Área foliar e massa seca JCL; de cultivares de batata em da adubação nitrogenada COELHO FS; FONTES PCR; PUIATTI M; NEVES SILVA MCC; BRAUN H.função 2009. Área foliar e massa seca de cultivares de batata em função da adubação nitrogenada. Horticultura Brasileira 27: S774-S778. ÁREA FOLIAR E MASSA SECA DE CULTIVARES DE BATATA EM FUNÇÃO DA ADUBAÇÃO NITROGENADA 1 1 1 Fabrício Silva Coelho ; Paulo Cezar Rezende Fontes ; Mário Puiatti ; Júlio César Lima 2 1 1 Neves ; Marcelo Cleón de Castro Silva ; Heder Braun 1 2 UFV - Centro de Ciências Agrárias – Departamento de Fitotecnia, CEP-36570-000, Viçosa-MG; UFV - Centro de Ciências Agrárias – Departamento de Ciência do Solo, CEP-36570-000, Viçosa-MG e-mail: [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], RESUMO ABSTRACT O nitrogênio (N) afeta a expansão foliar e está relacionado com o acúmulo de matéria seca. O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito de doses de N sobre a área foliar e produção de massa seca da batateira e determinar o nível crítico (NC) associado à dose de N para a máxima eficiência econômica (MEE) de tubérculos de cultivares de batata. O trabalho foi conduzido no período de outono/inverno, na horta de pesquisa do Departamento de Fitotecnia da UFV. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, esquema fatorial 4 x 2, sendo os níveis constituídos de quatro doses de nitrogênio (N) -1 em pré-plantio (0, 100, 200 e 400 kg ha de N) e duas cultivares de batata (Ágata e Asterix), com quatro repetições. Como fonte de N foi utilizada a uréia (44 % de N). Aos 21 dias após a emergência das plantas, coletouse uma planta para a determinação da massa de seca total da planta e área foliar. Houve aumento linear da matéria seca total (MSTO) e área foliar da planta (AFP) com as doses de nitrogênio aplicadas. Os níveis críticos da 2 AFP foram de 5601,65 e 4044,47 cm para as cultivares Ágata e Asterix. Para ambas as cultivares os níveis críticos da MSTO foram de -1 42,60 e 33,67 g planta , respectivamente. Leaf area and dry mass of potato cultivars as affected by nitrogen rates Nitrogen (N) affects leaf expansion and is related to the accumulation of dry matter. The objective was to evaluate the effect of N rates on leaf area and dry mass production of potato and to determine the critical level (NC) associated with the N rate for maximum economic efficiency (MEE) of tubers of potato cultivars. The work was conducted during the autumn/winter in the garden in Departmento de Fitotecnia of UFV. The experimental design was randomized blocks, in a 4 x 2 factorial scheme, with the levels consisting of four levels of nitrogen (N) pre-planting (0, 100, 200 and -1 400 kg ha ) and two cultivars of potato (Ágata and Asterix), with four replications. Urea was the N source (44% N). At 21 days after plant emergence, one plant was collected for determination of total dry mass of the plant and leaf area. There was a linear increase of total dry matter (MSTO) and leaf area of the plant (AFP) with the rates of nitrogen applied. The 2 levels of AFP were 5601.65 and 404.,47 cm for the cultivars Asterix and Ágata. For both cultivars the levels of MSTO were 42.60 and -1 33.67 g plant , respectively. PALAVRAS-CHAVE: Solanum tuberosum L., nitrogênio, nutrição mineral. KEYWORDS: Solanum tuberosum L., nitrogen, mineral nutrition. Hortic. bras., v. 27, n. 2 (Suplemento - CD Rom), agosto 2009 S 774 Área foliar e massa seca de cultivares de batata em função da adubação nitrogenada INTRODUÇÃO O nitrogênio (N) é o segundo nutriente em termos de resposta pela batateira (Prezotti et al., 1986). O fornecimento deste elemento afeta a expansão foliar e, consequentemente, o crescimento da folha de batata, Solanum tuberosum L. (Vos and Biemond, 1992). Também, o número total de folhas que surgem em uma planta é afetado pelo nitrogênio. Assim, os efeitos do N no tamanho e número de folhas por planta influencia o padrão sazonal de interceptação luminosa e a produção da cultura (Vos, 1995). A área da folha da batata é uma característica importante na avaliação da eficiência fotossintética das plantas, na determinação de danos bióticos e abióticos (Larcher, 2000), na análise de crescimento (Bianco et al., 2002), relacionado com o acúmulo de matéria seca, metabolismo vegetal, produção final, qualidade e maturação das culturas (Taiz & Zeiger, 2004). A matéria seca total, geralmente, pode ser aplicada para definir a produção. A deficiência de N, além de reduzir o crescimento, pode comprometer a partição de assimilados entre as diferentes partes da planta, ocasionando, geralmente, aumento na relação entre a massa seca das raízes e da parte aérea (Cruz, 2001). Para avaliar o efeito do nitrogênio nas plantas ou a adequação do programa de adubação nitrogenada para a cultura, podem ser utilizados índices indiretos, como a massa da matéria seca da planta e a área foliar, dentre outros. Normalmente, esses índices são interpretados utilizando-se o critério de concentração ou faixa crítica de concentração (Gil, 2001). Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de doses de N sobre a área foliar e produção de massa seca da batateira e determinar o nível crítico associado à dose de N para a máxima eficiência econômica de tubérculos de cultivares de batata. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi conduzido na Horta de Pesquisa do Departamento de Fitotecnia (DFT) da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O solo da área experimental foi classificado como Podzólico Vermelho-Amarelo Câmbico. O solo foi preparado na forma usual para batata e adubado manualmente no sulco de plantio nas seguintes quantidades 1800 kg de superfosfato simples, 384 kg de cloreto de potássio, 200 kg de sulfato de magnésio, 10 kg de bórax, 10 kg de sulfato de zinco, 10 kg de sulfato de cobre e 0,5 kg de molibdato de sódio. O plantio foi realizado em 09/05/2008, em espaçamento de 75 x 25 cm, utilizando-se tubérculos-semente das cvs. Ágata e Asterix, de tamanho uniforme e brotados. As práticas culturais e irrigação por aspersão foram as recomendadas para a cultura (Fontes, 2005). O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, esquema fatorial 4 x 2, sendo os níveis constituídos de quatro doses de nitrogênio (N) em pré-plantio (0, 100, 200 e -1 400 kg ha de N) e duas cultivares de batata (Ágata e Asterix), com quatro repetições. Como fonte de N foi utilizada a uréia (44 % de N). Cada parcela foi constituída de quatro fileiras com dez plantas, com dimensões de 3,0 m de comprimento x 2,5 m de largura e ocupando uma 2 área de 7,5 m . Como bordadura, foram utilizadas as duas fileiras laterais e as duas plantas das extremidades das fileiras centrais, sendo, portanto, 16 plantas úteis por parcela. Aos 21 dias após a emergência (DAE), imediatamente antes da amontoa, foi colhida uma planta representativa em cada parcela. As plantas foram acondicionadas em sacos plásticos contendo gotas de água e vedados, onde posteriormente foram levados ao laboratório Hortic. bras., v. 27, n. 2 (Suplemento - CD Rom), agosto 2009 S 775 Área foliar e massa seca de cultivares de batata em função da adubação nitrogenada e separadas em caules, folhas, tubérculos e raízes; esses órgãos foram pesados e colocados em estufa a 70 ºC, até atingirem massa constante, para a obtenção da massa seca de cada órgão. As massas da matéria seca de toda planta foram obtidas pela soma das massas de todos os órgãos da planta. Também, no laboratório, foi determinada a área foliar da planta (AF), utilizando um integrador de área foliar modelo LI-COR 3100. Foi calculado o nível crítico (NC) para AF e MS, associados à dose de N para a máxima eficiência econômica de tubérculos -1 (MEE). Para tal, foram utilizadas as doses de 290 e 245 kg ha de N para Ágata e Asterix, respectivamente, seguindo a metodologia mostrada por Fontes (2001). Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e regressão, utilizando-se o software estatístico SAEG (Funarbe, 1993). Os modelos de regressão testados foram: lineares, quadráticos e raiz-quadráticos. Escolheu-se o modelo com base no significado biológico, na significância dos coeficientes de regressão até 10% de probabilidade, pelo teste t, e no maior coeficiente de determinação. RESULTADOS E DISCUSSÃO Não houve interação entre doses de N e cultivares de batata para as características avaliadas. Houve efeito de doses de N sobre a massa matéria seca de folhas (MSF), hastes (MSH), tubérculos (MSTU) e de toda a planta (MSTO) para ambas as cultivares (Tabela 1). Gil (2001) encontrou, em condições de campo, aumento linear na MSF da batata com a aplicação de N e Vos e Biemond (1992) obtiveram aumento da massa seca do caule com aumento da dose de nitrogênio. O nível crítico (NC) correspondente a MSTO, com a dose de N -1 que propiciou a MEE foram de 42,60 e 33,67 g planta para as cultivares Ágata e Asterix, respectivamente. Houve efeito quadrático para a MSTU para as cultivares de batata estudadas. O N é fator