maria josé tôrres câmara

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TALIANE MARIA DA SILVA TEÓFILO
INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NO CRESCIMENTO E NA
EFICIÊNCIA DE USO DA ÁGUA NA CULTURA DO MELOEIRO NOS
SISTEMAS DE PLANTIO DIRETO E CONVENCIONAL
MOSSORÓ-RN
2009
TALIANE MARIA DA SILVA TEÓFILO
INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NO CRESCIMENTO E NA
EFICIÊNCIA DE USO DA ÁGUA NA CULTURA DO MELOEIRO NOS
SISTEMAS DE PLANTIO DIRETO E CONVENCIONAL
Dissertação apresentada à
Universidade Federal Rural do
Semi-Árido, como parte das
exigências para obtenção do
título de Mestre em Fitotecnia.
ORIENTADOR:
Prof. Dr. Sc. FRANCISCO CLÁUDIO LOPES DE FREITAS
MOSSORÓ-RN
2009
Ficha catalográfica preparada pelo setor de classificação e
catalogação da Biblioteca “Orlando Teixeira” da UFERSA
T314i
Teófilo, Taliane Maria da Silva
Interferência de plantas daninhas no crescimento e na
eficiência de uso da água na cultura do meloeiro. / Taliane Maria da
Silva Teófilo. -- Mossoró: 2010.
80f.: il.
Dissertação (Mestrado em Fitotecnia: Área de
concentração em Agricultura Tropical) – Universidade Federal Rural
do Semi-Árido. Pró-Reitoria de Pós-Graduação.
Orientador: Prof.º Dr. Sc. Francisco Cláudio L. de Freitas
Co-orientador: Prof.º Dr.Sc. José Francismar de Medeiros
1.Cucumes melo L.. 2.Cobertura do solo. 3.Eficiência no uso
da água. 4. Manejo cultura. I. Título.
CDD:635.611
Bibliotecária: Marilene Santos de Araújo
CRB-5/1033
INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NO CRESCIMENTO E
NA EFICIÊNCIA DE USO DA ÁGUA NA CULTURA DO MELOEIRO
NOS SISTEMAS DE PLANTIO DIRETO E CONVENCIONAL
Dissertação
apresentada
à
Universidade Federal Rural do
Semi-Árido, como parte das
exigências para obtenção do
título de Mestre em Fitotecnia.
APROVADA EM: 14 / 12 /2009
Aos meus irmãos Tonny, Tayza,
Tennison e Tiago pelo apoio, carinho
e amizade.
Dedico
Aos meus pais José Teófilo
e Etelvina das Dores, pelo
amor e confiança.
Ofereço
AGRADECIMENTOS
A Deus, força maior, que está presente em todos os momentos da minha
vida, sejam eles alegres ou tristes.
À Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) pela
oportunidade de realização do curso;
A CAPES pela concessão da bolsa;
Ao CNPq pelo financiamento do projeto;
Aos meus pais José Teófilo e Etelvina das Dores pelo amor incondicional
e por nunca deixarem de acreditar em mim;
Aos meus irmãos Tonny, Tayza, Tennison e Tiago pelo carinho, amizade
e confiança;
À minha sobrinha Ana Júlia pela doçura, amor e carinho que demonstra
por mim, saiba que a recíproca é verdadeira.
Ao meu namorado Diêgo Marlus pelo amor, compreensão e paciência,
pois soube compreender todas as minhas „ausências‟ durante o decorrer do
projeto.
Ao meu orientador Francisco Cláudio Lopes de Freitas, pela
orientação, amizade e compreensão indispensáveis para o êxito desse projeto.
Ao meu co-orientador José Francismar de Medeiros e ao conselheiro da
banca, Francisco Affonso Ferreira - UFV, pelas sábias sugestões, contribuindo
consideravelmente para o aprimoramento da obra.
As minhas amigas Doralice, Dalila, Carmem, Lisiane, Kênia, Samara e
Daniele pela amizade, ajuda e companheirismo, tornando esses dois anos mais
fáceis e harmoniosos.
A toda equipe de Plantas Daninhas: Larissa, Hélida, Ramônia, Michel,
Mikael, Elania, Márcio, Ana Paula, Jorge e Paulinha. colocar, só estou lembrando
caso tenha se esquecido) e em especial a minha amiga Doralice que me
acompanhou dia e noite na execução do experimento, esse mérito é nosso.
Aos colegas do mestrado: Welder, Carlos Eduardo, Andréa Andrade,
Priscila, Patrício, Isaías, Dalila, Carmem, Dora, enfim a toda a turma pela
cumplicidade e amizade.
Aos funcionários da horta, Srs. Antonio, Alderi, Josevan e Zé pela
importante ajuda nos trabalhos de campo.
Ao funcionário Sr. Agostinho pelas inúmeras risadas, brincadeiras,
carinho e também pelas caronas e lanches que o Sr. levava pra horta, tornando o
trabalho mais harmonioso e agradável.
A Empresa Agristar do Brasil, em especial a pessoa de Halen Vieira de
Queiroz Tomaz pela concessão das sementes para realização do experimento e
pelas importantes dicas e sugestões para condução do mesmo.
Para todas as pessoas que não deu para citar os nomes, mas que me
ajudaram direta ou indiretamente, seja com uma palavra de apoio ou uma ajuda
na execução do trabalho os meus sinceros agradecimentos!
É dentro de nós que nos
podemos conhecer a nós mesmos e
conhecer verdadeiramente o que são
as coisas e as pessoas e os
acontecimentos. Dentro de nós é que
havemos de encontrar as sementes
do ideal, do sonho nobre, da força
para resistir e avançar. E se houver
Deus é dentro de nós que O podemos
conhecer bem.
(Paulo Geraldo)
BIOGRAFIA
TALIANE MARIA DA SILVA TEÓFILO, filha de José Teófilo Sobrinho e
Etelvina das Dores da Silva Teófilo, nasceu no dia 23 de maio de 1984, em
Ipanguaçu-RN. Concluiu o Ensino Médio no Complexo Educacional Santo
André, Assu-RN em dezembro de 2001, ingressou no curso de Agronomia em
março de 2002 e em 2006 diplomou-se Engenheira Agrônoma pela Universidade
Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA, em Mossoró-RN. Em 2007 trabalhou
na Agrícola Famosa Ltda., Icapuí-CE. E em fevereiro de 2008 ingressou no
Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia, na mesma Universidade.
RESUMO
TEÓFILO, Taliane Maria da Silva. Interferência de plantas daninhas no
crescimento e na eficiência de uso da água na cultura do meloeiro nos
sistemas de plantio direto e convencional, 2009. 72f. Dissertação (Mestrado
em Fitotecnia) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA),
Mossoró-RN, 2009.
Com o objetivo de avaliar a interferência de plantas daninhas no crescimento,
produção e eficiência no uso da água na cultura do melão, submetido à estratégias
de manejo de plantas daninhas nos sistemas de plantio convencional e direto,
conduziu se dois experimentos no campus da Universidade Federal Rural do
Semi-Árido, no esquema de parcelas subdivididas, distribuídas no delineamento
experimental de blocos casualizados com três sistemas de manejo de plantas
daninhas (cobertura do solo com filme de polietileno, com capinas e sem capinas)
nos sistemas de plantio direto e convencional. No primeiro experimento foram
realizadas avaliações de crescimento do meloeiro aos 0, 14, 28, 42, 56 e 62 dias
após o transplantio, para as seguintes características: área foliar, índice de área
foliar, massa seca de folhas, caule e frutos e as taxas de crescimento absoluto,
relativo e de assimilação líquida. Por ocasião da colheita avaliou-se a massa seca
de plantas daninhas. No segundo experimento, avaliou-se a produtividade do
meloeiro e a eficiência no uso da água (kg de frutos por m³ de água), baseada na
lâmina de água aplicada para cada tratamento, determinada pela leitura de
tensiômetros instalados a 15 e 30 cm de profundidade, em cada unidade
experimental. O sistema de plantio direto apresentou índices de crescimento
superiores aos do sistema de plantio convencional em todas estratégias de manejo
de plantas daninhas. No tratamento sem capinas o sistema de plantio direto
reduziu em 86,7 e 70,9%, o acúmulo de massa seca de plantas daninhas, aos 30
dias após o transplantio e na colheita, respectivamente, em relação ao plantio
convencional e a interferência destas reduziu a produtividade comercial em 100%
no plantio convencional e 28,8% no plantio direto. A cobertura do solo com filme
de polietileno, no plantio convencional, a palhada mais filme de polietileno e a
palhada no plantio direto reduziram o consumo de água em 23% (388,8 m³/ha),
21% (363,0 m³/ha) e 13% (215,0 m³/ha), respectivamente, em relação ao
tratamento com capinas no plantio convencional. Maior eficiência no uso da água
foi verificada no tratamento com filme de polietileno no plantio direto (25,58 kg
m-3). No tratamento sem capinas no sistema de plantio convencional, além da
perda total na produtividade comercial, a interferência das plantas daninhas
aumentou o consumo de água em 10%.
Palavras-chave: Cucumis melo L., cobertura do solo, eficiência no uso da água,
manejo cultural.
ABSTRACT
TEÓFILO, Taliane Maria da Silva. Weed interference on growth and
efficiency of water use in the melon in conventional and no-tillage systens,
2009. 72f. Dissertation (MSc in Crop Science) - University of the Semi-Arid
Rural (UFERSA) Mossoró, RN, 2009.
Aiming to evaluate the weeds interference on growth, production and efficiency
in water use in the melon crop submitted to strategies for weeds management in
conventional tillage and no-tillage systems, were conducted two experiments on
the campus of Universidade Federal Rural do Semi-Arido, in split plots,
distributed in randomized block design, with three systems of weed management
(cover with polyethylene mulching, with regular weeds control and without
weeds control) in no-tillage and conventional tillage systems. In the first
experiment were evaluated the growth of melon plants at 0, 14, 28, 42, 56 and 62
days after transplanting, for the following characteristics: leaf area, leaf area
index, dry mass of leaves, stems and fruits and the rates absolute growth, relative
growth and net assimilation. At harvest occasion it was estimated the dry mass of
weeds. The second experiment evaluated the productivity of melon and water use
efficiency (kg fruit per m³ of water), based on irrigation water applied for each
treatment, determined by the reading of tensiometers installed at 15 and 30 cm
depth in each experimental unit. The no-tillage system had growth rates higher
than those of conventional tillage in all strategies for weed management. In the
treatment without weed control in no-tillage system reduced by 86.7 and 70.9%,
the dry mass of weeds at 30 days after transplanting and in harvest, respectively,
compared to conventional tillage system and the interference of these reduced
commercial yield by 100% in conventional tillage and 28.8% in no-tillage. The
soil covered with polyethylene film in conventional tillage, straw mulch and
straw more polyethylene film mulching in no-tillage system have reduced water
consumption by 23% (388.8 m³ ha-1), 21% (363.0 m³ ha-1) and 13% (215.0 m³ ha1
), respectively, compared to treatment with weeds control in conventional tillage.
Greater efficiency in water use was observed in treatment with polyethylene
mulching in no-tillage system (25.58 kg m-3). In the treatment without weeds
control in conventional tillage system, besides the total loss in yield, the
interference of weeds increased water consumption by 10%.
Keywords: Cucumis melo L., efficient use of water, straw, cultural management.
LISTA DE FIGURAS
CAPÍTULO 2
Figura 1. Número de folhas (A), área foliar (B), Índice de área foliar (C) e massa
seca de folhas (D) de melão amarelo (cv. 0601) em função dos dias após o
transplantio, para os tratamentos com filme de polietileno no plantio
convencional (FC), capinado no plantio convencional (CC), sem capina no
plantio convencional (SC), filme de polietileno no plantio direto (FD), capinado
no plantio direto (CD) e sem capina no plantio direto (SD), Mossoró-RN,
UFERSA,
2008..............................................................................................................43
Figura 2. Massa seca de caule, de frutos e total e taxa de crescimento absoluto de
melão amarelo (cv. 0601) em função dos dias após o transplantio, para os
tratamentos com Filme de polietileno no plantio Convencional (FC), Capinado
plantio Convencional (CC), Sem capina Convencional (SC), Filme de
polietileno no plantio Direto (FD), Capinado no plantio Direto (CD) e Sem
capina no sistema de plantio Direto (SD), Mossoró-RN, UFERSA,
2008.................................................................................................................46
Figura 3. Taxa de crescimento relativo (TCR) e de assimilação líquida (TAL) de
melão amarelo (cv. Primax), para os tratamentos com filme de polietileno no
plantio Convencional (FC), Capinado plantio Convencional (CC), Sem capinas
Convencional (SC), filme de polietileno no plantio Direto (FD), Capinado no
plantio Direto (CD) e sem capinas no sistema de plantio Direto (SD), MossoróRN, UFERSA, 2008.........................................................................................48
CAPÍTULO 3
Figura 1. Temperaturas máxima (T máx.), mínima (T mín) e média (T média)
(Fig. A), Umidade relativa do ar máxima (UR máx.), mínima (UR mín) e média
(UR média) (Fig. B), velocidade do vento a 10 m de altura(V10), radiação global
(Rg) e evapotranspiração de referência (ETo) (Fig. C) durante o período
experimental. Mossoró. 2008. (Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia INMET)............................................................................................................60
Figura 2. Redução do consumo de água para os tratamentos com filme de
poilietileno, com capinas e sem capinas nos sistemas de plantio convencional e
plantio direto em relação ao tratamento com capinas no plantio convencional.
