Economia - UNIPVirtual

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1 INTRODUÇÃO
A disciplina Economia de Mercado objetiva apresentar as relações
econômicas que balizam as decisões dos agentes econômicos (pessoas,
empresas, governo e não-residentes no país).
Os assuntos são tratados em cinco ítens fundamentais, além deste. No
segundo, nossa preocupação é voltada à análise do que se denomina
“problema econômico”, representado pelo confronto entre as necessidades
dos agentes e a capacidade da economia de atendê-los, dada a escassez dos
recursos de que dispomos, qualquer que seja o nível de riqueza da
sociedade. Procuramos entender como a economia se organiza para resolver
as suas questões básicas de produção, circulação e designação de quem terá
direito aos diferentes bens e serviços.
No ítem três, procuramos compreender a sociedade de mercado em que
vivemos, identificando, inclusive, aspectos históricos que apontem de que
maneira novas orientações, como, por exemplo, as relacionadas com os
lucros das operações e a concessão de maior liberdade às atividades
comerciais e, posteriormente, industriais determinaram o crescimento
econômico de várias nações.
O ítem quatro, complementado com uma visão histórica, contém as
diferentes estruturas do mercado e dos modos de produção adotados pela
sociedade e pelas forças produtivas para o atingimento de seus objetivos
econômicos, isto é, para a solução do “problema econômico”.
No ítem cinco, abordamos o funcionamento básico dos mercados e da
interação entre os agentes, através da conhecida “Lei da oferta e da
procura”. É aí que tratamos de mostrar como o sistema se mantém em
equilíbrio, direcionado não de forma central, mas pelos preços que assumem
os vários bens e serviços. E mostra-se como o mercado, por sua livre
atuação, atinge o grau de eficiência econômica.
O último ítem apresenta argumentos que contrapõem os modelos
baseados em planejamento e controle centrais aos da liberdade dos
mercados, mencionando que existem também vários problemas que não
podem ou são insuficientemente resolvidos com a estrutura baseada no
funcionamento dos livres mercados, notadamente quando a preocupação é
a distribuição equitativa dos bens e serviços criados na economia.
Finalmente, incluímos uma lista das obras referenciadas ou consultadas,
para a elaboração deste texto.
O conteúdo programático da disciplina é composto de:
1 – Introdução
2 – A natureza do problema econômico
2.1 – A escassez dos recursos disponíveis na economia
2.2 – As necessidades ilimitadas dos agentes econômicos
2.3 – O provimento de bens e serviços
2.4 – Os fluxos fundamentais
2.5 – As questões centrais da economia
2.6 – As alternativas de sistemas econômicos
3 – A evolução para a sociedade de mercado
3.1 – As mudanças
3.2 – A configuração dos fatores de produção trabalho, terra e capital
3.3 – Ascensão do “motivo de lucro”, “filosofia” do comércio e o mecanismo
de mercado
4 – A estrutura do mercado
4.1 – Os modelos de estrutura de mercado
4.2 – Uma visão histórica
5 – A oferta, a demanda e o equilíbrio de mercado
5.1 – O equilíbrio de mercado
5.2 – O excedente do consumidor
5.3 – O excedente do produtor
5.4 – A eficiência de mercado
5.5 – As elasticidades da demanda
6 – Desafios e perspectivas da sociedade de mercado
6.1 – Economia centralizada x economia de mercado
6.2 – O capitalismo e a economia de mercado
A disciplina Economia de Mercado é um importante suporte para o
desenvolvimento das atividades do administrador, já que estamos inseridos
num sistema econômico baseado na livre atuação dos mercados, que
determina as diferentes políticas adotadas pelos governos.
O estudo da economia pode ser dividido basicamente em:
 microeconomia: estuda os aspectos e influências sobre a atuação
das unidades econômicas individuais, como as pessoas (famílias),
as empresas, o governo e mesmo os agentes não-residentes. Esse
é o foco fundamental do presente texto;
 macroeconomia: tem a sua preocupação voltada para a
mensuração dos agregados econômicos, tais como consumo,
poupança, investimento e produto total gerados pela sociedade
num determinado período de tempo;
 desenvolvimento econômico: objetiva a compreensão das razões
que levam ao crescimento econômico sustentável e não apenas no
curto prazo.
A economia é, acima de tudo, uma ciência social, e os seus assuntos
estão presentes no dia a dia de todos nós, fartamente demonstrados na
mídia e no próprio contato entre as pessoas e em presas.
Naturalmente, estamos sempre preocupados com os assuntos a ela
relacionados, como, por exemplo:

aumentos dos preços dos produtos;

pouco crescimento das atividades econômicas;

maior ou menor participação das entidades governa-mentais nessas
atividades;

dívidas contraídas pelo governo com os habitantes do próprio país ou
do exterior;

má distribuição dos frutos do crescimento econômico, entre os
indivíduos e as organizações.
São variadas as correlações com outras disciplinas, dado que, afinal,
estudam uma mesma realidade.
Conceitos econômicos originaram-se de estudos em física e biologia. Os
primeiros pensadores econômicos foram, também, bastante influenciados
pela filosofia, pela moral e pela justiça.
Aspectos
indivíduos.
religiosos
também
determinavam
certas
condutas
dos
A matemática e a estatística auxiliam na constituição de modelos de
trabalho para uma melhor análise dos fenômenos econômicos.
Economia e política são fortemente inter-relacionadas. Com a segunda,
temos as instituições sobre as quais serão desenvolvidas as atividades
econômicas. Mas decisões e fatos econômicos conduzem a mudanças na
estrutura política das nações.
Podem ser constatados vários exemplos do inter-relacionamento com a
política, lembrando, como fazem Vasconcellos e Garcia (2003, p. 11), a
política do café com leite, antes de 1930, dividindo o poder federal entre
São Paulo e Minas Gerais. Enumeram, também, práticas e políticas visando
combater latifúndios, oligopólios e monopólios e tentando aliviar o poder
das grandes corporações, mesmo estatais.
Mencionamos como importante relação a que se dá com a história, dado
que muitas ocorrências históricas podem ser mais bem compreendidas
quando se levam em conta as questões econômicas, em cada uma das
épocas estudadas.
E, claro, não pode ser olvidada a interação com o direito, considerando
que a economia depende do estabelecimento de normas jurídicas, como,
por exemplo, leis que combatam os entraves ao livre funcionamento dos
mercados e que também permitam a resolução dos problemas e ineficiências
deste último (as imperfeições de mercado).
É, pois, bem significativo o efeito trazido pelas normas jurídicas sobre a
atuação dos diferentes agentes econômicos.
Como indicam Vasconcellos e Garcia (2003, p. 25):
No texto constitucional de 1988 encontra-se que a competência
para a execução da política monetária, de crédito, cambial e de
comércio exterior é da União. Esta tem a competência para
emitir moeda e para legislar sobre o sistema monetário e de
medidas, títulos e garantias de metais; a respeito da política de
crédito, câmbio, seguros e transferências de valores; e sobre o
comércio exterior. Porém, cabe ao Congresso Nacional, com a
sanção do Presidente da República, dispor sobre a moeda, seus
limites de emissão e montante da dívida mobiliária federal,
conforme estipula o art. 48 da Constituição Federal.
A economia é reconhecida como uma ciência jovem, surgida na segunda
metade do século XVIII, com o reconhecimento mais ou menos geral de que
a obra seminal de Adam Smith, publicada em 1776 (Uma investigação
sobre a natureza e a causa da riqueza das nações) é a sua “certidão de
nascimento”.
Anteriormente, mesmo na Antiguidade e na Idade Média, existiram
preocupações econômicas, mas não de forma sistematizada e organizada,
e fortemente determinadas por aspectos morais e religiosos.
Entre os mais imediatos precursores de Smith, destacaram-se os
mercantilistas (a partir do século XVI), que incentivavam o crescimento do
comércio e a acumulação de riquezas, sob a forma de ouro e prata,
propugnando a não-intervenção do governo nos assuntos econômicos. É
atribuído a esse movimento o estímulo às guerras entre as nações e o
exacerbado desenvolvimento do espírito nacionalista.
Os fisiocratas, que, na verdade, representavam uma reação ao
mercantilismo, acreditavam que o mundo era comandado por leis naturais e
universais que contribuíam para a felicidade da humanidade. Para eles, a
agricultura deveria ser privilegiada, dado que a terra era a fonte
fundamental da riqueza, em relação a outras atividades, como o comércio e
as finanças.
Smith (1723-1790) e outros economistas clássicos, como David Ricardo
(1772-1 823), Thomaz Robert Malthus (1766-1834) e John Stuart Mills
(1806-1873), apesar de divergirem em alguns aspectos, tinham como
premissa básica a crença no livre funcionamento dos mercados,
fundamentados na propriedade privada dos meios de produção.
A situação social extremamente difícil (subnutrição, jornada de trabalho
de mais de quatorze horas por dia, utilização acentuada de mulheres e
crianças nas manufaturas e fábricas, más condições de higiene) dos
primeiros momentos (1770/1830) da Revolução Industrial conduziu ao
surgimento de ideias socialistas, traduzidas pelos trabalhos de Karl Marx
(com destaque para O capital, cujos primeiros volumes foram publicados no
final do século XIX ) e Friedrich Engels.
Outras escolas surgiram, como a neoclássica, que procura se abstrair dos
aspectos relacionados às diferentes classes sociais e concentrar sua atenção
na formulação de leis e princípios que mostram, muitas vezes com o auxílio
da matemática, como a economia chega, naturalmente, ao seu ponto de
equilíbrio e que este é eficiente.
No século XX, com o término da Segunda Guerra Mundial, tivemos o
predomínio do chamado consenso keynesiano, alicerçado nas ideias e
teorias propugnadas por John Maynard Keynes e expressas na obra Teoria
geral do emprego, da moeda e dos juros, publicada em 1936, que procura
justificar a necessidade de maior participação do governo na economia,
quando o mundo enfrentava aquela que, até hoje, é considerada a maior
recessão econômica, surgida a partir do final dos anos 1920.
As ideias e proposições clássicas e neoclássicas não foram eficientes para
explicar a grave recessão da época (afinal, para elas, a economia sempre se
equilibrava em condições de pleno emprego voluntário), ficando essa tarefa
para Keynes.
Os acontecimentos da década de 1970 (alta e generalizada inflação, crise
do fornecimento de petróleo, etc.) fizeram com que as ideias liberais fossem
fortemente retomadas, voltando a proposição de uma drástica diminuição
da intervenção do Estado nas atividades econômicas.
Ao tempo em que estamos escrevendo este texto, admite-se que novo
ciclo de mudanças e orientações básicas poderá ocorrer, como reflexo da
crise financeira mundial, aguçada a partir do segundo semestre de 2008 e
que muitos debitam à excessiva desregulamentação das atividades
econômicas.
Para a complementação das informações e dos conceitos apresentados
neste texto, sugerimos a consulta às obras constantes ao final, nas
referências bibliográficas.
Acreditamos, também, que é de muita importância a leitura de jornais e
revistas relacionadas com economia e negócios, tendo
em vista a apreensão da realidade dos agentes e dos fatores de natureza
econômica, política e social que os influenciam.
2 A NAT U REZ A DO PROBL EMA EC ONÔMIC O
Objetivo
Neste ítem, demonstramos o que é o “problema econômico” fundamental
a ser tratado pela economia; é o equacionamento das necessidades
ilimitadas dos agentes econômicos e sua ânsia pela obtenção de mais bens e
serviços.
Tal questão deve ser analisada considerando-se que toda sociedade
dispõe de recursos escassos, necessários para o provimento das
necessidades, sob a forma de bens e serviços que são colocados nos
mercados.
Considerações iniciais
Cada indivíduo desempenha diferentes papéis na sociedade e, em
particular, no sistema econômico em que está inserido. Muitas vezes, somos
responsáveis pela própria produção (nos variados setores da economia) dos
bens e serviços destinados à coletividade.
Mas também vários de nós nos envolvemos com os processos de
comercialização e distribuição desses bens. Queremos sempre melhorar a
produtividade e reduzir os custos de nosso trabalho.
E, afinal, consumimos ou poupamos a renda que auferimos, sob as mais
diferentes formas, na condição de proprietários dos recursos, isto é, dos
fatores de produção necessários para que se criem os produtos e serviços
que almejamos.
A sociedade em que vivemos é baseada na liberdade de atuação dos
agentes econômicos nos vários mercados (de bens ou financeiros), os quais,
agindo em nome dos seus interesses individuais, devem conduzir ao bemestar geral à organização.
Essa organização, porém, está fundamentada nas trocas que são feitas
entre os vários agentes econômicos. Quem detém os fatores de produção os
vende a quem é encarregado de produzir os diversos bens e serviços, que,
por sua vez, os comercializa com aqueles que estão interessados em suas
aquisições.
Passos e Nogami (2005, p. 5) mencionam a definição de Paul A.
Samuelson, um dos maiores economistas do século XX (SAMUELSON, Paul
Anthony; NORDHAUS, William D. Economia. 12. ed. Portugal: McGraw Hill,
1988):
A Economia é o estudo de como as pessoas e a sociedade decidem
empregar recursos escassos, que poderiam ter utilizações
alternativas, para produzir bens variados e para distribuí-los para o
consumo, agora ou no futuro, entre várias pessoas e grupos da
sociedade.
Síntese do módulo
Ao final deste ítem, você terá visto alguns conceitos fundamentais,
refletidos sobre o problema econômico e sobre as formas de organização da
sociedade para a solução das questões relacionadas à produção, à circulação
e à distribuição dos bens, requeridas para o atendimento às ilimitadas
necessidades humanas.
2 . 1 A escassez dos recursos disponíveis na economia
Ficamos maravilhados com o que a natureza nos oferece, sem que
precisemos nos esforçar muito para obter os benefícios.Também nos
surpreendemos quando constatamos as grandes mudanças, propiciadas pelo
próprio homem, em função do desenvolvimento científico notada mente dos
dois últimos séculos.
Porém, continuamos carentes, comparativamente aos bens que
desejamos, objetivando melhorias em nosso bem-estar. E sabemos que os
recursos, ou, melhor dizendo, os fatores de produção que podemos
empregar para que consigam os obter esses bens estão ficando cada vez
mais difíceis de ser conseguidos.
Mas, afinal, quais são esses fatores de produção?
O capital
Referimo-nos, aqui, a todo bem que se destina à produção de outro,
destinado ao consumo da sociedade. Por isso, eles são denominados,
também, bens de produção.
Podemos classificar os recursos de capital em:

