A IMPORTANCIA DO EXERCÍCIO RESISTIDO NA

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1
Luisa Helena de Souza Santos
Mariane Marques Luiz
A IMPORTANCIA DO EXERCÍCIO RESISTIDO NA
SARCOPENIA EM IDOSOS: Revisão bibliográfica
Pindamonhangaba- SP
2015
2
Luisa Helena de Souza Santos
Mariane Marques Luiz
A IMPORTANCIA DO EXERCÍCIO RESISTIDO NA
SARCOPENIA EM IDOSOS: Revisão bibliográfica
Monografia apresentada como parte dos requisitos
para obtenção do Diploma de Fisioterapeuta pelo
Curso de Fisioterapia da Fundação Universitária
Vida Cristã, Faculdade de Pindamonhangaba
Orientadora: Profª Drª Wendry Maria Paixão
Pereira
Pindamonhangaba
2015
3
Dedicamos esta monografia aos nossos familiares pela fé e confiança depositada em
nós; a todas as pessoas que amamos, pelo incentivo nos momentos em que mais precisamos;
aos professores por estarem sempre dispostos a nos ensinar e auxiliar; e à nossa orientadora
Wendry, pela paciência, companheirismo e pelas palavras amigas, demonstradas no decorrer
do trabalho.
4
AGRADECIMENTOS
Agradecemos primeiramente à Deus por nos dar sabedoria, oportunidade de viver,
paciência e fôlego de vida a cada amanhecer. Aos nossos familiares, em especial aos nossos
pais pela força e incentivo a lutar pelos nossos ideais, carinho e muito amor que nos deram
durante toda vida pessoal e acadêmica.
Agradecemos aos nossos amigos de estágio, por todo o ensinamento e motivação que
nos deram e pela amizade de todos esses anos.
E principalmente, nosso agradecimento à nossa amiga Adriele que iniciou este
trabalho junto conosco, dando auxílio durante a primeira fase da pesquisa; e a todos os
professores, em especial a nossa orientadora Wendry, por exigir sempre o máximo e o melhor
de nós, e nos provar que somos capazes de chegar muito além do que pensamos.
Agradecemos por nos transmitir seus conhecimentos e por fazer da nossa monografia uma
experiência positiva.
5
“A mente que se abre a uma nova ideia, jamais
voltará ao seu tamanho original.”
Albert Einstein
6
RESUMO
Introdução: A Sarcopenia é um processo caracterizado pela diminuição de massa e força
muscular, assim como da velocidade de contração muscular, a partir do avanço da idade, no
qual ocorre a substituição do tecido muscular por tecido gorduroso, deste modo a
preocupação com a reabilitação e prevenção se tornam preponderante para uma melhor
qualidade de vida. Objetivo: Descrever a importância dos exercícios resistidos bem como
discorrer sobre os principais protocolos de exercícios resistidos existentes na literatura como
foco de prevenção e reabilitação da sarcopenia em idosos. Método: Trata-se de um estudo
de revisão bibliográfica, no qual foram utilizados artigos científicos em português, inglês e
espanhol de revistas nacionais e internacionais indexadas nos bancos de dados PubMed e
Bireme, publicados entre julho de 2000 a agosto de 2015. Resultados: Foram encontrados
seis protocolos de exercício resistido para idosos, onde quatro são nacionais e dois
internacionais. Os protocolos são aplicados para: membros superiores, membros inferiores,
tronco, associados ao exercício aeróbico, à suplementação nutricional, e à outras
modalidades de exercício físico, como por exemplo, exercícios multissensoriais. Conclusão:
O exercício resistido é importante no tratamento e prevenção da sarcopenia, e seus
benefícios são potencializados se for associado a outras modalidades de exercícios e opções
terapêuticas, como por exemplo, a suplementação nutricional, o que evidencia a importância
da equipe multiprofissional, com destaque ao fisioterapeuta.
Descritores: Sarcopenia. Envelhecimento. Idoso. Treinamento de resistência.
7
ABSTRACT
Introduction: Sarcopenia is a process characterized by a decrease in muscle mass and
strength as well as muscle contraction velocity, from the advancement of age, which is the
replacement of muscle tissue by fatty tissue, so the concern for rehabilitation and prevention
become predominant for a better quality of life. Objective: To describe the importance of
resistive exercise and discuss the main protocols of existing resistance exercises in the
literature with focus on prevention and rehabilitation of sarcopenia in the elderly. Method:
This is a bibliographic review, in which we used scientific articles in Portuguese, English and
Spanish national and international journals indexed in the databases PubMed and Bireme,
published between July 2000 and August 2015. Results: Six resistance exercise protocols
were found for the elderly, from which four were national and two international. The
protocols are applied to: upper limbs, lower limbs, trunk associated with aerobic exercise,
nutritional supplementation, and other forms of exercise, such as multisensory exercises.
Conclusion: Resistance exercise is important in the treatment and prevention of sarcopenia,
and its benefits are enhanced if it is associated with other forms of exercises and treatment
options, such as nutritional supplementation, which highlights the importance of the
multidisciplinary team, especially the physiotherapist.
Keywords: Sarcopenia. Aging. Elderly. Training resistance.
8
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 11
2 MÉTODO ............................................................................................................................. 13
3 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................... 14
3.1 Envelhecimento ................................................................................................................. 14
3.1.1 Aspectos demográficos do envelhecimento .................................................................... 14
3.1.2 Envelhecimento fisiológico ............................................................................................. 14
3.1.3 Envelhecimento do Sistema Muscular ............................................................................ 16
3.2 Sarcopenia ......................................................................................................................... 17
3.2.1 Definição ......................................................................................................................... 17
3.2.2 Fisiopatologia .................................................................................................................. 18
3.2.3 Epidemiologia .................................................................................................................. 23
3.2.4. Síndromes associadas à Sarcopenia ................................................................................ 24
3.2.5 Complicações Clínicas da Sarcopenia ............................................................................. 25
3.2.6 Diagnóstico da Sarcopenia .............................................................................................. 26
3.2.7 Classificação da Sarcopenia ............................................................................................ 26
3.2.8 Opções terapêuticas da Sarcopenia ................................................................................. 27
3.3 Exercícios resistidos.......................................................................................................... 29
3.3.1 Exercícios resistidos na Sarcopenia ................................................................................. 29
3.3.2 Benefícios dos exercícios resistidos ................................................................................ 29
3.3.3 Tipos dos exercícios resistidos ........................................................................................ 30
2.3.4. Princípios do Treinamento Resistido..............................................................................30
2.3.5 Modalidades do Exercício Resistido. .............................................................................. 31
2.3.6 Contraindicações dos exercícios resistidos no idoso ....................................................... 32
2.3.7 Diretrizes dos exercícios resistidos no idoso ................................................................... 32
2.3.8 Recomendações e Prescrição ........................................................................................... 33
2.3.9 Protocolos de Exercícios Resistidos em idosos. .............................................................. 34
4 RESULTADOS .................................................................................................................... 35
5 DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 40
6 CONCLUSÃO...................................................................................................................... 54
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 55
9
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Representação esquemática da área muscular ......................................................... 16
Figura 2: Corte de ressonância magnética da coxa, evidenciando o músculo quadríceps ...... 17
Figura 3: Complexo actina-miosina e enzimas ....................................................................... 21
Figura 4: Sistema ubiquitina-proteossomo .............................................................................. 21
Figura 5: Desequilíbrio no metabolismo celular ..................................................................... 22
Figura 6: Diagrama Adaptado de Dohety ............................................................................... 23
Figura 7: Protocolos de estudos internacionais de exercícios resistidos. ................................ 38
Figura 8: Protocolos de estudos nacionais de exercícios resistidos. ....................................... 39
10
LISTA DE ABREVIATURAS
1-RM= 1 Repetição Máxima
ASTA= Área de Secção Transversa Anatômica
ASTF= Área de Secção Transversa Fisiológica
ATP= Adenosina-tri-fosfato
AVD= Atividades de Vida Diária
CTSIB= Clinical Test of Sensory Interaction and Balance
DP= Desenvolvimento em pé
EEB= Escala de Berg
EWGSOP= European Working Group on Sarcopenia in Older People
FC= Frequência cardíaca
GH = Hormônio de crescimento ou Growth Hormone
GMS= Exercícios multissensoriais
GR= Exercícios resistidos
IL-6= Interleucina 6
IMC= Índice de massa corporal
IME= Índice de músculo esquelético
MMII= membros Inferiores
MMSS= Membros Superiores
OMS= Organização Mundial da Saúde
PE= Pés enfileirados
PNF= Facilitação neuromuscular proprioceptiva
PS= Equilíbrio com pés seguidos
S/L= Sentar e levantar
SABE = Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento
SH= Supino Horizontal
SNC=Sistema Nervoso Central
SPPB= Teste de Guralnik ou Short Physical Performance Battery
TC6= Teste de caminhada de seis minutos
TNF= Fator de necrose tumoral
TNF-α = Fator de necrose tumoral alfa
TP= Tríceps no Pulley
TUGT= Teste Timed Up & Go
VO2máx= Consumo máximo de oxigênio
11
1 INTRODUÇÃO
A população brasileira está envelhecendo de forma rápida, concomitante as taxas de
fecundidade estão diminuindo, assim, estreitando a base da pirâmide populacional, fenômeno
esse conhecido como transição demográfica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no ano de 2025 a população de
idosos seja de aproximadamente 1,2 bilhões, sendo que o Brasil figura como o sexto país do
mundo em números de idosos.1 Dessa maneira, surge uma preocupação com a qualidade de
vida desses indivíduos ao longo desses anos.
O conceito de envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo, no qual há
modificações morfológicas, funcionais e psicológicas que fazem com que o indivíduo perca a
capacidade de adaptação ao meio ambiente, com maior vulnerabilidade a processos
patológicos que culmina no óbito.2 Um dos sistemas orgânicos mais acometidos pelo avanço
da idade é o musculoesquelético, que envolve importantes funções corporais como capacidade
de realizar movimentos, contração muscular e a locomoção.3
Dentre as principais alterações musculoesqueléticas presente nos idosos, a sarcopenia é
uma das mais frequentes; sendo caracterizada pela diminuição da massa, força e velocidade de
contração muscular. Ocorre aproximadamente uma diminuição de massa muscular de 50%
dos 20 aos 90 anos, com substituição de massa muscular por tecido gorduroso.4
Este processo possui como desfecho a atrofia muscular, que gera uma perda gradativa
e seletiva das fibras esqueléticas. O número de fibras musculares no idoso é aproximadamente
20% menor do que no adulto, sendo o declínio mais acentuado em fibras musculares do tipo
II, pois possuem maior capacidade de gerar tensão e velocidade de encurtamento.4
Fisiologicamente, essa atrofia tem seu início por volta dos 50 anos e diminui
acentuadamente após os 70 anos, levando à redução na força muscular em torno de 15% por
década até os 70 anos, e cerca de 30% a partir dos 80 anos.2,4
Perante este quadro, os membros inferiores (MMII) são as estruturas mais acometidas
e as consequências são os prejuízos no equilíbrio, ortostatismo e marcha, visto que a
diminuição de massa e força muscular na cintura pélvica e na musculatura extensora de
quadril gera grande dificuldade para impulsão dos MMII e o levantar-se, caracterizando a
dificuldade de execução de atividades cotidianas e o declínio funcional.3,4
Sendo assim, existem atualmente opções terapêuticas sob a forma de prevenção e
tratamento da sarcopenia, que minimizam a incapacidade e otimizam a independência dos
12
idosos. Dentre elas destacam-se a reposição de esteroides sexuais; exercícios físicos e
suplementação nutricional.
Nesse caso, a fisioterapia também atua como opção terapêutica, pois faz uso dos
exercícios físicos como forma de tratamento. Estudos com atividade física têm os mais
promissores resultados, tanto na prevenção quanto no tratamento da sarcopenia e apontam que
a atividade física pode ser usada como um procedimento capaz de retardar ou reverter um
processo patológico em andamento.1,5
Desse modo, os exercícios trabalhados são de diversos tipos, como por exemplo, os
exercícios aeróbicos e resistidos. Os exercícios aeróbicos são atividades que envolvem
grandes grupos musculares, em um período de tempo prolongado, de modo contínuo e que
melhoram o desempenho motor. Além disso, eles estão associados às melhorias na aptidão
cardiovascular e capacidade de resistência e também podem reduzir a gordura corporal,
incluindo a gordura intramuscular.6
Porquanto os exercícios resistidos, são definidos como qualquer forma de exercício
ativo no qual uma contração muscular dinâmica ou estática é resistida por uma força externa,
aplicada manual ou mecanicamente.7 As principais modalidades de exercícios resistidos são:
isométricos ou estáticos; dinâmicos concêntricos e excêntricos; isocinéticos e exercícios em
cadeia cinética aberta e fechada. É importante destacar que existem muitas variações das
formas de aplicar esses exercícios resistidos. Independente da modalidade, os benefícios do
exercício resistido são promover aumento de massa e força muscular e apresentam como
resultado, maior capacidade para realizar as atividades de vida diária, impedindo o declínio
funcional e incapacidade.6
Diante do crescente envelhecimento populacional e do aumento da expectativa de vida
dos idosos, é necessário conhecer as estratégias alternativas de tratamento e prevenção da
sarcopenia em idosos, pois esse é um problema que se torna cada vez mais prevalente nessa
população. Portanto, no presente estudo é apresentado o exercício resistido como uma
estratégia alternativa no tratamento da sarcopenia, pois este recurso apresenta resultados
significativos na melhora do desempenho muscular.
