e nos
momentos tristes.
A meu cunhado Sérgio Luis e sobrinho Luis Henrique pelo incentivo e
apoio durante toda esta trajetória.
7
AGRADECIMENTOS
8
Agradecimentos Especiais
Ao Prof. Dr. Carlos da Silva Lacaz
Que em minha carreira profissional foi o mestre que me orientou
a ter a consciência da missão com o próximo, pois segundo ele, tudo
que realizamos necessariamente tem que ser o melhor e “Tudo é para a
glória de Deus e o bem estar da humanidade”, sendo que para
conquistarmos o nosso ideal devemos nos lembrar de Camões: “As
coisas árduas e lustrosas só se alcançam com trabalho e fadiga”.
A Profa. Dra.Adriana Pardini Vicentini
Eu creio que na vida nada é por acaso e que possuímos o que
merecemos, por isso agradeço a Deus com todo meu coração e no
mais intimo de minha alma a alegria de ter me concedido o melhor, ou
seja, a orientação dedicada, profissional e amiga que me introduziu
diretrizes e conhecimentos.que serão empregados durante toda minha
vida científica.
9
Ao Prof. Dr. Cezar Mendes de Assis pela co-orientação, colaboração
amiga, com opiniões enriquecedoras e essenciais no presente trabalho.
Ao Prof. Dr. José Eduardo Costa Martins, Chefe do LIM-53 do Instituto
de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo, meu eterno
agradecimento pelo apoio, confiança e incentivo.
À pesquisadora Regina Tomie Kimura, Chefe da Seção de Imunologia
do Instituto Adolfo Lutz, por ocasião do início de minha trajetória,
minha eterna gratidão por permitir o desenvolvimento de grande parte
deste trabalho junto ao Laboratório de Imunodiagnóstico das Micoses.
Obridaga pela acolhida ...
As pesquisadoras Elizabeth Maria Heins e Natalina Takahashi de Melo,
pelos ensinamentos, amizade, apoio, carinho e compreensão durante
estes longos anos de convivência.
A amizade sincera e apoio de Simone Nunes de Azevedo, Otilia Batista
e Jussara Clemente de S. P. Moraes.
À Profa. Dra. Cídia Vasconcellos, pela amizade, disponibilidade e
convívio agradável.
Aos funcionários do Laboratório de Micologia do Instituto de Medicina
Tropical da Universidade de São Paulo, em especial a Sra. Antônia
Chagas dos Santos, Cláudia de Freitas Caetano e Creusa Paes Siqueira
pela amizade, auxílio e por não terem medido esforços para me ajudar
na conquista deste sonho...
Aos funcionários, estagiários e pós-graduandos dos Laboratórios de
Micologia e Sorologia do Instituto de Medicina Tropical da Universidade
de São Paulo (LIM 53), Judith Maria de Jesus, Simone Rocha, Sonia
Cristina Cavalcante, Vivian Ribeiro Kloth, Cecília Eugenia Charbel,
Cristiane Neves Pereira, Sarah Desihee Cavalcanti, Ísis Riboldi,Teixeira,
Giovana Letícia Henandez Arriagada, Mônica Martinelli Scarpelli Vidal e
Kátia Cristina Dantas, pela amizade e pelos bons momentos que
passamos juntos.
10
Aos colegas do Laboratório de Imunodiagnóstico das Micoses da
Seção de Imunologia do Instituto Adolfo Lutz: Lenice Elpídio de
Oliveira, Décio Fragata da Silva, Jarita de Oliveira Carvalho-Vivi e
Daniele de Lima Franco meu muito obrigada pelo apoio, amizade,
momentos de descontração e compreensão na execução deste
trabalho.
Aos funcionários da Seção de Imunologia, em especial a Sra. Irene
Mara Zamboni, Srta. Lúcia Cupertino Barreto, Sr. Vasco Gouveia, pela
amizade e valoroso auxílio. Obrigada por não ter medido esforços para
me ajudar...
Aos pesquisadores, estagiários e pós-graduandos da Seção de
Imunologia do Instituto Adolofo Lutz pelo apoio, amizade e momentos
de descontração.
Aos docentes, funcionários, estagiários e alunos, em especial do
Laboratório de Sorologia da Profa.. Dra.. Maria Aparecida Shikanai
Yasuda, Claúdia de Abreu Fonseca, Aya Sadahiro e Márcia Andréia
Ferreira.
Ao Almir Robson Ferreira e Maria Iranides Santana de Oliveira, setor de
Programação Visual, meu sincero agradecimento pela amizade e
disponibilidade.
As funcionárias da Seção de Coleção de Culturas do Instituto Adolfo
Lutz: Lia Teixeira e Mônica Cândida Gear Gete Scola pelo inestimável
auxilio na liofilização dos antígenos de Histoplasma capsulatum,
obrigada pelo apoio e compreensão.
À Profa. Dra. Claudete Rodrigues de Paula do Instituto de Biociências
da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Zoilo Pires de Camargo da
Universidade Federal de São Paulo e Ricardo Bamman do Instituto de
Infectologia Emílio Ribas, pelas sugestões apresentadas no exame de
qualificação.
À Dra. Maria de Fátima Costa Pires, coordenadora do Programa de PósGraduação em Ciências da Coordenadoria de Controle de Doenças da
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, pela colaboração.
11
À Secretaria de Pós-Graduação da Área de Concentração Pesquisas
Laboratoriais em Saúde Pública do Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Coordenadoria de Controle de Doenças em especial as
Sras. Tirces Francine e Liria Maria de Jesus Silva pelo atendimento
sempre carinhoso e colaboração.
A bibliotecária Sandra do Centro de Documentação da Coordenadoria
de Controle de Doenças-SES pelas informações e auxilio.
Ao Paulo César da Costa dos Santos, pelo inestimável auxílio na
análise estatística dos resultados.
A Beatriz Julieta Celeste, do Laboratório de Sorologia (LIM 48), pela
doação de soros de pacientes com leishmaniose.
Ao Instituto Adolfo Lutz, pelo auxílio financeiro, que viabilizou a
execução deste trabalho.
Aos pacientes que anônima e voluntariamente, entregam-se à ciência.
A todos que direta ou indiretamente
desenvolvimento desse trabalho.
12
contribuíram
para
o
RESUMO
Doze amostras de H. capsulatum foram avaliadas quanto aos
aspectos fenotípicos e cinética de crescimento em ágar batata e ágar
Sabouraud-dextrose, a 27o C, durante 45 e 90 dias respectivamente.
Trinta e três porcento apresentaram textura velutínea e cotonosa,
saliência e/ou elevação central, sulcos radiais, faixas concêntricas e
pigmentos centrais e difusos. A microscopia óptica verificou-se hifas
hialinas,
delgadas,
septadas,
micro
e
macroaleuroconídios
tuberculados; apresentando média de 47 dias para a fase estacionária.
67% eram cotonosas com tendência a ser plana, sendo 75% cotonosa
e branca, com hifas delgadas e septadas. Antígenos de H. capsulatum
foram obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), a partir das
amostras cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose a 27o C durante 15 e
33 dias. A extração dos determinantes antigênicos foi realizada,
cobrindo-se as culturas com solução de mertiolato-borato 1:5000 por
24 h, a temperatura ambiente. A imunoreatividade dos antígenos foi
avaliada por imunodifusão dupla (ID) e immunoblotting (IB) frente a
soros homólogos e heterólogos e anticorpos policlonais espécieespecíficos e heterólogos. Verificamos aumento na sensibilidade da
técnica de ID quando empregamos antígeno obtido das amostras 200 e
406, em ambos os tempos de cultivos e 20 vezes concentrado,
observando ainda que todos os antígenos avaliados apresentaram
100% de especificidade. Por IB, observamos intensa reatividade dos
soros de pacientes com HP doença e infecção frente às frações de 74
e 120 kDa. Concluímos que para a obtenção de antígenos com boa
especificidade e sensibilidade, a escolha da amostra fúngica bem como
o meio de cultura assume grande importância. Além disto, a
metodologia adotada para a obtenção dos mesmos mostrou-se uma
alternativa de baixo custo operacional, de fácil exeqüibilidade,
consumindo menor tempo para sua produção.
Palavras
chaves:
Histoplasma,
histoplasmose/diagnóstico,
antígenos, testes sorológicos, imunoquímica.
13
ABSTRACT
Twelve H. capsulatum samples were cultivated at 27 ºC in potato
agar and in Sabouraud-dextrose agar during 33 and 90 days in order to
evaluate their phenotypical aspects as well as their growth curve. Thirty
three percent showed cottony texture, salience and/or semi-elevated
central surface, radial groove, concentric areas, and diffuse and central
pigments. By microscopic observation we verified septate, thin, hyaline
hyphae and microaleuroconidia and tuberculate macroaleuroconida;
showing 47 days to the stationary phase. 67% were cottony texture,
plane tendency and 75% were cottony white with septate, thin hyphae.
H. capsulatum antigens were obtained from isolates cultivated at 27º C
on Sabouraud-dextrose agar for 15 and 33 days. After incubation
mycelial cells were suspended in aqueous solution of thimerosal
(1:5,000) at room temperature for 24 h. The immunoreactivity pattern of
antigens
were
evaluated,
using
the
immunodifusion
(ID)
and
immunoblotting (IB) assays against homologous and heterologous
serum and species-specific and heterologous polyclonal antibodies.
Through ID, it was verified that the best pattern of reactivity was
observed for antigens obtained with 33 days of culture from the isolates
200 and 406 and for the antigen 200 with 15 days of culture. By IB, it
was observed intense reactivity of the sera from patients with HP
(infection or illness) against epitopes with molecular mass from 74 to
119 kDa. It is noteworth that the antigen from sample 200, with 15 or 33
days of culture, presented the best pattern of recognition against the
homologous sera. The results suggest the employment of the soluble
antigen from sample 200 in the ID assay due to its good capacity to
discriminate both sera from patients with HP illness and HP infection,
besides its high specificity (100%) against heterologous sera.
Key words: H. capsulatum var. capsulatum, histoplasmosis,
antigens, imunodiagnosis.
14
LISTA DE ABREVIATURAS
µL
Microlitro
µm
Micrômetro
A. fumigatus
Aspergillus fumigatus
A. nidulans
Aspergillus nidulans
A. niger
Aspergillus niger
Ag
Antígeno
Ag Hc
Antígeno de H. capsulatum
Ag Pb
Antígeno de P. brasiliensis
Aids
Acquired immunodeficiency syndrome
B. dermatitidis
Blastomyces dermatitidis
BCIP
5-Bromo-4-Chloro-3-Indolyphosphate
BHI
Brain heart infusion
Bp
Pares de base
C. immitis
Coccidioides immitis
C. neoformans
Cryptococcus neoformans
CD
Cluster de diferenciação
CDC
Center for Diseases Control
CIE
Contraimunoeletroforese
Da
Daltons
cm
Centímetro
ELISA
Enzyme-liked immunosorbent assay
EUA
Estados Unidos da América
FC
Fixação de complemento
g
Gramas
GG
Gomori-Crocott
H
Hora
H. capsulatum
Histoplasma capsulatum
H. capsulatum var. duboisii
Histoplasma capsulatum variedade
H.
Histoplasma
capsulatum
capsulatum
var.
capsulatum
15
capsulatum
duboisii
variedade
HE
Hematoxilina-Eosina
HIV
Vírus da Imunodeficiência Humana
HP
Histoplasmose
HTT
Hipersensibilidade do tipo tardio
IAL
Instituto Adolfo Lutz
IB
Immunoblotting
ID
Imunodifusão dupla
IgG
Imunoglobulina G
IgM
Imunoglobulina M
IL-12
Interleucina 12
INF-γ
Interferon gama
kDa
Kilo Dalton
mA
Miliamper
mg
Miligramas
mL
Mililitro
mM
Milimolar
mm
Milímetros
NBT
Azul de nitrotetrazolio
NGTA
Neopeptona Glicose Tiamina e Asparagina
ºC
Graus Celsius
P. brasiliensis
Paracoccidioides brasiliensis
P. marneffei
Penicilium marneffei
p/v
Peso/volume
PAS
Ácido Periódico de Schiff
PBS
Solução salina tamponada com fosfatos
PBS-T
Solução salina tamponada com fosfato
acrescida de Tween 20
pH
Concentração hidrogênio-iônica
PM
Peso molecular
PMSF
Fenil-metil-sulfonil-fluorato
RAPD
Randon amplified polymorphic DNA
Rf
Reference front
16
RIA
Radioimmunoassay
SAB
Ágar Sabouraud-dextrose
SDS
Sódio Dodecil Sulfato
SDS-PAGE
Eletroforese em gel de poliacrilamida com
sódio dodecil sulfato
Sida
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
Sabouraud-tiamina-asparagina
STA
Temed
N,N, N,’- tetrametil-etilenodiamina
Th
Linfócitos T helper
TNF-α
Fator de necrose tumoral alfa
Tris
Tris-(hidroxi-metil)-amino-metano
V
Volts
v/v
Volume/volume
Rpm
Rotação por minuto
mm
Milímetro
17
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Isolamento de Histoplasma capsulatum var. capsulatum de
solos brasileiros
36
Tabela 2. Microepidemias de HP no Brasil (1959-1978)
38
Tabela 3. Amostras de H. capsulatum var. capsulatum
80
Tabela 4. Aspectos morfológicos das culturas de H. capsulatum var.
capsulatum, cultivadas em ágar batata e ágar Sabouraud-dextrose, 27º
C, por 33 dias
95
Tabela 5. Aspectos micromorfológicos das culturas de H. capsulatum
var. capsulatum, cultivadas em ágar batata, segundo Ridell (1950),
27oC, por 45 dias
98
Tabela 6. Aspectos macromorfológicos das culturas de H. capsulatum
var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27o C, por 90
dias.
106
Tabela 7. Dosagem protéica, segundo Bradford (1976), dos antígenos
de H. capsulatum var. capsulatum, 10 e 20 vezes concentrados,
cultivados em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, por 15 e 33 dias,
segundo Kaufman e Standard (1978)
107
Tabela 8. Screening dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,
in natura, obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), em ágar
Sabouraud-dextrose, 27º C, durante 33 dias
112
Tabela 9. Screening dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,
10 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e Standard (1978),
em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, durante 33 dias
18
113
Tabela 10. Screening dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,
20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e Standard (1978),
em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, durante 33 dias
114
Tabela 11. Padrão de reatividade dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, 10, 20 e 30 vezes concentrados, obtidos segundo
Kaufman e Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C,
durante 15 dias
116
Tabela 12. Padrão de reatividade dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e
Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, durante 33 dias
frente
a
soros
de
pacientes
com
histoplasmose
histoplasmose infecção, pela técnica de imunodifusão dupla
doença
e
117
Tabela 13. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e
Standard (1978), das amostras 49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar
Sabouraud-dextrose, 27o C, 15 dias frente a soros de pacientes com
histoplasmose doença e infecção
119
Tabela 14. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e
Standard (1978), das amostras 49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar
Sabouraud-dextrose, 27o C, 33 dias frente a soros de pacientes com
histoplasmose doença e infecção
121
Tabela 15. Calculo de sensibilidade, especificidade, prevalência e
valores preditivos dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,
obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200,
268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 33 dias,
19
avaliadas por ID frente a soros de pacientes com histoplasmose
doença
123
Tabela 15 a. Calculo de sensibilidade, especificidade, prevalência e
valores preditivos dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,
obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200,
268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 33 dias,
avaliadas por ID frente a soros de pacientes com histoplasmose
infecção
124
Tabela 15 b. Calculo de sensibilidade, especificidade, prevalência e
valores preditivos dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,
obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200,
268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 15 dias,
avaliadas por ID frente a soros de pacientes com histoplasmose
doença
124
Tabela 15 c. Calculo de sensibilidade, especificidade, prevalência e
valores preditivos dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,
obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200,
268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 15 dias,
avaliadas por ID frente a soros de pacientes com histoplasmose
infecção
125
Tabela 16. Perfil eletroforético observado em SDS-PAGE a 10%, dos
antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, 10 vezes concentrados,
obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), em ágar Sabourauddextrose, 27ºC, por 33 dias
126
20
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Macromorfologia das culturas 49 (A), 200 (B), 299 (C), 340
(D), 268 (E) e 406 (F) de H. capsulatum var. capsulatum cultivadas em
ágar batata, 27ºC, por 33 dias
96
Figura 2. Macromorfologia das culturas 49 (A), 212 (B), 361 (C), 406
(D), 2030 (E) e RP (F) de H. capsulatum var. capsulatum cultivadas em
ágar Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 33 dias
96
Figura 3. Micromorfologia das culturas 49, 200, 212, 268, 299, 340,
361, 406, 584, 802, 2030 e RP de H. capsulatum var. capsulatum,
cultivadas em ágar batata, 27ºC, por 45 dias
97
Figura 4. Curva de crescimento das amostras 49 (A) e 200 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27oC, durante 90 dias
99
Figura 5. Curva de crescimento das amostras 212 (A) e 268 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27oC, durante 90 dias
100
Figura 6. Curva de crescimento das amostras 299 (A) e 340 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27oC, durante 90 dias
101
Figura 7. Curva de crescimento das amostras 361 (A) e 406 (B) de H.
capsulatum var. capsultum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27oC, durante 90 dias.
102
Figura 8. Curva de crescimento das amostras 584 (A) e 802 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27oC, durante 90 dias
103
21
Figura 9. Curva de crescimento das amostras 2030 (A) e RP (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27oC, durante 90 dias
104
Figura 10. Anverso e verso das colônias gigantes das amostras de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27º C, durante 90 dias
105
Figura 11. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e
Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27oC, durante 33 dias,
frente a anticorpo policlonal anti-antígeno de H. capsulatum.
115
Figura 12. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e
Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27oC, durante 15 dias,
frente a soros de pacientes com histoplasmose doença
120
Figura 13. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e
Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27oC, 33 dias, frente a
soros de pacientes com histoplasmose doença
122
Figura 13 a. Reatividade dos exoantígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e
Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27oC, 33 dias, frente a
soros de pacientes com histoplasmose infecção
122
Figura 14. Perfil eletroforético dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), em ágar
Sabouraud-dextrose, 27oC, 33 dias. Linha 1: Padrão de Peso
Molecular; linha 2: Exoantígeno de Referência (Filtrado de Cultura de
H.
capsulatum
var.
capsulatum-
22
Faculdade
de
Farmácia
da
Universidade Estadual Paulista de Araraquara); linha 3: Ag Hc 49, linha
4: Ag Hc 200; linha 5: Ag Hc 212, linha 6: Ag Hc 268; linha 7: Ag Hc
299; linha 8: Ag Hc 340; linha 9: Ag Hc 361; linha 10: Ag Hc 406; linha
11: Ag Hc 584; linha 12: Ag Hc 802; linha 13: Ag Hc 2030 e linha 14: Ag
Hc RP. Concentração dos Ag Hc aplicados nos slots 3 a 14: 10 vezes
concentrados.
127
Figura 15. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-H. capsulatum de soros de pacientes com HP doença (1 a 21), HP
infecção (22 a 28) e soro de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente a
antígeno da amostra 49, 10 vezes concentrado,obtido segundo
Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabouraud-dextrose,
27ºC, por 33 dias
130
Figura 16. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-H. capsulatum de soros de pacientes com HP doença (1 a 21), HP
infecção (22 a 28) e soro de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente a
antígeno da amostra 200, 10 vezes concentrado,obtido segundo
Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabouraud-dextrose,
27ºC, por 33 dias
130
Figura 17. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-H. capsulatum de soros de pacientes com HP doença (1 a 21), HP
infecção (22 a 28) e soro de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente a
antígeno da amostra 268, 10 vezes concentrado,obtido segundo
Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabouraud-dextrose,
27ºC, por 33 dias
131
Figura 18. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-H. capsulatum de soros de pacientes com HP doença (1 a 21), HP
infecção (22 a 28) e soro de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente a
antígeno da amostra 406, 10 vezes concentrado,obtido segundo
23
Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabouraud-dextrose,
27ºC, por 33 dias
131
Figura 19. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-H. capsulatum de soros de pacientes com HP doença (1 a 21), HP
infecção (22 a 28) e soro de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente a
antígeno da amostra 200, 10 vezes concentrado,obtido segundo
Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabouraud-dextrose,
27ºC, por 15 dias
132
Figura 20. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-H. capsulatum de soros de pacientes com HP doença (1 a 21), HP
infecção (22 a 28) e soro de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente a
antígeno da amostra 268, 10 vezes concentrado,obtido segundo
Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabouraud-dextrose,
27ºC, por 15 dias
132
Figura 21. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-H. capsulatum de soros de pacientes com HP doença (1 a 21), HP
infecção (22 a 28) e soro de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente a
antígeno da amostra 406, 10 vezes concentrado,obtido segundo
Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabouraud-dextrose,
27º C, por 15 dias
133
Figura 22. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-H. capsulatum de soros de indivíduos pertencentes a um grupo de
espeleólogos (1 a 17), grupo de indivíduos que trabalham com fungos
(18 a 21), anticorpo policlonal anti-exoantígeno de H. capsulatum (22),
pool de soros de indivíduos com leishmaniose (23), pool de soro de
indivíduos saudáveis (24), frente a antígeno da amostra 200,10 vezes
concentrado, cultivada em ágar Sabouraud-dextrose a 27ºC, por 33
dias
135
24
Figura 23. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-P. brasiliensis frente a soros de indivíduos pertencentes a um
grupo de espeleólogos (1 a 17), grupo de indivíduos que trabalham
com fungos (18 a 21) e pool de soro de indivíduos saudáveis (22),
frente a exoantígeno da amostra 113 de P. brasiliensis cultivada em
caldo NGTA a 36ºC, por 20 dias
135
Figura 24. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG
anti-A. fumigatus frente a soros de indivíduos pertencentes a um grupo
de espeleólogos (1 a 17), grupo de indivíduos que trabalham com
fungos (18 a 21) e pool de soro de indivíduos saudáveis (22), frente a
exoantígeno de A. fumigatus (pool das amostras 354, 356 e 727), 10
vezes concentrado, cultivadas em caldo Sabouraud-dextrose, a 27º C,
por 30 dias
136
Figura 25. Estabilidade dos antígenos das amostras de H. capsulatum,
12 meses após obtenção, frente a anticorpo policlonal anti-exoantígeno
de H. capsulatum. Lâmina A: Antígenos das amostras 49, 200, 268 e
406, 20 vezes concentrado. Lâmina B: Antígenos das amostras 49,
200, 268 e 406, 10 vezes concentrado
25
137
INDICE
1.0. Introdução
30
1.1. Histórico da Histoplasmose
30
1.2. Etiologia do H. capsulatum
32
1.3. Distribuição Geográfica e Ecoepidemiologia
32
1.4. Aspectos Clínicos da Histoplasmose
39
1.4.1. Histoplasmose Infecção
40
1.4..2. Histoplasmose Doença
41
1.4.2.1. Histoplasmose Disseminada
41
1.4.2.2. Histoplasmose Disseminada Aguda
42
1.4.2.3. Histoplasmose Disseminada Sub-aguda
43
1.4.2.4. Histoplasmose Disseminada Crônica
43
1.5. Resposta Imunológica
44
1.5.1. Resposta Imune Celular
44
1.5.2. Resposta Imune Humoral
46
1.6. Tratamento da Histoplasmose
47
1.7. Diagnóstico Laboratorial da Histoplasmose
48
1.7.1. Exame Direto
48
1.7.1.2. Isolamento
51
1.7.1.3. Técnicas Sorológicas
53
1.7.1.4. Técnicas Moleculares
57
1.8. Antígenos de Histoplasma capsulatum var. capsulatum
60
2.0. Relevância
68
26
3.0. Objetivos
71
4.0. Considerações Éticas
72
5.0. Delineamento Experimental
73
6.0 Materiais e Métodos
74
6.1. Amostras Fúngicas
74
6.1.1. Amostras de H. capsulatum var. capsulatum
74
6.1.2. Amostras de Paracoccidioides brasiliensis
74
6.1.3. Amostras de Aspergillus fumigatus
74
6.2. Animais
75
6.3. Soros
75
6.3.1. Soro Controle Positivo de Referência
77
6.3.2. Soros Hiperimunes Obtidos em Coelhos
77
6.4. Aspectos Morfológicos das Amostras de H. capsulatum var.
capsulatum
78
6.4.1. Cultivo das Células Fúngicas em Tubos
78
6.4.2. Cultivo das Células Fúngicas em Placas e Curva de Crescimento
78
6.4.3. Cultivo em Lâminas
78
6.5. Meios de Cultura
82
6.6. Antígenos Fúngicos
82
6.6.1. Antígeno de H. capsulatum var. capsulatum
82
6.6.2. Exoantígeno de P. brasiliensis
83
6.6.3. Exoantígeno de A. fumigatus
83
6.6.4. Antígenos de Referência de H. capsulatum
84
27
6.7. Determinação da Viabilidade Fúngica dos Antígenos
84
6.8. Determinação da Esterilidade dos Antígenos
85
6.9. Determinação de Proteínas
85
6.10. Imunodifusão Dupla em Gel de Agarose
85
6.11. Análise do Perfil Eletroforético dos Anttígenos de H. capsulatum
var. capsulatum
87
6.11.1. SDS-PAGE
87
6.11.2.Immunoblotting
88
6.11.3. Detecção do Peso Molecular
90
6.12. Antissoros
90
6.12.1. Soro de Coelhos Anti- Antígeno de H. capsulatum
var.
capsulatum
90
6.12.2. Soro de Coelho Anti- Exoantígeno de P. brasiliensis e AntiExoantígeno de A. fumigatus
91
6.13. Purificação de Imunoglobulinas
91
6.14. Titulação dos Antissoros
92
6.15. Análise Estatística
92
7.0. Resultados
94
7.1. Aspectos Morfológicos das Amostras de H. capsulatum
94
7.2. Curva de Crescimento das Células Micelianas de H. capsulatum
var. capsulatum e Aspectos Fenotípicos das Colônias Fúngicas
94
7.3. Dosagem Protéica dos Antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum
107
7.4. Screening dos Antígenos de H. capsulatum
108
28
7.5. Análise do Padrão de Reatividade dos Antígenos de H. capsulatum
var. capsulatum
118
7.6. Perfil Eletroforético dos Antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum
125
7.7. Immunoblotting para Detecção da Reatividade de Anticorpos antiH. capsulatum em Soros de Pacientes com HP doença e infecção 128
7.8. Estudo da Estabilidade dos Antígenos de H. capsulatum
137
8.0. Discussão
138
9.0. Conclusões
152
10.0. Referências Bibliográficas
154
Anexos
174
29
1.0. INTRODUÇÃO
1.1. Histórico da Histoplasmose
O primeiro caso de histoplasmose (HP) foi estudado no Panamá,
por Samuel Darling (1905), ao necropsiar um negro no Ancon Hospital,
encontrando numerosos parasitos, redondos ou ovais, sendo na sua maioria
fagocitados, observado em microscopia óptica de tecido dos pulmões, baço
e fígado. Em 1906, em nova necropsia realizada na Martinica encontrou
outro caso apresentando os mesmos caracteres anátomo-patológicos, ainda
no mesmo ano, observou um terceiro caso, em nativo do Cantão que residia
há alguns meses, no Panamá. A partir dos achados destas três necropsias,
Darling
individualizou
esta
nova
doença
que
se
caracterizava
particularmente por febre irregular, com hepato-esplenomegalia acentuada e
leucopenia. Do ponto de vista anatomo-patológico, a doença manifestava-se
com aumento de elementos retículo-histiocitários e presença de numerosos
parasitos, redondos ou ovais, muito semelhantes a leishmanias, no interior
dos histiócitos, que foram considerados por Darling como protozoários. Ele
procurava, nas autopsias que realizava, casos suspeitos de calazar ou
leishmaniose visceral e por isso selecionava os doentes falecidos que
apresentassem quadro clínico com manifestações de leucopenia, febre
irregular e hepato-esplenomegalia. Ao encontrar nos tecidos lesados o
microrganismo pensou, inicialmente, que se tratasse de um novo
protozoário, denominando-o primeiramente de Histoplasma capsulata, a
seguir corrigindo para Histoplasma capsulatum (Alves, 1996; Lacaz et al.,
2002).
Após os relatos de Darling, numerosos casos de HP foram
registrados, contribuindo de forma expressiva para compreensão desta
patologia.