físico: representado pelos instrumentos utilizados na produção
(máquinas, ferramentas), as instalações e as fontes de energia
(elétrica, eólica, solar, nuclear, etc.);

financeiro: capital, sob a forma de dinheiro,
pagamentos dos investimentos empresariais;

humano: identificado nos talentos e habilidades, fruto das experiências
e conhecimentos adquiridos pelos indivíduos.
utilizado
para
os
O capital é constituído ou acumulado a cada período de atividades
econômicas, à medida que a sociedade dirige parte de seus esforços para a
produção de bens não destinados diretamente ao consumo presente da
coletividade, mas, sim, para poder manter ou, melhor ainda, fazer crescer as
possibilidades de desenvolvimento de novos produtos ou serviços que serão
utilizados no futuro.
A remuneração pelo emprego desse fator de produção é denominada
lucro, que é a diferença entre as receitas e as despesas de uma organização,
já deduzidos os pagamentos de taxas, impostos e da parcela que ficou retida
para uso futuro.
Para a formação de capital, a economia pode se valer da própria
poupança interna de seus agentes (sejam os indivíduos ou as empresas).
Os primeiros quando optam por não consumir, de imediato, a renda que
lhes é devida, e os outros quando retêm, para quaisquer necessidades
futuras, parte de seus lucros, obtidos em suas atividades durante certo
período.
Sendo essa poupança insuficiente, como ocorre na maioria das vezes,
principalmente nos países menos desenvolvidos, procura-se complementar
as necessidades de investimentos através da poupança externa (dos
agentes não-residentes no país) e do próprio governo.
A própria poupança individual não é somente decidida de forma
voluntária, mas pode ser induzida ou imposta pelas próprias políticas e
práticas governamentais.
O fator terra — ou recursos naturais
Neste caso, enquadramos os bens fornecidos diretamente pela natureza
(recursos naturais), que podem constituir a base em que se empregará o
capital físico.
Esses bens (vegetais ou animais) podem ser renováveis ou nãorenováveis (como é o caso dos minerais), sob a forma natural ou
transformados pela ação humana.
No passado, os primeiros economistas indicavam ser esse o fator de
produção mais importante e, algumas vezes, o único que poderia fazer
crescer a riqueza de uma nação. Os fisiocratas, na França de meados do
século XVIII, advogavam que as atividades agrícolas eram as únicas capazes
de produzir excedentes econômicos (excesso de produção, em relação às
necessidades de uma coletividade), enquanto as demais classes, apesar de
necessárias, seriam consideradas estéreis (como os funcionários públicos,
sacerdotes, comerciantes, soldados, etc.).
O fator trabalho
Considerado pelos economistas clássicos e pelos socialistas como o
principal fator, responsável pelo crescimento do país, o trabalho humano é
combinado com os outros fatores, como a terra e o capital.
Os clássicos desenvolveram, desde Adam Smith e com o maior
detalhamento elaborado por David Ricardo, a teoria do valor-trabalho,
segundo a qual poderiam ser mensurados os valores de todos os bens.
Os socialistas, sobretudo Marx, refinaram as ideias de Ricardo e as
utilizaram em seus argumentos, para comentar sobre os interesses
divergentes entre as necessidades capitalistas e dos trabalhadores.
Para a escola neoclássica, porém, esses valores só podem ser encontrados
quando há a colaboração de diferentes fatores de produção e não apenas do
trabalho humano, desenvolvendo a teoria do valor-utilidade.
Vasconcellos (2007, p. 32) indica que:
Pode-se dizer que a Teoria do Valor-Utilidade veio complementar a
Teoria do Valor-Trabalho, pois já não era possível predizer o
comportamento dos preços dos bens apenas com base nos custos,
sem considerar o lado da demanda (padrão de gostos, hábitos,
renda, etc.).
Ademais, a teoria do valor-utilidade permitiu distinguir claramente o que
vem a ser o valor de uso e o valor de troca de um bem.
A tecnologia
De forma geral, a tecnologia pode ser entendida como todo o conjunto de
conhecimentos humanos aplicado para os mais diferentes objetivos. Pode
ser conceituada, de forma mais estrita, como sendo as inovações nas
técnicas que alteram o modo de trabalho, contribuindo para o aumento de
sua produtividade.
O maior crescimento do trabalho e de produção ocorreu a partir do
advento da Revolução Industrial. Como as demais mercadorias, os
economistas entendem que a tecnologia tem um preço e pode, portanto,
ser negociada no mercado.
Verifica-se um acentuado desnível em termos de dotação de tecnologia,
conforme o status de desenvolvimento das nações, fazendo com que sua
importação ocorra, com mais frequência, pelos países menos
desenvolvidos, muitas vezes incentivando a instalação de empresas
estrangeiras no país, o que, em contrapartida, fará com que aumentem,
no futuro, suas despesas com pagamentos de licenças, royalties e lucros.
Mudanças tecnológicas podem transformar bastante, às vezes de forma
radical, as características e a divisão do trabalho numa sociedade, pois,
apesar de contribuírem para a redução dos esforços na produção de bens
e serviços, podem levar ao desemprego de fatores que não consigam se
adaptar à nova realidade econômica; são, muitas vezes, combatidas pelos
grupos cujas atividades e cujos interesses foram por ela afetados.
De qualquer forma, é com elas que se obtém maior crescimento
econômico, mediante uma combinação mais vantajosa do emprego dos
diferentes fatores de produção.
A inovação tecnológica pode ser:

de processo: caracterizada pela diminuição do tempo e/ou do número
de operações/etapas do processo produtivo;

de produto: relativa às características de produção e de distribuição do
produto.
A capacidade empresarial
Cada vez mais tem sido reconhecida a importância da inclusão desse
fator entre os que mais contribuem para o desenvolvimento da produção e
da nação como um todo.
Por certo, o empresário desempenha um papel de extrema relevância no
contexto do sistema capitalista, baseado no livre funcionamento dos
mercados, à medida que emprega novos métodos e técnicas nos seus
procedimentos e na geração de seus produtos e serviços em atividades:

industriais;

comerciais;

administrativas;

financeiras;

de pesquisa e desenvolvimento.
Os empreendedores são responsáveis pela geração de novos produtos e
serviços, à medida que organizam e coordenam as operações de forma
eficiente. Schumpter, um dos maiores economistas do século XX, admite
ser esse o fator mais significativo para o crescimento do investimento do
país.
O empresário é responsável pela otimização dos outros fatores de
produção, os quais são direcionados às funções industriais, comerciais,
administrativas, financeiras e de pesquisa e desenvolvimento, cruciais para o
sucesso de um novo projeto ou investimento.
Jorge e Silva (1999, p. 31) esclarecem que:
Ao conjugar capital, terra, trabalho e tecnologia, o empreendedor
estará reunindo os elementos que possibilitarão, sob sua
orientação, uma participação no processo produtivo, que será
tanto mais eficaz e duradoura quanto mais eficiente forem suas
ações de planejamento, organização, produção, comercialização,
administração financeira, administração do fator humano e outras.
Síntese do tema
Os recursos de produção aqui referenciados – capital, terra, trabalho,
tecnologia e capacidade empresarial – têm como principal identidade o fato
de serem limitados para a produção dos bens voltados ao atendimento das
necessidades dos agentes econômicos.
Questões para revisão
1.
Aponte as diferenças, se houver, entre capital físico e financeiro.
2.
Quais são as diferenças fundamentais entre objetos e meios de
trabalho?
3.
O que você entende por poupança compulsória? Cite um exemplo.
4.
Você pretende iniciar um empreendimento na área de prestação de
serviços de manutenção de computadores. De quais recursos de
produção você necessitará?
5.
Como se origina o capital? Qualquer nação, em qualquer época, tem
possibilidade de aumentar permanentemente o seu estoque de
capital?
6.
A escassez é um fenômeno que surgiu com o advento da moderna
sociedade de mercado? Justifique sua resposta.
7.
Como se dividem os recursos naturais? Apresente exemplos.
8.
Alguns dirigentes têm comentado que dispensam a contribuição da
empresa estrangeira para a formação de seu capital. Concorda com
esse argumento? Exemplifique.
9.
Aponte como, inicialmente, era vista a riqueza de uma nação.
10.
“Conseguir que as coisas sejam feitas” resume um predicado do
fator capital, de forma genérica? Justifique sua resposta.
11.
O que diferencia as tecnologias de produto e de processo?
12.
Qual é a origem do valor dos bens, no entendimento dos
economistas neoclássicos? Eles pensavam diferentemente dos
clássicos quanto a esse aspecto?
13.
O que você entende por tecnologia?
14.
Por que o Brasil necessita de poupança externa para atender às
suas necessidades de investimento? Quais são as outras alternativas
para a ampliação dos recursos destinados ao investimento nas
atividades produtivas geradoras de emprego?
15.
Qual, dentre os fatores de produção, é o que constitui a fonte única
de todo o progresso humano na visão de alguns pensadores?
16.
O capital, um dos fatores de produção, representa:
a) A infra-estrutura produtiva representada
ferramentas, edifícios, equipamentos, etc.
pelas
máquinas,
b) A técnica de aumentar a produtividade dentro da economia.
c) A força produtiva representada pelos operários na indústria.
d) A quantidade de dinheiro à disposição do sistema econômico.
e) As alternativas a e c estão corretas.
Resposta correta: alternativa a. Isso porque a alternativa b diz respeito
à tecnologia, ou seja, o como produzir. Por sua vez, a alternativa c se refere
ao fator de produção trabalho. A alternativa d aborda tão somente o capital
financeiro. A alternativa e está errada porque somente a a está correta.
2.2 As necessidades ilimitadas dos agentes econômicos
Na verdade, o objetivo fundamental da atividade econômica é o de poder
criar bens que satisfaçam essas necessidades. Isso é a própria razão de ser
dessa ciência, cujo conhecimento e cujo desenvolvimento não seriam
necessários se pudéssemos, sempre, contar com todos os bens e serviços
de que precisamos ou que desejamos.
Mas elas são inesgotáveis e tendem a diversificar e até aumentar com o
próprio desenvolvimento da civilização. Essa realidade pode ser observada
nas visitas a mercados e centros de consumo. Os desejos se multiplicam,
enquanto os recursos não conseguem acompanhar essa evolução.
É certo que essas necessidades variam de pessoa para pessoa e conforme
a região onde habitam.
Podemos classificar essas necessidades humanas em:
a) coletivas: enquadram-se nesta categoria as necessidades relacionadas
com segurança, defesa, educação, saneamento básico, saúde, etc.
Muitas delas não conseguem ser supridas pela própria iniciativa
privada, produzidos sob a égide do Estado, que discutiremos
posteriormente;
b) individuais: neste grupo, estão incluídas as necessidades básicas
(absolutas ou biológicas), como dormir, respirar, comer, habitar,
procriar, vestir etc., por sinal, nem sempre atendidas por processos
econômicos.
Aspectos ambientais, como a preservação das áreas verdes e o controle da
poluição do ar, quase sempre dependem de ações e políticas econômicas.
Também podemos incluir nesse conjunto as chamadas necessidades
relativas ou sociais, isto é, as que não são as mesmas para todos os
indivíduos (hábitos, normas, costumes e valores – uso de talheres e pratos,
cama para dormir, hábito da leitura e outros).
No quadro 1 a seguir estão resumidas as categorias que refletem as
várias necessidades dos indivíduos.
Abraham Maslow, psicólogo norte-americano (1908-1970), desenvolveu
uma teoria em que as necessidades humanas são hierarquizadas, indo das
mais básicas (biológicas) às mais específicas, como as de valorização
individual e cultural.
Esse cientista demonstrou a sua teoria sob a forma de uma pirâmide.
Resolvidas as necessidades da base (iniciais/básicas), o indivíduo procura
segurança, na sua própria residência e no seu emprego e coletividade.
Satisfeito esse nível de necessidades, ganha força o sentimento de viver em
comunidade, ser aceito pelo grupo, de relacionar-se com outros. Depois,
procura objetivos que satisfaçam sua procura por reconhecimento, status,
poder. Finalmente, aumentam as necessidades relacionadas com a sua
autorrealização, oferecendo-se para participar de projetos arrojados ou
sofisticados, como a exploração de regiões ou variadas experimentações e
aventuras.
Os grupos de necessidades só serão atendidos após o atendimento das
necessidades anteriores, devendo ser considerado que o indivíduo ocupa
diferentes degraus nessa pirâmide, ao longo do tempo.
O atendimento dessas necessidades, porém, muitas vezes, somente será
conseguido com a aplicação dos escassos fatores de produção, que irão
gerar os necessários bens e serviços.
Síntese do tema
Nesse tema, foram abordadas as necessidades, ordenadas em coletivas e
individuais e hierarquizadas, cujo atendimento depende da eficiência na
produção dos bens destinados à coletividade.
Questões para revisão
1.
Explique sucintamente o entendimento do conceito de necessidades
coletivas. Cite um exemplo.
2.
Cite duas das necessidades hierarquizadas por Maslow, explicando-as
e localizando-as em sua própria vida.
3.
A preservação das áreas verdes pode ser classificada em qual tipo de
necessidade humana? Justifique a sua resposta.
4.
Imagine-se num supermercado. Quais as necessidades que você verá
despertadas em si mesmo? E numa criança?
5.
Como se conceitua a hierarquia de necessidades do ser humano,
segundo Maslow?
6.
Cite um exemplo de necessidade de segurança e a sua forma de
satisfação em sua região.
7.
Qual é o significado de uma necessidade como “associação”? Como
se materializa a satisfação dessa necessidade?
8.
Aponte alguns exemplos de necessidades básicas.
9.
Como se dividem as necessidades coletivas?
10.
O indivíduo pode suprir uma necessidade superior na hierarquia de
Maslow, sem ter solucionado outra, inferior? Por quê?
11.
Dê um exemplo de necessidade diferente daquelas que constam do
quadro “Tipos de necessidades”.
12.
Cite um exemplo de necessidade de segurança que não consta das
atividades listadas no quadro “Tipos de necessidades”.
13.
Qual é a definição de “necessidades absolutas”? O descumprimento
das leis por todos os cidadãos é, por si só, uma forma de suprimento
de necessidades individuais? Por quê?
14.
Uma necessidade de associação com base na hierarquia das
necessidades de Maslow reflete uma situação em que:
a) O indivíduo se sente atraído por um desejo de se associar a um
empresário para abrir um negócio.
b) O indivíduo carece de sentimentos por si mesmo.
c) Nenhuma outra necessidade pode ser suprida se esta não for
satisfeita.
d) Todas as demais necessidades já foram supridas pelo indivíduo.
e) O indivíduo já satisfez suas necessidades fisiológicas e de
segurança e agora sente necessidade de ser aceito pelo grupo.
Resposta correta: alternativa e. Isso porque, no caso da alternativa a, a
referência a uma associação em um empreendimento foge aos conceitos de
Maslow no caso particular da necessidade de associação. Também o fato de
sentir necessidade de associação não quer dizer que o indivíduo não goste
de si mesmo e, portanto, a alternativa b também não se aplica. Quanto à
alternativa c, é fato que existe uma hierarquia nas necessidades, mas a
necessidade de associação está no meio dessa hierarquia. Assim sendo, outras
necessidades foram, sim, supridas, antes de se chegar a esta. Mas nem
todas as outras necessidades foram supridas, o que também implica que a
alternativa d está incorreta. Então, a alternativa e complementa
adequadamente a assertiva.
2 . 3 O provimento de bens e serviços
Os bens, voltados à satisfação das necessidades humanas e obtidos com
a utilização dos variados e escassos fatores de produção, são denominados
econômicos, em contraposição aos livres, para os quais não há a formação de
preços pelos mercados.
Dois dos exemplos mais notórios de bens livres são o ar que respiramos
e a energia do sol, que, pela sua abundância e disponibilidade, não
precisam ser providos pelos homens e, como tal, não são tratados pela
análise econômica.
Portanto, é dos bens econômicos que cuidaremos, por existirem em
quantidade limitada. Eles se diferenciam entre si em função de sua natureza
física, mas têm em comum o fato de serem:

escassos;