Contudo, diante da necessidade de intervenções em nível primário com os idosos,
acerca da sarcopenia, o objetivo deste estudo é descrever a importância dos exercícios
resistidos bem como discorrer sobre os principais protocolos de exercícios resistidos
existentes na literatura como foco de prevenção e reabilitação da sarcopenia em idosos.
13
2 MÉTODO
Foi realizada uma revisão bibliográfica de artigos indexados nas bases MedLine e
Scielo, com levantamento realizado por meio dos bancos de dados da PubMed e Bireme por
meio de uma busca por relevância dos descritores em ciências da saúde.
Foram analisados artigos publicados em revistas nacionais e internacionais
correspondentes as áreas de fisioterapia, enfermagem, reumatologia, saúde pública,
epidemiologia, geriatria e gerontologia, fisiologia do exercício, ciências e medicina do
esporte, nutrição, fisiatria, medicina, educação física, cardiologia e fisiologia.
Os artigos publicados no período de julho de 2000 até agosto de 2015, em inglês
espanhol e português foram incluídos nesta revisão.
Os descritores utilizados foram: sarcopenia, envelhecimento, idoso, fisioterapia,
contração muscular, treinamento de resistência, sarcopenia, aging, aged, physical therapy
specialty, muscle contraction. resistance training, sarcopenia, envejecimiento, anciano,
fisioterapia, contracción muscular, entrenamiento de resistência.
14
3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1 Envelhecimento
3.1.1 Aspectos demográficos do envelhecimento
Entre as décadas de 40 e 60, a população brasileira apresentou um declínio
significativo na taxa de mortalidade e uma leve queda na taxa de fecundidade. A partir do ano
2000 ocorreram declínios profundos na taxa de fecundidade, o que fortaleceu o processo de
envelhecimento da população.8 Consequentemente, a pirâmide populacional brasileira passou
a apresentar um formato retangular.9
A transição demográfica brasileira é elucidada pela redução da mortalidade de doenças
infecciosas e aumento das doenças crônicas-degenerativas, com o acesso a rede gerais de água
e ações de Saúde Pública, que contribuíram para a redução da mortalidade e aumento da
expectativa de vida da população.10 Outro fator a ser considerado são as transformações
socioeconômicas, marcados pela urbanização, industrialização, escolarização e inserção das
mulheres no mercado de trabalho, cujas consequências influenciaram o papel da mulher na
sociedade produzindo importantes impactos à população.10
Atualmente, de acordo com o Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE),
em São Paulo, o número de pessoas idosas aumentou, porquanto a expectativa de vida de
mulheres que atingem 60 anos tem uma esperança de mais 22 anos e as que atingem 75 anos a
expectativa de 12 anos. Para os homens que atingem os 60 anos há uma esperança de vida de
16 anos, e para os com 75 anos a expectativa é de nove anos.11 Diante deste quadro, o Brasil
apresenta 8,6% de idosos e este número passará para 13% em 2020.12
3.1.2 Envelhecimento fisiológico
O ato de envelhecer inicia uma vez que o indivíduo nasce, e desencadeia diversas
alterações que causam danos aos diferentes sistemas do organismo. O envelhecimento
15
ocorre de maneira diferente em cada indivíduo, dependendo do sexo, lugar onde vive,
família e experiências vivenciadas. Para se determinar a qualidade do envelhecimento é
preciso verificar fatores que contribuem, como a nutrição, falta de exercício, estresse e o
tabagismo13.
Segundo Weineck14, o envelhecimento é a incapacidade de manter o equilíbrio
homeostático, e deficiências no organismo que podem ser de ordem fisiológica ou
patológica. Neste processo ocorrem múltiplas alterações nos sistemas, dentre os principais
estão o somatossensorial, que juntamente com o sistema vestibular, apresentam as principais
funções de fornecer ao Sistema Nervoso Central (SNC) a posição do corpo em relação à
gravidade, mantendo o controle postural e o equilíbrio corporal. Com o passar dos anos o
idoso apresentará movimentos compensatórios e respostas posturais anormais a fim de
manter o alinhamento da massa corporal em uma base de suporte.15
No sistema circulatório ocorrem alterações estruturais e funcionais por mecanismo
adaptativo e compensatório, sendo a hipertrofia ventricular, rigidez arterial e a disfunção
diastólica as mais frequentes. Já no sistema neurológico, ocorre o envelhecimento neuronal,
caracterizado por deficiência no controle de proteínas e de enzimas, que repercute em função
negativa das células da glia, o que dificulta a plasticidade, a condução e transmissão nervosa,
fatos estes que geram um déficit no equilíbrio estático e dinâmico.15,16
O sistema muscular tem grande importância no envelhecimento e merece destaque,
pois apresenta, com o passar dos anos, o declínio de 10 a 15% da força muscular até os 70
anos e a partir de então se tem a diminuição da força muscular para 50% a cada década.16
Durante o processo de declínio, haverá uma perda de motoneurônios causando tremor e
fraqueza além de diminuição da coordenação dos movimentos. Como implicação destes fatos,
tem-se o desuso da musculatura esquelética que resulta em hipotrofia muscular, afetando a
qualidade de vida do idoso.17
Todos estes sistemas interferem diretamente na capacidade funcional dos idosos, que
pode ser definida como o desempenho do indivíduo para realizar atividades cotidianas.
Todavia, com o prejuízo da função motora com o decorrer do envelhecimento, ocorrerá a
diminuição das habilidades e da qualidade de vida, tornando-o dependente de dispositivos
de auxilio ou da ajuda de outras pessoas.18
Além da redução da capacidade funcional, principalmente dos membros inferiores,
apresentará diminuição da densidade mineral óssea, com aumento das chances de quedas
16
e/ou fraturas,3 o que favorece o surgimento de problemas psicossociais, baixa autoestima e
depressão, acentuando o processo de envelhecimento.
3.1.3 Envelhecimento do Sistema Muscular
A maturação do sistema musculoesquelético se dá entre 20 e 30 anos de idade com
diferentes tipos de fibras musculares. A partir dos 30 anos ocorre a diminuição de densidade
das fibras esqueléticas que começam a dar lugar ao tecido adiposo e colágeno. Diante do
envelhecimento, este sistema apresenta alterações biomecânicas com consequências negativas
na função locomotora e na flexibilidade.15
A explicação para a diminuição da força muscular em idosos se dá pela perda de
neurônios motores que inervam as fibras musculares do tipo II (rápidas) e pela tendência à
atrofia do tecido muscular. Entretanto, as fibras do tipo I (lentas) também sofrem com o
processo de envelhecimento, porém, com menor amplitude se comparado com a fibra tipo II.19
De fato, observamos na arquitetura e na mecânica muscular, uma redução do
comprimento das fibras musculares, do ângulo do fascículo das fibras muscular e da espessura
deste tecido. Na Figura 1 podemos observar a redução da área de Secção Transversa
Anatômica (ASTA) e Secção Transversa Fisiológica (ASTF). Devido a essas alterações na
propriedade muscular, há a dificuldade na capacidade de produzir força, velocidade e o tempo
de contração.19
Figura 1: Representação esquemática da área muscular
Fonte: Adaptado de Lemos19
17
3.2 Sarcopenia
3.2.1 Definição
A Sarcopenia é um processo caracterizado pela diminuição de massa e força muscular,
assim como da velocidade de contração muscular, a partir do avanço da idade, onde ocorre a
substituição do tecido muscular por tecido gorduroso.19,20
Este processo acarreta o declínio do desempenho muscular, ou seja, da massa, força,
potência e resistência, que causam impacto direto na autonomia e qualidade de vida da pessoa
idosa, diminuindo a força muscular.20 A Figura 2 representa um corte de ressonância
magnética do músculo quadríceps, de um adulto e de um idoso, a qual revela o processo de
sarcopenia.
Imagem
mostrando
ressonância
um
magnética
corte
da
de
coxa,
evidenciando o músculo quadríceps, de
um adulto de 21 anos, fisicamente ativo
(imagem de cima) e idoso de 63 anos,
sedentário (imagem de baixo). A massa
muscular (cinza) está diminuída no
idoso; a gordura (branco) subcutânea e
intramuscular está aumentada.
Figura 2: Corte de ressonância magnética da coxa, evidenciando o músculo quadríceps.
Fonte: Imagem adaptada de Roubenoff.21
Devido este processo foram propostos os termos Sarcopenia e Dinapenia para
diferenciar esses eventos de perda muscular na terceira idade, onde a Dinapenia passa a ser a
diminuição da força muscular relacionada à idade. Apesar de serem eventos distintos, mas
inter-relacionados, ambos comprometem a funcionalidade do idoso.22
18
3.2.2 Fisiopatologia
A perda de massa muscular associado ao declínio funcional é decorrente de múltiplas
causas e cada fator relacionado com a etiologia e patogênese da sarcopenia, contribui de
maneira diferente para a perda de massa e força muscular, assim como da qualidade da
contração muscular.23,24
Assim, pode-se dividir a fisiopatologia da sarcopenia em fatores. Roubenoff
classificou esses fatores em classes 25:
a) Fatores relacionados com SNC: Compreende a perda de unidades motoras devido à
atrofia muscular, assim como a denervação seletiva. Como supracitado, a perda de unidades
motoras é decorrente do próprio processo de envelhecimento, que prejudica sua integridade e
a qualidade da contração muscular, fatos estes que levam a quadros de atrofia muscular, onde
as fibras mais comumente afetadas são as fibras do tipo II. 26
É comprovado também que a sarcopenia é acompanhada não só de perda de unidade
motora, mas também de um desarranjo dessas estruturas, pois a denervação seletiva de fibras
musculares do tipo II com reinervação de algumas fibras musculares do tipo I, geram um
aumento do número de unidades motoras lentas, assim, tem-se a perda e atrofia das fibras do
tipo II por meio da perda de unidades motores rápidas, levando à redução de massa
muscular.26
b) Fatores relacionados com o envelhecimento do sistema muscular: Ressalta-se que no
envelhecimento do sistema musculoesquelético ocorrem mudanças na arquitetura muscular,
que é definida como o arranjo das fibras dentro do ventre muscular em relação à linha de ação
da força do tendão. Esse desarranjo da arquitetura muscular é decorrente da diminuição da
ASTA, ASTF e ângulo de penação, que também participam do processo de sarcopenia.19
ASTF é a soma total de todas as secções transversas de fibras musculares presentes em
um músculo, medindo a área perpendicular na direção das fibras. A ASTA é a secção
transversa em ângulo reto com o eixo longitudinal do músculo. Já o ângulo de penação é o
ângulo entre o arranjo das fibras musculares e o eixo longitudinal do músculo. É comprovado
que o desarranjo dessas estruturas influencia o desempenho muscular, comprometendo
principalmente a qualidade da contração muscular, repercutindo não somente na força, mas na
massa muscular.19
19
c) Fatores hormonais: A diminuição dos níveis do hormônio de crescimento ou Growth
Hormone (GH), testosterona, estrógenos e o aumentado de inflamação crônica, influenciam
diretamente no trofismo muscular. Com o avanço da idade tem-se uma condição de
inflamações recorrentes que aumentem os níveis de fator de necrose tumoral (TNF) e
interleucina, onde ambos estimulam a perda de aminoácidos no músculo.27
Insulina: A Sarcopenia é acompanhada do aumento da deposição de tecido adiposo
intramiocelular, fato este que se associa ao risco de aumentar a resistência à insulina. O papel
da insulina na sarcopenia é explicado diante do fato de que a insulina estimula o músculo
esquelético a sintetizar proteínas mitocondriais. O aumento normal na síntese de proteínas em
resposta à insulina parece prejudicar a célula muscular durante o envelhecimento, devido a
alterações nos sistemas de sinalização para a iniciação da tradução. O ganho de peso que
ocorre com frequência a partir da meia-idade, gera um declínio na ação anabólica de insulina,
predispondo à sarcopenia, mas a presença de aminoácidos pode estimular o efeito anabólico
da insulina.24
Estrogênio: Existem alguns estudos recentes que sugerem que o estrogênio previne a
perda de massa muscular. Durante o avanço da idade, ocorre declínio dos níveis de
estrogênio.23,24
GH: Exerce um efeito anabólico sobre o músculo e indiretamente estimula a produção
de insulina (IGF-1) no fígado. Os Níveis IGF-1 são diminuídos nos idosos.28
Testosterona: Os níveis de testosterona diminuem gradualmente nos idosos do sexo
masculino, em torno de 1% ao ano, e este declínio apresenta relação com a perda de massa
muscular, força e função, que acompanham a sarcopenia. Isso ocorre porque a testosterona
induz o aumento do número de células satélite, que são células com grande capacidade de
mitose, e diante disso, elas estimulam o crescimento muscular ao longo da vida, o reparo de
fibras musculares danificadas e a manutenção do pleno funcionamento do músculo
esquelético adulto.24 A relação da testosterona com a sarcopenia, justifica o motivo pelo qual
os homens têm maior perda muscular.29
A inflamação crônica: As doenças inflamatórias crônicas podem estar associadas
com a atrofia muscular, pois estimulam uma rápida degradação de proteínas de células do
músculo, e diminuem a síntese de proteínas dos músculos. A via ubiquitina-proteossomo é o
mecanismo mais importante para a degradação de proteínas em células do músculo
esquelético, e esta via é ativada por meio de citocinas liberadas durante os processos
inflamatórios. Um exemplo destas citocinas são o necrose tumoral alfa (TNF-α) e a
interleucina 6 (IL-6).28,30
20
d) Fatores relacionados com os hábitos de vida diários: Como hábitos de vida diários
define-se a prática de atividade física e os hábitos alimentares. A inatividade física oferece
grande influência na perda muscular. A diminuição da força muscular precede a diminuição
na massa muscular. Por ordem, a inatividade resulta na fraqueza muscular, o que leva à perda
de massa muscular.22,24
Já em relação aos hábitos alimentares, sabe-se que um bom suporte nutricional é
essencial para a manutenção do desempenho muscular. Devido ao alto catabolismo proteico
presente no organismo dos indivíduos idosos, a necessidade proteica destes é muito maior.30
A maioria dos indivíduos idosos não consomem as quantidades necessárias de proteína
na dieta, dentro dos valores recomendados, o que leva a uma redução da massa corporal
magra. A ingestão diária recomendada de proteína é de 0,8 g/kg/dia, uma média de 40% dos
idosos acima de 70 anos não consomem essa quantidade. Quantidades de proteína abaixo do
recomendado levam a um declínio significativo na massa muscular.31
e) Fatores relacionados aos desequilíbrios proteicos: Um desequilíbrio entre a degradação e
a síntese de alguns sistemas de proteínas são identificados como participantes do processo de
degradação muscular, como o processo de autofagia, calpaína e caspases e o sistema
ubiquitina-proteossomo.23
Perda de massa celular: A perda de massa celular na sarcopenia pode ser explicada
diante do processo de apoptose, que é um processo essencial para a manutenção da
homeostase tecidual e é caracterizada por uma morte celular programada. No início da atrofia
muscular característica da sarcopenia é possível verificar a ocorrência de apoptose.23
No início da apoptose há um desequilíbrio na regulação de cálcio livre e alteração na
composição de algumas famílias de proteínas.16 Como o cálcio desenvolve um papel
fundamental na ativação da contração muscular, esse processo sofre alterações levando ao
declínio da qualidade da contração muscular, assim como a atrofia das fibras musculares.
