Apostila de História 32 – Segundo Reinado (1840

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Apostila de História 32 – Segundo Reinado
(1840-1889)
1.0 Economia
1.1 Café
Bebida luxuosa produzida nas colônias do Haiti e da Guina Francesa;
Entrou no Brasil pelo Pará e chegou até o Rio de Janeiro como consumo doméstico;
Crise do Haiti – O Brasil passa a produzir café em larga escala pra exportação;
Mais tarde, atingiu o Vale do Paraíba (Rio de Janeiro e São Paulo);
Proximidade do porto da capital – Principal atividade econômica da região;
Erosão e esgotamento do solo – Decadência da produção cafeeira do vale do
Paraíba;
Ascensão do Oeste Paulista – Clima e solo favoráveis;
Porto de Santos torna-se mais importante comercialmente que o do Rio de Janeiro;
Mais tarde, atinge Minas Gerais e Paraná;
Características:
Sociedade:
“Barões do Café”;
Pequenos proprietários da alta sociedade burocrata estatal –
Militares;
Dedicavam-se a outras atividades econômicas urbanas.
Economia – Plantation:
Mão-de-obra escrava;
Produção exportadora.
1.1.1 Liderança do Café
1820 – O café passa a ser líder de exportações;
Açúcar:
Voltou a sofrer concorrência com as Antilhas;
Sofre com a concorrência do açúcar de beterraba europeu;
EUA (maior mercado do açúcar brasileiro) passa a comprar o açúcar de
Porto Rico, Havaí e Cuba.
Algodão:
Indústria têxtil inglesa – Aumento da produção do algodão brasileiro;
Sofre com a concorrência do algodão dos Estados Unidos;
A produção só aumentava quando os EUA estavam em crise.
Fumo – Teve fim com o tráfico negreiro;
Couro – Sofre concorrência com a produção nos novos países da bacia Platina.
1.2 Industrialização Brasileira – “Era Mauá”
Arrecadação de mais impostos sobre importações – Tarifa Alves Branco:
Elevação de 30% dos tributos sobre os produtos importados sem similares
produzidos no Brasil;
Elevação de 60% dos tributos sobre demais casos;
Favoreceu o projeto de desenvolvimento manufatureiro interno – Surto
industrial.
Lei Eusébio de Queirós – Transferência de capitais para outras atividades
econômicas;
Indústria brasileira servia não para concorrer com os produtos importados, mas pra
abastecer os produtos de baixa qualidade;
Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá:
Grande empresário, dono de:
Bancos Mauá;
Casa Mauá & Cia;
Companhia de Gás do Rio de Janeiro;
Estrada de Ferro Mauá;
Fundição do Estaleiro da Ponta de Areia.
Participação do cabo submarino que permitiu a comunicação telegráfica
entre Brasil e Europa;
Não contou com o apoio governamental.
Tarifa Silva Ferraz substitui Tarifa Alves Branco:
Fruto de pressões dos cafeicultores e comerciantes ingleses;
Diminuiu as taxas para produtos importados;
Desestimulação dos novos empreendimentos nacionais;
Falência de Mauá.
Criação da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro;
Regulamentada a profissão de corretor;
Modernização dos transportes:
1854: Primeira Estrada de Ferro do Brasil – Rio-Petrópolis (obra de Mauá);
Construção da Ferrovia Recife-São Francisco (patrocínio inglês);
Construção da ferrovia D. Pedro II (Rio de Janeiro-São Paulo) – Mais tarde
chamada de Central do Brasil.
2.0 Sociedade
2.1 Mão-de-obra Escrava
Escravidão – Entrave para o desenvolvimento capitalista;
Extinção da escravidão – Puramente comercial:
Redirecionamento de capital gasto na compra de cativos para produtos
industrializados;
Ampliação do mercado consumidor pela substituição da mão-de-obra
escrava pela assalariada;
Preservação da mão-de-obra na África para empreendimentos que estavam
se iniciando.
Revolução industrial – Quebra da visão do negro escravo;
D. Pedro I assumiu o compromisso de extinguir o tráfico negreiro – Não saiu do
papel;
Bill Aberdeen:
Decreto em que a marinha inglesa possuía amplos poderes para apreender
qualquer navio negreiro que cruzasse o Atlântico em direção ao Brasil;
Sob ameaças políticas e militares, o governo brasileiro cedeu aos interesses
ingleses;
Aumento do tráfico negreiro ilegal – A importação de escravos aumenta
absurdamente.
