Diálogo Socrático Os sofistas diziam poder falar bem sobre

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de Oliveira Neto.
Bons estudos.
Turma
Disciplina
Avaliação
Data
181
Filosofia
Prova 2
28/08/2015
182
Filosofia
Prova 2
24/08/2015
Conteúdos
Sócrates – contexto geral, ironia e maiêutica, apologia, temas diversos.
Diálogo Socrático
Os sofistas diziam poder falar bem sobre qualquer assunto, pretendendo,
pois, serem portadores de um saber universal (saber sobre tudo). Era preciso,
então, mostrar que os discursos desses pretensiosos homens eram discursos de
ilusão, que convenciam pela emoção ou imaginação e não pela verdade.
Com isso, Sócrates criou um método. A ironia socrática era, antes de tudo, o
método de perguntar sobre uma coisa em discussão, de delimitar um conceito e,
contradizendo-o, refutá-lo. O verbo que originou a palavra (eirein) significa mesmo
perguntar. Logo, não era para constranger o seu interlocutor, mas antes para
purificar seu pensamento, desfazendo ilusões. Não tinha o intuito de ridicularizar,
mas de fazer irromper da aporia (isto é, do impasse sobre o conceito de alguma
coisa) o entendimento.
Porém, sair do estado aporético exigia que o interlocutor abandonasse os
seus preconceitos e a relatividade das opiniões alheias que coordenavam um modo
de ver e agir e passasse a pensar, a refletir por si mesmo. Esse exercício era o que
ficou conhecido como maiêutica, que significa a arte de parturejar. Como sua mãe,
que era parteira, Sócrates julgava ser destinado a não produzir um conhecimento,
mas a parturejar as ideias provindas dos seus interlocutores, julgando de seu valor.
Significa que ele, Sócrates, não tinha saber algum, apenas sabia perguntar
mostrando as contradições de seus interlocutores, levando-os a produzirem um
juízo segundo uma reflexão e não mais a tradição, os costumes, as opiniões alheias,
etc. E quando o juízo era exprimido, cabia a Sócrates somente verificar se era um
belo discurso ou se se tratava de uma ideia que deveria ser abortada (discurso
falso, errôneo).
Assim, ironia e maiêutica, constituíam, por excelência, as principais formas
de atuação do método dialético de Sócrates, desfazendo equívocos e demarcando
nuances que permitiam a introspecção e a reflexão interna, proporcionando a
criação de juízos cada vez mais fundamentados no logos ou razão.
Sócrates
Assim como todos os grandes homens de sua época, há vários relatos
diferentes para a sua vida. Veremos a seguir um dos relatos, entre vários outros,
que chegaram até os nossos dias.
Sócrates nasceu em 470 a.C. (ou talvez em 469 a.C.) na cidade de Atenas,
perto da região de Alopeke. Era um vilarejo razoavelmente pobre, que ficava fora
das muralhas de cidade a mais ou menos 30 min. de caminhada. Seu pai era um
escultor, especialista em entalhar colunas nos templos, sua mãe uma parteira.
Qualquer pessoa que tivesse de trabalhar para sobreviver, nesta época, não
era muito bem vista, afinal os atenienses deixavam seus trabalhos para os escravos.
A família de Sócrates não era escrava, mas não possuíam também qualquer escravo
que trabalhasse por eles, viviam por conta própria procurando por locais onde
precisassem de seu trabalho. Entretanto a vida não era tão difícil, naquela época
Atenas estava ficando cada vez mais rica, e os trabalhos de construções apareciam a
toda hora.
Sócrates vivia uma vida normal, tentando aprender o trabalho de seu pai, o
que ele achava complicado demais, e tendo uma vida comum. Não foi para a escola,
nem aprendeu a ler, ou a escrever, embora tivessem algum dinheiro os professores
eram caríssimos, chegou a fazer alguns cursos, como música ou condicionamento
físico. Muitas vezes os amigos zombavam dele pela sua incapacidade de trabalhar o
mármore, mesmo quando aparecia uma oportunidade de ajudar o seu pai, sempre
acabava atrapalhando tudo.
