instituto de ciências biológicas – icb

Propaganda
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS – ICB
DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO
A ATUAÇÃO DA FAMILIA NA ANOREXIA E BULIMIA NERVOSA
Larissa Aparecida de Oliveira
Rafaela Caroline Ladislau Nery Assunção
Sthefany Aparecida Lacerda
Xênia Martins Silva
Juiz de Fora
2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS – ICB
DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO
A ATUAÇÃO DA FAMILIA NA ANOREXIA E BULIMIA NERVOSA
Larissa Aparecida de Oliveira
Rafaela Caroline Ladislau Nery Assunção
Sthefany Aparecida Lacerda
Xênia Martins Silva
Trabalho apresentado para avaliação na disciplina de Introdução à nutrição, do curso de nutrição,
turno diurno, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Ministrado pelo professor Renato Moreira
Nunes.
Juiz de Fora
2010
Lista de tabelas
TABELA 1 - Critérios diagnósticos para Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa pelo DSM- IV e
pela CID-10..................................................................................................................... 8
TABELA 2 -Características demográficas e socioeconômicas de estudantes de nutrição do sexo
feminino (n- 186). Santa Maria (RS), 2006....................................................................10
TABELA 3- Fatores predisponentes......................................................................................11
TABELA 4 - Fatores mantenedores.......................................................................................15
TABELA 5 - Modelo de diário alimentar..............................................................................17
Sumário
1.
Resumo e introdução........................................................................................................4
2.
Conceitos............................................................................................................................5
2.1
Anorexia nervosa.................................................................................................................5
2.2 Bulimia nervosa............................................................................................................6
3.
O gênero e suas faixas etárias mais atingidas..................................................................7
4.
Etiologia..............................................................................................................................8
4.1Fatores predisponentes....................................................................................................8
4.2 Fatores precipitantes.......................................................................................................9
4.3Fatores mantenedores......................................................................................................9
5. Reabilitação nutricional na anorexia nervosa..................................................................16
6.Reabilitação nutricional na bulimia nervosa................................................................18
7. Conclusão..........................................................................................................................20
8. Referências bibliográficas................................................................................................21
1.
Resumo
O objetivo geral do estudo é mostrar como desencadeia os TA, focando nos principais fatores que
acarretam AN e BN.
Introdução
Os transtornos alimentares são determinados por uma diversidade de fatores que
correlacionampara produzir e muitas vezes perpetuar as doenças. O gênero mais atingido pelos TA é o
feminino devido a preocupação excessiva com a imagem corporal.
Os fatores que influenciam no desenvolvimento da anorexia nervosa e bulimia nervosa são
nomeados como predisponentes, precipitantes e mantenedores.
O tratamento se baseia em duas fases a educacional e a experimental.
2. Conceitos
2.1 Anorexia nervosa:
Deriva do grego “orexis” (apetite) acrescido do prefixo “an” (privação ausência). Portanto
significa uma perda de apetite de origem nervosa.
Entretanto, profissionais especializados no tema afirmam que essa não é a expressão mais
adequada, pois, pelo menos no inicio do quadro é possível identificar uma luta contra a fome(Jaeger de
Souza apud Ida, 2008).
As primeiras referências a essa condição surgem com o termo fastidium em fontes latinas da
época de Cícero (106-43 a.C) e vários textos do século XVI. Já a denominação mais especifica
“anorexia nervosa” surgiu de 1873, referindo-se á “forma peculiar de doença” que caracteriza-se por
emagrecimento externo [...] "cuja" falta de apetite é [..] decorrente de um estado mental mórbido e não
a qualquer disfunção gástrica [...].
Atualmente o termo “anorexia” não é utilizado em seu sentido etimológico para a “anorexia
nervosa”, visto que tais pacientes não apresentam real perda de apetite até estágios mais avançados da
doença, mas sim uma recusa alimentar deliberada, com intuito de emagrecer ou por medo de engordar.