Lei Eusébio de Queirós:
Interrupção do abastecimento legal de escravos africanos;
A lei abole somente o tráfico continental de escravos, e não o tráfico entre
províncias.
Pressões e resistências internas – Fugas e rebeliões de escravos e atuação de forças
sociais contra a escravidão;
Estímulo à imigração.
2.2 Imigrantes – Trabalho “Livre”
Extinção do tráfico legal de africanos:
Falta de mão-de-obra nas lavouras de café;
Solução temporária – Tráfico interprovincial de escravos do Nordeste
decadente para o Centro-Sul.
Cafeicultura exige maior contingente de trabalhadores – Imigrantes;
Sistema de parceria:
Custeação dos trabalhadores europeus até as fazendas e sustentação de suas
famílias nos primeiros tempos de permanência na propriedade;
Os imigrantes iriam trabalhar cultivando café e gêneros de subsistência,
retendo 1/3 dos lucros, até quitar a dívida inicial;
Fracasso:
Juros elevados cobrados sobre as dívidas – Até 12% ao mês);
Maus tratos – Os fazendeiros ainda estavam habituados com a
escravidão;
Baixa remuneração paga pelo café cultivado;
Revoltas de colonos que exigiam melhores condições de tratamento
e trabalho;
Apesar de tudo isso, a imigração não diminui – Situação difícil da
Europa.
Pressão dos cafeicultores para que o governo patrocinasse a imigração de europeus –
Sistema de Imigração subvencionada:
Substituição da iniciativa privada pela estatal;
Regulamentação das relações entre fazendeiros e trabalhadores.
Maiores exportadores de imigrantes – Itália e Alemanha;
Consolidação do trabalho livre e assalariado:
Fortalecimento do mercado interno brasileiro;
Possibilidade de surgimento de pequenas propriedades trabalhadas por mãode-obra familiar voltadas para o mercado interno;
Rejeição da sociedade oligárquica latifundiária – Lei das Terras:
Medida para evitar o desvio de mão-de-obra livre para outras
atividades que não a agroexportação;
Terras públicas só podem se tornar propriedades privadas por meio
da compra, e não mais por doação ou posse;
Aumento dos preços – Inviabilização da compra por parte de pessoas
com menos recursos;
Alto custo para a regularização das terras – A arrecadação serviria
para custear a imigração.
3.0 Política Interna
Consolidação e conciliação do domínio oligárquico;
Partido Conservador e Partido Liberal:
Interesses ou projetos políticos não eram substancialmente diferentes;
Aceitavam a estrutura oligárquica, imperial e escravista;
Divergiam apenas na forma de manter o governo.
“Eleições do cacete” – Liberais dissolveram a Câmara e convocaram eleições para a
escolha de deputados, lançando violência para “convencer” eleitores a votar no
Partido Liberal;
Subida do Partido Conservador ao poder – Medidas concentradoras;
Descontentamento dos liberais – Revolta Liberal de 1842;
Subida do partido Liberal ao poder – Tarifa Alves Branco;
Parlamentarismo:
Subordinação do poder legislativo ao executivo;
Escolha do chefe do ministério pelo imperador;
Imperador podia dissolver a Câmara ou demitir o ministro em caso de
divergência com o Parlamento;
Parlamentarismo às avessas;
Centralizador e oligárquico.
Alguns membros do Partido Liberal começam a exigir reformas sociais mais
profundas – Criação do Partido Republicano.
3.1 Revolução Praieira (1848-1850)
Pernambuco;
Instabilidade restaurada;
Reivindicações:
Voto livre e universal;
Liberdade de imprensa;
Garantia de trabalho;
Nacionalização do comércio;
Abolição do trabalho escravo;
Instauração da República.
Apoio – Senhores de engenho liberais;
Rebelião derrotada pelas tropas governamentais.
