14612-64675-1-SP

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Revista de Enfermagem da UFSM- REUFSM
Nº de protocolo: 14612
PREZADO AUTOR
Informamos que durante o checklist inicial do artigo “ACIDENTES OCUPACIONAIS COM
MATERIAIS PERFUROCORTANTES EM TRABALHADORES DO SERVIÇO DE LIMPEZA
DE HOSPITAL DE ENSINO”, verificamos a necessidade de normalizar alguns itens
pendentes, conforme segue assinalados no quadro.
AGUARDAREMOS O REENVIO DO DOCUMENTO, COM ATENDIMENTO DE TODAS AS
PENDÊNCIAS LISTADAS, EM UM PRAZO DE ATÉ 07 DIAS.
Informamos ainda que se for respeitado o prazo do reenvio o artigo permanecerá com o
mesmo número de protocolo. Após os 07 dias será considerada nova submissão, o que
implicará em novo protocolo.
Favor atender aos itens assinalados, salvar novo documento de word. Entrar na revista como
autor, selecionar o título do artigo e anexar na SUBMISSÃO, Versão para Avaliação
atualizada.
CHECKLIST DE SUBMISSÃO À REUFSM
Documentação
Cópia do Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa
(CEP), registrado na CONEP, com nº de protocolo
Categoria dos artigos e formatação
Categoria
Artigo original - limite de 20 páginas
Artigos de Revisão- limite de 15 páginas
Relato de experiência - limite de 15 páginas
Reflexão- limite de 15 páginas
Resenhas - limite de 3 páginas
Nota prévia - limite de 3 páginas
Editorial - limite de 2 páginas
Cartas ao editor - limite de 1 página
Biografia - limite de 10 páginas
Formatação geral
A identificação de autoria do trabalho foi removida
do arquivo e da opção Propriedades no Word,
garantindo desta forma o critério de sigilo da
revista, caso submetido para avaliação por pares
conforme instruções disponíveis em Assegurando a
Avaliação Cega por Pares.
A autoria é composta de,no máximo, 6 autores
Os arquivos para submissão em formato Microsoft
Word digitado em doc (desde que não ultrapassem
2MB)
Tamanho A4, com 2,5cm nas quatro margens
Redigido na ortografia oficial, fonte Trebuchet MS
de 12-pontos, com espaçamento duplo em todo o
corpo do manuscrito
Rever
Adequado
X
X
X
X
x
X
X
Em parterever
Itálico para palavras de idioma diferente do
manuscrito
Resultados e discussão estão apresentados
Estrutura do manuscrito
Título
Inédito que identifica o conteúdo do artigo, com
no máximo 15 palavras, digitado em caixa alta,
negrito, centralizado, espaço duplo e no idioma
em que o manuscrito
O título equivalente em inglês, em maiúsculas,
negrito e itálico
O título equivalente em espanhol em maiúsculas,
negrito e itálico
Retirar os números dos títulos e subtítulos das
seções
Título de seção secundária somente a primeira
letra em maiúscula, demais em minúsculas e
negritas.
Resumo
Limite máximo de 150 palavras, abaixo da
apresentação do título nos três idiomas com
espaçamento duplo.
Evitar sigla em resumo. Se necessário, apresentar
primeiro a “nomenclatura por extenso”, seguida da
sigla entre parênteses (ver também abstract e
resumen).
Deve ser estruturado separado nos itens: objetivo,
método, resultados e considerações finais ou
conclusões (em negrito). Deverão ser destacados
os novos e mais importantes aspectos do estudo.
Letra minúscula após os itens do resumo, abstract
e resumen
Abstract
Limite máximo de 150 palavras em itálico
Resumen
Limite máximo de 150 palavras em itálico
Descritores
Apresentados imediatamente abaixo do resumo,
abstract eresumen, no mesmo idioma destes
Mínimo de 3 e máximo de 5 tal como aparecem no
DeCS/MeSH (http://decs.bvs.br), que traz a
equivalência nos 3 idiomas.
Separados por ponto e vírgula, a primeira letra de
cada descritor em caixa alta e o último seguido de
ponto final
Introdução
Deve ser breve, apresentar a questão norteadora,
justificativa, revisão da literatura (pertinente e
relevante) e objetivos coerentes com a proposta
do estudo.