E ele teria tido uma vida comum, aprendendo a toda custa a conseguir
entalhar o mármore, se não fosse um grande amigo seu. Havia perto de Atenas um
grande Oráculo, um local onde as pessoas iam para fazer um pergunta sobre o
futuro. Era o Famoso Oráculos de Delfos, onde as sacerdotisas do deus Apolo
faziam adivinhações sobre o futuro. Toda pessoa, ao menos uma vez na vida, teria
chance de ir lá fazer a sua pergunta.
Eis que este amigo de Sócrates, ao chegar para fazer a pergunta , perguntou
uma coisa não muito comum: "Eu quero saber quem é o homem mais sábio de todo
o mundo" e a resposta foi ainda mais inesperada: "O homem mais sábio do mundo é
o seu amigo, Sócrates"
Voltou então o seu amigo para Sócrates contar o ocorrido, quando este ouviu
achou que havia algo errado. "Mas como? Ou os deuses mentem ou eu realmente
sou o homem mais sábio do mundo?" porém ele tinha certeza de que não era tão
sábio assim, lembrou-se então que havia um professor por aquelas redondezas que
diziam ser muito inteligente, juntou todas as economias que tinha feito e foi pedir
um aula para tal homem, com a certeza de que provaria que este professor era mais
sábio do que ele, que era um mero filho de artesão.
Sócrates ouviu durante horas as palavras do professor e lhe perguntava o
porquê e o como havia aprendido aquilo. Descobriu que o professor apenas repetia
o que haviam ensinado para ele.
Meio decepcionado Sócrates voltou para casa e pediu dinheiro ao seu pai,
pois gostaria de ir ver um outro professor, mais famoso que aquele e que era de
grande prestígio entre os mais ricos de Atenas. Seu pai, vendo que aquilo era
importante para o filho, aceitou e deu parte de suas economias a ele.
Mas chegando à casa de tal professor tudo se repetiu. Ele não havia como
provar nada do que dizia, e nunca havia visto os feitos que contava, apenas repetia
e decorava o que os seus professores haviam falado.
Sócrates ficou irado, aquelas pessoas ficaram ricas apenas repetindo o que
lhes disseram, e nunca aprenderam nada, ele sabia que ele era mais sábio que elas
mas sabia que não era o homem mais sábio do mundo, voltou então para casa, se
havia alguém que ele sabia que era mais sábio do que ele era o seu pai ele era o
melhor escultor da região.
Ficou então a observar seu pai entalhar a pedra e percebeu que aquilo era
um trabalho repetitivo, que havia sido ensinado pelo seu pai e pelo seu avô e que
nada havia de novo no que ele fazia. Saiu ele então pela estrada a procurar homens
sábios e tentar provar que ele não era o homem mais sábio do mundo.
Acabou convivendo com grandes filósofos, e a cada vez que encontrava um
deles, um grupo de pessoas se aglomeravam em volta para ver o que conversavam.
Logo logo, com suas perguntas de “por quê?”, “mas como?”, “me prove?”, acabava
por deixar os outros filósofos irritados, e Sócrates provava que os famosos
filósofos não sabiam direito o que estavam falando.
Com isso um grupo de jovens passa a segui-lo, várias e várias pessoas, e o
número cada vez aumenta mais. Todos pediam para que ele ensinasse o como ficou
tão inteligente. Ofereciam muito dinheiro mas ele dizia que não poderia aceitar tal
dinheiro, pois ele não era digno de ensinar, e tudo o que ele havia aprendido tinha
sido por conta própria, e por tantas conversas com outras pessoas e consigo
mesmo.
Isso logo ficou conhecido como dialética, a arte de aprender conversando
com todo mundo. (di = dois / logos = conhecimento, então dialética é a conversa
entre dois conhecimentos).