A anorexia nervosa leva a caquexia, devida à recusa alimentar, chegou ao final do século XX,
após diversa concepções, como síndrome especifica com características clinicas distintas, que se
manifesta de maneira semelhantes em diversas regiões do globo.
Diversos critérios operacionais foram propostos para AN, a maioria deles englobando
basicamente:
• comportamentos visando a perda de peso e sua manutenção a baixo do normal;
• medo de engordar;
• distúrbio de imagem corporal e
• distúrbio endócrino (ex: amenorreia)
O medo intenso ou mórbido de engordar representa o aspecto psicopatológico central da anorexia,
mantendo-se sem modificações por décadas.
A anorexia nervosa caracteriza-se por perda de peso intensa á custo de dietas rígidas auto
impostas em busca desenfreada da magreza.
De acordo com o DSM-IV (APA apud Filho, 2009), a anorexia nervosa (AN) caracteriza-se por:
a) recusa em manter o peso mínimo normal adequado á idade e a altura ou acima deste;
b)medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo com peso inferior ao esperado;
c)perturbação no modo de vivenciar o peso, tamanho ou forma corporal. O peso ou formato
corporal exercem influencia indevida na auto avaliação ou há negação da seriedade do baixo peso
corrente;
d)nas mulheres pós-menarca, ocorre amenorreia, isto é, a ausência de pelo menos três ciclos
menstruais consecutivos, quando é esperado ocorrer o contrário.
2.2 Bulimia nervosa:
Trata-se da ingestão de uma grande quantidade de alimento alternado com comportamentos para
evitar o ganho de peso tais como vômitos e uso de laxantes.
Desde a primeira descrição da Bulimia Nervosa (BN) por Gerald Russell (apud Cordás, 2002), o
conhecimento deste quadro como entidade nosológica distinta tem avançado rapidamente, graças à
proliferação de grupos de pesquisa em vários países. Este fato é, principalmente, reflexo da importância
clinica e epidemiológica que a BN vem demonstrando, superando em numero de publicações, o
interesse pela sua “irmã mais velha”, a Anorexia Nervosa.
Para distinguir AN da BN são usados os seguintes critérios:
1. impulso irresistível de comer excessivamente;
2. evitação dos efeitos “de engordar” da comida pela indução de vômitos e/ou abuso de
purgativos, e
3.medo mórbido de engordar.
O aspecto principal da BN é a presença de episódios bulímicos com relatos de ingestão média de
três a quatro mil calorias por episódio, mas já foram descritos episódios com uma ingestão de até 20 mil
calorias (Mitchell et al, 1998).
Segundo o DSN-IV (American Psychiatric Association, apud Filho, 2009), a bulimia nervosa
caracteriza-se por:
a) episódios de “Binge-eating” recorrentes;
b)empenho recorrente em comportamentos compensatóriosinadequados para prevenir o ganho de
peso, tais como; uso de diurético, enemas ou outros medicamentos; dietas restritivas, jejum ou
exercícios excessivos.
c)os episódios de “Binge- eating” e comportamentos compensatórios inadequados devem ambos
ocorrer,
d)a
em
auto
média,
avaliação
pelo
é
menos
duas
inadequadamente
vezes
por
influenciada
semana
pelo
peso
durante
e
três
formato
meses;
corporal;
e)o distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de Anorexia Nervosa. O episodio de
compulsão alimentar é o sintoma principal e costuma surgir no decorrer de uma dieta para emagrecer.
Portanto, embora classificados separadamente, apresentam uma etiologia comum no que diz
respeito á excessiva preocupação com o peso.