Comparando o material estudado por Darling (1906), com casos
de linfangite epizoótica causada por H. farciminosum e esfregaços de
30
sangue de casos de leihsmaniose, Rocha Lima (1912), verificou que o H.
capsulatum
apresentava,
morfologicamente,
maior
semelhança
com
leveduras do que com protozoários. Neste estudo, o autor enfatizou as
propriedades de impregnação de corantes, a presença de formas em
brotamento e a ausência de formas flageladas descrita anteriormente por
Darling.
Dodd e Tompkins (1932), diagnosticaram o primeiro caso de HP
em esfregaços de sangue periférico de uma criança portadora de anemia
incomum, residente no Estado de Tennesse (EUA). Este material foi enviado
para De Monbreum (1934), que realizou com sucesso o primeiro isolamento
de H. capsulatum. O autor demonstrou também o dimorfismo desta espécie
fúngica, por meio da inoculação em animais de experimentação, concluindo
que formas saprofíticas do fungo provavelmente existiam livres na natureza,
causando doença, em humanos, com quadro não fatal mais freqüentemente
do que se supunha.
O primeiro caso de HP no Brasil foi diagnosticado através do
exame de fragmentos de fígado de uma criança, sendo encontrado células
retículo-endoteliais parasitadas pelo H. capsulatum (Villela e Madureira Pará,
1941).
Com o advento da Aids, em 1981, observou-se aumento do
número de casos de HP disseminada associada àquela patologia em zonas
endêmicas, sendo que esta associação pode ser desencadeada pelo
despertar de processos pulmonares quiescentes (Wheat et al., 1986) e
apresentando-se como a primeira infecção oportunística associada a outras
infecções e ou neoplasias em pacientes residentes ou procedentes de zonas
endêmicas, fato que levou o CDC-USA, em 1985, quando não havia provas
sorológicas e moleculares para a identificação do HIV, a incluir a HP
disseminada como infecção “marcadora” de Aids.
31
1.2. Etiologia do H. capsulatum
Anamorfo:Histoplasma capsulatum var. capsulatum. Darling (1906).
Histoplasma capsulatum var. duboisii. Ciferri (1960).
Teleomorfo: Emonsiella capsulata. Kwon-Chung (1972).
Ajellomyces capsulatus. McGinnis et Katz (1979).
A HP é infecção causada por três variedades de fungos
pertencentes ao gênero Histoplasma: H. capsulatum var. capsulatum; H.
capsulatum var. duboisii
e H. capsulatum var. farciminosum. As duas
primeiras variedades causam infecção em humanos e animais e a var.
farcimonosum é o agente da linfangite epizoótica (Alves, 1996; Lacaz et al.,
1998, Lacaz et al., 2002).
O agente etiológico da HP clássica ou Doença de Darling é o H.
capsulatum var. capsulatum, sendo que o seu teleomorfo é o A. capsulatus.
Este microrganismo no estado anamorfo pertence ao reino Fungi, subdivisão
Deuteromycotina,
classe
Hyphomycetes,
ordem
Moniliales,
família
Moniliaceae e gênero Histoplasma; enquanto o seu teleomorfo pertence à
subdivisão Ascomycotina, classe Ascomycetes, ordem Onygenales e gênero
Ajellomyces. A forma sexuada ou teleomorfa das duas primeiras variedades
de Histoplasma receberam, inicialmente, a denominação de Emonsiella
capsulata e posteriormente de Ajellomyces capsulatus (McGinnis e
Katz,1979; Kwon-Chung e Bennett, 1992; Lacaz et al., 1998; Lacaz et al.,
2002).
1.3. Distribuição Geográfica e Ecoepidemiologia
A HP é micose sistêmica que apresenta ampla distribuição
geográfica, sendo possível detectar casos autóctones em mais de 60 países
distribuídos nos diversos continentes, principalmente na área compreendida
32
entre 45° latitude ao norte e 30° latitude ao sul do Equador. No entanto,
apresenta nítida prevalência nos continentes Americano e Africano. Nas
Américas estende-se desde o sul do Canadá até as regiões centrais da
Argentina, sendo que as zonas endêmicas de maior importância se situam
em Ohio, Bacia do Rio Prata, Serra do Mar, Vales do Rio Mississipi e
Missouri (Zancopé-Oliveira e Wanke, 1987; Wu-Hsieh e Howard, 1989; Silva
et al., 1999; Negroni, 2001; Panackal et al., 2002; Lacaz et al., 2002).
Casos da doença têm sido descritos nas regiões oeste e sudeste
da Europa, no oeste da Ásia e Austrália, contudo, estes se encontram
comumente limitados a um único ou a um número muito pequeno, não se
sabendo ao certo a fonte de infecção. Soma-se a isto, o fato de nenhum
surto epidêmico ter sido descrito até o momento fora do continente
americano (Panackal et al., 2002).
No Brasil, a ocorrência da HP tem sido descrita pela observação
de casos clínicos autóctones, seja sob a forma de casos isolados ou sob a
forma de microepidemias, bem como pela realização de inquéritos
epidemiológicos empregando o teste cutâneo da histoplasmina (ZancopéOliveira e Wanke, 1987; Silva-Vergara e Martinez, 1998; Severo et al., 2001;
Cury et al., 2001).
H. capsulatum é habitualmente encontrado em regiões de clima
tropical ou temperado, com temperatura média anual entre 15 a 22o C,
índice pluviométrico anual de 1000 mm e umidade relativa do ar de 67 a 87
% (Negroni, 2001; Lacaz et al., 2002).
Acredita-se que alguns ou o conjunto de fatores descritos
anteriormente determinam a distribuição do H. capsulatum no meio
ambiente, geralmente havendo associação de seu isolamento com
microambientes
fechados,
como
cavernas
ou
grutas,
construções
abandonadas, galinheiros, celeiros, florestas ou qualquer local onde o solo
encontra-se enriquecido com excretas de aves e/ou morcegos (Zancopé-
33
Oliveira e Wanke, 1987; Wu-Hsieh e Howard, 1989; Silva et al., 1999;
Negroni, 2001).
Determinadas características físico-químicas do solo como textura
e acidez, associadas ao enriquecimento do mesmo por dejetos de aves e
quirópteros, que atuariam como importante fonte de nitrogênio, têm sido
consideradas por diversos autores como meio de cultura adequado para o
crescimento, desenvolvimento e disseminação deste patógeno (ZancopéOliveira, 1987; Silva et al., 1999; Negroni, 2001).
Segundo Kwon-Chung e Bennett (1992), locais onde existem
elevadas concentrações de aves ou morcegos podem dar origem a surtos
epidêmicos ou microepidêmicos que diferem em sua magnitude quando da
exposição simultânea de pessoas ao agente infectante.
Em publicação recente Panackal et al. (2002), relatam que na
América do Norte a HP tem sido considerada por diversos pesquisadores
como doença recreacional entre espeleólogos. Segundo os autores 60 a
64% dos indivíduos que possuem o hábito de freqüentar cavernas e ou
grutas apresentam teste cutâneo positivo à histoplasmina.
Recentemente, maio de 2001, um grupo de 15 estudantes do
Estado da Geórgia-EUA viajou para Nicarágua onde visitaram uma mina de
prata. Três dias após o retorno do grupo para os EUA, 12 (80%) indivíduos
apresentaram sinais clínicos compatíveis com HP aguda, confirmada
posteriormente por meio de provas sorológicas (Panackal et al., 2002).
Erkens et al. (2002), descrevem a presença de anticorpos
circulantes da classe IgG anti-H. capsulatum, empregando a técnica de
immunoblotting, em cinco integrantes de um grupo de oito pesquisadores
alemães, que haviam passado dez dias em Cuba, estudando os hábitos de
morcegos. Registrou-se também, que duas pessoas do grupo que relataram
a utilização de máscaras faciais, não apresentaram nenhuma sintomatologia,
34
enfatizando assim, a necessidade e importância do uso de equipamentos de
proteção individual para pessoas que visitam cavernas.
H. capsulatum tem sido isolado de diferentes fontes ambientais
como ar, solo de cavernas e grutas, bem como de vísceras e fezes de
morcegos, ratos, cães e outros animais silvestres (Emmons, 1949; Silva e
Paula, 1956; Silva, 1961 apud Silva-Vergara et al., 2001; Araújo, 1970; Arias
et al., 1982; Wu-Hsieh e Howard, 1989; Lacaz et al., 1998; Cury et al., 2001;
Lacaz et al., 2002).
Zancopé-Oliveira e Wanke (1986), realizaram a captura de 103
animais silvestres nativos no Município do Rio de Janeiro, isolando H.
capsulatum de vísceras de três animais (2,9%), aparentemente sadios;
sendo dois marsupiais (Metachirus opossum) e um rato (Rattus rattus).
Taylor et al. (1999), descreveram o isolamento de H. capsulatum
das vísceras (intestino, pulmão, fígado e baço) em 17, de um total de 208,
morcegos capturados nos Estados de Guerrero e Morelos, no México.
Silva-Vergara et al. (2001), demonstraram o isolamento de H.
capsulatum no Estado de Minas Gerais, a partir de cultura de vísceras de
Didelphis albiventris, uma espécie de marsupial encontrado no Brasil. Os
autores chamam a atenção para a ampla distribuição geográfica deste
mamífero pelo continente, a qual coincide com a distribuição da HP.
A Tabela 1 resume os isolamentos do H. capsulatum a partir de
amostras de solo de diferentes regiões do Brasil, a grande maioria obtida de
locais com elevada quantidade de excretas de galinhas e morcegos.
35
Tabela 1. Isolamento de H. capsulatum var. capsulatum de solos brasileiros.
Localidade
Associação com
Amostras
Amostras
aves ou morcegos
examinadas
positivas
Galinheiros
50
01
Silva,1956
01
01
Fava Netto,
Jacobina (BA)
Ubatuba/Caraguatatuba Fezes de Morcegos
(SP)
Referência
1967
Lagoa Santa (MG)
Brasília (DF)
Galinheiro
02
01
Araújo,1970
Fezes de morcego
15
02
Schmidt ,1973
Galinheiro
06
01
Moraes e
Humboldt (MT)
Almeida,1976
Angra dos Reis (RJ)
Galinheiro
02
02
Wanke,1985
Angra dos Reis (RJ)
Fezes de Morcego
04
02
Wanke,1985
São Gonçalo (RJ)
Fezes de morcego
07
05
Wanke,1985
Petrópolis/Itaipava (RJ)
Fezes de morcego
18
13
Wanke,1985
Niterói/Rio do Ouro (RJ)
Fezes de morcego
05
03
Wanke,1985
--------
Severo, 1986
General Câmara (RS)
Galinheiro
--------
Fonte: Zancopé-Oliveira, 1987.
O último relato de isolamento de H. capsulatum a partir de
amostras de solo realizado no Brasil foi o conduzido por Zancopé-Oliveira e
Wanke (1987). Neste estudo, os autores avaliaram o índice de contaminação
do solo pelo H. capsulatum na localidade de Rio da Prata (RJ), área
periurbana com características rurais. A análise de 111 amostras de solo
coletadas em diferentes locais revelou positividade em oito (7,2%). Todas as
amostras para análise foram colhidas de galinheiros, sendo que em um
destes foi observado a existência de guano de morcegos.
Segundo os
pesquisadores, o elevado nível de contaminação do solo nesta região pode
ser comparado aos níveis observados em áreas endêmicas para esta
micose nos EUA.
36
Testes intradérmicos empregando a histoplasmina têm sido
realizados em cães, no rebanho bovino e eqüino, a fim de verificar a
incidência da HP infecção. Estes inquéritos epidemiológicos revelam que
50% dos cães e gatos abrigam esta espécie fúngica, sendo considerados,
portanto, como disseminadores desta enfermidade, sugerindo desta forma,
que a infecção primária possa acontecer primeiramente em hospedeiros
animais. Acredita-se que a transmissão ao homem possa estar associada à
presença de determinados vetores invertebrados, como os carrapatos;
estando assim relacionada tanto a ocupações rurais como urbanas (Alves,
1996; Lacaz et al., 2002).
Em 1945, importante estudo epidemiológico contribuiu para a
demonstração da reatividade cutânea à histoplasmina, correlacionando-a a
presença de calcificações pulmonares em indivíduos tuberculina negativos
(Christie e Peterson, 1945).
Palmer (1946), em estudo multicêntrico realizado nos EUA, onde
avaliou 10.580 enfermeiras, demonstrou a incidência de reagentes à
histoplasmina. O autor verificou que o Estado de Kansas apresentava o
maior índice de positividade (7,1%), encontrou, contudo, 58,1% de provas
duvidosas. A média dos casos positivos foi de 3,2% e casos duvidosos de
20,1%.
No Brasil, pelo fato da HP não ser doença de notificação
compulsória, fica extremamente difícil o mapeamento da real distribuição
deste processo infeccioso. A Tabela 2 resume as microepidemias ocorridas
em território nacional no período compreendido entre 1959 e 1987.
Tabela 2. Microepidemias de HP no Brasil (1959-1987).
37
Fontes de infecção
Nº de casos
Autor (es) e ano de
publicação
1. Gruta com morcegos/Paraíba do Sul/RJ
13
Paula (1959)
2. Caixa d’agua/ Santa Teresa/RJ
07
Tufic Simão (1959)
3. Forro de casa/ Ubatuba/SP
08
Fava Netto et al. (1967)
4. Gruta com morcegos/ Vassouras/RJ
05
Paula & Pomp (1972)
5. Gruta com morcegos/ Brasília/DF
14
Schmidt et al. (1973)
6. Gruta com morcegos/ Rio de Janeiro/RJ
05
Rego et al. (1976)
7. Gruta com morcegos/ Ubatuba/SP
10
Fava Netto et al. (1976)
8. Gruta/ Angra dos Reis/RJ
08
Mello et al. (1976)
9. Gruta/ Rio do Ouro – Niterói /RJ
08
Peçanha et al. (1981)
10. Mina abandonada/ São Gonçalo/RJ
10
Wanke (1981)
11. Mina abandonada/ São Gonçalo/RJ
04
Wanke (1981)
12. Minas abandonadas/ Itaipava /RJ
10
Wanke (1981)
13. Minas abandonadas/ Itaipava /RJ
05
Wanke (1981
14. Minas abandonadas/ Niterói /RJ
05
Wanke (1982)
15. Gualinheiro/ Tinguá/RJ
10
Bethlem et al (1984)
16. Galeria de águas/ Pendotiba/RJ
10
Paula e Aidê (1979)
17. Bueiro/ Borborema/PB
06
Fernandes & Costa (1967)
Fonte: Aloysio de Paula (1988) apud Lacaz et al., 2002.
Wanke (1985), estudou a epidemiologia da HP, empregando
como antígeno a histoplasmina, avaliando população de 453 indivíduos, na
região hiper-endêmica de Praia Vermelha (Ilha Grande, Angra dos Reis, RJ),
encontrando 94,6% de positividade ao ensaio de HTT. O autor demonstrou
também, que minas abandonadas de caulim eram a fonte de infecção desta
microepidemia de HP aguda. Neste estudo o agente etiológico desta micose
foi isolado em rato-paca (Proechimys dimidiatus); roedor silvestre comum
naquela área.
38
Zancopé-Oliveira e Wanke (1986), realizaram em área periurbana
do Município do Rio de Janeiro (localidade de Rio da Prata) inquérito
epidemiológico com histoplasmina em 470 escolares, com faixa etária entre
5 a 14 anos, encontrando 19,6% de positividade. Neste mesmo trabalho, a
autora, realizou inquérito epidemiológico empregando paracoccidioidina em
455 crianças da mesma região. A leitura foi realizada em 433 crianças,
apresentando 9,2% de positividade (40 reações).
Severo et al. (2001), relataram a endemicidade da HP no Estado
do Rio Grande do Sul, particularmente na região do Vale do Rio Jacuí.
Segundo o autor, H. capsulatum tem sido isolado do solo e 89% da
população masculina jovem desta região apresenta positividade ao teste
cutâneo com histoplasmina.
Cury et al. (2002), descreveram casos de HP pulmonar aguda
desenvolvida por quatro indivíduos que freqüentavam cavernas habitadas
por morcegos, na cidade de Pedro Leopoldo, Estado de Minas Gerais.
1.4. Aspectos Clínicos da Histoplasmose
H. capsulatum não é regularmente um microrganismo oportunista,
contudo, nas últimas décadas o aumento de sua incidência tem sido
observado em pacientes imunocomprometidos, entre os quais podem-se
citar aqueles portadores de doenças hematológicas malignas, acometidos
pelo vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/Aids), pacientes
transplantados ou indivíduos que receberam terapias citotóxicas ou
imunossupressoras (Wu-Hsieh e Howard, 1989; Alves, 1996; Lacaz et al.,
1998; Marques et al., 2000; Cury et al., 2001; Negroni, 2001; Lacaz et al.,
2002).
A HP é uma infecção fúngica caracterizada por determinar
variadas
manifestações
clínicas
no
39
hospedeiro,
desde
infecção
assintomática até doença disseminada (Silva et al., 1999; Marques et al.,
2000; Lacaz et al., 2002).
Acredita-se que o mecanismo de infecção do hospedeiro
vertebrado se faça pela via aérea superior, por meio da inalação de
propágulos fúngicos infectantes conhecidos como conídios, que se
instalariam
primeiramente
nos
alvéolos
pulmonares,
invadindo
posteriormente os linfonodos hilo-mediastinais e finalmente disseminando-se
pela corrente sanguínea. Essa fungemia é assintomática e permite que o
agente etiológico parasite todos os tecidos do sistema monocíticohistiocitário, tais como pulmões, fígado, baço, linfonodos e estruturas
linfáticas do tubo digestivo. A partir daí, a resposta tissular do hospedeiro
contra o processo infeccioso vai determinar a extensão da doença. (Silva et
al., 1999 ; Wu-Hsieh e Howard, 1989; Marques et al., 2000; Lacaz et al.,
2002).
A HP clássica, ou seja, a causada pelo H. capsulatum var.
capsulatum pode se manifestar como: HP infecção e HP doença (Eissenberg
e Goldman, 1991; Lacaz et al., 2002).
1.4.1. Histoplasmose Infecção
A gravidade da doença em indivíduos imunocompetentes parece
estar relacionada ao número de microaleuroconídios inalados. Nestes
indivíduos, o processo infeccioso se estabelece após o microrganismo
conseguir escapar do sistema de defesa inato imposto pelo tecido
hospedeiro. Estima-se que cerca de 90 a 95% dos indivíduos que inalaram
microaleuroconídios desta espécie fúngica não desenvolvem a doença (WuHsieh e Howard, 1989; Eissenberg e Goldman, 1991; Lacaz et al., 2002).
40
Pode ser dividida em: primo infecção assintomática e infecção
pulmonar aguda.
A primo infecção assintomática, representa a maior parte das
infecções primárias. Neste caso, o contato do indivíduo com o agente
etiológico
é
evidenciado
apenas
com
a
realização
de
inquéritos
epidemiológicos havendo conversão da reatividade de negativa para positiva
em teste cutâneo, frente a histoplasmima ou aparecimento de calcificações
pulmonares (Eissenberg e Goldman, 1991; Lacaz et al., 2002).
A infecção pulmonar aguda corresponde a primo-infecção
sintomática. É caracterizada por apresentar um amplo espectro de
manifestações clínicas, desde casos que simulam gripe até pneumopatias
agudas graves, com insuficiência respiratória. A tosse é o sintoma
freqüentemente observado na maioria dos casos. Febre com duração maior
que uma semana, astenia, anorexia, dor torácica, cefaléia e mialgias fazem
parte do quadro clínico.
Radiologicamente observam-se infiltrados
intersticiais pulmonares difusos, uni ou bi laterais, pode-se também
encontrar nódulos, únicos ou múltiplos, disseminados em ambos pulmões
com adenomegalia hilar e/ou mediastinal. Essa forma clínica é autolimitada e
a involução das lesões ocorre de um até três meses, deixando como
seqüelas calcificações pulmonares e extra- pulmonares (Eissenberg e
Goldman, 1991; Alves, 1996).
1.4.2. Histoplasmose Doença
1.4.2.1. Histoplasmose Disseminada
A HP disseminada é uma doença rara que apresenta evolução
potencialmente fatal decorrente da deficiência da imunidade celular do
41
hospedeiro, devendo ser relacionada a infecções oportunistas. São descritos
três grupos de possíveis hospedeiros: as crianças com imaturidade
imunológica, imunossuprimidos e um grupo sem deficiência imune
mensurável pelos métodos atuais (Lacaz et al., 1999; Silva et al., 1999).
A presença do fungo observado em exame de sangue periférico
ou anátomo-patológico e seu desenvolvimento em cultura desempenha
papel fundamental para o diagnóstico dessa forma da doença (Silva et al.,
1999; Lacaz et al. 2002).
1.4.2.2. Histoplasmose Disseminada Aguda
Observa-se essa forma na primeira infância, em algumas áreas
de alta endemicidade e em pacientes com comprometimento da imunidade
celular, especialmente naqueles indivíduos acometidos por leucose, linfomas
e Aids. Clinicamente predominam as manifestações gerais de um processo
infeccioso severo: febre elevada, perda ponderal, astenia, diarréia, vômitos,
hepatoesplenomegalia, adenomegalias generalizadas e lesões cutâneas,
com meningoencefalite em 20% dos casos. Em crianças e pacientes com
Aids, pode ocorrer coagulação intravascular disseminada. A evolução para
óbito ocorre na totalidade dos casos, em um período de dois a seis meses
(Silva et al., 1999; Alves, 1996; Lacaz et al., 2002; Wheat et al.,2004).
A HP quando está associada a Aids pode apresentar quadro
clínico benigno, moderadamente grave ou grave. Alves (1996), analisou do
ponto de vista clínico e laboratorial, 27 casos de HP disseminada associados
a Aids. Febre, perda de peso, dispnéia, lesões cutâneas disseminadas,
adenomegalia, hepato e esplenomegalia foram evidentes, bem como
infiltrado intersticial difuso dos pulmões. O tratamento, nesses casos, com
drogas antifúngicas podem conduzir a uma cura clínica e micológica.
42
A Aids contribuiu de maneira decisiva para o aumento da
incidência da HP disseminada. Em zonas endêmicas acomete de dois a
cinco porcento dos pacientes com Aids, atingindo nas cidades de grandes
endemias até 25%. O Estado de São Paulo não é considerado zona
endêmica de HP disseminada, entretanto em pacientes com Aids, esta forma
clínica da doença, apresenta elevada letalidade, com grande incidência de
lesões mucocutâneas, podendo apresentar quadro clínico semelhante à
tuberculose miliar, patologia de alta freqüência no país, induzindo os
médicos a pensarem nesta última infecção, não considerando a HP
disseminada no diagnóstico diferencial, conseqüentemente promovendo
prejuízo na instauração do tratamento antifúngico adequado (Alves, 1994;
Lacaz et al., 2002).
1.4.2.3. Histoplasmose Disseminada Sub-aguda
Forma clínica semelhante à aguda, diferenciando-se apenas por
apresentar evolução mais prolongada e deterioração mais lenta do estado
geral do paciente (Wheat et al.,2004).
1.4.2.4. Histoplasmose Disseminada Crônica
É observada com maior freqüência em indivíduos do sexo
masculino, com idade superior a 40 anos, apresentando relação de 12:1 de
incidência/prevalência entre indivíduos do sexo masculino em relação ao
feminino. Geralmente os pacientes apresentam deficiências imunes leves,
produzidas por diferentes fatores, associados ou não, como idade avançada,
alcoolismo crônico, diabetes, tumores sólidos, corticoterapia e linfomas. Os
sinais clínicos mais importantes são astenia, perda de peso e presença de
lesões cutâneas e/ou mucosas.
43
As lesões mucosas são observadas em aproximadamente 90%
dos casos, sendo polimorfas, ulceradas ou úlcero-vegetantes e se situam na
língua, na mucosa oral, na faringe, no septo nasal e na laringe. As lesões
cutâneas são menos freqüentes que as anteriores, sendo descritas em
apenas 10% dos casos. Apresentam-se como úlceras de bordas nítidas,
profundas, com fundo granuloso e pápulas acneiformes, com ápice ulcerado,
pustuloso ou nodoso (Silva et al., 1999; Alves, 1996; Lacaz et al., 2002;
Wheat et al.,2004).
1.5. Resposta Imunológica
1.5.1. Resposta Imune Celular
A resposta imune celular mediada por células T é pré-requisito
indispensável para que o tecido hospedeiro resista ao processo infeccioso
causado por H. capsulatum (Allendoerfer e Deepe,1998). Segundo os
autores, a importância das células T para o hospedeiro humano, pode ser
evidenciada pelo aumento expressivo da susceptibilidade a HP disseminada
observada entre indivíduos HIV positivos ou por aqueles cuja imunidade
celular foi deprimida pelo uso prolongado de agentes supressores.
Willians et al. (1978) apud Allendoerfer e Deepe (1998),
demonstraram que camundongos congenitamente deficientes de células T
são mais susceptíveis a HP. Em adição, Allendoerfer (1998), relata que
camundongos depletados de receptor αβ de célula T (TCR+) sucumbiram à
infecção primária e secundária causada por H. capsulatum.
Sabe-se que os dois maiores fenótipos de células T, CD4+ e
CD8+, desempenham funções distintas durante o processo infeccioso.
Allendoerfer et al. (1998), demonstraram que a depleção de linfócitos T
CD4+ em camundongos infectados experimentalmente com células de H.
44
capsulatum promoveu aumento expressivo da taxa de mortalidade destes
animais. Por outro lado, o mesmo autor observou que a transferência de
clones de células T CD4+ foi capaz de conferir proteção a animais naive
desafiados com leveduras de H. capsulatum.
Deepe (1994), relatou que camundongos knockout para β-2
microglobulina
ou
camundongos
depletados
de
células
T
CD8+
demonstraram nítido clearance de células fúngicas. Baseado no exposto
pode-se dizer que linfócitos T CD4+ são cruciais para a sobrevivência de
hospedeiros infectados por H. capsulatum, enquanto células CD8+ são
necessárias para o clearence dos fungos.
O principal mecanismo pelo qual, células T contribuem para a
resposta imune protetora se dá pela liberação de citocinas, responsáveis
pela ativação dos macrófagos. Das diferentes citocinas secretadas, o IFN-γ
desempenha papel primordial, uma vez que atua inibindo o crescimento
intracelular das células fúngicas, pela limitação do ferro existente no interior
da célula, decorrente provavelmente da síntese do óxido nítrico (Allendoerfer
e Deepe, 1998).
Zhou et al. (1998), demonstraram que a neutralização de IFN-γ
resultou em aumento da taxa de mortalidade de camundongos infectados
por via endovenosa com células de H. capsulatum.
Allendoerfer
e
Deepe
(1997
e
1998),
observaram
que
camundongos naive que apresentaram falha na expressão do gene para
IFN-γ, não foram capazes de controlar a infecção pulmonar provocada por H.
capsulatum.
O papel da IL-12 no mecanismo de proteção contra o processo
infeccioso causado por H. capsulatum, foi estudado por Allendoerfer et al.
(1998), que demonstraram que a neutralização de IL-12 endógena esta
45
associada com o aumento de unidades formadoras de colônias e com a
aceleração do tempo de mortalidade durante a infecção primária.
Allendoerfer et al. (1998), descreveram que a neutralização de
TNF-α, por anticorpo policlonal ou monoclonal anti- TNF-α aumenta a
susceptibilidade da infecção primária e secundária causada pelo H.
capsulatum, promovendo uma aceleração no tempo de mortalidade. O autor
observou
também,
que
a
carga
fúngica
aparece
aumentada
em
camundongos depletados de TNF-α.
Em resumo, a efetividade da resposta imune celular contra o
processo infeccioso causado pelo fungo H. capsulatum depende da
interação de diferentes tipos de citocinas com diferentes componentes
celulares em estágios distintos da infecção.
1.5.2. Resposta Imune Humoral
Pouco se sabe sobre a influência das células B no mecanismo de
proteção do tecido hospedeiro contra o H. capsulatum (Wu-Hsieh e Howard,
1989).
Alguns estudos têm indicado que a transferência de soro
hiperimune não altera o processo infeccioso, Saslow (1956) apud
Allendoerfer e Deepe (1998). Em linha de pesquisa semelhante, Newman et
al. (1990), demonstraram que a opsonização de leveduras com anticorpos
e/ou complemento não promoveu aumento expressivo no mecanismo de
fagocitose.
46
1.6. Tratamento da Histoplasmose
O tratamento das primos-infecções sintomáticas é realizado
empregando-se apenas medidas de suporte ventilatório em indivíduos que
apresentem casos mais graves, visto que o processo infeccioso involue
espontaneamente (Kauffman, 2000).