Autofagia: A autofagia é um mecanismo caracterizado pelo auto-consumo das células,
na tentativa de sobrevivência diante de situações onde exista uma carência de nutrição. Esse
processo é executado pelos lisossomos, que passam a consumir os componentes
citoplasmáticos como o citosol e as organelas celulares.23
Calpaína e Caspases: O sistema calpaína é uma via de degradação de proteínas de
células eucarióticas compostas de enzimas calpaínas e calpastatina. Essas duas proteases são
ativadas pelo cálcio.32 Elas não degradam diretamente as proteínas contráteis dos músculos,
entretanto separam as proteínas responsáveis por manter a junção do complexo actina-miosina
e liberam os componentes proteicos do sarcômero para serem degradados por outros sistemas
21
de proteólise celular. A ativação desse sistema pode ser encontrada nos processos de atrofia
muscular, nos períodos prolongados de inatividade e patologias que desencadeiam a perda de
massa muscular, como se pode observar na figura 3.23
Figura 3: Complexo actina-miosina e enzimas.
Fonte: Teixeira e colaboradores23
Sistema ubiquitina-proteossomo: Um dos sistemas proteolíticos mais importantes
relacionados com a sarcopenia é o Sistema ubiquitina-proteossomo, que faz a degradação
protéica de células eucarióticas, sem participação dos lisossomos. Esse sistema processa e
degrada proteínas celulares importantes para a regulação do desenvolvimento, diferenciação,
proliferação, apoptose, transdução de sinal, resposta imune e infamatória; coordenando,
portanto, processos celulares básicos.23 A Figura 4 demostra o Sistema ubiquitinaproteossomo em ação no organismo.
Figura 4: Sistema ubiquitina-proteossomo
Fonte: Teixeira e colaboradores23
22
f) Fatores relacionados ao desequilíbrio no metabolismo celular: Além da degradação
proteica, existe também, como causa da sarcopenia, os déficits no processo de regeneração
muscular, que envolve as células-satélites.33A ativação destas células se dá por resposta a um
estímulo de crescimento, remodelamento ou lesão muscular. Quando são ativadas, as células
satélites se dividem, se diferenciam em mioblastos e se fundem para formar os miotubos que
dão origem à uma nova fibra muscular, que posteriormente se liga a uma fibra muscular já
existente, possibilitando a regeneração ou a hipertrofia da fibra muscular.23 Com o
envelhecimento, há uma diminuição do número de células satélites, e diante disto, há a
diminuição da capacidade de formação de novas fibras musculares, assim como a regeneração
de fibras lesionadas, o que aumenta a hipotrofia muscular, ou o processo de atrofia
característico da sarcopenia 23,25.
Estresse oxidativo: Definido como o excesso de radicais livres em comparação com o
sistema protetor intrínseco de cada célula. O sistema protetor protege a estrutura celular dos
efeitos negativos da presença do oxigênio no organismo. Os radicais livres são os elétrons
livres presentes na molécula de oxigênio, e quando são produzidos em excesso, desencadeiam
efeitos prejudiciais ao organismo.29
O estresse oxidativo é gerado por um desequilíbrio entre pró-oxidantes e antioxidantes,
e desempenha um papel significativo na sarcopenia, triplicando o processo de
envelhecimento, por estimular a apoptose celular e alterar o funcionamento do Cálcio no
organismo, que possui papel fundamental na contração e relaxamento das miofibrilas
presentes no musculo esquelético.29 A figura 5 demonstra o desequilíbrio do metabolismo
celular.
Figura 5: Desequilíbrio no metabolismo celular
Fonte: Teixeira e colaboradores23
23
O estresse oxidativo, a disfunção mitocondrial e a inflamação crônica já estão se
consolidando na literatura como fatores que desempenham papéis importantes na atrofia
muscular relacionados à idade.30 Todos esses fatores que caracterizam a fisiopatologia da
sarcopenia, de forma resumida, são apresentados na figura 6 - Diagrama Adaptado de
Dohety31:
Figura 6: Diagrama Adaptado de Dohety.
Fonte: Doherty31
Neste diagrama, o autor ratifica que a sarcopenia é influenciada e desencadeada por
diversos fatores, assim como também atua como um agente influenciador podendo
desencadear a inatividade física, fraqueza, imobilidade, incapacidade e perda da
independência.31
3.2.3 Epidemiologia
Os dados sobre a incidência e prevalência da sarcopenia no Brasil ainda são escassos
devido aos poucos estudos publicados na área. Diante disso, utilizam-se como base os dados
epidemiológicos publicados em estudos internacionais, que mostram que a prevalência da
sarcopenia é ajustada de acordo com a faixa etária e com o gênero.29-32
24
Em relação à faixa etária, estudos mostram que a prevalência da sarcopenia é maior
com o avanço da idade, com uma porcentagem de sete a doze por cento em idosos entre 60 a
70 anos e de 30 a 50% em idosos com idade acima de 50 anos.32-35
Em relação ao gênero, os homens sofrem um declínio na massa muscular, muito maior
do que o das mulheres, indicando que a sarcopenia é mais prevalente em idosos do sexo
masculino. Esse fato é apresentado por Iannuzzi-Sucich e colaboradores32, onde a prevalência
de sarcopenia nas mulheres foi de 1,5% e de 11,3% para os homens.29
3.2.4. Síndromes associadas à Sarcopenia
Síndromes geriátricas são condições clínicas caracterizadas por gerar um quadro de
declínio funcional e diminuição da qualidade de vida.4 O acometimento de múltiplos sistemas,
desencadeia uma série de sinais e sintomas.5,11 Assim a presença da sarcopenia pode ser
identificada em muitas dessas síndromes.36
A Caquexia: É uma síndrome metabólica desencadeada por uma doença de base e
caracterizada por intensa perda de massa muscular, que pode ou não levar a perda de massa
“gorda”. Devido a esse fato, muitos dos idosos com quadro de caquexia, também apresentam
o quadro de sarcopenia.37
A Obesidade Sarcopênica: Definida como o aumento de massa “gorda” durante o
processo de envelhecimento, e se associa ao declínio no desempenho muscular dos idosos.37
Diante disso, gera uma situação onde o idoso apresenta uma condição de baixa massa livre de
gordura, em contrapartida, apresenta condição de alta massa “gorda”.36,38
A Fragilidade: A síndrome da fragilidade leva à diminuição da capacidade de
resistência aos estresses externos, tornando o idoso, vulnerável, sendo caracterizada por um
conjunto de cinco fenótipos: Perda de peso não-intencional; Exaustão; Diminuição da força de
preensão; Baixo nível de atividade física; Lentidão.38
A fragilidade apresenta um ciclo caracterizado pela perda energética, que inclui uma
ingestão alimentar inadequada, perda de massa e força muscular. Sendo um ciclo composto
por uma tríade: A sarcopenia, disfunção no sistema imune, e desregulação neuro-endócrina. 38
25
3.2.5 Complicações Clínicas da Sarcopenia
Como a sarcopenia é um processo progressivo, ao longo dos anos todo o seu quadro
clínico é manifestado, e diante dele, tem-se as complicações nas quais se destacam:
* Quedas: A diminuição da força muscular oferece impactos diretos na capacidade contrátil
das fibras musculares. O declínio ocorre em ambos os sexos, e os grupos musculares mais
afetados são os da região inferior do corpo, ou seja, músculos dos MMII. Diante disto a
diminuição de força nos MMII confere maiores fatores de risco para quedas.28
* Diminuição da mobilidade: Como a qualidade da contração muscular é prejudicada, a
musculatura produz menos força adotando um padrão mais lento, ou seja, a contração
muscular passa a durar mais tempo, assim como o relaxamento muscular, facilitando a
fatigabilidade. Diante desse fato, a mobilidade fica prejudicada. O grande fator de risco dos
prejuízos à mobilidade é a possibilidade do idoso desenvolver Síndrome da Imobilidade.29
* Incapacidade funcional: A sarcopenia se associa à incapacidade funcional, na qual o idoso
perde a sua autonomia, ou seja, a capacidade de executar qualquer tipo de atividade.26,39 A
probabilidade de comprometimento funcional em idosos sarcopênicos é aproximadamente
duas vezes maior em homens
35
Além da diminuição do desempenho muscular, outro fator
relacionado com a diminuição da capacidade funcional é a adiposidade corporal.26 Os
indivíduos idosos com obesidade sarcopênica apresentam o triplo de chances de desenvolver a
incapacidade física.33
* Comorbidades: As alterações geradas pela sarcopenia e pelo próprio processo de
envelhecimento causam o que é chamado de comorbidades.35 Esse fato pode ser explicado por
inúmeros fatores, como por exemplo as quedas, fraturas, institucionalização e/ou
hospitalização, ocasionando repercussões e comprometimento musculoesquelético, renal,
gastro-intestinal, cardiovascular e pulmonar.33
*
Hospitalizações e Institucionalização: Diante da progressividade da sarcopenia e
complicações em diversos sistemas, a institucionalização torna-se uma estratégia de cuidado
utilizada pelos familiares; assim como a hospitalização, quando os problemas de saúde desse
idoso já se tornaram de extrema gravidade.32-36
26
3.2.6 Diagnóstico da Sarcopenia
A sarcopenia necessita de um diagnóstico precoce e rápido devido o seu quadro
progressivo, e para isso, existem diversos exames, como a ressonância nuclear magnética,
tomografia computadorizada, bioimpedância, ultrassonografia, densitometria óssea corporal
total e as medidas antropométricas por meio da relação cintura-quadril e panturrilha.23
Os exames de imagem são um recurso importante para o acompanhamento do idoso
com sarcopenia, pois além de serem fundamentais para o diagnóstico, também são
imprescindíveis para o acompanhamento da regressão, estagnação ou evolução do quadro de
perda de massa muscular. Dentre todos os possíveis exames a serem realizados, dois deles são
de extrema importância, a Densitometria e a Bioimpedância.23,25
Esses exames permitem o diagnóstico da sarcopenia no meio clínico. Já no meio
científico, os pesquisados mensuram a sarcopenia de uma maneira alternativa, por meio do
índice músculo-esquelético (IME), criada por Janssen e colaboradores.34 Esse índice é
definido por meio da massa muscular esquelética obtida pela bioimpedância, dividido pelo
valor da massa corporal. O resultado é multiplicado por 100 para representar a porcentagem
de massa muscular sobre a massa corporal do indivíduo.20,35
3.2.7 Classificação da Sarcopenia
A classificação se dá em primária e secundária, onde a sarcopenia primária se
relaciona com a idade, ou seja, com o próprio processo de envelhecimento sem o
conhecimento de uma causa específica. Em contrapartida, a secundária é caracterizada com a
identificação de uma ou diversas causas. Entretanto, mesmo com essa classificação, às vezes
se torna difícil classificar clinicamente a sarcopenia em primária ou secundária, devido a
tantos fatores envolvidos no idoso.37
O grupo European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP)
classificou a sarcopenia em três estágios, sendo eles pré-sarcopenia, sarcopenia, e sarcopenia
grave. Esses estágios permitem uma avaliação da evolução, do tratamento e até mesmo
permitem a escolha do tratamento adequado.37
27
A pré-sarcopenia é definida quando o idoso apresenta diminuição da massa muscular,
porém sem influência na sua força muscular ou desempenho físico. A sarcopenia é definida
quando o idoso apresenta a diminuição da massa muscular, associado com influência na sua
força muscular ou desempenho físico. Já a Sarcopenia Grave é quando o idoso apresenta
déficit nos três critérios, ou seja, diminuição da massa e força muscular, assim como
comprometimento do seu desempenho físico. A classificação da sarcopenia segundo a
EWGSOP é mais utilizada atualmente.37,38
3.2.8 Opções terapêuticas da Sarcopenia
Diante da extensa etiopatogenia da sarcopenia, o tratamento deve constituir de ações
que intervenham em cada um dos fatores desencadeantes. Diante disso, o tratamento completo
constitui de intervenções hormonais, nutricionais e de exercícios físicos.