Tabela 1 - Critérios diagnósticos para Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa pelo DSM-IV e
pela CID-10
Anorexia Nervosa
Perda de peso e recusa em manter o peso dentro da faixa normal Perda de peso e manutenção
abaixo do normal (IMC ≤17,5 kg/m2)
(≥85% do esperado)
Medo mórbido de engordar mesmo estando abaixo do peso Perda de peso auto induzida pela
evitação de alimentos que engordam
Perturbação na forma de vivenciar o baixo peso, influência indevida do peso Medo de
engordar e percepção de estar muito gorda(o)
Sobre a auto avaliação e negação do baixo peso
Amenorreia por 3 ciclos consecutivos Distúrbio endócrino envolvendo o eixo hipotálamohipofisário-gonadal
(amenorreia) e atraso desenvolvimento puberal
Subtipos: vômitos auto induzidos, purgação e uso de inibidores do apetite e/ou
1.restritivo (dieta e exercícios apenas) diuréticos podem estar presentes
2.compulsão periódica/purgativo (presença de episódios de compulsão e/ou
purgação além da dieta, exercícios)
Bulimia Nervosa
Episódios recorrentes de compulsão alimentar (excesso alimentar + perda de Episódios
recorrentes de hiperfagia (duas vezes/semana por três meses),
(controle) preocupação persistente com o comer e desejo irresistível de comida
Métodos compensatórios para prevenção de ganho de peso: indução de Uso de métodos
compensatórios para neutralizar ingestão calórica: vômitos,
vômitos, uso de laxantes, diuréticos, enemas, jejum, exercícios excessivos abuso de laxantes,
jejuns ou uso de drogas (anorexígenos, hormônios
ou outros tireoidianos ou diuréticos)*
Frequência dos episódios compulsivos e compensatórios: em média pelo menos Medo de
engordar que leva a busca de um peso abaixo do limiar ótimo ou
duas vezes/semana por três meses saudável
Influência indevida do peso/forma corporal sobre a auto avaliação *diabéticas podem
negligenciar o tratamento insulínico (evitando a absorção da
glicose sanguínea)
Diagnóstico de AN ausente
Subtipos:
1. Purgativo – vômitos induzidos, abuso de laxantes, diuréticos ou enemas
2. Não purgativo - apenas jejum e exercícios para compensar ingestão calórica
3.O gênero e suas faixas etárias mais atingidas
O medo obsessivo da obesidade faz com que cada vez mais mulheres controlem o peso corporal,
o gênero feminino, geralmente, é o mais vulnerável à aceitação das pressões sociais, econômicas e
culturais associadas aos padrões estéticos e, por isso, mais suscetíveis aos transtornos alimentares
representando 95% dos casos. A sociedade rejeita, discrimina e reprova pessoas obesas. As formas mais
descritas na literatura são: anorexia nervosa (AN), a bulimia nervosa (BN) e o transtorno de compulsão
alimentar periódica (TCAP).
A prevalência de bulimia nervosa clinicamente significativa em estudantes universitárias é muito
maior do que a observada na sociedade, correspondendo a aproximadamente 4,0% 8.10. A anorexia
nervosa é considerada rara, visto que a prevalência em mulheres jovens é de 0,5% 11.
Os homens também são acometidos, mas em proporções menores, representando apenas 10% dos
casos dos TA, os homens estão méis satisfeitos com seu corpo e os percebem com menos distorção.
Estudos epidemiológicos demonstram que os transtornos alimentares (anorexia nervosa, bulimia
nervosa e suas variantes) são quadros psiquiátricos que tem impacto principalmente em adolescentes e
jovens adultos do sexo feminino, levando a prejuízos biopsicossociais significativos e com elevadas
taxas de mortalidade e morbilidade.
Os TAs podem ser encontrados em atletas de alto nível, ginastas, jóqueis e corredores olímpicos
colocam-se ao lado de bailarinas profissionais entre as populações de maior prevalência.
Tabela 2- Características demográficas e socioeconômicas de estudantes de nutrição do sexo
feminino (n- 186). Santa Maria (RS), 2006.
Faixa etária
Idade (em anos)
17 - 20
21 - 25
26 - 30
Estudantes
n
%
69
94
18
38,0
50,0
10,0
31 - 41
Cor
Branca
Negra
Mulata
Amarela
Renda familiar (emsalários mínimos)
1 até 5
5 até 10
10 até 15
15 até 20
Acima de 20
Estado civil
Solteira
Casada
Divorciada
Total
5
2,0
174
1
5
6
93,0
0,5
3,0
3,0
41
64
46
22
13
22,0
34,0
25,0
12,0
7,0
170
13
3
91,0
7,0
2,0
186
100,0
4. Etiologia
A anorexia e a bulimia nervosa têm uma etiologia multifatorial, ou seja, determinados não só por
um mais por vários fatores que interagem entre si de forma complexa.
