A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE FRENTE AOS

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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO/ESPECIALIZAÇÃO EM SAÚDE MENTAL
IVON FERREIRA JUNIOR
A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE FRENTE AOS
PORTADORES DE TRANSTORNOS DE SOMATIZAÇÃO
CRICIÚMA, MAIO, 2008
IVON FERREIRA JUNIOR
A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE FRENTE AOS
PORTADORES DE TRANSTORNOS DE SOMATIZAÇÃO
Monografia apresentada à Diretoria de Pósgraduação da Universidade do Extremo Sul
Catarinense- UNESC, para a obtenção do título de
especialista em Saúde Mental.
Orientadora: Profª. MSc. Eliane Mazzuco dos Santos
CRICIÚMA, MAIO, 2008
Dedico este trabalho a minha esposa que
sempre esteve do meu lado incentivandome a prosseguir com meus estudos, uma
pessoa maravilhosa que admiro demais
como mulher e como profissional.
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais meus grandes amores e o reflexo de minhas conquistas
positivas no campo da construção moral e social;
A professora Eliane Mazzuco, minha orientadora, que soube refinar
minhas palavras e guiar-me por entre as sendas da dúvida;
A um grande amigo que partilhou de seu tempo, disposição e inteligência
em momentos de grande incerteza.
A rocha é imensa e dura. O cortador bate
uma,
duas,
três,
dez
vezes,
nenhuma
rachadura. Ele dá 100 marteladas, só tirando
lascas. Na centésima primeira batida, a
rocha imensa e dura se parte em duas. O
cortador de pedras sabe que não foi
somente aquela martelada a que conseguiu,
mas também todas as que vieram antes.
(AUTOR DESCONHECIDO).
RESUMO
O objetivo desta monografia foi conhecer a percepção que os profissionais da saúde
possuem acerca dos transtornos de somatização. O propósito deste estudo foi
compreender por que os profissionais da saúde acabam depreciando este tipo de
transtorno e posteriormente rotulando como “pití”. Os dados apresentados neste
estudo foram colhidos a partir de entrevista aberta com profissionais de saúde, ou
seja, médicos e enfermeiros do Programa Saúde da Família, Emergência de um
Hospital Geral e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A partir destas
entrevistas procurou-se revelar o que este profissionais lembram sobre os
transtornos de somatização. Observou-se nesse trabalho a necessidade dos
profissionais da saúde se familiarizarem mais com o tema, pois demonstraram até
em alguns momentos desconhecimento acerca da própria temática abordada neste
trabalho. Por esta e outras questões podemos entender que há a necessidade
indiscutível de um debate constante acerca do tema somatização e uma atuação
multidisciplinar de saúde bem consolidada com o manejo do somatizador,
objetivando a melhorar dos serviços de saúde, bem como da qualidade de vida
destes pacientes.
Palavras-chave: Somatização. Transtorno mental. “Pití”.
LISTA DE SIGLAS
CID – Classificação Internacional de Doenças
SUS – Sistema Único de Saúde
DSM – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
DSM IV - Sistema de Classificação Internacional de Doenças Mentais
SC – Santa Catarina
UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense
SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................8
2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS .................................................................................11
2.1 História da Psiquiatria.......................................................................................11
3 REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................15
3.1 Transtornos somatoformes ..............................................................................15
4 METODOLOGIA.....................................................................................................20
4.1 Tipo de pesquisa ...............................................................................................20
4.2 Local da pesquisa..............................................................................................20
4.3 Sujeitos da pesquisa .........................................................................................21
4.4 Considerações éticas........................................................................................21
4.5 Coleta e registro dos dados .............................................................................22
4.6 Análise de dados ...............................................................................................23
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS.......................................................25
5.1 Percepção dos profissionais de saúde frente aos portadores de
transtornos de somatização ...................................................................................25
5.2 Sentimentos dos profissionais de saúde frente aos portadores de
transtornos de somatização ...................................................................................27
5.3 Identificando o portador de transtornos de somatização ..............................29
5.4 Transtorno de somatização versus “piti”........................................................30
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................31
REFERÊNCIAS .........................................................................................................33
APÊNDICES..............................................................................................................36
8
1 INTRODUÇÃO
A enfermagem em saúde mental é um ramo da enfermagem que se
dedica ao estudo, tratamento e cuidados ao portador de transtorno mental, à família
e a comunidade.
Até pouco tempo quando se abordava o tema saúde mental, se associava
o sofredor psíquico como aquela pessoa com manifestações tipicamente clássicas
como nas neuroses, psicoses e as manias. O que acabava por generalizar e
fatalmente associar todo transtorno, com uma representação negativa de
desagregação mental e social, levando a imagem do sofredor psíquico como “louco”.
Atualmente
o
transtorno
mental
apresenta
diversas
abordagens
terapêuticas: psicoterapias, terapias ocupacionais, psicofarmacologias e tantas
outras o que abre um leque maior de manifestações desde as mais simples como
um transtorno mental leve até as mais complexas como as citadas anteriormente.
Além do que a psiquiatria conta com um arsenal de possibilidades que faz com que
o portador de transtorno mental obtenha um resultado terapêutico muito melhor que
no passado. Como conseqüência, temos pacientes em apresentações bio-psíquicas
muito melhores. Já não temos a visão do “louco” como paciente, pelo menos não da
forma como era concebido e tratado o portador de transtorno mental. Isto se dá
graças aos avanços das ciências médicas nas últimas décadas, como afirma Uchoa
(1973, p. 13):
O campo da psiquiatria ampliou e se aprofundou não apenas do ponto de
vista da pesquisa somática (fisiopatologia, neurofisiologia, bioquímica
cerebral...), mas, também, do ponto de vista da psicologia profunda
(psicodinâmica, psicopatologia, psicoterapia...).
Infelizmente apesar de tantos avanços ainda se observa muito
preconceito ao portador de transtorno mental.
Hoje se tem uma visão mais dinâmica do portador de transtorno mental,
todavia
muitos
profissionais
ainda
possuem
dificuldade
em
determinados
diagnósticos, principalmente quando estes não são representados por “entidades
físicas”, ou seja, por representações somáticas mensuráveis e verificáveis por
mecanismos descritivos dentro de um sistema médico (CID).