Mossoró-RN, UFERSA, 2008.............................................................................70
LISTA DE TABELAS
CAPÍTULO 2
Tabela 1. Quantidades de fertilizantes (Kg ha-1) aplicados por meio de
fertirrigação ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura do melão
(TOMAZ, 2008)..................................................................................................38
Tabela 2- Massa seca das principais espécies daninhas (g m-2) na cultura do
melão,
por
ocasião
da
colheita.
Mossoró-RN,
UFERSA,
2008..................................................................................................................41
CAPÍTULO 3
Tabela 1. Quantidades de fertilizantes (Kg ha-1) aplicados por meio de
fertirrigação ao longo do ciclo da cultura do melão, Mossoró-RN, UFERSA,
2007................................................................................................................62
Tabela 2- Densidade das principais plantas daninhas (plantas m-2) na cultura do
melão, aos 30 dias após o transplantio (DAT) e por ocasião da colheita do
meloeiro.
Mossoró-RN,
UFERSA,
2008.....................................................................................................................65
Tabela 3. Consumo diário de água (m3 ha-1) nos diferentes períodos de
crescimento (semanas) e consumo total de água meloeiro (m³ ha -1) em função
dos sistemas de plantio convencional e plantio direto e manejo de plantas
daninhas. Mossoró-RN, UFERSA, 2008.............................................................68
Tabela 4. Produção de frutos de melão e eficiência no uso da água no meloeiro
em função dos sistemas de plantio e estratégias de manejo de plantas daninhas.
Mossoró-RN, UFERSA, 2008.............................................................................72
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO GERAL........................................................ 16
1.1 INTRODUÇÃO GERAL............................................................................. 16
1.2 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................... 24
CAPÍTULO 2 - INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NO
CRESCIMENTO DO MELOEIRO NOS SISTEMAS DE PLANTIO DIRETO
E CONVENCIONAL........................................................................................
31
2.1 RESUMO..................................................................................................... 31
2.2 ABSTRACT................................................................................................. 32
2.3 INTRODUÇÃO............................................................................................ 33
2.4 MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................... 36
2.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................. 40
2.6 LITERATURA CITADA............................................................................. 50
CAPÍTULO 3 - EFEITO DO SISTEMA DE PLANTIO DIRETO NO
CONSUMO DE ÁGUA E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS NA
CULTURA DO MELÃO..................................................................................
55
3.1 RESUMO..................................................................................................... 55
3.2 ABSTRACT................................................................................................. 56
3.3 INTRODUÇÃO............................................................................................ 57
3.4 MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................... 59
3.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................. 64
3.6 LITERATURA CITADA............................................................................. 76
RECOMENDAÇÕES GERAIS........................................................................
80
CAPÍTULO 1 - INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NO
CRESCIMENTO E NA EFICIÊNCIA DE USO DA ÁGUA NA CULTURA
DO MELOEIRO NOS SISTEMAS DE PLANTIO DIRETO E
CONVENCIONAL
1.1 INTRODUÇÃO GERAL
O meloeiro (Cucumis melo L.) é uma espécie polimórfica pertencente à
família das Curcubitáceas e ao gênero Cucumis. É uma planta anual, herbácea,
rasteira, de haste sarmentosa, provida de gavinhas axilares e folhas simples,
palmadas, pentalobuladas, angulosas quando jovens e subcodiformes quando
desenvolvidas (PEDROSA, 1997). Possui hábito de crescimento rasteiro, com os
ramos laterais, podendo atingir até três metros de comprimento e sistema
radicular fasciculado, com crescimento abundante nos primeiros 30 cm de
profundidade (ARAÚJO, 1980; FILGUEIRA, 2003). Possui em torno de 40
variedades botânicas, sendo que a Cucumis melo inodorus Naud., a mais
cultivada no Brasil, e Cucumis melo cantaloupensis Naud. correspondem aos
melões inodoros e aos aromáticos, respectivamente (COSTA, 1999). Os melões
do primeiro grupo apresentam frutos com casca lisa ou levemente enrugada,
coloração amarela, branca ou verde-escura. Os do segundo grupo possuem frutos
com superfície rendilhada, verrugosa ou escamosa, podendo ou não apresentar
gomos, polpa com aroma característico e de coloração alaranjada, salmão ou
verde (MENEZES, 2000).
O meloeiro adapta-se melhor aos climas quentes e secos, requerendo
irrigação para suprir sua demanda hídrica, de acordo com o estágio de
desenvolvimento, principalmente na floração e na frutificação. Podendo ser
cultivado o ano todo em locais com temperatura anual média entre 18° e 39°C
(BLANCO et al., 1997). O desenvolvimento vegetativo da planta diminui
quando a temperatura do ar é inferior a 13°C, paralisando a 1°C. As
16
temperaturas ideais estão entre 28°C e 32°C para germinação, 20°C e 23°C para
floração e 25°C e 30°C para o desenvolvimento. No desenvolvimento inicial da
planta, a umidade deve ser entre 65 e 75%, na floração entre 60 e 70% e na
frutificação entre 55 e 65% (SOUSA et al., 1999).
Com relação a sua origem, existem discordâncias entre os historiadores
sobre o provável centro de origem do melão. No entanto Mallick & Massui
(1986), acreditam que o sudoeste da África e a Índia peninsular, podem ter sido
o centro de origem. Essa teoria é confirmada pela presença de tipos idênticos
nestas regiões e em suas adjacências.
A cultura foi introduzida comercialmente no Brasil na década de 60, e
suas principais áreas produtoras eram os estados de Rio Grande do Sul e São
Paulo. No entanto a produtividade e qualidade eram bastante limitadas
(ARAÚJO; VILELA, 2003). Atualmente, devido às condições de solo e clima a
região Nordeste do Brasil é responsável por mais de 90% do melão produzido no
país, destacando-se os estados do Ceará e Rio Grande do Norte (IBGE, 2009).
Nessa região, época mais favorável para o cultivo do melão é de agosto a
fevereiro, devido à baixa probabilidade de ocorrência de chuvas, que resulta em
frutos de melhor qualidade.
Diversos fatores podem interferir na produtividade das culturas, dentre
os quais, merece destaque a interferência de plantas daninhas, que competem
com a cultura por água, luz e nutrientes, além de liberarem substâncias
alelopáticas que inibirão seu desenvolvimento; bem como, o teor de água
disponível no solo, também tem sido considerado como um dos mais agravantes,
por diversas razões, dentre as quais pode-se destacar o fato da água ser requerida
como parte integrante dos vegetais, sobretudo, por seu papel no transporte de
nutrientes e na taxa fotossintética, entre outras funções, consideradas vitais para
o desenvolvimento das plantas.
17
A utilização eficiente da água está se tornando cada vez mais importante
devido à escassez de recursos hídricos, especialmente na região semi-árida do
Nordeste brasileiro, e ao elevado custo da energia, o que torna cada vez mais
necessário o uso de metodologias apropriadas ao manejo racional do uso da
água. Atualmente, diversos trabalhos têm sido desenvolvidos no sentido de
promover o uso racional da água na agricultura (OLITTA et al., 1987;
CARDOSO, 2002; NETO et al., 2006; BATISTA et al., 2009), melhorando a
eficiência do uso desse bem tão escasso, através de sistema de irrigação
localizada, por gotejamento.
O uso racional da água passa por um controle eficiente da lâmina de
irrigação aplicada nas culturas, usando sistemas que distribuam água na área em
volume correspondente a evapotranspiração das mesmas (MEDEIROS, 2007),
que pode ser estimada com razoável precisão, utilizando as recomendações da
FAO, que se baseia na estimativa da evapotranspiração da cultura de referência,
que depende apenas dos dados climáticos e do coeficiente de cultura, que varia
ao longo do ciclo em função da fase fenológica da planta (ALLEN et al., 2006).
No planejamento, projeto e operação de sistemas de irrigação, é possível
analisar o efeito do suprimento de água sobre os rendimentos da cultura. A
relação entre este rendimento e o suprimento de água, pode ser determinada
quando se puder quantificar, de um lado, a necessidade hídrica da cultura e os
efeitos do déficit hídrico e, de outro, os rendimentos máximo e real da cultura
(DOOREMBOS; KASSAN, 1979).
Entretanto, além do controle eficiente da lâmina de irrigação aplicada é
fundamental que se utilizem estratégias que favoreçam o armazenamento de
água no solo, através do aumento da infiltração e da redução da taxa de
evaporação.
Os solos do Semi-Árido Nordestino são geralmente pouco profundos, de
baixa permeabilidade, de baixo teor de matéria orgânica, mas relativamente ricos
18
em bases. Assim, os métodos de exploração destes solos deveriam estar
fundamentados no menor distúrbio possível do meio biológico e no reforço do
aporte de matéria orgânica, pela manutenção de uma cobertura viva formada por
plantas fixadoras de nitrogênio e de uma cobertura morta oriunda de restos
culturais, esterco e fontes diversas de adubação verde (ARAÚJO FILHO, 2007).
Dentre as técnicas a serem implementadas, merece destaque o sistema
de plantio direto na palha, que segundo Agnes et al. 2004 e Freitas et al. (2005a),
reduz as perdas de solo por erosão hídrica e eólica, reduz o assoreamento e a
eutrofização de represas, rios e riachos, melhora as características físicas do
solo, elevando sua capacidade de infiltração e retenção de água, elevando,
também, seu teor de matéria orgânica. Salton (1995), avaliando atributos físicos
do solo no sistema de integração agricultura-pecuária, verificou maior taxa de
infiltração de água no solo em áreas cultivadas com soja em plantio direto sobre
pastagem de braquiária, em relação à semeadura da leguminosa em sistema
convencional. Além disso, a palhada na superfície do solo pode modificar as
condições para a germinação de sementes e emergência das plântulas, em razão
do efeito físico de cobertura e da liberação de substâncias alelopáticas
(THEISEN et al., 2000; FÁVERO et al., 2001), reduzindo ou, até mesmo,
evitando a realização de capinas.
A cobertura do solo pode minimizar o risco climático das culturas de
sequeiro, pela redução do déficit hídrico. Muitos trabalhos têm evidenciado que,
em plantio direto, o conteúdo de água do solo é maior que em áreas cultivadas
com preparo convencional (SIDIRAS et al., 2007; SALTON; MIELNICZUK,
1995; STONE; SILVEIRA, 1999). Sidiras et al. (2007) verificaram que, em
plantio direto, o solo reteve de 36 a 45% mais água disponível para as culturas,
reduzindo as perdas de água por evaporação e aumentando o armazenamento de
água no solo. Já Meireles et al. (2003) verificaram que a utilização do sistema
plantio direto proporcionou aumento da ocorrência de áreas com menor risco e
19
prolongamento do período favorável de semeadura, em relação ao sistema
preparo convencional, os mesmos autores verificaram ainda, efeito mais
evidentes em solos com melhor coberura pela palhada.
Poucos trabalhos foram conduzidos relacionando o cultivo de hortaliças
com o sistema de plantio direto. Marouelli et al (2006), avaliando o efeito desse
sistema de cultivo, sobre o uso de água e variáveis relativas à produção de
cultivares de tomate para processamento, em comparação com o sistema de
plantio convencional, verificaram economia de água na ordem de 25%, até 50
dias após o transplante das mudas, de 11% durante todo o ciclo, além do
incremento de 10 a 17% na produtividade e de 23% na eficiência do uso de água
pelas plantas em relação ao plantio convencional.
A cobertura morta (palhada) evita a evaporação da água direta do solo,
podendo assim reduzir a evapotranspiração das culturas, nos estágios iniciais de
crescimento, na ordem de 50% a 70% (MEDEIROS, 2007). Andrade et al.
(2002), verificaram que a evapotranspiração na cultura do feijoeiro, cultivada no
sistema de plantio direto, apresentou menores valores à medida que aumentou a
porcentagem de cobertura do solo.
