SANIDADE - 29.09.11: Aftosa no Paraguai e

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:: SINDICARNE - Sindicato da Indústria de Carnes & Derivados no Estado do PARANÁ ::
SANIDADE - 29.09.11: Aftosa no Paraguai e impactos para o Brasil: uma análise
preliminar
Miguel da Rocha Cavalcanti Aftosa no Paraguai foi a notícia do dia 19/setembro, uma segunda-feira. Os impactos
foram imediatos: Brasil, Argentina e Paraguai fecham fronteira. Países importadores param suas compras. A pecuária,
que seguia muito bem por lá, sofre um duro golpe. O fantasma da aftosa volta a rondar a América do Sul. Quais são os
impactos para a pecuária brasileira? O que podemos aprender e o que precisamos fazer? Esse artigo é uma análise
preliminar da situação, escrito em 27/setembro.
A princípio, muitos podem dizer que há um lado bom para o Brasil. Teremos menos um concorrente no mercado
internacional, que vende para praticamente os mesmos mercados e exporta cerca de 300 mil toneladas por ano, um
volume considerável. Sim, é verdade que será mais fácil exportar, até porque o câmbio voltou a ajudar nesse mês
de setembro. Tivemos uma mudança de preços, em dólar, de quase 30% em um mês, graças a desvalorização do Real
frente ao dólar.
Mas o efeito é muito mais negativo do que positivo. Primeiro porque volta a associar aftosa com a América do Sul. E
ao pensar em América do Sul, o primeiro país que se lembra é o Brasil. Aftosa em qualquer lugar por aqui é ruim,
apenas para a imagem da região. E o problema é muito maior. O risco é grande e está preocupando todos os vizinhos.
Temos de ter cuidado e fiscalização redobrado na fronteira. Apenas um caso, apenas poucos animais, faz um enorme
estrago no mercado.
Lições aprendidas
Nos últimos meses, mais e mais gente vinha falando de tornar alguns estados livres de aftosa sem vacinação (RS por
exemplo). Ainda está muito cedo para ser livre de aftosa sem vacinação. O risco é pequeno, mas o estrago seria
enorme. Na minha opinião, acredito que não vale a pena, pelo menos ainda. Santa Catarina é uma exceção, pela
qualidade do serviço sanitário e principalmente pelo pequeno rebanho bovino.
O preço do boi gordo paraguaio estava mais alto que no Brasil. Não só no MS, mas em SP também. Com a aftosa, o
mercado paraguaio travou. Quase não há negócios. E o preço despencou e já está muito abaixo do brasileiro. Isso
mostra duas coisas. Primeiro: o estrago da aftosa na rentabilidade do pecuarista é imediato, e duradouro. Segundo:
temos que aumentar a vigilância na fronteira, pois diferencial alto de preço é estímulo econômico para que gado venha de
lá para cá.
Fica claro que o maior prejudicado é o produtor. A grande maioria de produtores, diria que quase sua totalidade tem
apenas uma fazenda, ou algumas fazendas na mesma região ou estado. Logo, um caso de aftosa afeta 100% do
mercado que um produtor atua. Os frigoríficos têm hedge sanitário, pois têm plantas em diversos estados e países. O
JBS e o Minerva, que têm plantas no Paraguai, também perdem com a aftosa, mas o abate deles é pequeno lá.
Cerca de 5% do volume total abatido do Minerva e apenas 1% do total do JBS.
Para a economia do Paraguai impacto vai ser grande. Com a grande queda de preço do gado (gordo e para reposição),
efeitos em cascata aparecem. Com a menor renda do produtor, a tendência é que o abate de fêmeas aumente,
mudando o ciclo do boi, diminuindo a oferta de gado para abate no médio-longo prazo. O desemprego e renda rural
devem piorar, enfraquecendo a economia do país. A única vantagem é carne muito mais barata para o consumidor do
mercado interno. Mas isso é um item com pouca importância quando se avalia o quadro para a economia do país como
um todo (que é muito mais dependente da pecuária que o Brasil). Os prejuízos são muito maiores do que esse pequeno
refresco no preço da carne para a dona de casa.
Nosso desejo é que essa fatalidade sirva de alerta para o Brasil. Um alerta barato, pois quem paga o preço desse
prejuízo é o Paraguai e não o Brasil. Fica claro que é fundamental continuar o trabalho de prevenção da aftosa, com
vacinação e controle da fronteira.
Nesse sentido, há o que se preocupar. O jornal Estado de SP detectou in loco que o controle da fronteira é falho. Na
reportagem do dia 25/09, domingo, mostraram que há trânsito livre de animais na fronteira seca com o MS. Um aviso,
não muito agradável, mas importante, de que temos trabalho a ser feito. Ações concretas e efetivas é que vão nos dar
segurança.
Para ser primeiro do mundo, precisamos agir como primeiro do mundo. A posição do Brasil no mercado mundial é de
grande destaque. Estamos cada dia se tornando o principal fornecedor de carne para o mundo. Os EUA ainda são o
maior produtor, e devido ao câmbio, estão exportando mais esse ano, mas devem recuar com abate de matrizes e alto
custo de produção.
Temos todo o potencial de colher essa grande oportunidade que o mundo nos oferece - mais e mais gente querendo e
tendo renda para comer carne e nossos concorrentes com dificuldades de produção. Cuidar para que a aftosa não volte a
rondar nossa pecuária é o primeiro passo para ser líder na cadeia global da carne bovina. Fonte: BeefPoint
http://www.sindicarne.com.br
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Produzido em: 15 June, 2017, 21:48
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