ZOONOSES

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ZOONOSES
1 - INTRODUÇÃO
Geralmente utiliza-se a definição de zoonose para todas aquelas doenças que são transmitidas entre os
homens e os animais. Muitas relações entre o hospedeiro e o agente patológico não causam sintomas
porque ambos estão envolvidos numa situação de equilíbrio. O estresse pode enfraquecer a resistência
do hospedeiro e o agente se multiplica excessivamente, resultando na doença. A transmissão de
doenças pode ser facilitada quando são utilizados métodos intensivos de produção, concentrando um
grande número de animais. Nessas situações, um agente patogênico pode se alastrar rapidamente na
população animal, podendo alcançar inclusive o homem (ANDREWES & WALTON,1977). Por essas
razões é que se tem grande preocupação no diagnóstico e controle das zoonoses, principalmente em
criações intensivas, como na suinocultura.
2 - TRANSMISSÃO DA INFECÇÃO
A transmissão de agentes infecciosos entre o homem e os animais pode ocorrer de diversas formas:
• Artrópodes, particularmente mosquitos, carrapatos e pulgas, que podem ter importante participação na
transmissão de riquétsias e vírus;
• Por aerossóis, contendo o agente que penetra diretamente pelo trato respiratório superior ou,
indiretamente, através do contato com lesões na pele;
• Através do contato da pele e mucosas com secreções ou ambiente contaminados com o agente;
• Via fecal-oral, através da ingestão;
• Transmissão por mordida de um animal.
3 - ZOONOSES DE IMPORTÂNCIA NOS SUÍNOS
Até o momento existem mais de 40 zoonoses relatadas envolvendo suínos, sendo algumas de etiologia
bacterianas ou viral e outras parasitárias. No primeiro grupo estão a meningite estreptocócica, influenza,
micobacterioses, brucelose, erisipela, leptospirose e salmonelose. As parasitárias incluem a triquinelose,
tungíase, toxoplasmose e cisticercose. Existem outras zoonoses de importância relativamente menor no
nosso meio, como as causadas por Bacillus anthracis, Clostridium perfringens, Cytomegalovirus,
Pasteurella multocida, Brachyspira pilosicoli, Staphylococcus spp. e Yersinia spp.
3.1 - Meningite Estrepocócica
A meningite estreptocócica é uma doença infecto-contagiosa que atinge principalmente leitões nas fases
de maternidade, creche e crescimento-terminação. O agente etiológico é o Streptococcus suis (S. suis),
sendo, atualmente, um dos patógenos mais importante nas criações tecnificadas de suínos. O S. suis
apresenta 35 sorotipos, porém nem todos têm a mesma virulência. O agente está disseminado em todo
o mundo, inclusive no Brasil, onde o sorotipo mais prevalente é o 2 (SOBESTIANSKY et al., 1999). O
número de casos diagnosticados tem aumentado ano a ano, a partir de 1990.
O habitat natural do S. suis é o trato respiratório superior (tonsilas e cavidade nasal), trato digestivo e
genital. Geralmente a doença é introduzida nos rebanhos através de suínos portadores, clinicamente
sadios (leitoas de reposição, cachaços, leitões). Embora a maioria dos suínos em uma granja infectada
possa albergar o S. suis nas tonsilas ou no aparelho respiratório, a ocorrência da doença é, geralmente,
inferior a 5%, podendo chegar a 50%. Os focos costumam aparecer quando animais suscetíveis, sob
condições de estresse, são expostos ao agente eliminado pelos suínos portadores (LEMAN et al., 1992).
Apesar do suíno ser o principal reservatório do S. suis, outras espécies podem ser infectadas, inclusive o
homem. A via de infecção mais comum é a respiratória. Através desta, o S. suis atinge as tonsilas, que
servem de porta de entrada para a bactéria.
Nos suínos a doença é mais comum em leitões com idade entre 5 a 10 semanas. Os sinais mais
precoces são hipertermia (42.5ºC), podendo ser acompanhado de bacteremia ou septicemia, que pode
persistir por 3 semanas. Durante este período, normalmente há febre flutuante, inapetência, depressão e
claudicação em alguns animais. Em casos hiperagudos os animais podem simplesmente ser
encontrados mortos, sem sintomatologia anterior. É comum observar sinais nervosos, como
incoordenação motora, desequilíbrio, movimentos de pedalagem, opistótomo, convulsões e nistagmo.
Septicemia, artrite e pneumonia também podem ser vistas, porém com menos freqüência (STRAW et al.,
1999).