Todavia, a obtenção de palhada, essencial ao sistema de plantio direto,
na condição de clima semi-árido pode ser um fator limitante, em conseqüência
do período seco prolongado com temperaturas elevadas, que acelera a taxa de
decomposição dos resíduos vegetais. Portanto, é necessário utilizar espécies
vegetais adequadas e estratégias de manejo, no sentido de formar palhada nestas
condições.
O uso de gramíneas perenes, destinadas à produção de forragem para
pastejo, pode se constituir numa estratégia viável para a formação de palhada,
uma vez que várias espécies, como a Brachiaria decumbens e a B. brizantha,
apresentam potencial para consorciação com culturas de interesse econômico,
como o feijão-caupi, milho e sorgo, no período chuvoso, que na região vai de
20
fevereiro a junho. Após a colheita da cultura principal, a forrageira se
desenvolve e forma fitomassa, para dessecação e formação de palhada para o
plantio direto. Nesse sentido, diversos trabalhos têm sido desenvolvidos
buscando a associação do uso de plantas forrageiras para pastejo em rotação e/ou
consorciação com cultivos anuais, no sistema de plantio direto (JAKELAITIS et
al., 2005a; JAKELAITIS et al. 2005b; FREITAS et al., 2005b, FREITAS et al.,
2008).
O sistema radicular fasciculado das gramíneas, com raízes finas, após
sua decomposição em razão da dessecação, contribui para formação de
porosidade no solo, facilitando a infiltração e armazenamento da água, que,
aliado à cobertura do solo formada pela parte aérea da planta, que contribui para
a redução do escorrimento superficial, possibilitando a infiltração da água num
maior espaço de tempo e a redução da taxa de evaporação, favorecendo a
eficiência no uso da água por parte das culturas.
Atualmente, a técnica mais utilizada pelos produtores de melão, para a
redução da perda de água por evaporação, o controle de plantas daninhas e ainda
evitar o contato direto do fruto com o solo é a cobertura do solo com filme de
polietileno (TOMAZ, 2008).
A aplicação do filme de polietileno aumentou a produção, a massa seca
de folhas e a total de plantas em relação ao solo sem cobertura na cultura e do
melão (IBARRA-JIMÉNEZ et al., 2004, TOMAZ, 2008). Por outro lado, tem
custo elevado, tanto pela matéria prima, que algumas vezes não é reutilizada,
quanto pela mão-de-obra na sua colocação (TOMAZ, 2008). O uso do plástico,
especialmente o de cor preta, que é o mais utilizado, promove elevação da
temperatura do solo, que pode passar dos 5ºC, quando comparado ao solo sem
cobertura (IBARRA-JIMÉNEZ et al., 2008). Essa modificação na temperatura
pode afetar o crescimento das plantas pelos efeitos da absorção, refletância e
transmitância da radiação de ondas curtas e longas (LIAKATAS et al., 1986;
21
LAMONT, 2005). Todavia, o aumento da temperatura em regiões tropicais pode
comprometer a sobrevivência de microorganismos, como também favorecer o
surgimento de patógenos prejudiciais à cultura (SILVA et al. 2007).
Uma das formas de se avaliar efeitos de técnicas de manejo, dentre
diversas outras características, é a análise de crescimento das plantas. O
crescimento de uma planta pode ser medido de várias maneiras. Em alguns
casos, a determinação da altura é suficiente, mas, às vezes, maiores informações
são necessárias, como por exemplo, o tamanho das folhas (comprimento,
largura, área), a massa seca total ou de órgãos individuais, como raízes, caules,
folhas e frutos. A análise de dados gerados a partir dos dados de crescimento é
uma tarefa muito comum em diversas áreas de investigação cientifica. Em
agronomia existem interesses óbvios em conhecer como as plantas crescem e a
velocidade que crescem (MAZUCHELI; ACHCAR, 1997).
Do ponto de vista agronômico, a análise de crescimento pode ser útil no
estudo do comportamento vegetal sob diferentes condições ambientais,
incluindo condições de cultivo, de forma a selecionar híbridos ou espécies que
apresentem características mais apropriadas (diferenças funcionais e estruturais)
aos objetivos do experimentador (BENINCASA, 2003), bem como, fatores
intrínsecos associados com a fisiologia da planta (MAGALHÃES, 1979).
Segundo Magalhães (1986), a análise de crescimento descreve as
condições morfofisiológicas da planta em diferentes intervalos de tempo,
permitindo acompanhar a dinâmica da produtividade, avaliada por meio de
índices fisiológicos e bioquímicos. É um método a ser utilizado na investigação
do efeito dos fenômenos ecológicos sobre o crescimento, como a adaptabilidade
das espécies em ecossistemas diversos, efeitos de competição, diferenças
genotípicas da capacidade produtiva e influência das práticas agronômicas sobre
o crescimento. Afirma, ainda, que a determinação da área foliar é importante,
22
pois as folhas são as responsáveis pela captação de energia solar e produção de
matéria orgânica, através da fotossíntese.
Os índices envolvidos, determinados na análise de crescimento, indicam
a capacidade do sistema assimilatório das plantas em sintetizar (fonte) e alocar a
matéria orgânica nos diversos órgãos (drenos) que dependem da fotossíntese,
respiração e translocação de fotoassimilados dos sítios de fixação de carbono aos
locais de utilização ou de armazenamento, onde ocorrem o crescimento e a
diferenciação dos órgãos. Portanto, a análise de crescimento expressa as
condições morfofisiológicas da planta e quantifica a produção líquida, derivada
do processo fotossintético, sendo o resultado do desempenho do sistema
assimilatório durante certo período de tempo. Esse desempenho é influenciado
pelos fatores bióticos e abióticos à planta (LARCHER, 1995).
23
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30
CAPÍTULO 2 - INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NO
CRESCIMENTO DO MELOEIRO NOS SISTEMAS DE PLANTIO
DIRETO E CONVENCIONAL
2.1 RESUMO
Com o objetivo de avaliar o crescimento do meloeiro (Cucumis melo L.),
submetido a diferentes estratégias de controle de plantas daninhas nos sistemas
de plantio direto e convencional, conduziu-se um experimento no período de
fevereiro a dezembro de 2008 na horta experimental da UFERSA, em MossoróRN. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, no
esquema de parcelas subdivididas, com quatro repetições. As parcelas foram
constituídas por dois sistemas de plantio (direto e convencional), e as
subparcelas, por três estratégias de manejo de plantas daninhas (cobertura do
solo com filme de polietileno, capinas regulares e sem capinas). Em cada
subparcela foram realizadas seis épocas de avaliações (0, 14, 28, 42, 56 e 62 dias
após transplantio) para determinação das seguintes características: Número de
folhas, área foliar, índice de área foliar, massa seca de folhas, de caule, de frutos
e total por planta, razão de área foliar e taxas de crescimento absoluto, de
crescimento relativo e de assimilação líquida. Por ocasião da colheita avaliou-se
também, a densidade e a massa seca de plantas daninhas. Verificou-se que o
sistema de plantio direto apresentou redução de 70,9% na incidência de plantas
daninhas em relação ao sistema de plantio convencional. Com relação à análise
de crescimento, observou-se que sistema de plantio direto apresentou índices de
crescimento superiores aos do sistema de plantio convencional. No tratamento
sem capinas o sistema de plantio direto sofreu menor interferência das plantas
daninhas e o tratamento com filme de polietileno apresentou índices de
crescimento superiores às demais estratégias de manejo de plantas nos dois
sistemas de plantio.
Palavras-chave: Cucumis melo L., cobertura morta, manejo de plantas daninhas,
filme de polietileno, mulching.
31
CHAPTER 2 - INTERFERENCE OF WEEDS ON GROWTH IN
CONVENTIONAL AND NO-TILLAGE SYSTEMS
2.1 ABSTRACT
Aiming to evaluate the growth of melon (Cucumis melo L.) under different
control strategies of weeds in conventional and no-tillage systens, we conducted
an experiment in the period from February to December 2008 in Mossoró-RN.
The experiment was a randomized blocks, in a splitplot. with four replications.
In the plots were available two planting systems (no-tillage and conventional
tillage) and the sub-plots, three strategies for weed management (mulching with
polyethylene film, with regular weeds control and without weeds control). In
each subplots were six assessment times (0, 14, 28, 42, 56 and 62 days after
transplanting) for determining the following characteristics: number of leaves,
leaf area, leaf area index, dry mass of leaves, stem, fruits, and total per plant, the
rates absolute growth, relative growth and net assimilation. At harvest occasion
it was evaluated, density and dry mass of weeds. It was found that the no-tillage
system showed a decrease of 70.9% in the incidence of weeds in relation to
conventional tillage. Regarding the analysis of growth it was observed that notill system showed growth rates above those of conventional tillage. In the
treatment without weeds control in no-tillage system has less interference and
the treatment with polyethylene mulching had growth rates higher than other
strategies for management of weeds in both tillage systems.
Keywords: Cucumis melo L., straw, weed management, polyethylene film,
mulching
32
2.3 INTRODUÇÃO
Dentre as hortaliças tropicais, o melão (Cucumis melo L.), é a que tem
demonstrado expansão mais significativa nas duas últimas décadas. Nesse
período, o volume produzido passou de 37 mil toneladas anuais em 1981 para
352 mil toneladas em 2005. Esse incremento tão vigoroso deveu-se
exclusivamente à região Nordeste, que aumentou 773% a produção entre os anos
de 1987 a 2005 (IBGE, 2007). Com essa expansão na oferta, o melão tornou-se
um dos mais importantes produtos do agronegócio brasileiro conquistando
espaços cada vez maiores nos mercados nacional e internacional.
Entretanto, como o cultivo do melão é uma exploração que demanda
muito capital, torna-se imprescindível que os produtores além do conhecimento
técnico sobre o manejo da cultura, adotem estratégias no sentido de reduzir os
custos de produção, procurando preservar os recursos ambientais, como por
exemplo, a adoção do sistema de plantio direto, que segundo Agnes et al. 2004 e
Freitas et al. (2005a) reduz as perdas de solo por erosão hídrica e eólica, reduz o
assoreamento e a eutrofização de represas, rios e riachos, melhora as
características físicas do solo, elevando sua capacidade de infiltração e retenção,
elevando, também, seu teor de matéria orgânica. Salton (1995), avaliando
atributos físicos do solo no sistema de integração agricultura-pecuária, verificou
maior taxa de infiltração de água no solo em áreas cultivadas com soja em
plantio direto sobre pastagem de braquiária, em relação à semeadura da
leguminosa em sistema convencional.
O sistema de plantio direto reduz também, a interferência de plantas
daninhas, que competem com a cultura por água, luz e nutrientes, além de liberar
substâncias alelopáticas e serem hospedeiras de pragas e doenças, podendo
ocasionar até 100% de perda na produção de frutos de melão, quando não
controladas (TOMAZ, 2008).
33
Poucos estudos foram realizados avaliando a cultura do meloeiro no
sistema de plantio direto. Em trabalho realizado Tomaz (2008) verificou-se que
os tratamentos conduzidos no plantio direto apresentaram produtividade
semelhante ao plantio convencional. No entanto, o plantio direto reduziu a
infestação e a interferência de plantas daninhas na cultura.
O controle das plantas daninhas no meloeiro pode ser feito por meio de
capinas mecânicas, no entanto, como se trata de uma cultura que se alastra sobre
o solo, este método apresenta baixo rendimento e pode danificar as plantas. O
controle químico é muito limitado, considerando-se que atualmente, no Brasil,
tem-se apenas um herbicida registrado para a cultura (clethodim + fenoxaprop-pethyl), que controla exclusivamente gramíneas (SILVA et al., 2007). Diante
disso, uma técnica que vem sendo muito utilizada é o filme de polietileno
(mulching sintético), que é um método físico-mecânico de controle das plantas
daninhas. Este método tem sido muito utilizado nas áreas de melão e melancia,
com irrigação por gotejamento na região Nordeste. Além de promover o controle
das plantas daninhas o filme de polietileno reduz a perda de água por evaporação.
Por outro lado, tem custo elevado, tanto pela matéria prima, que algumas vezes
não é reutilizada, quanto pela mão-de-obra na colocação da lâmina de polietileno
(TOMAZ, 2008). Outra preocupação com relação ao uso do plástico preto é o
aumento da temperatura do solo, que pode passar dos 5ºC (IBARRA-JIMÉNEZ et
al., 2008). Esse aumento da temperatura em regiões tropicais pode comprometer a
sobrevivência de microorganismos, como também favorecer o surgimento de
patógenos prejudiciais à cultura (SILVA et al. 2007).