Mas foi somente junto com a sua mãe que ele pôde descobrir a verdadeira
função. Conta-se que um dia foi levado junto com a sua mãe para ajudar em um
parto complicado, ele começou a pensar no trabalho dela, ela não deveria criar o
bebê, apenas ajudar a ele nascer e tentar diminuir a dor do parto, ao mesmo tempo,
se ela não tirasse o bebê, logo ele iria acabar morrendo, e igualmente a mãe
morreria.
Sócrates então começou a pensar que ele também, de certa forma, era um
parteiro, o conhecimento estava dentro da pessoa pois ele era capaz de aprender
por si mesma, mas ele poderia ajudar esse conhecimento a nascer e tentar diminuir
a dor disso por isso mesmo até hoje os ensinamentos de Sócrates são conhecidos
por Maiêutica (que é parteira em grego).
Assim ele ficou muito famoso em toda a região, e conseguiu muitos e muitos
discípulos, mas logo os antigos professores foram ficando irados, como aquele
homem poderia ensinar de graça e pregar que não se precisavam de professores
como eles. E ainda mais, ele pregava que se fôssemos acreditar em algo, era preciso
verificar se aquilo realmente era verdade. Sócrates angariou muitos inimigos.
Quando a guerra começou, todos os homens entre 15 e 45 foram enviados
para lutar e Sócrates, pela sua habilidade de fazer as pessoas o seguirem, foi
escolhido como um dos generais. Mas seja pelo motivo que for, eles perderam a
batalha e muitos morreram, com a intenção de salvar todos os que estavam vivos
Sócrates ordena que todos voltem rapidamente para Atenas mas deixam os mortos
no campo de batalha.
Ao chegar ele é preso, havia uma lei que obrigava o general enterrar todos os
seus soldados mortos, ou morrer tentando enterrá-los. Sócrates usa toda a sua
capacidade para convencer de que era melhor deixar alguns mortos do que
morrerem todos, principalmente pois, se todos morressem, ninguém poderia
enterrá-los. Desta forma ele consegue a liberdade.
Continua a fazer inúmeros discípulos por mais 30 anos, até que é preso
novamente. Uns acusavam ele de não acreditar nos costumes e nos deuses da
cidade, outros de se unir a deuses malignos que gostaria de destruir a cidade. É
nesta hora que é dado a ele a chance de se defender e a sua carta de defesa (a
apologia) mostra toda a sua capacidade.
Rapidamente ele mostra o como eram burras as pessoas que o acusavam,
como ele poderia não acreditar nos deuses e ao mesmo tempo se unir a eles? E
como ele poderia fazer tudo isso se a sua vida de conhecimento começou com a
previsão do Oráculo de Delfos, se o oráculo disse, então quem não acreditava nos
deuses eram os que o acusavam de não ser sábio como o oráculodizia ser.
Mas os acusadores não aceitaram, mesmo vendo que estavam errados
condenaram Sócrates. Como sabiam que se o condenassem à morte milhares de
jovens iriam se revoltar, condenaram ele a se exilar para sempre, ou a lhe ser
cortada a língua, sendo impossível que ensinasse aos demais, e caso se negasse ele
seria morto.
Então, para o espanto de todos Sócrates diz: "Vocês me deixam a escolha
entre duas coisas, uma que eu sei ser horrível, que é viver sem poder ensinar a
outra que eu não conheço, que é a morte... escolho pois o desconhecido"
Assim ele é obrigado a tomar veneno (cicuta) na frente de todos onde se
deixa morrer, mas faz com que as suas ideias tenha vivido para sempre.
Texto retirado do sítio: http://www.historiadomundo.com.br/artigos/socrates.htm
Apologia de Sócrates (Platão)
Introdução:
O texto a seguir é parte da denúncia de Meleto (e sua linguagem está
adaptada para que possamos entender melhor).
Meleto foi um dos acusadores de Sócrates no tribunal de Atenas (havia
outros dois, Anito e Licon).