No homem, a meningite estreptocócica é considerada uma doença profissional, atingindo, geralmente,
pessoas que trabalham em contato direto com suínos (veterinários, produtores, açougueiros,
trabalhadores de frigoríficos). As manifestações mais comuns em humanos são a meningite, seguida por
septicemia e endocardite. A maioria dos casos em humanos é atribuída ao tipo capsular 2, que é o de
maior ocorrência no Brasil. A rota mais freqüente de transmissão é através de lesões na pele, porém a
simples lavagem do local com sabão inativa o S.suis (LEMAN et al., 1992). Existe o registro de 148
pessoas infectadas pelo agente, em 15 países, todas trabalhavam com produção ou abate de suínos
(AMASS et al., 1998).
3.2 - Influenza Suína
A influenza, também conhecida como gripe suína, é uma doença infecciosa aguda do trato respiratório,
que é causada por um vírus da família Orthomyxoviridae do tipo A. É uma zoonose e está amplamente
disseminada na Europa Central e América do Norte (LEMAN et al., 1992). No Brasil existem poucos
registros desta doença até o momento, porém observações clínicas a campo nos proporcionam fortes
indícios de que a doença está presente.
A incidência da gripe suína é maior no outono, inverno e início da primavera. A transmissão do vírus se
dá diretamente, de suíno para suíno, através de aerossóis que atingem a via nasofaringeana. A
morbidade pode chegar a 100%, porém a mortalidade é menor que 2%. Normalmente, os surtos estão
associados à introdução de novos animais no rebanho (STRAW et al., 1999).
O vírus da influenza suína (SIV) é sensível a solventes de lipídeos, sabões, detergentes, luz UV e cloro
(SOBESTIANSKY et al., 1999).
Segundo LEMAN et al. (1992), no suíno a doença é caracterizada por aparecimento súbito, tosse,
dispnéia, febre, prostração e rápida recuperação. Quando o vírus está sozinho as lesões se
desenvolvem rapidamente no trato respiratório e regridem em poucos dias, causando apenas uma
doença respiratória benigna, porém quando se associa ao Actinobacillus pleuropneumoniae ou
Pasteurella multocida, pode causar doença severa, havendo a possibilidade de levar à morte do animal.
Acredita-se que o SIV circula entre os animais, onde sofre rearranjos e recombinações genéticas e a
partir daí venha a infectar seres humanos. Em 1918 houve uma epidemia de influenza que foi
responsável pela morte de, aproximadamente, 20 milhões de pessoas no mundo. Apresentava sinais
clínicos e lesões muito semelhantes com o da influenza suína (LEMAN et al., 1992). STRAW et al.
(1999) afirmam que em 1976 foi claramente demonstrado que o SIV foi transmitido de suínos para
humanos, causando doença respiratória aguda. Através de evidências sorológicas foi demonstrado que
pessoas em contato com suínos podem infectar-se com SIV.
3.3 - Micobacterioses
As micobacterioses dos suínos são infecções que provocam lesões granulomatosas, localizadas
principalmente, nos linfonodos mesentéricos e da cabeça. São provocadas por bactérias do gênero
Mycobacterium. As micobactérias são classificadas em dois grupos: as tuberculosas, que são M. bovis e
M. tuberculosis, e as não-tuberculosas ou atípicas, incluindo-se M. avium, M. intracellulare, M. fortuitum,
M. scrofulaceum e M. silvaticum, entre outros. O grupo dos ativos é considerado de menor importância
como zoonose. Suínos são suscetíveis à infecção por M. tuberculosis, M. bovis e M. avium, sendo este
último o de maior importância nas criações tecnificadas (LEMAN et al., 1992).
Em estudo recente feito na região sul do Brasil, examinando suínos abatidos em frigoríficos sob
Inspeção Federal, de 111 amostras de bactérias isoladas, 107 (96,4%) eram M. avium e apenas 4 (3,6%)
M. bovis (SOBESTIANSKY et al., 1999).
A importância das micobacterioses tem aumentado muito nos últimos anos, devido ao seu potencial
zoonótico e pelos prejuízos provocados aos produtores e às indústrias, em função da depreciação das
carcaças afetadas. Na região Sul do Brasil, a prevalência estimada entre os suínos abatidos, durante o
ano de 1996, foi de 0,9% (SOBESTIANSKY et al., 1999).
A ocorrência de infecção por micobactérias em suínos está relacionada com a possibilidade de contato
direto ou indireto com bovinos, humanos, aves ou outros suínos contaminados por micobactérias. A
principal via de infecção para os suínos é a digestiva, através da ingestão de leite ou produtos lácteos
contaminados, resíduo de cozinha e frigorífico, fezes de aves ou de bovinos (ACHA & SZYFRES, 1977).
O contato com solo, água e materiais usados para cama, como a serragem ou a maravalha, pode ser
fonte de contaminação, principalmente do M. avium. (LEMAN et al., 1992).