4.0 Política Externa
4.1 Questão Christie (1863)
Navio inglês naufragou no litoral do Rio Grande do Sul, tendo a sua carga roubada;
Embaixador inglês no Rio de Janeiro exigiu que um oficial inglês acompanhasse nas
investigações e que o governo brasileiro indenizasse a Inglaterra pela perda;
Prisão de alguns marinheiros ingleses embriagados e à paisana que arruaçavam as
ruas de Rio de Janeiro – Soltura dos mesmos após serem identificados como
militares;
Embaixador inglês exige a demissão dos policiais que efetuaram a prisão e
desculpas oficiais do governo imperial à Inglaterra;
Negativa do Brasil – Aprisionamento de 5 navios brasileiros no porto do Rio de
Janeiro;
Manifestações contra a Inglaterra;
Rei da Bélgica arbitrou a questão, ficando a favor do Brasil – Mesmo assim, o Brasil
pagou a dívida;
Rompimento das relações diplomáticas com a Inglaterra;
Restauração das relações diplomáticas com a Inglaterra após o seu pedido de
desculpa oficial.
4.2 Intervenções Brasileiras no Rio da Prata
Desejo de controlar a navegação nos rios da bacia do Prata;
Fragmentação do vice-reino da Prata em Argentina, Paraguai e Uruguai;
Uruguai é anexado ao Brasil – Província Cisplatina;
Projeto de criação de um grande país platino – Confrontos armados entre facções
uruguaias, argentinas e gaúchas;
Poder uruguaio na mão de 2 partidos políticos:
Blanco – Grandes proprietários de terra e criadores de gado apoiados pelo
presidente da Argentina;
Colorado – Comerciantes uruguaios, apoiados pela Argentina e o Brasil.
Vitória eleitoral dos blancos – Ameaça aos interesses brasileiros;
Ocupação brasileira de Montevidéu e Buenos Aires;
Deposição dos governantes atuais o colocação dos aliados do Colorado;
Mais tarde – Governo Blanco instituído no Uruguai, aliado do Paraguai;
Recusa do Uruguai em indenizar os fazendeiros gaúchos pelos prejuízos causados
com os ataques às suas fazendas;
Deposição do governo uruguaio e colocação de um novo representante do Partido
Colorado;
Governo paraguaio rompe relações com o Império brasileiro.
4.3 Guerra do Paraguai (1864-1870)
Paraguai:
Exceção latino-americana – Alcançou progresso econômico autônomo;
Erradicação do analfabetismo;
Criação de fábricas militares, siderúrgicas;
Estradas de ferro;
Sistema de telégrafo;
“Estâncias da pátria”:
Unidades econômicas formadas por terras e instrumentos de trabalho
distribuídos pelo Estado aos camponeses;
Abasteciam o consumo nacional de produtos agrícolas;
Emprego e alto padrão alimentar.
“Paraguai Maior” – Anexação de regiões da Argentina, Brasil e Uruguai, obtendo
acesso ao Oceano Atlântico;
Expansão paraguaia ia contra os interesses ingleses – A Inglaterra procurava
qualquer estímulo para que ocorresse uma guerra;
Intervenção do Brasil no Uruguai – Rompimento das relações com o Império
brasileiro;
Aprisionamento de um navio brasileiro, que tinha como tripulante o representante
da província do Mato Grosso – Resposta brasileira: guerra;
Paraguai invade a Argentina;
Criação da Tríplice Aliança:
Brasil;
Argentina;
Uruguai.
Primeiras vitórias eram paraguaias – Exército de alto nível;
Prolongação da guerra fatal para o Paraguai:
Inferioridade populacional;
Inferioridade geográfica;
Apoio inglês da Tríplice Aliança.
Vitória brasileira na Batalha do Riachuelo – Destruição da frota paraguaia;
Ampliação de tropas brasileiras – Decretado que os escravos que voluntariamente se
apresentassem para lutar obteriam a liberdade;
Devastação do Paraguai:
Território destruído;
Desestruturação da economia;
Morte de 75% da população, 99% da população masculina com mais de 20
anos;
Propagação de epidemias – Cólera;
Política genocida contra a população paraguaia.
Consequências para o Brasil:
Morte de 40 mil homens – Maioria: negros;
Dívida externa com a Inglaterra;
Institucionalização do exército;
Crescimento do republicanismo.