*Reposição hormonal: Os hormônios sexuais (progesterona e testosterona) podem suprimir
citocinas inflamatórias que exercem efeitos catabólicos no músculo, com a diminuição dos
seus níveis, não é possível suprimir essas citocinas prejudiciais. Diante disso, a reposição
hormonal recebe considerável atenção como forma de tratamento da sarcopenia.28
Além dos hormônios sexuais, o hormônio GH também tem sido foco de intervenções,
pois exerce um efeito anabólico indireto sobre o músculo, estimulando a produção de IGF-1
no fígado, no entanto, a maioria dos estudos tem mostrado que o tratamento com GH é
ineficaz em idosos, do ponto de vista da massa muscular, mas, eficiente na promoção da
sensação de bem-estar e melhora da composição corporal e perfil lipídico.1,28,31
* Suplementação nutricional: A suplementação nutricional pode elevar os níveis
energéticos, de força e também de massa muscular. Segundo os estudos recentes, a
suplementação nutricional associada ao treinamento de resistência pode aumentar os ganhos
de força e massa muscular em idosos.31 O uso da creatina é um recurso que apresenta a
possibilidade de elevar o depósito de fosfocreatina no músculo, além de poder aumentar
níveis de adenosina-tri-fosfato (ATP) e fosfocreatina durante o exercício. A potencialidade
dessa intervenção é alcançada quando a suplementação nutricional é associada ao exercício
físico, na busca de alcançar a capacidade máxima da função muscular.1,38
28
* Exercícios Físicos: A atividade física desempenha um papel protetor para todos os
sistemas do organismo, diante dos inúmeros benefícios que proporciona, e por esse motivo, a
atividade física torna-se uma alternativa bem sucedida para o tratamento da sarcopenia.24,28
Além dos benefícios promovidos para os órgãos e sistemas do organismo, em longo prazo os
exercícios promovem diminuição do número de quedas, aumento da mobilidade e
independência, caracterizando a melhora da capacidade funcional do idoso.1,4-8
A proposta dos exercícios físicos abrange tanto a atividade aeróbica quanto
anaeróbica.24 As atividades aeróbicas, como caminhada, corrida, ciclismo ou natação
aumentam o consumo máximo de oxigênio (VO2máx), melhoram o desempenho muscular,
promovem adaptação neuromusculares, diminuem a morbidade e mortalidade, e reduzem a
porcentagem de gordura corporal. O exercício aeróbico não contribui tanto para hipertrofia
muscular, como os exercícios resistidos, mas estimulam a síntese proteica muscular, a
ativação de células satélite e aumento da área das fibras musculares.24
Os exercícios aeróbicos promovem resultados significativos na redução de gordura
corporal, incluindo a gordura intramuscular, que aumenta durante o processo de sarcopenia, e
diante dessa redução, o impacto não está somente no desempenho muscular, mas na
capacidade funcional.22,24
Em contrapartida, a massa, resistência e potência muscular são aperfeiçoadas diante da
prática de atividades anaeróbicas, como o treinamento de resistência. Esse fato ocorre por que
o exercício resistido aumenta a síntese proteica miofibrilar, com repercussões de ganho de
massa muscular e força, independentemente da idade do praticante. Diante disso o exercício
físico resistido demonstra-se ser bem tolerado em idosos.24,28
É importante ressaltar que os benefícios da atividade física não são produzidos nas
atividades de lazer, pois estas não são capazes de impedir o declínio da massa muscular, mas
sim, as atividades aeróbicas e de resistência, realizadas respeitando uma determinada
frequência. Diante disso se faz importante adotar um estilo de vida ativo, para evitar os efeitos
da sarcopenia.24,28 Assim, os tratamentos baseados na atividade física têm os mais promissores
resultados, tanto na prevenção quanto no tratamento da sarcopenia.1
29
3.3 Exercícios resistidos
3.3.1 Exercícios resistidos na Sarcopenia
Em se tratando de qualquer forma de exercício, que vise prevenir ou tratar a
sarcopenia, não existe até o momento na literatura, uma afirmação categórica de qual é a
melhor atividade física recomendada. Existe a comprovação da importância da prática de
atividade física, independente de qual seja, para prevenir e/ou retardar as mudanças que
acompanham o processo fisiológico de envelhecimento, todavia, nada que identifique a
estratégia ideal de tratamento para a sarcopenia.24,28
Segundo Rolland e colaboradores24 e Lang e colaboradores28, ao se analisar os fatores
desencadeantes da sarcopenia, a fisiopatologia e a sua evolução ao longo dos anos, o exercício
resistido torna-se o tipo de exercício que melhor se enquadra na ação da reversão dos fatores
associados. Assim, todo quadro pode ser amenizado ou evitado por meio da prescrição de um
treinamento resistido, pois é a atividade, dentre as várias opções, que mais promove mudanças
significativas nas respostas neuromusculares, como hipertrofia e aumento da força. Portanto,
tem-se o aumento da capacidade contrátil dos músculos esqueléticos, interferindo diretamente
na interrupção do processo, ou na diminuição.39
3.3.2 Benefícios dos exercícios resistidos
Um programa de treinamento resistido promove grandes benefícios como melhora do
desempenho muscular, representado pela força, potência e resistência muscular; aumento da
força dos componentes do tecido conjuntivo, como tendões, ligamentos e fáscia muscular;
aumento da densidade mineral óssea; auxilio na capacidade funcional e desempenho físico
durante a realização de suas Atividades de Vida Diária (AVD); melhora do equilíbrio; redução
da gordura corporal, e acima de tudo, melhora da qualidade de vida.7,38,40
30
3.3.3 Tipo exercícios resistidos
O exercício resistido pode envolver a movimentação da articulação, sendo classificado
como exercício dinâmico e pode ser aplicado de forma concêntrica ou excêntrica. O exercício
pode também, não envolver a movimentação da articulação, classificado assim, como
exercício isométrico.7
Independentemente do tipo de exercício aplicado, o objetivo é recrutar um grupo
muscular específico. A escolha do tipo de exercício depende da capacidade de gerar força dos
grupos musculares do indivíduo e também das suas necessidades funcionais.7,41
O treinamento resistido pode envolver também, um conjunto de exercícios isotônicos
concêntricos e excêntricos ou exercícios isométricos, que caracterizam uma repetição e
envolve também conjuntos de repetições que são denominadas séries. Também é necessário
que exista um período de repouso entre cada série para não criar uma condição de fadiga
muscular.40
2.3.4. Princípios do Treinamento Resistido:
Diante das inúmeras condições necessárias para aplicar de forma eficiente os
exercícios físicos, foram estabelecidos alguns princípios para o programa de treinamento, e
estes mesmos princípios podem ser direcionados para a aplicação do treinamento resistido40:
a) Princípio da sobrecarga: Este princípio afirma que somente com a aplicação de uma
sobrecarga ao exercício, de forma individual e progressiva, é possível promover adaptações
biológicas aos diversos órgãos e sistemas.39-41
b) Princípio da Especificidade: Afirma que o treinamento deve ser elaborado levando em
consideração as individualidades biológicas de cada indivíduo, no qual consiste em definir
qual a modalidade de atividade física específica, a fim de atingir os objetivos desejados.40
c) Princípio da Individualidade: Este princípio defende a idéia de que o treinamento deverá
atender as necessidades individuais e as capacidades dos indivíduos, ou seja, os programas
devem respeitar a individualidade. Portanto, esse princípio leva em conta o nível de aptidão
física antes de propor o treinamento.40
31
d) Princípio da Reversibilidade: Este princípio afirma que todos os benefícios obtidos com o
programa de treinamento são reversíveis, ou seja, podem ser perdidos a partir do momento em
que o indivíduo abandona o treinamento. A conservação dos benefícios obtidos, se dá por
meio da manutenção do programa de treinamento.40
2.3.5. Modalidades do Exercício Resistido.
Os princípios do treinamento resistido podem ser aplicados em diversas modalidades
de exercícios, como por exemplo, hidroterapia, facilitação neuromuscular proprioceptiva
(PNF), exercícios com resistência manual e mecânica. Na hidroterapia a resistência é
oferecida pela turbulência e flutuação e é influenciada pela área da superfície, pela velocidade
do movimento e pelo arrasto. O ambiente aquático também pode ser utilizado quando o
exercício resistido possui contraindicações para realização em solo.38,41,42
A técnica de PNF consiste na aplicação de resistência manual para facilitar as
contrações musculares, que são do tipo concêntricas, excêntricas e isométricas. Utilizando
padrões de movimentos diagonais, estímulo sensorial, auditivo, visual e proprioceptivo. Sendo
que o PNF promove o movimento funcional, por meio da facilitação, inibição, fortalecimento
e relaxamento de grupos musculares.42
Os exercícios com resistência manual tem a carga imposta através das mãos do
fisioterapeuta, essa resistência não pode ser medida quantitativamente, entretanto, é útil para
programas iniciais, onde os músculos encontram-se com grande prejuízo de força e controle
da amplitude do movimento. Em contrapartida, os exercícios com resistência mecânica tem a
carga aplicada por meio de aparelhos ou equipamentos mecânicos, sendo assim, essa carga
pode ser quantificada, o que permite avaliar a evolução da capacidade de gerar força, por parte
do indivíduo, assim como o aumento da sua resistência às cargas impostas.7,43
Ambas as modalidades do exercício resistido, respeitam os princípios do treinamento,
portanto, permitem a melhora do desempenho muscular, com aprimoramento da massa, força
e resistência.44
32
2.3.6 Contraindicações dos exercícios resistidos no idoso
As situações em que os exercícios resistidos são contraindicados são poucas, como por
exemplo, dor articular ou muscular intensa em movimentos ativos livres; doença
neuromuscular inflamatória ou inflamação aguda de uma articulação; e doença cardiovascular
e pulmonar grave; déficits proprioceptivos, alterações sensoriais e declínio cognitivos, podem
tornar difícil a compreensão e execução do exercício por parte dos idosos.7,43
2.3.7 Diretrizes dos exercícios resistidos no idoso
Para que se inicie um treinamento resistido em idosos, devem-se seguir algumas
diretrizes.