Suínos infectados pelo M. avium apresentam lesões que normalmente ficam limitadas aos linfonodos do
sistema digestivo e da cabeça, apresentando-se como pequenos nódulos amarelados, caseosos,
variando do tamanho da cabeça de um alfinete até atingir todo o linfonodo. As lesões causadas por M.
bovis e M. tuberculosis, geralmente, provocam lesões disseminadas em outros órgãos como fígado,
baço e pulmão. Porém, macroscopicamente é muito difícil diferenciar as lesões causadas pelas distintas
micobactérias.
A infecção causada pelo complexo Mycobacterium avium, tem interesse especial devido ao aumento de
isolamento deste agente em pacientes infectados com o vírus HIV (STRAW et al., 1999). Nestes
pacientes, pode causar uma enfermidade pulmonar crônica, linfadenite e disseminação hematógena,
podendo afetar outros tecidos (ACHA & SZYFRES, 1986).
3.4 - Brucelose
A brucelose é uma doença de origem bacteriana, que causa graves transtornos reprodutivos, tais como,
aborto, endometrite, orquite, perda da libido e infertilidade (STRAW et al.,1999). O agente etiológico da
brucelose em suínos é a Brucella suis, que é subdividida em 5 sorotipos, sendo que o suíno é o
hospedeiro mais freqüente para os sorotipos 1 e 3. A B. abortus também pode infectar os suínos, porém
é menos patogênica (ACHA & SZYFRES, 1986).
É uma doença que ocorre em vários países do mundo, onde suínos são criados de modo selvagem ou
doméstico. No início do século foi considerada uma doença de grande importância, causando
consideráveis perdas econômicas. A partir de 1950 começaram programas de erradicação da doença
que, aliado a trocas de manejo, foram reduzindo e até mesmo eliminando essa doença em alguns
países. Nos Estados Unidos, Europa e Austrália existe uma baixa prevalência da brucelose suína. A
doença está amplamente disseminada na América Latina, que é causada predominantemente pelo
sorotipo 1. Na África a doença ocorre em alguns países, porém o número de suínos é pequeno. Na Ásia,
particularmente no sul, existe uma alta prevalência da doença, causada pelo sorotipo 1 e 3 (LEMAN et
al., 1992).
Os suínos estão suscetíveis à brucelose a partir dos quatro a cinco meses de idade (aproximação da
puberdade). A doença apresenta uma morbidade alta, que se situa entre 50 a 80%. As vias mais
importantes de infecção são a digestiva e a genital. A bactéria é transmitida de suíno para suíno,
principalmente pela ingestão de alimentos ou água contaminados por descargas vulvares, ou pela
ingestão de fetos abortados e membranas fetais. Cachaços com infecção nos órgãos genitais podem
transmitir a doença através do sêmen (SOBESTIANSKY et al., 1999). Os suínos infectados apresentam
febre regular ou intermitente, sendo que os sinais clínicos podem ser transitórios e a morte é de rara
ocorrência. O aborto pode ocorrer em qualquer período da gestação, sendo mais influenciado pelo
tempo de exposição ao agente do que pelo período da gestação.
O homem se contamina através do contato direto com animais infectados ou indiretamente, através da
ingestão de produtos de origem animal ou, mais raramente, por inalação de aerossóis. A brucelose suína
tem um risco proporcionalmente maior que a brucelose bovina, pois apresenta um maior grau de
patogenicidade para humanos. Existe um grande número de B. suis nos tecidos, proporcionando uma
grande área de exposição para as pessoas que estão em contato com suínos. A infecção por B. suis em
humanos é uma doença ocupacional, atingindo produtores, veterinários e trabalhadores de frigoríficos
(LEMAN et al., 1992). É uma enfermidade septicêmica, que começa de forma brusca, manifestando-se
com febre contínua ou intermitente, com calafrios e suadores. Cursa com sintomatologia nervosa, como
irritação, nervosismo e depressão. Os sintomas mais comuns em humanos são insônia, impotência
sexual, constipação, anorexia e dores generalizadas.
3.5 - Erisipela
A erisipela, também conhecida como ruiva, é uma enfermidade do tipo hemorrágica, causada pela
bactéria Erysipelothrix rhusiopathiae, um bacilo gram-positivo, que provoca septicemia aguda ou
subaguda e lesões crônicas proliferativas. O E. rhusiopathiae ocorre em várias partes do mundo, onde
são produzidos suínos domesticados. O agente causa também poliartrite em ovinos e morte em perus.