Esses fatores são divididos em: fatores predisponentes são aqueles que aumentam a chance de
aparecimento do transtorno alimentar, mas não o torna inevitável; os fatores precipitantes que marcam o
aparecimento dos sintomas do TA; e os fatores mantenedores que definem se o TA será perpetuado ou
não.
4.1 Fatores predisponentes
Tabela 3 - Fatores predisponentes
Individuais
Traços de Personalidade
Baixa autoestima
Traços obsessivos e
perfeccionistas (AN)
Impulsividade e instabilidade
afetiva (BN)
História de Transtornos Psiquiátricos
Depressão
Transtornos da ansiedade
(AN)
Dependência de substâncias
(BN)
Tendência à Obesidade
Alterações da Neuro-transmissão
Vias noradrenérgicas
Vias serotoninérgicas
Eventos Adversos
Abuso sexual
Familiares
Agregação Familiar
Hereditariedade
Padrões de Interação Familiar
Rigidez, intrusividade e evitação de conflitos (AN);
Desorganização e falta de cuidados (BN)
Socioculturais
Ideal Cultural de Magreza
Como mostra a tabela os fatores predisponentes te m como características, baixa autoestima,
obsessividade, perfeccionismo, passividade e introversão são comuns em pacientes com (AN)
permanecem estáveis após a recuperação do peso. As características da BN são diferentes:
sociabilidade, comportamento gregário de risco e impulsividade. Esses traços são consistentes com o
descontrole e a purgação (MORGANᵃ et al, 2002).
4.1.1 Fatores individuais
Tendência à obesidade
A tendência à obesidade pode aumentar a pressão sociocultural pela magreza,
afetar a autoestima e aumentar a prática de dietas restritivas, causando a vulnerabilidade para o
aparecimento de um TA (MORGANᵃ et al, 2002).
Eventos adversos
Diversos estudos já sugeriram que experiências sexuais adversas podem ser fatores
importantes na etiologia dos TA. (Fairburn apud Morgan et al,2002). O abuso sexual pode ser
considerado, fundamentando-se em (Connorsapud Lourenço et al, 2010), que a perda significativa de
peso em alguns indivíduos com experiência de abuso sexual poderá significar um desejo de ser
fisicamente pouco atraente, e consequentemente evitar contatos sexuais (Gonçalves, S. apud Lourenço
et al 2010).
4.1.2 Fatores na família e hereditariedade
Há a probabilidade de indivíduos com AN e BN terem parentes de primeiro grau que já tiveram
um dos TA cerca de 6% a 10% afirma (Gleitman, H et al apud Lourenço 2010), isso é chamado também
de agregação familiar. Parentes em primeiro grau de indivíduos com AN apresentam chance 11 vezes
maior de desenvolver o transtorno do que parentes de indivíduos saudáveis. Para a BN, o risco é 4
vezes maior(Strober apud Morgan, 2002).
Os estudos de agregação familiar dos TA implicam que há mecanismo de transmissão da doença
das famílias. Fatores genéticos têm sua importância, embora existam evidências demonstrando a
participação de fatores ambientais específicos na transmissão da doença. (Morganᵃ et al, 2002). Um
estudo longitudinal, que avaliou recém-nascidos e seus pais no que diz respeito aos fatores preditivos de
problemas alimentares na infância, (Agras apud Morgan et al, 2002) demonstrou que a insatisfação
corporal da mãe, a internalização do ideal de magreza, o comportamento de fazer dieta, os sintomas
bulímicos e maior índice de massa corporal da mãe e do pai podem aumentam a chance de
aparecimento de problemas alimentares na infância, o que pode aumentar o risco para TA no
futuro.(Morgan et al, 2002).
