monitoração na odontologia

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MONITORAÇÃO NA ODONTOLOGIA
DR. JORGE LIPORACI JR.
Graduado pela FORP-USP, Especialista e Mestre em Cirurgia Buco-Maxilo-Facial pela FORP-USP, Doutorando
em Ciências Médicas (Ortopedia, Traumatologia e Reabilitação) pela FMRP-USP, Professor da APCD-Ribeirão
Preto, Franca e São Carlos.
A monitoração do paciente no atendimento
odontológico tem ganhado destaque crescente,
sobretudo na clínica cirúrgica. Monitorar significa
acompanhar, controlar, dar valor a algo, acompanhar
detalhadamente uma ação em andamento. A palavra
monitor vem do latim: monitum e significa “aquele
que dá conselho, que faz pensar, que adverte, que
lembra”. Nesse sentido, monitorar adverte para erros
que possam ocorrer, ajudando a prevenir situações de
risco.
O paciente saudável e com estabilidade
clínica recupera-se bem de procedimentos
odontológicos com baixos índices de complicações
de uma maneira geral. Entretanto, é sabido que
alterações sistêmicas podem prejudicar a resposta ao
procedimento odontológico, resultando em
complicações para saúde e colocando o paciente em
risco.
Cada vez mais atendemos pessoas idosas e/ou
sistemicamente comprometidas sendo que as
reabilitações ficaram mais complexas e o tratamento
odontológico mais prolongado (tanto a duração das
consultas quanto o tempo total do tratamento).
Devido a estes fatores, aumentam as chances de
emergências médicas na clínica odontológica.
A monitoração pré-operatória inicia-se
com a anamnese (pesquisando a história de saúde do
paciente, medicamentos que ele faz uso, etc.) e exame
físico que inclui a avaliação dos sinais vitais: pulso,
pressão arterial, freqüência respiratória e temperatura
(Tabela 1). Após essa fase, o profissional deve
classificar o estado de saúde do seu paciente, o risco
operatório e a necessidade de alterações do plano de
tratamento e tomada de decisão clínica para reduzir as
chances de complicações sistêmicas. Isso inclui a
solicitação de exames laboratoriais, avaliação médica
quando indicada, pré-medicações, seleção adequada
de anestésicos locais, utilização de analgesia e sedação
consciente ou mesmo atendimento em nível
hospitalar.
A monitoração trans-operatória não
significa apenas aferir sinais vitais e não somente se
fixar em números, mas sim interpretá-los de uma
maneira mais ampla juntamente com os sinais e
sintomas do paciente. Por exemplo, a pressão arterial
e a pulsação aumentam caso o paciente esteja
sentido dor. Entretanto, é necessário diferenciar se
a hipertensão é momentânea devido à dor e/ou à
ansiedade, ou ainda se o paciente está
desenvolvendo uma emergência hipertensiva de
base. De qualquer forma, é uma informação útil
para definir a necessidade de mais analgesia
(anestesiar mais um pouco, sedar o paciente
ansioso) ou interromper o procedimento para
prestar atendimento dessa emergência médica. É
fundamental conversar e interagir com o paciente
durante o tratamento. Observar suas pupilas (aumento
no diâmetro significa estresse), reações
comportamentais como expressões faciais, a posição
de suas mãos e pernas - que podem significar
ansiedade ou medo - (Figura 1). Perguntar sobre o
conforto dele na cadeira, alterações de consciência
(como tonturas), falta de ar, se está sentido dor, etc.
Figura - 1, Manifestação Comportamental da Ansiedade
E v i d e n t e m e n t e , n ã o s e d e v e p e rg u n t a r
excessivamente para o paciente (pois isso pode deixálo preocupado e tenso), mas devemos estar vigilantes
quanto aos sinais e algumas vezes, perguntarmos
discretamente sobre eventuais sintomas durante o
procedimento operatório, não ignorando suas
queixas.