Para o melão, assim como para todas as outras culturas, pode-se através
da análise de crescimento, avaliar efeitos de técnicas de manejo, dentre diversas
outras características. O crescimento de uma planta pode ser medido de várias
maneiras. Em alguns casos, a determinação da altura é suficiente, mas, às vezes,
maiores informações são necessárias, como por exemplo, o tamanho das folhas
34
(comprimento, largura, área), a massa seca total ou de órgãos individuais, como
raízes, caules, folhas e frutos (BENINCASA, 2003)
.
Os índices determinados na análise de crescimento indicam a capacidade
do sistema assimilatório das plantas em sintetizar (fonte) e alocar a matéria
orgânica nos diversos órgãos (drenos) que dependem da fotossíntese, respiração
e translocação de fotoassimilados dos sítios de fixação de carbono aos locais de
utilização ou de armazenamento, onde ocorrem o crescimento e a diferenciação
dos órgãos. Portanto, a análise de crescimento expressa as condições
morfofisiológicas da planta e quantifica a produção líquida, derivada do
processo fotossintético, sendo o resultado do desempenho do sistema
assimilatório durante certo período de tempo. Esse desempenho é influenciado
pelos fatores bióticos e abióticos à planta (LARCHER, 1995).
Portanto, devido à importância da cultura e da necessidade de que sejam
desenvolvidas técnicas de manejo que possibilitem o aumento da eficiência
produtiva, este trabalho tem como objetivo avaliar por meio de análise de
crescimento, o cultivo do meloeiro nos sistemas de plantio direto e convencional
associado à estratégias de manejo.
35
2.4 MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi conduzido no período de outubro a dezembro de 2008, na
horta do Departamento de Ciências Vegetais do campus da UFERSA, em
Mossoró-RN, localizada a uma latitude sul de 5º 11‟ e uma longitude oeste de
37º 20‟, e altitude de 18 m. O clima da região de acordo com a classificação de
Koeppen, é do tipo BSwh‟, quente e seco; com precipitação pluviométrica média
anual de 673,9 mm; temperatura e umidade relativa do ar média de 27°C e
68,9%, respectivamente. (CARMO FILHO & OLIVEIRA, 1995).
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, no
esquema de parcelas subdivididas com quatro repetições, sendo as parcelas
compostas por dois sistemas de plantio (direto e convencional), as subparcelas
compostas por três estratégias de manejo de plantas daninhas (cobertura do solo
com filme de polietileno, capinas regulares e sem capinas).
Nos tratamentos com plantio direto, para obtenção da palhada, foi
realizado em fevereiro de 2008, assim que iniciou o período chuvoso, o plantio
da cultura do milho, em consorciação com Brachiaria brizantha CV. Marandu.
A semeadura da forrageira foi realizada na linha do milho, misturada com o
adubo, por meio de plantadeira adubadeira tracionada por animal. Após a
colheita do milho, no final de maio, a forrageira cresceu livremente até o mês de
julho, quando foi feita dessecação com 1,90 kg ha-1 do herbicida glyphosate,
para formação da palhada (seis t ha-1 de massa seca).
Nas parcelas com plantio convencional, a área também foi cultivada
com milho no período chuvoso, para a implantação do experimento, o solo foi
preparado por meio de aração e duas gradagens, realizadas uma semana antes do
transplantio das mudas de melão.
A implantação do experimento foi feita por meio de mudas, produzidas
em bandejas de polietileno, com 200 células, em covas, no espaçamento de
36
1,80m x 0,4m. O transplantio foi realizado quando as mudas estavam com 14
dias após a semeadura. O cultivar utilizado no experimento foi o melão amarelo
híbrido 0601.
Por ocasião do transplantio foi realizada adubação com 200 kg ha-¹ de
P2O5, na cova utilizando-se de uma adubadeira manual para plantio direto
(matraca).
As irrigações foram realizadas pelo sistema de gotejamento na linha de
plantio, com emissores de 1,7 L h-1 espaçados 0,3m. A dose de rega foi feita com
base na leitura diária de um conjunto de tensiômetros instalados a 15 e 30 cm de
profundidade, em cada unidade experimental para reposição integral da
evapotranspiração da cultura, estimando a evapotranspiração de referência pela
equação de Penmam Motheith (Allen et al., 1998) e Kc recomendado pela FAO.
Com base nessas informações, foram aplicadas lâminas diferenciadas para cada
tratamento.
As adubações de cobertura foram feitas por meio de fertirrigação, sendo
que as doses de nitrogênio, fósforo e potássio estão descritas na Tabela 1 de
acordo com as fases fenológicas descritas por Allen et al. (1998) como sendo: I)
estádio inicial – do plantio até 10% de cobertura do solo; II) estádio de
crescimento – do final do estádio I até a cobertura total do solo; III) estádio
intermediário: do estabelecimento da cobertura total do solo até o início da
maturação dos frutos; IV) estádio final: da maturação até a colheita. Os períodos
foram de 22, 20, 16 e 15 dias para os estádios I, II, III e IV respectivamente,
proposto por Miranda et al., 1999. As quantidades de fertilizantes utilizadas
foram baseadas nas doses usualmente praticadas pelos produtores da região
(Tabela 1), utilizada por Tomaz (2008).
37
Tabela 1. Quantidades de fertilizantes (Kg ha-1) aplicados por meio de fertirrigação
ao longo do ciclo de desenvolvimento da cultura do melão (TOMAZ, 2008).
FASE DA
DURAÇÃO
URÉIA*
MAP
KCL
CULTURA
(DIAS)
I – Inicial
22
33,0
24,0
0,0
II – Crescimento
20
129,0
129,0
0,0
III – Intermediário
ou frutificação
16
128,0
88,0
135,0
IV – Final
15
58,0
0,0
139,0
73
348,0
241,0
274,0
TOTAL
*Uréia (44% de N); MAP semi-purificado (10% de N e 52% de P); Cloreto de
potássio (58% de K).
No dia do transplantio e aos 14, 28, 42, 56 e por ocasião da colheita aos
62 dias após o transplantio (DAT), foram coletadas duas plantas de melão em
cada subparcela. As plantas foram levadas ao laboratório e separadas em folhas,
caule e frutos. As folhas foram contadas e passadas ao medidor de área Licor
Equipamentos,
modelo
LI-3100,
para
determinação
da
área
foliar.
Posteriormente, as diferentes partes das plantas foram levadas à estufa com
circulação forçada de ar a 65 °C, até massa constante, para serem obtidas as
seguintes características: Número de folhas (NF), área foliar (AF), e massa seca
de folhas (MSF), de caule (MSC), de frutos (MSFr) e total (MST) por planta.
Com base na massa seca total da parte aérea e na área foliar,
determinou-se, para cada época de avaliação, razão de área foliar (RAF) e, para
cada intervalo, compreendido entre duas épocas de avaliação, as taxas de
crescimento absoluto (TCA), de crescimento relativo (TCR) e de assimilação
líquida (TAL), segundo Benincasa (2003).
Para cada época de avaliação, determinou-se também o índice de área
38
foliar (IAF), a partir da área foliar (AF) total de cada planta e da área de solo
explorada (AES), sendo esta equivalente a 0,72m2. Dessa forma, foi calculado o
IAF com base na equação: IAF=AF/AES. A TCA representa a massa seca
acumulada por intervalo de tempo, sendo calculada pela fórmula TCA=(MS nMSn-1)/(Tn-Tn-1). A TCR expressa o crescimento da planta em um intervalo de
tempo, em relação à massa seca acumulada no início desse intervalo, é calculada
pela fórmula TCR=[(lnMSn-lnMSn-1)/(Tn-Tn-1)] e a taxa de assimilação líquida
TAL
=
[(MSn-MSn-1)/(Tn-Tn-1)]*[lnAFn
–
lnAFn-1)/(AFn
–
AFn-1)],
(BENINCASA, 2003).
Em que, MSn é a massa seca acumulada até a avaliação n; MSn-1 é a
massa seca acumulada até a avaliação n-1; Tn é o número de dias após o
tratamento, por ocasião da avaliação n; Tn-1 é o número de dias após o
tratamento, por ocasião da avaliação n-1; AFn é área foliar por ocasião da
avaliação n; AFn-1 é área foliar por ocasião da avaliação n-1.
Por ocasião da colheita, fez-se avaliação de planta daninhas, nos
tratamentos sem capinas, por meio de duas amostragens em quadrados vazados
de 0,50 cm de lado, por subparcela. As plantas daninhas foram separadas por
espécie e levadas à estufa de circulação forçada de ar a 65 °C até massa
constante.
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância para
averiguação dos efeitos dos tratamentos e das interações entre os mesmos. O
efeito das combinações dos sistemas de plantio e manejo de plantas daninhas em
função das épocas de avaliação foi verificado por meio de análise de regressão
utilizando-se o programa estatístico Sigmaplot 10.0. Na escolha do modelo
levou-se em conta a explicação biológica e a significância do quadrado médio da
regressão e das estimativas dos parâmetros.
39
2.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Verificou-se efeito significativo entre os sistemas de cultivo e de manejo
de plantas daninhas para todas as características avaliadas. Com relação à
infestação de plantas daninhas, observa-se na Tabela 2, que as principais
espécies que ocorreram, nos tratamentos sem capinas, foram bredo (Talinum
paniculatum), tiririca (Cyperus rotundus), Capim-milhã (Digitaria bicornis),
erva-de-rola (Croton lobatus) e jitirana (Merremia aegyptia), sendo o sistema de
plantio direto apresentou redução de 70,9% na massa seca produzida pelas
espécies infestantes, em relação ao sistema de plantio convencional. Resultados
semelhantes também foram verificados por Tomaz (2008), trabalhando com a
cultura do melão. Em outras culturas, diversos trabalhos também evidenciaram
menor incidência de plantas daninhas no sistema de plantio direto
(JAKELAITIS et al, 2003; MATEUS, 2004; VIDAL & TREZZI, 2004;
MESCHEDE et al., 2007). A menor ocorrência de plantas daninhas no sistema
de plantio direto é atribuída a diversos fatores, como: não revolvimento do solo e
efeitos físicos e alelopáticos da palhada que impedem ou dificultam a
germinação e emergência das espécies infestantes.
Com relação à cultura do melão, verificou-se efeito significativo para os
sistemas de plantio (direto e convencional), estratégias de manejo de plantas
daninhas e, para a interação sistemas de plantio e estratégias de manejo em todas
as características avaliadas.
40
Tabela 2. Massa seca das principais espécies daninhas (g m-2) na cultura do melão, por ocasião da colheita. Mossoró-RN,
UFERSA, 2008.
Sistema de
plantio
Sistema de
manejo
Bredo
Tiririca
Capimmilhã
Erva de
rola
Jitirana
Outras
Total
Filme de
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
polietileno
Capinado
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
S/ capina
180,91aA 7,29aA 125,22aA 80,92aA 98,36aA
145,89aA
638,59aA
Filme de
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
P. Direto
polietileno
Capinado
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
0bA
S/ capina
78,13aB
0bB
6,01bB
54,52aB 34,59aB
12,75aB
186aB
Nas colunas, letras minúsculas comparam as modalidades de manejo de plantas daninhas dentro de cada sistema de
plantio e letras maiúsculas, coparam sistemas de plantio, dentro de cada modalidade de manejo de plantas daninhas, pelo
teste de Tukey a 5% de significância (p ≤ 0,05).
P. Convencional
41
As variáveis número de folhas por planta (NF), área foliar (AF), índice
de área foliar (IAF) e massa seca de folhas (MSF), de caule (MSC), de frutos
(MSFr) e total (MST) apresentaram comportamento semelhante, variando em
função dos sistemas de plantio e manejo de plantas daninhas, com taxa de
crescimento lento até por volta dos 28 DAT, seguido por intenso incremento até
por volta dos 56 DAT, com posterior tendência à estabilização (Figuras 1 e 2),
devido às plantas iniciarem o processo de senescência e maior quantidade de
fotoassimilados destinados à formação dos componentes qualitativos dos frutos,
como sólidos solúveis e ácidos orgânicos. Comportamentos semelhantes foram
verificados por Duarte (2002), Silva Júnior (2006) e Tomaz (2008)
Todas as características mencionadas foram afetadas pela interferência
exercida pelas plantas daninhas nos tratamentos sem controle, com maiores
diferenças observadas a partir da terceira época de amostragem (28 DAT), em
relação às mantidas no limpo, com filme de polietileno ou capinadas (Figuras 1 e
2). Todavia, nos tratamentos com ausência de capinas, verifica-se que a menor
incidência de plantas daninhas no sistema de plantio direto (Tabela 2), fez com
que a cultura fosse menos influenciada pela competição em relação ao plantio
convencional.