úteis;

exclusivos: só podem ser adquiridos por quem consegue pagar o seu
preço, estabelecido no mercado.
De pronto, podemos classificá-los em duas grandes categorias:

bens tangíveis, representados pelos materiais e bens físicos em
geral;

bens intangíveis, compreendendo o conjunto de
gerados numa economia em um determinado período.
serviços,
Podemos, outrossim, classificar os bens econômicos tangíveis
a) Bens finais
Englobam os bens de consumo, que já foram completamente
transformados pelo processo de produção e que, por sua vez, se subdividem
em:

bens de consumo não-duráveis: aqueles que são consumidos num
período curto de tempo, desaparecendo após satisfazer uma
determinada necessidade, como é o caso dos produtos alimentícios;

bens de consumo duráveis: permitem o uso por um tempo maior, não
sendo destruídos de imediato, como é o caso dos eletrodomésticos,
automóveis, etc. São muito importantes para o desenvolvimento da
economia, já que se valem de produtos intermediários, máquinas,
fornecimentos de terceiros e um grande número de pessoas, ocupadas
direta ou indiretamente, cujas rendas serão utilizadas no consumo de
outros bens econômicos.
Devem ser mencionados, entre os bens finais, os bens de capital ou de
produção, que se prestam à produção de novos bens, como é o caso das
máquinas e outros utensílios.
Por suas características e diversidade, os bens econômicos podem ser a
razão de existência de uma economia complexa. Como argumenta Riani
(1998, p. 23),
Aquelas economias com sua base produtiva nos bens de consumo
não-duráveis seguramente têm complexo produtivo muito menor
do que outra cujo peso econômico se pauta pelos bens de
consumo duráveis ou pelos bens de capital.
b) Bens intermediários
Trata-se dos bens que ainda não completaram o seu processo de
transformação e conversão em bens de consumo ou de capital e que são
incapazes de atender às necessidades dos agentes econômicos, entre os
quais podemos citar, por exemplo, o cimento, o ferro e o aço.
O quadro 2, a seguir, sintetiza os diversos tipos de bens:
Síntese do tema
Nesse tema, abordamos os diferentes tipos de bens e suas condições
de atendimento às necessidades dos agentes econômicos.
Questões para revisão
1.
O que caracteriza a natureza do bem econômico?
2.
O ser humano poderia viver unicamente de bens econômicos?
3.
Aponte e exemplifique as diferenças entre bens livres e econômicos.
4.
Quando os bens de consumo duráveis podem ser classificados como
sendo de capital?
5.
Cite um exemplo de bem intangível. Você se dedica a este tipo de
atividade?
6.
O que representam os bens intermediários? Essa denominação é
apropriada para a maioria dos bens que você consome no seu dia a
dia?
7.
Quando foi sua última aquisição de um bem de consumo durável? O
que você fez com ele?
8.
Qual ou quais os tipos de bens finais que dão mais impulso à
atividade econômica? Por quê?
9.
Você está utilizando um bem de consumo não-durável neste exato
momento? Qual é ele?
10.
O automóvel utilizado por sua empresa em visita a clientes é um bem
de consumo durável ou um bem de capital? Por quê?
11.
O que são “bens de produção”? Como também são conhecidos esses
bens? Cite um exemplo.
12.
O trator que o agricultor utiliza na sua lavoura é um bem de capital?
E quando ele o utiliza para levar a família à cidade?
13.
Quando você utiliza o seu computador pessoal para uma atividade de
lazer, a qual categoria de bem econômico ele pertence? E se você o
utilizasse para entregar seu produto a um cliente?
14.
Apenas uma das alternativas abaixo pode ser considerada correta:
a) Bem de capital representa a soma dos recursos financeiros de que
o indivíduo dispõe para a satisfação de suas necessidades.
b) Bens finais são aqueles que chegam ao consumidor final, ou seja,
uma empresa ou um indivíduo que os utilizará para satisfação de
uma necessidade.
c) Os bens de consumo duráveis constituem aqueles produtos que a
indústria utiliza para a produção de eletrodomésticos em geral.
d) Bem intermediário significa aquele que é adquirido no comércio
em geral, porque o comerciante é um intermediário entre a
indústria e o consumidor.
e) Os bens de consumo não-duráveis são bens intermediários
utilizados para a produção dos bens assalariados.
Resposta correta: alternativa b. A alternativa a se refere ao capital
financeiro tão somente. Por sua vez, a alternativa c leva à falsa ideia de que
se trata de um bem intermediário. A alternativa d confunde a classificação
do bem com a relação envolvida na sua comercialização. A alternativa e
trata os bens de consumo que são finais como sendo intermediários.
2 . 4 Os fluxos fundamentais da economia
Podemos identificar a existência de dois mercados globais na economia.
O primeiro, comumente chamado de real, é aquele no qual são feitas as
trocas para a obtenção dos fatores de produção e em que ocorrem a
produção e a distribuição dos bens e serviços finais da economia. Esse
mercado real é, pois, subdividido em:

mercado de fatores de produção;

mercado de bens e produtos finais.
Os indivíduos que são, de fato, os proprietários dos fatores de produção e
que chamaremos de famílias, oferecem-nos às empresas, que têm a
responsabilidade pela produção dos bens e serviços finais. De outra parte,
com a remuneração paga pelas empresas, sob a forma de salários
(trabalho), juros (capital financeiro), lucros (resultados de participações no
capital das empresas) ou aluguéis (pela utilização de imóvel, terreno ou
mesmo máquinas na atividade empresarial), os indivíduos adquirem os
bens e serviços finais que procuram. Esses fluxos constituem o lado
monetário da economia.
A figura 1, a seguir, mostra esses fluxos – real e monetário –, onde pode
ser observada a interdependência entre os diferentes mercados.
A linha cheia, demonstrando o suprimento de fatores de produção e de
bens e serviços finais, caracteriza o chamado fluxo real. A linha pontilhada
mostra os pagamentos feitos pelos agentes econômicos, revelando o fluxo
monetário.
Vazamentos e injeções no fluxo circular da renda
Uma parte dos rendimentos das famílias é retida sob a forma de
poupança (S, do inglês saving), identificando um vazamento da renda
gerada pela economia num determinado período e, portanto, produção que
não será adquirida. As empresas também podem poupar, na medida em que
não utilizam todo o seu lucro para a aquisição de novos fatores de
produção.
Por outro lado, nem toda produção de bens e serviços finais é destinada às
famílias. Estamos tratando, aqui, dos bens de capital que irão compor os
ativos totais da empresa, que compreendem o ativo imobilizado e os
investimentos sob diversas formas. Podemos, pois, observar a existência de
fluxos que caracterizam entrada (injeções) no fluxo circular da renda.
Diz-se que o sistema econômico está equilibrado quando os vazamentos
são iguais às injeções, ou seja, quando a poupança S é igual ao
investimento:
Na figura 2, a seguir, estão incorporados esses vazamentos e injeções.
Síntese do tema
Tratamos do fluxo circular da renda em sua mais simples versão, com a
participação das empresas e das famílias que interagem na produção e na
distribuição de fatores de produção e bens e serviços finais. A inclusão do
governo e dos agentes econômicos externos (denominados resto do mundo)
completa esses fluxos da economia.
Questões para revisão
1.
O que caracteriza um mercado real na economia?
2.
O fornecimento de fatores de produção pelos seus proprietários e a
aquisição dos mesmos pelas empresas revela uma demanda de
produtos e serviços? Justifique sua resposta.
3.
Quais são as características de um mercado de fatores de produção
na interpretação do fluxo circular da renda?
4.
E quando a empresa fornece bens e serviços aos indivíduos, este
também constitui um ato de demanda? Por quê?
5.
O que se convencionou
economia”?
6.
Os movimentos de mercadorias são caracterizados por qual dos
fluxos? Explique-os.
7.
O que é fluxo monetário, no contexto do fluxo circular da renda?
8.
Segundo os conceitos compreendidos no fluxo circular da renda, o
que é fluxo real?
9.
As empresas também adquirem bens e serviços finais. Como se
chama esse processo, no contexto do fluxo circular da renda?
10.
Quando um capitalista injeta capital financeiro numa empresa, ele
está agindo em qual dos dois tipos de mercados: de fatores ou
monetário? Por quê?
11.
O que mantém o sistema econômico em equilíbrio, na abordagem
do fluxo real e monetário?
12.
Qual é a contrapartida em termos monetários ao fornecimento de
capital físico?
13.
Como se denomina a renda auferida por um indivíduo que alugou as
instalações para uso de uma determinada empresa?
14.
E o que representa a remuneração para quem emprestou dinheiro
para o início de atividades de uma empresa? Qual é a diferença de sua
remuneração, em relação aos sócios do empreendimento?
15.
No tocante ao funcionamento do sistema econômico, o fluxo
monetário descreve:
chamar de “atividade
monetária
da
a) A quantidade de fatores de produção que são vitais para o
suprimento de bens e serviços de que a sociedade necessita.
b) A entrada de fatores e a saída de materiais do estoque das
empresas.
c) As relações entre os proprietários de recursos e as unidades
mobilizadoras destes recursos.
d) Os movimentos de dinheiro e sua destinação e uso.
e) O fornecimento de fatores de produção.
Resposta correta: alternativa d. A alternativa a está incorreta visto que
o fluxo monetário não aponta quantidade de fatores. A alternativa b é
relacionada ao estoque das empresas, e não ao fluxo de suas atividades.
As alternativas c e e referem-se ao fluxo real.
2 . 5 As questões centrais da economia
O problema econômico determinado pela impossibilidade dos recursos
escassos de atenderem às necessidades humanas limitadas nos conduz a
questões fundamentais, que demandam soluções através dos processos
econômicos:

O quê e quanto produzir?