Segundo Goldman (1994), o emprego de terapia antifúngica só se
justifica, neste grupo, quando os sintomas não regridem após uma a três
semanas de acompanhamento ou quando o paciente necessita de
hospitalização.
O
tratamento
específico
só
é
indicado
em
pacientes
imunodeprimidos, visando principalmente evitar a progressão da doença.
Nestes casos, aplica-se uma série curta de anfotericina B, até completar
dose total de 500 mg, ou cetoconazol, em dose de 400 mg/dia, por seis
meses, ou itraconazol 100 mg/dia, por igual período (Kauffman, 2000).
Nas formas pulmonares crônicas ou disseminadas crônicas, podese indicar derivados imidazólicos, com dose diária em prazos iguais aos
citados anteriormente. Mediante falha terapêutica, com esses derivados, ou
em casos associados à tuberculose ativa, usa-se a anfotericina B, na dose
de 0,7 a 0,8 mg/kg, chegando à dose total/dia de 35 mg/Kg (Kauffman,
2000).
Negroni et al. (1980), utilizaram o cetoconazol no tratamento da
HP, na dosagem de 400 mg diariamente, obtendo bons resultados em 78,5%
(grupo de 13 pacientes).
O tratamento com cetoconazol em pacientes imunocompetentes
com HP pulmonar crônica mostrou-se eficiente em 85% ou com taxa de cura
de 72% (Dismukes, 1995); no entanto quando usada em paciente
47
imunodeprimido, inclusive pacientes com Aids, esta terapia apresentou taxa
de falência em mais de 90% (Wheat et al., 1990).
Nas formas disseminadas agudas, indica-se o itraconazol, na
dose de 200 a 400 mg/dia, por 12 meses, ou anfotericina B, com dose total
de 400 mg/kg (Kauffman, 2000).
Negroni et al (1986), trataram com itraconazol por via oral, 18
pacientes com HP na dosagem de 100 mg/dia durante seis meses e após a
cura clínica na dosagem de 50 mg/dia. Em dois casos com recidivas
anteriores, a medicação foi prolongada por um ano. Ao término do
tratamento, 16 pacientes encontravam-se clinicamente curados, e os dois
restantes exibiam sensível melhora.
Ao se referir ao uso do itraconazol, Wheat (1994), discutiu um
problema de extrema importância, ou seja, a interação medicamentosa entre
este antifúngico e as medicações que aceleram seu metabolismo hepático,
inibindo seletivamente as enzimas P-450 do fígado, provocando falhas no
tratamento, não se alcançando concentrações sanguíneas terapêuticas.
Nos casos associados a Aids, é aconselhável profilaxia
secundária com 100 mg/dia de itraconazol, durante um ano (Kauffman,
2000).
1.7. Diagnóstico Laboratorial da Histoplasmose
1.7.1. Exame Direto
O exame direto para a observação, em microscopia óptica, de
células leveduriformes de H. capsulatum é realizado em material biológico
48
(secreções do trato respiratório, aspirado de medula óssea, esfregaços
sanguíneos periféricos, úlceras bucais, raspados cutâneos, líquor, linfonodo
e urina) fixado em lâminas, por meio de esfregaços e imprints, empregandose as técnicas de colorações de May-Grünwald-Giensa, Wright ou Leishman.
A visualização destas formas fúngicas pode também ser observada em
cortes histológicos, geralmente corada pelas técnicas de HematoxilinaEosina (HE), PAS (Ácido periódico de Schiff) ou Gomori-Grocott (Lacaz et
al., 1984; Rincon, 1989; Lacaz et al.,1998; Sidrim e Oliveira, 1999; KwonChung e Bennett, 1992; Mendes-Giannini e Melhem, 2001; Lacaz et al.,
2002; Artal, 2004).
Nos cortes histológicos corados pela HE, observam-se células de
H. capsulatum var. capsulatum esféricas ou ovais ligeiramente basofílicas,
com 2 a 4 µm de diâmetro, com halo envolvente devido à retração do
citoplasma. Geralmente estas leveduras podem ser encontradas no interior
das células do sistema retículo endotelial ou liberadas, nesse tecido, após
ruptura do citoplasma das mesmas. Raramente encontram-se brotamentos,
mas quando presentes são unipolares (Kwon-Chung e Bennett, 1992; Lacaz
et al.,1998; Mendes-Giannini e Melhem, 2001; Lacaz et al., 2002; Artal,
2004).
Apesar de fornecer diagnóstico precoce, o exame histopatológico
possui menor sensibilidade quando comparado a cultura. Soma-se a este
fato a dificuldade na visualização das leveduras, freqüentemente observada
nos locais onde os laboratoristas têm pouca experiência em identificar o H.
capsulatum, além disto, o estudo morfológico do H. capsulatum nos tecidos
não determina sua identidade, sendo considerado apenas um parâmetro
sugestivo da doença (Almeida e Lacaz, 1947).
Embora as leveduras de H. capsulatum var. capsulatum sejam
visíveis em médio aumento quando coradas pela HE, recomenda-se a
utilização de objetiva de imersão visando o diagnóstico do patógeno,
49
diferenciando-o de protozoários como Leishmania donovani e Toxoplasma
gondii, que apresentam formas intracelulares semelhantes ao H. capsulatum
(Mendes-Giannini e Melhem, 2001, Lacaz et al., 2002; Artal, 2004).
O diagnóstico diferencial do H. capsulatum var. capsulatum é
realizado pelo fato das amastigotas de L. donovani, quando coradas pelo
Giemsa, apresentarem cinetoplasto em forma de bastonete, não sendo
observada esta característica quando submetidas à coloração de HE
(Mendes-Giannini e Melhem, 2001; Lacaz et al., 2002; Artal, 2004). Os cistos
de T. gondii diferenciam-se das células fúngicas de H. capsulatum, por
apresentarem células menores e sem halo claro envolvente, quando coradas
pela HE (Lacaz et al., 2002). Observou-se que estes protozoários não se
coram com corantes específicos (Gridley, PAS, GG) para fungos (MendesGiannini e Melhem, 2001; Lacaz et al., 2002; Artal, 2004).
A análise microscópica das hifas revela estruturas finas e
septadas, das quais se originam lateralmente conidióforos curtos, que
raramente se desenvolvem e em algumas culturas estão ausentes. Os
conídios são de dois tipos: microaleuroconídios e macroaleuroconídios. Os
microaleuroconídios aparecem primeiro, sendo redondos a piriformes,
hialinos (2 a 4 µm), apresentando parede celular lisa e finamente rugosa.
Eles originam-se dos conidióforos ou diretamente da parede de hifas. Os
macroaleuroconídios são redondos podendo ocasionalmente ser oblongos e
ou piriformes (7 a 15 µm), com parede celular espessa, que com o
amadurecimento desenvolvem espículas ou finas projeções na sua
superfície, sendo conhecidos como macroaleuroconídios tuberculados.
Verificou-se que nas amostras de H. capsulatum cultivadas em condições de
anaerobiose, à 27ºC, os macroaleuroconídios tuberculados formam-se em
abundância.
(Rincon, 1989; Sidrim e Oliveira, 1999; Lacaz et al., 1998;
Lacaz et al., 2002).
50
1.7.1.2. Isolamento
Em alguns casos é extremamente difícil diferenciar células de H.
capsulatum var. capsulatum em tecidos, de células de Candida glabrata,
Penicilium marneffei, H. capsulatum var. farciminosum e formas diminutas
de Blastomyces dermatitidis (Mendes-Giannini e Melhem, 2001).
A cultura é o método definitivo no diagnóstico da HP (KwonChung e Bennett, 1992; Yeo e Wong, 2002; Lacaz et al., 2002).
O isolamento do H. capsulatum ocorre à temperatura ambiente
(27º C), em ágar Sabouraud-dextrose, ágar batata ou ágar infusão cérebro
coração (BHI) suplementado com cinco porcento de hemácea de carneiro,
produzindo micélios aéreos brancos com aspecto algodonoso; formando
colônias
branco-creme
a
ocre-marrom,
produzindo
abundantes
macroconídios. A esporulação geralmente está associada com esta
coloração. Estes micélios desenvolvem-se lentamente, requerendo de 10 a
14 dias de incubação para iniciar crescimento, sendo que após varias
semanas de incubação a superfície inteira da base estará recoberta com a
colônia. Com a realização de repiques sucessivos as mesmas tornam-se
brancas, de forma irreversível, não produzindo mais estas estruturas
(Rincon, 1989; Sidrim e Oliveira, 1999; Lacaz et al., 1998; Lacaz et al.,
2002).
A reversão de micélio para levedura é observada em ágar BHI
suplementado com 5 a 10% de sangue ou com soro bovino fetal ou Lcisteina. Neste caso, observa-se macroscopicamente a presença de colônias
sulcadas apresentando tonalidade creme a bege, que pode tornar-se
acinzentada com o tempo de cultura (Fressatti et al., 1992; Alves, 1996;
Lacaz et al., 1998; Wu-Hsieh e Howard, 1989; Lacaz, et al., 2002).
51
Entre as dificuldades de isolamento do H. capsulatum pode-se
citar:
a) o tempo prolongado (duas a seis semanas) necessário para o
isolamento e identificação do agente etiológico, fato este que além de
provocar atraso na liberação do resultado pode ocasionar atraso na
introdução da medida terapêutica específica;
b) prejuízo no isolamento e identificação do fungo, por métodos
tradicionais, a partir de hemocultura, devido estes possuirem pouca
sensibilidade. Para sanar este problema, diversas modificações técnicas
foram introduzidas, visando melhorar a sensibilidade e/ou reduzir o tempo da
cultura. Entre estes se destacam: o meio bifásico (Kiehn et al., 1981), que
elevou a freqüência de isolamento de fungos a partir de sangue de pacientes
infectados; lise-centrifugação (Gill et al.,1984), introduzido no mercado como
DuPont Isolator® System, no qual o microrganismo é liberado a partir de
leucócitos sanguíneos, inativando fatores séricos inibitórios e agentes
microbianos, gerando em conseqüência maior rapidez e sensibilidade na
identificação de fungemias. Além destes, existe a monitoração automatizada
usando o BacT/Alert® System ou o BACTEC® System (Munoz et al, 1990).
A fibrobroncoscopia é um procedimento útil no diagnóstico da HP,
quando o material clínico é processado adequadamente. Unis et al. (2004),
relataram a utilização da fibrobroncoscopia para a obtenção de material
clínico de dez pacientes do sexo masculino, com idade entre 29 e 57 anos,
procedentes do Rio Grande do Sul, com HP disseminada e Aids. A avaliação
micológica foi realizada semeando-se a amostras nos meios Mycosel e ágarSabouraud-dextrose acrescido de 0,01% de cloranfenicol.
Segundo os
autores, a positividade do cultivo para material biológico cultivado em
Mycosel foi 60%, enquanto no ágar-Sabouraud-dextrose-cloranfenicol foi de
apenas 20%, evidenciando a importância do meio seletivo no isolamento do
H. capsulatum de espécimes clínicos potencialmente contaminados,
52
salientando também, a importância das informações clínicas para o
laboratório.
1.7.1.3. Técnicas Sorológicas
O emprego de ensaios sorológicos é de extrema importância no
diagnóstico confirmatório da HP, visto que a demonstração em exame direto
bem como o isolamento e identificação do H. capsulatum muitas vezes
apresenta resultados negativos, principalmente em formas autolimitadas da
doença. Além disso, as provas sorológicas propiciam a obtenção de
resultados em menor tempo quando comparadas as micológicas (Hopwood
e Evans, 1991; Kwon-Chung e Bennett, 1992; Hamilton, 1998; MendesGiannini e Melhem, 2001; Lacaz et al., 2002; Wheat , 2003).
Entre os diferentes ensaios sorológicos existentes, testes como
imunodifusão dupla (Heiner, 1958; Kaufman, 1970; Wheat et al., 1986;
Kwon-Chung e Bennett, 1992; Hamilton, 1998; Hamilton e Gómez, 1998;
Lacaz
et
al.,
2002;
Yeo
e
Wong,
2002;
Wheat,
2003)
contraimunoeletroforese (Kleger e Kaufman, 1973; Wheat et al., 1986; Lacaz
et al., 2002), fixação de complemento (Hopwood e Evans, 1991; Lacaz et al.,
2002) são freqüentemente utilizados para a pesquisa de anticorpos
circulantes anti - H. capsulatum.
Em 1958, Heiner detectou seis faixas de precipitação quando
soros de pacientes portadores de HP foram avaliados pela técnica de
imunodifusão dupla (ID) frente a histoplasmina, preparação antigênica obtida
de filtrado de cultura de células micelianas de H. capsulatum var.
capsulatum. Duas dessas faixas, foram denominadas de M e H, sendo
consideradas suficientes para diagnosticar, com grande margem de
segurança, essa micose. Segundo o autor, a reatividade do soro de paciente
face ao antígeno M sugeria que o indivíduo havia entrado em contato com H.
53
capsulatum ou havia sido imunizado com histoplasmina. A faixa H era
detectável junto com a M na vigência de alguma infecção em curso. O
mesmo pesquisador registrou ainda, que os antígenos H e M contidos no
filtrado de cultura, eram passíveis de separação por eletroforese.
Anticorpos precipitantes anti-M são detectados em até 85% dos
pacientes que apresentam as formas aguda e crônica de HP e podem ou
não estar associados à doença ativa. Indivíduos com reação intradérmica
positiva a histoplasmina, ou com infecção remota, podem apresentar
anticorpos circulantes contra este antígeno (Hopwood e Evans, 1991;
Mendes-Giannini e Melhem, 2001; Yeo e Wong, 2002).
A detecção do antígeno H indica HP ativa, podendo ser
observada até dois anos após a cura clínica do paciente; raramente ocorre
na ausência de M, sendo detectado pela reação de fixação de complemento
(FC),
onde
os
anticorpos
fixadores
do
complemento
podem
ser
demonstrados na maioria dos pacientes com HP, já a partir da quarta
semana após a infecção, sendo, portanto considerada mais sensível do que
a ID (Di Salvo et al., 1986; Mendes-Giannini e Melhem, 2001). O ensaio de
FC é realizado tanto com antígenos da fase miceliana como da fase
leveduriforme de H. capsulatm, apresentando sensibilidade de 90 a 80 %
respectivamente (Mendes-Giannini e Melhem, 2001).
Kleger
e
Kaufman
(1973),
avaliaram
a
técnica
de
contraimunoeletroforese (CIE) objetivando a identificação rápida e específica
das frações H e M de H. capsulatum. Os autores avaliaram 52 soros de
pacientes com HP frente a filtrado de cultura (histoplasmina), demonstrando
que a técnica de CIE foi capaz de identificar anticorpos circulantes anti-H e
anti-M em 81% (42 pacientes). No mesmo estudo, os autores avaliaram o
padrão de reatividade deste antígeno pela ID e FC, obtendo 83% (43
pacientes) e 88% (46 pacientes), respectivamente de positividade.
54
Pizzini et al. (1999), avaliaram a especificidade do ensaio de
Western blot empregando como antígeno, as frações H e M de Histoplasma,
obtidas por cromatografia de troca iônica a partir de filtrado de cultura
(histoplasmina), deglicosiladas pelo tratamento com metaperiodato de sódio.
A análise dos resultados revelou uma maior capacidade discriminatória
desta prova, frente a 20 soros de pacientes com HP pulmonar aguda,
quando comparada às reações de ID e FC freqüentemente utilizadas na
rotina diagnóstica. Os autores demonstraram também que a sensibilidade do
ensaio foi de 100% e a especificidade subiu de 46,1% frente a frações H e M
sem tratamento para 91,2%. Uma das possíveis explicações para este
fenômeno seria a oxidação do antígeno C, fato este que diminuiria a
ocorrência de reatividade cruzada.
O diagnóstico sorológico baseado na pesquisa de anticorpos
circulantes anti-H. capsulatum, apresenta valor limitado em pacientes
portadores de Aids e HP disseminada bem como naqueles pacientes com
manifestações pulmonares severas. Nestes casos, a detecção de antígenos
fúngicos em amostras de soro e urina, assume grande importância
(Hopwood e Evans, 1991; Kwon-Chung e Bennett, 1992; Hamilton e Gomes,
1998; Mendes-Giannini e Melhem, 2001; Yeo e Wong, 2002; Lacaz et al.,
2002).
A detecção de antígenos circulantes empregando-se o RIA
(Radioimmunoassay), realizada em laboratórios de referência, constitui-se
em método estabelecido para o diagnóstico da HP, além de permitir o
acompanhamento da resposta ao tratamento antifúngico instaurado
(Zimmerman et al., 1989; Wheat et al., 1986; Wheat et al., 1996; Durkin et
al., 1997). Uma das vantagens da técnica consiste no fato do congelamento
e o descongelamento do material biológico não afetar a detecção de
antígenos, sendo reprodutível, ter alta precisão e podendo ser utilizado na
identificação de recidivas (Wheat, 1991). Entretanto, a metodologia
apresenta algumas desvantagens entre as quais pode-se citar: a
55
necessidade de radioatividade, que pode não ser facilmente adaptada para
kits e, o emprego de anticorpos policlonais, que tem demonstrado intensa
variabilidade inter ensaio; além de apresentar reatividade cruzada com
outros fungos dimórficos como B. dermatitidis, P. brasiliensis e P. marneffei
(Wheat et al., 1996; Durkin et al., 1997; Wheat et al., 1997; Yeo e Wong,
2002).
Wheat et al. (1986), detectaram utilizando RIA, antígenos
polissacarídeo circulantes, proveniente da parede celular fúngica, em
amostras de soro e urina de 88 pacientes, dentre os quais 16 eram HIV
positivos.
Wheat et al. (1992), empregando a técnica de RIA, detectaram a
presença de antígeno polissacarídico, em lavado bronco-alveolar, em 70%
dos 27 casos de pacientes HIV positivos que apresentavam co-infecção pelo
H. capsulatum com quadro de HP disseminada. Neste mesmo trabalho, os
autores observaram o agente etiológico por microscopia direta em 70% dos
casos analisados, isolando-o em 88,9% dos pacientes.
Zimmerman et al. (1989), compararam a técnica de RIA e ELISA
(Enzyme-linked
immunoassay)
visando
à
detecção
do
antígeno
polissacarídico de H. capsulatum em amostras de urina de pacientes com
HP, indivíduos portadores de outras infecções fúngicas e indivíduos
saudáveis. A sensibilidade das técnicas foi similar em pacientes com a
doença disseminada (89,5% no teste de ELISA e 94,7% em RIA), o mesmo
ocorrendo em relação à especificidade (95%). Os autores concluíram que a
técnica de ELISA apresenta menor sensibilidade quando comparado ao RIA,
podendo apresentar resultados falso-negativos em amostras clínicas que
contenham baixos níveis de antígenos circulantes.
Andreau et al. (1992), padronizaram para o diagnóstico da HP,
uma técnica de micro-ELISA indireta que ofereceu bons resultados, inclusive
56
nos casos comprovados da infecção que apresentavam prova de
imunodifusão negativa.
Torres et al. (1993), avaliaram o uso das técnicas de ELISA e
Western blot para o diagnóstico da HP, verificando que a técnica de ELISA,
usando anti-IgG humana, apresentava sensibilidade de 86% e especificidade
de 91%. Quando utilizaram anti-IgM humana, obtiveram sensibilidade de
66% e especificidade de 100%. Utilizando o Western blot foi possível o
reconhecimento de quatro frações antigênicas, com massa molecular
aparente de 38, 70, 83 e 91 kDa, respectivamente. Os autores concluíram
que ambas as técnicas podem ser empregadas para o diagnóstico
confirmatório da HP.
Gómez et al. (1997), padronizaram um ELISA competitivo para
detecção de antígeno circulante de H. capsulatum, utilizando anticorpo
monoclonal contra a fração antigênica do fungo de 69-70 kDa. Amostras de
soro e urina de pacientes portadores das diferentes formas de HP foram
analisadas, sendo a sensibilidade de 71,4% e especificidade de 85,4%, em
relação a soros de pacientes com outras micoses e 98% com soros
humanos de pacientes normais de áreas endêmicas.
Gómez et al. (1999), utilizando o mesmo antígeno, verificaram a
importância da prova de ELISA de inibição em pacientes imunocompetentes
e com Aids, que apresentavam as diferentes formas clínicas da HP,
demonstrando
a
importância
e
reprodutibilidade
desta
prova
no
acompanhamento destes pacientes.
1.7.1.4. Técnicas Moleculares
O aumento expressivo na incidência de infecções fúngicas
principalmente entre pacientes imunocomprometidos, associado ao fato dos
57
métodos sorológicos apresentarem limitações como a existência de
reatividade cruzada pela presença de epítopos semelhantes entre as
espécies fúngicas, tem reforçado a necessidade da implantação de técnicas
diagnósticas, empregando métodos moleculares, de rápida execução e de
grande acurácia, visando a elucidação de processos fúngicos invasivos (Yeo
e Wong, 2002; Guedes et al., 2003). Os métodos de amplificação e
hibridização do ácido nucléico são de fundamental importância para o
diagnóstico molecular (Yeo e Wong, 2002; Lacaz et al., 2002).
Sandhu et al. (1995), relataram a obtenção de sonda específica
(probe) do H. capsulatum var. capsulatum, com eventual possibilidade de
emprego em materiais clínicos diversos. Nesse estudo a região do gene 28S
do RNAr, de aproximadamente 100 fungos, representando cerca de 50
espécies patogênicas e saprofíticas, foram seqüenciados para produzir
primers universais de PCR e probes de oligonucleotídeos espécieespecíficos para detecção e identificação de fungos de interesse médico.
Estes primers foram testados em material biológico apresentando elevado
nível de especificidade.
Chandrashekar et al. (1997), clonaram e caracterizaram antígeno
recombinate de H. capsulatum visando sua aplicabilidade no diagnóstico da
HP, obtendo um produto (GH17) de 80 bp que codifica um antígeno com
potencial uso no imunodiagnóstico. A análise do produto por Southern blot
indicou que o GH17 encontra-se confinado numa localização simples do
DNA genômico de H. capsulatum. O autor verificou por immunoblotting que
os produtos protéicos do GH17 (expresso como uma proteína de fusão para
β-galactosidase de 140 kDa) foram reconhecidos pela totalidade de soros
avaliados (18 soros de pacientes com HP), não observando reatividade
cruzada frente a soros de pacientes acometidos por outras doenças
fúngicas.
58
Zancopé-Oliveira et al. (1999), clonaram e caracterizaram o
determinante antigênico imunodominante de H. capsulatum, o antígeno M. O
gene do DNA para o antígeno M consiste de 2.187 bp codificando uma
proteína de 80 kDa, e apresenta significante homologia com a catalase de A.
fumigatus. A autora demonstrou a imunoreatividade da proteína de fusão
recombinante frente a anticorpo monoclonal dirigido contra o antígeno M,
anticorpo policlonal anti-M obtido em camundongo e soro de paciente com
HP.
Poonwan et al. (1998), utilizaram a técnica de RAPD (Randon
amplified polymorphic DNA) empregando três diferentes primers, mostrando
que os materiais genéticos (DNA) isolados de 29 amostras de pacientes
eram homogêneos, e com exceção de uma amostra, reconheceram uma
banda de 700 bp, apresentando 100% de sucesso na identificação frente a
amostra de referência, bem como em todos os isolados, demonstrando
assim, a especificidade do primer para identificação do H. capsulatum.
Guedes et al. (2003), utilizou regiões do gene do antígeno M que
apresentavam pouca ou nenhuma homologia para construir quatro
seqüências de oligonucleotídeos para aplicação na técnica de PCR visando
à detecção e identificação de H. capsulatum var. capsulatum. A PCR
identificou corretamente 31 amostras de H. capsulatum var.
capsulatum
isoladas a partir de material biológico humano, animal, ambiental (solo) e
uma amostra de H. capsulatum
var. duboisii. Nenhum produto de
amplificação foi obtido do DNA extraído da amostra fúngica de H.
capsulatum var. farciminosum. A especificidade da técnica de PCR
empregando os primers derivados do antígeno M foi confirmada pela
ausência total de produtos da amplificação quando o DNA genômico de
outras espécies fúngicas foram aplicados na reação. Segundo os autores, a
rapidez, sensibilidade e especificidade desta técnica permite que ela seja
amplamente utilizada na identificação de amostras típicas e atípicas do H.
capsulatum var. capsulatum.
59
1.8. Antígenos de H. capsulatum var. capsulatum
As preparações antigênicas de H. capsulatum var. capsulatum
mais estudadas, são o filtrado de cultura da fase miceliana ou histoplasmina
e o antígeno obtido a partir de células leveduriformes de H. capsulatum (Pine
et al., 1966; Ehrhard e Pine et al., 1972; Reeves et al., 1972; Bradeley et al.,
1974; Gross et al., 1975; Kwon-Chung e Bennett, 1992).
Segundo Ehrhard e Pine (1972), o sucesso da utilização da
histoplasmina, visando o diagnóstico confirmatório da HP, empregando a
prova de imunodifusão dupla (ID) esta intimamente relacionada ao conteúdo
qualitativo e quantitativo dos antígenos H e M, presentes na mesma.
Wiggins e Schubert (1965) apud Ehrhard e Pine (1972),
verificaram em estudo comparativo, que apenas histoplasminas que
apresentavam em sua composição as frações H e M, eram capazes de
reagir pela prova de fixação de complemento (FC) frente a totalidade de
soros de pacientes com HP avaliados. Os autores demonstraram também,
que preparações antigênicas (histoplasmina) constituídas apenas pelo
antígeno H, reagiam somente frente a alguns soros destes pacientes.
Segundo Ehrhard e Pine (1972), a relação dos resultados entre o
crescimento do H. capsulatum, produção de exoantígenos, liberação de
carboidratos, proteínas e ácidos nucléicos, sugerem que a expressão dos
antígenos H e M resultem da autólise celular e sua produção pode ser
diferenciada controlando-se condições como: a correta escolha da amostra,
composição do meio de cultura além de fatores como agitação, temperatura
e pH. Os autores observaram, que o máximo de produção de antígenos H e
M ocorreu antes do máximo de rendimento celular, verificando ainda, que
em geral, a produção de antígeno permanece constante ou aumenta durante
60
o declínio da massa miceliana, concluindo que no processo de autólise
celular há liberação de antígenos H e M.
Gross et al. (1975), concluíram que para melhor avaliar um lote de
histoplasmina é necessário o uso de um soro adequado para demonstrar a
presença dos antígenos H e M, sendo que as características das linhas de
precipitação podem mudar radicalmente devido à concentração do antígeno
ou do soro. Os autores verificaram que a escolha da amostra de H.
capsulatum bem como a quantidade e fase (micélio ou levedura) do inóculo
estão relacionadas à produção de histoplasmina contendo as frações H e M
de H. capsulatum. Segundo os autores, culturas em shaker são preferidas,
por produzir antígeno mais rapidamente, entretanto na sua indisponibilidade
ou falta de volume necessário, pode se utilizar culturas estacionárias
similarmente
inoculadas
com
leveduras,
que
fornecem
resultados
consistentes e de confiança, contudo requerem longos períodos de
incubação, que podem variar de cinco a seis meses.
Reeves et al. (1972), descrevem a produção de antígeno solúvel,
obtido a partir de suspensão de leveduras de H. capsulatum (amostra 6623)
em solução salina contendo mertiolato na concentração de 1:10.000.
Segundo
os
autores,
a
preparação
antigênica
obtida,
apresentou
especificidade e sensibilidade relativamente elevada pela prova de FC,
revelando ainda atividade anticomplementar quando avaliada após ter sido
armazenada a 4º C, por quatro meses.
A ocorrência de antígenos específicos pode separar os fungos a
partir de similaridades morfológicas do Histoplasma com espécies não
patogênicas e justificar sua posição taxonômica. Foram identificadas 143 de
144 culturas submetidas para análise de exoantígenos, quando comparadas
pela identificação morfológica. As formas micelianas do gênero Histoplasma
são caracterizadas pela produção de macroaleuroconídios tuberculados. A
similaridade micromorfológica, referente à produção de microaleuroconídios
61
e ou macroaleuroconídios do Histoplasma, Chrysosporium, Corynascus,
Renispora e Sepedonium dificultam a identificação destes microrganismos.