 Orientação médica: Antes de iniciar qualquer programa de exercícios independente
da modalidade é necessária a existência da aprovação médica. A escolha do programa ideal
deve surgir de uma concordância entre as opiniões do médico, terapeuta e idoso.7,43
 Encorajamento e Estímulos: O programa de treinamento deve ser minuciosamente
supervisionado, com a devida explicação e demonstração dos exercícios. Essa atenção
dedicada ao idoso e ao tratamento promove uma imagem de dedicação por parte do terapeuta,
e cria uma união entre terapeuta e paciente. É fundamental que o terapeuta desenvolva no diaa-dia o encorajamento e motivação para com o idoso, por meio de comandos verbais, elogios
e incentivos, para garantir aderência e satisfação.7,43
 Elaboração do programa: O programa deve ser planejado pelo fisioterapeuta, com
objetivos traçados a curto, médio e longo prazo. Esses objetivos devem ser individuais e
progressivos, porém, dentro das suas limitações com o menor risco possível para lesões. É
importante que seja individual, pois se preconiza atender também as necessidades impostas
pela doença de base.7,43
33
2.3.8 Recomendações e Prescrição dos exercícios resistidos
Antes de iniciar o treinamento resistido, é necessário mensurar a força muscular do
idoso e encontrar as cargas ideais para a realização do exercício. Diante disso, existe a técnica
chamada de 1 Repetição Máxima (1-RM), que mensura a força de grupos musculares únicos
ou múltiplos, e permite encontrar a carga ideal para o treinamento.44
O valor de 1-RM se refere a quantidade máxima de peso levantado uma única vez pelo
indivíduo, que realiza uma força de forma correta durante o exercício de levantamento de
peso. Esse método deve ser iniciado com um peso baixo, contudo, próximo da capacidade
máxima de levantamento do indivíduo. Em seguida, deve-se aumentar o peso
progressivamente durante as tentativas subsequentes até que alcance a capacidade máxima
realizando uma repetição, sem compensações corporais.44 Depois de mensurado a força
muscular, é necessário encontrar a carga de treinamento, o ideal é que o idoso se exercite com
uma carga entre 40 a 60% da 1-RM. Se o idoso apresentar condições de elevar a porcentagem
da carga, pode-se trabalhar com 80% da 1-RM.45
A prescrição da atividade física, deve respeitar a quantidade de série, volume,
frequência, tempo de duração, e intensidade.43 A correta prescrição do exercício resistido,
deve seguir alguns padrões, onde a frequência, é de duas a três vezes na semana, com período
de 48 horas de repouso. As séries devem ser únicas, com volumes de 10 a 15 repetições, com
8 a 10 exercícios diferentes, que envolvam os principais grupos musculares (MMSS e
MMII).43,46
Deve-se iniciar o treinamento com baixa resistência e poucas repetições e permitir o
tempo de adaptação para os músculos e tecido conjuntivo. A progressão dos exercícios deve
ser realizada no momento ideal, com o aumento da resistência e das repetições.7
A realização do exercício deve ser feita de forma lenta, com movimentos rítmicos e
controlados, respeitando a biomecânica corporal, assim como as alterações posturais já
presentes e devem evitar acentuar essas alterações. A respiração também deve ser feita de
forma adequada, para evitar a manobra de valsalva, que pode produzir efeitos rebote na
elevação da pressão arterial. A posição do exercício merece devida atenção, para evitar
mudanças bruscas de posição, para prevenir quadros de perda de equilíbrio ou hipotensão
postural.Todo o programa de treinamento deve ser reavaliado quando o paciente apresentar
melhoras, assim como qualquer mudança no seu estado de saúde.7,43,44
34
2.3.9. Protocolos de Exercícios Resistidos em idosos.
Existe uma grande dificuldade em se montar um protocolo padronizado, para aplicação
de um programa de exercício resistido nos idosos.45
Esse paradigma se dá por inúmeros motivos, como: os números reduzidos de artigos
que formulem um protocolo, ou que compreendam esse assunto; as necessidades individuais
dos idosos; as doenças de base de cada idoso, que por não serem as mesmas em toda a
população, muitas vezes o exercício necessita inicialmente atender às alterações causadas pela
doença base, antes de pensar num programa que inclua o idoso de forma global.7,31
35
4 RESULTADOS
Na literatura foram encontrados seis tipos de protocolos assim descriminados:
a) Protocolo para Membros Superiores (MMSS):
Silva e colaboradores45 apresentaram um protocolo de exercícios resistidos para
MMSS, com o intuito de comparar o número máximo de repetições para uma dada carga e a
percepção subjetiva de esforço, em mulheres jovens e idosas, após séries múltiplas de
exercícios para membros superiores organizados em ordem inversa.
Os exercícios realizados foram Supino Horizontal (SH), Desenvolvimento em pé (DP),
e Tríceps no Pulley (TP). Para chegar ao objetivo os autores dividiram dois grupos, onde cada
um realizou os mesmos exercícios, porém em ordem diferente. Sendo assim, um grupo
realizou a sequência A (SEQA) na ordem SH, DP e TP; e outro grupo realizou a sequência B
(SEQB) na ordem TP, DP e SH.
b) Protocolo para MMII
O estudo de Schlicht e colaboradores46 traz um protocolo de exercícios resistidos para
os MMII, e tem como objetivo, examinar o efeito do treinamento de força intensa na parte
inferior do corpo, além de outros modos de treinamento físico. A avaliação dos benefícios foi
realizada por meio de três testes funcionais relacionados com o risco de queda.
O protocolo apresentado neste estudo abrange os exercíos: Leg extension; Inner thigh
press; Outer thigh press; Glute press; Leg press; Ankle press.
c) Protocolo para MMSS, MMII e tronco
Lima e colaboradores47 avaliaram e compararam os ganhos de força muscular obtidos
com o treinamento de força em idosas, por meio dos instrumentos de avaliação conhecidos
como 1-RM e avaliação isocinética. Para concretizar o estudo, os autores forneceram um
protocolo de treinamento de força composto por: supino sentado, cadeira extensora, puxada
latpulldown, cadeira flexora, abdução de ombros com halteres, abdução de quadril e leg press
sentado.
36
Adicionalmente, foram prescritos e realizados exercícios para fortalecimento dos
músculos abdominais e eretores da espinha, bem como flexão plantar na posição em pé. Cada
sessão foi precedida de cinco minutos de aquecimento e seguida de dez minutos de
resfriamento.
d) Protocolo de Exercício resistido associado à suplementação
Já Candow e colaboradores48 tiveram como objetivo, determinar se a baixa dose de
creatina e a suplementação proteica durante o treinamento de resistência, em homens mais
velhos, são eficazes para melhorar a força e massa muscular, sem produzir metabólitos
potencialmente citotóxicos.
O protocolo apresentado neste estudo abrange os exercícios como supino, leg press,
puxada pela frente, extensão de perna, showder pres, flexão do joelho, rosca bíceps,
panturrilha e tríceps. Este protocolo foi realizado após o aquecimento em uma bicicleta
estacionaria por cinco a dez minutos e alongamentos leves, e foi associado à suplementação
com dose de creatina de 0,1 g.kg-1 e dose de proteína com 0,3 g.kg-1.
Os participantes foram divididos em três grupos, sendo que o exercício resistido foi
realizado nos três grupos. Sendo assim, um grupo recebeu doses de creatina e proteína (CP),
outro recebeu apenas doses de creatina (C) e o terceiro realizou somente o exercício resistido,
recebendo doses de placebo (PLA).
Cada sessão de treinamento resistido foi procedida de três séries de dez repetições com
descanso de dois minutos entre elas, com intensidade de 70% de 1-RM, sendo que antes de
cada treino foi utilizado a suplementação.
e) Protocolo de Exercício resistido associado ao exercício aeróbico
Roma e colaboradores49 compararam os efeitos do treinamento resistido e aeróbica
frente aptidão física e funcionalidade do idoso. Para concretizar o estudo, os autores fornecem
um protocolo de treinamento para exercício resistido, contendo os seguintes exercícios: chest
press, remada, leg press, panturrilhas, abdominais e lombares. Para exercícios aeróbicos foi
realizada apenas uma caminhada.
Foi realizado durante 12 meses. Os treinos de exercícios resistidos duraram uma hora e
foram realizados duas vezes por semana, sendo realizados em aparelhos com sistema de
alavanca, pesos, cabos e roldanas, a carga foi aumentada progressivamente em series de 12,
37
10 e 8 repetições. Já os treinos aeróbicos duraram 30 minutos e foram realizados duas vezes
por semana, sendo controlado a frequência cardíaca (FC) em torno de 60% da FC máxima,
aferida a cada cinco minutos.
f) Protocolo de Exercício resistido associado a outras modalidades de exercícios
Alfieri e colaboradores50 analisaram o uso de testes clínicos e de medidas indiretas
para verificar as alterações sobre o controle postural em idosos submetidos a programas de
exercícios multissensoriais. Para concretizar o estudo, os autores fornecem um protocolo de
treinamento multissensoriais, composto por períodos de aquecimento, flexibilidade, exercícios
ativos livres, equilíbrio e relaxamento. Com frequência de duas sessões semanais de
aproximadamente uma hora de atividades, durante 12 semanas.
O programa de exercícios de fortalecimento muscular foi realizado utilizando pesos
em seis aparelhos: Press Peitoral, Remada, Leg Press, Panturrilha, Abdominal, Extensão
Lombar, com resistência variável em sistema de alavancas, tais aparelhos trabalham os
principais grupos musculares. Foram realizadas três séries: a primeira com doze repetições, a
segunda com dez e a terceira com oito. O aumento da carga ocorreu de acordo com a resposta
individual de cada participante, porém este aumento foi de forma lenta e gradual, a fim de
evitar eventuais riscos.
Foram encontrados seis artigos com protocolos fisioterapêuticos detalhados.
Na figura 7 podem-se observar os dois artigos internacionais inclusos neste estudo e na figura
8 encontram-se os quatro artigos nacionais.
38
ARTIGO
Effect of Intense
ANO
2001
PAÍS
EUA
OBJETIVOS
Examinar o
PROTOCOLO
Exercícios de
DURAÇÃO
3 X na
Strength Training
efeito do
fortalecimento perna,
semana, por 8
on Standing
treinamento de
tornozelo, glúteos e
semanas.
Balance, Walking
força, além de
outros
Speed, and Sit-to-
outros
Stand Performance
treinamentos
in Older Adults
físicos
funcionais.
Low-Dose Creatine
Combined with
2015
Canadá
Determinar a
SUPLEMENTAÇÃO
3 X 10
efeitos da
A dose de creatina de
repetições com
.
-1
Protein during
creatina em
0,1 g kg
descanso de 2
Resistance
marcadores de
Treinamento resisitido:
min.
Training in Older
proteína
aquecido em uma
Men
miofibrilar
bicicleta estacionária,
Suplementaçã
degradação e
alongamentos leves.
o
reabsorção óssea
Os exercícios resistidos
antes de cada
em indivíduos
supino, leg
sessão de
mais velhos.
press,puxada perna, e
treinamento
extensão,ombro,
perna,rosca panturrilha
Figura 7: Protocolos de estudos internacionais de exercícios resistidos.
39
ARTIGO
Influência da
ordem dos
Exercícios Sobre o
número de
Repetições e
Percepção
Subjetiva do
Esforço em
Mulheres Jovens e
idosas
Uso de testes
clínicos para
verificação do
controle postural
em idosos
saudáveis
submetidos a
programas de
exercícios físicos
ANO
2009
OBJETIVOS
Comparar o número
máximo de
repetições para uma
dada carga e a
percepção subjetiva
de esforço, em
mulheres jovens e
idosas.
PROTOCOLO
Supino Horizontal
Desenvolvimento em
pé , e Tríceps no
Pulley .
DURAÇÃO
3 séries de cada
exercício eram
realizadas com cargas
de 10RM até a falha
concêntrica.
2010
Analisar o uso de
testes clínicos e de
medidas indiretas
para verificar as
alterações sobre o
controle postural de
idosos saudáveis
submetidos a
programas de
exercícios físicos.
exercícios
multissensoriais
aquecimento e
flexibilidade;
exercícios e
dissociação de
cinturas, exercícios
ativos de
fortalecimento.
2 de duas sessões
semanais, de
aproximadamente 1
hora de atividades,
ambos durante 12
semanas.
Efeitos do
treinamento
resistido sobre a
força muscular de
idosas: uma
comparação entre
métodos
2012
comparar os ganhos
de força obtidos com
o TF em idosas
avaliadas
isoinercialmente
(1RM) com aquelas
avaliadas por meio
da avaliação
isocinética.
supino sentado, cadeira
extensora, puxada
(latpulldown), cadeira
flexora, abdução de
quadril e leg press
sentado. Exercícios
para fortalecimento
dos músculos
abdominais e eretores
da espinha, flexão
plantar.