5.0 Fim do Império
5.1 Fim da Escravidão
Legislação abolicionista estéril na prática – Tentativa de diminuir a movimento
abolicionista;
Lei do Ventre Livre (Rio branco):
Filhos de escravas nascidos a partir daquela data seriam considerados livres;
O escravo permaneceria sob a tutela do proprietário da mãe até atingir 8
anos de idade;
O proprietário escolheria receber uma indenização ou explorar
gratuitamente o trabalho do escravo “livre” até que este fizesse 21 anos.
Lei dos Sexagenários:
Libertava os escravos com mais de 65 anos de idade;
Existiam poucos escravos com esta idade;
Aqueles que o tinham, não possuíam mais condições de trabalhar –
Liberação dos custos de sua manutenção para o proprietário.
Aumento de fugas de escravos;
Exército brasileiro torna-se abolicionista;
Algumas províncias e cidades aboliram a escravidão antes do governo imperial;
Movimento abolicionista confundia-se com o republicanismo em suas críticas ao
império;
Caifazes - Grupos clandestinos que combatiam a escravidão com medidas práticas;
Assinou a Lei Áurea:
Assinada pela princesa Isabel – Dom Pedro II estava ausente;
Libertação de todos os escravos no Brasil.
5.2 Atrito com a Igreja Católica
Igreja católica – Tradicional pilar de sustentação do governo monárquico brasileiro;
Constituição de 1824 – União entre a Igreja e o Estado: Padroado (Imperador
nomeia os bispos);
Beneplácito – Ordens do papa seriam adotadas no Brasil com a autorização
imperial;
Proibição papal da permanência de membros da maçonaria dentro dos quadros da
Igreja:
O imperador era monção, logo, não autorizou a bula do papa Pio IX;
Bispos de algumas províncias não rejeitaram a bula – Condenados a prisão
com trabalhos forçados;
Tomada de vários membros da igreja contra a monarquia.
5.3 Ascensão do Exército
Exército pós-guerra do Paraguai:
Atração de jovens menos abastados para o exército – Garantia perspectiva
de ascensão profissional e social;
Escolas militares ganham importância – Escola Militar da Praia Vermelha.
O poder civil era maior que o dos militares – Desrespeito à hierarquia do exército;
Pouco interesse do governo imperial sobre o exército:
Baixos soldos;
Lentas promoções;
Casacas – Apelido pejorativo para os políticos civis;
A Guarda Nacional possuía mais privilégios que o exército.
Oficiais do exército assumem posições radicalmente contrárias a monarquia;
Crescimento da mentalidade positivista:
Ordem com base na aliança das classes sociais;
Progresso com o crescimento das ciências exatas;
Base capitalista.
Tenente-coronel Sena Madureira:
Manifestou-se contra as reformas do sistema de aposentadoria militar –
Punido;
Proibição de todo o tipo de declaração dos militares da imprensa sobre
qualquer assunto relacionado à política.
5.4 Expansão do Republicanismo
Publicação do Manifesto Republicano – Partido Liberal;
Fundação do Partido Liberal Republicano e do Partido Republicano Paulista:
Barões do Café (Evolucionistas) – Transição natural para a república;
Militares e intelectuais (Revolucionários) – Via revolucionária para a
transição da república.
Convenção de Itu – Um grupo com alguns dos principais cafeicultores aderiam ao
movimento republicano;
Expansão do republicanismo – Chega a São Paulo;
Modernização paulista X Imobilismo burocrático do governo imperial:
Vale do Paraíba X Oeste Paulista:
Escravista X Abolicionista;
Conservadora X Liberal;
Decadente X Ascendente;
Aliada a monarquia X Aliada ao republicanismo.
Cafeicultores aderem à idéia de federação – Estados com autonomia;
D. Pedro II, visando salvar a monarquia, nomeou o cargo de primeiro-ministro a
Afonso Celso de Oliveira Figueiredo – Reformas políticas inspiradas nos ideais
republicanos:
Parlamento recusou o projeto;
Fechamento da Assembléia Legislativa – Convocação de novas eleições;
Republicanos divulgaram o boato de que o governo iria reprimir
violentamente os oficiais do exército;
14 de Novembro:
Unidades militares, sob o comando de Deodoro da Fonseca, se
rebelaram e depuseram o imperador;
D. Pedro II foi mandado para ao exílio;
José do patrocínio declarou a proclamação da República;
Sem participação popular.
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