Isolados atípicos de H. capsulatum, não esporulados e pigmentados podem
ser identificados, utilizando exoantígenos H e M de H. capsulatum, pela
técnica de ID, que é sensível, específica, e de simples execução, permitindo
fazer uma identificação rápida para esta espécie fúngica (Di Salvo et al.,
1980).
Kaufman e Standard (1978), obtiveram exoantígenos de B.
dermatitides, Coccidiodes immits, H. capsulatum e P. brasiliensis, cultivandoos em ágar Sabouraud-dextrose, os quais foram concentrados e avaliados
por ID frente à anti-soros e exoantígenos de referência; não apresentando
reações cruzadas. Os autores concluíram que estes reagentes poderiam
transformar-se em uma importante ferramenta para a identificação
presuntiva de fungos patogênicos, sendo que em 1982, recomendaram o
uso de thimerosal na obtenção desses antígenos (Standard e Kaufman,
1982).
Andreu et al. (1990), obtiveram exoantígenos de 27 amostras de
H. capsulatum, uma de H. capsulatum var. duboisii e três de P. brasiliensis,
cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, a 37o C, por 15 dias e
posteriormente cobertas com solução de mertiolato-borato de sódio 1:5.000
e mantidas a 25o C, por 24 horas, seguindo-se de filtração; avaliando-os por
ID e CIE, frente a soros hiperimunes obtidos em coelhos, encontrando 96%
de positividade para H. capsulatum. Os autores verificaram que os antígenos
eram expressos a partir do 10o dia de cultivo, sendo os melhores resultados
observados no 15o dia. Os autores demonstraram ainda, a especificidade,
rapidez e sensibilidade desta técnica para a obtenção de antígenos bem
como sua utilização na imunoidentificação de amostras fúngicas.
Pine et al. (1966), obtiveram antígenos a partir de 14 amostras de
H. capsulatum, por meio da ruptura das células leveduriformes empregando
62
métodos mecânicos ou extração química, verificando que há produção de
frações solúveis e insolúveis altamente antigênicas. Os autores observaram,
contudo, que as frações solúveis perdem rapidamente a antigenicidade,
ocorrendo redução da atividade de algumas frações particuladas. Neste
mesmo estudo, componentes protéicos da parede celular do H. capsulatum
foram purificados, verificando-se que eram antigênicos, estáveis e com
pouca reatividade cruzada frente a soros heterólogos. Os resultados obtidos
sugerem que o tratamento químico não reduz totalmente a reatividade
cruzada, sendo que as amostras de H. capsulatum tratadas com mertiolato
possibilitaram a obtenção de um antígeno estável e específico.
Markiwitz (1967), produziu antígenos solúveis e particulados, a
partir de diferentes isolados de H. capsulatum, empregando meio Salvin,
cultivando-os por nove meses, a temperatura ambiente. Antígenos assim
preparados foram avaliados frente a soros de pacientes com histoplamose,
soros de camundongos e coelhos imunizados com suspensão de células
leveduriformes (2,2mg/mL), da amostra 6651 de H. capsulatum, avaliados
por ID e FC. A análise dos resultados frente aos anti-soros de camundongos
e coelhos demonstrou que na reação de FC a resposta do anticorpo está
diretamente ligada à dose utilizada na imunização do animal. Em relação
aos soros humanos utilizados no teste de FC quantitativo frente a antígeno
polissacarídico bruto, foi demonstrado que a fixação do anticorpo varia com
o tempo de curso da doença e os soros utilizados. O autor concluiu, que a
expressão dos antígenos está relacionada com as propriedades antigênicas
de cada amostra fúngica. Desta maneira, a observação da persistência de
um tipo específico de anticorpo pode também, estar relacionado à qualidade
da preparação antigênica bem como com a sensibilidade e especificidade do
teste sorológico usado.
Da Mata et al. (2003), caracterizaram exoantígenos de H.
capsulatum obtidos a partir de cultivos em meios de Sabouraud-tiaminaasparagina (STA), pH 6,0 e Smith pH 4,0 e 6,0; em temperatura ambiente.
63
Os autores verificaram que o crescimento ótimo foi obtido em meio STA,
observando fase de latência no 3o dia, seguido por uma fase exponencial no
7° dia e uma estacionária no 11° dia. O antígeno obtido em STA, quando
avaliado frente a soro de pacientes com HP, revelou reatividade contra uma
fração protéica de 97 kDa. Os componentes protéicos apresentaram reações
cruzadas com soros de pacientes com outras micoses, mas não com antisoro de coelho anti-P. brasiliensis e anti-C. immitis.
Negroni et al. (1998), obtiveram e estudaram o perfil de
reatividade de exoantígenos de H. capsulatum a partir de três amostras
recém isoladas, cultivadas em ágar-caldo glicosado a 2%, a 27º C, por sete
dias com posterior incubação em solução de mertiolato-borato de sódio
1:5.000 e fenil-metil-sulfonil-fluorato (PMSF), por 72 horas, a temperatura
ambiente. Após centrifugação o sobrenadante foi armazenado a –20ºC. Os
exoantígenos foram concentrados 25 vezes e a concentração de proteínas
ajustada para 5,5 mg/mL e testados pela técnica de imunodifusão frente a 50
soros: 7 de pacientes HIV negativo e 43 de pacientes HIV positivo, obtendo
um padrão de reatividade de 34,8% de positividade contra 13,9% da
histoplasmina em pacientes HIV positivo e 100% de positividade contra
71,4% da histoplasmina em pacientes HIV negativo.
Garcia et al. (1990), obtiveram exoantígenos utilizando quatro
amostras de H. capsulatum cultivadas em caldo neopeptona, glicose, tiamina
e asparagina (NGTA), a 36ºC, sob agitação constante, por um, dois e três
meses, avaliando-os frente a soro hiperimune anti-H. capsulatum, soros
homólogos e heterólogos de pacientes e antígeno de referência empregando
a técnica de ID. Dos antígenos avaliados, três apresentaram a presença das
frações H e M e um produziu somente a fração H. Dois antígenos
apresentaram reação cruzada frente aos soros heterólogos.
Williams et al. (1991), estudando o antígeno polissacáridico de H.
capsulatum no soro e em tecido, verificaram que o nível do mesmo está
64
relacionado com a gravidade da HP, sendo útil para monitorar a gravidade
da doença e a eficácia da terapia anti-fúngica.
Segundo Green e Pine (1985) e Harris e Deepe (1998), o
antígeno H é uma glicoproteína constituída por 10 a 30% de carboidratos,
apresentando massa molecular de 108 -120 kDa e ponto isoelétrico de 4,5.
Na análise imunoquímica, o antígeno M foi caracterizado como
uma glicoproteína com massa molecular de aproximadamente 70-94 kDa
(Reiss et al.,1986; Hamilton, 1990; Zancopé-Oliveira et al., 1993; ZancopéOliveira et al., 1994) e ponto isoelétrico de 4,7 (Green e Pine, 1985).
Zancopé-Oliveira et al. (1994 a), descreveram que o antígeno M contém
epítopos espécie-específico e epítopos glicosídicos. Segundo ZancopéOliveira et al. (1994 b), os epítopos do peptídeo reagem com anticorpos
humanos não sendo afetados pela deglicolisação.
Visando a purificação das frações H e M de H. capsulatum e sua
aplicação como padrões primários, na prova de ID, no imunodiagnóstico da
HP, Bradley (1974), fracionou em colunas de cromatografia (Sepahadex G100, Sephadex G-200 e DEAE celulose) histoplasmina contendo mertiolato
(1:10.000). As frações foram monitoradas por SDS-PAGE, ID e FC. A
análise dos resultados demonstrou que as frações H e M da histoplasmina
são constituídas por um complexo de pelo menos cinco antígenos H e três
antígenos M. Os autores verificaram ainda, pela técnica de SDS-PAGE, a
presença de um antígeno M com massa molecular superior a 200.000
daltons e dois antígenos H com peso molecular superior a 200.000 daltons,
apresentando essencialmente uma simples banda protéica. Pela ID e FC, foi
possível verificar que as duas frações H e a fração M, quando avaliadas
frente a soros de pacientes com HP, blastomicose e coccidioidomicose,
reagiam apenas com soros de pacientes com HP ou com suspeita clínica de
HP, demonstrando também reatividade contra anticorpos anti- H e anti-M,
respectivamente. Os autores demonstraram ainda, que ambos (H e M)
65
apresentaram em sua composição açúcares como: galactose, glicose,
manose e hexoamina, sendo a manose o açúcar predominante.
Os antígenos H e M de H. capsulatum possuem epítopos
semelhantes aos apresentados pelo antígeno C, uma galactomanana que
causa reatividade cruzada compartilhada pelos principais fungos dimórficos
(Reiss et al., 1986; Zancopé-Oliveira et al., 1994 a).
Zancopé-Oliveira et al. (1994 a), avaliaram por SDS-PAGE e
immunoblot o antígeno M e os produtos obtidos por oxidação e
deglicolização
enzimática,
utilizando
anticorpo
monoclonal
murino
específico. Ao analisar o antígeno bruto, foi verificado uma forte reação
contra a proteína de 94 kDa (antígeno de M). Quando a preparação
antigênica foi submetida ao tratamento com metaperiodato de sódio e
deglicolisação enzimática, observou-se reatividade frente a proteínas de 74,
80 e 88 kDa. Ao avaliar antígenos tratados frente a anticorpo monoclonal
anti-antígeno C, a autora demonstrou que a oxidação promovida pela adição
de metaperiodato de sódio foi capaz de eliminar epítopos, do antígeno C,
presente no antígeno de M.
Zancopé Oliveira et al. (1999), avaliaram molecularmente o
antígeno M identificando a natureza biológica deste. Realizou sua
purificação a partir da histoplasmina, fazendo digestão parcial com
proteinases, e cromatografia para separar os peptídeos liberados. Um
fragmento de 321 bp do gene que codifica o antígeno M foi amplificado a
partir do DNA genômico do H. capsulatum e usado para selecionar uma
biblioteca genômica do DNA fúngico, conduzindo ao isolamento, clonagem,
e seqüênciamento do gene. O gene da fração M consiste em DNA 2.187 bp
que codifica uma proteína de 80,719 Da, que apresenta homologia
significativa a catalase do Aspergillus fumigatus, A. nidulans, A. niger e
Eimericella. A proteína recombinante de fusão era imunorreativa com os
anticorpos monoclonais, anti-soro anti-M e amostra de soro de paciente com
66
HP. O gene que codifica o antígeno imunodominante M do H. capsulatum é
provavelmente uma catalase, proteína recombinante com atividade de
sorodiagnóstico.
67
2.0. RELEVÂNCIA
Nos últimos anos, o estudo de antígenos fúngicos tem assumido
notável importância, principalmente no que diz respeito à aplicabilidade dos
mesmos, como reagentes biológicos na avaliação da resposta imune celular
e/ou humoral de indivíduos acometidos por patologias causadas por agentes
fúngicos.
Uma das motivações para o estudo destes antígenos esta
relacionada as fortes evidências de que os processos infecciosos causados
por fungos patogênicos ou oportunistas passaram a ser considerado grave
problema de Saúde Pública. Postula-se que o aumento expressivo da
incidência de processos infecciosos causados por Candida sp, Aspergillus
sp, Cryptococcus neoformans, H. capsulatum, C. immitis e P. brasiliensis,
espécies
fúngicas
normalmente
pouco
invasivas
para
hospedeiros
imunocompetentes, vem aumentando concomitantemente ao uso de
antibióticos, drogas imunossupressoras, uso prolongado de medicação
administrada por via parenteral, diálise peritoneal, uso de cateteres,
radioterapia e quimioterapia, sendo observado com maior freqüência em
indivíduos portadores de doenças debilitantes como no caso das
imunodeficiências congênitas ou adquiridas entre as quais pode-se citar:
doença granulomatosa crônica, Aids, doenças neoplásicas, Diabetes mellitus
e pacientes transplantados (Marques e Shikanai-Yasuda, 1994; Khoo e
Denning, 1994; Kappe, et al., 1998; Lazzarini-de-Oliveira, 1999; Benard e
Duarte, 2000; Marques et al., 2000; Negroni, 2001; Wanke et.al, 2001).
O diagnóstico laboratorial das infecções causadas por agentes
fúngicos é realizado empregando-se métodos diretos e indiretos. Entre os
primeiros, podemos destacar os exames diretos os quais baseiam-se na
observação, em microscópio óptico, de alguns aspectos morfológicos dos
fungos, a partir do preparo de lâminas contendo material biológico (a fresco
68
ou fixado) como: secreções, raspados de lesões, escarro, lavado brônquico
ou broncoalveolar, pús e biopsias mucocutâneas (Mendes-Giannini e
Melhem, 2001).
Pode-se dizer, que dificuldades no diagnóstico preciso das
micoses estão muitas vezes relacionadas à falta de caracteres clínicoradiológicos diferenciais, principalmente entre as micoses sistêmicas e
outras patologias. Nestes casos, o conjunto de evidências micológicas e
histopatológicas fornecem as únicas bases para a obtenção de um
diagnóstico confiável. Contudo, em algumas situações entre as quais podese citar a falta de técnico com experiência na pesquisa direta de estruturas
fúngicas, compatíveis com Histoplasma e estado físico ou clínico dos
pacientes, tornam-se impossível o acesso ao local da lesão, impedindo
assim a coleta do material biológico.
Deste modo, a pesquisa de anticorpos e antígenos circulantes,
específicos no soro de pacientes, assume grande importância no diagnóstico
indireto (sorológico), sendo comprobatório da infecção (Kaufman e Reiss,
1986; Mendes-Giannini et al., 1989; Ferreira-da-Cruz, 1990; Freitas-da-Silva,
1992; Figueroa, 1994; Hamilton, 1998; Salina, 1998; Sugizaki, 1999; Do
Valle, 2001).
Técnicas sorológicas como ELISA, FC, Imunoeletroforese,
Immunoblotting e Imunodifusão Radial Dupla têm sido utilizadas para a
detecção de anticorpos circulantes em micoses causadas por H. capsulatum,
P. brasiliensis, A. fumigatus, Candida sp, entre outros (Hopwwod e Evans,
1991).
Apesar da disponibilidade de vários ensaios sorológicos, a ID é a
mais utilizada para o diagnóstico confirmatório de micoses como:
histoplasmose, paracoccidioidomicose e aspergilose, uma vez que permite
ao clínico realizar o acompanhamento da evolução da doença bem como o
69
monitoramento da eficácia do tratamento terapêutico por meio da análise da
queda do título de anticorpos circulantes. Além destes aspectos, deve ser
levado em consideração o fato desta metodologia apresentar sensibilidade e
especificidade adequadas, ser de fácil exeqüibilidade técnica e baixo custo
operacional, não necessitando de automação (Ferreira-da-Cruz et al., 1985).
Para a realização desta metodologia, recomenda-se que o
antígeno utilizado para detectar a presença de anticorpos circulantes no soro
de pacientes com suspeita clínica de micoses, como as anteriormente
descritas, seja de fácil obtenção, apresentem estabilidade e especificidade e
principalmente permitam a obtenção de resultados reprodutíveis.
Diante do exposto, fica claro que a obtenção de antígenos de
referência para o uso em ensaios imunológicos é de vital importância. A
obtenção destes antígenos associado a existência de uma metodologia
extremamente
padronizada,
ou
seja,
ID
permitirá
aos
clínicos
e
laboratoristas resultados confiáveis e que possam ser reproduzidos em
qualquer laboratório.
70
3.0. OBJETIVOS
O objetivo deste estudo foi o estabelecimento de um protocolo
definido para a produção de antígeno a partir de amostras de H. capsulatum
var. capsulatum que possa ser utilizado como referência em ensaios
sorológicos que visam o diagnóstico confirmatório da histoplasmose.
Objetivos específicos:
1.
Avaliar os aspectos morfológicos das amostras de H.
capsulatum var. capsulatum a fim de averiguar se a produção de conídios
esta relacionada com a expressão de antígenos H e M;
2.
Avaliar a cinética de crescimento das amostras de H.
capsulatum var. capsulatum como critério de seleção das amostras fúngicas
para a produção de antígenos;
3.
Avaliar antígenos de H. capsulatum var. capsulatum obtidos
segundo Kaufman e Standard (1978), cultivados em ágar Sabourauddextrose, 27o C, durante 15 e 33 dias;
4.
Verificar a presença de antígenos H e M nos diferentes lotes
antigênicos;
5.
Avaliar a sensibilidade e especificidade, pela prova de
imunodifusão dupla, dos diferentes antígenos frente a soros de pacientes
com HP (infecção e doença), soros heterólogos, anticorpos policlonais antiantígeno de H. capsulatum var. capsulatum, anti-antígeno de P. brasiliensis
e anti-antígeno de A. fumigatus;
6.
Avaliar a estabilidade antigênica dos antígenos obtidos.
71
4.0. CONSIDERAÇÔES ÉTICAS
A realização deste projeto de pesquisa foi aprovada pela
Comissão Científica da Divisão de Biologia Médica do Instituto Adolfo Lutz
(IAL) e Comitê Técnico Cientifico (Projeto CTC-IAL # 06/04). [Anexos A]
Seguindo as diretrizes da Resolução 196/96, o referido trabalho
foi submetido e aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa das
Instituições envolvidas no mesmo, a saber:
§
Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Adolfo Lutz (Projeto CTCIAL # 06/04);
§
Comissão de Ética para Análise de Pesquisa do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Projeto #
983/03);
§
Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Medicina Tropical de São
Paulo (Projeto # 10/03). [Anexos B, C e D]
72
5.0. DELINEAMENTO EXPERIMENTAL
Amostras de H. capsulatum var. capsulatum,
cultivadas sem agitação, a 27º C
15 dias
33 dias
90 dias(agar Sabouraud-dextrose)
45 dias (ágar batata)
Obtenção de exoantígeno de
Micromorfologia
H. capsulatum, cultivado em
Macromorfologia
e Curva de
ágar Sabouraud-dextrose,
crescimento
27º C,segundo Kaufman e
Standard (1978).
Ø Dosagem de proteínas
Ø IDD
Ø SDS-PAGE 10%
Ø Imunoblotting
73
6.0. Materiais e Métodos
6.1. Amostras Fúngicas
6.1.1. Amostras de H. capsulatum var. capsulatum
Foram utilizadas as amostras 49, 200, 212, 268, 299, 340, 361,
406, 584, 802, 2030 e RP de H. capsulatum, isoladas de materiais clínicos
de pacientes com HP (Tabela 3), atendidos no Hospital das Clínicas da
Universidade de São Paulo, Centro de Referência para o Tratamento da
Aids (CRTAids) e Instituto de Infectologia Emílio Ribas e enviadas ao
Laboratório de Micologia (LIM-53) do Instituto de Medicina Tropical da
Universidade de São Paulo para isolamento e identificação. As amostras
fúngicas são mantidas na Coleção de Culturas Emergentes do referido
Laboratório na fase filamentosa, em ágar batata [Anexo E, item E.1.1], a
27º C, sendo repicadas a cada três meses.
6.1.2. Amostras de Paracoccidioides brasiliensis
Foi utilizada a amostra 113 de P. brasiliensis, gentilmente cedida
pelo Prof. Dr. Carlos da Silva Lacaz do Laboratório de Micologia Médica
(LIM-53) do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo.
Esta amostra é mantida na Micoteca do Laboratório de Imunodiagnóstico
das Micoses, da Seção de Imunologia do IAL na fase filamentosa em ágar
batata [Anexo E, item 5.2.1], a 27º C, sendo repicada a cada três meses.
6.1.3. Amostras de Aspergillus fumigatus
Foram utilizadas as amostras 354, 456 e 727 de A. fumigatus,
gentilmente cedidas pelo Prof. Dr. Carlos da Silva Lacaz do Laboratório de
74
Micologia Médica (LIM-53) do Instituto de Medicina Tropical da Universidade
de São Paulo. Estas amostras são mantidas na Micoteca do Laboratório de
Imunodiagnóstico das Micoses, da Seção de Imunologia do IAL na fase
filamentosa em ágar batata [Anexo E, item 5.2.1], a 27º C, sendo repicadas
a cada três meses.
6.2. Animais
Coelhos
albinos
da
raça
Nova
Zelândia,
machos
de
aproximadamente quatro meses de idade, oriundos do Biotério do Instituto
Adolfo Lutz, foram utilizados para a obtenção de anticorpos policlonais antiexoantígeno de H. capsulatum, anti-exoantígeno de P. brasiliensis e antiexoantígeno de A. fumigatus.
Os animais foram mantidos no Biotério de Inoculação de Animais,
do referido Instituto, sendo que os procedimentos experimentais realizados
respeitaram a Ética Animal, ou seja, os coelhos não foram submetidos à
situação desnecessária de estress, privação de comida ou água, sendo
garantida a ventilação e luminosidade necessária para o bem estar dos
mesmos.
6.3. Soros
Foram analisados quanto à presença de anticorpos circulantes
anti-H. capsulatum um total de 105 amostras de soros assim distribuídos:
§
15 amostras de soro de indivíduos sadios, doadores de banco de
sangue e gentilmente cedidos pela Fundação Hemocentro de São
Paulo;
75
§
13 amostras de soro de indivíduos com leishmaniose cutânea (07) e
leishmaniose-mucocutânea (06); referentes à demanda de amostras
recebidas pelo Laboratório de Imunologia do Instituto de Medicina
Tropical de São Paulo (LIM 48), para a confirmação sorológica da
doença;
§
22 amostras de soro de indivíduos com histoplasmose, referentes à
demanda
de
amostras
recebidas
pelo
Laboratório
de
Imunodiagnóstico das Micoses da Seção de Imunologia do Instituto
Adolfo Lutz para a confirmação sorológica da doença;
§
07 amostras de soro de três indivíduos com histoplasmose infecção,
oriundos de casos sorologicamente positivos, identificados após um
inquérito
soroepidemiológico
realizado
em
um
grupo
de
15
espeleólogos pelo Laboratório de Imunodiagnóstico das Micoses da
Seção de Imunologia do Instituto Adolfo Lutz;
§
16 amostras de soro de indivíduos com confirmação sorológica de
paracoccidiodomicose
(PCM),
recebidas
pelo
Laboratório
de
Imunodiagnóstico das Micoses da Seção de Imunologia do Instituto
Adolfo Lutz;
§
10 amostras de soro de indivíduos com confirmação sorológica de
aspergilose, recebidas pelo Laboratório de Imunodiagnóstico das
Micoses da Seção de Imunologia do Instituto Adolfo Lutz;
§
11 amostras de soro de indivíduos com suspeita clínica de
histoplasmose e que apresentaram ausência de reatividade ao H.
capsulatum, pela prova de imunodifusão dupla em gel de agarose,
frente a antígenos de referência, recebidas pelo Laboratório de
Imunodiagnóstico das Micoses da Seção de Imunologia do Instituto
Adolfo Lutz;
76
11 amostras de soro de indivíduos que apresentam como hábito
freqüentar cavernas localizadas em diferentes regiões geográficas do
Brasil e que haviam mostrado ausência de reatividade para H.
capsulatum, pela prova de imunodifusão dupla em gel de agarose, frente
a antígenos de referência.
6.3.1. Soro Controle Positivo de Referência
Os diferentes lotes antigênicos produzidos foram avaliados frente
a soro controle positivo de referência anti-H. capsulatum, produzido em
cabra, anti-fração H e M (Immuno-Mycologics, Inc, Norman, USA).
6.3.2. Soros Hiperimunes Obtidos em Coelhos
§
Anticorpo
policlonal
anti-exoantígeno
de
H.
capsulatum
var.
capsulatum obtido em coelho, lote 01/2000, produzido pelo
Laboratório de Imunodiagnóstico das Micoses da Seção de
Imunologia do IAL;
§
Anticorpo policlonal anti-exoantígeno de P. brasiliensis obtido em
coelho, lote 01/2000, produzido pelo Laboratório de Imunodiagnóstico
das Micoses da Seção de Imunologia do IAL;
§
Anticorpo policlonal anti-exoantígeno de A. fumigatus obtido em
coelho, lote 01/2000, produzido pelo Laboratório de Imunodiagnóstico
das Micoses da Seção de Imunologia do IAL;
77
6.4. Aspectos Morfológicos das Amostras de H. capsulatum var.
capsulatum
6.4.1. Cultivo das Células Fúngicas em Tubos
Tubos de ensaio 20 x 200 mm, contendo ágar batata e/ou ágar
Sabouraud-dextrose (Difco Laboratories, Detroit, Mi, USA) , foram inoculados em
três pontos, com inóculos diminutos de amostras de H. capsulatum e
mantidos a 27º C, durante 33 dias. Amostras fúngicas cultivadas nestas
condições
foram
analisadas
quanto
aos
aspectos
macro
e
micromorfológicos.
6.4.2. Cultivo das Células Fúngicas em Placas e Curva de Crescimento
Amostras de H. capsulatum foram inoculadas, no ponto central,
de placas de Petri (90 x 15 mm) contendo 20,0 mL de ágar Sabourauddextrose (Difco Laboratories,
Detroit, Mi, USA),
a 27º C, durante 90 dias. A
análise das macro-colônias orientou-nos na avaliação da velocidade de
crescimento do fungo, diâmetro alcançado, perfil e bordas, textura e
coloração de cada amostra. O exame destas macro-colônias durante o seu
desenvolvimento foi realizado com cuidado, sem inversão da posição das
placas, que estavam sendo incubadas, a fim de evitar a formação de
colônias satélites, que prejudicam o pleno desenvolvimento da colônia
central.
6.4.3. Cultivo em Lâmina
A técnica de cultivo em lâmina, para a o estudo micromorfológico
das amostras de H. capsulatum, foi realizada segundo metodologia proposta
por Riddell (1950).
78
Quinze mililitros de ágar batata foram distribuídos em placas de
Petri estéril, após a solidificação do ágar, com o auxílio de um bisturi
previamente flambado, cortou-se porções de aproximadamente 1,0 cm2 de
ágar, sendo estas distribuídas na superfície central de lâminas de
microscopia dispostas em placas de Petri estéril. A seguir, semeou-se nos
quatro lados do fragmento de meio de cultura pequenos fragmentos de
micélio, cobrindo-o com lamínula estéril. Após esta etapa, fechou-se a placa
de Petri, tomando-se o cuidado de umedecer o ambiente para possibilitar o
desenvolvimento fúngico, incubando o sistema a 27º C. O crescimento
fúngico bem como sua esporulação foi monitorada semanalmente, pela
observação ao microscópio óptico (Olimpus, modelo BX51FL-IV). Após 45
dias de cultura, removeu-se com o auxílio de um estilete flambado, a
lamínula e o fragmento de ágar batata, adicionando-se uma gota de álcool
95% (Merck, Darmstadt, Alemanha) no centro da lamínula e outra no centro
da lâmina, objetivando a melhor penetração do corante. Na superfície central
de uma lâmina de vidro, colocou-se uma gota de azul de algodão e sobre
esta se colocou a lamínula contendo o cultivo. Sobre a lâmina contendo a
outra parte do cultivo, colocou-se outra lamínula de vidro, vedando o sistema
com esmalte de unha. Após a montagem do sistema, examinou-se a
microscopia óptica.
79
Tabela 3. Amostras de Histoplasma capsulatum var. capsulatum
Amostras de H.
capsulatum
Data Isolamento
Tempo em
micoteca (anos)
49
12/02/1996
7
200
14/10/2002
212
Material Biológico
Dados Clínicos dos
Pacientes
Microrganismo Isolado
HIV +
Histoplasma capsulatum e
Cryptococcus neoformans
1
Lavado
broncoalveolar
Sangue periférico
Fragmento de pele
Lesão cutânea
Histoplasma capsulatum
31/10/1996
7
Líquor
HIV +
Histoplasma capsulatum
268
24/02/1997
6
Líquor
HIV+
Histoplasma capsulatum
299
26/03/1997
6
Sangue periférico
HIV+
Histoplasma capsulatum
340
04/06/1997
6
Sangue Periférico
HIV+
Histoplasma capsulatum
6
Fragmento de pele
Lesão cutânea
Histoplasma capsulatum
406
31/071997
29/10/1997
6
Líquor
HIV+
Histoplasma capsulatum
584
20/11/1998
5
Medula óssea
HIV+
Histoplasma capsulatum
802
16/03/2000
3
Urina
Transplantado renal
Histoplasma capsulatum
2030
RP
05/12/2001
02/07/1990
2
13
Sangue periférico
Urina
HIV+
Diabetes mellitus
Histoplasma capsulatum e
Cryptococcus neoformans
Histoplasma capsulatum
361
HIV: Vírus da Imunodeficiência Humana
6.5. Meios de Cultura
Os meios de cultura utilizados para o desenvolvimento deste
trabalho, suas respectivas formulações e modo de preparo encontram-se
descritos no Anexo 5.