Método
Indicar os métodos empregados, a população
estudada, a fonte de dados e os critérios de
x
x
X
x
X
x
x
X
X
X
x
X
x
X
x
x
x
x
seleção, os quais devem ser descritos de forma
objetiva e completa.
Inserir o número do protocolo e data de aprovação
do projeto de pesquisa no Comitê de Ética em
Pesquisa. Deve também referir que a pesquisa foi
conduzida de acordo com os padrões éticos
exigidos.
Resultados e discussão
Os resultados devem ser descritos em sequência
lógica. Quando apresentar tabelas e ilustrações, o
texto deve complementar e não repetir o que está
descrito nestas. A discussão, que pode ser redigida
junto com os resultados, deve conter comparação
dos resultados com a literatura e a interpretação
dos autores.
Figuras
Poderão ser incluídas até cinco (gráficos, quadros
e tabelas), em preto e branco ou colorido
As figuras devem ser elaboradas no programa Word
ou Excel e não serem convertidas em figura do tipo
JPEG, BMP, GIF, etc.
Tabela
Indicados no corpo do texto, com a primeira letra
maiúscula
Apresentadas em tamanho máximo de 14 x 21 cm
(padrão da revista) e comprimento não deve
exceder 55 linhas, incluindo título
Não usar linhas horizontais ou verticais internas.
Empregar em cada coluna um título curto ou
abreviado.
Conteúdo em fonte 12 com a primeira letra em
maiúscula
Titulo da tabela apresentado acima do mesmo
Ex: Tabela 1- título...
Títulos de cada coluna curtos (se abreviados,
constam na legenda imediatamente abaixo do
quadro ou tabela)
Colocar material explicativo em notas abaixo da
tabela, não no título. Explicar em notas todas as
abreviaturas não padronizadas usadas em cada
tabela. Em caso de usar dados de outra fonte,
publicada ou não, obter permissão e indicar a
fonte por completo.
Quadro
Com a primeira letra da legenda em maiúscula
descrita na parte inferior e sem grifo, numeradas
consecutivamente com algarismos arábicos na
ordem em que foram citadas no texto;
Conteúdo em fonte 12 com a primeira letra em
maiúscula
Titulo do quadro apresentado abaixo do mesmo
Ex: Quadro 1- título...
Símbolos, abreviaturas e siglas
x
x
x
x
x
x
x
x
Usar somente abreviaturas padronizadas. A não ser
no caso das unidades de medida padrão, todos os
termos abreviados devem ser escritos por extenso,
seguidos de sua abreviatura entre parênteses, na
primeira vez que aparecem no texto, mesmo que
já tenha sido informado no resumo.
Citações
Utilizar sistema numérico para identificar as obras
citadas
Representá-las no texto com os números
correspondentes sem parênteses e sobrescritos,
após o ponto, sem mencionar o nome dos autores
Citação seqüencial, separar os números por hífen
Citações intercaladas devem ser separadas por
vírgula
Transcrição de palavras, frases ou parágrafo com
palavras do autor (citação direta), devem ser
utilizadas aspas na sequência do texto, até três
linhas (sem itálico) e referência correspondente
com mais de três linhas, usar o recuo de 4 cm,
letra tamanho 12 e espaço duplo entre linhas (sem
aspas e sem itálico), seguindo a indicação do
número correspondente ao autor e à página
Supressões devem ser indicadas pelo uso das
reticências entre colchetes
Depoimentos
Nas transliteração de comentários ou de respostas,
seguir as mesmas regras das citações (usar o recuo
de 4 cm, letra tamanho 12 e espaço duplo entre
linhas), porém em itálico, com o código que
representar cada depoente entre parênteses. As
intervenções dos autores ao que foi dito pelos
participantes do estudo devem ser apresentadas
entre colchetes, sem itálico.
Identificação do sujeito codificada, entre
parênteses, sem itálico, separada do depoimento
por ponto.
Conclusões ou considerações finais:
As conclusões ou considerações finais devem
destacar os achados mais importantes comentar as
limitações e implicações para novas pesquisas.