42
Área foliar/planta (cm²)
180
A
160
N° de folhas/planta
140
120
100
80
60
40
18000
16000
14000
12000
10000
8000
6000
4000
2000
0
B
20
0
0
0
14
28
42
56
28
42
56
62
Dias após o transplantio
ŶFC= 11200,7863/(1+exp(-(39,8223-x0)/6,8783)) R²=0,83
ŶCC= 6265,5538/(1+exp(-(x-34,9199)/6,2152))
R²=0,98
ŶSC=-24,0538+-12,2556*x+2,1922*x²+-0,0296*x³ R²=0,93
ŶFD= 15742,7465/(1+exp(-(x-37,24)/6,1786))
R²=0,94
ŶCD= 9825,0737/(1+exp(-(x-37,20)/6,2261))
R2=0,87
ŶSD=21,9242+-136,9825*x+11,4655*x²-0,1419*x³
R2=0,96
62
Dias após o transplantio
ŶFC= 126,7839/(1+exp(-(x-34,3236)/11,1222)) R²=0,94
ŶCC= 177,5492/(1+exp(-(42,3122-x0)/9,0637)) R²=0,94
ŶSC=5,0470+0,3229*x
R2=0,56
ŶFD= 129,3676/(1+exp(-(x-31,4109)/6,9253))
R2=0,99
ŶCD=-1,0704+1,0825*x+0,0153*x²
R²=0,93
ŶSD= 84,7688/(1+exp(-(x-29,2995)/8,7278))
R²=0,95
2,5
Massa seca folha (g/planta)
70
C
2
IAF (m2 m-2)
14
1,5
1
0,5
D
60
50
40
30
20
10
0
0
0
14
28
42
56
0
62
14
28
42
56
62
Dias após o transplantio
Dias após o transplantio
ŶFC= 1,5557/(1+exp(-(x-39,82)/6,878))
R²=0,83
ŶCC= 0,87/(1+exp(-(x-34,92)/6,215))
R²=0,98
ŶSC= 0,1229/(1+exp(-(x-22,087)/2,42))
R²=0,88
ŶFD= 2,19/(1+exp(-(x-37,35)/6,18))
R²=0,94
ŶCD= 1,364/(1+exp(-(x-37,20)/6,226))
R²=0,87
ŶSD=0,003-0,019*x+0,0016*x²-1,9713E-005*x³ R²=0,96
ŶFC= 46,9035/(1+exp(-(x-40,3890)/8,8395))
ŶCC= 43,7034/(1+exp(-(x-42,2509)/8,7455))
ŶSC= 11,9877/(1+exp(-(x-29,0914)/5,7484))
ŶFD= 85,7051/(1+exp(-(x-49,9535)/11,2230))
ŶCD=0,1498-0,1071*x+0,0149*x^2
ŶSD=0,1531-0,0707*x+0,0105*x^2
R²=0,97
R²=0,99
R²=0,99
R²=0,97
R²=0,98
R²=0,97
Figura 1. Número de folhas (A), área foliar (B), Índice de área foliar (C) e massa seca de folhas (D)
de melão amarelo (cv. 0601) em função dos dias após o transplantio, para os tratamentos com filme
de polietileno no plantio convencional (FC), capinado no plantio convencional (CC), sem capina no
plantio convencional (SC), filme de polietileno no plantio direto (FD), capinado no plantio direto
(CD) e sem capina no plantio direto (SD), Mossoró-RN, UFERSA, 2008.
43
Quando se analisa os tratamentos com manejo de plantas daninhas em
cada sistema de cultivo (direto e convencional), observa-se que a cobertura do
solo com filme de polietileno proporcionou maiores valores, no final do ciclo da
cultura, para todas as características, tanto no plantio direto quanto no
convencional, em relação à cultura mantida no limpo por meio de capinas. No
entanto, em ambas as estratégias de manejo, maiores valores para as
características AF, IAF, MSF, MSC, MSFr e MST são verificados no sistema de
plantio direto.
Maior produção de massa seca de folhas e total por planta, foram
verificas, quando se utilizou cobertura de solo com filme de polietileno, em
relação ao solo sem cobertura nas culturas do pepino (IBARRA-JIMÉNEZ et al.,
2004) e do melão (IBARRA- JIMÉNEZ et al., 2005).
Tomaz (2008), avaliando crescimento de meloeiro nos sistemas de
plantio direto e convencional, com e sem controle de plantas daninhas,
verificaram que os componentes do crescimento de plantas se comportaram de
modo semelhante nos sistemas de plantio direto e convencional, quando
mantidos no limpo. No entanto, menor interferência de plantas daninhas, nos
tratamentos mantidos sem capinas, foi verificada no sistema de plantio direto,
como conseqüência da menor densidade e massa seca produzida pelas espécies
infestantes, embora, com valores inferiores aos tratamentos mantidos no limpo.
O intenso acúmulo de massa seca total observado em todos os
tratamentos, com exceção do sistema de plantio convencional sem capinas que
foi altamente afetado pelas plantas daninhas, a partir dos 28 DAT, sofreu grande
influência da massa seca de frutos, que passam a ser um importante componente
da massa seca total da parte aérea da planta, especialmente, por ocasião da
colheita. Comportamento semelhante foi observado Tomaz (2008) no meloeiro e
por Grangeiro e Cecílio Filho (2004) na cultura da melancia no híbrido „Tide‟ e
Grangeiro et al. (2005) na cv. „Mickylee‟, quando verificaram maior incremento
44
de massa seca após o início da frutificação. Lima (2001) estudando diversos
híbridos de melão verificou que a parte vegetativa (folha e hastes) contribuía no
final do ciclo com 25 a 40% da massa seca total da planta, enquanto os frutos
com 60% a 75%. Pôrto (2003), também, obteve resultados semelhantes, tendo a
parte vegetativa do melão „Torreon‟ participado com 38% e os frutos com 63%
da massa seca total.
A Figura 2D mostra o comportamento da taxa de crescimento absoluto,
(TCA), que representa a massa seca acumulada pela cultura por intervalo de
tempo, diante das estratégias de controle de plantas daninhas nos sistemas de
plantio direto e convencional. Observa-se que o aumento do acúmulo de massa
pela cultura é crescente até o terço final do ciclo da cultura, com posterior
tendência à estabilização. Resultados semelhantes foram obtidos por Farias et al.
(2003), trabalhando com crescimento do melão „Gold Mine‟ sob diferentes
lâminas de irrigação. No entanto, verificou-se que maiores taxas de incremento
de massa seca, no terço final do ciclo da cultura, ocorreram no sistema de plantio
direto, independente da estratégia de manejo de plantas daninhas. Quanto às
estratégias de manejo de plantas daninhas, observa-se que a TCA foi favorecida
pelo uso do filme de polietileno. Nos tratamentos sem controle de plantas
daninhas, verificam-se taxas de acúmulo bem superiores no sistema de plantio
direto, em razão da menor interferência exercida pelas plantas daninhas, em
relação ao plantio convencional.
45
A
Massa seca de caule
(g/planta)
40
35
30
25
20
15
10
Massa seca folha (g/planta)
45
70
B
60
50
40
30
20
10
0
0
5
14
28
0
14
28
42
56
62
ŶFC= 46,9035/(1+exp(-(x-40,3890)/8,8395))
ŶCC= 43,7034/(1+exp(-(x-42,2509)/8,7455))
ŶSC= 11,9877/(1+exp(-(x-29,0914)/5,7484))
ŶFD= 85,7051/(1+exp(-(x-49,9535)/11,2230))
ŶCD=0,1498-0,1071*x+0,0149*x^2
ŶSD=0,1531-0,0707*x+0,0105*x^2
Dias após o transplantio
ŶFC= 38,5579/(1+exp(-(x-43,7353)/9,6263))
ŶCC= 28,4307/(1+exp(-(x-43,8486)/9,6500))
ŶSC= 6,8374/(1+exp(-(x-28,7441)/5,9359))
ŶFD=0,4299-0,2113*x+0,0143*x^2
ŶCD=-0,8008+0,0402*x+0,0087*x^2
ŶSD=0,433+-0,1517*x+0,0084*x^2
R²=0,98
R²=0,99
R²=0,98
R²=0,98
R²=0,98
R²=0,97
C
56
62
0
14
28
42
56
R²=0,97
R²=0,99
R²=0,99
R²=0,97
R²=0,98
R²=0,97
D
6
200
150
100
50
0
TCA (g/dia)
Massa seca total (g/planta)
42
Dias após o transplantio
0
5
4
3
2
1
0
62
Dias após o transplantio
14
28
42
56
62
Dias após o transplantio
ŶFC= 140,2119/(1+exp(-(x-45,2945)/9,2539))
ŶCC= 122,1651/(1+exp(-(x-47,0125)/9,8008))
ŶSC= 24,4435/(1+exp(-(x-31,6879)/7,0078))
ŶFD= 236,2155/(1+exp(-(x-53,6441)/10,7868))
ŶCD= 231,8194/(1+exp(-(x-59,8601)/12,8099))
ŶSD=0,7113-0,3495*x-0,0254*x^2
R²=0,99
R²=0,99
R²=0,99
R²=0,99
R²=0,99
R²=0,99
ŶFC= 3,1617/(1+exp(-(x-29,6999)/4,9345))
R²=0,99
ŶCC= 2,83/(1+exp(-(x-32,043)/6,868))
R²=0,98
ŶSC=-1,7623+0,180*x+-0,0041*x^2+2,7308E-005*x^3 R²=0,92
ŶFD= 5,976/(1+exp(-(x-43,255)/10,965))
R²=0,72
ŶCD=-1,433+0,0946*x
r²=0,90
ŶSD=-0,996+0,0626*x
r²=0,84
Figura 2. Massa seca de caule, de frutos e total e taxa de crescimento absoluto de melão amarelo (cv. 0601) em
função dos dias após o transplantio, para os tratamentos com Filme de polietileno no plantio Convencional (FC),
Capinado plantio Convencional (CC), Sem capina Convencional (SC), Filme de polietileno no plantio Direto
(FD), Capinado no plantio Direto (CD) e Sem capina no sistema de plantio Direto (SD), Mossoró-RN,
UFERSA, 2008.
46
A taxa de crescimento relativo (TCR) não foi influenciada pelos
sistemas de cultivo, nem estratégias de manejo de plantas daninhas, com isso
os resultados são apresentados em uma única curva, que foi crescente até por
volta dos 28 DAT, com posterior declínio até o final do ciclo da cultura
(Figura 3 A). Esse declínio coincide com o início da fase de formação de frutos
(Figura 2B) e se deve ao aumento da massa seca acumulada pelas plantas e
consequente aumento da necessidade de fotoassimilados para a manutenção
das estruturas já formadas, assim, a quantidade de fotoassimilados disponível
para o crescimento tende a ser menor e conseqüentemente é decrescente com o
tempo. Tendências semelhantes foram observadas em tomate (FAYAD et al.,
2001), pimentão (FONTES et al., 2005) e cenoura (TEÓFILO et al., 2009).
Segundo Fontes et al. (2005) decréscimos nos valores de TCR, ao longo do
ciclo, são comuns para a maioria das espécies.
A taxa assimilatória líquida (TAL), que evidencia a eficiência do
aparelho fotossintético, apresentou comportamento semelhante à TCA, com
maiores valores observados dentro de cada sistema de manejo de plantas
daninhas, no final do ciclo da cultura, nos tratamentos com plantio direto
(Figura 3 B). A TAL foi também, influenciada pelas estratégias de manejo de
plantas daninhas, com maiores índices de acúmulo verificados quando se
utilizou o filme de polietileno. Segundo Pereira (2008), a cobertura do solo
com filme de polietileno reduz as perdas de água e nutrientes, favorecendo o
crescimento da cultura.
A TAL foi influenciada também, pela interferência das plantas
daninhas (Figura 3 B), com menores valores observados nos tratamentos sem
capinas, embora, a redução do crescimento da cultura tenha sido mais
acentuado no plantio convencional, devido à maior ocorrência de plantas
daninhas verificadas nessa condição.
Tomaz (2008) também, verificou efeito da interferência das plantas
47
daninhas na redução na TCA e na TAL na cultura do meloeiro, com maiores
perdas no sistema de plantio convencional. Todavia, quando a cultura foi
mantida no limpo, este autor não verificou diferenças entre os sistemas de
plantio direto e convencional.