6.6. Antígenos Fúngicos
6.6.1. Antígeno de H. capsulatum var. capsulatum
A obtenção de antígenos de H. capsulatum foi realizada segundo
metodologia proposta por Kaufman e Standard (1978), com algumas
modificações.
Desta forma, células micelianas de cada uma das doze
amostras de H. capsulatum, mantidas em ágar batata a 27º C, foram
primeiramente adaptadas em ágar Sabouraud-dextrose (Difco Laboratories,
Detroit, Mi, USA), com repiques mensais, mantendo-se esta mesma
temperatura, durante quatro meses. Após o período de adaptação, realizouse a expansão das culturas fúngicas, onde cada amostra foi semeada em 50
tubos de ensaio (20 x 200 mm) contendo 20,0 mL de ágar Sabourauddextrose (Difco Laboratories, Detroit, Mi, USA), sendo incubada a 27º C por
15 e 33 dias. Finalizado o período de incubação, as culturas foram cobertas
com solução de borato-thimerosal a 1:5000 e deixadas em repouso por 24
horas a 27º C. Em seguida os sobrenadantes foram coletados e filtrados, em
papel Whatman® número 03 (Whatman, Brentford, Reino Unido) e os
sobrenadantes concentrados 10 e 20 vezes por liofilização (Edward’s –
Super Modulyo), sendo armazenados a -20ºC até o momento do uso.
O meio de cultura e a solução utilizada para o preparo do
antígeno de H. capsulatum encontram-se descritos nos ANEXO E (itens
E.1.1. e E.2.1) e ANEXO F, respectivamente.
82
6.6.2. Antígeno de P. brasiliensis
A obtenção do Antígeno de P. brasiliensis foi realizada segundo
metodologia proposta por Garcia (1993). Após a reversão para a fase de
levedura células da amostra 113 de P. brasiliensis cultivadas em quatro
tubos (18 x 180 mm) contendo 10,0 mL de ágar NGTA (neoptona-glicose,
tiamina e asparagina), a 36º C por sete dias, foram transferidas para frascos
de 500,0 mL tipo Erlenmeyer, contendo 250,0 mL de caldo NGTA, sendo
incubadas em estufa contendo plataforma de agitação orbital, por 20 dias, a
36o C, com rotação constante de 50 rpm (Incubadora com plataforma de
agitação orbital, modelo 430D, Nova Ética, Vargem Grande Paulista, São
Paulo, Brasil). Após o período de incubação, o crescimento fúngico foi
interrompido pela adição de solução borato-thimerosal 1:5000 e o cultivo
mantido em repouso por cinco dias a 4ºC. Após esta etapa, as leveduras
foram separadas por filtração em papel Whatman® número 03 (Whatman,
Brentford, Reino Unido). O sobrenadante foi aliquotado e armazenado a 4ºC
até o momento do uso.
O meio de cultura e a solução utilizada para o preparo do
antígeno de P. brasiliensis encontram-se descritos nos ANEXO E (item
E.4.1) e ANEXO F, respectivamente.
6.6.3. Antígeno de A. fumigatus
Para a obtenção deste antígeno, o crescimento fúngico de sete
dias de quatro tubos contendo células micelianas das amostras 354, 356 e
727 de A. fumigatus crescidos em ágar Sabouraud-dextrose (Difco
Laboratories, Detroit, Mi, USA), a 27°C, foram inoculados em frascos de
500,0 mL tipo Erlenmayer contendo 250,0 mL de caldo Sabouraud-dextrose
(Difco Laboratories, Detroit, Mi, USA) e incubados por 30 dias, a 27°C, em
fase estacionária. Após este período, as culturas foram inativadas pela
83
adição de solução thimerosal 1:5000 e deixadas em repouso durante cinco
dias a 4oC. Em seguida foram filtradas em papel Whatman® número 03
(Whatman, Brentford, Reino Unido), e os sobrenadantes concentrados 10
vezes por liofilização (Edward’s–Super Modulyo), sendo armazenados a 20ºC até o momento do uso.
O meio de cultura e a solução utilizada para o preparo do
antígeno de A. fumigatus encontram-se no ANEXO E (item E.2.1) e ANEXO
F.
6.6.4. Antígenos de Referência de H. capsulatum var. capsulatum
Foram utilizados como antígenos de referência de H. capsulatum,
o antígeno (H e M) de H. capsulatum da Immuno Mycologics, Inc.,
Norman,USA e filtrado de cultura de H. capsulatum produzido pela
Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista de
Araraquara.
6.7. Determinação da Viabilidade Fúngica
A determinação da viabilidade dos fungos P. brasiliensis e A.
fumigatus foi realizada inoculando amostras das culturas inativas pela adição
de solução de thimerosal-borato (1:5000), em ágar Sabouraud-dextrose
(Difco Laboratories, Detroit, Mi, USA) e Ágar infusão-cérebro-coração (BHI)
(Difco Laboratories, Detroit, Mi, USA) deixando-os em cultura estacionária, a
27ºC, por um período de 30 a 45 dias.
84
6.8. Determinação da Esterilidade dos Antígenos Fúngicos
A determinação da esterilidade dos antígenos de H. capsulatum,
P. brasiliensis e A. fumigatus foi realizada inoculando os sobrenadantes de
cultura inativados com solução de thimerosal em ágar Sabouraud-dextrose
(Difco Laboratories, Detroit, Mi, USA) e ágar BHI (Difco Laboratories, Detroit,
Mi, USA) e deixando-os em cultura estacionária, à temperatura de 36°C por
um período de 30 a 45 dias.
6.9. Determinação de Proteínas dos Antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum
As
concentrações
protéicas
dos
antígenos
obtidos
foram
realizadas segundo método proposto por Bradford (1976), que utiliza
Coomassie Brilliant Blue G-250 (Sigma-Aldrich Co., St. Louis, Missouri, USA)
como reativo e albumina bovina (Sigma-Aldrich Co., St. Louis, Missouri,
USA) 1,0 mg/mL como padrão.
O preparo do reativo de Coomassie Brilliant Blue encontra-se
descrito no Anexo G.
6.10. Imunodifusão Dupla em Gel de Agarose (ID)
Esta metodologia proposta por Ouchterlony (1949), foi utilizada
para verificar a reatividade dos diferentes antígenos de H. capsulatum frente
a soros de pacientes portadores de histoplasmose doença e infecção,
paracoccidioidomicose, aspergilose, leishmaniose cutânea e muco-cutânea,
soros de indivíduos com suspeita clínica de histoplasmose e não reagentes
pela prova de imunodifusão frente a antígeno de referência (ImmunoMycologics,
Inc,
Norman,
USA),
soros
85
de
indivíduos
que
visitam
freqüentemente cavernas, soros de indivíduos sadios e soros hiperimunes
produzidos em coelhos anti-antígeno de H. capsulatum, anti-antígeno de P.
brasiliensis e anti-antígeno Aspergillus fumigatus, bem como frente a soro
controle positivo de referência anti-H. capsulatum (Immuno-Mycologics, Inc,
Norman, USA).
Lâminas de vidro (26x75 mm) foram primeiramente revestidas
com 1,0 mL de solução de ágar a 1%. Estas foram então recobertas com 3,0
mL de solução de ágar-citrato e deixadas em câmara úmida, até a
solidificação da agarose. O gel foi escavado com auxílio de molde em forma
de roseta (Bioficina-Indústria e Comércio de Aparelhos Laboratoriais São
Paulo-Brasil), contendo um orifício central e seis laterais, sendo o excesso
do gel retirado empregando-se pipeta Pasteur acoplada a bomba de vácuo
(DIA-PUMP Compressor, FANEN, São Paulo, Brasil). Após a aplicação dos
reagentes nos orifícios, as lâminas foram incubadas em câmara úmida, à
temperatura ambiente, por 48 horas. Após esse período, com o auxílio de
negatoscópio, realizou-se a leitura para verificação de linhas de precipitação.
As lâminas de vidro foram lavadas por 45 minutos em solução citrato de
sódio 5% seguindo-se de sucessivas lavagens, por 24 horas, em solução
salina. Ao fim dessa etapa, os orifícios foram recobertos com solução de
ágar 1% e as lâminas levadas para secar em estufa a 60°C (FANEN, São
Paulo, Brasil). Após secagem, as lâminas foram coradas pelo Coomassie
Brilliant Blue R (Sigma-Aldric Co., St. Louis, Missouri, USA), durante 10
minutos e em seguidas descoradas. A leitura definitiva foi então realizada.
As soluções, tampões, corantes e descorantes utilizados na
técnica de ID encontram-se nos ANEXO H.
86
6.11. Análise do Perfil Eletroforético dos antígenos de H. capsulatum
var. capsulatum
6.11.1. SDS-PAGE
Os
procedimentos
para
eletroforese
vertical
em
gel
de
poliacrilamida contendo dodecil sulfato de sódio (SDS) (Sigma-Aldrich
Co.,St. Louis, Missouri, USA) foram conduzidos segundo metodologia
proposta por Laemmli (1970), com gel de separação linear a 10% e gel de
empilhamento a 3% de acrilamida com espessura de 1,0 mm; empregando
equipamento Mini-Protean II Electrophoresis Cell (Bio-Rad Laboratories, Inc.,
Hercules, Califórnia, USA).
As diferentes preparações antigênicas foram denaturadas por
aquecimento a 100º C por 5 minutos em tampão de ruptura (62 mM de TrisHCl pH 6,8 contendo 0,2% (p/v) de SDS, 50 mM de 2-mercaptoetanol
(Sigma-Aldrich Co., St. Louis, Missouri, USA), 0,005% de azul de bromofenol
(Sigma-Aldrich Co., St. Louis, Missouri, USA) e 10% (v/v), de glicerol
(Sigma-Aldrich Co., St. Louis, Missouri, USA), em água deionizada), sendo
aplicadas 30 µL de antígeno em cada orifício para visualização do padrão
protéico de migração dos mesmos; e para a transferência (western Blotting),
250 µL de antígeno em cada mini-gel, quando utilizou-se pente preparativo.
A corrida eletroforética foi realizada com diferença de potencial de
100 V para percorrer o gel de empilhamento e 120 V para percorrer o gel de
separação, empregando-se fonte (Hoefer Power supply, modelo SX 250,
Hoefer Pharmacia Biotech Inc., São Francisco, Califórnia, USA).
Para cada corrida eletroforética foi utilizado padrão de baixo peso
molecular (PM), composto de: MBP-β-galactosidase (175.000 Da), MBPparamiosina (83.000 Da), desidrogenase glutâmica (62.000 Da), aldolase
(47.500 Da), triose-fosfato-isomerase (32.500 Da), β- lactoglobulina A
87
(25.000 Da), lisozima (16.500 Da) e aprotinina (6.500 Da) (New England
Biolabs Inc., Woburn, Massachussetts, USA).
A partir da análise da migração destes padrões, as massas
moleculares das proteínas fúngicas foram calculadas.
Ao término da corrida eletroforética, para visualização das bandas
protéicas o gel foi corado pelo Coomassie azul brilhante (Sigma-Aldrich Co.,
St. Louis, Missouri, USA).
As soluções, tampões e corantes utilizados na técnica de
eletroforese em gel de poliacrilamida encontram-se no ANEXO I.
6.11.2. Immunoblotting
A transferência eletroforética de proteínas contidas em géis de
poliacrilamida para membranas de nitrocelulose foi executada conforme
metodologia descrita por Towbin et al. (1979), usando equipamento TransBlot System (Bio-Rad Laboratories, Inc., Hercules, Califórnia, USA).
Após a eletroforese, os géis foram apostos sobre membranas de
nitrocelulose de 0,22 µm (Sigma-Aldrich Co. St. Louis, USA), recobertos com
papel de filtro e comprimidos com esponjas de poliuretano. Todo o material
utilizado foi previamente embebido em tampão de transferência constituído
por 25 mM de Tris-HCl, glicina 192 mM e metanol 20% (v/v), sendo em
seguida, encaixados em placas acrílicas perfuradas e mergulhadas na cuba
de eletroforese contendo o mesmo tampão.
A
transferência
foi
realizada
empregando-se
amperagem
constante de 150 mA por 3 horas, em banho de gelo. Após a transferência,
para verificar a eficácia do processo, as membranas foram coradas com
88
Ponceau-S (Sigma-Aldrich Co. St. Louis, Mo, USA) por 10 minutos e
descoradas em água bidestilada.
As
membranas
contendo
as
proteínas
transferidas
foram
identificadas, cortadas em tiras, de aproximadamente 0,5 cm, e incubadas
por 1 hora, a temperatura ambiente, em solução salina tamponada com
fosfato (PBS) pH 7,4 contendo 5% de leite desnatado (Molico, Nestlé, São
Paulo, BR), para a saturação dos sítios inespecíficos; em plataforma
agitadora para blotting (Bioficina-Indústria e Comércio de Aparelhos
Laboratoriais São Paulo-Brasil).
Em seguida, as fitas foram depositadas em canaletas e incubadas
com soros de pacientes com HP doença e infecção, soros de indivíduos com
suspeita clínica de HP e não reagentes para H. capsulatum pela técnica de
ID, soros de pacientes com PCM e aspergilose, soros de indivíduos
saudáveis, soros de indivíduos com leishmaniose, soros de indivíduos que
freqüentam cavernas e não reagentes para H. capsulatum pela técnica de ID
e com soro hiperimune obtidos em coelhos anti-exoantígeno de H.
capsulatum var. capsulatum. Os soros foram aplicados sobre as membranas
no volume final de 1,0 mL na diluição de 1:100 em tampão PBS pH 7,4.
Nesta etapa o ensaio foi realizado a temperatura ambiente sob agitação
constante (Plataforma agitadora para blotting, Bioficina-Indústria e Comércio
de Aparelhos Laboratoriais, São Paulo-Brasil),
por 18 h. Finalizado o
período de incubação, as fitas de nitrocelulose foram lavadas por seis vezes
de 10 minutos cada em solução PBS acrescida de 0,1 % de Tween 20 [PBST] (Sigma -Aldrich Co. St. Louis, Mo, USA).
Após esta etapa, as membranas foram incubadas com soro antiIgG conjugado à peroxidase ou fosfatase alcalina espécie-específico (SigmaAldrich Co. St. Louis, Mo, USA), diluído a 1:1000 e mantidas por 2 h sob
agitação constante (Plataforma agitadora para blotting, Bioficina-Indústria e
Comércio de Aparelhos Laboratoriais, São Paulo-Brasil), a temperatura
89
ambiente, protegidas da luz, sendo em seguida lavadas por seis vezes de 10
minutos cada, em solução PBS-T .
O desenvolvimento da cor da reação foi obtido empregando-se
solução de 4-cloro-1naftol (Sigma-Aldrich Co. St. Louis, Mo, USA) ou Nitro
Blue Tetrazolium (NBT) e 5-Bromo-4Chloro-3-Indolyphosphate (BCIP)
(Sigma-Aldrich Co. St. Louis, Mo, USA), na dependência do conjugado
empregado. O bloqueio da reação foi feito por lavagens sucessivas em água
bidestilada.
As soluções, tampões e corantes utilizados no ensaio de
Immunoblotting encontram-se no ANEXO I.
6.11.3. Determinação do Peso Molecular
Os pesos moleculares (PMs) das bandas protéicas foram
determinados colocando seus Rf(s) (Referent front) na curva de calibração
construída com os padrões de PM (New England Biolabs Inc., Woburn,
Massachussetts, USA). A curva foi traçada em papel monolog, colocando-se
os valores dos padrões de PM no eixo das ordenadas e os valores
calculados no eixo das abscissas.
Rf = distância em mm da migração de cada padrão ou amostra
dividido pela distância em mm da migração do corante azul brilhante-R.
6.12. Antissoros
6.12.1. Soro de Coelho Anti-antígeno de H. capsulatum var. capsulatum.
Coelhos albinos foram imunizados por via subcutânea com 100ug
de filtrado de cultura de H. capsulatum, gentilmente cedido pelo Laboratório
90
de Micosorologia do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, em quatro
sítios distintos, com adjuvante completo de Freund (Sigma-Aldrich Co. St.
Louis, Mo, USA) na proporção 1:1 na primeira imunização e com adjuvante
incompleto de Freund (Sigma-Aldrich Co. St. Louis, Mo, USA) nas
subseqüentes, repetidas a cada semana, por um período de 30 dias.
6.12.2. Soro de Coelho Anti-exoantígeno de P. brasiliensis e Antiexoantígeno de A . fumigatus
Foi seguido o mesmo protocolo descrito no item 6.12.1.
6.13. Purificação de Imunoglobulinas
A purificação das imunoglobulinas foi realizada a partir do soro de
animais previamente imunizados, seguindo-se a metodologia proposta por
McKinney e Parkinson (1987).
Após o término do protocolo de imunização, procedeu-se sangria
teste para verificação da reatividade dos soros dos animais frente a
antígenos espécie-específicos empregando-se a prova de imunodifusão
dupla em gel de agarose. Animais foram então submetidos à sangria total,
por meio de punção cardíaca. Após retração do coágulo, aferiu-se o volume
de soro obtido acrescentando-se tampão acetato pH 4.0, na relação 1:4.
Após novo ajuste do pH da mistura para 4.5, acrescentou-se lentamente 2,5
mL de ácido caprílico (Sigma-Aldrich Co. St. Louis, Mo, USA) para cada
100,0 mL do volume total da mistura, deixando sob agitação lenta por 30
minutos a temperatura ambiente. Findado o período de agitação, a mistura
foi centrifugada a 10.000 x g (Sorvall-Kendro Laboratory Products, USA) a 5º
C por 30 minutos. O sobrenadante foi filtrado em papel Whatman® no 1
(Whatman, Brentford, Reino Unido), acrescentando-se a seguir 1,0 mL de
91
tampão PBS-EDTA 10 vezes concentrado para cada 10,0 mL de
sobrenadante. O pH da mistura foi ajustado, sob agitação, para 7.4,
adicionando-se a seguir 277,0g de sulfato de amônia (Sigma-Aldrich Co. St.
Louis, Mo, USA) para cada 1000,0 mL de sobrenadante, afim de atingir 45%
de saturação; seguindo-se de agitação em banho de gelo por 30 minutos.
Após este período, a mistura foi novamente centrifugada a 10.000 x g
(Sorvall-Kendro Laboratory Products, USA) a 5º C por 30 minutos. O
sobrenadante foi desprezado e o precipitado resultante foi ressuspendido em
25,0 mL de tampão PBS-EDTA. A suspensão foi dialisada em tampão PBSEDTA a 4º C, sob agitação durante 48 horas, procedendo-se troca do
tampão de diálise a cada 4 horas. Após este período, o conteúdo da
membrana de diálise foi retirado e aquecido em banho-maria, por 20 minutos
a temperatura de 50 a 55º C e centrifugada por 20 minutos a 4000 rpm
(Centrífuga Ce-12 Juan Inc, França). O sobrenadante foi filtrado em filtro de
0,22 µm (Millipore), aliquotado e armazenado a -20º C.
6.14.Titulação dos Anti-soros Anti-exontígenos de H. capsulatum var.
capsulatum, P. brasiliensis e A. fumigatus
A titulação dos soros de coelhos anti-exontígeno de H.
capsulatum, P. brasiliensis e A. fumigatus foi realizada pela técnica de ID
(item 6.10).
6.15. Análise Estatística
O cálculo da sensibilidade e especificidade dos resultados
provenientes dos ensaios sorológicos utilizados para a avaliação dos
diferentes antígenos de H. capsulatum, empregando-se a técnica de
imunodifusão dupla, levando-se em consideração o tempo de cultivo das
92
amostras foi realizado pelo Método de Byes (Minitab V13.1 Software-Minitab
Inc., State College, PA).
93
7.0. RESULTADOS
7.1. Aspectos Morfológicos das Amostras de H. capsulatum var.
capsulatum
A análise dos aspectos macromorfológicos das 12 amostras de H.
capsulatum foi realizada avaliando-se o fenótipo das células fúngicas
cultivadas a 27º C em ágar batata e em ágar Sabouraud-dextrose (Tabela 4
e Figura 1 e Figura 2). O padrão micromorfológico foi avaliado nas amostras
mantidas em ágar batata (Tabela 5 e Figura 3).
7.2. Curva de Crescimento das Células Micelinas de H. capsulatum var.
capsulatum e Aspectos Fenotípicos das Colônias Fúngicas
Avaliamos as curvas de crescimento das amostras de H.
capsulatum, em sua fase miceliana, cultivadas em placas de Petri, contendo
ágar Sabouraud-dextrose a 27º C, por 90 dias. A mensuração do diâmetro
das colônias gigantes foi realizada medindo-se dois eixos aleatórios, nos
seguintes dias após a inoculação dos micélios no meio de cultura: 07, 14,
21, 28, 33, 40, 49, 60, 72, 80 e 90 dias sendo que as médias dos diâmetros
foram plotadas para a obtenção da curva de crescimento.
As Figuras 4 A e B, 5 A e B, 6 A e B, 7 A e B, 8 A e B e 9 A e B,
demonstram a cinética de crescimento das amostras de H. capsulatum. A
maioria das amostras fúngicas apresentou crescimento exponencial (fase
log) entre o 40º e 47º dia de cultivo, mantendo-se a partir daí em fase
estacionária. As amostras 268, 361 e 584 apresentaram crescimento
exponencial até o 60º dia e o isolado 406 até o 72º dia de cultura. As
amostras 340 e 2030 entraram em fase estacionária no 33º dia de cultura
(Figura 6B e Figura 9A). Avaliamos também o verso e o anverso das
colônias gigantes, cujas descrições dos aspectos macromorfológicos
seguem descritos (Figura 10 e Tabela 6).
94
Tabela 4. Aspectos macromorfológicos das culturas de H. capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar batata e
ágar Sabouraud-dextrose, 27o C, por 33 dias.
Meios de Cultura
Ágar batata
Culturas de H. capsulatum var. capsulatum
Ágar Sabouraud-dextrose
Textura
Pigmentação
Textura
Pigmentação
49
Cotonosa
Bege
Cotonosa
Branca
200
Cotonosa
Ocre
Cotonosa
Bege
212
Cotonosa/Coreácia
Branca
Cotonosa
Branca
268
Cotonosa
Bege
Cotonosa
Branca
299
Cotonosa
Bege a ocre
Cotonosa
Branca
340
Cotonosa
Bege
Membranosa/Coreácia
Branca
361
Cotonosa
Branca
Cotonosa/Coreácia
Branca
406
Cotonosa
Bege
Cotonosa/Coreácia
Bege clara
584
Cotonosa
Bege
Cotonosa
Branca
802
Cotonosa
Bege
Cotonosa
Branca
2030
Cotonosa
Bege
Cotonosa
Branca
RP
Cotonosa
Bege
Cotonosa/Coreácia
Branca
95
Figura 01. Macromorfologia das culturas 49 (A), 200 (B), 299 (C), 340 (D),
268 (E) e 406 (F) de H. capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar
batata, 27ºC, durante 33 dias.
A
B
C
D
E
F
Figura 02. Macromorfologia das culturas 49 (A), 212 (B), 361 (C), 406 (D),
2030 (E) e RP (F) de H. capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar
Sabouraud-dextrose, 27ºC, durante 33 dias.
96
A
B
C
D
97
E
F
Figura 3. Micromorfologia das amostras 49, 200, 268, 340, 361, 406, 584, 802, 2030 e RP de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar batata, 27o C, por 45 dias
e
d
c
d
c
Hc 49 (400X)
Hc 200 (400 X)
b
Hc 212 (400X)
Hc 268 (400X)
f
d
d
a
Hc 299 (400X)
Hc 340 (400X)
Hc 361 (400 X)
Hc 406 (600X)
d
f
e
d
Hc 584 (600 X)
Hc 802 (400 X)
d
Hc 2030 (400 X)
d
Hc RP (600 X)
a) Hifas hialinas septadas e delgadas; b) hifas hialinas septadas e espessas; c) microaleuroconídios; d)
macroaleuroconídios tuberculados, e) macroaleuroconídios degenerados e f) tubo germinartivo.
98
Tabela 5. Aspectos micromorfológicos, das culturas de H capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar batata, segundo
Ridell (1950), 27º C, por 45 dias.
Culturas de H.
capsulatum var.
capsulatum
49
200
212
268
299
340
361
406
584
802
2030
RP
Hifa
Conídios
Microaleuroconídio
hialina
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
septada
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
delgada
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
espessa
+
-
tubo
germinativo
+
+
-
99
Macroaleuroconídio
hialino
redondo
piriforme
liso
tuberculado
degenerado
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
-
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
-
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
-
Figura 4. Curva de crescimento das amostras 49 (A) e 200 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27o C, durante 90 dias.
70
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 49
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
A
70
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 200
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
B
100
Figura 5. Curva de crescimento das amostras 212 (A) e 268 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27o C durante 90 dias.
70
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 212
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
A
70
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 268
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
B
101
Figura 6. Curva de crescimento das amostras 299 (A) e 340 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27o C, durante 90 dias.
70
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 299
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
A
70
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 340
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
B
102
Figura 7. Curva de crescimento das amostras 361 (A) e 406 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27o C durante 90 dias.
70
50
40
Am 361
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
A
70
60
Média em Diâmetro (mm)
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 406
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
B
103
Figura 8. Curva de crescimento das amostras 584 (A) e 802 (B) de H.
capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose,
27o C durante 90 dias.
70
Crescimento em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 584
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
A
70
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am 802
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
B
104
Figura 9. Curva de crescimento das amostras 2030 (A) e RP (B) de
H. capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabourauddextrose, 27o C durante 90 dias.
Média em Diâmetro (mm)
70
60
50
40
Am 2030
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
A
80
70
Média em Diâmetro (mm)
60
50
40
Am RP
30
20
10
0
7
14
21
28
33
40
47
60
72
80
90
Tempo (dias)
B
105
Figura 10. Anverso e verso das colônias gigantes de H. capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar
Sabouraud-dextrose, 27o C, durante 90 dias.
Isolado 49
Isolado 200
Isolado 212
Isolado 268
Isolado 299
Isolado 584
Isolado 340
Isolado 802
Isolado 361
Isolado 2030
Isolado 406
Isolado RP
106
Tabela 6. Aspectos macromorfológicos das culturas de H. capsulatum var. capsulatum, cultivadas em ágar Sabourauddextrose, a 27ºC, por 90 dias.
Culturas de H.
capsulatum var.
capsulatum
Tipo
Pigmentação
49
Cotonoso
Branco
Sulcos
Plana
Forma
Irregular
Textura
Membranosa
200
Velutíneo
Branco a ocre
Sulcos radiais
Irregular
212
Cotonoso
Branco
Plana
268
Cotonoso
Branco
Salientes com faixas
concêntricas
Semi-elevada,
depressão e saliência
Semi-elevada
299
Velutíneo
Bege
340
Cotonoso
Branco a ocre
Semi-elevada,
depressão e saliência
Plana
361
Cotonoso
Bege
406
Cotonoso
584
Macromorfologia
Textura
Superfície Central
Superfície Mediana
Borda
Pigmentação
Área do
Inóculo
Difusa
Exudato
-
-
-
Ondulada
Ocre
Bege claro
-
Regular
Lisa
Bege
Bege claro
-
Plana
Irregular
Membranosa
Bege
Bege claro
-
Plana
Regular
Membranosa
Bege
-
-
Faixas concêntricas e
sulcos radiais
Regular
Membranosa
Bege
-
-
Saliente e pregueada
(coreácia)
Sulcos intercalados,
micélio membranoso
Regular
Membranosa
Bege claro
-
-
Bege claro
Semi-elevada
Regular
Membranosa
Bege claro
Bege claro
+
Cotonoso
Branco
Saliente
Regular
Membranosa
Bege
Bege
-
802
Velutíneo
Branco
Saliente
Sulcos radiais
seguidas por plana
Sulcos radiais,
seguidas por plana
Plana
Regular
Membranosa
-
Bege claro
-
2030
Cotonoso
Branco
Semi-elevada
Sulcos radiais,
seguidas por plana
Regular
Membranosa
Bege
Bege claro
-
RP
Cotonoso
Bege claro
Semi-elevada
Sulcos radiais
Regular
Membranosa
Bege
Bege Claro
-
107
7.3.