A monitoração pós-operatória visa avaliar
se o paciente está apto a deixar o consultório, sendo
que o nível de consciência e padrão hemodinâmico
(freqüência cardíaca, pressão arterial, saturação de
oxigênio) deve ser estável para liberá-lo. Além da
importância para a saúde, a monitoração tem valor
Odonto-Legal uma vez que comprova as condições
que o paciente apresentava quando deixou o
consultório, principalmente se foi utilizada sedação
consciente.
A temperatura deve ser aferida em casos de
suspeita de infecção, mas por si só é inespecífica,
necessitando de dados complementares como a
pesquisa de um possível foco infeccioso bucal.
Podemos monitorar a pressão arterial por meio de
estetoscópio e esfignomanômetro (figura 2), ou ainda
utilizarmos aparelho digital de pressão que fornece
também a pulsação (frequência cardíaca) (figura 3). A
frequência respiratória pode ser avaliada por meio da
visualização direta dos movimentos torácicos, sendo
que esta pode estar aumentada em casos de infecção e
crises de hiperventilação.
Figura - 2, Avaliação de Pressão Arterial por meio de
estetoscópio e esfignomanômetro
Figura - 3, Avaliação de Pressão Arterial e Paulsação
por meio de aparelho digital
Existem aparelhos denominados oxímetros de
pulso de variados tipos, sendo que os mais básicos
fornecem a frequência cardíaca e a saturação de
oxigênio constantemente (Figura 4). Podem ser
detectadas taquicardias (ritmo acima de 90 batimentos
por minuto) ou bradicardias (ritmo abaixo de 60
batimentos por minuto). A saturação de oxigênio
(quantidade de oxigênio ligada à hemoglobina)
normal está entre 97 a 100%, e as situações de risco
podem ocorrer quando a mesma está abaixo de 90% e
caindo. Dessa forma, uma queda progressiva de
saturação de oxigênio significa que o profissional
deve interromper o procedimento e avaliar o estado
geral do paciente, pois o mesmo pode estar entrando
em insuficiência ou parada respiratória, necessitando
de suporte básico de vida a ser realizado pelo
Cirurgião-Dentista enquanto o se aguarda o
atendimento médico de emergência.
Figura - 4, O xímetro de P ulso que for nece a satura ção
de oxigênio n o sangue e fr equência card íaca
Quem não pode ter um aparelho tipo oxímetro
deve ao menos possuir o estetoscópio e
esfignomanômetro para aferição da pressão arterial e
medir a freqüência cardíaca por meio da pulsação
radial durante 1 minuto (Figura 5).
Figura - 3, Avaliação de Pressão Arterial e Paulsação
por meio de aparelho digital
O uso da tecnologia envolve um investimento
válido em segurança para o profissional e seus
pacientes. Vale salientar que mais importante do que
os números é a interpretação adequada do cenário
clínico para monitoração efetiva. E que muitas
situações de risco passam despercebidas aos olhos
do profissional não pela falta de conhecimento, mas
sim pela falta de preocupação.
Tabela 1: Valores Médios de Sinais Vitais
para Adultos
Sinais Vitais no Adulto
(unidades)
Valores Normais
(média)
Pulso
(Batimentos Por Minuto)
60-90
Pressão Arterial
(mm Hg)
Sistólica 110-135
Diastólica 70-85
Frequencia Respiratória
(Respirações
por Minuto)
12-18
Temperatura
(ºC)
36-37,8
Bibliografia Recomendada:
1. Guyton & Hall. Textbook of Medical Physiology. 11
ed. 2006.
2. Goodman & Gilman's. The Pharmacological Basis
of Therapeuthic. 11 ed. 2006.
3. Malamed & Robbins. Medical Emergencies in
the Dental Office. 5 ed. 2000.
4. Braunwald. Tratado de Medicina Cardiovascular. 5
ed. Vol. I e II. 1999.
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