0,3
A
0,2
-1
-2
TCR (g g dia )
0,25
0,15
0,1
0,05
0
14
28
42
56
62
Dias após o transplantio
Ŷ=0,3089*exp(-0,5*(ln(x/21,083)/0,41)^2)
R2=0,97
60
B
TAL (g cm-2 dia-1)
50
40
30
20
10
0
14
28
42
56
62
Dias após o transplantio
ŶFC= 29,46/(1+exp(-(x-31,89)/5,84))
ŶCC= 25,02/(1+exp(-(x-33,90)/6,96))
ŶSC=-6,05+ 0,556*x+-0,0071*x^2
ŶFD= 55,75/(1+exp(-(x-43,39)/9,31))
ŶCC= 1104,57/(1+exp(-(x-122,58)/19,22))
ŶSD=2,89+-0,224*x+0,0093*x^2
R²=0,99
R²=0,98
R²=0,99
R²=0,87
R²=0,96
R²=0,86
Figura 3. Taxa de crescimento relativo (TCR) e de assimilação
líquida (TAL) de melão amarelo (cv. Primax), para os tratamentos
com filme de polietileno no plantio Convencional (FC), Capinado
plantio Convencional (CC), Sem capinas Convencional (SC), filme
de polietileno no plantio Direto (FD), Capinado no plantio Direto
(CD) e sem capinas no sistema de plantio Direto (SD), MossoróRN, UFERSA, 2008.
48
CONCLUSÕES:

A cultura conduzida no sistema de plantio direto apresentou índices de
crescimento superiores aos do sistema de plantio convencional;

No tratamento sem capinas o sistema de plantio direto apresentou
redução de 70,9% na massa seca produzida pelas espécies infestantes,
em relação ao sistema de plantio convencional;

O tratamento com filme de polietileno apresentou índices de
crescimento superiores às demais estratégias de manejo de plantas nos
dois sistemas de plantio.
49
2.6 LITERATURA CITADA
AGUIAR NETO, A.O.; RODRIGUES, J.D.; NASCIMENTO JÚNIOR, N.A.
Análise de crescimento da cultura da batata (Solanun tuberosum spp
Tuberosum) submetida a diferentes lâminas de irrigação: razão tubérculo-parte
aérea, área foliar específica, razão de área foliar e razão de massa foliar.
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AGNES, E.L.; FREITAS, F.C.L.; FERREIRA, L.R. Situação atual da
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BENINCASA, M. M. P. Análise de crescimento de plantas, noções básicas.
2ª. Ed. Jaboticabal: FENEP, 41p., 2003.
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CARMO FILHO, F. do; OLIVEIRA, O. F. de. Mossoró: um município do
semi-árido nordestino, caracterização climática e aspecto florístico. Mossoró:
ESAM, 1995. 62p. (Coleção Mossoroense, série B).
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COSTA, C. C. ; CECÍLIO FILHO, Arthur Bernardes ; REZENDE, Braúlio
Luciano Alves ; BARBOSA, José Carlos . Crescimento e partição de
assimilados em melão cantaloupe em função de concentrações de fósforo em
solução nutritiva. Revista Científica Rural, v. 34, p. 123-130, 2006.
50
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54
CAPÍTULO 3 - INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NA
EFICIÊNCIA DE USO DA ÁGUA NA CULTURA DO MELÃO
3.1 RESUMO
Com o objetivo de avaliar o efeito dos sistemas de plantio direto e
convencional e estratégias de manejo de plantas daninhas na economia de água
de irrigação na cultura do melão, conduziu-se um experimento no Campus da
Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Mossoró-RN, utilizando o
delineamento experimental de blocos casualizados, no esquema de parcelas
subdivididas. Nas parcelas foram avaliados dois sistemas de plantio (plantio
direto e convencional) e nas subparcelas, três sistemas de manejo de plantas
daninhas (cobertura com filme de polietileno, mantido no limpo por meio de
capinas e testemunha sem capinas). Avaliou-se a densidade e a massa seca das
plantas daninhas aos 30 dias após o transplantio, a produtividade comercial e
total, o consumo diário de água nas diferentes fases da cultura e total, com
base na aplicação de lâminas diferenciadas para cada tratamento, determinadas
pela leitura de tensiômetros instalados a 15 e 30 cm de profundidade, em cada
unidade experimental. Com base na produtividade e no consumo de água pela
cultura, determinou-se a eficiência no uso da água (EUA), dada em kg de
frutos por m³ de água. Verificou-se que o sistema de plantio direto na palha
reduziu e a densidade e a massa seca acumulada pelas plantas daninhas em
86,7 e 61%, respectivamente, em relação ao plantio convencional e a
interferência destas reduziu a produtividade comercial em 100% no plantio
convencional e 28,8% no direto. A cobertura do solo com filme de polietileno,
no plantio convencional, a palhada mais filme de polietileno e a palhada no
plantio direto reduziram o consumo de água em 23% (388,8 m³/ha), 21%
(363,0 m³/ha) e 13% (215,0 m³/ha), respectivamente, em relação ao tratamento
com capinas no plantio convencional. A cobertura do solo com filme de
polietileno aumentou a eficiência no uso da água em 13% no sistema de
plantio convencional e 29% no sistema de plantio direto em relação ao solo
sem cobertura. No tratamento sem capinas no sistema de plantio convencional,
além da perda total na produtividade comercial, a interferência das plantas
daninhas aumentou o consumo de água em 10%.
Palavras-chave: Cucumis melo L., plantio direto, filme de polietileno,
consumo de água, cobertura morta.
55
CHAPTER 3 - INTERFERENCE OF WEEDS IN THE EFFICIENCY OF
WATER USE IN THE CULTURE OF MELON
3.1 ABSTRACT
Aiming to evaluate the effect of conventional and no-tillage systems and
strategies for weed management on irrigation water economy in the
melon(Cucumis melo L.) crop, it was conducted an experiment in MossoróRN, in split plots, distributed in experimental design of randomized blocks. In
the plots were available two tillage systems (conventional and no-tillage) and
the sub-plots, three systems of weed management (cover with polyethylene
mulching, with regular weeds control and without weeds control). It was
evaluated the density and dry weight of weeds at 30 days after transplanting,
commercial and total yield, daily consumption of water at different stages of
cultivation and total, based on applying different levels for each treatment,
determined by reading of tensiometers installed at 15 and 30 cm depth in each
experimental unit. Based on productivity and water consumption, it was
determined the efficiency of water use (EWU), given in kg of fruit per m³ of
water. It was found that the system of no-tillage reduced density and dry
matter by weeds in 86.7 and 61% respectively in comparison to conventional
tillage and the interference of these reduced commercial yield by 100% in
conventional tillage and 28.8% in no tillage system. The soil covered with
polyethylene film in conventional tillage, straw mulch and straw more
polyethylene film mulching in no-tillage system have reduced water
consumption by 23% (388.8 m³ ha-1), 21% (363.0 m³ ha-1) and 13% (215.0 m³
ha-1), respectively, compared to treatment with weeds control in conventional
tillage. The soil covering with polyethylene film increased the efficiency of
water use by 13% in the conventional tillage system and 29% in no-tillage
system in relation to soil without cover. In the treatment without weeds control
in conventional tillage system, besides the total loss in yield, the interference
of weeds increased water consumption by 10%.
Keywords: Cucumis
consumption, mulch
melo L., no-tillage,
56
polyethylene
film, water
3.3 INTRODUÇÃO
Dentre os principais fatores que afetam a produtividade das culturas, o
teor de água disponível no solo é considerado um dos mais agravantes por
diversas razões; dentre as quais, pode-se destacar o fato da água ser requerida
como parte integrante dos vegetais, sobretudo, por seu papel no transporte de
nutrientes e na taxa fotossintética, dentre outras funções, consideradas vitais
para o desenvolvimento das plantas.
Para Medeiros (2007), o uso racional da água passa por um controle
eficiente da lâmina de irrigação aplicada nas culturas, usando sistemas que
distribuam água na área em volume correspondente a evapotranspiração das
mesmas, que segundo Allen et al. (1998), pode ser estimada com razoável
precisão, utilizando as recomendações da FAO, que se baseia na estimativa da
evapotranspiração da cultura de referência, que depende apenas dos dados
climáticos e do coeficiente de cultura, que varia ao longo do ciclo em função
da fase fenológica da planta.
A necessidade de água nas culturas é expressa ,normalmente, pela taxa
de evapotranspiração e depende das condições meteorológicas, da
disponibilidade hídrica do solo e da cobertura do solo (DOOREMBOS &
KASSAN, 1994), podendo ser influenciada pela adoção criteriosa do sistema
e manejo de irrigação (BATISTA et al, 2009).
Entretanto, além do controle eficiente da lâmina de irrigação aplicada e
da eficiência do método empregado, é fundamental que se utilize estratégias
que favoreçam o armazenamento de água no solo, através do aumento da
infiltração e da redução da taxa de evaporação, como a cobertura do solo com
materiais de origem vegetal ou sintéticos, como o filme de polietileno.
A cobertura do solo de origem vegetal pode ser formada pelos próprios
restos vegetais da cultura anterior ou pelo cultivo de espécies apropriadas para
57
formação de palhada, como a Brachiaria sp, que pode ser cultivada em
consórcio com a cultura do milho (JAKELAITIS, A. et al., 2004; FREITAS et
al., 2008) ou feijão (SILVA et al., 2006) no intuito de produzir palhada para o
plantio direto. Além de reduzir a taxa de evaporação de água no solo, o
sistema de plantio direto o protege da ação da erosão e reduz a incidência de
plantas daninhas na cultura do meloeiro, com produção equivalente ao plantio
convencional com filme de polietileno (TOMAZ, 2008).
Outro importante fator que afeta o consumo de água e a produtividade
das culturas, especialmente o melão, é a interferência de plantas daninhas.
Segundo Tomaz (2008), quando não controladas adequadamente, na cultura
do meloeiro, a perda na produtividade de frutos comerciais pode chegar a
100%.
O controle das plantas daninhas no meloeiro vem sendo realizado
utilizando diversos métodos, variando de acordo com o nível tecnológico e a
capacidade de investimento do produtor. Todavia, a técnica que vem sendo
utilizada com maior freqüência é o filme de polietileno (filme sintético). Além
de promover o controle das plantas daninhas, reduz a perda de água por
evaporação. Por outro lado, tem custo elevado, tanto pela matéria prima quanto
pela mão-de-obra na sua colocação (SILVA et al., 2007).
A eficiência de métodos e de técnicas de manejo de irrigação é avaliada
através da eficiência de uso de água (EUA), que é determinada pela relação
entre a produtividade dos frutos e a quantidade de água aplicada através da
irrigação (DOOREMBOS; KASSAN, 1979)
Portanto, este trabalho tem como objetivos avaliar o efeito dos
sistemas de plantio direto e convencional e estratégias de manejo de plantas
daninhas sobre a produção e a eficiência de uso da água na cultura do melão..
58
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no período de outubro a dezembro de
2008, no campus da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA), no
município de Mossoró-RN, o solo é classificado em Argissolo Vermelho-
Amarelo eutrófico (Embrapa, 1999). Da área experimental, foram
retiradas amostras, na profundidade de 0-20 cm, para realização de
análise química e física, obtendo-se os seguintes resultados: análise
química (pH (água 1:2,5) = 8,70; Ca = 3,80 cmolc dm-3; Mg = 1,47
cmolc dm-3; K+ = 166,3 mg dm-3; Na = 99,7 mg dm-3; Al3+ = 0,00 cmolc
dm-3 e P = 122,1 mg dm-3); análise física ( Areia total = 0,88 Kg/Kg;
Silte = 0,08 Kg/ Kg; Argila = 0,03 Kg/Kg; Umidade (0,01 Mpa) = 0,06;
Umidade (1,5 Mpa) = 0,02; Densidade aparente = 1,22 Kg/dm3;
Densidade real = 2,58 Kg/dm3; Porosidade total = 52,67 %; Água
disponível mm = 9,73; Água disponível mm/m = 48,64). Durante o
período experimental não houve precipitação pluviométrica e os dados
de temperatura, umidade relativa do ar, velocidade do vento, radiação
global e evapotranspiração de referência estão apresentados na Figura 1.
59
40,0
100,0
A
35,0
B
90,0
30,0
C
A
25,0
80,0
70,0
25,0
UR (%)
Temperatura (°C)
30,0
20,0
15,0
10,0
5,0
8
/0
10
1/
50,0
30,0
T máx.
20,0
T mín.
10,0
10,0
UR média
UR máx
UR mín
0,0
08
0/
/1
15
08
0/
/1
29
08
1/
/1
12
08
1/
/1
26
08
2/
/1
10
08
2/
/1
24
V1O (m/s)
Rg (MJ/m²/dia)
Eto
15,0
40,0
T média
0,0
20,0
60,0
8
/0
10
1/
5,0
0,0
08
0/
/1
15
08
0/
/1
29
08
1/
/1
12
Data
08
1/
/1
26
Data
08
2/
/1
10
08
2/
/1
24
8
/0
10
1/
08
0/
/1
15
08
0/
/1
29
08
1/
/1
12
08
1/
/1
26
08
2/
/1
10
08
2/
/1
24
Data
Figura 1. Temperaturas máxima (T máx.), mínima (T mín) e média (T média) (Fig. A), Umidade relativa do ar
máxima (UR máx.), mínima (UR mín) e média (UR média) (Fig. B), velocidade do vento a 10 m de altura(V10),
radiação global (Rg) e evapotranspiração de referência (ETo) (Fig. C) durante o período experimental. Mossoró.