6 meses, realizado 3
vezes na semana Os
exercícios foram
realizados em 3 séries
de 8 a 12 repetições,
1min de descanso entre
séries e entre
exercícios.
Efeitos das
atividades físicas
resistida e aeróbia
em idosos em
relação à aptidão
física e à
funcionalidade:
ensaio clínico
prospectivo
2013
Comparar os efeitos
sobre aptidão física
(força muscular,
equilíbrio e
flexibilidade) e
funcionalidade de
idosos
GR: Exercícios
realizados: chest press,
remada, leg press,
panturrilhas,
abdominais e
lombares.
GA: A atividade
aeróbia foi realizada
em uma pista de
caminhada.
GR: 12 meses, treinos
de 1 hora, 2x semana.
Em cada exercício, as
cargas foram
aumentadas
progressivamente em
séries de 12, 10 e 8
repetições.
GA: 12 meses, treinos
com duração de 30
minutos, 2x semana.
Figura 8: Protocolos de estudos nacionais de exercícios resistidos.
40
5 DISCUSSÃO
A Sarcopenia é um processo caracterizado pela diminuição de massa e força muscular,
onde ocorre a substituição do tecido muscular por tecido gorduroso comprometendo a
qualidade de vida da pessoa idosa. Para Silva e colaboradores1, a sarcopenia necessita ser
detectada precocemente, pois contribui para a definição da síndrome de fragilidade,
morbidade altamente prevalente entre os idosos, além de acarretar inúmeras comorbidades.
Alguns autores, afirmam que a sarcopenia é um dos componentes do envelhecimento e
só passa a ser considerada uma doença, quando associada à alguma limitação funcional.19-21
Atualmente é preconizado que seja identificada, mesmo que dentro dos parâmetros ainda
fisiológicos, para evitar prejuízos funcionais, pois são estes os responsáveis pela diminuição
da capacidade funcional e autonomia dos idosos.18,24
A incapacidade funcional dos idosos é resultante de um envelhecimento
musculoesquelético inadequado, no qual culminam características da sarcopenia como:
quedas que podem ocasionar fraturas, ou muitas vezes fraturas que levam à queda;
incapacidade, dependência, hospitalização recorrente ou a institucionalização e por fim a
morte.25 De forma simplificada, a sarcopenia torna o idoso mais vulnerável aos próprios
eventos fisiológicos do envelhecimento.
Como já citado, os grandes grupos musculares dos MMII são os primeiros a sofrer
com o início da sarcopenia.19,24 Esse fato tem grande impacto na manutenção da capacidade
funcional do idoso, pois a maior parte de suas AVD’S necessita da integridade das estruturas
musculares dos MMII como exemplo, a marcha, função limitada nos idosos sarcopênicos,
bem como o ortostatismo, equilíbrio e transferências.22,49
É sabido que as atividades que envolvem os MMSS são prejudicadas, diante disso, o
idoso deixa de realizar funções básicas como comer, cuidados com higiene pessoal, atividades
relacionadas a casa, cozinha, e muitas vezes, deixa de lado atividades como artesanato ou
atividades de movimentos mais finos, que podem ser uma fonte de renda para sua família.29
Isso mostra o amplo contexto onde a sarcopenia se insere, que altera não somente a condição
de saúde de um idoso, mas, gera desestruturação de todo o seu ambiente familiar.
A importância de tratar a sarcopenia se dá em intervir nos eventos posteriores, de
modo a evitar os impactos na funcionalidade do idoso e na qualidade de vida. Manter as suas
funções preservadas é uma forma de assegurar um envelhecimento mais saudável,
independente e confortável para o idoso.
41
Diante disso, por apresentar um caráter reversível, a sarcopenia precisa ser tratada,
pois, por meio da reabilitação do desempenho musculoesquelético do idoso, é possível
restaurar sua capacidade funcional e seu nível de aptidão física.
Por se tratar de um fenômeno complexo, e envolver diversos fatores causais, o
tratamento para a sarcopenia não é único, ou seja, não existe uma terapêutica específica. O
que existe é a interferência nos fatores que a desenvolvem. Sendo assim, as principais opções
são os programas de exercícios físicos, a suplementação nutricional e hormonal.46-50
A literatura nacional e internacional tem mostrado a importância da terapêutica da
aplicação de exercícios físicos como forma de intervenção na sarcopenia, seja na forma de
prevenção ou de tratamento, entretanto, ratifica-se que não existe até o momento na literatura,
uma afirmação categórica de qual é a melhor atividade recomendada.51 Existe somente a
comprovação da importância da prática de atividades, independente de qual seja, para
prevenir e/ou retardar as mudanças que acompanham o processo fisiológico de
envelhecimento.24,28;44-52
De todas as modalidades de exercícios físicos, os estudos mais recentes mostram que o
exercício resistido, é o que melhores resultados promove tanto a nível da prevenção quanto de
reabilitação da sarcopenia, por intervir diretamente na reversão ou interrupção da doença. Fato
este que ocorre porque o exercício resistido promove adaptações morfológicas, como aumento
da massa e força muscular, assim como redução da gordura corporal, que são os principais
sinais da doença.51
Deste modo, como resultado do levantamento de protocolos realizado, foi evidenciado
seis tipos de protocolo para treinamento resistido em idosos.
Silva e colaboradores45 promoveram um protocolo para MMSS, com objetivo de
comparar o número máximo de repetições para uma dada carga e percepção subjetiva de
esforço em jovens e idosas. Para isso, foram realizados séries de exercícios para os MMSS.
No protocolo contava de exercícios SH (peitoral maior e menor, tríceps braquial); DP (tríceps
braquial, deltóide fibras médias); e TP (tríceps braquial).
Os autores utilizaram duas sequências para aplicar o protocolo: A sequência A
(SEQA): SH, DP e TP; e a sequência B (SEQB): TP, DP e SH. Os autores constataram que o
número de repetições permaneceu estável na SEQA para o grupo de idosas, com declínio
significativo na sequência iniciada pelo menor grupo muscular (SEQB). Não houve diferenças
para a percepção de esforço ao final das sequências no grupo de jovens, mas no grupo de
idosas tendeu a ser maior para a SEQB em comparação com a SEQA.45
42
Ao confrontar os dados do protocolo com a fisiologia e biomecânica, é possível
perceber que a ordem dos exercícios, nos idosos, causa importantes impactos no
desenvolvimento do exercício. Esses impactos são verificados tanto no esforço quanto no
desempenho. Quando se finaliza o programa com exercícios que envolvam os maiores grupos
musculares, o desempenho acaba prejudicado, ao final do programa, ou seja, as repetições
diminuem, e o esforço, juntamente com a fadiga, se eleva.
Como a SEQB começa apenas com o trabalho de tríceps braquial, evolui para trabalho
de tríceps braquial com deltóide, e finaliza com tríceps braquial e peitorais, o nível de fadiga
da musculatura extensora do cotovelo é maior, e o esforço também se eleva, pois utiliza-se de
exercícios compostos, ou seja, que não utilizam uma musculatura isolada.
A tendência de aumentar a percepção subjetiva do esforço, na SEQB, vai ao encontro
do comportamento do número de repetições, que diminuiu significativamente do exercício TP
para SH. Segundo Roubenoff e colaboradores21 este fato está relacionado com a sarcopenia
fisiológica dos indivíduos que envelhecem. Com a diminuição da massa muscular, os
pequenos grupos musculares apresentam uma tendência de entrar mais facilmente em fadiga,
fato este que compromete o rendimento dos exercícios que os utilizam como musculatura
acessória.
Assim, diante dos resultados apresentados, é possível refletir que, ao se pensar na
prescrição de um protocolo para MMSS para idosos, a ordem dos exercícios torna-se uma
variável importante a ser considerada, pois determina a performance muscular durante o
treinamento. Deste modo, considera-se mais produtivo, um treinamento que se inicie com os
maiores grupos musculares, e que envolva exercícios para grupos musculares isolados, ou
seja, que não repita um músculo já trabalhado, de forma acessória, para que o seu nível de
fadiga, durante a realização da sua contração inicial, não interfira na sua participação na
contração muscular acessória, de forma a evitar diminuição do número de repetições, aumento
do nível de percepção subjetiva do esforço, ou aumento da fadiga.
Já Schlicht e colaboradores46 recomendaram um protocolo para MMII, no qual se
examinou o efeito do treinamento de força intensa nos MMII, além de outros modos de
treinamento físico. Os autores utilizaram três testes funcionais relacionados com o risco de
queda: velocidade máxima ao andar; sentar e levantar; e equilíbrio em pé com os olhos
fechados.
O protocolo inclui os exercícios: Leg extension (quadríceps); Inner thigh press
(adutores magno, curto e longo, grácil e pectíneo); Outer thigh press (sartório, tensor da fáscia
43
lata, glúteos médio e mínimo); Glute press (glúteo máximo, isquiotibiais); Leg press (glúteo
máximo, quadríceps e isquiotibiais); Ankle press (gastrocnêmios, sóleo, tibial posterior).46
Após a aplicação do protocolo de exercícios resistidos por 12 semanas, constatou-se
que os idosos participantes do estudo apresentaram um aumento da força muscular dos MMII
de 20 a 48%, sem nenhuma intercorrência de lesões musculoesqueléticas.46 Esse achado
comprova que o exercício resistido apresenta impactos positivos no ganho de força, assim
como, é uma atividade segura e eficaz para os indivíduos mais velhos.
Ainda, Schlicht e colaboradores46 concluíram que o grupo de treinamento resistido
apresentou aumento de 17% na velocidade na marcha. O que permite inferir que quando se
fortalece os grandes grupos musculares dos MMII, a marcha como um todo sofre impactos
positivos. De acordo com o foco dado pelos autores, aos grupos musculares citados, observase que a maior parte dos exercícios foram voltadas para musculatura extensora, ou seja, a
musculatura capaz de sustentar o membro na fase de apoio. Diante de uma maior estabilidade
em fase de apoio, a fase de balanço também se ajusta, o que gera repercussões na melhora da
qualidade da marcha, ou seja, sustentação, amplitude e velocidade dos passos, além de
coordenação.
Os efeitos do treinamento sobre o teste de levantar e sentar foi a redução no tempo
para completar os cinco ciclos de sentar-se e levantar-se da cadeira, para ambos os grupos. O
grupo que realizou o exercício resistido obteve uma diminuição de 15% do tempo para
completar o teste, e o grupo controle obteve uma redução de 13% do tempo.46
Diante do fortalecimento dos MMII, a função de sentar-se e levantar-se da cadeira
sofre alterações benéficas. Essa função é extremamente necessária para o dia-a-dia, e está
presente desde as transferências, até aos cuidados pessoais e atividades mais avançadas. Além
de ser um importante marcador da capacidade funcional do indivíduo, é uma atividade que
necessita de muito controle motor para a realização de seus movimentos. O controle motor
nesta tarefa é necessário para a adequada ativação concêntrica da musculatura extensora para
estender o quadril, joelho e tornozelo para alcançar a postura em pé e manter-se nela, assim
como, é necessário à devida ativação da mesma musculatura, porém de forma excêntrica, para
que torne possível à volta para a postura mais baixa, por meio da flexão do quadril, joelho e
tornozelo.
Já os efeitos do treinamento sobre o teste de equilíbrio em pé com olhos fechados, não
foram tão claros como os observados nos outros dois testes, pois os resultados variaram de
indivíduo para indivíduo. Sendo assim, os autores chegaram a conclusão de que o treinamento
de força não melhora o equilíbrio em ortostatismo.46 Esse achado, contradiz o estudo de
44
Albino e colaboradores39, que verificou a influência do treinamento de força muscular e de
flexibilidade articular sobre o equilíbrio corporal em idosas. Uma vez que os autores
concluíram que o treinamento de força muscular e flexibilidade, produziram melhoras no
equilíbrio corporal dos idosos.39,42
A diferença entre os achados de um estudo para o outro, podem ser justificados pelo
uso de diferentes ferramentas de avaliação, pois Schlicht e colaboradores46 utilizaram o teste
de equilíbrio em pé com olhos fechados, juntamente com apoio unipodal, enquanto Albino39
utilizou a um instrumento validado, a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB).
Um terceiro estudo foi analisado, o de Silva e colaboradores53, que teve como objetivo,
avaliar o equilíbrio, a coordenação e a agilidade dos idosos submetidos a exercícios físicos.