9
Como afirma ainda Uchoa (1973, p. 13), “o doente mental impôs-se
marcadamente à sua cogitação principalmente os agitados, os maníacos, os de
comportamento extravagante, os de pensamento e afetividade incoerentes, não raro
contrastando com estados de saúde física.”
Com este estudo, buscamos refletir acerca do binômio saúde-doença com
base na percepção dos profissionais que atendem os portadores de transtorno
mental em algumas áreas específicas de abrangência do Sistema Único de Saúde
(SUS).
Esta reflexão surge como um processo de observação da realidade com
que vemos sendo aplicada à terapêutica aos portadores de transtornos mentais,
visto que muitos pacientes que somatizam adentram com freqüência nos serviços de
saúde, sendo responsáveis por grande número de consultas médicas e gerando
importantes gastos como afirmam Lipowski (1988) e Barsky e Klerman (1983):
“Dados americanos apontam que até 50% dos custos de ambulatórios médicos são
a eles atribuídos”.
Chama-nos atenção também que muitos destes pacientes são atendidos
por profissionais que não receberam qualquer tipo de treinamento para lidar como o
portador de transtorno mental em qualquer nível como afirma Servan-Schreiber
(2003, p. 3-6) e García-Campayo et al. (2002, p. 101-105): O treinamento médico
atual baseia-se na identificação e no tratamento de doenças orgânicas e não
prepara suficientemente o médico para reconhecer, tratar pacientes que somatizam.
Na ausência de sintomas e manifestações mensuráveis para se chegar a
um diagnóstico, muitos profissionais acabam depreciando os pacientes que
possuem manifestações tipicamente emocionais sem uma causa orgânica. Além da
inexistência de sintomas mensuráveis, os profissionais se queixam que os pacientes
são difíceis, poliqueixosos e “chatos”. Inclusive lhe atribuindo conotações e dizeres
que não fazem parte da terminologia médica. Neste caso rotulando-os de “pití”.
Em virtude desta observação em nossa prática diária, sentimos a
necessidade de conhecer a “Percepção dos profissionais da área da saúde frente
aos transtornos de somatização vulgarmente apelidados de “pití’ por muitos
profissionais da área da saúde.”
Para conhecermos melhor esta realidade, criamos a seguinte situaçãoproblema: “Por que os profissionais de saúde rotulam os transtornos de somatização
como “pitì”? (que no caso seria mais uma forma de depreciação da doença do que
10
classificação), uma vez que este tipo de transtorno é organizado cientificamente
dentro de um Sistema de Classificação Internacional de Doenças mentais (DSM IV)1,
o que pressupõe um prejuízo a quem a possui”.
Com esta intenção, temos como objetivo geral de “Conhecer qual a
percepção dos profissionais da área da saúde frente aos portadores de transtorno
de somatização”.
Como objetivos específicos, temos: explicar o que são transtornos de
somatização, descrever as razões que levam os profissionais da saúde a rotularem
as manifestações apresentadas pelos pacientes como “pitì” e analisar a diversas
abordagens realizadas por profissionais e pacientes acerca do tema abordado.
1
DSM “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Psiquiátrica
Americana”.
11
2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
2.1 História da Psiquiatria
A história da psiquiatria remonta idades muito remotas, sempre recheadas
de acontecimentos funestos e sombrios. Cada momento da história veio sendo
associado à acontecimentos típicos de cada época. Na pré-história, as crenças e
superstições
se
confundiam
com
a
ciência
o
que
dificultava
qualquer
aprofundamento neste campo. Os pacientes dentro deste contexto de rituais e
práticas
místicas
eram
exorcizados
e
purificados
para
libertação
destas
manifestações aberrantes de personalidade e quando não era possível, eram
castigados violentamente para o mesmo fim. Expulsar o mal impregnado!
Com o advento de estudiosos como Hipócrates e Asclepíades, as
superstições deram lugar a um raciocínio mais ou menos científico, baseando-se em
leis naturais e não mais em causas sobrenaturais.
Uma das grandes quebras desta época foi os estudos de Célius
Aurelianus, que possuía um espírito humanístico muito peculiar para sua época,
mesmo antes de Pinel.
No séc. II d.C. a psiquiatria apresenta um avanço espantoso com a obra
de Galeno, que contribuiu para o progresso da anatomia do sistema nervoso com a
descrição de sete pares craneanos e do sistema nervoso simpático, distinguindo as
causas das doenças mentais em físicas e psíquicas.
Se ela avança do ponto de vista científico com as descobertas no campo
da medicina, há um novo retrocesso ao penetrar no período obscuro da idade
média, onde todo o conhecimento alcançado até ali é mergulhado no fanatismo
religioso pela inquisição. Esse período vai perdurar até a Renascença onde surgem
psiquiatras com contribuições humanísticas e já bem mais esclarecidas, retornando
assim a tradição hipocrática-galênica. Também houve uma corrente piedosa e
humanística, organizada por ordens religiosas no sentido de se criarem casas,
abrigos, muitos deles, a princípio localizadas nos próprios mosteiros.
Os séc. XVII e XVIII surgiram com os mosteiros, hospitais, hospícios,
muitos deles permitindo o início do trato científico dos doentes mentais. São
12
exemplos clássicos aqui no Brasil, Hospital Pedro II (Rio de Janeiro), Hospital João
de Deus (Bahia) e Hospital de Junquerí (Franco da Rocha), em São Paulo.
Alguns acontecimentos mudaram significativamente os rumos da história
psiquiátrica:
- a nomeação de Philippe Pinel como médico para o hospital de Bicêtre,
quando ele redige o seu tratado sobre a saúde mental, sugerindo um
tratamento mais humano para o doente mental;
- o trabalho de J.E.D. Esquirol, principal discípulo e assistente de Pinel,
onde sua persistência e dedicação possibilitaram a criação de vários
asilos;
- a adesão à obra de Pinel e Esquirol que alcança uma gama notável de
psiquiatras na França, e futuramente o início da psiquiatria clínica, que
procura conhecer de onde vem as doenças mentais e minimizar os
danos aos portadores de transtorno mental.