As anoréxicas nos seus relatos caracterizam suas famílias como estáveis, não conflituosas,
coesas e com afeto e carinho. (Gonçalves, S. apud Lourenço, 2010) por outro lado, (MINUCHIN et al.
Apud Lourenço, 2010) define as famílias das pacientes com AN com esta perturbação alimentar como
emaranhadas, onde existe um excessivo envolvimento e proteção, comprometendo assim a
individualização e controle da criança e do adolescente, e onde os membros são poucos autônomos. São
também rígidas na sua organização, apresentando poucas fronteiras interpessoais, e tendendo a evitar
discussões abertas ou discórdia entre os seus membros e ainda sendo caracterizadas pela excessiva
proteção e dificuldades nas fronteiras entre os seus membros (Gonçalves, S. apud Lourenço, 2010). Já
os pacientes bulímicos descrevem suas famílias como mais perturbadas, mal organizadas e se queixam
da falta de afeto e cuidados, características confirmadas pela observação externa. Contudo não é certo
se tais características estão presentes antes ou depois do estabelecimento do transtorno. (Lask apud
Morgan, 2002)
O papel das mães na formação da opinião de seus filhos quanto ao valor da aparência, do peso
da forma corporal também foi investigado (Morgan et al, 2002). Mães de pacientes com TA tendem a
ser mais criticas e preocupadas com relação ao peso de suas filhas, incentivando-as a fazer dietas mais
do que a s mães de filhas sem TA (Gowers apud Morgan, 2002).(Ricciardelli & McCabe apud Morgan,
2002) afirmam que a pressão exercida pela mãe é o principal fator preditivo de insatisfação corporal e
do engajamento em estratégias para modificar o corpo em adolescentes de ambos os sexos.
4.1.3 Fatores socioculturais
Mudanças na disponibilidade e no significado dos alimentos, mudanças no conceito de beleza
e supervalorização da magreza tem sido discutidos e considerados parte importante na etiologia dos TA.
A visão do alimento, unicamente, como fonte de energia e nutrientes tornou obsoleta sua importância
emocional e social na vida das pessoas (Alvarenga apud Cordás, 2004).
O padrão de beleza veiculado pelos meios de comunicação e pelo convívio social (família e
amigos), parecem exercer um efeito marcante principalmente sobre as mulheres.
4.2 Fatores precipitantes
A dieta para emagrecer é o fator precipitante mais frequente nos TA, sendo um comportamento
comum nas sociedades ocidentais, onde predomina o ideal de magreza.
(Morgan et al 2002).
A dieta para produzir um dos TA tem que interagir com um dos fatores já citados. Embora não
seja possível especificar como os fatores de risco se combinam para gerar a AN em alguns indivíduos e
a BN em outros, o desenvolvimento da BN parece estar associado também a uma propensão para a
obesidade e para a dificuldade no controle de impulsos. (Hsu apud Morgan, 2002).
Evento estressores
Tanto a AN como a BN parecem ser precedidas por uma maior frequência de eventos estressores
quando comparadas a controles normais. Eventos como gravidez, separações, perdas, doença, etc.
podem ter um papel desencadeador na BN por reforçar sentimentos de insegurança e inadequação.
(Welch apud Morgan, 2002) O impacto que os eventos podem ter sobre a patogênese dos TA depende
dos recursos que cada indivíduo possui para responder aos mesmos.Assim, indivíduos com AN tendem
a ter mais resistência diante de uma crise do que indivíduos com BN que apresentam mais ruminações
cognitivas.
4.3 Fatores mantenedores
Fatores psicológicos, interpessoais e culturais também atuam perpetuando o transtorno. Não se
pode esquecer, por exemplo, dos aspectos reforçadores produzidos pelo sucesso em controlar o pesotão valorizados culturalmente- em indivíduos que costumam vivenciar sentimentos de baixa autoestima
e sensação de falta de controle e sobre a própria vida.