Como produzir?

Para quem produzir?
À ciência econômica cabe reunir informações e orientar processos que
possibilitem o tratamento de cada um desses problemas. A aplicação das
soluções propostas pela economia é de responsabilidade da própria
coletividade, observados os aspectos de natureza social, política, histórica,
física, tecnológica, etc.
O quê e quanto produzir?
A produção de determinado bem, em função da escassez de recursos,
implica a não-produção de outro. Como exemplo, o fato de que a terra
usada na produção de álcool, visando gerar combustível para os
automóveis, não poderá ser utilizada na produção de alimentos. A fronteira
de possibilidades de produção é um instrumental simples, mas que auxilia a
explicar a questão relacionada com “o quê e quanto produzir”.
A tabela 1 a seguir revela algumas alternativas de produção para dois
bens (alfa e beta) ditadas pelos recursos disponíveis – capital, terra,
trabalho, tecnologia e capacidade empresarial – e pelo estágio da tecnologia
de uma determinada economia.
A representação gráfica em duas dimensões – um eixo dos x, considerada
a primeira variável e um eixo dos y, a segunda variável –, utilizando dados
econômicos observados ou idealizados, é um instrumento de apoio de
fundamental importância na apresentação das questões econômicas.
Podemos apresentar os dados da tabela 1 num gráfico de duas dimensões
(denominado plano cartesiano) tal que as quantidades do bem beta sejam
demonstradas no eixo dos y (das ordenadas) e as do bem alfa, no eixo dos
x (abscissas).
Desta forma, utilizando este sistema de coordenadas cartesianas,
poderemos posicionar as alternativas A, B, C, D, E e F:
O gráfico 2 une os pontos A a F, que constituem a fronteira ou curva de
possibilidades de produção (CPP) e representam as alternativas
apresentadas na tabela 1. Pode ser observado um decréscimo na produção
do bem beta, à medida que aumenta a produção do alfa. No ponto A,
todos os fatores são utilizados para a produção de beta. Em F, os recursos
são alocados, exclusiva mente, para a produção de alfa. Entre esses dois
extremos, há pontos intermediários (B a E) que revelam a escassez dos
recursos e o sacrifício de unidades de produção de um bem quando se
aumenta a produção do outro.
Todo ponto da CPP representa, pois, uma alternativa que utiliza com a
máxima eficiência, dada a tecnologia disponível, as alternativas de
escolhas de produção dos dois bens. Eventualmente, a produção pode ficar
num ponto aquém dessa fronteira, como se observa com U no gráfico 3, em
função de problemas econômicos, políticos ou sociais, como crises
financeiras, guerras, epidemias, etc. Nesse caso, não estamos empregando
os fatores de produção com a máxima eficiência, ou seja, não estão sendo
empregados todos os recursos disponíveis com a máxima eficiência,
havendo, portanto, desemprego de fatores. Poderíamos, então, expandir a
produção de um ou mesmo dos dois bens até chegarmos aos limites das
possibilidades de produção (CPP).
Não podemos, entretanto, produzir além da CPP, isto é, acima da curva.
A CPP, porém, pode ser deslocada para cima e à direita, como
demonstra o gráfico 4, a seguir, possibilitando o crescimento da produção
em função de novas e melhores combinações de utilização dos fatores de
produção, que pode ocorrer devido a um aumento na quantidade do fator
capital, uma melhoria qualitativa na força de trabalho e, ainda, do
progresso tecnológico, responsável por novos métodos de produção.
Inversamente, uma diminuição de fatores de produção pode levar a um
deslocamento da CPP para a esquerda, e pelo mau funcionamento da
economia, devido a fatores internos ou externos.
A análise da CPP conduz à discussão sobre o conceito de custo de
oportunidade, entendido como a renúncia ou sacrifício de produção ou
obtenção de um bem quando outro é escolhido. Assim, o custo de
oportunidade para a obtenção da primeira unidade do bem alfa é uma
unidade de beta, conforme pode ser verificado na tabela 2. A segunda
unidade de alfa demanda a desistência da produção de mais duas
unidades de beta; a terceira unidade de alfa exige um custo de
oportunidade de mais quatro unidades de beta, e assim por diante. Ao
final, para a produção da quinta unidade de alfa, deverão ser sacrificadas
mais oito unidades de beta.
Esse custo de oportunidade, no caso específico de opções entre cada
alternativa de produção de alfa e beta, está demonstrado no gráfico 5.
A análise da CPP traz, também, o conceito conhecido com “Lei dos
rendimentos decrescentes” ou, ainda, “Lei da produtividade marginal
decrescente”. Vimos que o aumento da utilização dos fatores de produção
ocasiona deslocamentos positivos da CPP. Ampliando-se a quantidade de
um fator variável e fixando a dos demais fatores, a produção aumentará,
inicialmente, mas as taxas serão decrescentes. Se mantivermos essa
situação, atingiremos um ponto a partir do qual teremos decréscimo da
própria produção.
Suponhamos,
utilização de
num
primeiro
momento,
que,
como
resultado
da
100 unidades do fator terra
300 unidades do fator capital
50 unidades do fator trabalho
obtém-se
30 unidades do bem alfa e
40 unidades do bem beta.
Num segundo instante, mantendo-se constante a quantidade do fator
terra e aumentando-se o capital e a mão-de-obra para 360 e 60 unidades,
respectivamente, a produção passaria para 35 e 45 unidades de alfa e
beta.
Assim, para um aumento de 20% nos fatores, a produção cresceria em
torno de 1 7%.
Num terceiro momento, utilizando-se
100 unidades do fator terra
430 unidades do fator capital
70 unidades do fator trabalho
a possibilidade de produção atinge
38 unidades do bem alfa e
48 unidades do bem beta.
Percebe-se, nessa simulação, que a cada novo aumento de 20% nos
fatores capital e trabalho, mantendo constante a terra, as possibilidades de
produção aumentam menos de 9%.
Como produzir?
Esta indagação está relacionada às possibilidades tecnológicas de
produção da economia, que devem adotar técnicas e processos de produção
que combinem, de forma eficiente, seus recursos humanos e patrimoniais.
A absorção de novas tecnologias, todavia, não deve gerar desperdício de
capital humano.
Para quem produzir?
Vasconcellos (2007, p. 5) lembra que essa questão é “(...) decidida no
mercado de fatores de produção (pelo encontro da demanda e oferta [que
estudaremos posteriormente] dos serviços dos fatores de produção”.
Trata-se de uma questão relacionada com a distribuição da renda entre
os vários agentes econômicos, que se almeja que seja a mais justa possível,
resolvendo os problemas de grande inequidade entre indivíduos, setores e
regiões. Essa desigualdade tem servido de base para as contendas entre as
classes sociais.
A figura 3, a seguir, apresenta uma combinação entre uma estrutura
produtiva eficiente, resolvendo as questões “o quê e quanto produzir” e
“como produzir” – e a justa distribuição da produção, solucionando o
problema “para quem produzir”.
A economia de mercado e as questões centrais da economia
Numa economia de mercado, com a propriedade privada dos meios de
produção, as questões econômicas são resolvidas via mecanismo de preços,
verificados nos vários mercados de bens, serviços e financeiros.
Os indivíduos procuram pelas alternativas que lhes tragam mais
satisfação e vantagens, enquanto as empresas esperam maximizar seus
lucros. Nessa liberdade de atuação da oferta e da procura,
contrabalançada pela livre concorrência, não é desejável a intervenção do
Estado na economia, cabendo-lhe, outrossim, estabelecer leis e contratos
que possibilitem o funcionamento do mecanismo dos preços e do mercado.
As decisões sobre “o quê e quanto produzir” seriam tomadas pelos
consumidores e produtores. “Como produzir” seria resolvido pela competição
entre os produtores, em busca de condições mais eficientes de alocação
dos fatores de produção. A questão “para quem produzir” dependeria da
capacidade de aquisição dos bens produzidos, de acordo com os
rendimentos auferidos pelos agentes econômicos.
Síntese do tema
Abordamos, aqui, os conceitos
produção, custos de oportunidade e
questões centrais da economia “o quê
“para quem produzir” e como isso é
no funcionamento dos mercados.
Questões para revisão
de fronteira de possibilidades de
lei dos rendimentos decrescentes e as
e quanto produzir”, “como produzir” e
resolvido por uma economia baseada
1.
O que você entende por problema econômico e quais são as
questões fundamentais que ele gera para a economia?
2.
Qual é o significado da questão “como produzir”?
3.
Qual é o significado da questão “para quem produzir”?
4.
Explique o conceito que é relacionado à questão fundamental da
economia “o quê e quanto produzir”.
5.
O que se entende por fronteira de possibilidades de prod ução?
6.
Como é feita a representação gráfica da curva de possibilidades de
produção (CPP)?
7.
O que se entende por uma economia que não esteja operando com a
melhor utilização de seus fatores de produção? Como isso é
representado na CPP?
8.
O que é comum em todos os pontos/alternativas situados na CPP?
Qual é o significado da CPP?
9.
Há possibilidade de uma economia aumentar suas possibilidades de
produção? Como isso ocorreria?
10.
O que é custo de oportunidade?
11.
As possibilidades de produção de uma economia podem ser reduzidas
em algum momento? Que aspectos poderiam justificar essa situação?
12.
Mencione algum exemplo, em sua experiência pessoal, em que você
teve que arcar com um custo de oportunidade.
13.
As curvas de possibilidades de produção mostram:
a) A quantidade total de bens existentes na economia.
b) Quanto se pode produzir de bens utilizando as quantidades de
trabalho.
c) Quanto se pode produzir de todos os bens utilizando todos os
recursos da economia dada uma tecnologia.
d) A ociosidade dos fatores de produção.
e) O emprego eficiente dos recursos disponíveis na economia.