ambiental envolvido no controle da tuberização, sendo que doses elevadas de N atrasam a tuberização, reduzem a translocação do carbono da folha para os tubérculos e aumentam o fluxo de N para as folhas novas ao invés de dirigi-lo aos tubérculos (Oparka, 1987). Houve efeito de doses de N sobre a área foliar da planta (AFP) para as duas cultivares (Figura 1). O nível crítico para AFP das cultivares Ágata e Asterix, associado com a dose de N para 2 a MEE foram 5601,65 e 4044,47 cm , respectivamente. O crescimento da área foliar das culturas tem sido relacionado com a disponibilidade de nitrogênio. Segundo Wien (1997) há expansâo da área foliar quando se faz a fertilização nitrogenada, havendo aumento na largura e comprimento das folhas. Conclui-se que o houve aumento linear da matéria seca de folhas (MSF), hastes (MSH) e total (MSTO) e área foliar da planta (AFP) com as doses de nitrogênio aplicadas. O NC correspondente a MSTO, com a dose de MEE deve ser de 42,60 e 33,67 g -1 planta para as cultivares Ágata e Asterix. Já o NC para AFP deve ser de 5601,65 e 4044,47 2 cm , respectivamente. AGRADECIMENTOS A CAPES, CNPq e FAPEMIG pela concessão de bolsas e de recursos para o projeto. Hortic. bras., v. 27, n. 2 (Suplemento - CD Rom), agosto 2009 S 776 Área foliar e massa seca de cultivares de batata em função da adubação nitrogenada LITERATURA CITADA BIANCO S; PITELLI RA; CARVALHO LB. 2002. Estimativa da área foliar de Cissampelos glaberrima usando dimensões lineares do limbo foliar. Planta Daninha, 20: 353-356. CRUZ JL. 2001. Efeitos de níveis de nitrato sobre o metabolismo do nitrogênio, assimilação do CO e fluorescência da clorofila a em mandioca. Viçosa: UFV, 87p. (Tese de Doutorado). 2 FONTES, PCR. Cultura da batata. In: FONTES PCR. (ed.). 2005. Olericultura: teoria e prática. Viçosa: UFV. p.323-343. FUNARBE. Sistema para Análises Estatísticas – SAEG. V. 50. Viçosa, 1993. GIL, PT de. 2001. Índices e eficiência de utilização de nitrogênio pela batata influenciados por doses de nitrogênio em pré-plantio e em cobertura. Viçosa: UFV, 81 p. (Dissertação de Mestrado). LARCHER W. 2000. Ecofisiologia vegetal. Rima. 531p. OPARKA KJ; DAVIES HV; PRIOR DAM. 1987. The influence of applied N on export and partitioning of current assimilate by field-grown potato plants. Annals of Botany, 59: 484-488. PREZOTTI, LC; CARMO, CAS do; ANDRADE NETO, APM de. Nutrição mineral da batata. Vitória-ES: EMCAPA, 1986. 44 p. TAIZ L; ZEIGER E. 2004. Fisiologia vegetal. Porto Alegre: Artmed. 719p. VOS J; BIEMOND H. 1992. Effects of nitrogen on the potato plant. 2. The partitioning of dry matter, nitrogen and nitrate. Annals of Botany, 70: 37-45. VOS J. 1995. Nitrogen and the growth of potato crops. In: Haverkort AJ; MacKerron DKL. (Eds.), Potato Ecology and Modelling of Crops under Conditions Limiting Growth. Current Issues in Production Ecology, vol. 3. Kluwer Academic Publishers, Dordrecht, pp. 115–128. WIEN, HC. 1997. The physiology of vegetables crops. New York: CAB International. 662 p. Hortic. bras., v. 27, n. 2 (Suplemento - CD Rom), agosto 2009 S 777 Área foliar e massa seca de cultivares de batata em função da adubação nitrogenada -1 Tabela 1. Equações ajustadas para massa da matéria seca (g planta ) de folhas (MSF), hastes (MSH), tubérculos (MSTU), raízes (MSR) e total (MSTO) em função de doses de N , para as cultivares Ágata e Asterix [Equations -1 adjusted to the mass of dry matter (g plant ) of leaves (MSF), stems (MSH), tubers (MSTU), root (MSR) and total (MSTO) according to the rates of nitrogen (N), for the cultivars Agata and Asterix]. UFV, Viçosa, MG, 2008. -1 2 Cultivar Características (g planta ) Equações R Ágata MSF MSH MSTU MSR MSTO MSF MSH MSTU MSR MSTO Y = 9,6985 + 0,0200479*N Y = 4,09750 + 0,0096964*N 2 Y = 7,564441 + 0,0689130**N - 0,00013108ºN Y = 3,65 Y = 26,7850 + 0,0545429*N Y = 9,72150 + 0,0224343**N Y = 4,35750 + 0,0096392**N 2 Y = 2,98668 + 0,0524391*N - 0,00008984ºN Y = 3,48 Y = 22,9810 + 0,0436443**N 0,77 0,78 0,97 0,80 0,94 0,95 0,98 0,94 Asterix **, * e ° - Significativo a 1, 5 e 10 % de probabilidade pelo teste “t”, respectivamente. Figura 1. Área foliar da batateira aos 21 dias após a emergência, em função de doses de nitrogênio (kg ha-1), nas cultivares Ágata (A) e Asterix (B) [Potato leaf area at 21 days after the emergence, according to the rates of nitrogen (kg ha -1), for the cultivars Ágata (A) and Asterix (B)]. UFV, Viçosa, MG, 2008. Hortic. bras., v. 27, n. 2 (Suplemento - CD Rom), agosto 2009 S 778