2008. (Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia - INMET)
60
O delineamento utilizado foi o de blocos casualisados, com quatro
repetições, no esquema de parcelas subdivididas. Nas parcelas foram avaliados
dois sistemas de plantio (plantio direto e plantio convencional) e nas
subparcelas, três sistemas de manejo de plantas daninhas (cobertura com filme
de polietileno; tratamento mantido no limpo por meio de capinas e testemunha
sem capinas). Nas parcelas de plantio direto, para obtenção da palhada, foi
realizado em fevereiro de 2008, no início do período chuvoso, o plantio da
cultura do milho, em consorciação com Brachiaria brizantha.
A semeadura da forrageira foi realizada na linha do milho, misturada
com o fertilizante, no sistema de plantio direto, por meio de plantadeira
adubadeira manual. Após a colheita do milho, a forrageira cresceu livremente
até mês de julho, que corresponde ao final do período chuvoso, quando foi
feita dessecação com 1,90 kg ha-1 do herbicida glyphosate. A massa seca de
palhada verificada na ocasião do transplantio foi de seis t ha-1. Nas parcelas
com plantio convencional, o solo foi preparado por meio de aração e duas
gradagens, realizadas uma semana antes do transplantio das mudas de melão.
As subparcelas foram constituídas de uma fileira de 11m de
comprimento espaçadas de 1,80m das demais. O transplantio do melão
amarelo (híbrido 06/01) foi feito com mudas, produzidas em bandejas de
isopor com 200 células, espaçadas de 0,40 m entre si, na fileira. Por ocasião
do transplantio foi feita adubação na cova, equivalente a 200 kg ha-¹ de P2O5,
usando como fonte o superfosfato simples. As adubações de cobertura foram
feitas por meio de fertirrigação, segundo metodologia adotada por Tomaz
(2008).
61
Tabela 1. Quantidades de fertilizantes (Kg ha-1) aplicados por meio de
fertirrigação ao longo do ciclo da cultura do melão, Mossoró-RN, UFERSA,
2007.
FASE DA
DURAÇÃO
URÉIA
MAP
KCL
CULTURA
(DIAS)
I – Inicial
22
33,0
24,0
0,0
II – Crescimento
20
129,0
129,0
0,0
III – Intermediário
ou frutificação
16
128,0
88,0
135,0
IV – Final
15
58,0
0,0
139,0
TOTAL
73
348,0
241,0
274,0
*Uréia (44% de N); MAP semi-purificado (10% de N e 52% de P); Cloreto
de potássio (58% de K).
As irrigações foram realizadas pelo sistema de gotejamento na linha de
plantio, com emissores de 1,7 L h-1 espaçados 0,3m. A dose de rega foi feita
com base na leitura diária de um conjunto de tensiômetros instalados a 15 e 30
cm de profundidade, em cada unidade experimental para reposição integral da
evapotranspiração da cultura, estimando a evapotranspiração de referência pela
equação de Penmam Motheith (Allen et al., 1998) e Kc recomendado pela
FAO. Com base nessas informações, foram aplicadas lâminas diferenciadas
para cada tratamento e determinado o consumo diário de água nos diferentes
períodos de cultivo do meloeiro, em semanas. Sendo o controle do volume
aplicado feito a partir da segunda semana após o transplantio até a colheita e o
consumo de água avaliado por meio da média diária semanal entre a segunda e
oitava semanas (colheita).
Aos 30 DAT, fez-se avaliação de planta daninhas, nos tratamentos sem
capinas, por meio de duas amostragens em quadrados vazados de 0,50 cm de
lado, por subparcela. As plantas daninhas foram separadas por espécie,
62
contadas e levadas à estufa de circulação forçada de ar a 65 °C até massa
constante.
Para o meloeiro, foram colhidos os frutos de oito plantas por
subparcela, para determinação da produção de frutos por planta, sendo estes
classificados
em
comercializáveis
e
não
comercializáveis,
segundo
classificação proposta por Filgueira (2000).
A colheita foi realizada aos 62 dias após o transplantio, quando a
maioria dos frutos atingiu sua maturação fisiológica e as plantas apresentavam
a maioria dos frutos com teor de sólidos solúveis em torno de 10°Brix,
determinado em campo com refratômetro portátil.
A partir da produção de frutos comercializáveis e total e da quantidade
de água aplicada através da irrigação no ciclo da cultura para cada tratamento,
determinou-se a eficiência de uso de água (EUA), conforme descrito por
Doorembos & Kassan (1979): EUA = Pt/ W. Onde, EUA= eficiência do uso da
água em kg m-3; Pt= produtividade total em kg ha-1 e W= volume de água
aplicado em m3 ha-1.
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e as médias
dos tratamentos comparadas pelo teste de Tukey a 5% de significância pelo
programa SAEG. O consumo de água ao longo do ciclo foi submetido,
também, à análise de regressão. Na escolha do modelo levou-se em conta a
explicação biológica e a significância do quadrado médio da regressão e das
estimativas dos parâmetros.
63
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Verificou-se efeito significativo para os sistemas de plantio, estratégias
de manejo de plantas daninhas e para a interação entre os sistemas de cultivo e
de estratégias de plantas daninhas para todas as características avaliadas. Com
relação à infestação de plantas daninhas, observa-se na Tabela 3, para os
tratamentos sem controle de plantas daninhas, que as principais espécies que
ocorreram na área foram bredo (Talinum paniculatum), milho (Zea mays) tiririca
(Cyperus rotundus), caruru (Amaranthus spinosus), trapoeraba (Commelina
benghalensis), capim-milhã (Digitaria bicornis) e jitirana (Merremia aegyptia).
A espécie com maior acúmulo de massa seca no plantio convencional
foi o milho, que apesar se ser uma cultura de importante valor econômico, nesta
condição, assume importante papel como planta daninha, pois as sementes que
não foram colhidas foram incorporadas ao solo pela aração e gradagem, e
posteriormente, foram favorecidas pela irrigação e fertilização realizada na
cultura do meloeiro, tornando-se uma importante espécie competidora devido à
sua intensa taxa de crescimento inicial, que mesmo em baixa densidade, foi
responsável por 37,89% da massa seca total acumulada pelas plantas daninhas.
No sistema de plantio direto, como não houve incorporação das sementes ao
solo, esta espécie mostrou-se ausente.
O sistema de plantio direto reduziu a densidade e a massa seca
acumulada pelas plantas daninhas, aos 30 dias após o transplantio, em 86,7 e 61
%, respectivamente, em relação ao plantio convencional. Essa redução ocorreu,
provavelmente, devido aos efeitos da barreira física e da liberação de substâncias
alelopáticas por parte da palhada e também, como conseqüência do não
revolvimento do solo.
64
Tabela 2. Densidade das principais plantas daninhas (plantas m-2) na cultura do melão, aos 30 dias após o transplantio (DAT) e por
ocasião da colheita do meloeiro. Mossoró-RN, UFERSA, 2008.
Milho
Bredo
Caruru
Jitirana
Trapoeraba
Tiririca
Capim-
(C.
Milhã (D.
rotundus)
Bicornis)
Sistema de
Sistema de
(Z.
(T.
(A.
(M.
(C.
plantio
Manejo
mays)
paniculatum)
spinosus)
egiptia)
benghalensis)
Outras
TOTAL
-2
Densidade (plantas m )
Plantio
Convencional
Plantio Direto
F. de polietileno
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Capinado
-
-
-
-
-
-
-
-
-
S/ capina
52,9a
697,3a
46,7a
11,4a
29,5a
22,1a
24,6a
139,4a
1024a
F. de polietileno
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Capinado
-
-
-
-
-
-
-
-
-
S/ capina
0b
97,2b
1b
1,5b
2,7b
9b
19,2b
5b
136b
-
-
-
-
-2
Massa seca (g m )
Plantio
Convencional
Plantio Direto
F. de polietileno
-
-
-
-
-
Capinado
-
-
-
-
-
-
-
-
-
S/ capina
95,4a
74,5a
31,7a
8,2a
9,8a
9,3a
5,1a
17,8a
252a
F. de polietileno
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Capinado
-
-
-
-
-
-
-
-
-
S/ capina
0b
75,5a
0,5b
1,2b
1,2b
3,3b
13a
2,4b
96b
Nas colunas, letras maiúsculas, comparam sistemas de plantio dentro de cada modalidade de manejo de plantas daninhas, pelo
teste de Tukey a 5% de significância (p ≤ 0,05).
65
Segundo Mateus et al., (2004), a cobertura do solo reduz
significativamente a intensidade de infestação de plantas daninhas e modifica a
composição da população infestante. Vidal e Trezzi (2004) observaram reduções
de 41% de infestação e de 74% de massa seca total de plantas daninhas
comparando as áreas cobertas com culturas à testemunha descoberta. Meschede
et al. (2007) verificaram que o aumento na cobertura do solo pela palhada,
apresenta relação inversamente proporcional á densidade e massa seca produzida
pelas plantas daninhas.
O consumo de água foi crescente durante todo o ciclo para todos os
tratamentos com cobertura do solo, com filme de polietileno no plantio
convencional e com palhada e palhada mais filme de polietileno no plantio
direto. Já os tratamentos sem cobertura do solo, com e sem capinas no sistema
de plantio convencional, apresentaram comportamento quadrático, com intenso
incremento no consumo diário de água até por volta da sexta semana após o
transplantio (SAT), e posterior estabilização (Figura 1). No entanto, na Tabela 3,
onde estão apresentados os desdobramentos dos dados de consumo diário de
água para os sistemas de manejo de plantas daninhas no plantio convencional e
direto, dentro de cada período de avaliação (semanas), verificou-se que, no solo
sem cobertura, o tratamento sem capinas além da perda total de produtividade
comercial, a interferência de plantas daninhas aumentou o consumo de água
durante todo o ciclo da cultura em 13%.
No sistema de plantio direto, a menor infestação de plantas daninhas
resultou em menor competição por água com a cultura, com maior consumo
diário em relação ao tratamento com capinas somente a partir da quarta SAT
(Tabela 2), quando as plantas daninhas, mesmo em baixa densidade,
desenvolveram-se e passaram a demandar maior quantidade de água para
formação de tecidos e transpiração.
66
A partir da sexta SAT, a cultura promove intenso sombreamento no solo
com o aumento da área foliar, reduzindo a perda de água por evaporação, e passa
a ter um intenso consumo de água que vai ser usada na transpiração e na
produção de carboidratos e formação de tecidos.
60
Cons. de água (m³ h a-1dia-1)
50
40
30
20
10
0
2
4
6
8
Semanas após o transplantio
YFC= -15,17 + 12,27x- 0,669x^2
YCC= -11,012 + 15,288x - 1,059x²
YSC= -15,918+19,919x - 1,505x²
YFD= -5,34 + 6,528x
YCD= 0,209 + 6,022x
YSD= -0,875 + 6,7945x
R²=0,97
R²=0,98
R²=0,97
r²=0,99
r²=0,99
r²=0,98
Figura 1. Consumo diário de água nos diferentes períodos de crescimento
(semanas após o transplantio) para os tratamentos com filme de polietileno no
plantio convencional (FC), capinado no plantio convencional (CC), sem capina
no plantio convencional (SC), filme de polietileno no plantio direto (FD),
capinado no plantio direto (CD), sem capina no plantio direto (SD). MossoróRN, 2008.
67
Tabela 3. Consumo diário de água (m3 ha-1) nos diferentes períodos de crescimento (semanas) e consumo total de água meloeiro
(m³ ha-1) em função dos sistemas de plantio convencional e plantio direto e manejo de plantas daninhas. Mossoró-RN, UFERSA,
2008.
Consumo diário (m3 ha-1 dia-1)
Sistema
Sistema de
Cons. total
Períodos (Semanas)
de
manejo
(m³ ha-1)
plantio
2
3
4
5
6
7
8
Filme de
7,74cA
13,39cA
23,51cA
30,65cA
35,71cA
35,42cB
41,07cB
1312,50cA
polietileno
Plantio
Com capina 15,18bA
27,08bA
30,36bA
38,99bA
44,05bA
44,44bA
42,86bB 1700,70bA
Conv.