Resposta correta: alternativa e. A alternativas a e c indicam tudo o que
poderia ser produzido na economia. A b indica tudo o que poderia ser
produzido na economia utilizando apenas um fator de produção. A
alternativa d trata do desemprego de recursos, o que se dá no espaço
interno determinado pela fronteira das possibilidades de produção.
2 . 6 A s a l t e r n a t iv a s d e s i s t e m as e c o n ô m i c o s
Ao longo do tempo, cada sociedade tem organizado a sua vida
econômica visando ao atendimento às prioridades e escolhas que objetivam
o seu crescimento, apesar de contar com escassez de recursos.
Essas alternativas de organização, visando resolver os problemas
relacionados com a produção e a distribuição dos bens e serviços, podem
ser sintetizadas em três conjuntos, isto é, economias que se valem da
tradição, mando e mercado.
A tradição ou herança
Nestas sociedades, as respostas aos problemas centrais da economia
eram conseguidas com base em tarefas ensinadas e transferidas para as
sucessivas gerações – de pai para filho.
Adam Smith, em sua obra The wealth of nations (A riqueza das nações),
indicava que, por princípios religiosos, o indivíduo era obrigado a seguir a
ocupação de seu pai, como uma espécie de força estabilizadora da
sociedade. Apesar da crescente transferência do campo para a cidade,
basicamente, era o nascimento que determinava as funções a serem
exercidas pelo indivíduo na sociedade, seguindo a mesma trilha de seus
antecedentes.
Por um longo tempo, as economias baseadas na tradição procuravam
resolver as suas necessidades de produção e distribuição. Mas essa
alternativa de solução dos problemas e questões econômicas era estática e,
como tal, dificultava a mobilidade e o crescimento da sociedade.
Abreu (1995, p. 13) comenta:
É uma sociedade tribal, onde as tarefas são rotineiras e herdadas
através dos tempos, não evoluem e se tornam estagnadas em
todos os aspectos – técnicos, sociais, econômicos, etc. Possuem
uma rudimentar divisão do trabalho em poucas atividades, gerando
um sistema de trocas diretas (...) tornando desnecessário o uso
da moeda.
O mando
Antigo como a alternativa anterior, este método é caracterizado por um
sistema que opera sob o comando de um líder ou ditador, e as atividades
econômicas são impostas e coordenadas via planejamentos centrais e
setoriais. Ele, porém, não foi somente adotado pelas antigas sociedades,
considerando-se, por exemplo, os casos dos países que optaram, no próprio
século XX, pelo comunismo como orientação política e social.
Diferentemente da tradição, nesse sistema pode ocorrer, em vez da
diminuição, um aumento no ritmo da mudança econômica. A existência de
uma liderança pode se tornar um importante facilitador para a implantação
de mudanças econômicas, aliviando as pressões sobre o governo, que,
então, pode melhor direcionar os recursos públicos visando aumentar a
eficiência da economia ou melhorar a distribuição de renda entre os agentes
econômicos.
O mercado
Uma terceira solução para o atendimento ao problema econômico é a
organização da sociedade com base no livre funcionamento dos mercados,
garantindo a interação de indivíduos, sem a orientação da tradição ou do
mando. O bom ou mau funcionamento desse sistema é responsável pelos
problemas enfrentados pelas sociedades atuais e, por isso, reconhece-se a
importância do conhecimento da ciência econômica para a compreensão dos
mecanismos que balizam as atividades das sociedades que escolheram esse
tipo de organização para a produção e distribuição dos seus bens e serviços.
Abreu (1995, p. 14) indica que
No sistema capitalista tem-se a garantia institucional ou legal da
propriedade privada dos meios de produção, e os agentes
possuem plena liberdade de escolha entre o quê, como e para
quem produzir.
Síntese do tema
Procuramos demonstrar as alternativas de solução dos problemas e
questões econômicas com base na tradição, no mando, mais adotadas no
passado, e no mercado, que tem sido a escolha atual da maioria dos países.
Questões para revisão
1.
Por que são necessárias escolhas para o
necessidades prioritárias dos agentes econômicos?
atendimento
às
2.
Quais são as alternativas de organização econômica para a superação
dos desafios da economia?
3.
O que é, em essência, uma economia organizada com base na
tradição?
4.
De que maneira uma economia governada pelo mando resolve o
problema da produção e da distribuição?
5.
É importante a garantia da propriedade privada numa economia de
mercado? Por quê?
6.
O que se entende por uma solução estática do problema econômico?
7.
Você consegue identificar o mando nas relações econômicas em
região? E a tradição? Cite exemplos.
8.
O que se pode concluir como sendo comum a respeito dos sistemas
de mando e tradição?
9.
Você herdou as ferramentas utilizadas por seu bisavô, de-pois seu avô
e em seguida seu pai. Com este, você aprendeu uma profissão e se
habilitou no mercado, oferecendo produtos e serviços. Você é parte
de que sistema(s)?
10.
Quando as pessoas executam tarefas sob a supervisão de um mestre
de obras, fica caracterizado um sistema baseado na tradição?
11.
Uma escola poderia ser constituída num sistema de tradição? E no de
mando?
12.
No sistema de mercado, são os indivíduos que interagem para a
solução dos seus problemas econômicos. Isso não se aplica num
sistema de mando?
13.
Qual dos três sistemas (tradição, mando e mercado) está presente
nos dias de hoje, nas economias emergentes? Existe alguma
exceção?
14.
Nas sociedades primitivas agrárias e não-industriais, a forma mais
comumente utilizada para resolver problemas econômicos:
a) É o mando econômico.
b) É a tradição.
c) É a sociedade de mercado.
d) É um misto do mando com a sociedade de mercado.
e) As alternativas a e c complementam adequadamente a
assertiva.
Resposta correta: alternativa b. Os conhecimentos passavam de geração
a geração, transmitindo soluções para problemas que se repetiam. A
alternativa a está errada, visto que o mando econômico foi, também,
adotado em modernas sociedades. Também estão incorretas as alternativas
c, d e e, dado que a economia de mercado prevalece na época atual.
3 A EVOLUÇÃO PARA A SOCIEDADE DE MERCADO
Objetivo
Neste ítem, são analisados a evolução e os determinantes das várias
organizações econômicas, cobrindo, de forma mais detalhada, o período
desde o declínio da Idade Média até o século XIX, com a consolidação da
Revolução Industrial.
Introdução
Abreu (1995, p. 21) comenta:
As primeiras manifestações sobre o significado do que era economia
constituíam mais um conjunto junto de regras de moral prática e
de conselhos políticos aos soberanos do que um conjunto de
investigações científicas.
Os pensamentos econômicos eram uma das preocupações de Aristóteles,
na Grécia Antiga. Esse filósofo, ao que se sabe, foi o primeiro a tentar
estabelecer as diferenças entre valor de uso e valor de troca.
Nessas sociedades da Antiguidade, havia o predomínio do poder político
sobre o econômico.
Heilbroner (1980, p. 42) observa que “Todas as sociedades antigas eram
basicamente economias rurais. Isso não impediu que houvesse uma
sociedade urbana muito (...) rica (...)”.
Henry Pirenne (apud Abreu, 1995, p. 22) escreveu a respeito das
corporações de trabalho da Idade Média: “(...) um grupo que desfrutava o
privilégio de praticar exclusivamente uma profissão determinada segundo os
regulamentos sancionados pela autoridade pública (...)”.
A queda do Império Romano do ocidente e as sucessivas invasões de
povos oriundos do norte, do leste e do sul fizeram com que os campos
europeus fossem retalhados, e iniciou-se o período que ficou conhecido como
Idade Média. A região passou a contar com uma hierarquia feudal na qual o
servo ou camponês era protegido pelos senhores feudais, que também
deviam fidelidade e eram protegidos por senhores mais poderosos. Essa era a
estrutura do sistema até chegar-se ao rei. Os camponeses eram vinculados a
determinado senhor, que representava amplamente o poder (político, militar,
econômico e social). Trabalhavam para esse senhor, entregando-lhe bens em
espécie e, posteriormente, pagando taxas e tributos. Recebiam do senhor
feudal, em troca, proteção militar e, muitas vezes, econômica (em situações
de crises).
Desse período até o (re) surgimento das ideias liberais, em meados do
século XVIII, notadamente, ocorreram vários fatos que desaguaram na
implementação da moderna sociedade de mercado.
Síntese do módulo
Esse ítem apresentará uma análise da história das transformações das
sociedades econômicas até a atual organização fundamentada na livre
atuação dos mercados.
3 . 1 As mudanças
O mercador itinerante pode ser identificado como um dos fatores
transformadores das anteriores organizações sociais e econômicas.
Percorriam enormes distâncias em estradas de péssima conservação e
contribuíam para a mudança dos hábitos das comunidades que visitavam,
incentivando o comércio entre os agentes econômicos.
A crescente urbanização, reforçada a partir dos burgos (pequenas regiões
em que os mercadores se instalavam, próximas a castelos e fortificações
medievais) ia também contribuindo para o desenvolvimento das atividades
de comércio.Desenvolvimentos básicos na agricultura e melhorias nos
esquemas de energia e de transportes foram pré-requisitos para essa
disseminação, estimulando a expansão urbana e incentivando a indústria.
A influência desintegradora do feudalismo fazia com que as cidades, cada
vez mais, surgissem como organizações cooperativas, com crescente
independência política e econômica. Sua existência proporcionava a base para
a expansão das transações monetárias. Com a crescente liberdade e
prosperidade das cidades, começaram a surgir diferentes classes sociais – a
oligarquia comercial, associada em guildas – e os governos das cidades.
As expedições que ficaram conhecidas como Cruzadas constituíram, por