Referências
Observar o Estilo Vancouver, conforme Normas
para Publicação da Revista.
Na lista de referências, as referências devem ser
numeradas consecutivamente, conforme a ordem
que forem mencionadas pela primeira vez no
texto.
Referencia-se o(s) autor(e)s pelo sobrenome,
apenas a letra inicial é em maiúscula, seguida
do(s) nome(s) abreviado(s) e sem o ponto
Complementar os seis primeiros nomes dos autores
antes da expressão “et al”. Tal expressão deve ser
usada para mais de seis autores.
x
x
x
x
x
x
x
x
Os títulos dos periódicos estão abreviados de
acordo com o Index Medicus;
Para abreviatura dos títulos de periódicos
nacionais e latino-americanos, consultar o
site: http://portal.revistas.bvs.br eliminando os
pontos da abreviatura, com exceção do último
ponto para separar do ano.
Incluir se possível uma referência da REUFSM
Está em espaçamento duplo entre linha, fonte 12
Substituir Referências Bibliográficas por
Referências
Limite de 25 referências para artigo original,
relato de experiência e reflexão.
Normas da REUFSM para artigos disponíveis online
x
x
x
x
x
x
x
ACIDENTES OCUPACIONAIS COM MATERIAIS PERFUROCORTANTES EM
TRABALHADORES DO SERVIÇO DE LIMPEZA DE HOSPITAL DE
ENSINOOCCUPATIONAL ACCIDENTS INVOLVING PIERCING-CUTTING MATERIALS
AMONG CLEANING WORKERS AT A TEACHING HOSPITAL
ACCIDENTES DE TRABAJO CON MATERIALES PUNZANTES-CORTANTES EN
TRABAJADORES DEL SERVICIO DE LIMPIEZA DE HOSPITAL DE ENSEÑANZA
RESUMO: Objetivo: caracterizar os acidentes com materiais perfurocortantes
ocorridos com trabalhadores do serviço de limpeza, de empresa terceirizada, de
hospital de ensino do interior de São Paulo. Método: estudo retrospectivo em que
utilizou-se para a coleta dos dados 377 fichas de Comunicação de Acidente de
Trabalho, notificadas por trabalhadores terceirizados do serviço de limpeza de
hospital universitário do interior de São Paulo, no período de janeiro de 2000 a
dezembro de 2008. Resultados: foram registrados 190 acidentes, média de 1,70 por
mês, predominantemente em mulheres (89,6%), na faixa etária de 21 a 39 anos
(69%), principalmente nas enfermarias (39,7%), no período diurno (75,4%) e com
agulhas (65,3%). Conclusão: esses achados reforçam não somente a necessidade de
implementação de programas eficazes de prevenção de acidentes com materiais
perfurocortantes, mas também mudança de cultura sobre riscos ocupacionais, a fim
de assegurar práticas hospitalares mais seguras.
Descritores: Saúde do Trabalhador; Acidentes de trabalho; Serviço hospitalar de
limpeza; Risco ocupacional.
ABSTRACT: Objective: to characterize accidents with piercing-cutting material
involving cleaning workers from an outsourced company at a teaching hospital in
the interior of São Paulo. Method: retrospective study in which 377 Occupational
Accident reporting forms were used for the data collection, reported by outsourced
cleaning workers at a teaching hospital in the interior of the State of São Paulo,
between January 2000 and December 2008 Results: were recorded 190 accidents
were reported, an average of 1.70 per month, predominantly involving
women(89.6%), between 21 and 39 years of age (69%). The highest incidence was
registered at the nursing wards (39.7%), during the day (75.4%) and mainly needles
(65.3%). Conclusions: these findings underline not only the need to implement
effective accident prevention programs involving piercing-cutting materials, but
also a cultural change regarding occupational hazards, which would guarantee
hospital services security.
Descriptors:
Occupational
Health ;
Accidents
Occupational ;
Housekeeping
Hospital ; Occupational Risks.