Observe, no texto a seguir, o que Meleto teve de enfrentar por causa da
ironia que Sócrates utilizou para se defender da acusação que Meleto lhe fazia.
Defesa de Sócrates:
- Me diz, Meleto: tu achas importante que os jovens sejam o melhor que eles
possam ser?
- Sim, acho importante.
- Por favor, diga a estes senhores quem é que torna os jovens melhores;
evidentemente tu sabes, pois achas importante... Tu me trazes até esses senhores
afirmando que levo a juventude para o mal caminho; portanto, faze o favor de dizer
quem os torna melhores; conte-lhes quem é.
E após o silêncio de Meleto, Sócrates continua:
- Estás vendo, Meleto, que te calas e não sabes o que dizer? Não achas que
isso é feio e prova que pouco te importas com esse assunto? Vamos, bom rapaz,
fale; quem é que torna os jovens melhores?
- São as leis.
- Não é isso o que estou perguntando, excelente rapaz; pergunto que homem
é, o qual para começar, sabe exatamente isso, as leis.
- As pessoas presentes, Sócrates, os juízes.
- Que dizes, Meleto? Os presentes são capazes de educar os moços e os
tornarem melhores?
- Sem dúvida.
- Todos? Ou uns sim e outros não?
- Todos.
- Boa notícia nos dás, por Hera1! Sobram pessoas boas! Quem mais? E estes
assistentes os tornam melhores ou não?
- Eles também.
1Hera: Deusa do casamento. Esposa de Zeus na mitologia grega.
- O que dizer dos conselheiros?
- Também os conselheiros.
- Mas, então, Meleto, acaso os homens da assembleia, os religiosos
corrompem a mocidade? Ou eles todos também a tornam melhor?
- Também eles.
- Logo, todos os atenienses tornam os jovens gente de bem, menos eu; eu
sou o único a corrompê-la! É isso o que dizes?
- Exatamente isso é o que digo.
- (…) Que bom para os moços, se há um só a corrompê-los e os outros todos
a fazer-lhes bem! Ora, Meleto, estás dando provas acabadas de que nunca te
preocupaste com a mocidade e revelando claramente a tua indiferença para com o
crime de que me acusas! Por Zeus, Meleto, dize-nos mais uma coisa: é melhor
habitar entre cidadãos bons ou entre maus? Meus caro, responde; minha pergunta
é facílima! Não é verdade que sempre os maus acabam fazendo mal a quem está
perto, e os bons algum bem?
- Sim.
- Haverá, então, quem prefira receber de seus companheiros antes coisas
ruins que coisas boas? Responde, bom homem; a lei manda que respondas. Há
quem prefira o dano?
- Não, é claro.
- Adiante. Trouxeste-me aqui como alguém que por querer ou sem querer
corrompe e perverte a juventude?
- Por querer, ora essa!
- Como assim, Meleto? Tu és mais velho que eu e sabes que os maus sempre
acabam fazendo algum mal a seus mais próximos e os bons algum bem, e eu sou
tão ignorante que nem mesmo sei que, se tornar mal alguém no meu convívio, me
arrisco a receber dele algum dano? E, segundo dizes, eu faço tamanho mal por
querer? A mim não convences disso; nem creio que convenças outra pessoa.
Não; ou não corrompo, ou, se corrompo, é sem querer; numa suposição como
na outra, estás mentindo. Se, porém, corrompo sem querer, a lei não manda trazerme aqui por um erro involuntário, mas chamar-me de lado, ensinar-me, ralhar
comigo; evidentemente, depois de aprender, deixarei de fazer o que sem querer
ando fazendo. Tu, porém, evitaste, não estavas disposto a ajudar-me com teus
ensinamentos e me trouxeste aqui, para onde a lei manda trazer quem precisa de
castigo e não de lições. Ora, atenienses, está demonstrado o que eu dizia: Meleto
jamais fez o mínimo caso dessa questão.
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