certo, outro componente de grande importância nessas mudanças
econômicas e sociais.
Elas não podem ser consideradas apenas como ações de cunho religioso,
para a conversão ao cristianismo dos povos pagãos do oriente, já que
tinham objetivos econômicos, tais como os de colonização e de exploração
das regiões que conquistavam. A partir delas, houve a aproximação de dois
universos muito diferentes: o feudalismo europeu, com predominância das
atividades rurais, e a exuberância urbana das nações orientais, que, ao
contrário das primeiras, buscavam ativamente o comércio e a obtenção de
lucros.
Heilbroner (1980, p. 74) comenta que “(...) os simplórios cruzados viamse transformados em peões de um jogo de interesses econômicos que eles
pouco entendiam (...)”.
No rol dessas mudanças, não se pode esquecer do forte papel
desempenhado pela constituição dos Estados Nacionais em função da
aglutinação das fragmentadas entidades econômicas e políticas da Europa em
conjuntos maiores. Durante grande parte da Idade Média, muitos dos direitos
do senhor feudal tornaram-se fracos ou incertos, ocasionando a
fragmentação do poder político.
Papel de grande importância em todas essas transformações foi também
representado pela empreitada das grandes explorações marítimas, entre
os séculos XIV a XVI. Elas permitiram um afluxo de metais preciosos (ouro e
prata) para a Europa, a partir da Espanha, originados das minas do México e
do Peru. Tais metais eram transferidos para outros países, com os
pagamentos, em ouro, das importações espanholas. Tal fato elevou
drasticamente a inflação, favorecendo a especulação e o comércio.
Outro fator de destaque para a explicação dessas mudanças pode ser
encontrado na mudança do espírito religioso que vigorava na época.
A Igreja, detentora de grandes fortunas, exercia uma enorme influência
sobre a vida humana em geral. Abreu (1995, p. 23) comenta que
O pensamento econômico medieval era prático e dependente da
moral cristã, a qual exercia uma forte restrição ao ganho
excedente. A Igreja reconhecia a dignidade do trabalho, mas
condenava os juros e só admitia o preço justo.
A Igreja ensinava que era temporária a vida na terra e, assim, todos
deveriam se preparar para a eternidade. O reformador protestante João
Calvino (1 509-1564) foi um dos responsáveis por uma grande reforma, ao
pregar com base em uma nova ótica teológica, segundo a qual, desde o
começo, Deus tinha escolhido os salvos e os condenados, e nada que o
homem pudesse fazer na terra alteraria essa determinação sagrada e
inviolável.
Os calvinistas aprovavam, porém, o esforço humano, o que desenvolveu
a ideia de que isso era uma demonstração da dedicação à vida religiosa. Foi
tomando corpo a ideia de que um homem bem-sucedido poderia estar mais
perto de Deus.
Gradualmente, foi ocorrendo, também, a monetarização das
obrigações feudais. Os pagamentos em espécie são gradativamente
substituídos por tributos e rendas da terra em dinheiro, o que era bem-visto
pela nobreza rural, que precisava pagar por seu consumo. A inflação,
destarte, corroía o valor real dos recebimentos feudais, diminuindo o seu
poder de compra. A expansão da economia monetária é, pois, um novo
fator que transferiu o poder às novas classes mercantis, bem mais
habituadas ao uso do dinheiro.
Os reis foram cada vez mais se associando aos mercadores, já que estavam
frequentemente endividados e tinham grandes despesas com a manutenção
do reino e o suporte às atividades militares.
Síntese do tema
Neste tema, foram abordadas as grandes transformações que estavam
ocorrendo nas sociedades econômicas a partir do século X, e que foram
levando ao surgimento da sociedade de mercado.
Questões para revisão
1.
Mencione alguns exemplos de estudos econômicos realizados na
Antiguidade.
2.
Como o mercador itinerante contribuiu para o surgimento da
sociedade de mercado?
3.
Aponte como foram crescendo os processos de urbanização na
Europa.
4.
A urbanização que se processou na época medieval se assemelha à
dos dias de hoje?
5.
Em sua opinião, o que é que provoca hoje a migração da população
rural para a zona urbana? E como isso se dava na época medieval?
6.
A constituição dos Estados Nacionais contribuiu
desenvolvimento das sociedades baseadas na tradição?
para
o
7.
As Cruzadas representaram um importante
fortalecimento do feudalismo? Por quê?
para
o
8.
O que se entende por “aglutinação das fragmentadas entidades
econômicas e políticas da Europa em conjuntos maiores”?
9.
Como país explorado e colonizado, qual foi a contribuição do Brasil
para o surgimento de uma sociedade de mercado?
10.
De que maneira o crescente poder nacional contribui para o
surgimento de uma sociedade de mercado?
11.
Cite uma das forças invisíveis que possibilitaram o surgimento da
sociedade de mercado. Alguma delas ainda impera nos dias de hoje
com intensidade maior ou menor do que aquela?
12.
Qual foi a consequência sobre o nível dos preços na Europa, como
decorrência do afluxo de metais nobres nos países que participavam
das explorações marítimas?
13.
Qual é a diferença fundamental entre um e outro pensamento
religioso quanto à vocação e às responsabilidades do homem aqui na
terra?
14.
Quais eram os compromissos dos senhores feudais antes e depois da
monetarização de suas obrigações?
15.
O que significou a monetarização das obrigações feudais?
fator
16.
Como a Igreja via a geração de excedentes na economia, antes da
reforma de Calvino?
a) Como algo importante para a constituição da riqueza de uma
nação.
b) Não exercia qualquer influência sobre antigas sociedades
econômicas.
c) Como algo condenável, em relação ao propósito maior de
preparação do indivíduo para a vida eterna.
d) Como algo que poderia favorecer as classes mais populares.
e) Como um desenvolvimento do esforço humano.
Resposta correta: alternativa c. Antes do surgimento da economia de
mercado, a Igreja, os exércitos e o poder do Estado predominavam sobre os
mercadores e negociantes. Essa relação de forças seria modificada com o
advento da economia de mercado. A Igreja era contrária à geração de
excedentes, o que invalida as alternativas a, d e e. A alternativa b também
está incorreta, considerando a grande influência da Igreja sobre as antigas
sociedades.
3.2 A configuração dos fatores de produção trabalho, terra e
capital
O progressivo aumento da monetarização alterou as próprias relações
sociais e do modo de produção da economia.
O trabalho já não era meramente uma relação social em que servo ou
aprendiz trabalhava para um senhor feudal ou mestre de corporação,
recebendo deste uma proteção militar e econômica para a sua subsistência;
transformou-se numa mercadoria, oferecida no mercado pelo melhor preço
que se pudesse obter, desprovida de quaisquer responsabilidades recíprocas
por parte do comprador, excetuado o pagamento de salários.
A terra passou a ser considerada também possível de ser comprada ou
arrendada, em função do retorno econômico que propiciava. A renda
monetária determinada pelo seu uso produtivo substituiu os antigos tributos e
taxas e os pagamentos em espécie. Ocorre a mesma transformação com a
propriedade: passou a ser tratada como capital, podendo gerar juros ou
lucros.
Os cercamentos e delimitações dos campos pelos senhores rurais eram
fortemente estimulados pelo florescimento da manufatura e crescimento das
exportações de lã, também fontes de receita monetária, ao permitir a criação
de carneiros e ovelhas.
Analisando sob o aspecto puramente econômico, essa mudança propiciou
emprego produtivo a terras que, até então, produziam de forma insuficiente.
Destarte, tais medidas levaram à expulsão dos camponeses da lavoura,
criando uma força de trabalho: sem terra, suas fontes tradicionais de
rendimentos, sendo remunerada por um salário monetário, que precisava
procurar trabalho, que pudesse encontrá-lo, inclusive nas cidades que iam se
desenvolvendo.
Esse novo proletariado urbano, aliado ao crescimento da população,
decorrente da expansão da produção de alimentos, contribuiu de forma
decisiva para a transformação gradual das corporações em empresas.
Esse processo de crescimento econômico alterou as formas de
reconhecimento de poder e prestígio de todas as classes sociais, mudando a
fisionomia da sociedade econômica europeia. Foi se tornando cada vez mais
corriqueiro fazer trocas e, portanto, comércio. A sociedade pré-mercantil
transformou-se noutra, baseada na liberdade do trabalho, arrendamento de
terras e geração de lucros. Nas economias pré-mercantis, o trabalho e
outros fatores não participavam diretamente do processo de produção,
sendo remunerados por um preço. Apenas quando esses fatores passam a
ser negociados em dinheiro é que se chega à moderna sociedade comercial.
Heilbroner (1980, p. 88) comenta:
Um trabalhador que se tornou “fator de produção” é dono de seu
próprio trabalho, que ele tem liberdade de vender do modo mais
vantajoso possível, algo que o escravo ou o servo não podia fazer.
Ao mesmo tempo, o trabalhador livre, que não é propriedade de
ninguém, também não é obrigação para ninguém. O empregador
compra o trabalho de seus empregados, não suas vidas. Toda a
responsabilidade pelo trabalhador termina quando ele deixa o
escritório ou a fábrica de seu empregador, escritório ou fábrica que
é “propriedade” do dono.
Essas novas relações na sociedade alteraram o antigo sistema
fundamentado na tradição e no mando, passando a predominar a liberdade e
a naturalidade nas relações econômicas.
Síntese do tema
Neste tópico, consideramos as mudanças sofridas pela organização
fundamental do sistema econômico, a partir das antigas alternativas
baseadas na tradição ou herança e no mando, até a predominância do
sistema de livres mercados. Foram discutidas as transformações dos
conceitos de terra, trabalho e capital como fatores de produção dessa nova
economia.