Este estudo formou dois grupos com seus participantes, sendo um grupo experimental a
exercícios resistidos; e um grupo controle, que realizou também os mesmos exercícios do
grupo experimental, porém, sem sobrecarga. Ao término do estudo, ao comparar os dois
grupos, foi concluído que o programa de treinamento de resistência a 80% de 1 RM, durante
24 semanas, mostrou-se favorável na melhora do equilíbrio, da coordenação e da agilidade
nos idosos.53 Sendo assim, este estudo, está de acordo com o de Albino e colaboradores39, pois
ambos verificaram os efeitos positivos do exercício resistido no equilibro de idosos.
No protocolo de Albino e colaboradores39, quanto no de Silva e colaboradores53, os
exercícios resistidos eram globais, ou seja, focavam nos MMSS, MMII e no tronco, enquanto
que Schlicht e colaboradores46 utilizaram apenas exercícios para MMII. Este fato pode ser
uma das justificativas para as divergências nos achados dos autores.
Porém, todos os estudos, de Schlicht e colaboradores46, Albino e colaboradores39 e
Silva e colaboradores53, concluíram que os benefícios alcançados influenciam na redução da
incidência de quedas e da perda da independência física, assim como na obtenção de melhor
qualidade de vida dos idosos.
A possível explicação para que o treinamento de resistência não tenha influenciado
significativamente os resultados do teste, no estudo de Schlicht e colaboradores46, é de que
todos os idosos participantes do estudo, não apresentavam a mesma hipótese causal para o
desequilíbrio nesta postura, ou seja, o desequilíbrio não é decorrente somente da fraqueza
muscular dos MMII.
Sabe-se que o déficit no equilíbrio pode ser desencadeado por inúmeros fatores como:
alterações no sistema vestibular, somatossensorial, e visual, déficits nos comandos centrais e
respostas neuromusculares, alterações no tempo de reação, fraqueza muscular de MMII;
instabilidade de tronco; assimetrias posturais; doenças de base; déficits na coordenação
45
motora, e etc.52-55 Diante dessa variabilidade nas possíveis causas do desequilíbrio, existe a
possibilidade de que o teste utilizado, não seja o mais eficaz na percepção da melhora do
equilíbrio.
O teste utilizado por Schlicht e colaboradores46 isolou o sistema visual, porém, não
ofereceu condições de confundir ou testar os outros fatores integrantes do equilíbrio. Testes
que possivelmente apresentariam resultados mais significativos podem ser o Clinical Test of
Sensory Interaction and Balance (CTSIB), outra possibilidade é a EEB, e as Estratégias
Reativas de Equilíbrio, que direcionam seu foco aos MMII e também ao tempo de reação,
quando o centro de gravidade do indivíduo é projetado para fora da sua base de sustentação.
Esses testes podem apresentar melhor sensibilidade na percepção dos resultados obtidos antes,
durante e após a realização do protocolo de treinamento resistido.
Assim, em relação ao protocolo utilizado no estudo de Schlicht e colaboradores46,
concluiu-se que ao se pensar em prevenção ou tratamento de sarcopenia, o protocolo não é tão
eficaz, pois não abrange todos os grandes grupos musculares dos MMII, como flexores de
quadril, flexores do tornozelo (dorsiflexores), e também os adutores do quadril. Esses grupos,
assim como os que foram trabalhados, precisam de grande atenção, por serem recrutados nas
principais AVDS do idoso, como as transferências, o passar de sentado para de pé,
ortostatismo, marcha e equilíbrio.
Tomando-se como principal função dos MMII para o idoso, a marcha. Para que a
marcha seja realizada de forma qualitativa, sem compensações, padrões patológicos, e com o
menor gasto energético possível, todos os grupos musculares citados acima, devem estar
íntegros, pois todos são recrutados durante a deambulação. O que acontece, é que em cada
fase da marcha, um grupo muscular específico é ativado.
Quando se pensa em reabilitar a marcha, o protocolo de exercício resistido deve
abranger a musculatura que não está íntegra, durante a fase da marcha na qual o idoso
apresenta o déficit. Entretanto, quando se pensa em prevenção, ou a manutenção da
deambulação do idoso, necessariamente o protocolo precisa ser abrangente, envolvendo os
principais grupos, no intuito de evitar uma fraqueza em qualquer um destes, ou um déficit de
alguma das fases da marcha.56 Mantendo a marcha do idoso preservada, ou com o mínimo de
alterações, é possível aumentar a sua capacidade funcional, seu nível de participação e sua
qualidade de vida.
Após analisar protocolos para MMSS e MMII, foi feito a busca por um protocolo que
incluísse os dois, e que associasse também, o treinamento de musculatura do tronco.
46
Diante disso, o estudo de Lima e colaboradores47 teve como objetivo comparar os
ganhos de força obtidos com o treinamento funcional em idosas avaliadas isoinercialmente (1RM) com aquelas avaliadas por meio da avaliação isocinética. O protocolo contém os
exercícios de supino sentado (grande dorsal, tríceps braquial), cadeira extensora (quadríceps),
puxada “latpulldown” ou puxada dorsal/puxada pelas costas (grande dorsal, trapézio e
rombóides), cadeira flexora (isquiotibiais), abdução de ombros com halteres (deltoide médio e
supra-espinhoso), abdução de quadril (glúteos máximo, médio e mínimo) e leg press sentado
(quadríceps, isquiotibiais, tríceps sural e glúteos), exercícios para fortalecimento dos músculos
abdominais e eretores da espinha, e para flexão plantar em pé.47
Analisando os resultados é possível perceber que a força muscular aumentou
significativamente após ambos os métodos de avaliação, sendo eles o isoinercialmente e
isocineticamente, mas a avaliação por meio de 1-RM apresentou um resultado
significativamente superior aquele mensurado pela avaliação isocinética, tanto na fase de pré e
pós treinamento.47
Apesar de ocorrer um aumento na força, esse aumento não foi relevante, na
comparação entre a avaliação isocinético e por meio de 1-RM, devido a fatores como início de
treinamento, população estudada e protocolo adotado, assim como frequência do treinamento,
sendo essa de três vezes por semana, durante oito semanas.47
Segundo Carvalho e colaboradores54 para um programa de condicionamento físico,
composto por exercícios resistidos, é indicada uma frequência de quatro vezes na semana,
para que se observe ganho de força muscular e que favoreça a manutenção da massa magra,
proporcionando ao idoso maior aptidão para realizar atividade diária que exige grandes
solicitações de potência e força.
Após analisar o estudo de Lima e colaboradores47 e seus resultados, pode-se concluir
que avaliar um idoso de forma isoinercialmente, ou seja, por meio do teste de 1-RM é a forma
mais prática, rápida e acessível, de se avaliar a força muscular na prática clínica, ou seja, no
dia-a-dia, no decorrer de um tratamento. Entretanto a avaliação isocinética, deve ter
prioridade, quando o objetivo for a avaliação da força muscular, para pesquisas cientificas
devido ao fato de que os seus resultados são mais fidedignos.
Quanto ao protocolo utilizado por Lima e colaboradores47 que abrangeu MMSS, MMII
e tronco, pode-se dizer que é o protocolo mais completo, quando se pensa em idosos
sarcopênicos, ou em prevenção da sarcopenia nos idosos.
Como já citado, o início do processo de sarcopenia, é dado principalmente na
musculatura dos MMII, onde ocorrem as primeiras manifestações de diminuição de massa e
47
força muscular. Porém, se não é realizado uma intervenção direta para estagnar ou regredir
esse processo, ocorre uma evolução do quadro, que passa a afetar outros grupos musculares,
como MMSS e tronco. Estes demais grupos também exercem papel fundamental para a
funcionalidade do idoso. Um grande erro dos profissionais de saúde é dar maior atenção aos
MMII e deixar em segundo plano, estruturas tão importantes quanto.
A musculatura de tronco, principalmente abdominais e eretores da espinha ou até
mesmo os lombares, exercem um papel fundamental na mobilidade dos MMII e MMSS,
assim como na estabilidade do idoso. Sua importância está no fato que, a partir de sua
estabilidade e controle, é possível a mobilidade de seguimentos mais distais. Assim sendo, a
estabilização do segmento central, precisa da integração do controle neuromuscular; do
sistema musculoesquelético, e do sistema cápsulo-ligamentar.55-57
Essa musculatura merece atenção, não somente pelo seu papel de estabilização central,
mas também porque, assim como os MMII, é composta por fibras musculares do tipo II, e,
diante do quadro de sarcopenia, também apresentam a tendência de atrofiar.55-57 Associado, a
importância da integridade da musculatura de tronco, existe a necessidade de atenção quanto à
integridade da musculatura dos MMSS.
A partir de um acometimento, que se inicia em MMII, ocorre um decréscimo da
função muscular, com a consequente diminuição da funcionalidade. Esse é um ciclo vicioso e
que termina por atingir também a função da musculatura dos MMSS, repercutindo na
participação de atividades que envolvam movimentos mais finos e delicados como o das
articulações do ombro, cotovelo, punho e dedos.55
Diante disso, as AVD tornam-se cada vez mais difíceis, exaustivas e com grande gasto
energético, e o idoso passa a ser tornar dependente, em funções que antes realizava sem
dificuldades, como comer, tomar banho, se limpar, trocar de roupa, atividades de casa como
passar roupa, varrer, colocar roupas no varal, e até mesmo em atividades como artesanato ou
que envolvam movimentos mais finos.58-60
Portanto, ao elaborar um protocolo de treinamento resistido para o tratamento de um
idoso sarcopênico, é necessário focar nas estruturas já acometidas, porém, ao elaborar um
protocolo de prevenção de sarcopenia, necessariamente os grandes grupos musculares de
MMSS, MMII e tronco, precisam ser incluídos, independente de já apresentarem um grau de
acometimento ou não.
Apesar de o exercício resistido apresentar os melhores resultados no tratamento da
sarcopenia, diversos estudos têm mostrado a sua importância, associada com o uso de outras
terapêuticas, ou seja, apresenta o treinamento resistido como terapia combinada, e não isolada.
48
Deste modo, foram analisados estudos que associaram o treinamento resistido com o
uso de outras terapêuticas.
O estudo de Candow e colaboradores48 associou o uso de suplementação nutricional
com os exercícios resistidos, a fim de determinar se o uso de doses baixas de creatina e a
suplementação proteica durante o treinamento de resistência em idosos do sexo masculino é
eficaz na melhora da força e massa muscular sem produzir metabólitos potencialmente
citotóxicos. Os participantes do estudo foram divididos em três grupos, onde o grupo C
recebeu apenas dose de creatina, o grupo CP recebeu doses de creatina e proteína, e o grupo
PLA não recebeu suplementação, mas sim, uma mistura de chocolate em pó e cereja.
O protocolo de treinamento resistido apresentado pelos autores incluiu os exercícios:
supino (peitoral maior e menor, tríceps braquial, deltoide fibras anteriores e serrátil anterior),
leg press (glúteo máximo, quadríceps e isquiotibiais), puxada pela frente (redondo maior e
grande dorsal), leg extension (quadríceps), shoulder press (deltóide anterior, deltóide médio,
tríceps braquial, trapézio e peitoral maior), leg curl (flexão do joelho), bíceps (bíceps braquial,
braquial e braquiorradial), calf press (triceps sural), triceps extension (tríceps braquial e
coracobraquial).48
Este protocolo foi realizado após o aquecimento em uma bicicleta estacionária por dez
minutos e alongamentos leves, e associados à suplementação com dose de creatina de 0,1g·kg1
e dose de proteína com 0,3g·kg-1. A suplementação foi realizada nos dias de treinamento, em
três doses, sendo a primeira antes da sessão de treinamento, a segunda após a sessão, e a
terceira antes de dormir.48
Os autores demonstraram que os efeitos da administração de altas doses de
suplementação de creatina produzem efeitos benéficos para a força e massa muscular,
entretanto, resulta em um aumento de aproximadamente cinco vezes na produção de
formaldeído, que tem o potencial de aumentar a citotoxicidade das células, ou seja, estimula a
ação destrutiva das células, principalmente as células endoteliais.48
Os resultados obtidos no estudo demostraram que, com as baixas doses de creatina a
massa muscular e a espessura do músculo apresentou aumento em todos os três grupos, onde
o aumento foi maior no grupo CP, se comparado com o grupo C e PLA, e o aumento da massa
muscular do grupo C foi maior que o obtido no grupo PLA.48
Quanto à força muscular, o grupo CP obteve maior ganho de força em supino quando
comparado com os outros dois grupos combinados; no entanto, não houve diferenças entre os
grupos para mudanças na força de leg press. Já em relação à produção de formoaldeído, foi
49
identificado que não houve diferenças significativas entre os grupos para as mudanças na
produção de formaldeído urinário. 48
Diante destes achados, os autores concluíram que as baixas doses de Creatina
combinada com suplementação de proteína, produzem o aumento de massa magra, reduz a
degradação da proteína muscular e reabsorção óssea, sem aumentar a produção de
formaldeído.48
Isso demonstra que o exercício resistido aplicado de forma isolada, apresenta sim,
benefícios no aumento da massa muscular, porém, esse aumento torna-se mais evidente, se
associado à suplementação nutricional.
