Screw-Dis (dispositivo com parafuso distalizador e ancoragem

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Prosthesis Laboratory in Science. 2011; 1(1).
SCREW-DIS® (DISPOSITIVO COM PARAFUSO
DISTALIZADOR E ANCORAGEM ESQUELÉTICA) PARA
O TRATAMENTO DA CLASSE II
Cristiane Barros André1
Juliana Cunha Georgevich2
Jefferson Vinicius Bozelli3
Rodolfo Georgevich Júnior4
Renato Bigliazzi5
Resumo
O objetivo desse trabalho é mostrar um novo sistema de distalização de molares superiores
no tratamento de más oclusões de Classe II dentoalveolar, com ancoragem esquelética por meio
de dois mini-implantes ou DATs no palato, na região paramediana em direção à espinha nasal
anterior. Descrever conceitos básicos dos mini-implantes, sítios de instalação, confecção laboratorial (posicionamento do torno, braço de conexão, ganchos anteriores e soldagem), instalação dos
mini-implantes e do aparelho SCREW-DIS. A ancoragem óssea reduzirá os efeitos adversos previstos nos sistemas convencionais de distalização, possibilitando um controle maior da distalização e
diminuindo o tempo de tratamento.
Descritores: mini-implante, ancoragem, distalização de molares, Classe II.
Abstract
The aim of this paper is to show a new system of distalization of maxillary molars in the treatment of dentoalveolar Class II malocclusion, with bone anchorage through two mini-implants or
DATs on the palate, in the paramedian region toward the anterior nasal spine. Describing the basic concepts of mini-screws, setup sites, lab preparation (positioning around the arm connection,
hooks front and welding), installation of mini-screws and SCREW-DIS device. The bone anchoring
reduce the expected adverse effects the distalization in the conventional systems, enabling greater
control of distallization and decreasing treatment time.
Especialista em Ortodontia Laboratorial – SENAC – Ortotécnica responsável do Curso de Especialização em
Ortodontia e Ortopedia Facial UNIP, APCD e COPH Sorocaba.
2
Aluna do Curso de Especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial UNIP Sorocaba.
3
Especialista em Ortodontia APCD – Mestre em Ortodontia e Ortopedia Facial UNIP – Coordenador do Curso de
Especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial UNIP Sorocaba.
4
Especialista e Mestre em Ortodontia e Ortopedia Facial UNIP – Professor do Curso de Especialização em Ortodontia
e Ortopedia Facial UNIP Sorocaba.
5
Especialista e Mestre em Ortodontia e Ortopedia Facial UNIP – Doutorando em Ortodontia UNESP Araçatuba –
Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial UNIP Sorocaba.
1
Correspondência com o autor: [email protected]
Recebido para publicação: 17/08/11
Aceito para publicação: 29/09/11
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CADERNO IN LAB
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INTRODUÇÃO
A má oclusão de Classe II dentoalveolar é
um problema comum na clínica odontológica,
apresentando uma prevalência de aproximadamente 35% a 45% na população brasileira, de
acordo com levantamentos epidemiológicos.11,14
Os primeiros molares superiores na má oclusão
de Classe II encontram-se em uma posição mesial em relação aos primeiros molares do arco
inferior. Buscando a normalização dessa relação
molar, vários mecanismos de distalização dos
molares superiores foram desenvolvidos. Esses
sistemas de distalização basicamente utilizam
como mecanismo de ancoragem uma estrutura
dento-muco-suportada visando máxima eficiência, estabilização do dispositivo e o mínimo de
resultante nos dentes anteriores (incisivos) ou
de suporte (pré-molares). Podem ocorrer alguns
efeitos colaterais como mesialização dos prémolares e caninos superiores, vestibularização
dos incisivos superiores devido à perda de ancoragem e um efeito extremamente indesejável
que é a inclinação dos molares distalizados com
grande resultante pendular.
No intuito de diminuir essas resultantes, sugerimos a ancoragem esquelética por meio de
dois mini-implantes no palato, na região paramediana e em direção à espinha nasal anterior,
sendo esse sítio uma região óssea espessa, densa, de excelente qualidade, onde não há raízes,
nervos ou vasos sanguíneos que dificultem a
instalação dos mini-implantes como ancoragem
indireta para o SCREW-DIS®. Nessa região articula a maxila direita com a maxila esquerda,
consistindo uma articulação sinartrose (fibrosa
linear) que tende a se calcificar. Entretanto, no
paciente em fase de crescimento essa articulação ainda não está completamente calcificada,
por isso a região paramediana objetiva a estabilidade primária.4 Segundo Melsen7,8, a ossificação da sutura palatina mediana é variável e
estará concluída após os 27 anos nos homens e
mais tarde ainda nas mulheres.