Média
Plantio
Direto
Sem Capina
19,05aA
30,06aA
37,39aB
44,64aA
52,38aA
51,39aA
45,24aB
1863,89aA
Filme de
polietileno
13,99
23,51
30,42
38,10
44,05
43,75
43,06
1625,70
8,11bA
13,39bA
20,83cB
28,42cB
33,26bB
39,76aA
47,32aA
1337,67cA
12,80aB
17,26aB
25,00bB
30,65bB
34,52bB
43,98bA
48,02bA
1485,55bB
Com capina
Sem Capina 12,80aB
17,26aB
29,17aA
33,04aB
37,50aB
50,93aA
50,99aA
1621,76aB
Média
11,24
15,97
25,00
30,70
35,09
44,89
48,78
1481,69
CV(%)
2,36
0,64
1,28
1,96
2,18
1,67
0,21
0,14
Nas colunas, letras minúsculas comparam as modalidades de manejo de plantas daninhas dentro de cada sistema de plantio e
letras maiúsculas, coparam sistemas de plantio, dentro de cada modalidade de manejo de plantas daninhas, pelo teste de Tukey a
5% de significância (p ≤ 0,05).
68
O filme de polietileno, por sua vez, independente do sistema de plantio,
reduziu o consumo de água em relação aos demais tratamentos durante todo o
ciclo da cultura, como resultado da redução da evaporação.
A economia de água nos tratamentos no sistema de plantio direto e com
filme de polietileno no plantio convencional é mais evidente nas primeiras
semanas devido à maior importância da evaporação nesse período, conforme
pode ser evidenciado na Figura 2, onde se observa, até a quinta semana após o
transplantio, redução no consumo de água em de 26, 31 e 20%, respectivamente,
para os tratamentos com filme de polietileno no plantio convencional, filme de
polietileno no plantio direto e com capinas no plantio direto em relação ao
tratamento com capinas no plantio convencional. A partir daí, com o
crescimento da cultura e aumento da área foliar, eleva-se o consumo de água por
parte da mesma, que também, promove aumento do sombreamento do solo
reduzindo a taxa de evaporação, que resulta na redução dos efeitos da cobertura
do solo (palhada e filme de polietileno) no final do ciclo da cultura,
proporcionando economia de 23% (388,8 m³/ha), 21% (363,0 m³/ha) e 13%
(215,0 m³/ha), respectivamente, para os tratamentos com filme de polietileno no
plantio convencional, filme de polietileno no plantio direto e com capinas no
plantio direto. Estes resultados corroboram com Marouelli et al, (2006), que
trabalhando com tomate para processamento, verificaram que o sistema de
plantio direto reduziu o consumo de água em 25% até 50 dias após o transplantio
e 11% no ciclo total. Já Andrade et al. (2002), verificaram que a
evapotranspiração na cultura do feijoeiro, cultivada no sistema de plantio direto,
apresentou menores valores à medida que aumentou a porcentagem de cobertura
do solo.
Segundo Medeiros (2007), a cobertura morta (palhada) pode promover
redução na ordem de 50% a 70% no período inicial da cultura, por reduzir
evaporação da água direta do solo, podendo assim reduzir a evapotranspiração
69
das culturas, nos estágios iniciais de crescimento. Neste experimento, a irrigação
por gotejamento, localizada apenas nas linhas de plantio, proporciona redução de
perda de água por evaporação, no entanto, espera-se que a economia de água
devido à cobertura do solo seja ainda maior quando se utiliza a irrigação em área
% redução do consumo de água
total.
35
Até a 5° semana
30
Todo ciclo
25
20
15
10
5
0
-5
-10
-15
Filme
convenc.
Com
capinas
convenc.
sem
Filme diteto
capinas
convenc.
Com
capinas
direto
Sem
capinas
direto
Figura 2. Redução do consumo de água para os tratamentos com filme de
poilietileno, com capinas e sem capinas nos sistemas de plantio convencional e
plantio direto em relação ao tratamento com capinas no plantio convencional.
Mossoró-RN, UFERSA, 2008.
Além de reduzir o consumo de água, o sistema de plantio direto
apresentou produtividade de frutos comercializáveis e total equivalente ao
sistema de plantio convencional, quando mantidos sob capinas. Quando se
empregou o filme de polietileno, a produtividade foi maior no plantio direto.
Apesar da redução na infestação de plantas daninhas, o tratamento sem capinas
no sistema de plantio direto apresentou produtividade inferior ao tratamento com
capinas, pois mesmo em baixa densidade, as infestantes se desenvolveram
70
interferindo negativamente na cultura (Tabela 4). Todavia, o tratamento sem
capinas no plantio convencional, apesar de ter elevado em 10% o consumo de
água (Figura 2), não produziu frutos comercializáveis (Tabela 4), evidenciando a
maior interferência das infestantes nesse sistema.
Resultados semelhantes foram obtidos por Tomaz (2008), que verificou
a mesma produtividade de frutos comercializáveis, nos sistemas de plantio direto
e convencional, nos tratamentos com filme de polietileno e capinados. Esse
autor verificou também, 100% de perda na produção comercializável, no plantio
convencional sem capinas.
As produtividades obtidas neste trabalho são superiores a média mundial
de 2002, de 18,57 t ha-1 (FAO, 2003) e semelhantes às obtidas por Tomaz
(2008). Segundo Sousa et al. (1999), o manejo de irrigação com aplicações
freqüentes condiciona o solo a manter-se com ótimo teor de água, favorecendo o
desenvolvimento da cultura e conseqüentemente obtendo uma maior
produtividade. Em estudos sobre fertirrigação por gotejamento em meloeiro, as
máximas produtividades comerciais, 26,40 t ha-1 e 20,20 t ha-1, foram obtidas,
respectivamente, por Pinto et al. (1993) e Pinto et al. (1994) com freqüência de
irrigação diária, e 20,09 t ha-1 obtida por Sousa (1993) com irrigações realizadas
a cada dois dias.
Vários pesquisadores confirmaram que o uso da cobertura morta trás
benefícios satisfatórios no que diz respeito ao incremento na produtividade para
diversas culturas. Bradenberger e Wiendenfeld (1997) verificaram aumento de
42 e 27% na produção de melão nas safras de 1994 e 1995, respectivamente,
com a utilização da cobertura do solo em relação ao solo descoberto.
71
Tabela 4. Produção de frutos de melão e eficiência no uso da água no meloeiro em função dos sistemas de plantio
e estratégias de manejo de plantas daninhas. Mossoró-RN, UFERSA, 2008.
Produtividade Produtividade Eficiência de uso da água (kg m-3)
Sistema de
Comercial.
Total
Sistema de manejo
plantio
Prod. comercial
Prod. total
(t ha-1)
(t ha-1)
Plantio
Convencional
Filme de polietileno
Capinado
S/ capina
Filme de polietileno
Capinado
S/ capina
26,60 aB
30,30 aA
0,00 bB
29,26 aB
31,61 aA
2,99 bB
20,27aB
17,81aA
0,00bB
22,29aB
18,59aA
1,61cB
34,40 aA
35,20 aA
25,58aA
26,18aA
28,99 aA
30,15 aA
19,51bA
20,29bA
18,91 bA
22,07 aB
11,66cA
13,61cA
CV (%)
14,31
12,47
15,20
13,16
Nas colunas, letras minúsculas comparam as modalidades de manejo de plantas daninhas dentro de cada sistema
de plantio e letras maiúsculas, coparam sistemas de plantio, dentro de cada modalidade de manejo de plantas
daninhas, pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05).
Plantio
Direto
72
Com relação à eficiência no uso da água (EUA), grande influência
negativa foi exercida pelas plantas daninhas que além de consumir água
promovem redução na produção, requerendo 67,4% a mais de água por
quantidade de frutos produzidos no tratamento sem capinas, no sistema de
plantio direto, em relação aos mantidos sem a presença das espécies infestantes
(Tabela 4). Já o plantio convencional, apesar do maior consumo de água no
ciclo da cultura (Figura 1 e Tabela 3), a elevada infestação de plantas daninhas
(Tabela 2) fez com que a EUA fosse nula para a produção comercializável,
evidenciando a interferência das infestantes por outros fatores, como
competição por luz, nutrientes e espaço físico, e provável efeito alelopático,
uma vez, que a água não foi fator limitante.
A cobertura do solo com filme de polietileno, no plantio convencional,
e a palhada ou palhada mais filme de polietileno, no plantio direto, apesar de
reduzir substancialmente o consumo de água na fase inicial da cultura, tem sua
eficiência diminuída na fase final do ciclo devido ao elevado consumo para
formação de frutos e perdas por transpiração, como conseqüência da expansão
da área foliar. Nos tratamentos com cobertura, merece destaque, o filme de
polietileno no plantio direto, com maior EUA (25,58 kg m-3), proporcionada
pela combinação da economia de água com a boa produtividade.
Esse
benefício pode ser atribuído, também, ao efeito da palhada atuando como
isolante térmico, sob o filme de polietileno preto, que segundo IBARRAJIMÉNEZ et al. (2008) promove elevação da temperatura do solo em 5,2 ºC,
quando comparado ao solo sem cobertura. Tomaz (2008), também verificou
efeito positivo da combinação do filme de polietileno mais plantio direto na
palha na produção de melão, em relação ao filme de polietileno no plantio
convencional.
Quando se compara a EUA nos tratamentos com filme de polietileno e
mantido no limpo, sem cobertura do solo, no plantio convencional, verifica-se
73
que o filme de polietileno elevou a EUA em 13%, devido ao efeito físico do
filme, reduzindo a perda de água por evaporação, especialmente na fase inicial
do ciclo da cultura.
Para Batista et al. (2009), a eficiência do uso da água (EUA) é uma
característica que se refere ao rendimento total da colheita por unidade de água
utilizada. Estes mesmos autores trabalhando com melão amarelo observaram
EUA na ordem de 10,63 kg m-3, com irrigação por gotejamento, ao passo que
na área irrigada por sulco a EUA foi 5,03 kg m-3. Já Cardoso (2002),
trabalhando com meloeiro rendilhado em ambiente protegido, obteve uma
eficiência de uso da água de 19,14 kg m-3. Estes valores obtidos traduzem a
importância da adoção criteriosa do manejo de irrigação (BATISTA et al.
2009) e do uso de estratégias no sentido de reduzir a perda de água por
evapotranspiração, como a cobertura do solo com material orgânico ou
inorgânico e o manejo adequado das plantas daninhas.
74
CONCLUSÕES

O sistema de plantio direto reduziu a população e a massa seca
acumulada pelas plantas daninhas em 86,7 e 61%, respectivamente, em
relação ao plantio convencional;

A interferência das plantas daninhas reduziu a produtividade comercial
da cultura do melão em 100% no plantio convencional e 28,8% no
plantio direto;

Houve redução no consumo de água em 23% (388,8 m³/ha), 21%
(363,0 m³/ha) e 13% (215,0 m³/ha), respectivamente, para os
tratamentos com filme de polietileno no plantio convencional, filme de
polietileno no plantio direto e com capinas no plantio direto, em
relação ao tratamento com capinas no plantio convencional.

A cobertura do solo com filme de polietileno aumentou a eficiência no
uso da água em 13% no sistema de plantio convencional e 29% no
sistema de plantio direto em relação ao solo sem cobertura.

Maior eficiência no uso da água foi verificada no tratamento com
filme de polietileno no plantio direto (25,58 kg m-3).
75
3.6 LITERATURA CITADA
ALLEN, R.G.; PEREIRA, L. S.; RAES, D.; SMITH. Crop
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Universidade Federal Rural do Semi-Árido Pró-Reitoria de Pós-Graduação,
2008. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia)
79
RECOMENDAÇÕES GERAIS
 O sistema de plantio direto reduziu a densidade de plantas daninhas em
61%, em relação ao plantio convencional;
 A cultura conduzida no sistema de plantio direto reduziu o acúmulo de
massa seca das plantas daninhas em 86,7 e 70,9% aos 30 dias após o
transplantio e na colheita, respectivamente, em relação ao plantio
convencional;
 No sistema de plantio convencional as plantas infestantes elevaram o
consumo de água em 10%;
 A cultura conduzida no sistema de plantio direto apresentou índices de
crescimento superiores aos do sistema de plantio convencional;
 A interferência das plantas daninhas reduziu a produtividade comercial da
cultura do melão em 100% no plantio convencional e 28,8% no plantio
direto, quando a cultura foi mantida sem capinas;
 Houve redução no consumo de água em 23% (388,8 m³/ha), 21% (363,0
m³/ha) e 13% (215,0 m³/ha), respectivamente, para os tratamentos com
filme de polietileno no plantio convencional, filme de polietileno no
plantio direto e com capinas no plantio direto, em relação ao tratamento
com capinas no plantio convencional.
 A cobertura do solo com filme de polietileno aumentou a eficiência no uso
da água em 13% no sistema de plantio convencional e 29% no sistema de
plantio direto em relação ao solo sem cobertura.
80
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