Sabe-se que um dos fatores principais para o idoso chegar a esse quadro de perda de
massa muscular por carência nutricional e suplementar, se dá por fatores intrínsecos do
envelhecimento, como alteração na dentição e sistema gastrointestinal, assim como fatores
socioeconômicos, pois muitos não apresentam condições de manter uma alimentação saudável
e equilibrada, rica em proteínas e vitaminas, tão fundamentais para combater os efeitos
deletérios do envelhecimento. Esses fatores podem potencializar a sarcopenia, e precisam de
intervenção, ou se possível, de reversão do quadro.
Vale ressaltar que dentre os principais suplementos administrados aos idosos, a
creatina se destaca pela sua capacidade de aumentar o trofismo e diminuir o catabolismo
muscular. Seu uso tem a capacidade de aumentar o depósito de fosfocreatina no músculo,
além de aumentar os níveis de ATP e fosfocreatina durante o exercício, proporcionando
melhora do desempenho muscular. Seus benefícios são potencializados quando associados ao
treinamento de resistência e seu uso produz melhora na qualidade de vida, além de ser eficaz e
bem acessível à população.1,56
O estudo de Candow e colaboradores48 associou a administração de creatina, com
proteínas e algumas evidências sugerem que as recomendações de ingestão diária de proteína
são em torno de 0,8 g.kg-1 ao dia. Todavia, pelo estudo de Campbell e colaboradores57, foi
provado que esses valores de dose diária não são suficientes para manter a massa muscular
dos idosos, e o mesmo sugere que a ingestão de proteína deve ser aumentada.
A opinião de Campbell e colaboradores57 confirmou o que já foi explanado por
Montoro e colaboradores30, ao afirmar que devido ao alto catabolismo proteico presente no
organismo dos indivíduos idosos, a necessidade proteica destes é muito maior.
Assim pode-se concluir que este protocolo alterna a sequência dos exercícios com
MMSS e MMII, o que produz efeitos na redução de fadiga muscular, e melhora no
desemprenho muscular durante a realização da sessão.
50
Outra terapêutica muito citada no tratamento da sarcopenia é a utilização do exercício
aeróbico com o exercício resistido, com a hipótese de que ambos se complementam e
produzem maiores benefícios.
Sendo assim, foi encontrado o estudo de Roma e colaboradores49 que compara os
efeitos do treinamento resistido e aeróbico frente à aptidão física e funcionalidade do idoso.
Para os autores, funcionalidade foi definida como força muscular, equilíbrio e flexibilidade.
Os participantes do estudo foram divididos em dois grupos, Grupo Resistido (GR) e
Grupo Aeróbio (GA). Neste estudo, o protocolo proposto contém os seguintes exercícios:
chest press ou supino na máquina (peitoral maior e menor, tríceps braquial, deltoide fibras
anteriores e serrátil anterior), remada (trapézio fibras médias e inferiores, latíssimo do dorso,
Rombóides, deltoide posterior), leg press (glúteo máximo, quadríceps e isquiotibiais),
panturrilhas (tríceps sural), abdominais e lombares. Para exercícios aeróbicos foi realizada
apenas a caminhada.49
A avaliação da capacidade funcional destes idosos foi realizada por meio de três testes:
Teste de Guralnik ou Short Physical Performance Battery (SPPB), Teste de flexibilidade no
Banco de Wells, e teste de caminhada de seis minutos (TC6). Ambos foram aplicados em três
momentos, ou seja, antes de iniciar o programa, após seis meses de duração, e após os 12
meses de realização do programa.49
O SPPB trata-se de um instrumento de avaliação da função dos MMII mediante testes
nesta sequência: equilíbrio estático em pé, a velocidade de marcha em passo habitual e a força
muscular dos MMII por meio do movimento de levantar-se e sentar-se de uma cadeira (S/L).
É um instrumento prático e eficaz para a avaliação do desempenho físico e o rastreamento de
idosos com riscos futuros de incapacidades.58,59 No teste de equilíbrio, o participante deve
conseguir manter-se nas posições de pés paralelos (PP), de pés seguidos (PS) e pés
enfileirados (PE) por dez segundos.49,58
O teste de flexibilidade no Banco de Wells é utilizado para medir a flexibilidade da
região posterior das coxas e da região lombar.60 O TC6 é um teste aplicado para determinar a
capacidade funcional, e é considerado um teste submáximo, pois a intensidade de exercício é
escolhida pelo indivíduo, e não alcança a capacidade máxima. Isso permite refletir a
verdadeira capacidade funcional para realização das AVD.61
Como resultados do estudo de Roma e colaboradores49 foi encontrado que o GR
apresentou melhora no SPPB, nos itens: S/L, equilíbrio com PS e com PE. Ainda no SPPB, o
GA apresentou melhora no item velocidade, no equilíbrio com PS e com PE. Em relação ao
51
teste de caminhada de seis minutos, houve melhora estatisticamente significante no GA.
Houve também melhora estatisticamente significante na flexibilidade no GR.49
Diante dos resultados obtidos por Roma e colaboradores49, é possível concluir que
tanto o exercício resistido quando o aeróbico, produzem repercussões na funcionalidade do
idoso. Ao se pensar em idosos sarcopênicos, é sabido que estes apresentam diminuição da
capacidade funcional, dependência e limitações. Diante disso, a associação entre essas duas
modalidades de exercícios, torna-se eficaz para prevenção e tratamento da sarcopenia.
Todavia, cada uma dessas modalidades, intervirá na sarcopenia, por caminhos diferentes.
O exercício aeróbico tem a capacidade de diminuir os níveis de inflamação crônica,
um dos fatores desencadeantes da sarcopenia. 43 No entanto, os seus efeitos são mínimos no
ganho de massa muscular e de força. Em contrapartida, seus efeitos atuam na redução da
gordura corporal, e intramuscular.43 Com este fato, é possível combater a evolução da
sarcopenia, que consiste na substituição do tecido muscular por tecido gorduroso.
Já os exercícios resistidos diminuem o desenvolvimento da sarcopenia de muitas
maneiras: por meio da melhora da função e desempenho muscular, melhora do equilíbrio e
flexibilidade, aumento do comprimento e o ângulo de penação das fibras musculares, aumento
do número de sarcômeros, aumento da amplitude de movimento e velocidade de contração;
Adaptação dos tendões como aumento da rigidez dos mesmos, que aumentam a transmissão
de força muscular aos ossos, assim como aumentam a velocidade de desenvolvimento de
torque no músculo.62,63
Diante desses efeitos, a interação das modalidades torna o protocolo mais eficaz e
completo.
Assim como a associação do exercício resistido com o exercício aeróbico, existe a
associação do exercício resistido, com outras modalidades de exercício. Para exemplificar,
Alfieri e colaboradores50 analisaram o uso de testes clínicos e de medidas indiretas para
verificar as alterações sobre o controle postural em idosos submetidos a programas de
exercícios multissensoriais.64 Para concretizar o estudo, os autores dividiram os participantes
do estudo, em dois grupos, onde um realizou exercícios multissensoriais (GMS), e outro
realizou exercícios resistidos (GR).50
O protocolo de treinamento multissensorial, foi composto por períodos de
aquecimento e flexibilidade por 15 minutos, exercícios ativos de fortalecimento, por dez
minutos, exercícios de equilíbrio por 30 minutos e de relaxamento por cinco minutos.50
Os exercícios de aquecimento foram compostos de caminhadas rápidas, jogos de bolas
com os pés e com as mãos e exercícios de dissociação de cinturas, na posição ortostática. Os
52
exercícios de alongamento e flexibilidade foram realizados na posição ortostática e em
decúbito dorsal em colchonetes, para os grupos musculares de flexores, extensores e adutores
do quadril, flexores e extensores do joelho, flexores plantares e paravertebrais.50
Os exercícios ativos de fortalecimento foram livres de carga, e utilizaram apenas a
resistência do próprio corpo contra a ação da gravidade. O programa foi constituído de
exercícios para os músculos flexores plantares, dorsiflexores, extensores e flexores do joelho e
quadril, além de abdominais, realizados em pé e em decúbito dorsal.50
Os exercícios de equilíbrio foram compostos por movimentos alternados entre os
MMII e MMSS associados a diferentes posições da cabeça e pescoço, com e sem estímulo
visual e sobre diversas superfícies com texturas diferentes.50 Para o relaxamento foram usadas
técnicas de respiração associadas a movimentos lentos das articulações gleno-umeral e tíbiotársica, além de flexão de tronco associada a movimentos de expiração e posterior extensão
associada à inspiração.50
O programa de exercícios resistidos foi realizado com: Press Peitoral (deltoide médio
e anterior, peitoral maior e menor, tríceps braquial), Remada (Trapézio fibras médias e
inferiores, latíssimo do dorso, rombóides, deltoide posterior), Leg Press (glúteo máximo,
quadríceps e isquiotibiais), Panturrilha (triceps sural), Abdominal, Extensão Lombar. Ambos
os exercícios foram feitos com resistência variável em sistema de alavancas. Foram realizadas
três séries: a primeira com doze repetições, a segunda com dez e a terceira com oito.50
Os testes clínicos utilizados no estudo foram: Teste Timed Up & Go (TUGT),
Avaliação do equilíbrio unipodal, EEB e SPPB.
O TUGT é um teste que avalia a mobilidade, porém, de forma indireta fornece dados
preditores de queda.64 O teste de Equilíbrio unipodal consistiu em pedir para o indivíduo
equilibrar-se em apenas um dos pés com olhos abertos e depois com olhos fechados por no
máximo 30 segundos.50
Após a aplicação dos protocolos, e da avaliação, foi observada redução do tempo de
execução do TUGT, apenas no grupo GMS, sendo esta redução estatisticamente superior
quando comparada aos resultados do GR. A EEB, e os resultados do teste de apoio unipodal
não apresentaram diferenças significativas intra e entre os grupos. O escore do SPPB foi
melhorado apenas pelo GMS, porém esta melhora não foi estatisticamente superior ao GR.50
Sendo assim, pode-se concluir que os melhores resultados são obtidos com os
exercícios multissensoriais, ao invés, de somente os exercícios resistidos.
Em relação ao programa de exercícios multissensoriais, eles foram realizados com
uma alternância da velocidade de execução de movimento, ou seja, cada modalidade exige
53
uma velocidade diferente. Deste modo, diferentes tipos de fibras musculares são recrutadas no
decorrer do programa. Dentre estas fibras, estão as do tipo II que ajudam no aprimoramento
da velocidade de contração muscular.50 Por esse motivo, foi detectado a melhora no SPPB e
no TUGT, pois, diante de um aprimoramento da velocidade e de contração muscular, tem-se
aumento da mobilidade, que repercute em benefícios na marcha, equilíbrio e estabilidade
corporal.
Ao avaliar os resultados obtidos por Alfieri e colaboradores50, com os outros
protocolos de exercícios resistidos avaliados, pode-se dizer que os autores alcançaram
melhores resultados, assim como Roma e colaboradores49 que também associaram o exercício
resistido com o exercício aeróbico.
Com esses achados é possível descrever a importância direta do exercício resistido na
sarcopenia, pois aprimoram a condição de força, massa e potência muscular, mobilidade
corporal, flexibilidade, equilíbrio e funcionalidade, contudo, esses resultados são mais
aperfeiçoados, quando associados a outras modalidades de exercícios físicos.
54
6 CONCLUSÃO
Diante dos achados podemos concluir que a prática da atividade física apresenta
grandes benefícios no combate aos efeitos do envelhecimento, principalmente a sarcopenia.
Dentre as inúmeras atividades físicas possíveis, o exercício resistido se mostra
importante por apresentar impactos positivos no tratamento da sarcopenia, com a interrupção
e/ou reversão do seu quadro, bem como se destaca no processo de prevenção. Ressalta-se que
sua aplicação deve ser adaptada para cada idoso, de modo a respeitar suas limitações e
doenças de base, e incluir, sempre que possível, exercícios de forma global que compreendam
o idoso como um todo. Após análise dos protocolos encontrados, os melhores resultados são
obtidos quando se associa os exercícios resistidos com outras modalidades (aeróbica,
equilíbrio e flexibilidade), adjunto com a suplementação nutricional.
Sendo assim, o sucesso do tratamento, e principalmente da prevenção da sarcopenia
em idosos, dependem de uma boa equipe multiprofissional, no qual se destaca o
fisioterapeuta, a fim de promover uma melhor qualidade de vida e autonomia dos idosos.
55
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