Dosagem
Protéica
dos
Antígenos
de
H. capsulatum
var.
capsulatum
Verificou-se
que
lotes
obtidos
in
natura,
ou
seja,
não
concentrados por liofilização, apresentaram valores sem padrão de leitura.
Antígenos
concentrados
10
vezes,
demonstraram
variabilidade
na
concentração protéica entre 0,77 a 1,88 µg/µL e 0,48 a 1,39 µg/µL, para as
preparações obtidas com 15 e 33 dias, respectivamente. Antígenos
concentrados 20 vezes, apresentaram valores protéicos entre 1,48 a 3,75
µg/µL e 1,01 a 2,82 µg/µL para as preparações antigênicas obtidas com 15 e
33 dias, respectivamente (Tabela 7).
Tabela 7. Dosagem protéica, segundo Bradford (1976), dos antígenos de H.
capsulatum var. capsulatum, 10 e 20 vezes concentrados, cultivados em
ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, por 15 e 33 dias, segundo Kaufman e
Standard (1978).
Antígenos de H.
capsulatum var.
capsulatum
49
15 dias 10 vezes
concentrados
0,77 µg/ µL
15 dias 20 vezes
concentrados
1,48 µg/ µL
33 dias 10 vezes
concentrados
0,78 µg/ µL
33 dias 20 vezes
concentrados
1,60 µg/ µL
200
1,65 µg/ µL
3, 32 µg/ µL
1,39 µg/ µL
2,77 µg/ µL
212
0,85 µg/ µL
1,66 µg/ µL
0,55 µg/ µL
1,12 µg/ µL
268
1,75 µg/ µL
3, 48 µg/ µL
1,19 µg/ µL
2,33 µg/ µL
299
0,92 µg/ µL
1,88 µg/ µL
0,63 µg/ µL
1,33 µg/ µL
340
1,20 µg/ µL
2,28 µg/ µL
1,17 µg/ µL
2, 38 µg/ µL
361
1,19 µg/ µL
2,37 µg/ µL
1,14 µg/ µL
2,30 µg/ µL
406
1,74 µg/ µL
3,48 µg/ µL
1,36 µg/ µL
2,82 µg/ µL
584
1,88 µg/ µL
3,75 µg/ µL
0,48 µg/ µL
1,01 µg/ µL
802
1,19 µg/ µL
2,33 µg/ µL
0,87 µg/ µL
1,77 µg/ µL
2030
1,18 µg/ µL
2,36 µg/ µL
1,18 µg/ µL
2,28 µg/ µL
RP
1,63 µg/ µL
3,18 µg/ µL
1,18 µg/ µL
2,33 µg/ µL
Pool (49,200, 268
e 406)
0,94 µg/ µL
1,92 µg/ µL
1,20 µg/ µL
2,28 µg/ µL
108
7. 4. Screening dos Antígenos de H. capsulatum var. capsulatum
A seleção dos antígenos obtidos a partir de culturas de H.
capsulatum mantidas em ágar Sabouraud-dextrose, a 27º C por 33 dias,
segundo a metodologia proposta por Kaufman e Standard (1978), foi feita
analisando-se a reatividade dos mesmos, pela técnica de imunodifusão
dupla em gel de agarose (ID) frente a anticorpos policlonais, produzidos em
coelhos, anti-antígeno de H. capsulatum, anti-fração H e M de H.
capsulatum, anti-exoantígeno de P. brasiliensis e anti-exoantígeno de A.
fumigatus.
As preparações antigênicas foram avaliadas em três condições
distintas: antígenos in natura, ou seja, não concentrados e antígenos
concentrados 10 e 20 vezes por liofilização.
A análise dos resultados demonstrou que antígenos produzidos a
27º C em ágar Sabouraud-dextrose durante 33 dias e concentrados 20
vezes, apresentou melhor padrão de reatividade quando comparado a
preparações antigênicas in natura ou concentradas 10 vezes por liofilização
(Tabela 8, Tabela 9 e Tabela 10). Observou-se, que 100 % dos antígenos de
H. capsulatum que foram 20 vezes concentrados, apresentaram linhas de
precipitação bem definidas e de forte intensidade (Figura 11), frente a
anticorpo policlonal anti-antígeno de H. capsulatum, sendo que os obtidos
das amostras 268, 299, 361, 406, 584 e RP apresentaram duas linhas de
precipitação (Tabela 10 e Figura 11). Apenas 25 % dos antígenos de H.
capsulatum 10 vezes concentrados (361, 406 e 584) reagiram frente a
anticorpo policlonal espécie-específico, não sendo possível detectar linha de
precipitação para antígenos in natura (Tabela 8 e Tabela 9).
Oitenta e três porcento dos antígenos (49, 200, 268, 299, 361,
406, 584, 802, 2030 e RP), 20 vezes concentrados, reagiram frente a
anticorpo policlonal anti-fração H e M de H. capsulatum, sendo que os
109
antígenos obtidos a partir das amostras 49 e 200 apresentaram linhas de
precipitação de forte intensidade (Tabela 10).
Não se observou linha de precipitação, quando os antígenos
foram avaliados frente à anti-soros heterólogos (Tabela 10).
Baseados nos resultados apresentados na Tabela 10 e Figura 11
verificou-se que das 12 amostras fúngicas empregadas para a produção de
antígenos de H. capsulatum, 10 podem ser consideradas fortes candidatas
como amostras a serem aplicadas na produção destes reagente biológicos,
visto que revelaram bom potencial antigênico. Apenas as amostras 212 e
340 podem ser excluídas deste estudo, visto que não demonstraram bom
perfil de reatividade frente a anticorpos policlonais espécie-específico em
nenhuma das concentrações estudadas.
Diante do exposto, empregou-se como critério de seleção os
seguintes parâmetros: presença de duas linhas de precipitação frente aos
anticorpos policlonais espécie-específicos e intensidade e nitidez das linhas
formadas. Assim, foram escolhidas para dar continuidade a este estudo, as
amostras 49 e 200 por terem formado linhas de precipitação de forte
intensidade e bem definidas frente a anticorpo policlonal anti-antígeno de H.
capsulatum (Tabela 10 e Figura 11) e anticorpo policlonal anti-fração H e M
de H. capsulatum (Tabela 10) e as amostras 268 e 406 por terem
apresentado duas linhas de precipitação frente ao anticorpo policlonal antiantígeno de H. capsulatum e linhas de forte intensidade frente a anticorpo
policlonal anti-fração H e M (Tabela 10).
Tendo em vista os resultados promissores obtidos com antígenos
produzidos com 33 dias de cultura, avaliou-se também, o efeito da
diminuição
do
tempo
de
incubação
das
células
fúngicas
na
liberação/produção de determinantes antigênicos, empregando as quatros
amostras selecionadas.
110
Desta forma, lotes antigênicos produzidos a partir das amostras
49, 200, 268 e 406 incubados em ágar Sabouraud-dextrose a 27o C, por 15
dias foram avaliados in natura, 10 e 20 vezes concentrados, quanto ao
padrão de reatividade por ID, frente a anticorpos policlonais produzidos em
coelhos anti-antígeno de H. capsulatum, anti-fração H e M de H. capsulatum,
anti-exoantígeno de P. brasiliensis e anti-exoantígeno de A. fumigatus.
A análise dos resultados mostrou que antígenos, produzidos com
15 dias de cultura, in natura não apresentou reatividade frente aos
anticorpos
policlonais
espécie-específicos.
Quando
as
preparações
antigênicas foram 10 vezes concentradas por liofilização, observou-se
reatividade de fraca intensidade frente aos anticorpos anti-antígeno de H.
capsulatum e que apenas os antígenos obtidos das amostras 49 e 406
reagiram fracamente frente ao anticorpo policlonal anti-fração H e M.
Quando concentrados 20 vezes, verificou-se melhora substancial do padrão
de reconhecimento dos antígenos produzidos a partir das amostras 49 e
200, que apresentaram a formação de duas linhas de precipitação e para o
antígeno produzido a partir da amostra 406 de H. capsulatum, que
apresentou melhora na intensidade da linha de precipitação formada. Tendo
em vista, o baixo desempenho da preparação antigênica obtida a partir da
amostra 268, optou-se por concentrar ainda mais as mesmas. Desta forma,
os lotes antigênicos foram concentrados 30 vezes, concentração esta que
manteve para os antígenos obtidos das amostras 49, 200 e 406 o padrão de
reatividade demonstrado para as preparações 20 vezes concentradas. Nesta
condição, o antígeno obtido da amostra 268 reagiu frente a anticorpo
policlonal anti-antígeno de H. capsulatum, contudo não apresentou
reatividade frente anticorpo policlonal anti-fração H e M (Tabela 11).
Não se observou reatividade cruzada frente a anticorpos
policlonais anti-exoantígeno de P. brasiliensis e anti-exoantígeno de A.
fumigatus para nenhuma das concentrações avaliadas.
111
Antígenos de H. capsulatum obtidos com 33 dias de cultivo foram
avaliados frente à amostra de soro de paciente com histoplasmose doença e
amostra de soro de indivíduo com HP infecção. Verificou-se que 58,3% das
preparações antigênicas, obtidas das amostras 49, 200, 212, 406, 802, 2030
e RP, reagiram frente a soro de histoplasmose doença. Quando analisados
frente a soros de pacientes com histoplasmose infecção observou-se 100%
de reatividade, sendo que 58,3 % dos antígenos obtidos a partir das
amostras 49, 200, 212, 406, 802, 2030 e RP, apresentaram linhas de
precipitação de forte intensidade e 41, 6% reagiram fracamente frente à
amostra de soro (Tabela 12).
112
Tabela 8. Screening dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, in natura, obtidos segundo Kaufman e Standard
(1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, durante 33 dias.
Antígenos de H.
capsulatum var.
capsulatum
Ac poli anti- antígeno
de H. capsulatum var.
capsulatum
Ac poli anti-fração H e
M de H. capsulatum
var. capsulatum
Ac poli anti-exoantígeno
de P. brasiliensis
Ac poliu antiexoantígeno de A.
fumigatus
49
200
212
268
299
340
361
406
584
802
2030
RP
Referência
-
-
-
-
Ac poli: Anticorpo policlonal;
Referência: Antígeno (H e M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno Mycologics.
113
Tabela 9. Screening dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,10 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e
Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, durante 33 dias.
Antígenos de H.
capsulatum var.
capsulatum
Ac poli anti- antígeno
de H. capsulatum var.
capsulatum
Ac poli anti-fração H e
M de H. capsulatum
var. capsulatum
Ac poli anti-exoantígeno
de P. brasiliensis
Ac poli antiexoantígeno de A.
fumigatus
49
200
212
268
299
340
361
406
584
802
2030
RP
Referência
+
+
+
+
+
+
+
*
+
+
+
+
+
+
+
-
-
*: Fracamente positivo;
Ac poli: Anticorpo policlonal;
Referência: Antígeno (H e M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno Mycologics.
114
Tabela 10. Screening dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman
e Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, durante 33 dias.
Antígenos de H.
capsulatum var.
capsulatum
Ac poli anti- antígeno
de H. capsulatum var.
capsulatum
Ac poli anti fração H
e M de H. capsulatum
var. capsulatum
Ac poli antiexontígeno de P.
brasiliensis
Ac poli antiexoantígeno de A.
fumigatus
49
200
212
268
299
340
361
406
584
802
2030
RP
Referência
+*
+*
*
+**
+**
*
+**
+**
+**
*
*
*
+
+
+
+*
*
+
+*
+
+
+
+
+
-
-
*: Fracamente positivo;
+*: Fortemente positivo;
+**: Positivo com duas linhas de precipitação;
Ac poli: Anticorpo policlonal;
Referência: Antígeno (H e M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno Mycologics.
115
Figura 11. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, 20
vezes concentrados obtidos segundo Kaufman e Standard (1978),
cultivados em ágar Sabouraud-dextrose, 27o C, durante 33 dias frente a
anticorpo policlonal anti-antígeno de H. capsulatum.
RP
212
299
49
361
C+
C+
21
2
299
268
200
C+
C+
C+
C+
49
802
RP
802
361
340
406
2030
584
C+
C+
268
2030
200
A
C+
C+
C+
C+
340
406
584
B
C
D
116
E
F
Tabela 11. Padrão de reatividade dos exoantígenos de H. capsulatum var. capsulatum, 10, 20 e 30 vezes concentrados.
Segundo Kaufman e Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27ºC, durante 15 dias.
Antígenos de H.
capsulatum var.
capsulatum
Ac poli anti- antígeno
de H. capsulatum var.
capsulatum
Ac poli anti fração H
e M de H. capsulatum
var. capsulatum
Ac poli antiexoantígeno de
P.brasiliensis
Ac poli antiexoantígeno de A.
fumigatus
49, in natura
49, 10 x [ ]
49, 20 x [ ]
49, 30 x [ ]
200, in natura
200, 10 x [ ]
200, 20 x [ ]
200, 30 x [ ]
268, in natura
268, 10 x [ ]
268, 20 x [ ]
268, 30 x [ ]
406, in natura
406, 10 x [ ]
406, 20 x [ ]
406, 30 x [ ]
Referência
*
+*
+*
*
+*
+*
*
*
+
*
+
+
+
*
+
+
*
+
*
*
+
+
-
-
*: Fracamente positivo;
+*: Positivo com duas linhas de precipitação;
Ac poli: Anticorpo policlonal;
Referência: Antígeno (H e M) de H. capsulatum, Immuno Mycologics.
117
Tabela 12. Padrão de reatividade dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, 20 vezes concentrados, segundo
Kaufman e Standard (1978), cultivados em ágar Sabouraud-dextrose, 27ºC, durante 33 dias, frente a soro de pacientes
com histoplasmose doença e histoplasmose infecção, pela técnica de imunodifusão dupla.
Antígenos de H. capsulatum
var. capsulatum
49
200
212
268
299
340
361
406
584
802
2030
RP
Referência
Histoplamose doença
+
+
+
+
+
+
+
+
Histoplasmose
infecção
+*
+*
+*
*
*
*
*
+*
*
+*
+*
+*
+
*: Fracamente positivo;
+*: Fortemente positivo;
Referência: Antígeno (H e M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno Mycologics.
118
7.5. Análise do padrão de reatividade dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum.
A imunoreatividade dos antígenos de H. capsulatum obtidos das
amostras 49, 200, 268 e 406 cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, a 27oC
durante 15 e 33 dias, foi avaliada empregando-se a técnica de imunodifusão
dupla, frente a soros de pacientes com HP doença e infecção, soros de indivíduos
com suspeita clínica de HP e não reagentes para H. capsulatum pela técnica de ID
frente a antígeno de referência, soros de pacientes com paracoccidioidomicose
(PCM) e aspergilose, soros de pacientes com leishmaniose cutânea e
leishmaniose muco-cutânea, soros de indivíduos saudáveis, soros de indivíduos
que freqüentam cavernas e não reagentes para H. capsulatum pela técnica de ID
face a antígeno de referência bem como frente a soros hiperimunes obtidos em
coelhos anti-antígeno de H. capsulatum, anti-exoantígeno de P. brasiliensis e antiexoantígeno de A. fumigatus.
A análise dos resultados demonstrou que a sensibilidade dos antígenos
de H. capsulatum obtidos com 15 dias de cultura frente a soros de pacientes com
HP doença foi de 40,9% para antígeno da amostra 49; 95,5% para antígeno da
amostra 200 e 406 e 4,5% para o antígeno da amostra 268. Não observamos
aumento no padrão de reatividade quando se analisou o desempenho do pool
antigênico, preparado pela mistura dos antígenos das amostras 49, 200, 268 e
406 cultivados em ágar Sabouraud-dextrose, a 27º C por 15 dias frente a soros de
pacientes com HP doença (Tabela 13). Lotes antigênicos assim preparados,
quando avaliados frente a soros de indivíduos com HP infecção apresentaram
padrões distintos de reatividade quando comparados ao ensaio anterior, observouse que o percentual de positividade do antígeno da amostra 49 foi de 85,7% e de
71,4% para os obtidos das amostras 200 e 406 de H. capsulatum. A preparação
antigênica obtida da amostra 268 não foi avaliada (Tabela 13). Na análise dos
soros de indivíduos com HP infecção, verificou-se que dos sete soros testados, o
pool antigênico apresentou capacidade discriminatória frente a seis soros (85,7%),
119
sensibilidade superior à apresentada pelos antígenos obtidos das amostras 200 e
406 (71,4%) (Tabela 13 e Figura 12).
Tabela 13. Reatividade dos antígenos de Histoplasma capsulatum var.
capsulatum, 20 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman e Standard (1978),
das amostras 49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27o C,
15 dias, frente a soros de pacientes com histoplasmose doença e histoplasmose
infecção.
Soros
Antígenos de H.
Histoplasmose
Histopalsmose
capsulatum
Doença
Infecção
var. capsulatum
N
%
N
%
49
9
40,9
6
85,7
200
21
95,5
5
71,4
268
1
4,5
...
...
406
21
95,5
5
71,4
Pool
6
27,2
6
85,7
Referência
22
100,0
7
100,0
Pool: Mistura dos antígenos das amostras 49, 200, 268 e 406 de H. capsulatum;
Referência: Antígeno (He M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno-Mycologics
120
Figura 12. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, 20
vezes concentrados, obtido segundo Kaufman e Standard (1978) das
amostras 49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27o C,
15 dias, frente a soros de pacientes com histoplasmose doença.
Padrão de Reatividade (%)
120
100
80
Positivo
60
Negativo
40
20
0
49
200
268
406
Pool
Ag Ref.
Exoantígenos
Antígenos produzidos com 33 dias de cultura, 20 vezes concentrados,
apresentaram sensibilidade superior quando comparados aos obtidos com 15 dias
nesta mesma concentração. Preparações antigênicas assim produzidas quando
avaliadas frente a soros de pacientes com HP doença apresentaram 77,3% de
reatividade para a amostra 49; 95,5% para as amostras 200 e 406 e 18,2% para a
121
amostra 268. Quando avaliados frente a soros de indivíduos com HP infecção,
observou-se 85,7% de reatividade para o antígeno produzido a partir da amostra
49 e 71,4% para os antígenos das amostras 200 e 406. O antígeno obtido da
amostra 268 não apresentou reatividade. Ensaios de ID conduzidos empregandose pool antigênico, não apresentaram aumento significativo na capacidade
discriminatória frente aos soros avaliados (Tabela 14 e Figura 13 e Figura 13 a).
Tabela 14. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum,
20
vezes concentrados, obtido segundo Kaufman e Standard (1978), das amostras
49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27o C, 33 dias, frente
a soros de pacientes com histoplasmose doença e histoplasmose infecção.
Soros
Antígenos de H. capsulatum
Histoplasmose
Histopalsmose
var. capsulatum
Doença
Infecção
N
%
N
%
49
17
77,3
6
85,7
200
21
95,5
5
71,4
268
4
18,2
_
_
406
21
95,5
5
71,4
Pool
6
27,2
6
85,7
Referência
22
100,0
7
100,0
Pool: Mistura dos antígenos das amostras 49, 200, 268 e 406 de H. capsulatum;
Referência: Antígeno (He M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno-Mycologics
122
Figura 13. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, 20 vezes
concentrados, obtido segundo Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200,
268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27o C, 33 dias, frente a soros
de pacientes com histoplasmose doença.
Padrão de Reatividade (%)
120
100
80
Positivo
60
Negativo
40
20
0
49
200
268
406
Pool
Ag Ref.
Exoantígenos
Figura 13 a. Reatividade dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, 20
vezes concentrados, obtido segundo Kaufman e Standard (1978), das amostras
49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, 27o C, 33 dias, frente
a soros de pacientes com histoplasmose infecção.
Padrão de Reavtividade (%)
120
100
80
Positivo
60
Negativo
40
20
0
49
200
268
406
Exaontígenos
123
Pool
Ag Ref.
Empregou-se o método estatístico byesiano avaliar a sensibilidade e
especificidade das preparações antigênicas, levando-se em conta o tempo de
cultivo. O cálculo da sensibilidade, especificidade, prevalência e valores preditivos
foi realizado utilizando-se o Software MINITAB 13.0. A especificidade dos
antígenos de H. capsulatum var. capsulatum
foi avaliada frente a soros
heterólogos, soros de indivíduos saudáveis (doadores de banco de sangue) e
soros de indivíduos com suspeita clínica de histoplasmose não reagentes pelo
ensaio de ID frente a antígeno de referência e soros de indivíduos que freqüentam
rotineiramente cavernas, sendo que estes também não apresentaram reatividade
a H. capsulatum pela ID frente a antígeno de referência (ImmunoMycological).
Aplicando-se o software MINITAB 13.0, observou-se que as preparações
antigênicas de 15 e 33 dias apresentam 100% de especificidade (Tabela 15,
Tabela 15a, Tabela 15b e Tabela 15c).
Tabela 15. Calculo de sensibilidade, especificidade, prevalência e valores
preditivos dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, obtidos segundo
Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar
Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 15 dias, avaliadas por ID frente a soros de
pacientes com histoplasmose doença.
Antígenos de H. capsulatum var. capsulatum
Referência
Prevalência
Sensibilidade
Especificidade
Valor preditivo
positivo
Valor Preditivo
negativo
Test t
49
200
268
406
Pool
0,2245
1,0000
1,0000
1,0000
0,2245
0,4091
1,0000
1,0000
0,2245
0,9545
1,0000
1,0000
0,2245
0,0455
1,0000
1,0000
0,2245
0,9545
1,0000
1,0000
0,2245
0,2727
1,0000
1,0000
1,0000
0,8539
0,9870
0,7835
0,9870
0,8261
P=0,05
P=0,07
P= 0,05
P= 0,22
P= 0,05
P=0,06
Pool: Mistura dos exoantígenos das amostras 49, 200, 268 e 406 de H. capsulatum;
Referência: Antígeno (He M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno-Mycologics
124
Tabela 15a. Calculo de sensibilidade, especificidade, prevalência e valores
preditivos dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, obtidos segundo
Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar
Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 15 dias, avaliadas por ID frente a soros de
pacientes com histoplasmose infecção.
Antígenos de H. capsulatum var. capsulatum
Referência
Prevalência
Sensibilidade
Especificidade
Valor preditivo
positivo
Valor Preditivo
negativo
Test t
49
200
268
406
Pool
0,0843
1,0000
1,0000
1,0000
0,0843
0,8571
1,0000
1,0000
0,0843
0,7143
1,0000
1,0000
0,0843
0,0000
0,0921
0,0000
0,0843
0,7143
1,0000
1,0000
0,0843
0,8571
1,0000
1,0000
1,0000
0,9870
0,9744
0,5000
0,9744
0,9870
P=0,05
P=0,08
P= 0,05
P= 0,28
P= 0,05
P=0,06
Pool: Mistura dos antígenos das amostras 49, 200, 268 e 406 de H. capsulatum;
Referência: Antígeno (He M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno-Mycologics
Tabela 15b: Calculo de sensibilidade, especificidade, prevalência e valores
preditivos dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, obtidos segundo
Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar
Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 33 dias, avaliadas por ID frente a soros de
pacientes com histoplasmose doença.
Antígenos de H. capsulatum var. capsulatum
Referência
Prevalência
Sensibilidade
Especificidade
Valor preditivo
positivo
Valor Preditivo
negativo
Test t
49
200
268
406
Pool
0,2245
1,0000
1,0000
1,0000
0,2245
0,7727
1,0000
1,0000
0,2245
0,9545
1,0000
1,0000
0,2245
01818
1,0000
0,0000
0,2245
0,9545
1,0000
1,0000
0,2245
0,2727
1,0000
1,0000
1,0000
0,9383
0,9870
0,8085
0,9870
0,9861
P=0,05
P=0,05
P= 0,05
P= 0,11
P= 0,05
P=0,06
Pool: Mistura dos antígenos das amostras 49, 200, 268 e 406 de H. capsulatum;
Referência: Antígeno (He M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno-Mycologics
125
Tabela 15c. Calculo de sensibilidade, especificidade, prevalência e valores
preditivos dos antígenos de H. capsulatum var. capsulatum, obtidos segundo
Kaufman e Standard (1978), das amostras 49, 200, 268 e 406, cultivadas em ágar
Sabouraud-dextrose, 27ºC, por 33 dias, avaliadas por ID frente a soros de
pacientes com histoplasmose infecção.
Antígenos de H. capsulatum var. capsulatum
Referência
Prevalência
Sensibilidade
Especificidade
Valor preditivo
positivo
Valor Preditivo
negativo
Test t
49
200
268
406
Pool
0,0843
1,0000
1,0000
1,0000
0,0843
0,8571
1,0000
1,0000
0,0843
0,7143
1,0000
1,0000
_
_
_
_
0,0843
0,7143
1,0000
1,0000
0,0843
0,8571
1,0000
1,0000
1,0000
0,9870
0,9744
_
0,9744
0,9870
P=0,05
P=0,08
P= 0,05
_
P= 0,05
P=0,08
Pool: Mistura dos antígenos das amostras 49, 200, 268 e 406 de H. capsulatum;
Referência: Antígeno (He M) de H. capsulatum var. capsulatum, Immuno-Mycologics
7.6. Análise do perfil eletroforético dos antígenos de H. capsulatum var.
capsulatum
A separação eletroforética sob condições denaturantes, empregando 10% de
acrilamida, revelou que a maioria dos antígenos apresentava bandas protéicas
com massa molecular entre 10 e 120 kDa.
Após coloração pelo Coomassie Blue, identificou-se 15 frações para o antígeno
obtido da amostra 49 com massa molecular aparente de: 100, 84, 77, 69, 62, 57,
50, 40, 37, 33, 30, 20, 16, 12 e 11 kDa. Para o antígeno obtido da amostra 200 de
H. capsulatum, observou-se a migração de 12 bandas protéicas, apresentando
massas moleculares de 120, 100, 84, 79, 74, 69, 55, 36, 33, 24, 13 e 11 kDa. A
126
preparação antigênica oriunda da amostra 268 apresentou 17 frações com pesos
moleculares aproximados de: 94, 83, 69, 62, 55, 51, 40, 36, 33, 28, 26, 22, 18, 16,
14, 11 e 10 kDa. Verificou-se para o antígeno produzido a partir da amostra 406,
14 bandas protéicas com massa molecular aparente de 115, 109, 94, 84, 79, 73,
62, 55, 47, 42, 27, 14, 11 e 10 kDa (Figura 14 e Tabela 16).
Antígenos obtidos das oito amostras fúngicas (212, 299, 340, 361, 584,
802, 2030 e RP) não selecionadas para este estudo, apresentaram de 4 a 14
frações antigênicas, com massa molecular entre 120 e 10 kDa (Figura 14).
Os resultados indicam, que além da riqueza de seus componentes
antigênicos, os diferentes antígenos de H. capsulatum produzidos, demonstraram
a presença de determinantes antigênicos relevantes, como por exemplo, o
complexo de frações entre 97 e 70 kDa descrita por Reiss (1986), Hamilton
(1990), Zancopé-Oliveira (1993, 1994, 1999), Da Mata (2003) como sendo a
fração M de H. capsulatum e o complexo protéico compreendido entre 108 e 120
kDa correspondendo a fração H de H. capsulatum (Deepe, 1995)
Tabela 16. Perfil eletroforético observado em SDS-PAGE a 10%, de antígenos de
H. capsulatum var. capsulatum, 10 vezes concentrados, obtidos segundo Kaufman
e Standard (1978), em ágar Sabouraud-dextrose, 27o C, por 33 dias.
Antígenos de H. capsulatum
var. capsulatum
Fração Protéica em kDa
49
100, 84, 77, 69, 62, 57, 50, 40, 37, 33, 30, 20, 16, 12 e 11.
200
120, 100, 84, 79, 69, 55, 36, 33, 24, 13 e 11.
268
94, 83,69, 62, 55, 51, 40, 36, 33, 28, 26,22,18,16,14,11 e
10.
406
115, 109, 94, 84, 79, 73, 62, 55, 47, 42, 27, 14, 11 e 10.