Após estas épocas tenebrosas da história, vemos a psiquiatria dar um
salto grandioso tanto do ponto de vista da pesquisa neuro-fisiopatológico e em todo
contexto a que está agregado o campo da psiquiatria orgânica, como também sob o
ponto de vista das ciências psicológicas (psicoterapias, psicodinâmicas).
Todo este progresso comentado no parágrafo anterior ainda continua
sendo almejado nos dias atuais não só sobre o ponto de vista científico e
metodológico mais em um plano muito mais abrangente, conhecido por um
movimento chamado Reforma Psiquiátrica.
Esse movimento surge depois de todo esse contexto histórico com a
proposta de transformar saberes e práticas em relação à loucura, recompreendendo
o sofrimento psíquico. Não basta destruir os manicômios, acolher os loucos, temos
que realizar a noção de loucura, compreender seus determinantes psicossociais.
De acordo com Amarante (1995 apud KANTORSKI et al., 2001, p. 145), a
antipsiquiatria é um movimento iniciado na década de 60 na Inglaterra por um grupo
de psiquiatras entre laing, Cooper e Estersem elaborando uma crítica radical ao
saber médico-psiquiátrico no trato especialmente com a esquizofrenia.
O termo “Antipsiquiatria” foi aplicado por David Cooper, um psiquiatra sul
africano, que a partir dos estudos de alguns especialistas, juntamente com Ronald
Ling, um psiquiatra escocês, passou a discordar dos métodos de estudo e de ação
da psiquiatria e psicologia “tradicionais”. A antipsiquiatria seria uma tentativa de se
13
compreender o comportamento humano de um ponto de vista diferente daquele
utilizado pela psiquiatria e pela psicologia “tradicional”.
Para a antipsiquiatria, a loucura é um fato social e político, uma
experiência positiva de reação ao equilíbrio familiar, não sendo uma doença passível
de tratamento. Esta reflexão nos ajuda a romper com o modo de pensar e fazer
relacionado ao modelo clínico tradicional, redimensionando o saber e a prática
médica acerca da loucura.
Na reforma Italiana, segundo Rotelli (1999 apud KANTORSKI et al., 2001,
p. 147), resgata-se a crítica dos anos 60, a importância da denúncia de que o saber,
o poder e a operacionalização da psiquiatria vigente legitimaram a exclusão de
milhões de cidadãos, geralmente oriundos de classes menos favorecidas.
Na França uniformizou-se a custódia e a privação dos direitos de
cidadania do doente mental.
Nos EUA, o processo de desospitalização significou o fechamento dos
hospitais psiquiátricos, objetivando reduzir despesas do estado, sem ter a
contrapartida adequada da criação de serviços comunitários, configurando-se o
fenômeno “os loucos na rua”.
Nos últimos vinte anos todos os países ocidentais tentaram reformar seus
sistemas psiquiátricos, constituindo serviços externos ao hospital psiquiátrico.
Já no Brasil o processo de reforma psiquiátrica é percebido no final dos
anos 70 por um movimento sanitário em favor das mudanças nos modelos de
atenção e gestão nas práticas de saúde. Em 1978 observa-se o início efetivo pelos
direitos dos pacientes psiquiátricos em nosso país.
O ano de 1989 surge como uma data marcante para a luta
antimanicomial, quando dá entrada no Congresso Nacional o Projeto de Lei do
deputado Paulo Delgado, que propõe a regulamentação das pessoas com
transtornos mentais e a extinção progressiva dos manicômios no país. Todavia foi
somente no ano de 2001 que esta lei é sancionada.
Embora tenhamos conhecimento de muitos outros movimentos marcantes
dentro do contexto histórico brasileiro, nenhum deles ainda conseguiu superar
totalmente os conceitos de normalidade e doença, dentro da psiquiatria. A loucura
ainda não está extinta da percepção popular enquanto transtorno mental. A Reforma
precisa ser feita a cada instante na mentalidade das pessoas e de nós profissionais
da saúde.
14
Segundo o Caderno Informativo do Ministério da Saúde (apud ROEDER,
2003):
A reforma psiquiátrica tem na essência de sua motivação, a busca
incessante do direito a cidadania. Por conseguinte, não pode ser dissociada
de todas as dificuldades que neste momento a humanidade vem
enfrentando, diante da deteriorização da qualidade de vida, da
marginalização crescente de grandes contigentes populacionais e da
exacerbação das diferenças entre ricos e pobres.
Por mais que se fale sobre as conquistas da luta antimanicomial, ainda
nenhum movimento conseguiu acabar com o estigma do louco, o que enfraquece a
capacidade familiar e social de se conviver com o portador de transtorno mental.
15
3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1 Transtornos somatoformes
Segundo Barsky (1989 apud TOWNSEND, 2002, p. 463), “os distúrbios
somatoformes se caracterizam por sintomas físicos sugestivos de uma doença
clínica, porém sem uma patologia orgânica demonstrável ou um mecanismo
fisiopatológico conhecido que possa explicá-los.”
Alguns sintomas físicos ocorrem sem nenhuma causa física e nesses
casos, suspeita-se de uma causa psicológica, o que leva a se pensar em
somatização.
Somatização, segundo suas origens, foi sugerido por Zbibniew Lipowski
(1924-1997), designando o termo “a tendência a experimentar e comunicar
sofrimento somático em resposta ao estresse psicossocial e buscar auxílio médico”.
O termo foi gerado pela tradução cientificista em inglês do termo alemão
Organsprache (“fala dos órgãos”), originalmente criado por Wilhelm Stekel (18681940) no início do Século XX e que podia representar tanto a manifestação física
com lesões orgânicas quanto sintomas físicos sem explicação médica, desde que
gerados por conflitos psicológicos inconscientes.
Freud, cujo interesse pelos distúrbios histéricos se desenvolveu enquanto
ele trabalhava com Charcot em Paris, observou que sob a hipnose os clientes
conseguiam evocar memórias e experiências emocionais passadas que aliviavam
seus sintomas. Isto levou a sua proposta de que emoções não expressas podem ser
“convertidas” em sintomas físicos.
Na década de 1960, um distúrbio conhecido como de “BRIQUET” foi
designado como Transtorno de Somatização, como é descrito no DSM-IV. A
introdução da categoria diagnóstica “Transtorno Somatoforme” nas classificações
internacionais de doenças é relativamente recente, tendo ocorrido em 1980 por meio
do (DSM-III), 3ª edição e em 1992 na Classificação Internacional de Doenças, 10ª
edição (CID 10).
