RESUMO A epidemia mundial da AIDS teve início em

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RESUMO
A epidemia mundial da AIDS teve início em 1981, nos Estados Unidos, e pós a
introdução dos anti-retrovirais os pacientes infectados com HIV/AIDS passaram a ter
uma sobrevida maior surgindo um novo desafio, a co-infecção com o vírus da hepatite
C (HCV), a qual já é a principal causa de morte nestes indivíduos. O HCV foi
descoberto em 1989 e sua principal via de transmissão, a parenteral, é comum ao HIV,
com isso aumentando a prevalência da co-infecção HIV/HCV e estando atualmente,
mais de 30% dos infectados pelo HIV também infectados pelo HCV. Existem poucos
estudos sobre co-infecção HIV/HCV no Amazonas e o presente estudo oferece uma
oportunidade de avaliar a associação destes vírus. O trabalho é do tipo descritivo de
uma série de casos e tem o objetivo de estudar as implicações clínicas e
imunobiológicas da co-infecção HIV/HCV em uma população de pacientes atendidos na
Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM), no período de 2000 a 2007.
Este estudo encontrou uma freqüência de pacientes co-infectados HIV/HCV de 4,4%
(n=70), com uma média de crescimento anual de 3,6% dos casos. Destes 72,9% eram
do sexo masculino, 47,1% tinham entre 30|- 40 anos. Destes 80% possuíam o primeiro
grau completo, 50% recebiam até um salário mínimo e 55,7% eram naturais da cidade
de Manaus sendo que 94,3% também procedentes da capital. Dos pacientes estudados,
68,6% eram heterossexuais e em 84,3% dos pacientes encontrou-se a promiscuidade
sexual como fator de risco. No período do estudo 34,3% dos pacientes foram à óbito.
Dos indivíduos co-infectados, apenas 25,7% (n=18/70) comparecerem ao ambulatório
de hepatites virais da FMTAM para coleta de material biológico. Nestes pacientes
(n=18) a média da AST foi 61,5±61 U/L, da ALT 62,2±37 U/L e a relação AST/ALT
foi 0,88±0,33 U/L. Quanto aos lipídeos 38,9% apresentaram colesterol total
>200mg/dL, 83,3% apresentaram HDL ≤ 40 mg/dL, 77,8% tinham triglicerídeos >150
mg/dL e 33,3% tinham glicemia >110 mg/dL. Dos pacientes incluídos 83,3% usavam
esquema HAART sendo que 100% destes faziam uso de inibidor da protease no
esquema. Ao aplicar o escore FIB-4 para predizer fibrose verificou-se que 77,8% ficou
com ponto de corte <1,45 e 22,2% com ponto de corte >3,25. Quanto às células T CD4+
72,2% tinham <500 cls/mm3 com uma mediana de 271 cls/mm3, quanto ao T CD8+
88,9% tinham ≥215 cls/mm3 com uma mediana de 794,5 cls/mm3. A razão CD4+ /CD8+
foi 0,32 cls/mm3. Quanto à carga viral do HIV e do HCV verificou-se uma mediana de
16.911 cópias /mL e de 543.209 cópias/mL, respectivamente. Nesta população 88,9%
apresentaram o genótipo 1 do HCV e 94,4% apresentaram o sub-tipo B do HIV. Destes,
83,3% apresentavam Child-Pugh A sendo que 61,1% apresentavam fígado normal na
ultra-sonografia. Ao dosar as citocinas IL4, IL6, IL8, IL10, IL12 e IFN-γ nestes
pacientes verificou-se que apenas a IL6 (p= <0,001) apresentou significância estatística
principalmente quando correlacionada ao logaritmo da carga viral do HCV (0,031). Os
resultados encontrados neste estudo, apesar da baixa prevalência, apresentam
crescimento anual da co-infecção provavelmente devido à melhora na investigação da
hepatite C nos pacientes com HIV. Estes resultados contribuem para um melhor
conhecimento sobre os dados clínicos, epidemiológicos, bem como perfil imunológico
dos pacientes co-infectados da região Norte, uma vez que estes dados podem levar à
uma maior compreensão da interação destes dois vírus resultando em diagnóstico
precoce, e conseqüente redução dos óbitos.
Palavras-chave: co-infecção, HIV, HCV, genótipos, sub-tipos, citocinas
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