Pesquisa usa moldes em 3D para cirurgias de aneurisma

Propaganda
Pesquisa usa moldes em 3D para
cirurgias de aneurisma cerebral
Trabalho é coordenado por médicos do Instituto de Neurologia de Curitiba.
Uso reduz tempo de cirurgia e melhora recuperação dos pacientes.
Samuel NunesDo G1 PR
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/04/pesquisa-usa-moldes-em-3d-para-cirurgias-deaneurisma-cerebral.html
Moldes têm texturas semelhantes ao real, facilitando o planejamento das cirurgias (Foto: Samuel Nunes/G1)
Médicos do Instituto de Neurologia de Curitiba estão estudando o uso de moldes feitos em
impressoras 3D para o tratamento de aneurismas cerebrais. A equipe, chefiada pelo médico
André Giacomelli Leal, em parceria com uma empresa de São Paulo, produz modelos feitos a
partir de tomografias dos pacientes.
As próteses, segundo Leal, ajudam os médicos a planejar as cirurgias. Segundo ele, 10 pessoas já
foram submetidas aos procedimentos com o auxílio dos modelos em três dimensões. "É bem
conhecido nos aneurismas cerebrais, principalmente nos complexos, que o planejamento
cirúrgico é essencial, a fim de evitar a manipulação excessiva das artérias e um tempo cirúrgico
maior, um tempo anestésico maior e pós operatório maior e as taxas de mortalidade, tanto intra
[durante], quanto pós-operatório", explica.
Segundo ele, atualmente, as cirurgias desse tipo são feitas apenas com base em exames como as
angiotomografias. Esses análises dão ao profissional uma visão panorâmica, em papel, da
situação real do paciente. "Apesar de a gente poder adquirir imagens em três dimensões, a gente
recebe essas imagens em um papel, que é bidimensional. Então, eu vou precisar do meu cérebro,
para poder mudar dessas imagens em papel para uma imagem tridimensional na minha cabeça.
Isso às vezes pode limitar um pouco o estudo do paciente", diz Leal.
André Leal e Felipe Marques apresentaram estudo
para grupo de médicos (Foto: Samuel Nunes/G1)
Ele diz que um dos principais tratamentos atualmente para os aneurismas cerebrais é a clipagem.
Durante o procedimento cirúrgico, o médico usa pequenos clipes, para reduzir o tamanho dos
vasos sanguíneos dilatados. Sobre uma mesa, o médico vai testando vários desses clipes, até que
encontre o que se aplica melhor ao paciente.
"A pessoa que faz cirurgia desse tipo, ela tem uma bandeja na mesa do lado, com uma série de
tamanhos, uma série de curvaturas e ângulos. E você escolhe no meio da cirurgia. Você vai
explorar no intra operatório e vai colocar e vai trocar o clipe, vai mexer de um lado, do outro. E
isso aumenta realmente o risco de sangramento, pela manipulação excessiva, além de um tempo
cirúrgico maior", explica.
Os estudos começaram há três anos, a partir de trabalhos de conclusão de curso que Leal
orientou. No início, os alunos pesquisavam se seria possível construir moldes apenas dos
aneurismas. À medida em que houve mais estudos, os pesquisadores começaram a pensar em
moldes que trouxessem, além dos vasos com problemas, um molde do entorno onde ele se
encontrava, dentro da cabeça dos pacientes.
O procedimento todo é dividido em duas fases. A primeira é a criação da peça em si. Para isso,
os médicos enviam à empresa as imagens das tomografias realizadas nos pacientes. A partir
delas, a empresa produz os modelos em três dimensões e envia os desenhos para a impressora,
que produz os moldes. “Ela vai me dar uma impressão de uma peça com todas as estruturas,
cores e graus de flexibilidade que essa tecnologia pode gerar”, diz Leal. Conforme o médico, as
próteses simulam de forma bem próxima ao real, a consistência dos vasos sanguíneos e até das
texturas ósseas.
A segunda parte é a planejamento e execução da cirurgia. Com o molde em mãos, os médicos
vão para uma sala onde podem treinar como será feito o procedimento. Nesse momento, eles
fazem os testes com os clipes que podem se encaixar melhor em cada situação. No momento da
operação, o molde é levado também ao centro cirúrgico, para orientar os médicos novamente
sobre onde e como devem ser feitos os procedimentos.
Resultado positivo
Sérgio dos Santos Ferreira foi um dos pacientes que foi submetido a uma cirurgia com o auxílio
dos moldes. Em março deste ano, ele entrou no centro cirúrgico do Instituto de Neurologia de
Curitiba. Pouco mais de um mês após a cirurgia, já está trabalhando normalmente. "A minha
recuperação foi 100%. Eu fiz a cirurgia agora, em 4 de março e já estou há 30 dias trabalhando,
não tive nenhum problema", disse.
A minha recuperação foi 100%. Eu fiz a cirurgia agora, em 4 de
março e já estou há 30 dias trabalhando, não tive nenhum
problema"
Sérgio dos Santos Ferreira, paciente
Custo alto
De acordo com Felipe Marques, CEO da BioArchitects, empresa que produz os moldes, o custo
ainda é considerado alto para essa tecnologia. A média é de R$ 5 mil para cada peça, variando
conforme o tamanho, nível de detalhamento e necessidade de cada procedimento. Atualmente,
nenhum plano de saúde, nem o Sistema Único de Saúde, cobrem a confecção dos moldes.
No caso de Ferreira, ele disse que a família buscou os recursos para conseguir mandar construir o
molde. "Eu precisei fazer, porque não tem meio termo. Você tem um aneurisma. Ou você faz [a
cirurgia] ou você não faz. Ou você faz ou você morre. E aí, lógico que a gente correu atrás.
Lógico que alguns procedimentos o plano cobre, mas o restante a gente correu atrás", lembra.
O objetivo, porém, é divulgar a tecnologia para mais médicos, incentivando o uso dos moldes em
três dimensões. Com a demanda, ele espera que o custo possa ser reduzido a longo prazo. Além
das aplicações em cirurgias neurológicas, a empresa também já produziu moldes para outras
aplicações, incluindo tratamento de câncer.
Uso educacional
Uma próxima etapa do uso dessa tecnologia é usar esses modelos para auxiliar na educação dos
futuros médicos. No caso das cirurgias do Instituto de Neurologia de Curitiba, residentes usam o
molde para acompanhar como o médico que conduz o procedimento está executando os
movimentos da cirurgia. Também é possível que eles usem os moldes para treinar, sem a
necessidade de cadáveres ou animais.
Moldes feitos com impressão 3D podem ter várias aplicações na medicina. Na foto, biomodelo mostra coluna com
um tumor (Foto: Divulgação)
Download