Hoje, o termo já se expandiu designando todos aqueles mecanismos
pelos os quais a ansiedade se traduz em doenças físicas ou queixas corporais.
16
As mulheres têm a probabilidade de 5 a 20 vezes maior de serem
diagnosticados como portadores do distúrbio do que os homens. Segundo Kaplan e
Sadock (apud TOWMSEND, 2002, p. 462), “a prevalência por toda a vida dos
distúrbios somatomorfos em mulheres é de 1 a 2%.”
Não apenas em mulheres, mais também em adolescentes e adultos
jovens, mais que nas outras faixas etárias. Foi comprovado que existe uma
tendência a somatização em indivíduos com baixo nível de educação e naqueles
das classes socioeconômicas mais baixas.
Para a compreensão melhor desses transtornos, estes foram classificados
em uma única seção, sendo agrupado desta forma para excluir condições médicas
gerais ocultas ou etiologias induzidas por substâncias para os sintomas físicos.
Os Transtornos Somatoformes foram classificados como transtorno de
somatização, indiferenciado, conversivo, doloroso, hipocondria, dismórfico corporal e
de somatização sem outra especificação. Nos deteremos ao transtorno de
somatização em virtude de sua relação com o estudo em questão. Apresentaremos
algumas características gerais que fazem parte destes tipo de transtorno:
a) os sintomas inexplicáveis no transtorno de somatização não são
intencionalmente produzidos ou simulados;
b) os indivíduos somatizadores em geral, descrevem suas queixas em
termos dramáticos e exagerados, porém com freqüência faltam
informações factuais específicas;
c) eles (somatizadores) buscam tratamento com vários médicos ao
mesmo tempo;
d) os sintomas causam sofrimento clínico significativo ou prejuízo no
funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes;
e) alguns pacientes que erroneamente atribuem essas sensações a
causas patológicas, experimentam como sintomas físicos, e podem
acreditar que estão gravemente doentes e que ficarão incapacitados.
É importante destacarmos que os sintomas que não tem uma explicação
médica também podem complicar um distúrbio físico. Uma dor torácica de origem
psicológica pode se seguir a um infarto agudo do miocárdica. Então uma vez que os
sintomas tenham sido experimentados, seu curso subseqüente é afetado em virtude
do:
1) entendimento do paciente sobre seu significado;
17
2) as reações da família e das outras pessoas;
3)
a
resposta
dos
médicos,
pouco
clara,
contraditória,
ou
o
aconselhamento médico exageradamente cauteloso podem prolongar os sintomas.
Por isso, não se deve presumir que os sintomas físicos são de origem
psicológica só pelo fato dos pacientes estarem passando por eventos estressantes.
Na somatização, é difícil ter a certeza de que os sintomas são produzidos por
mecanismos inconscientes e não conscientes. O distúrbio tem geralmente um curso
flutuante, com períodos de remissão e exarcebação. Os clientes geralmente
recebem cuidados de diversos médicos, por vezes concomitantemente, ocasionando
a possibilidade de combinações perigosas de tratamento.
Para estes distúrbios o diagnóstico dentro da clínica psiquiátrica é
realizado em virtude de algumas características apresentadas pelos pacientes:
- Queixas somáticas que se iniciam antes dos 30 anos e ocorrem por um
período de vários anos;
- queixas físicas ou prejuízo social excedem o que seria esperado a
partir do histórico, do exame físico ou testes laboratoriais;
- deve haver um histórico de dor relacionada a pelo menos quatro
lugares (ex.: cabeça, abdômen, costas, articulações) ou funções
(menstruação, relação sexual, micção);
- pelo menos dois sintomas gastrintestinais, outros ou não dor.
Como o diagnóstico torna-se difícil e a passagem por vários médicos se
torna infrutífera, os pacientes têm uma tendência a procurar alívio por meio de
medicação excessiva com analgésicos ou ansiolíticos prescritos. Por isso o abuso e
dependência de drogas não são complicações raras do distúrbio de somatização.
Alguns fatores predisponentes ao aparecimento dos transtornos de
somatização são explicados por muitas teorias, dentre elas:
- Teoria psicodinâmica: distúrbio de relação mãe-filho, devido aos
conflitos da mãe, fazendo com que os filhos não desenvolvam
sentimentos de autoconfiança. A criança retribui esta carência afetiva
aprendendo a obter afeição e carinho por meio das doenças.
- Teoria da dinâmica familiar: em algumas famílias seus integrantes são
incapazes de lidar com determinados problemas, sendo levados a não
explorar os seus conflitos emocionais. Nestas famílias quando a
criança adoece o foco familiar acaba voltando-se para criança o que os
18
leva a um certo equilíbrio familiar e a criança a somatizar em resposta
a esta situação. Para Minuchin et al. (1975 apud TOWNSEND, 2002, p.
463), “a criança, por sua vez, recebe um reforço positivo para a
doença.”
- Fatores ambientais e culturais: para muitos povos, a verbalização ou
expressão de sentimentos é desestimulada, em substituição a isto as
pessoas manifestam-se por meio da somatização. Alguns estudos
ainda sugerem que existe uma tendência a somatização em indivíduos
de baixo nível educacional, de áreas rurais e de classes sócioeconômicas mais baixas.
- Fatores
genéticos:
segundo
Kaplan
e
Sadock
(1998
apud
TOWNSEND, 2002, p. 464), os estudos mostraram um aumento de
dez a vinte vezes na incidência em familiares em primeiro grau do sexo
feminino de pessoas que apresentam esse distúrbio. Esse dados
podem sugerir uma possível pré-disposição genética.
Quanto ao tratamento destinado a estes pacientes devem repercutir em
volta de uma avaliação física minuciosa descartando quaisquer possibilidade de
alteração orgânica que possa estar causando prejuízo ao paciente. Posteriormente,
procurar conhecer as idéias que o paciente faz sobre as causas dos seus sintomas.
Deve-se obter informações sobre os pensamentos e comportamentos que
acompanham a causa física. É importante conhecer também o relato de parentes e
amigos para enriquecer o contexto informativo sobre o paciente.