127
Figura 14. Perfil eletroforético dos antígenos de H. capsulatum var.capsulatum,
obtidos segundo Kaufman e Standard (1978), em ágar-Sabouraud-dextrose, 27o c,
33 dias de cultura. Linha 1: Padrão de Peso Molecular; linha 2: Antígeno de
Referência (Filtrado de Cultura de H. capsulatum var. capsulatum- Faculdade de
Farmácia da Universidade Estadual Paulista de Araraquara); linha 3: Ag Hc 49,
linha 4: Ag Hc 200; linha 5: Ag Hc 212, linha 6: Ag Hc 268; linha 7: Ag Hc 299;
linha 8: Ag Hc 340; linha 9: Ag Hc 361; linha 10: Ag Hc 406; linha 11: Ag Hc 584;
linha 12: Ag Hc 802; linha 13: Ag Hc 2030 e linha 14: Ag Hc RP.
kDa
175
83
62
47,5
33
25
17,5
1
2
3
4
5
6
7
128
8
9
10
11
12
13
14
7.7. Immunoblotting para detecção da reatividade de anticorpos anti-H.
capsulatum var. capsulatum em indivíduos com HP doença e infecção.
A análise da imunoreatividade dos soros de pacientes com HP doença
frente a antígenos obtidos com 33 dias de cultura, 10 vezes concentrados, revelou
que 100 % das amostras avaliadas frente ao antígeno obtido da amostra 49 de H.
capsulatum reconheceram de forma específica, apresentando forte intensidade, a
fração correspondente ao antígeno M de H. capsulatum. Anticorpos circulantes da
classe IgG, reconheceram componentes com massa molecular aparente entre 92
e 31 kDa, sendo que 47,6% (10 soros) das amostras, reconheceram a fração
antigênica de 92 kDa e 95,2% reagiram frente a fração de 74 kDa. O padrão de
reatividade do antígeno da amostra 49 frente a soros de HP infecção revelou o
reconhecimento de proteínas com peso molecular aproximado entre 92 a 31 kDa.
Observou-se que os componentes antigênicos reconhecidos com maior freqüência
por 100% das amostras de HP infecção (sete soros) correspondem as frações de
92, 74 e 59 kDa. Observou-se reatividade de fraquíssima intensidade frente a
soros de indivíduos doadores de banco de sangue (indivíduos saudáveis), que
pode ser explicada provavelmente pelo reconhecimento de epítopos protéicos
semelhantes (Figura 15)
A Figura 16 demonstra o padrão de reatividade dos soros de pacientes
com HP doença e infecção frente ao antígeno produzido a partir da amostra 200
de H. capsulatum. Verificou-se que 100% das amostras avaliadas reconhecem
mais de um determinante antigênico. Dos 21 soros de pacientes com HP doença,
38% reagiram com a fração de massa molecular aparente de 120 kDa, 100%
reconheceu a fração de 94 kDa; 95, 2 % a de 74 kDa e 76,2% a de 62 kDa. O
padrão de reatividade do antígeno da amostra 200 frente a soros de HP infecção
revelou o reconhecimento de proteínas com peso molecular aproximado entre 120
a 39 kDa. Dos sete soros analisados, quatro (57,1%) foram reativos frente a fração
de 120 kDa e 100% reagiram com os componentes de 94 e 74 kDa. As frações de
59 e 54 kDa foram reconhecidas por 100 % dos soros. Observou-se reatividade
129
de fraquíssima intensidade frente a soros de indivíduos doadores de banco de
sangue (indivíduos saudáveis).
As figuras 17 e 18 demonstram a imunoreatividade dos soros de
pacientes com HP doença e infecção frente aos antígenos obtidos das amostras
268 e 406 respectivamente. Quando estes soros foram testados frente a estas
preparações antigênicas, observou-se que apesar da totalidade ter reagido contra
as frações imunodominates de H. capsulatum (frações H e M), o padrão de
reatividade mostrou-se de forma menos intensa.
A imunoreatividade dos soros de pacientes com HP doença e infecção
frente a antígeno obtido da amostra 200 de H. capsulatum produzido com 15 dias
de cultura, demonstrou que 100% das amostras avaliadas apresentaram
anticorpos IgG circulantes anti-H. capsulatum, que reconheceram de forma
específica, apresentando forte intensidade, as frações correspondentes aos
antígenos H e M de H. capsulatum. A análise do padrão de reatividade, revelou
predomínio de reatividade para as frações com massa molecular de 120, 94 e 74
kDa (Figura 19).
Quando estes soros foram testados frente a antígenos das amostras
268 e 406 (Figuras 20 e 21), observou-se que apesar da totalidade ter reagido
contra as frações imunodominates de H. capsulatum (frações H e M), o padrão de
reatividade mostrou-se de forma menos intensa, contudo, o perfil de reatividade do
antígeno da amostra 268 foi superior quando comparado aquele observado para o
antígeno obtido com 33 dias de cultura.
130
Figura 15. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-H.
capsulatum de pacientes com HP doença (1 a 21), HP infecção (22 a 28) e soro
de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente ao antígeno da amostra 49, 10 vezes
concentrado, segundo Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabourauddextrose, 27º C, por 33 dias.
kDa
92
74
59
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32
Figura 16. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-H.
capsulatum de pacientes com HP doença (1 a 22), HP infecção (22 a 28) e soro
de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente ao antígeno da amostra 200, 10 vezes
concentrado, segundo Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabourauddextrose, 27º C, por 33 dias.
kDa
120
94
74
62
1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32
131
Figura 17. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-H.
capsulatum de pacientes com HP doença (1 a 21), HP infecção (22 a 28) e soro
de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente ao antígeno da amostra 268, 10 vezes
concentrado, segundo Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabourauddextrose, 27º C, por 33 dias.
kDa
94
83
62
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32
Figura 18. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-H.
capsulatum de pacientes com HP doença (1 a 21), HP infecção (22 a 28) e soro
de indivíduos saudáveis (29 a 32), frente ao antígeno da amostra 406, 10 vezes
concentrado, segundo Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabourauddextrose, 27º C, por 33 dias.
kDa
97
83
77
69
60
43
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32
132
Figura 19. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-H.
capsulatum de pacientes com HP doença (1 a 20), HP infecção (21 a 27) e soro
de indivíduos saudáveis (28 a 30) frente ao antígeno da amostra 200, 10 vezes
concentrado, segundo Kaufman e Standard (1978), cultivado em ágar Sabourauddextrose, 27º C, por 15 dias.
kDa
120
94
74
1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
Figura 20. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-H.
capsulatum de pacientes com HP doença (1 a 20), HP infecção (21 a 27) e soro
de indivíduos saudáveis (28 a 30) frente ao antígeno da amostra 268, 10 vezes
concentrado, segundo Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabourauddextrose, 27º C, por 15 dias.
kDa
120
94
83
69
36
1
2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
Figura 21. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-H.
capsulatum de pacientes com HP doença (1 a 21), HP infecção (22 a 27) e soro
133
de indivíduos saudáveis (28 a 30) frente ao antígeno da amostra 406, 10 vezes
concentrado, segundo Kaufman e Standard (1978), cultivada em ágar Sabourauddextrose, 27º C, por 15 dias.
kDa
109
97
69
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
134
Foram avaliadas, amostras de soros obtidas de indivíduos que visitam
freqüentemente cavernas virgens e/ou exploradas, e que haviam apresentado
ausência de reatividade pelo ensaio de imunodifusão dupla frente aos antígenos
de H. capsulatum, obtidos com 15 e 33 dias de cultura bem como frente a
antígeno de referência.
Este ensaio foi conduzido, empregando-se o antígeno obtido da
amostra 200 por este ter apresentado melhor capacidade discriminatória nos
ensaios anteriores. A interpretação dos resultados demonstra que para as 17
amostras de soros avaliadas, 94,1% reagiram frente as frações de 94 e/ou 74 kDa.
Neste mesmo ensaio, avaliou-se também o padrão de reconhecimento de quatro
soros de indivíduos hígidos que atuam na área de pesquisa e trabalham com
amostras fúngicas há pelo menos 03 anos, verificando o reconhecimento de pelo
menos um determinante antigênico por 100% das amostras. A existência de
reatividade cruzada frente a pool de soros de pacientes com leishmaniose e soros
de doadores de banco de sangue foi observada. (Figura 22).
A fim de caracterizar melhor este grupo, os soros foram analisados
frente a antígeno metabólico da amostra 113 de P. brasiliensis e de uma
preparação antigênica obtida do pool das amostras 354, 356 e 727 de A.
fumigatus. Verificou-se reatividade de fraca intensidade frente a gp43 de P.
brasiliensis para nove soros (52,9 %) dos indivíduos pertencentes ao grupo dos
espeleólogos e para dois soros (50%) do grupo de indivíduos que trabalham com
fungos (Figura 23). Em relação ao padrão de reatividade frente ao antígeno de A.
fumigatus, observou-se reatividade para 13 soros (76,4%) de indivíduos do grupo
de espeleólogos contra apenas um soro do grupo de pessoas que trabalham com
fungos (Figura 24).
135
Figura 22. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-H.
capsulatum de soros de indivíduos pertencentes a um grupo de espeleólogos
(1 a 17), grupo de indivíduos que trabalham com fungos (18 a 22), anticorpo
policlonal anti-antígeno de H. capsulatum, pool de soro de indivíduos com
leishmaniose (23), pool de soro de indivíduos saudáveis (24), frente ao
antígeno da amostra 200, 10 vezes concentrado, segundo Kaufman e
Standard (1978), cultivada em ágar Sabouraud-dextrose, 27º C, por 33 dias.
kDa
120
94
74
62
36
1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
Figura 23. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-P.
brasiliensis frente a soros de indivíduos pertencentes a um grupo de
espeleólogos (1 a 17), grupo de indivíduos que trabalham com fungos (18 a
21) e pool de soro de indivíduos saudáveis (22), frente a antígeno da
amostra 113 de P. brasiliensis cultivada em caldo NGTA, 36º C, por 20 dias.
kDa
43
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
136
Figura 24. Imunoreatividade dos anticorpos circulantes da classe IgG anti-A.
fumigatus frente a soros de indivíduos pertencentes a um grupo de
espeleólogos (1 a 17), grupo de indivíduos que trabalham com fungos (18 a
21) e pool de soro de indivíduos saudáveis (22), frente a antígeno de A.
fumigatus (pool das amostras 354, 356 e 727), 10 vezes concentrado,
cultivadas em caldo Sabouraud-dextrose, 27º C, por 30dias.
kDa
40
18
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22
137
7.8. Estudo da Estabilidade dos Antígenos de H. capsulatum var. capsulatum
Antígenos obtidos das amostras 49, 200, 268 e 406 cultivados em ágar
Sabouraud-dextrose a 27o C, por 15 e 33 dias, 10 e 20 vezes concentrados, e
armazenados a -20o C, foram avaliados quanto a manutenção da capacidade
discriminatória frente a anticorpos policlonais espécie-específicos, anticorpos
policlonais heterólogos e soros de pacientes com HP doença e HP infecção,
empregando-se a técnica de ID, após seis e 12 meses da data de obtenção. A
análise dos resultados revelou que as preparações antigênicas estocadas por 12
meses a - 20o C apresentam a capacidade discriminatória preservada frente aos
anticorpos policlonais espécie-específicos bem como frente a soros de pacientes
com HP doença e infecção.
Figura 25. Estabilidade dos antígenos das amostras de H. capsulatum var.
capsulatum, 12 meses após obtenção, frente a anticorpo policlonal anti-antígeno
de H. capsulatum. Lâmina A: antígeno das amostras 49, 200, 268 e 406, 20 vezes
concentrado. Lâmina B: antígeno das amostras 49, 200, 268 e 406, 10 vezes
concentrado.
138
8.0. DISCUSSÃO
Nos últimos anos, a freqüência dos processos infecciosos invasivos
causados por espécies fúngicas vem aumentando de forma dramática (Yeo e
Wong, 2002). Desta forma, o diagnóstico precoce e preciso destas infecções
assume grande importância, pois permite entre outros fatores, a instituição de
terapia antifúngica adequada, a diminuição do emprego desnecessário de drogas
tóxicas; além de reduzir o uso de terapia empírica, reduzindo, portanto, o processo
de seleção frente às mesmas minimizando conseqüentemente, o surgimento de
linhagens fúngicas multidrogas resistentes (Yeo e Wong, 2002).
A histoplasmose é micose sistêmica resultante da infecção causada
pelo fungo geofílico H. capsulatum. Enfermidade de ocorrência mundial, mas com
elevada prevalência nas regiões centrais e sudeste da América do Norte, bem
como em certas áreas da América Central e do Sul (Kwon-Chung e Bennett, 1992;
Ashford et al, 1999; Taylor et al., 1999; Wheat et al, 2000; Kauffman, 2000;
Panackal et al., 2002). No Brasil, casos de doença e infecção foram relatados em
São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa
Catarina, Goiás, Amazonas, Bahia, Pará e Pernambuco (Lacaz, 1984; ZancopéOliveira e Wanke, 1987; Vergara e Martinez, 1998; Severo et al., 2001; Unis, 2004,
Unis 2004 a, Unis, 2005).
A infecção ocorre pela inalação de propágulos da fase filamentosa
encontrados no solo de cavernas, grutas, celeiros, galinheiros e florestas
contaminados com excrementos de aves e morcegos (Goodwin et al., 1978;
Eissenberg e Goldman, 1991; Silva et al., 1999), os quais transformam-se em
leveduras nos pulmões (Lacaz et al., 2002).
As manifestações clínicas da HP incluem desde a forma assintomática,
pulmonar aguda, pulmonar crônica e infecção extra pulmonar disseminada
(Goodwin et al., 1978; Eissenberg e Goldman, 1991; Alves, 1996; Silva et al.,
139
1999), sendo que nos pacientes imunodeprimidos, principalmente nos portadores
de HIV/Aids, doenças neoplásicas, transplantados e diabéticos, a infecção por H.
capsulatum representa sério risco (Wheat et al., 1991; Wheat et al., 1992;
Marques e Shikanai-Yasuda, 1994; Khoo & Denning, 1994; Alves, 1996; Kappe et
al., 1998; Lazzarini de Oliveira et., al., 1999; Marques et al., 2000; Bernard e
Duarte, 2000; Wanke et al., 2001; Negroni, 2001; Corti et al., 2001; Woods, 2002;
Nobre et al., 2003; Artal, 2004; Unis et al., 2004, Ruhnke, 2004; Gutierrez et al.,
2005).
O diagnóstico considerado como padrão ouro é o isolamento do agente
etiológico em cultura, embora possa demorar até um mês. (Kwon-Chung e
Bennett, 1992; Lacaz et al., 2002; Yeo e Wong, 2002).
Em alguns casos é extremamente difícil diferenciar células de H.
capsulatum var. capsulatum em tecido de células de C. glabrata, P. marneffei, H.
capsulatum var. farciminosum e formas diminutas de B. dermatitidis (MendesGiannini e Melhem, 2001). Nos casos onde a biópsia é possível e menos lesiva
para o paciente, colorações especiais como o Gomori-Groccott podem auxiliar no
diagnóstico da HP por meio da observação no interior das células do sistema
retículo endotelial de leveduras de H. capsulatum (Lacaz et al., 1984, Lacaz et al.,
1998; Kwon-Chung e Bennett, 1992; Lacaz et al., 2002; Artal, 2004). Apesar de
fornecer diagnóstico precoce, o exame histopatológico se apresenta menos
sensível quando comparado à cultura. Soma-se a este fato a dificuldade na
observação das leveduras, freqüentemente observada nos locais onde os
laboratoristas têm pouca experiência em identificar o H. capsulatum, além disto, o
estudo morfológico do H. capsulatum nos tecidos não é conclusivo para sua
identificação, sendo considerado apenas um parâmetro da doença (Almeida e
Lacaz, 1947, Póton, 2002, Artal, 2004).
Antígenos
fúngicos
são
macromoléculas
imunogênicas
solúveis
produzidas pelo fungo. A avaliação dos mesmos depende da interação entre o
140
antígeno concentrado ou não, obtido em cultura, frente a imunoglobulinas
precipitantes e homólogas. Durante a reação antígeno-anticorpo, linhas de
precipitação são formadas e visualizadas, diminuindo o tempo necessário para o
isolamento e identificação do agente causal da doença (Kaufman e Standard,
1988).
Diante do exposto, o estudo de antígenos fúngicos tem assumido
notável importância, principalmente no que diz respeito à aplicabilidade dos
mesmos, como reagentes biológicos na avaliação da resposta imune celular e/ou
humoral de indivíduos acometidos por patologias causadas por fungos.
Apesar de técnicas sorológicas como imunodufusão dupla (Heiner,
1985; Kaufman, 1970; Wheat et al., 1986; Kwon-Chung e Bennett, 1992; Lacaz et
al., 2002; Yeo e Wong, 2002, Freitas et al., 2004), contraimunoeletroforese (Kleger
e Kaufman, 1973; Wheat et al, 1986), fixação de complemento (Hopwood e Evans,
1991), ELISA (Zimmerman et al., 1989, Andreau et al., 1992; Torres et al., 1993;
Gómez et al. 1997, Gómez et al., 1999; Guimarães et al, 2004) e Western blot
(Pizzini et al., 1999), serem empregadas para o diagnóstico confirmatório da HP
visando à pesquisa de anticorpos e antígenos circulantes, os índices de resultados
falso-positivos e falso-negativos ainda são muito elevados (Wheat et al., 1996),
estando a especificidade e sensibilidade da técnica diretamente relacionada ao
antígeno empregado (Do Valle et al., 2001).
Dados da literatura demonstram variabilidade na metodologia utilizada
pelos diferentes centros de pesquisa com o objetivo de produzir antígenos de H.
capsulatum. Entre estas pode-se citar: a escolha da amostra fúngica, tamanho do
inóculo, meio de cultura utilizado, período de incubação, forma de incubação (com
ou sem agitação), temperatura, bem como sua morfologia (micélio ou levedura). A
grande heterogeneidade destes parâmetros na obtenção destes reagentes
biológicos muitas vezes interfere no produto final, ou seja, antígenos que
apresentem
sensibilidade,
especificidade,
141
estabilidade
e
reprodutibilidade,
características estas de vital importância no imunodiagnóstico da HP, bem como
de outras micoses (Pine, 1966, Markiwitz, 1967; Ehrhard e Pine, 1972; Reeves,
1972; Bradeley, 1974; Gross, 1975; Kaufman e Standard, 1978; Andreau et
al.,1990; Garcia et al., 1990; Kwon-Chung e Bennett, 1992, Negroni et al., 1998;
Da Matta et al., 2003).
Historicamente, a identificação de anticorpos circulantes anti-H.
capsulatum em soros de pacientes com histoplasmose tem se revelado de suma
importância no diagnóstico confirmatório bem como no prognóstico da doença. A
histoplasmina ou filtrado de cultura da fase micelina de H. capsulatum, tem sido
fonte de antígenos para os ensaios sorológicos. Caracterizada por apresentar
duas frações antigênicas de particular importância, o antígeno H (120 kDa), contra
o qual, anticorpos são produzidos durante a doença ativa; e o antígeno M (94 kDa)
contra o qual anticorpos são formados durante a fase ativa e crônica da
histoplasmose. Ambas frações são tidas como sendo proteínas espécieespecíficas, quando comparadas a outros componentes da histoplasmina, como o
antígeno
C,
que
reage
cruzadamente
com
soros
de
pacientes
com
coccidioidomicose e blastomiocose (Reis et al., 1986). Segundo Wheat et al. 1982,
a histoplasmina tem se mostrado útil na detecção de anticorpos pelas provas de
imunodifusão dupla (ID) e fixação de complemento (FC), sendo que mais de 80%
dos indivíduos com histoplasmose apresentam positividade nestes ensaios. No
caso da prova de ID, a identificação concomitante das frações H e M indicam que
o paciente apresenta histoplasmose ativa. Entretanto, a detecção da banda M
pode ser influenciada pela aplicação prévia de histoplasmina em testes
intradérmicos, um fator que também pode interferir nos ensaios de FC (Kaufman,
1992). Em geral, a técnica de FC é menos específica que a ID, resultado da
existência de epítiopos semelhantes, principalmente em soros de pacientes com
paracoccidiodomicose, blastomicose e coccidioidomicose, que acabam por
provocar reatividade cruzada.
142
O objetivo central deste trabalho foi à padronização de antígenos de H.
capsulatum var. capsulatum empregando uma metodologia de fácil execução e de
baixo custo operacional, que possa ser utilizada por laboratórios de menor
condição técnica e financeira, visando sua aplicabilidade no diagnóstico
confirmatório da histoplasmose pela técnica de ID. Assim, o meio de cultura semisólido Sabouraud-dextrose foi eleito para a produção dos mesmos, empregando
como método de extração o tratamento das culturas com solução de mertiolatoborato, segundo metodologia proposta por Kaufman e Standard (1978).
Estudando os aspectos macro e micromorfológicos das amostras de H.
capsulatum observou-se grande variabilidade fenotípica e comportamental entre
as diferentes amostras. A análise do padrão macromorfológico das amostras de H.
capsulatum cultivadas em ágar batata, a 27º C, durante 30 dias, revelou que 100%
apresentaram textura cotonosa com pigmentação variando de branco a ocre.
Quando analisadas em relação ao aspecto micromorfológico, verificou-se que 75%
encontravam-se em período de intensa esporulação, e que o meio de cultura
utilizado altera o padrão fenotípico, textura e pigmentação de algumas amostras
de H. capsulatum.
Apesar de considerarmos de suma importância a análise do padrão
morfológico não se pode afirmar categoricamente que o aspecto fenotípico interfira
na capacidade de produção de determinantes antigênicos pelas amostras de H.
capsulatum. Infelizmente a literatura, é pobre na abordagem deste aspecto, neste
sentido, encontramos apenas dois trabalhos: Pine et al. (1966), ao avaliarem a
produção de antígenos a partir de leveduras de H. capsulatum não encontraram
diferença entre o padrão morfológico das seis amostras avaliadas e sua
composição antigênica e Da Matta et al. (2003), ao analisarem antígenos obtidos a
partir de células micelianas nos meios líquidos Sabouraud-tiamina-asparagina
(pH=6,0) e Smith pH=4,0 e pH=6,0, verificaram diferenças morfológicas, não
observando, contudo, relação com a expressão de determinantes antigênicos.
143
A abordagem entre as características fenotípicas e produção de
determinantes antigênicos, merecerá certamente maior investimento de nosso
grupo, contudo, alguns achados nos chamaram a atenção.
Berliner (1968), ao estudar diferentes amostras de H. capsulatum,
verificou que a maioria apresentava dois tipos de colônias distintas: marrom ou
tipo B, caracterizada por apresentar colônias planas pigmentadas com grande
quantidade de macroaleuroconídios tuberculados e pouca freqüência de
microaleuroconídios e albina ou tipo A, caracterizada pela presença de micélio
aéreo, hifas espessas, grande quantidade de macroaleuroconídios lisos e/ou
tuberculados e microaleuroconídios esporulantes ou não. O autor observou,
contudo, que apesar de ambas serem fenoticamente estáveis que as colônias do
tipo A (albina) mesmo crescendo rapidamente interrompem de forma irreversível,
pela realização de repiques sucessivos, o processo de esporulação. Outros
autores relacionaram a pigmentação com a capacidade de esporular (Rincon,
1989; Lacaz et al., 1998; Sidrim e Oliveira, 1999; Lacaz et al., 2002).
Borok (1980), avaliando 21 amostras de Histoplasma, mantidas por
subcultivos sucessivos em ágar Sabouruaud-dextrose, a 27ºC, há pelo menos três
anos, observou que cultivos procedentes de culturas marrons, para a forma não
esporulante albina, podem ser revertidas por meio da manipulação do substrato
usado no cultivo, sugerindo assim, que a indução-supressão deste mecanismo
possa estar envolvido nas variações morfológicas desta espécie. Ao avaliarmos o
padrão de pigmentação das culturas mantidas em ágar Sabouraud-dextrose e
ágar batata, a 27º C, observamos diferenças no padrão de expressão de
pigmentos, sendo que no ágar batata 83,3% das amostras apresentou
pigmentação que variou de bege a ocre e no ágar Sabouraud-dextrose duas
amostras (16,7%) apresentaram pigmentação que variou de bege (amostra 200) a
bege clara (amostra 406). Nossos resultados estão em concordância com Borok
144
(1980) no que diz respeito ao mecanismo de indução-supressão do estado
esporulante e a relação deste com o substrato de cultivo.
Ao avaliarmos os aspectos morfológicos das colônias e sua possível
relação com a expressão de determinantes antigênicos, verificamos que amostras
com textura cotonosa e pigmentação variando de bege a bege clara, quando
cultivadas em ágar-Sabouraud-dextrose, a 27º C, por 33 dias apresentaram
expressão de frações protéicas com massa molecular aparente de 116 e 97 kDa,
correspondente as frações H e M de H. capsulatum respectivamente;
consideradas marcadores sorológicos da doença. Em contrapartida, amostras
cultivadas nas mesmas condições e que apresentaram textura cotonosa e
pigmentação branca expressaram preferencialmente a fração M de H. capsulatum.
Nossos resultados indicam que das 12 amostras fúngicas inicialmente
empregadas para a obtenção de antígenos de H. capsulatum, 10 podem ser
consideradas fortes candidatas a serem aplicadas na produção destes reagente
biológicos, visto que revelaram bom padrão de reatividade frente a anticorpos
policlonais espécie-específicos. Verificamos que antígenos obtidos a partir das
amostras 212 e 340, as quais revelaram na análise morfológica textura cotonosa,
pigmentação branca (212) e branca a ocre (340) e presença de conídios
degenerados e ausência de tubérculos e/ou conidiogênese, não reagiram frente a
anticorpo policlonal anti-fração H e M de H. capsulatum em nenhuma das
concentrações empregadas, ou seja, antígeno in natura 10 e 20 vezes
concentrados.
Ao avaliarmos as características micromorfológicas das 12 amostras de
H. capsulatum, segundo metodologia proposta por Riddell (1950), verificamos uma
possível relação entre a produção de micro e macroaleuroconídios e a expressão
dos antígenos H e M. Zancopé-Oliveira et al. (2004), ao estudarem a
imunolocalização e expressão do antígeno M de H. capsulatum demonstrou que
145
este antígeno encontra-se localizado nos micro e macroaleuroconídios, sendo
expresso com maior intensidade pelos microaleuroconídios. Esta observação
reforça a importância da análise do padrão morfológico das amostras de H.
capsulatum visando principalmente à escolha das mesmas como produtoras de
antígenos para o imunodiagnóstico da histoplasmose.
A análise da cinética de crescimento das amostras de H. capsulatum
demonstrou que 58,3% apresentaram crescimento exponencial médio até o 47º
dia de cultivo, mantendo-se a partir daí em fase estacionária. As amostras 268,
361 e 584 apresentaram crescimento exponencial até o 60º dia, a 406 até o 72º
dia e as amostras 340 e 2030 entraram em fase estacionária no 33º dia de cultura.
Diante do perfil encontrado, nas quais amostras entraram em fase estacionária a
partir do 40º dia de cultura, optamos em desenvolver um protocolo de obtenção de
antígenos, estabelecendo o período de incubação das amostras fúngicas em 33
dias, pois acreditamos que com a incubação das mesmas em tempo superior a 47
dias, pode acontecer degradação das hifas e consequentemente liberação de
enzimas proteolíticas, que podem atuar na degradação dos antígenos.
Segundo Ehrhard e Pine (1972 a), há relação entre o crescimento das
culturas fúgicas e a expressão dos antígenos H e M de H. capsulatum, sendo que
o máximo de massa celular esta relacionada com a maior expressão do antígeno,
podendo permanecer constante ou diminuir durante o declínio de seu cultivo.
Da Mata et al. (2003), analisou a expressão de antígenos de H.
capsulatum, obtidos de células micelianas, cultivadas em caldo STA (pH 6,0),
caldo Smith (pH 4,0) e caldo Smith (pH 6,0), a 27º C, sob agitação constante. A
análise do perfil protéico revelou que antígenos obtidos em caldo STA apresentou
oito bandas protéicas com pesos moleculares entre 29 e 116 kDa. Antígenos
obtidos em caldo Smith (pH 4,0) revelou migração de frações protéicas de 55 e 66
kDa, a partir do 8º dia de cultivo e no pH 6,0 três bandas protéicas entre 84 e 116
146
kDa. Os autores verificaram que antígenos obtidos nos meios STA (pH 6,0) e
Smith (pH 6,0) eram semelhantes, observando uma fração imunorreativa de 97
kDa, que apresentava reatividade cruzada frente a pool de soros de pacientes
com paracoccidiodomicose.