Tabela 4 - Fatores mantenedores
Fisiológicos
Privação alimentar favorece episódios de
compulsão alimentar
Episódios de compulsão alimentar
interferem no metabolismo da
glicose e insulina
Psicológicos
Privação alimentar desencadeia
pensamentos obsessivos sobre
comida e maior necessidade de controle
Culturais
Magreza vista como símbolo de sucesso
5.Reabilitação nutricional na anorexia nervosa
Os pacientes com AN apresentam uma série de dificuldades para lidar com alimento, medo,
crenças errôneas e distorções sobre alimentação e nutrição. Os pacientes costumam afirmar ter grandes
conhecimentos sobre alimentação, mas tais “conhecimentos” estão restritos a conteúdo calórico e dietas
de emagrecimento. A terapia nutricional deve ajudar o paciente a entender suas necessidades
nutricionais, bem como ajudar a iniciar uma escolha alimentar por meio de um aumento da variedade na
dieta e da prática de comportamentos adequados. Uma técnica efetiva envolve mudança das crenças
errôneas e ajuda o paciente a ter percepções e interpretações mais adequadas de dieta, nutrição e relação
entre inanição e sintomas físicos. O padrão dietético encontrado é de uma ingestão alimentar baixa em
calorias e em nutrientes em geral quando comparados a controles; além disto, costumam não ter
regularidade para suas refeições, com grande variabilidade de padrões dietéticos. Apesar deste padrão
errôneo de alimentação, as deficiências de vitaminas e minerais são raras. Um guia de planejamento de
refeições individualizado provê ajuda para a escolha de alimentos. É preciso tomar cuidado com a
síndrome da realimentação: ela é caracterizada por hipofosfatemia grave e súbita, quedas súbitas em
potássio e magnésio, intolerância a glicose, hipocalcemia, disfunção gastrointestinal e arritmias
cardíacas. A retenção de água durante a realimentação deve ser antecipada e discutida com o paciente.
A realimentação com alimentos é a primeira escolha para a recuperação do peso e é muito mais bem
sucedida na recuperação a longo prazo. A meta principal é ajudar o paciente a normalizar seu padrão
alimentar e aprender que a mudança de comportamento deve envolver planejamento e prática com
alimento real.A reabilitação nutricional se propõe a alcançar uma dieta balanceada e suficiente para
atender as necessidades do paciente e recuperar o estado nutricional debilitado pela doença feita de
forma gradativa envolvendo diretamente o paciente e seusresponsáveis. As combinações são avaliadas
pelas informações trazidas no diário alimentar, juntamente com o peso de cada atendimento eatravés
dediscussõescom a equipe multidisciplinar.
.
Tabela 5 - Modelo de diário alimentar
Data
Horas
O que?
O que comeu
e quanto
Compulsão
alimentar?
Purgação
Sentimento
associado
No início do tratamento com frequência semanal, o pacienteé atendido pelo nutricionista
concomitantementee sempre que possível, com a presença de um psiquiatra e um psicólogo. Essa
estratégia torna o atendimento mais completo e amplo, facilitandoa obtenção de informações sobre o
curso da doença, comportamentos alimentares e purgativos envolvidos no quadro e estado emocional.
É utiliza instrumentos de orientação alimentar como a Roda de Alimentos associado ao registro
alimentar para acompanhar a evolução dietética, enfatizando a importância de uma alimentação
saudável e equilibrada nos diversos grupos de alimentos para o restabelecimento das condições
nutricionais.
O nutricionista participa de todo processo de planejamento das refeições, ajudando o
paciente a consumir uma dieta adequada e monitorando o balanço energético, assim como o ganho de
peso. Deve-se ajudar o paciente a normalizar o seu padrão alimentar e aprender que a mudança de
comportamento deve sempre envolver planejamento e o contato com os alimentos (ADA, 2001).