RESUMEN: Objetivo: caracterizar los accidentes con materiales punzantes-cortantes
con trabajadores del servicio de limpieza, de empresa subcontratada, de hospital
de enseñanza del interior de São Paulo. Método: estudio retrospectivo en que
fueron utilizadas para recolectar los datos 377 fichas de comunicación de accidente
de trabajo, notificadas por trabajadores tercerizados del servicio de limpieza de
hospital universitario del interior de São Paulo entre enero del 2000 y diciembre
del 2008. Resultados: fueron notificados 190 accidentes, promedia de 1,70 por mes,
predominantemente en mujeres (89,6%), entre 21 y 39 años (69%), en las
enfermarías (39,7%), en el período diurno (75,4%) y con conagujas (65,3%).
Conclusiones: esos hallazgos refuerzan no sólo la necesidad de implementación de
programas eficaces de prevención de accidentes con materiales punzantescortantes, pero también de cambio de cultura sobre riesgos ocupacionales, lo que
garantizaría la seguridad de los servicios hospitalarios.
Descriptores: Salud laboral; Accidentes de trabajo; Servicio de Limpieza en
Hospital ; Riesgos Laborales.
INTRODUÇÃO
As instituições de saúde são locais considerados tipicamente insalubres, na
medida em que expõem os profissionais, que prestam serviço nestes ambientes a
inúmeros riscos ocupacionais.1 Dentre estes, destacam-se os acidentes de trabalho
com material biológico, que podem ocorrer por via percutânea e, de forma direta,
por mucosas ocular, nasal e pele não íntegra.2
O contato diário com estes materiais aumenta o risco de acidentes dessa
natureza, muitas vezes provocados por deficiência técnica, não adesão às normas
de biossegurança, déficit de informação, sobrecarga de trabalho e condições
laborais inadequadas.3-4
Outro fator que contribui para esse tipo de acidente são as atitudes
inadequadas dos profissionais de saúde, que podem atingir outros profissionais,
atuantes em atividades de apoio no âmbito hospitalar, como é o caso dos
trabalhadores do serviço de limpeza.5 Embora estes não desempenhem atividades
assistenciais, podem se tornar vítimas e serem acometidos direta ou indiretamente
por lesão corporal e doenças que podem causar morte, perda ou redução da
capacidade de trabalho.
Na vigência de um acidente de trabalho, também há preocupação com a
transmissão de determinadas doenças virais, como hepatite B e C, que só passou a
ser considerada após o surgimento da infecção pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência
Humana) na década de 80.
No entanto, ainda há profissionais que menosprezam
ou desconhecem os
agravos causados pela contaminação destes vírus.6 Estima-se que a possibilidade
de infecção de uma pessoa, quando se expõe ao HIV ao se acidentar com uma
agulha contaminada, é de aproximadamente 1 em 250 casos; por outro lado,
quando se expõe dessa mesma forma ao vírus da Hepatite B, a probabilidade é mais
alta: de 1 em 7 casos.7
Neste contexto, as medidas preventivas têm papel fundamental, destacando
as normas de biossegurança, vacinação contra hepatite B, tétano e difteria, entre
outras contempladas na Norma Regulamentadora (NR) 32.8
Face aos riscos a que os trabalhadores do serviço de limpeza hospitalar estão
expostos considerou-se relevante a realização dessa pesquisa, no intuito de
conhecer a magnitude dos acidentes ocorridos nesta instituição e, também
fornecer subsídios para implementação de protocolos de biossegurança, com intuito
de minimizar acidentes ocupacionais com material perfurocortante.
Este estudo teve como objetivo caracterizar acidentes com materiais
perfurocortantes ocorridos com trabalhadores do serviço de limpeza, de empresa
terceirizada, de hospital universitário do interior de São Paulo.
MÉTODOS
Estudo retrospectivo, descritivo, exploratório e com abordagem quantitativa.
Os dados foram coletados no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2008,
mediante levantamento das fichas de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT),
notificadas por trabalhadores terceirizados do serviço de limpeza de hospital
universitário do interior de São Paulo.
Foram incluídas somente as fichas referentes aos acidentes com materiais
perfurocortantes. As notificações que não possuem informações complementares
sobre a ocorrência foram excluídas da pesquisa.
Os dados foram armazenados em banco de dados Microsoft Excel e
processados no programa SPSS 15.0 for Windows; na sequência, foram analisados
descritivamente e apresentados em frequências absolutas e relativas.
Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição, sob
número 3234/2009. A confidencialidade dos dados foi respeitada em conformidade
com a Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde,
que regulamente a pesquisa com seres humanos no país.
RESULTADOS
Durante o período estudado foram registradas 377 fichas de Comunicação de
Acidente de Trabalho (CAT). Destas,
foram selecionadas 190 referentes à
acidentes com materiais perfurocortantes e, excluídas seis que não atendiam os
critérios de inclusão.
Foram computados 184 (48,8%) acidentes com materiais perfurocortantes,
envolvendo trabalhadores do serviço de limpeza hospitalar, média de 1,70 por mês,
predominantemente em mulheres (89,6%), na faixa etária de 21 a 39 anos (69%),
Tabela 1.
Outro dado relevante observado refere-se ao fato da maioria dos registros
terem ocorrido entre 2002 e 2005, anteriores à implantação da NR32.
Tabela 1 - Número de acidentes com materiais perfurocortantes, de acordo com
sexo e faixa etária. Botucatu, SP, 2000-2008.
Variáveis
n (184)
%
Feminino
165
89,6
Masculino
19
10,3
≤ 20
1
0,54
21├ 39
127
69
40├ 59
55
29,9
60 +
1
0,54
Sexo
Faixa etária
Nota-se que os acidentes foram mais prevalentes nas enfermarias (39,7%),
especialmente de clinica médica e gastroenterologia, além do pronto socorro
(13%). Não foram encontrados registros dos locais de ocorrência em 24 (13%)
notificações. Maior freqüência de acidentes foi verificada no período diurno
(75,4%), Tabela 2.
Tabela 2 - Unidades e período em que ocorreram os acidentes com materiais
perfurocortantes. Botucatu, SP, 2000-2008.
Unidades /Período
n (184)
%
Enfermarias
73
39,7
Pronto Socorro
24
13,0
Não especificado
24
13,0
Unidade de Terapia
15
8,1
Laboratórios
13
7,0
Centro Cirúrgico/
12
6,5
Unidade de Hemodiálise
10
5,4
Ambulatórios
6
3,3
Hemocentro
4
2,2
Unidades de diagnóstico
3
1,6
Matutino
84
45,6
Vespertino
55
29,9
Noturno
45
24,5
Intensiva
unidades
Obstétrico
Período
Os acidentes com material perfurante (66,9%,) foram os mais prevalentes,
principalmente com agulhas (65,3%). Embora em menor proporção também foram
registradas ocorrências com vidros (17,9%) e lâminas (4,7%). As mãos foram os
locais mais acometidos (83,7%), situação que contribuiu para o afastamento de
nove trabalhadores (4,9%) - Tabela 3.
Tabela 3 - Agente causal e local anatômico dos acidentes com materiais
perfurocortantes. Botucatu, SP, 2000-2008.
Agente causal/local anatômico
Agente causal
Cortante
n (184)
%
Vidro
33
17,9
Lâmina de
4
2,1
Lâmina de vidro
3
1,6
Lâmina de bisturi
2
1,0
Agulha
120
65,3
Pinça
3
1,6
Não especificados
19
10,3
Mãos
154
83,7
Pernas
28
15,2
Pés
2
1,1
barbear
Perfurante
Locais Anatômicos
DISCUSSÃO
O ambiente de um hospital pode ser considerado complexo à medida que
propiciam a exposição dos profissionais, de diversas categorias, a inúmeros fatores
de riscos ocupacionais. Sabe-se que um terço dos acidentes são produzidos por
materiais perfurocortantes contaminados, envolvendo profissionais dos serviços de
apoio, principalmente os de limpeza, durante o trabalho de coleta de lixo
hospitalar.9
Em estudo retrospectivo realizado nos serviços de referência da micro região
de Votuporanga- SP, no período de 2001 a 2005, foram identificados 273 acidentes
com perfurocortantes, sendo que destes 8,1% ocorreram com servidores da
limpeza.10
Dado corroborado em outro estudo realizado na região centro-oeste do país
em que
do total de acidentes com perfurocortantes 12,3% ocorreram em
profissionais do grupo de apoio, sendo este o terceiro grupo mais prevalente.11
A elevada incidência de acidentes, com trabalhadores do serviço de limpeza,
tem sido cada vez mais discutida, por pesquisadores e profissionais da saúde, em
virtude de diversos fatores, que estão relacionados ao desconhecimento ou
imprudência dos profissionais de saúde em relação à medidas de segurança, falta
de adesão às normas de biosegurança, de capacitação ou de condições adequadas
de trabalho, além de treinamento admissional, entre outros.3,12
Embora estes acidentes sejam passíveis de ocorrência em qualquer unidade
hospitalar a maioria acontece em unidades de internação (27%), terapia intensiva
(13%) e centro cirúrgico (25%), como mostra a literatura.13 Em nosso estudo, além
das duas primeiras unidades
descritas, prevaleceram também os acidentes no
pronto socorro, fato que pode ser justificado pela diversidade de procedimentos e
atividades assistenciais realizadas neste local, aliada a complexidade da assistência
e dinâmica de trabalho, principalmente em hospitais terciários e de referência
regional.