É importante pesquisar a existência de transtornos psiquiátricos. Existem
ainda alguns pontos que devem ser considerados no discurso ao paciente e
familiares:
- evitar falas contraditórias, investigações desnecessárias (quando
excluído as causas orgânicas) e encaminhamentos a vários outros
especialistas;
- cuidadosamente explicar ao paciente que embora não se encontre
uma causa patológica física para o seu problema, os profissionais
entendem o seu sofrimento como algo real e estão levando a sério;
- discutir com o paciente a origem de seus sintomas e minimizar as
preocupações do mesmo.
19
É importante conversar com o paciente durante todo o processo em que
se busca conhecer as causas de seu sofrimento e na mesma medida também com
que se vai descartando as causas prováveis, até se chegar ao desencadeante
emocional. O paciente deve entender porque em determinado ponto o médico
abandona a investigação e a procura por motivos orgânicos.
Se não houver mudanças na vida do paciente, a somatização pode se
arrastar pela vida inteira. Um passo importante é ajudá-lo a lidar de forma positiva
com suas emoções e conflitos que são os fatores que geram os transtornos
psicossomáticos.
20
4 METODOLOGIA
Deteremos-nos
neste
momento
a
metodologia
utilizada
para
o
desenvolvimento deste estudo.
Para Minayo et al. (1997, p. 14), “entendemos por metodologia, o caminho
do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade.”
No método é importante mantermos a coerência com o trabalho científico.
Isto faz com que o pesquisador não se deixe contaminar pela técnica e perca a
ligação com sua percepção própria, o que é uma das características essenciais para
uma boa pesquisa.
Sendo assim, o pesquisador deve estar atento às concepções teóricas em
conformidade com a articulação da realidade e utilizar estas associações dentro de
seu estudo, como lembra Minayo et al. (1997, p. 15), “a teoria e a metodologia
caminham juntas, intricavelmente inseparáveis.”
4.1 Tipo de pesquisa
O tipo de estudo utilizado para o desenvolvimento desta pesquisa é do
tipo de pesquisa de campo.
A pesquisa de campo é o lugar natural onde acontecem os fatos e
fenômenos. É a que recolhe os dados in natura, como percebidos pelo pesquisador.
Normalmente a pesquisa de campo se faz por observação direta, levantamento ou
estudo de caso. (SANTOS, 2000, p. 30).
4.2 Local da pesquisa
A pesquisa foi realizada em três instituições que desenvolvem atendimento
médico e multidisciplinar em diagnóstico-terapia a clientes do Sistema Único de
Saúde (SUS), após consentimento das mesmas conforme Apêndice A.
Foram realizadas nas seguintes instituições:
a) Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que tem como
objetivo diminuir o intervalo terapêutico para os pacientes vítimas de traumas e
urgências clínicas. O Samu na cidade de Tubarão está situado na Rua Januário
21
Alves Garcia, nº 99, centro – Tubarão-SC. Para a realização deste serviço utiliza
duas ambulâncias formadas, por equipes com treinamento em atendimento de
suporte básico e avançado de vida.
b) Emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, situado a Rua
Vidal Ramos, nº 215, Centro, Tubarão-SC. Esta unidade possui um efetivo de 41
funcionários, entre Enfermeiros, Médicos, Técnicos de enfermagem e pessoal de
apoio, envolvidos em atividades diversas dentro do contexto das urgências e
emergências.
c) Por último temos a Unidade de Saúde da Família São Luís, o qual está
inserida na unidade denonimada Etelvina Bopprê Felipe, localizada no Bairro São
Luís, no município de Tubarão-SC.
A escolha destes locais deu-se em virtude de suas características em
atenderem com muita freqüência portadores com transtornos de somatização.2
4.3 Sujeitos da pesquisa
Conforme escreve Laville e Dione (apud MINAYO et al., 2007, p. 48),
“conhecer a oportunidade de um sujeito ser selecionado permite estimar o erro da
amostragem, o que ajuda ao pesquisador não generalizar equivocadamente uma
situação específica a toda sua população.”
Foram convidados para este estudo, duas categorias profissionais, os quais
estão inseridos em cada local descrito neste estudo. Os critérios definidos para a
escolha destes profissionais são: ser médico (a) e enfermeira (o), independente de
sua faixa etária, credo religioso, sexo e que aceite a participar do estudo
formalizando este aceite por meio de assinatura do termo de consentimento livre e
esclarecido, conforme apêndice B.
4.4 Considerações Éticas
Para o desenvolvimento deste estudo, de forma a garantir os princípios
éticos que envolvem a pesquisa envolvendo seres humanos, consideramos a
Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde de 10 de Outubro de 1996 e
2
Pacientes com sintomas físicos múltiplos, recorrentes e mutáveis não considerados como fruto de
uma patologia física.
22
respeitado a lei do Exercício Profissional de Enfermagem. (SANTA CATARINA,
2003).
Demos ênfase aos seguintes aspectos:
a) A garantia do anonimato dos participantes do estudo – como forma de
preservar a identidade dos mesmos, sendo utilizados nomes fictícios.
b) Sigilo das informações não consentidas: foram divulgadas somente as
informações permitidas pelos participantes.
c) Liberdade de participação: os participantes puderam recusar-se a
participar ou não do estudo, de permanecer ou desistir em qualquer
momento da pesquisa.
d) Garantia de esclarecimento: antes e durante o estudo. Foram
apresentados os objetivos, as contribuições, o método e a participação
dos envolvidos na pesquisa.
e) Respeito aos valores culturais, religiosos, morais e éticos.
Para Perry (1997, p. 269), existem três pontos importantes a considerar
em pesquisa envolvendo seres humanos:
Se os clientes receberam a informação completa e plena sobre o objetivo do
estudo, seus procedimentos, coleta de dados, danos potenciais, e os
métodos alternativos de tratamento. Se os sujeitos da pesquisa
compreendem que o sigilo e o anonimato são mantidos. Se forem capazes
de
compreender integralmente a pesquisa e as implicações da
participação.
Observando as implicações éticas que envolvem esta pesquisa,
abordamos estas questões junto aos sujeitos participantes deste estudo para
posteriormente obtermos o consentimento por escrito dos mesmos.