Foi isolado de órgãos de mamíferos domésticos e selvagens, pássaro, répteis, anfíbios e na superfície
corporal de peixes. (LEMAN et al., 1992)
O principal reservatório do E. rhusiopathiae é o suíno doméstico. Entretanto, mamíferos selvagens e
pássaros também podem ser fonte de infecção. É estimado que 30 - 50% dos suínos sadios alojam o E.
rhusiopathiae nas tonsilas e outros tecidos linfóides, e podem eliminar a bactéria nas fezes e secreções
oronasais, criando uma importante fonte de infecção. As bactérias contaminam o solo, a água, a cama e
os alimentos, que servem como fonte de infecção (SOBESTIANSKY et al., 1999). A penetração do
agente ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados, bem como através de ferimentos na
pele.
Em suínos, a doença é caracterizada por septicemia, lesões cutâneas, poliartrites, lesões nas válvulas
cardíacas, pode ocorrer aborto e lesões de células espermiogênicas.
Em humanos, E. rhusiopathiae causa o erisipelóide, uma lesão eritematosa e edematosa de pele,
localizada, ocorrendo geralmente nas mãos e dedos, podendo haver inflamação nas articulações da
região. É caracterizada como uma doença ocupacional, infectando pessoas que trabalham com
manipulação ou processamento de carne, agricultores, veterinários, trabalhadores de curtumes e
laboratoristas (ACHA & SZYFRES, 1986). A bactéria foi ocasionalmente isolado em casos de
endocardite, mas raramente causa doença septicêmica aguda em humanos. A infecção ocorre através
de ferimentos na pele, sendo muito resistente a outras vias de penetração (STRAW et al., 1999).
3.6 - Leptospirose
A leptospirose é uma doença infecciosa, caracterizada, principalmente, por transtornos reprodutivos, tais
como abortos, natimortos, fetos mumificados e nascimento de leitões fracos, que dificilmente
sobrevivem.
A doença é causada por uma espiroqueta aeróbica. Atualmente, existem identificados 23 sorogrupos da
Leptospira interrogans, onde estão agrupados os diferentes sorotipos. Os mais comumentes
encontrados infectando suínos e causando transtornos reprodutivos são os sorotipos L. pomona, L.
icterohaemorrhagiae, L. tarassovi, L. canicola, L. gryppotyphosa, L. bratislava e L. muenchen (ACHA &
SZYFRES, 1986). A leptospirose é uma importante causa de prejuízos em rebanhos de reprodução e
ocorre em suínos de todas as partes do mundo, no entanto, o impacto econômico da doença está restrito
a criações industriais do hemisfério Norte, Nova Zelândia, Argentina e Brasil (LEMAN et al., 1992).
A urina de um suíno infectado pode eliminar grande quantidade de leptospiras entre 30 e 60 dias após a
infecção, disseminando rapidamente o agente numa granja. Os portadores podem eliminar leptospiras
intermitentemente, até vários meses após a infecção (SOBESTIANSKY et al., 1999).
Segundo SOBESTIANSKY et al (1999), os suínos são considerados reservatórios de leptospiras,
inclusive para outras espécies e para o homem, devido às seguintes peculiaridades:
• Quando infectados, apresentam prolongado período de leptospiremia, que não é acompanhado de
sintomas;
• A urina, aos 20-30 dias após a infecção, contém alto título de leptospiras viáveis;
• Podem eliminar leptospiras na urina por período superior a um ano.
Roedores e animais silvestres atuam como portadores de leptospiras. Os ratos, que podem excretar
leptospiras vivas pela urina, são uma freqüente fonte de infecção tanto para o suíno como para o
homem. Os suínos se infectam através do contato com água ou alimentos contaminados, com urina,
fetos abortados e descargas uterinas de animais portadores. A infecção pode ocorrer por via oral,
venérea, através da pele lesada, por via conjuntiva ou através das mucosas (STRAW et al., 1999).
Nos suínos, a maioria das infecções é subclínica.Dois grupos de suínos podem apresentar sinais
clínicos: leitões jovens e porcas em gestação. Animais com a doença na forma aguda apresentam
prostração, anorexia e elevação da temperatura corporal. Os suínos se recuperam espontaneamente em
uma ou duas semanas. Estes sintomas podem passar sem serem percebidos nas granjas. Em casos
crônicos, a leptospirose causa transtornos reprodutivos como aborto, natimortos ou leitões nascidos com
pouca viabilidade, retorno ao cio nas primeiras semanas de gestação e infertilidade. Essas complicações
reprodutivas ocorrem devido à infecção dos fetos na fase de leptospiremia na fêmea.
A leptospirose é uma importante zoonose ocupacional, especialmente para produtores e pessoas que
trabalham diretamente no abate de suínos. Durante o período de leptospiremia, o humano apresenta
febre, mialgias, conjuntivite, rigidez da nuca, náusea e vômito. Podem ser observadas petéquias na pele,
hemorragias gastrointestinais, hepatomegalia e icterícia.
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