Em nosso trabalho antígenos obtidos das amostras 49, 200, 268 e 406
de H. capsulatum, em ágar Sabouraud-dextrose (pH 6,3), apresentaram 15, 12, 17
e 14 frações protéicas respectivamente. Pela técnica de immunoblotting,
obtivemos 100% de reatividade dos mesmos frente a soro hiperimune específico
bem como frente a soros de pacientes com HP doença e infecção, sendo
observado reconhecimento de forte intensidade para as frações de 120 kDa
(amostra 200 , 15 dias de cultura), 94 kDa (antígeno das amostras 49, 200 e 268,
33 dias de cultura) e 77 kDa (antígeno da amostra 406, 33 dias de cultura).
Ehrhard e Pine (1972 b), empregaram os meios Smith-asparagina,
McVeigh e Morton suplementado de vitaminas e meio de Pine sem sulfato de
zinco, para avaliar a possível influência da composição química na produção dos
antígenos H e M por células leveduriformes de oito amostras de H. capsulatum.
Os autores observaram que a produção das frações H e M pelas amostras
analisadas apresentou diferença substancial nos diferentes meios de cultura,
sendo detectado variação da capacidade de expressão entre 5 e 33 dias para o
antígeno H, obtendo-se o menor tempo de expressão para o meio de Pine; no
meio asparagina a expressão do antígeno M aconteceu com 13 dias de cultura e
no meio MacVeigh e Morton não detectou-se produção do antígeno H sendo que o
antígeno M foi obtido em 50% das amostras.
Os mesmos autores demonstram que a adição de caseína hidrolisada
ao meio Smith asparagina acelerou o crescimento das culturas fúngicas,
verificando ainda que o crescimento e a produção de antígenos diminuem na
ausência de glicose, demonstrando a importância dos meios de cultura no
147
crescimento e produção de determinantes antigênicos. Os autores analisaram os
efeitos da concentração de caseína hidrolisada e glicose na obtenção de
exoantígenos no meio asparagina preparados com concentrações diferentes
destes componentes (4,0% de glicose e 0,4% de caseína hidrolisada; 0,4% de
glicose e 4,0% de caseína hidrolisada e meio original usado como controle),
verificando que alta concentração de glicose e baixa de aminoácidos aumenta o
rendimento celular, mas não afeta a produção dos antígenos H e M, quando
comparados ao meio original; sendo que da mesma maneira a baixa concentração
de glicose e alta de aminoácidos diminui o rendimento celular bem como a
produção de antígenos H e M.
Diante do exposto elegemos o meio ágar Sabouraud-dextrose, para a
produção de antígenos fúngicos visando sua aplicabilidade no imunodiagnóstico
da histoplasmose, pois os anticorpos circulantes presentes no soro de indivíduos
infectados pelo Histoplasma reconhecem determinantes estimulados e expressos
em maior ou menor quantidade de acordo com a composição química do meio.
Nossos resultados demonstram que antígenos produzidos em ágar Sabourauddextrose expressam esses determinantes antigênicos com 15 e 33 dias de cultura,
de acordo com a amostra em estudo, apresentando excelente padrão de
sensibilidade e especificidade.
Trabalhos de nosso grupo têm demonstrado que antígenos de H.
capsulatum, obtidos pela metodologia proposta Kaufman e Standard (1978),
cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose e concentrados 20 vezes, apresentaram
excelente padrão de reatividade frente a anticorpo policlonal espécie-específico,
sendo observada a presença das frações H e M, não detectando reatividade
cruzada destes lotes antigênicos frente a anticorpos policlonais anti-exoantígeno
de P. brasiliensis e anti- exoantígeno de A. fumigatus empregando-se a técnica de
imunodifusão dupla. Por outro lado, antígenos produzidos em ágar BHI, apesar de
apresentarem especificidade frente a anticorpo policlonal anti-exoantígeno de H.
148
capsulatum, apresentaram intensa reatividade cruzada quando avaliados frente a
anticorpo policlonal anti-exoantígeno de P. brasiliensis, salientando a importância
da escolha do meio de cultura usado na obtenção destas preparações antigênicas
(Freitas et. al., 2004).
Em relação ao método de extração de antígenos, nossos dados
encontram-se em concordância aos da literatura (Pine et al. 1966; Reeves et al.
1972; Kaufman e Standard 1978 a; Kaufman e Standard 1978 b; Di Salvo et al.,
1980; Andreau et al., 1990; Negroni et al. 1998; Da Mata et al. 2003), uma vez que
empregando solução de mertiolato-borato obtivemos antígenos com índices
elevados de sensibilidade, especificidade além dos mesmos se apresentarem
estáveis após 12 meses da data de obtenção.
Nossos resultados confirmam e reforçam os dados disponíveis na
literatura que indicam que a sensibilidade e especificidade da técnica de
imunodifusão dupla esta diretamente relacionada à qualidade do antígeno
empregado (Wheat et al., 1996; Elias-Costa, 2000; Do Valle et al., 2001).
A análise dos antígenos de H. capsulatum obtidos a partir das
amostras 49, 200, 268 e 406 cultivadas em ágar Sabouraud-dextrose, a 27º C por
15 e 33 dias, revelam diferença no percentual de sensibilidade da técnica de
imunodifusão dupla. Ao analisarmos a reatividade dos antígenos obtidos com 15
dias frente a pacientes com histoplasmose doença observamos que o melhor
índice de sensibilidade foi obtido para antígenos das amostras 200 e 406 (95,4%),
seguido pelo antígeno obtido da amostra 40 com 77,2% e o obtido da amostra 268
revelou sensibilidade de apenas 18,1%. Quando avaliamos a sensibilidade da
preparação antigênica obtida pela mistura de todos os isolados (pool antigênico),
não detectamos aumento da sensibilidade, sendo a mesma inferior (27,7%) as
obtidas para antígenos da amostras 49, 200 e 406. Quando avaliamos estes
antígenos frente a soros de pacientes com histoplasmose infecção observamos
discreto decréscimo na sensibilidade para as amostras 200 e 406 (71,4%), em
149
contrapartida o índice de sensibilidade para a amostra 49 e para o pool antigênico
foi de 85,7%. Antígenos obtidos com 33 dias de cultura analisados frente a soros
de pacientes com histoplasmose doença conservaram o índice de sensibilidade
(95,4%) para as amostras 200 e 406, 40,9% para o obtido da amostra 49 e apenas
4,5% para o obtido da amostra 268. A sensibilidade da reação de imunodifusão
dupla
empregando
estes
antígenos
frente
a
soros
de
pacientes
com
histoplasmose infecção foi de 85,7% para antígeno da amostra 49 e para o pool
antigênico; 71,4% para antígenos das amostras 200 e 406. Devido ao baixo índice
de sensibilidade, não avaliamos o antígeno obtido a partir da amostra 268. A
especificidade da técnica de imunodifusão empregando as preparações
antigênicas obtidas com 15 e 33 dias de cultura foi de 100%, ou seja, não houve
reatividade cruzada frente a soros heterólogos. Bauman e Smith (1975), ao
avaliarem a sensibilidade das técnicas de imunodifusão dupla e fixação de
complemento empregando como antígeno filtrado de cultura, frente a 70 soros de
pacientes com histoplasmose encontraram 90% de sensibilidade pela prova de
imunodifusão contra 72,8% pela de fixação de complemento. Negroni et al. (1998),
avaliando o padrão de reatividade de antígenos de H. capsulatum, pela prova de
imunodifusão frente a 43 soros de paciente HIV positivos e co-infectados pelo
Histoplasma obteve 34,8% de positividade, observando, contudo, reatividade
cruzada frente a soros de paciente com paracoccidiodomicose.
Nossos
resultados
empregando
a
técnica
de
immunoblotting
comprovam que os antígenos obtidos das amostras 49, 200, 268 e 406 produzem
além das as frações H (120 kDa) e M (94 kDa), consideradas como antígenos
imunodominates de H. capsulatum, uma gama de determinantes antigênicos que
merecem certamente maior atenção no futuro. Ao avaliarmos o antígeno obtido da
amostra 200 com 15 dias de cultura observamos que 100% dos soros avaliados,
histoplasmose doença e infecção, reconheceram de forma específica as frações
de 120 e 94 kDa, correspondente aos antígenos H e M de H. capsulatum
respectivamente. Verificamos ainda, que para antígeno desta mesma amostra
obtido com 33 dias de cultura, apesar da reatividade frente à fração de 120 kDa, o
150
melhor padrão de reconhecimento foi observado para a fração de 94kDa. Os
resultados obtidos para antígenos da amostra 200, estão em concordância com
Ehrhard e Pine (1972), que observaram que a expressão da fração H (120 kDa)
ocorre precocemente com a liberação de ácidos nucléicos e carboidratos,
observando também que a produção do antígeno M é
maior nas amostras
cultivadas na ausência de agitação (fase estacionária). Bachi (2004), ao avaliar a
produção das frações H e M pelas amostras Chesc e Almnara, cultivadas em
caldo Smith asparagina, a temperatura ambiente, por 30, 60 e 90 dias, verificaram
que a produção das frações H e M iniciava-se aos 30 dias de cultivo, sendo que
com 60 dias a produção encontrava-se maior e aos 90 dias havia degradação dos
mesmos. Lacaz et al., (1999), avaliaram a imunoreatividade do soro de paciente
com histoplasmose frente a antígeno obtido a partir de amostra de H. capsulatum
isolada de fragmento de pele cultivado em fase estacionária, verificando por
immunoblotting o reconhecimento da fração de fração de 94 kDa.
Em nosso estudo, avaliamos por immunoblotting a reatividade de soros
de quatro indivíduos imunocompetentes e que trabalham com o fungo P.
brasiliensis há pelo menos três anos, observando que 100% dos soros reagiu
frente as frações de 94, 74 e 62 kDa. Estes achados reforçam a sensibilidade do
ensaio de imunodifusão dupla, pois todos os indivíduos apresentavam sorologia
negativa para H. capsulatum empregando-se além do antigeno da amostra 200
antígenos de referência, sugerindo assim, que a reatividade cruzada possa
ser devido à existência de epítopos semelhantes entre P. brasiliensis e H.
capsulatum. Avaliamos também o padrão de reatividade de amostras de 17 soros
obtidas de indivíduos que visitam freqüentemente cavernas virgens e/ou
exploradas, e que haviam apresentado ausência de reatividade pelo ensaio de
imunodifusão dupla frente aos antígenos de H. capsulatum, obtidos com 15 e 33
dias de cultura bem como frente a antígeno de referência. Por immunoblotting
verificamos que 94,1% reagiram frente às frações de 94 e 74 kDa, confirmando
que estes indivíduos entraram em contato com o agente etiológico da
histoplasmose em algum momento de sua vida. Bachi (2004), em sua dissertação
151
de mestrado chama a atenção para o resultado obtido pela técnica de
immunoblotting obtido frente a oito soros de indivíduos sadios, observando que
30% reconheceram a molécula de 94 kDa e 10% a molécula de 120 kDa,
sugerindo que os mesmos possivelmente tenham tido exposição prévia ao fungo
e histoplasmose-infecção
A interpretação do conjunto de ensaios sorológicos sugere que o
emprego dos antígenos obtidos da amostra 200 de H. capsulatum cultivadas em
ágar Sabouraud-dextrose, por 15 e 33 dias, a 27º C, segundo metodologia
proposta por Kaufman e Standard (1978), apresentam boa capacidade
discriminatória tanto para soros de pacientes com histoplasmose doença e
infecção, não havendo assim, necessidade de se trabalhar com pool antigênico
obtidos de diferentes antígenos, podendo ser considerada uma alternativa para a
produção de antígenos de baixo custo operacional, exigindo menor período de
tempo para sua obtenção amostras de H. capsulatum e produção, minimizando
conseqüentemente o risco de contaminação das culturas fúngicas, podendo ser
aplicada como antígeno de referência na rotina diagnóstica confirmatória da
histoplasmose, uma vez que apresenta sensibilidade de 94,4% e especificidade de
100,0%.
Além disso, podemos sugerir que a expressão de determinantes
antigênicos está relacionada não apenas com o meio de cultura utilizado para a
produção dos lotes antigênicos bem como possivelmente com as características
fenotípicas das amostras de H. capsulatum, uma vez que em nosso estudo,
observamos que amostras que apresentaram pigmentação bege a ocre e intensa
conidiogênese demonstraram melhor padrão de reatividade, por meio de provas
sorológicas, frente a soros homólogos.
152
9.0. CONCLUSÕES
1. A escolha da amostra de H. capsulatum var. capsulatum, é importante para a
obtenção de antígenos com alta especificidade.
2. A expressão de determinates antigênicos esta relacionada não apenas com o
meio de cultura utilizado para a produção dos lotes antigênicos bem como
possivelmente com as características fenotípicas das amostras de H. capsulatum,
uma vez que em nosso estudo, observamos que amostras que apresentaram
pigmentação bege a ocre e intensa conidiogênese demonstraram melhor padrão
de reatividade, por meio de provas sorológicas, frente a soros homólogos.
3. A cinética do crescimento fúngico, indica que a fase log vai do 40º ao 47º dia de
cultura, depois deste período, o crescimento entra em latência, o que ocasiona
provavelmente degeneração das células micelianas devido a ação de enzimas
proteolíticas.
4. O emprego de ágar Sabouraud-dextrose, constituiu-se em um excelente meio
para a produção de exoantígenos de H. capsulatum, abrindo assim, perspectivas
futuras para Laboratórios de Mico-Sorologia que não possuam condições para
adquirir meios de cultura mais complexos produzirem antígenos com bom nível de
especificidade.
5. Amostras de H. capsulatum que se encontravam em período de intensa
esporulação apresentaram melhor expressão de determinantes antigênicos,
exceto o 268 que era pleomórfico.
7. Exoantígenos produzidos a partir de uma única amostra apresentam boa
capacidade discriminatória frente a soros de pacientes com HP doença e HP
infecção, não havendo assim, necessidade de trabalhar-se com pool de amostras.
153
8. O emprego de solução mertiolato-borato (1:5.000) para a extração de
determinantes antigênicos, auxilia na manutenção da estabilidade antigênica.
9. Os resultados sugerem uma alternativa de baixo custo operacional, menor
período de tempo, fácil exeqüibilidade técnica, reprodutibilidade para a obtenção
de antígenos de H. capsulatum visando o diagnóstico confirmatório da HP.
154
10.0. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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174
Anexo A
Aprovação do Projeto CTC – IAL #06/04 pela Comissão
Científica da Divisão de Biologia Médica e Comitê Técnico - Cientifico
do
Instituto
Adolfo
175
Lutz.
Anexos B, C e D
Aprovação do Projeto pelos:
Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Adolfo Lutz (Projeto CTC-IAL
#06/04),
Comissão de Ética parta Análise de Pesquisa do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Projeto #
983/03),
Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Medicina Tropical de São
Paulo (Projeto # 10/03).
176
ANEXO E
E 1. Meio de Cultura para Manutenção dos Isolados Fúngicos
E 1.1. Meio de Agar Batata
Infusão de Batata
500,0 mL
Dextrose (Oxoid)
10,0 g
Ágar (Oxoid)
15,0 g
Água destilada
500,0 mL
a) colocar 200,0 g de batatas descascadas em 500,0 mL de água e
cozinhá-las;
b) filtrar o infuso através de gaze, e completar o volume para 1000,0 mL
com água destilada;
c) adicionar o ágar, dissolvê-lo completamente e então adicionar a
glicose;
d) distribuir e autoclavar a 120°C, durante 15 minutos.
E 2. Meios de Cultura para Isolamento e Crescimento do H.
capsulatum var capsulatum
E 2.1. Meio de Ágar Sabouraud-dextrose
Dextrose (Difco)
40,0 g
Peptona (Oxoid)
10,0 g
Ágar (Oxoid)
15,0 g
Água Destilada
1000,0 mL
a) dissolver o ágar em 1000,0 mL de água, aquecendo-o em banhomaria;
177
b) adicionar a dextrose e a peptona, misturando-as bem;
c) distribuir e autoclavar a 120°C durante 15 minutos.
E.2.2 Meio Micobiótic (Ágar Sabouraud modificado)
Dextrose (Difco)
20,0 g
Peptona (Oxoid)
10,0 g
Agar (Oxoid)
15,0 g
Água Destilada
1000,0 mL
a) dissolver o ágar em 1000,0 mL de água, aquecendo-o em banhomaria;
b) adicionar a dextrose e a peptona, misturando-as bem;
c) diluir separadamente 400 mg de cicloheximida em 10,0 mL de
acetona, 100 mg de cloranfenicol em 10,0 mL de álcool 95°C, misturar
as soluções e adicionar ao ágar Sabouraud;
c) distribuir e autoclavar a 120°C durante 15 minutos.
E 2.3. Agar Infusão de Cérebro e Coração
Brain Heart Infusion (Difco)
37,0 g
Ágar (Oxoid)
15,0 g
Água destilada
1000,0 mL
pH= 7.4 a 25º C.
a) dissolver, aquecendo em banho Maria;
b) distribuir e esterilizar a 120º C durante 15 minutos.
E.3.
Meio
de
Cultura
para
o
Estudo
dos
Micromorfológicos do H. capsulatum (Cultivo em Lâmina)
178
Aspectos
E.3.1. Meio de Agar Batata
Descrito no item E 1.1.
E.4.
Meio de Cultura para a Produção de Exoantígeno de H.
capsulatum
E 4.1. Meio de Ágar Sabouraud-dextrose
Descrito no item E 2.1.
E.4.
Meio de Cultura para a Produção de Exoantígeno de P.
brasiliensis
E 4.1. Caldo NGTA
Neopeptona (Difco)
16,0 g
Glicose (Difco)
10,0 g
Cloreto de Tiamina (Sigma)
100,0 mg
L-asparagina (Sigma)
200,0 mg
Água deinonizada
a)
1000,0 mL
dissolver 16,0 g de neopeptona em 32,0 mL de água deionizada
aquecida a 45º C;
b) colocar a solução de neopeptona em membrana de diálise e dialisar
contra água destilada (cerca de 1000,0 mL), durante cinco horas a 70º
C e por uma noite a 4º C;
c) retirar o conteúdo da membrana de diálise, completar o volume com
água destilada até 1000,0 mL e adicionar a glicose, tiamina e
asparagina, homogeneizar;
d) ajustar o pH para 6,8-7,0
179
e) distribuir e esterilizar a 120º C durante 15 minutos.
E.5.
Meio de Cultura para a Produção de Exoantígeno de A.
fumigatus
E 5.1.- Caldo Sabouraud
Dextrose (Difco)
40,0 g
Peptona (Oxoid)
10,0 g
Água Destilada
1000,0 mL
a) dissolver a dextrose e a peptona em 1000,0 mL de água, aquecendoo em banho-maria;
b) distribuir e autoclavar a 120°C durante 15 minutos.
180
ANEXO F
F.1. Solução de Thimerosal, segundo Standard & Kaufman, 1982.
Etil mercúrio tio salicilato de sódio (Sigma)
1,0 g
Borato de Sódio
1,4 g
Água destilada
100,0 mL
181
ANEXO G
G.1. Reativo de Coomassie Blue-G
Coomassie Blue-G (Sigma)
10,0 mg
Etanol 95% (Merck)
5,0 mL
Ácido ortofosfórico 85% (Merck
10,0 mL
Água deionizada qsp
100,0 mL
Dissolver o Coomassie Blue- G no etanol, acrescentar o ácido
ortofosfórico e a água. Estocar em frasco âmbar a temperatura
ambiente. Esta solução permanece estável por 30 dias.
182
ANEXO H
H.1. Soluções utilizadas no Ensaio de Imunodifusão Dupla em Gel
de Agarose
H.1.1. Solução de Agar a 1%
Agar purificado (Oxoid)
1,0 g
Água bidestilada
100,0 mL
Pesar o ágar e colocá-lo em erlenmeyer de 200,0 mL. Homogeneizar e
levar ao forno de microondas para fundir, tomando cuidado para não
levantar fervura. Após fusão distribuir 10,0mL da solução em tubos de
ensaio 16X160 e estocar a 4°C.
H.1.2. Solução de Agar Citrato
Cloreto de sódio (Synth)
0,90 g
Citrato de sódio (Synth)
0,40 g
Glicina (Synth)
7,50 g
Agarose tipo II EEO (Sigma)
1,00 g
Thimerosal (Sigma)
0,01g
Água bidestilada (qsp)
100,0 mL
Dissolver em aproximadamente 80,0 mL de água bidestilada, o cloreto
de sódio, o citrato de sódio e a glicina. Ajustar o pH da solução entre
6,7- 6,9. Acrescentar a agarose e levar ao forno microondas para fundir.
Deve-se prestar muita atenção para que a solução não entre em
fervura, a mesma estará fundida quando ficar transparente. Após a
etapa de fusão, adicionar o thimerosal. Distribuir 10,0 mL da solução
em tubos de 16X160 e estocar a 4°C.
183
H.1.3. Solução de Citrato de Sódio a 5%
Citrato de sódio (Synth)
5,0 g
Água bidestilada
1000,0 mL
Distribuir em frascos âmbar e estocar a 4º C.
H.1.4. Solução Salina a 0,85%
Cloreto de Sódio (Synth)
34,0 g
Água bidestilada
4000,0 mL
H.1.5. Solução Corante Coomassie Brilliant Blue R-250
Coomassie brilliant blue R250 (Sigma)
4,0 g
Ácido acético glacial (CAAL)
100,0 mL
Etanol (CAAL)
450,0 mL
Água bidestidada (qsp)
1000,0 mL
Em um balão volumétrico adicionar o ácido acético e o etanol,
completar o volume para 1000,0 mL de água. Adicionar o corante.
Homogeneizar lentamente em agitador magnético até completa
dissolução do corante. Filtrar e estocar em frasco âmbar a temperatura
ambiente.
H.1.6. Solução Descorante
Ácido acético glacial (CAAL)
100,0 mL
Etanol (CAAL)
450,0 mL
Água bidestilada
450,0 mL
184
Esta solução pode ser reaproveitada, para tanto basta filtrá-la em carvão
ativado
185
ANEXO I
I.1. Soluções utilizadas na Técnica de Eletroforese em Gel de
Poliacrilamida
I.1.1. Solução Estoque de bis – acrilamida
Acrilamida 30% (Sigma)
30,0 g
Bis - Acrilamida (Sigma)
0,8 g
Água bidestilada qsp
100,0 mL
Homogenizar a acrilamida e bis-acrilamida em 50,0 mL de água
bidestilada em becker envolto com papel alumínio. certar o volume para
100,0 mL, filtrar em funil com papel de filtro. Estocar a 4oC em frasco
âmbar envolto em papel alumínio. Esta solução pode ser conservada
por um período de 3 a 4 meses.
I.1.2. Lower Gel Buffer
Trizma base (Sigma)
18,2 g
SDS (Sigma)
0,4 g
Água bidestilada qsp
100,0 mL
Adicionar 50,0 mL de água bidestilada ao trizma base, homogenizar e
acertar o pH da solução para 8,8. Acrescentar o SDS, completar o
volume e filtrar a solução. Estocar a 4oC em frasco âmbar envolto em
papel alumínio. Esta solução pode ser conservada por um período de 3
a 4 meses.
186
I.1.3. Upper Gel Buffer
Trizma base (Sigma)
3,0 g
SDS (Sigma)
0,2 g
Água bidestilada qsp
50,0 mL
Adicionar 25,0 mL de água bidestilada ao trizma base, homogenizar e
acertar o pH da solução para 6,8. Acrescentar o SDS, completar o
volume e filtrar a solução. Estocar a 4oC em frasco âmbar envolto em
papel alumínio. Esta solução pode ser conservada por um período de 3
a 4 meses.
I.1.4. Solução de Persulfato de Amônia a 10%
Persulfato de sódio
0,5 g
Água bidestilada
5,0 mL
Distribuir em alíquotas e manter congelado a –20 °C.
I.1.5. Solução de Duodecil Sulfato de Sódio (SDS) a 20%
SDS (Sigma)
10,0 g
Água bidestilada
50, 0 mL
I.1.6. Tampão de Amostra Redutor 5 vezes Concentrado
Tris pH 6.8
0,6 mL
Glicerol
2,5 mL
SDS 20%
1,0 mL
2-Mercaptoetanol
0,5 mL
H2O bidestilada
4,4 mL
Distribuir em alíquotas e manter congelado a –20 °C.
187
I.1.7. Tampão de Corrida 10 vezes Concentrado
Glicina (Sigma)
144,0 g
Trizma (Sigma)
30,3 g
SDS (Sigma)
10,0 g
Água bidestilada qsp
1000,0 mL
Dissolver em 600.0 ml de água destilada a glicina e o trizma,
homogenizar e acertar o pH da solução para 8,3. Adicionar as 10,0 g de
SDS, homogenizar até completa dissolução. Completar para 1000,0
mL.
Para uso, diluir na seguinte proporção:
Tampão de transferência 10 vezes concentrado
Água bidestilada
100,0 mL
1000,0 mL
I.1. 8. Gel de separação na concentração de 10% de acrilamida
Água bidestilada
6,7 mL
Tampão Lower
4,0 mL
Solução de acrilamida
3,0 mL
25 µL
Persulfato de amônia
5 µL
Temed (Sigma)
I.1.9. Gel de empilhamento na concentração de 3% de acrilamida
Água bidestilada
2,95 mL
Tampão Upper
1,25 mL
Solução de acrilamida
0,8 mL
15 µL
Persulfato de amônia
5 µL
Temed (Sigma)
188
I.1.10 Coloração pelo Brilhante Blue
Coomassie Brilhante Blue R-250 (Sigma)
4,0 g
Ácido Acético Glacial (Merck)
100,0 mL
Etanol (Merck)
450,0 mL
Água bidestilada qsp
1000,0 mL
Em um balão volumétrico adicionar o ácido acético glacial e o etanol,
completar para 1000,0 mL de água bidestilada. Adicionar o corante.
Homogeneizar lentamente em agitador magnético até completa
dissolução do corante. Filtrar e estocar em frasco âmbar a temperatura
ambiente.
I.1.11. SOLUÇÃO DESCORANTE
Ácido Acético Glacial (Merck)
100,0 mL
Etanol (Merck)
450,0 mL
Água bidestilada qsp
450,0 mL
189
ANEXO J
J.1. Soluções utilizadas no ensaio de Immunoblotting
J.1.1.Tampão de Transferência 10 vezes concentrado
Tris (Sigma)
15,15 g
Glicina (Sigma)
72,0 g
Água bidestilada qsp
500,0 mL
Para uso, diluir na seguinte proporção:
Tampão de transferência 10 vezes concentrado
100,0 mL
Metanol
100,0 mL
Água bidestilada
800,0 mL
J.1.2. Solução Corante utilizada para controle da transferência
Ponceau-S (Sigma)
1,0g
Ácido Acético Glacial (Merck)
2,0 mL
Água bidestilada qsp
200,0 mL
J.1.3. Solução Salina Tamponada com Fosfatos (PBS) pH 7,4 (10
vezes concentrado)
Cloreto de Sódio
82,0 g
NaH2PO4 . H2O
3,6 g
NaHPO4
14,2 g
Água bidestilada qsp
1000,0 mL
Para uso, diluir na seguinte proporção:
Tampão de transferência 10 vezes concentrado
190
100,0 mL
Água bidestilada
1000,0 mL
J.1.4. Solução Bloqueadora (5%)
Leite desnatado (Molico, Nestlé)
5,0 g
PBS (pH 7,4)
100,0 mL
J.1.5. Solução PBS-Tween 20 (0.1%)
500,0 µL
Tween 20 (Sigma)
PBS (pH 7,4)
500,0 mL
J.1.6. Tampão Tris-salina (pH 7,5)
Tris (Sigma)
1,2 g
Cloreto de Sódio (CAAL)
9,0 g
Água bidestilada qsp
1000,0 mL
J.1.7. Solução Cromógena
J.1.7.1. Para anti-imunoglobulina conjugado à peroxidase
4-cloro 1-naftol (Sigma)
15,0 mg
Tris-salina (pH7,5)
20,0 mL
Metanol (Merck)
5,0 mL
Peroxido de hidrogênio
20,0 µL
Preparo da solução reveladora:
191
Dissolver o 4 cloro 1- naftol no metanol frio, acrescentar a solução Trissalina e por último o peróxido de hidrogênio.
J.1.7.2.Para anti-imunoglobulina conjugado à fosfatase alcalina
5-bromo-4-cloro-indolil (BCIP)
Nitroblue tetrazólio
(NBT)
Preparo da solução reveladora:
Diluir 44 µL de NBT em 10,0 mL de solução Tris-HCl 0.1M, pH 9,5,
0.1M
de NaCl e 50 mM de
Adicionar BCIP
Mg Cl2 ,homogeneizar gentilmente.
33 µL homogeneizar.
192
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