4.5 Coleta e Registro dos dados
Para operacionalização desta prática, utilizamos como instrumento de
coleta de dados, a pesquisa bibliográfica em livros, artigos científicos, revistas
científicas, além da entrevista aberta realizada aos profissionais. Salientamos que o
questionário constou de perguntas abertas e fechadas conforme o (Apêndice C),
baseado no objetivo da pesquisa: “Conhecer a percepção dos profissionais da área
da saúde frente aos portadores de transtorno de somatização.”
23
Para Minayo (2007, p. 64), a entrevista tomada no sentido amplo de
comunicação verbal, e no sentido restrito de coleta de informações sobre
determinado tema científico é a estratégia mais usada no processo de trabalho de
campo.
A pesquisa foi desenvolvida em momentos, sendo relatados a seguir:
Primeiro momento:
Neste momento, foi realizada a apresentação da proposta de pesquisa ao
gestor responsável pela instituição e aplicação dos formulários para compreensão e
aceite do pedido por escrito para a realização da pesquisa na referida instituição.
Segundo momento:
Neste momento, foi realizada a abordagem aos profissionais que foram
envolvidos na pesquisa para apresentação do estudo e adesão por escrito.
Terceiro momento:
Neste momento, foram realizadas as entrevistas e aplicação dos
formulários aos profissionais envolvidos na pesquisa.
Neste momento, as impressões foram registradas no diário de campo,
onde posteriormente foram analisadas e interpretadas, convertendo-se em
informações de pesquisa.
Para Trentini e Paim (1999, p. 90), o diário de campo:
Possui a finalidade de registrar as experiências incluindo idéias, dúvidas,
sentimentos, reações, erros e acertos, problemas, dificuldades e facilidades
que surjam durante a coleta de informações. Ainda servirá como mais uma
fonte de informações, de grande utilidade na interpretação e discussão dos
resultados.
4.6 Análise de dados
Os dados foram analisados conforme Minayo (apud GOMES, 1994, p. 67)
e envolve:
24
- Ordenação dos dados: neste momento, foi realizado um mapeamento
dos dados obtidos, transcrição de gravações, leitura do material,
organização dos relatos e dos dados da observação do participante.
- Classificação dos dados: neste momento, por meio de diversas leituras,
foram estabelecidas indagações para identificar o que surge de
relevante.
- Análise final: foram estabelecidas articulações entre os dados e o
referencial teórico utilizado na pesquisa.
25
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Este capítulo tem por finalidade apresentarmos a análise dos dados que
surgiram a partir da pesquisa realizada, com o objetivo de responder a questão
norteadora da pesquisa: “Por que os profissionais de saúde rotulam os transtornos
de somatização como piti“?
Os dados apresentados foram colhidos a partir de entrevista aberta com
profissionais de saúde, ou seja, médicos e enfermeiros do Programa Saúde da
Família, Emergência de um Hospital Geral e SAMU. Neste instrumento constaram as
seguintes perguntas: Descreva o que você lembra sobre os transtornos de
somatização? O que você sente ao perceber que o cliente está manifestando
um sintoma orgânico, mais que na verdade, você percebe que é de fundo
emocional? Como você identifica um cliente somatizador? Você já ouviu o
termo “piti”? Fale a respeito.
5.1 Percepção dos profissionais de saúde frente aos portadores de transtornos
de somatização
A análise dos depoimentos dos sujeitos da pesquisa revela que os
profissionais de saúde lembram sobre os transtornos de somatização como
sintomas orgânicos, psicológicos, psicóticos e de conduta.
Em relação a sintomas orgânicos alguns sujeitos da pesquisa referem ao
transtorno de somatização quanto:
[...] síndrome conversiva... com sintomas como taquicardia, sudorese
tremores [...].
[...] falsos sintomas, onde ele alega existirem dores, sensações que não
existem [...]
[...] o paciente apresenta um quadro clínico não atribuível a algum quadro
orgânico conhecido a tudo que ele está apresentando [...].
A esse respeito, a American Psychiatric Association (2002, p. 470), nos
explica sobre estes transtornos como:
26
um padrão de múltiplas queixas somáticas recorrentes e clinicamente
significativas, devem iniciar antes dos 30 anos e ocorrer por um período de
vários anos e não podem ser plenamente explicadas por qualquer condição
médica geral conhecida ou pelos efeitos diretos de substâncias.
Nas falas acima observamos que os profissionais relacionam o transtorno
de somatização com sintomas orgânicos. Porém, alguns profissionais com sintomas
relacionados ao transtorno de ansiedade.
Sob esta perspectiva Lipowski (1988, p. 1358), propõe que o transtorno
de somatização,
é uma tendência que o indivíduo tem de vivenciar e comunicar suas
angústias de forma somática, isto é, através de sintomas físicos que não
têm uma evidência patológica, os quais atribuem a doenças orgânicas,
levando-o a procurar ajuda médica.
Por sua vez, alguns sujeitos da pesquisa referem o transtorno de
somatização relacionado com problemas de ordem psicológica.
O transtorno de somatização tem relação com vários sintomas que o
paciente começa a apresentar sendo estes de fundo psicológico.
[...] não estão associados ao problema orgânico mas é um problema de
ordem psicoemocional [...].
[...] os sintomas são de origem psicológica, não existe nenhum tipo de
doença orgânica conhecida que se encaixe naquilo que ele está
apresentando.
A presença de pacientes com sintomas sem uma base orgânica
correspondente ocorre em todas as áreas da medicina e é reconhecida há muitos
anos. Kroenke e Mangelsdorff (1989) não encontraram causas orgânicas em mais
de 80% das consultas de atendimento primário agendadas para avaliação de
sintomas comuns, como dor no peito, tontura ou cansaço.
A partir das falas dos sujeitos notamos que os profissionais compreendem
a doença quanto às causas psicológicas, pois os fatores psicológicos possuem um
papel importante na causa do transtorno de somatização.
De acordo com Lazzaro (2004, p. 2) refere que “em pacientes com
transtornos de somatização, o sofrimento emocional ou as situações de vida difíceis
são experimentados como sintomas físicos.”
Na categoria referente à conduta e psicose, alguns profissionais
percebem o transtorno de somatização quanto:
27
[...] são transtornos de conduta [...].
[...] tem relação com pacientes psicóticos [...].