A ancoragem esquelética é definida como a
resistência ao deslocamento e está relacionada
com a possibilidade do ortodontista ter um ponto fixo e imóvel dentro da cavidade bucal, para
a realização de movimentos simples ou complexos de forma controlada e previsível12, tendo
por base o postulado da terceira lei de Newton,
conhecida como lei da ação e reação. A ancoragem esquelética elimina a indesejável força rea-
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cionária à força ortodôntica de distalização, sem
as resultantes citadas anteriormente, deixando
o tratamento mais viável.
O conceito de biocompatibilidade deve estar
plenamente associado aos materiais que compõem esses dispositivos com liga de titânio de grau
V, sem superfície tratada, o que os tornam mais
resistentes a fraturas e mais difíceis de osseointegrarem, tornando-os mais seguros para instalar e
de fácil remoção, sendo atualmente chamados de
DATs (dispositivos de ancoragem temporária).
Os mini-implantes possuem um desenho
básico constituído por três partes: cabeça, perfil
transmucoso e ponta ativa ou rosca (Figura 1).
A cabeça é a parte exposta que serve para instalação, responsável pelo apoio dos recursos de
força ortodôntica. O perfil transmucoso por ser
liso, fica imerso na gengiva entre o meio externo
e o osso. De acordo com seu comprimento, oferece a possibilidade de ser instalado em diversos
sítios de espessura do tecido mole (gengiva e
mucosa), no caso do palato a gengiva é mais
espessa, necessitando de um perfil transmucoso maior. A ponta ativa vai promover a íntima
relação do mini-implante com o tecido ósseo
promovendo a perfuração ou rosqueamento no
ato da instalação, mantendo a estabilidade necessária para a permanência no osso durante a
necessidade ortodôntica. Formada por aspirais,
seu tamanho pode variar de 6 a 10 mm de comprimento e de 1,3 a 2,0 mm de diâmetro. Essa
medida varia de acordo com a profundidade óssea e do sítio a ser instalado o DATs.
Lacerda15 indica a colocação de mini-im-
1
plantes de 6 mm de comprimento na região paramediana para evitar a penetração na cavidade nasal proporcionando uma boa margem de
segurança (Figura 2). Como parte fundamental
do diagnóstico e planejamento tanto ortodôntico quanto na determinação dos mini-implantes,
devemos utilizar a tomografia computadorizada
(cone beam), permitindo assim uma precisão de
localização das estruturas anatômicas de interesse na proporção real de 1:1. A tomografia
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também nos possibilita através de softwares de
reconstrução volumétrica realizar a instalação
virtual dos mini-implantes ou DATs, avaliando
e delimitando precisamente nas três dimensões
o sítio de implantação. Para determinar a localização ideal dos mini-implantes durante o processo cirúrgico também contamos com exames
radiográficos.
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parafuso distalizador com
ancoragem esquelética) PARA O
TRATAMENTO DA CLASSE II
O Screw-Dis é ancorado esqueleticamente
por dois mini-implantes no palato, na região
paramediana e em direção à espinha nasal anterior, consiste em um torno de distalização
unilateral de 10 mm, soldado as bandas dos
segundos molares superiores por fio de aço inoxidável de 1.2”mm e encaixado anteriormente
aos mini-implantes por ganchos confeccionados
com fio 0.9”mm, utilizados como guias cirúrgicos, sendo sua inserção 25 mm abaixo da incisal
dos incisivos centrais superiores.2
Verticalmente, o torno encapsulado pela resina acrílica deve estar afastado de 3 a 5 mm do
palato, a fim de não causar traumas e controlar
o movimento de rotação do dente com inclinação da raiz do segundo molar superior para
distal. A força de distalização deve ser aplicada
acima do centro de resistência do dente, para
evitar um movimento indesejado de rotação e
inclinação da raiz dos molares para mesial.
Os braços de conexão às bandas devem estar de 1 a 2 mm afastados do palato para não
causar traumas nos tecidos em seu percurso distal (correção da relação molar). Os braços de conexão são posicionados nos segundos molares;
isso se deve a memória das fibras transeptais
que auxiliam no movimento distal dos primeiros
molares, como se fossem tracionados por essas
fibras acompanhando os segundos molares distalizados pelos braços de conexão.
Mais uma vantagem desse dispositivo, além
de sua distalização sem resultantes anteriores e
inclinações pendulares dos segundos molares, é
o seu uso em uma segunda fase do tratamento,
como ancoragem na distalização dos primeiros
molares, pré-molares e caninos superiores.
Confecção Laboratorial
1. Linhas de referências padrão devem ser
feitas para o planejamento do aparelho,
eliminando assim qualquer movimento
indesejável (Figura 3).
2. A marcação vermelha mostra a linha
média e é utilizada para calcular a distância entre os mini-implantes e centralizar o torno unilateral de 10 mm (Figura 3).