6. Reabilitação nutricional na bulimia nervosa
Os objetivos da terapia nutricional na bulimia nervosa (BN) são: diminuir as compulsões,
minimizar as restrições alimentares, estabelecer um padrão regular de refeições, incrementar a
variedade de alimentos consumidos, corrigir deficiências nutricionais e estabelecer práticas de
alimentação saudáveis (ADA, 1994; ADA,
2001; Latner & Wilson, 2001). A abordagem pode ser dividida em alguns pontos chave: a)
educação sobre a BN, suas consequências e sobre alimentação e nutrição;
b) redução da preocupação com peso e aumento da aceitação de seu próprio corpo;
c) monitoramento da alimentação por meio do diário alimentar e;
d) estabelecimento de um plano alimentar regular (Story apud Alvarenga, 2002).
É interessante mostrar ao paciente quais são as recomendações de consumo de energia, para
que ele possa perceber que o valor energético da maioria das dietas é inferior às necessidades. As
consequências metabólicas da restrição devem ser explicadas aos pacientes.
A doença usualmente tem como início uma dieta para emagrecimento em razão de excesso
de peso real ou imaginário. É importante, portanto, conhecer as dietas já realizadas pelo paciente, bem
como suas crenças, tabus e/ou restrições alimentares.
Pacientes com BN possuem imensa insatisfação corporal, sendo que alguns também têm
distorção da imagem corporal (Cash e Deagle apud, 1997), o que deve ser trabalhado em uma
intervenção nutricional.
O nutricionista deve pesar o paciente regularmente. É comum ocorrer retenção de fluidos
quando o paciente reduz o consumo de diuréticos e/ou laxantes e a prática de vômitos. Deve ser
explicar que este aumento é transitório e não corresponde a um aumento da adiposidade (Gendall et al.,
apud Latterza, 2004). Também deve ser discutido qual é o peso ideal para o paciente, com base na sua
compleição física e histórico de peso. É importante que o paciente compreenda que o peso ideal é
determinado em função da sua saúde, e não de padrões de beleza ou exigências pessoais desmedidas.
As técnicas utilizadas no tratamento objetivam a normalização do padrão alimentar e o
desenvolvimento de estratégias para controle de episódios de compulsão alimentar e dos
comportamentos compensatórios.
O tratamento nutricional deve visar à promoção de hábitos alimentares saudáveis, a
cessação de comportamentos inadequados (como a restrição, a compulsão e a purgação) e a melhora na
relação do paciente para com o alimento e o corpo.
Conclusão
Ao analisarmos a família como uma forma de influência na anorexia nervosa e bulimia nervosa
podemos concluir que a mesma não é um fator mantenedor e nem precipitante dos transtornos
alimentares e sim um fator predisponente com a capacidade apenas de aumentar a chance do
aparecimento dos TAs, mas não o torna inevitável.
Referências bibliográficas
ABREU, Cristiano N.; FILHO, Raphael C.Anorexia nervosa e bulimia nervosa –abordagem cognitivoconstrutivista de psicoterapia.Revista de Psiquiatria Clinica v. 31 (4): p.177-183, 2004.
ALVARENGA, Marle; LARINO, Maria A. Terapia nutricional na anorexia e bulimia
nervosas.Revista Bras. Psiquiatria v.24 (Supl. III): p. 39-43, 2002.
APPOLINARIO, Jose C.; BACALTCHUK, Josue. Tratamento farmacológico dos transtornos
alimentares.Revista Bras. Psiquiatria v.24 (Supl. III): p.54-9, 2002.
CLAUDINO, Angélica de M.; BORGES, Maria B. F. Critérios diagnósticos para os transtornos
alimentares: conceitos em evolução.Revista Bras. Psiquiatria v.24 (Supl. III): p.7-12, 2002.
CORDÁS, Táki A.; CLAUDINO, Angélica de M. Transtornos alimentares: fundamentos
históricos.Revista Bras. Psiquiatria v.24(Supl. III): p. 3-6, 2002.
CORDÁS, Táki A.; QUEIROZ, Gisele K. O.; FIGUEREDO, M.;DIDONE, N.;Transtornos
Alimentares:
Epidemiologia,
Etiologia
e
Classificação.http://www.Racine.com.br>>nutricaoclinica/. 2010.