Sob este olhar, não é correto atribuirmos às manifestações de
somatização apresentadas pelos pacientes como um transtorno de conduta uma vez
que para ter relação com o mesmo segundo o DSM-IV-TR (2002, p. 120), é preciso
a presença de três ou mais critérios nos últimos 12 meses de agressão a pessoas e
animais, destruição de patrimônio, defraudação ou furto e sérias violações de regras.
Ainda o DSM-IV-TR (2002, p. 120) explica que
a psicose historicamente tem recebido diversas definições diferentes...
porém a definição mais restrita de psicótico diz respeito a delírios ou
alucinações proeminentes, com as alucinações ocorrendo na ausência de
insight para a sua natureza patológica.
Sabemos que o transtorno de somatização são caracterizados por uma
combinação de dor, sintomas gastrintestinais, sexuais e pseudoneurológicos, o que
não tem relação com os sintomas descritos na fala ao que o profissional se refere ou
faz associação com os sintomas da psicose.
5.2 Sentimentos dos profissionais de saúde em relação ao portador de
transtorno de somatização
Ao questionarmos quanto aos sentimentos do profissional de saúde frente
ao portador de transtorno de somatização encontramos as seguintes categorias:
pena, irritação e preocupação.
Na categoria “pena”, podemos observar este sentimento quando o sujeito
da pesquisa refere:
[...] o sentimento inicial é de pena, por que na verdade ele está pedindo
ajuda [...].
Conforme Ferreira (1999) “pena” significa aflição, piedade, compaixão e
dó.
Sendo assim, observamos que o profissional corresponde com estes
sentimentos, pois ele acredita que o portador de somatização está pedindo ajuda.
28
Enquanto alguns profissionais têm esse sentimento, em outros causam
uma irritação. Como observamos na fala abaixo.
[...] no começo a gente fica irritada, porque fica esperando algo mais e não
é [...].
[...] a gente acaba valorizando a doença orgânica.
O profissional da saúde está preparado para atender as doenças
orgânicas e não as de fundo psicológicos, ou seja, quanto mais aparece nos exames
laboratoriais mais fáceis de detectarmos e diagnosticar. Os portadores de transtorno
de somatização possuem as queixas físicas, mas não são explicados por patologias
orgânicas. Sendo assim, causa certa irritação no profissional que está atendendo,
pois esperam achados laboratoriais.
Na categoria “preocupação”, um profissional refere:
[...] preocupação por que enquanto estou atendendo este tipo de paciente,
outros mais graves deixam de ser atendidos [...].
Nesta perspectiva, observa-se que o profissional sente preocupação
devido os outros pacientes que considera mais grave e deixa de atendê-los, mas
não com o sofrimento que o portador de transtorno de somatização vivencia no seu
cotidiano.
Observamos ainda, que muitos profissionais não gostam de atender o
portador de transtorno de somatização, conforme relatos:
[...] não gosto muito da psiquiatria.
[...] os profissionais de saúde não gostam de atender este tipo de paciente.
[...] no Programa Saúde da família eu tolero um pouco mais do que na
emergência.
Estes sentimentos surgem possivelmente durante a abordagem do
paciente somatizador, devido à dificuldade no estabelecimento de um vínculo
médico-paciente positivo, em decorrência de um questionamento constante por
parte do paciente em relação às assertivas emitidas pelo profissional, principalmente
aquelas referentes à provável inexistência de condição orgânica detectável.
29
Conforme argumenta Martins (1988, p. 18):
Espera-se que o paciente queixe-se de uma forma e em uma proporção
razoável ao esperado para aquela patologia, relatando os sintomas físicos
em termos orgânicos do corpo e as angústias emocionais em termos
psicológicos, aceitando as orientações e demonstrando a frustração em não
conseguir resolver o problema por meio de técnicas objetivas.
5.3 Identificando o portador de transtorno de somatização
Ao questionarmos os sujeitos da pesquisa quanto à identificação dos
portadores de transtorno de somatização encontramos as seguintes categorias:
anamnese e através dos sintomas apresentados pelos pacientes.
Na categoria anamnese os sujeitos da pesquisa relataram:
[...] pela anamnese e o exame físico... não tem nada melhor!
Uma boa anamnese... sentar, conversar, pegar toda a história do paciente.
Conforme Aguiar et al. (apud QUEVEDO, 2008, p. 239) “uma cuidadosa
anamnese realizada com o paciente, além da obtenção de informações relevantes
com familiares, é indicada para evitar tais erros.”
De acordo com as falas acima, observamos que para uma melhor
identificação desses pacientes é necessário que o profissional realize uma boa
anamnese juntamente com uma entrevista clínica. Sabemos que quando realizado a
história clínica e psicológica dos pacientes não corremos o risco de estigmatizá-los,
pois eles sofrem com os sintomas apresentados.
Na categoria através dos sinais e sintomas os sujeitos da pesquisa
referem:
[...] na maioria das vezes eles simulam uma crise convulsiva, se jogam no
chão, piscam os olhos [...].
[...] a gente chama pelo nome o cliente reage, para com aqueles tremores
[...].
[...] geralmente quando se ameaça um procedimento mais invasivo, na hora
ele já volta.
Aguiar et al. (apud QUEVEDO, 2008, p. 239) refere que:
os transtornos somatoformes desafiam a acuidade diagnóstica dos médicos.
Por serem caracterizados por sinais e sintomas sem uma causa orgânica
30
detectável, mas com expressão de sintomas físicos, é fundamental que o
médico examine e detida e cautelosamente as queixas que o paciente
apresenta.
Sob este olhar, os profissionais devem estar atentos as queixas dos
pacientes e entenderem que as crises conversivas e temores fazem parte do quadro
emocional dos portadores de transtorno de somatização. Não devemos criticá-los ou
banalizar os sintomas porque são pacientes que sofrem e possuem um prejuízo
social e ocupacional. Bem como devemos escutá-los e propor um tratamento
adequado, após termos certeza que os sintomas físicos não fazem parte de uma
doença orgânica.
5.4 Transtorno de somatização versus “piti”
Quando questionados em relação ao termo “pití” obtivemos as seguintes
respostas:
[...] pití é uma abreviação de se escrever sintomas psicossomáticos.