3. O torno de distalização também vai ser
guiado pela linha azul que está centralizada nos primeiros molares superiores,
padrão no Screw-Dis (Figura 3) e deve
ficar de 3 a 5 mm suspenso do palato
(Figura 5).
4. A linha amarela é feita a partir da incisal dos incisivos centrais superiores,
com 25 mm de comprimento (medida
padrão para o Screw-Dis). Os mini-implantes devem ser posicionados sempre
abaixo dessa linha, a fim de não correr
riscos de inseri-los nas raízes dos incisivos. Essa linha pode variar de acordo
com a anatomia bucal, sendo que sua
posição nem sempre vai coincidir com
os primeiros pré-molares superiores (Figura 3).
5. Uma porção palatina dos segundos mo-
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lares superiores é retirada para não reter
o calor durante o processo de soldagem
que deve ser feita antes da confecção
dos fios, evitando contaminações (Figura 4).
O gancho anterior é feito na sequência
com fio 0.9”mm abraçando os miniimplantes laboratoriais e sua porção
posterior tem que ser a mais próxima
possível do torno de distalização (Figura
4).
Os braços de conexão confeccionados
com fio 1.2”mm são sobrepostos ao
torno de distalização e devem ser mantidos afastados do palato de 1 a 2 mm
(Figura 5).
Ganchos auxiliares de mecânica podem
ser confeccionados e soldados aos braços de conexão, podendo auxiliar na
distalização dos primeiros molares superiores, na face palatina, se necessário
(Figura 6).
Fios e torno recebem cobertura de alginato antes da soldagem, protegendo-
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os do destemperamento e das contaminações (Figura 7).
10. A união dos braços de conexão às bandas e dos ganchos aos braços de conexão, são feita por um processo de brasagem com solda de prata (Figura 7).
11. A cera 09 permite um alívio entre gesso e torno de distalização, facilitando o
processo de acabamento da cápsula de
resina (Figura 8).
12. A união dos braços de conexão ao torno de distalização é realizada por um
processo de acrilização convencional
em ortodontia (Figura 9).
13. A cápsula de resina recebe acabamento com broca de Tungstênio de cortecruzado fino e lixa (Figura 10). A solda
recebe acabamento com borracha.
14. O polimento usado é o químico seguido
de mecânico convencional (Figura 11).
15. O encaixe anterior recebe um jateamento de óxido de alumínio, preparando o metal para receber a resina composta (Figura 12).
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Instalação Clínica
3. Verificar o gancho anterior que possui
um desenho sinuoso permitindo que
o ortodontista ou implantodontista realize ajustes, se necessário, para uma
melhor adaptação aos mini-implantes
(Figura 15).
4. É indicado a colocação de resina fotopolimerizável na cabeça dos DATs para auxiliar na fixação do Screw-Dis (Figura 16).
1. Prova do Screw-Dis, verificando o eixo
de inserção e adaptações para que o
mesmo seja usado como guia na instalação dos mini-implantes, previamente
avaliado pelo ortodontista (Figura 13).
2. Screw-Dis cimentado com Cimento de
Ionômero de Vidro (CIV) e ancorado
aos mini-implantes (Figura 14).
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Considerações Gerais
O aparelho SCREW-DIS destaca-se por sua
ancoragem esquelética que diminui o tempo de
distalização, anula as resultantes anteriores e os
efeitos pendulares, ocorrido nos sistemas convencionais de distalização. Elimina a necessidade da confecção de aparelhos secundários para
ancoragem da distalização já realizada, como o
botão de Nance, diminuindo tempo de cadeira
e custo de tratamento.
O Screw-Dis é de fácil instalação, podendo
ser usado como guia cirúrgico na instalação dos
DATs que consiste em um processo rápido e
sem riscos, devido ao seu sítio de instalação. O
componente de distalização por meio das fibras
transeptais agrega mais valor ao tratamento
tendo uma movimentação dentária sem forças
demasiadas. Sua dinâmica de forças direciona-
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das aos segundos molares superiores, resultando na distalização guiada e controlada do corpo
do dente devido ao posicionamento dos braços
de conexão, impedem a inclinação e rotação
dos segundos molares superiores.
Sua confecção é delicada, mas extremamente simples, seu design evita o acúmulo de
alimentos por estar afastado do palato, sendo
confortável e higiênico ao paciente. Para o técnico em prótese dentária, sua confecção é rápida e fácil, tendo um protocolo de confecção
descrito com guias de referências e medidas
pré-estabelecidas, minimizando as chances de
erros.
Agradecimentos
Ao Doutor Kurt Faltin Júnior pelos ensinamentos, confiança e orientação desprendidos a
nossa equipe.
Ao amigo Paulo Sérgio Genga Quaglia pela
colaboração.
Aos amigos Alvaro Soares Neto e Derly Tescaro pela colaboração cirúrgica e clínica.
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