COSTA, R. A. N.; LAMELA, Diogo J. P. do V.; GIL-COSTA, Laura. Teoria e eficácia da terapia
comportamental dialética na bulimia nervosa e no transtorno da compulsão alimentar periódica.J
Bras. Psiquiatria v.58(2): p.122-127, 2009.
DUCHESNE, Mônica;ALMEIDA, Paola E. de M. Terapia cognitivo-comportamental dos transtornos
alimentares.Revista Bras. Psiquiatria v.24 (Supl. III): p.49-53, 2002.
FERNANDES, Luciano C. Etiologia da Anorexia Nervosa. http://educacaofisica.org/joomla/.19,
março, 2007.
FILHO, Thomé E. T.; MAGALHÃES, Paulo M. da S.; TAVERES, Bruno M. A Terapia CognitivoComportamental e seus efeitos no tratamento dos transtornos do comportamento alimentar.Revista
de Psicologia da IMED, vol.1, n.2, p. 160-168, 2009.
GONÇALVES, Tatiane D.; BARBOSA, Mariana P.; ROSA, Luiz C. L.; RODRIGUES, Alexandra
M.Comportamento anoréxico e percepção corporal em universitários.J Bras. Psiquiatria v. 57(3):
p.166-170, 2008.
IDA, Sheila W. Anorexia e bulimia: uma perspectiva social. http:// www.lume.ufrgs.br/10183/14279/.
Porto Alegre, 2008.
KIRSTEN, Vanessa R.; PORTA, Nádia B. D.; FRATTON, Fernanda. Transtornos alimentares em
alunas de nutrição do Rio Grande do Sul. Revista de Nutrição. Campina, mar./abr., 2009.
LATTERZA, A.R.; DUNKER, K.L.L.; SCAGLIUSI, F.B.; KEMEN, E. Tratamento nutricional dos
transtornos Alimentares.Revista de Psiquiatria Clinica. v.31 (4); p.173-176, 2004.
LOURENÇO, Elsa; SALSA, Margarida; MENDES, Claúdia. Anorexia Nervosa: Para além da imagem
refletida no espelho. http://www.psicologia.com.pt/. 13,fevereiro, 2010.
MORGAN, Christina M.; VECCHIATTI, Ilka Ramalho; NEGRÃO, André Brooking. Etiologia dos
transtornos alimentares: aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais. Revista de Psiquiatria
Clínica. v. 24 (Supl. III),
p. 18-23, 2002.
PINZON, V.; GONGAZA, A.P.; COBELO, A.; LABADDIA, E.; BELLUZO, P.; FLEITLICH-BILYK,
B. Peculiaridades do tratamento da anorexia e da bulimia nervosa na adolescência: a experiência
do PROTAD.Revista de Psiquiatria Clinica v.31 (4); p.167-169, 2004.
SANTOS, Carlos M. T.; ALMEIDA, Glessiane de O. Anorexia Nervosa: uma Revisão Bibliográfica.
Psicologia &m foco, Aracaju, Faculdade Pio Décimo, v. 1, n. 1, jul./dez. 2008.
SICCHIERI, Juliana M. F.; BIGHETTI, Felícia; BORGES, Nádia Juliana B. G.; SANTOS, José E. dos;
RIBEIRO, Rosane P. Pessa. Manejo nutricional nos transtornos alimentares. Simpósio:
Transtornos alimentares: anorexia e bulimia nervosas, cap. VIII Medicina, v.39 (3): 371-4, jul./set.
2006.
TEIXEIRA, Paulo C.; COSTA, Fernandes da; MATSUDO, Sandra M.M.;CORDÁS, Táki A.A prática
de exercícios físicos em pacientes com transtornos alimentares. Revista de Psiquiatria Clínica v.36
(4):p.145-52, 2009.
Download
Random flashcards
paulo

2 Cartões paulonetgbi

A Jornada do Herói

6 Cartões filipe.donner

teste

2 Cartões juh16

Criar flashcards