[...] este termo pití é muito comum dos profissionais usarem, muito até mais
que transtorno de somatização.
[...] pití é o paciente que busca chamar atenção.
A esse respeito Bombana et al. (2002, p. 180) refere que “as equipes de
saúde
passam
a
usar
termos
como
“piripaque”,
pacientes
“pitizentos”,
“hipocondríacos”, “poliqueixosos”, “difíceis”, “chatos”, quando não conseguem
estabelecer uma relação com as queixas do paciente e suas manifestações físicas.”
A partir deste momento cria-se um rótulo para identificar o paciente que possui
manifestações somáticas difíceis de serem tratadas e inexplicáveis.
31
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este estudo procuramos compreender a percepção dos profissionais
de saúde frente aos portadores de transtornos de somatização e entendermos por
que estes profissionais rotulam os pacientes que apresentam transtorno de
somatização de pití, uma vez que este transtorno já possui uma base científica que a
identifique em termos didáticos.
Não temos a pretensão de julgar a posição dos profissionais em torno do
tema somatização. O que observamos ao longo desta pesquisa é que os
sentimentos apresentados pelos mesmos são muito diversos e subjetivos. O que é
comum e percebido pelos próprios profissionais é a angústia dos pacientes que
buscam auxilio nas unidades de saúde. Realmente como foram relatados pelos
próprios sujeitos da pesquisa os profissionais aprenderam a valorizar mais as
manifestações físicas mensuráveis e já conhecidas do que os sentimentos mal
traduzidos em desequilíbrios orgânicos pelos pacientes. Se os portadores destes
transtornos não puderem receber a devida atenção na medida da terapêutica
correta, que fim terá este cliente senão em quadros muito mais complexos agora sim
requisitando uma atenção maior por parte dos profissionais da saúde.
Não cabe ao profissional que atende o paciente somatizador buscar
argumentos para um atendimento mais adequado por compreender que este sujeito
está manifestando um sintoma físico de ordem psicológica. Mesmo que o paciente
finja o que ele demonstra na agitação dos músculos, nenhuma simulação é sem
propósito. Deve o profissional lembrar que ele estará tratando sempre do paciente e
não os sentimentos confusos que muitas vezes são facilmente reconhecidos pela
causa de seus problemas.
Ele busca por meio de suas manifestações conversivas pedir ajuda e por
várias vezes acredita que receberá. Por isso os postos de saúde e unidades de
emergência recebem com maior freqüência os mesmos pacientes. Seus problemas
sejam eles de ordem física ou de fundo emocional, muitas vezes são ignorados e
relegados a um segundo plano por considerarem uma representação de pouco
valor.
Consideramos que todos perdem com este problema. Pacientes, família,
profissionais, instituições de saúde, sociedade. Acreditamos que este tema, o
32
transtorno de somatização, precisa ser mais aprofundado e discutido entre os
profissionais de saúde e os serviços que recebem estes pacientes. Devemos abolir
este termo “pití” de nossas concepções pessoais e profissionais. Reconhecemos
que por enquanto a terminologia ainda é muito problemática para os pacientes,
parecendo que o conceito de somatização questiona a realidade e a genuinidade do
sofrimento, mais enquanto continuarmos a rotular o paciente com transtorno de
somatização de “pití”, ou seja, enquanto continuarmos a dizer que o paciente está
fingindo e que não tem “nada”, estaremos fadados a repetirmos os mesmos
cuidados, sobrecarregando as instituições de saúde e prolongando o sofrimento
destes portadores de transtorno mental.
33
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1973.
36
APÊNDICES
37
APÊNDICE A - Solicitação de Consentimento Institucional para
realização da pesquisa
Prezado(a) Diretor (a):
A presente pesquisa de especialização com modalidade para o magistério
superior realizada pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) tem
como objetivo aplicar um formulário de perguntas a um médico e enfermeiro da
Unidade de Emergência desta instituição. Procuramos com esta pesquisa, conhecer
a percepção destes profissionais de saúde frente aos transtornos de somatização.
Manter-se-á
o
anonimato.
Serão
excluídos
nome
ou
qualquer
particularidade eventualmente citada e que, porventura, possibilitem identificações.
Os dados obtidos serão guardados em segredo profissional e somente serão
utilizados pelos pesquisadores para os propósitos desta pesquisa.
Qualquer dúvida com relação a este estudo entrar em contato com o
pesquisador pelo telefone número (XX) XXXXXXXX.
Agradecemos a sua cooperação.
Ivon Ferreira Júnior
Profª. MSc. Eliane Mazzuco dos Santos
Pós-Graduado UNESC
Orientadora
Consinto com a realização da pesquisa:
INSTITUIÇÃO:
RESPONSÁVEL:
DATA:
38
APÊNDICE B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
PROJETO DE PESQUISA: A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
FRENTE
AOS
PACIENTES
PORTADORES
DE
TRANSTORNOS
DE
SOMATIZAÇÃO.
Prezado (a) Senhor (a):
Estamos realizando um estudo para conhecer a percepção dos
profissionais frente ao atendimento dos pacientes com transtorno de somatização no
Curso de Saúde Mental com modalidade para o magistério superior.
Para tanto, gostaríamos de contar com sua participação, que consistirá
em responder a um questionário com perguntas orientadas por meio de formulário e
entrevista. Trata-se de um projeto que não irá identificá-lo (a). Na necessidade de
qualquer outro esclarecimento, por favor, entre em contato pelo telefone número
(XX) XXXXXXXX
Data: ..../..../......
Nome do Pesquisador:..................................................................................................
Fone para contato:.........................................................................................................
Declaro que estou ciente e concordo em participar do estudo para obtenção do grau
de licenciado para o Magistério Superior no Curso de Saúde Mental ministrada pela
Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), realizado pelo aluno.................
Nome e assinatura............................................../.........................................................
Documento de identidade.............................................................................................
Data: ...../...../.......
39
APÊNDICE C - Instrumento para realização da entrevista
1)
Qual a sua percepção frente aos transtornos de somatização?
2)
O que você sente ao perceber que o cliente está manifestando um sintoma
orgânico, mais que na verdade, você percebe que é de fundo emocional.
3)
Como você identifica um cliente somatizador?
4)
Você já houviu o termo “pití”? fale a respeito.
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