Neste estudo, constatou-se que os acidentes foram mais prevalentes em
mulheres jovens, dado corroborado em pesquisas que abordam essa temática.10-11,14
O maior contingente de mulheres exercendo essas atividades pode estar
condicionado à mão de obra não especializada, que as obriga a submeter-se a
trabalho semelhante ao doméstico.
Além
disso,
estas
profissionais
estão
propensas ao desgaste físico e mental, uma vez que seu trabalho é acrescido das
atividades do lar e cuidado com os filhos, expondo-as ao maior risco de acidentes
ocupacionais.1,5,15
Todavia as pessoas que já sofreram acidentes com material perfurocortante
atribuem a ocorrência a três condições predisponentes: naturalidade ou fatalidade,
culpa e organização do serviço.1 Dado que remete à necessidade de investimento
institucional em intervenções preventivas e de conscientização de riscos para uma
prática segura.
Na hierarquia da prevenção de acidentes com perfurocortantes, a primeira
prioridade é eliminar e reduzir o uso de agulhas e outros perfurocortantes, onde for
possível. A seguir, as ações devem ser direcionadas para isolar o perigo por meio de
um controle de engenharia no ambiente ou no próprio perfurocortante, impedindo
dessa forma que o elemento perfurante ou cortante fique exposto em qualquer
lugar do ambiente de trabalho.13
Somente quando essas estratégias não estão disponíveis ou não fornecem
proteção completa ou adequada é que o foco da intervenção deve ser na
implementação de mudanças na prática de trabalho e no uso de equipamentos de
proteção individual.13
No Brasil, a NR 32 publicada em 2008, em consonância com estas medidas
preconiza a obrigatoriedade do uso de materiais perfurocortantes, com dispositivo
de segurança nas instituições hospitalares.8 Porem, cabe salientar que, nenhum
dispositivo de segurança ou estratégia é igualmente efetiva em todos os serviços de
saúde.8,13
Apesar do esforço para minimizar os riscos de acidentes com materiais perfuro
cortantes entre profissionais das diversas áreas e acadêmicos ainda há que
negligenciam esse fato e, realizam também ações inadequadas, que podem atingir
pessoas que desempenham, nesse espaço, outras atividades não relacionadas à
assistência direta ao paciente. Condutas, frequêntemente, atribuídas a fatores de
ordem pessoal, profissional e institucional.
Subterfúgios não justificáveis frente aos danos graves e reais causador por um
acidente com material biológico, e com custos diretos e indiretos relacionados ao
evento. Os custos diretos estão associados com as profilaxias iniciais e com o
acompanhamento dos trabalhadores expostos, e estima-se entre 70 a 5.000 dólares
por pessoa.16 Outros custos, mais difíceis de serem quantificados, incluem o
emocional, o social, e a preocupação sobre as possíveis consequências de uma
exposição, além da toxicidade dos medicamentos e absenteísmo.13
Nesta pesquisa, apenas nove servidores foram afastados de suas atividades
profissionais. O afastamento prolongado tem implicações salariais, além do risco de
perder emprego em empresas de iniciativa privada.17
A subnotificação também pode advir da falta de esclarecimento sobre o
registro, como forma de garantir direitos trabalhistas, além de servir de
instrumento para reivindicações de melhores condições para segurança no
trabalho. Em estudo que analisou a incidência de acidentes ocupacionais entre
profissionais de saúde atuantes em centro cirúrgico a subnotificação foi atribuída à
irrelevância do acidente, desconhecimento do protocolo de rotina, displicência e
sobrecarga de trabalho.18
No que se refere ao agente causal evidenciou-se, neste estudo, que foi
provocado predominantemente por material perfurante, sendo que as agulhas
contribuíram com 65,3% dos casos, resultado corroborado em estudos envolvendo a
mesma problemática em discussão.11,19
Acidentes envolvendo agulhas com lúmen, especialmente aquelas utilizadas
para coleta de sangue e inserção de cateter intravascular, são particularmente
preocupantes, pois estes contém sangue residual e estão associados com um risco
elevado de transmissão do HIV hepatite B e C.6 Estudo caso-controle sobre hepatite
C ocupacional mostrou que o risco de contaminação esteve relacionado com
exposições envolvendo agulhas com lúmen e previamente utilizadas em veias ou
artérias dos pacientes-fonte.20
Tais acidentes ocorrem em decorrência do descarte de agulhas em locais
inapropriados, como em lixo comum, mesas de cabeceira, ou em recipientes
erroneamente adaptados, perfurando, na maioria dos casos, as mãos, durante a
limpeza do chão, de mobília e coleta do lixo. Outra possibilidade refere-se ao
destino final da caixa coletora de material perfurocortante, que, com, frequência
encontra-se preenchida além de sua capacidade. Saliente-se que, mesmo que o
trabalhador do serviço de limpeza utilize o EPI, não se descarta a possibilidade de
ocorrência do acidente. Neste contexto, destaca-se a importância do profissional
de saúde e acadêmicos exercerem uma prática segura para si e para os outros.21
As medidas de segurança no ambiente hospitalar visando a integridade da
pacientes, funcionários, visitantes e, também do patrimônio hospitalar está
atrelada a criação de valores claros e bem definidos pela instituição.
Os limites dos resultados do estudo referem-se ao delineamento retrospectivo
da pesquisa, em que se utilizam informações previamente registradas sem
possibilidade de intervenção. Foi escolhido para a pesquisa porque permitiu
descrever as principais variáveis de interesse e sua distribuição, além de agregar
conhecimentos inerentes à uma temática pouco abordada na literatura.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este
estudo
possibilitou
caracterizar
os
acidentes
com
material
perfurocortante, ocorridos com trabalhadores do serviço de limpeza hospitalar, de
empresa terceirizada, atuante em hospital publico, no interior de São Paulo.
Constatou-se que agulha e vidro foram os principais materiais envolvidos nos
acidentes, ocorridos na sua maioria em enfermarias e pronto socorro. Eventos que
podem ser atribuídos às ações indevidas de profissionais de saúde e acadêmicos
que, manipulam o material em suas atividades assistenciais e não realizam o
descarte adequado, utilizam materiais impróprios e, não possuem, muitas vezes, a
devida conscientização dos riscos envolvidos em suas práticas, para si e para os
outros profissionais, que compartilham este espaço.
Esses achados reforçam não somente a necessidade de implementação de
programas eficazes de prevenção de acidentes com materiais perfurocortantes, que
devem ser estar contemplados em programas de treinamento admissional para os
profissionais, mas também em mudança de cultura sobre riscos ocupacionais.
Infelizmente o desconhecimento acerca dos reais e graves danos a que são expostos
contribui para a imprudência.
Em hospitais de ensino é relevante também a responsabilidade dos docentes
na formação de acadêmicos comprometidos com as normas de biossegurança e
preparados para exercer suas atividades profissionais com ética, responsabilidade e
valorização do trabalho interdisciplinar, na construção coletiva de saúde e
segurança.22
Constatou-se, neste estudo, que apesar da gravidade deste tipo de ocorrência
as informações registradas no Comunicado de Acidentes de Trabalho, nesta
instituição, são insipientes e não refletem a magnitude do acidente, em todas as
suas dimensões.
REFERÊNCIAS
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