Questões para revisão
1.
Quais foram os efeitos da crescente monetarização da economia, na
transição para a sociedade de mercado?
2.
Numa economia baseada no livre funcionamento dos mercados, quem
são os proprietários dos fatores de produção?
3.
Quais foram as modificações que aconteceram, ao longo do tempo,
em relação ao fator trabalho?
4.
Qual analogia pode ser feita entre os fatores trabalho e terra, quando
se estuda as transformações ocorridas no processo produtivo?
5.
Como se materializava o uso lucrativo da terra?
6.
O que significou o levantamento de cercas e delimitação das
fronteiras das áreas agrícolas?
7.
Quais as consequências
camponeses da lavoura?
8.
O que significou o proletariado urbano? Qual foi a sua importância
para o desenvolvimento de uma economia de mercado?
9.
O que havia antes do trabalho livre? Você conhece algum caso de
trabalho escravo em sua região?
10.
É possível obter algum lucro da exploração da terra? E antes que isso
fosse possível, qual era o significado de propriedade de terras?
11.
Em que momento um “escravo” se transforma em um “trabalhador”?
12.
Em que momento um “mestre de corporação” não é “capitalista”?
13.
Quando se dá a passagem de “um senhor” para “um proprietário”?
14.
Um servo do período medieval pode ser considerado um escravo? Por
quê?
15.
A transformação da sociedade medieval para uma sociedade de
mercado passa, necessariamente, dentre outros aspectos, por:
a) Um profundo
religiosos.
do
levantamento
sentimento
de
de
cercas
observação
b) Considerações de cunho religioso e
caracterizaram o movimento das Cruzadas.
dos
para
os
preceitos
econômico,
que
c) Uma guinada na direção da atividade econômica, com ênfase
nas forças da demanda e da oferta.
d) Uma profunda revisão do papel dos governos na evolução da
sociedade econômica.
e) Todas as considerações acima complementam adequadamente
a assertiva.
Resposta correta: alternativa c. Se antes a decisão sobre o quê produzir
advinha da vontade do senhor feudal, na sociedade de mercado os desejos
do consumidor já se faziam sentir como determinantes da oferta de bens e
serviços. A alternativa a está errada dado que o profundo cumprimento dos
preceitos religiosos era anterior ao sistema de mercado. O movimento das
Cruzadas contribuiu para o enfraquecimento do sistema feudal, mas não
pode ser referenciado como formador da sociedade de mercado, o que
invalida a alternativa b. A alternativa d está errada, pois a sociedade de
mercado advoga uma menor participação do Estado na economia. Também
está errada a alternativa e, visto que apenas uma pode ser considerada
válida.
3.3 Ascensão do “motivo de lucro”, a “filosofia” do comércio e o
mecanismo de mercado
A partir das novas ideias, decorrentes das transformações sociais antes
comentadas, foi surgindo um novo ambiente global e uma nova forma de
controle social. O indivíduo, neste momento, procurava realizar trocas que
maximizassem a sua renda, o que, resumidamente, traduzia-se no chamado
motivo de lucro, o qual, apesar de já existir, foi exacerbado pela economia
de mercado. E isso ocorria com as transações envolvendo todos os fatores de
produção, inclusive a força de trabalho, cujo preço (salário) era aquele
que, como no caso do proprietário de terras e do próprio capitalista,
garantia a manutenção, a subsistência e o crescimento do agente
econômico. A procura pela maximização da renda (e consequente redução
dos custos) tornou-se uma poderosa força condutora da sociedade.
Os pensadores econômicos e políticos alardeavam as vantagens de um
mundo livre e ávido por lucros. Enquanto na Inglaterra era considerada
riqueza a posse de mais ouro e prata, os fisiocratas, adeptos da lei natural,
entendiam que toda riqueza, afinal, era derivada do uso produtivo da terra,
considerando os mercadores e as outras classes sociais, como os próprios
fabricantes, participantes de classes estéreis, que não geravam excedentes
para a formação da riqueza nacional.
O controle capitalista foi, então, estendido ao processo de produção. Foi
criada uma força de trabalho que possuía pouco ou nenhum capital e nada
tinha a vender, a não ser a sua força de trabalho.
Essas características marcam o surgimento do sistema econômico do
capitalismo. O mercado e a busca pelo lucro monetário substituíram os
costumes e a tradição, na determinação de quem executaria certa tarefa e
como ela seria realizada.
Esse período de efervescência levantou novas indagações.
Heilbroner (1980, p. 91) indicou algumas:
A concorrência devia ser regulamentada ou entregue a si mesma?
A exportação de ouro devia ser proibida, ou deveria permitir-se
que o “tesouro” entrasse ou saísse livremente do reino, segundo
as correntes de comércio o ditassem? O produtor agrícola deveria
ser tributado por constituir a fonte original de toda a riqueza, ou
deveriam os impostos recair sobre a próspera classe mercantil?
Essa nova realidade foi melhor analisada a partir dos estudos de Adam
Smith, admitido por muitos como o patrono da ciência econômica, com a
sua obra A riqueza das nações, publicada em 1776, ano em que também
ocorria a revolução norte-americana.
Smith considerava que o homem era, naturalmente, propenso
realização de trocas, e entre suas ideias, destacam-se:
à
O individualismo resultava em ordem, não em caos; a competição entre
as pessoas acionava as forças de mercado, conduzindo a um crescimento
ordenado da riqueza da nação; não havia conflito entre benefícios
individuais e coletivos.
O caminho da fraternidade – ao menos em termos econômicos – passava
pelo egoísmo competitivo. Essa aspiração por prosperidade, casada comum a
tendência natural a trocar e comercializar, conduzia à especialização, ao
investimento de capital e a um crescimento econômico estável; o bem-estar
da comunidade era maximizado.
À indagação dos motivos que exercem poderoso crescimento sustentável,
considerando que o impulso para aumento dos investimentos de capital
poderia ser compensado pelo crescimento da demanda de trabalhadores,
elevando os seus salários, ocorrendo uma redução dos lucros do fabricante e
queda de novos investimentos, Smith entendia que a demanda de
trabalhadores aumentaria os salários e a oferta de mão-de-obra no
mercado de trabalho, em função de melhores condições de vida para toda a
população.
As ideias de Adam Smith foram retomadas e aprimoradas por outros
economistas clássicos e, até hoje, exercem poderosa influência sobre as
modernas sociedades de mercado.
Smith (1983) comenta:
Não é da benevolência do açougueiro, do fabricante de cerveja ou
do padeiro que podemos esperar nosso jantar, mas da
consideração deles aos seus interesses pessoais. Não nos dirigimos
à sua humanidade, mas ao seu egoísmo, e nunca lhes falem de
vossas necessidades, mas da vantagem deles.
Para Smith, o controle dessa nova sociedade reside no mecanismo da
concorrência. Um produtor não poderia vender o seu produto a preço
maior do que o estabelecido por seus concorrentes, o mesmo acontecendo
com os salários do trabalhador ou do aluguel cobrado por um proprietário
de terras, sob pena de serem excluídos do mercado. Existirá, portanto, o
que Smith denominou uma “mão invisível” direcionando os interesses
individuais ao bem-estar social.
A concorrência de preços faz com que os produtores e consumidores
satisfaçam suas ambições, com base na oferta e na procura dos bens e
serviços, caracterizando o mercado como um processo fiscalizador e
autorregulador, tanto dos preços quanto dos lucros e salários.
Síntese do tema
Neste tema, foi abordada a afirmação da economia de mercado, a partir
da mudança filosófica trazida pela aceitação do “motivo de lucro” pela
sociedade e o estabelecimento de uma “filosofia” do comércio.
Questões para revisão
1.
No que consiste o “motivo de lucro”?
2.
Como se materializa
contemporâneas?
3.
O “motivo de lucro” é uma invenção da sociedade de mercado?
Justifique sua resposta.
4.
O que se entende por capitalista começando a surgir no mercado?
5.
Como passa a ser visto o mercador, com a dissolução do feudalismo?
6.
“A riqueza provém, basicamente, do uso da terra”. Justifique esta
afirmativa.
7.
O que representava a classe dos fabricantes para os fisiocratas? E o
lavrador?
8.
Quem deveria pagar impostos após o advento e a prevalência da
este
“motivo
de
lucro”
nas
sociedades
classe mercantil? Os produtores agrícolas ou os mercadores? Por
quê?
9.
Qual é o significado de uma divisão de trabalho?
10.
Como se materializa a divisão do trabalho, com base nos descritivos
de Adam Smith?
11.
O desejo de melhoria de vida corresponde ao motivo de lucro?
Justifique sua resposta.
12.
Como é que o empreendedor obtém cada vez mais produtividade, na
concepção de Adam Smith?
13.
O que poderá garantir um crescimento contínuo e duradouro à
sociedade, segundo Adam Smith?
14.
Em um contexto econômico, o conceito de divisão do trabalho nos
termos relatados por Adam Smith:
a) Diminui significativamente a capacidade de produção.
b) Multiplica enormemente a capacidade de produção.
c) Não contribui para uma maior ou menor capacidade de
produção.
d) Tem influência sobre a capacidade de produção, em especial
na produção agrícola.
e) Contribui para a concentração da renda.
Resposta correta: alternativa b. A divisão do trabalho proporcionou a
obtenção de um crescimento acentuado nos níveis de produção, dada a
especialização e a produtividade do fator trabalho na execução de uma
mesma atividade repetidamente, invalidando, pois, as opções a e c. A
alternativa d está errada, uma vez que Smith entendia que a divisão do
trabalho favorecia todos os setores da economia, notadamente, os
industriais. A alternativa e está incorreta, dado que Smith, neste caso, não
se referia à repartição da renda entre os membros da sociedade, mas sim à
eficiência produtiva da economia.
4 A ESTRUTURA DO MERCADO
Objetivo
No início da economia de mercado, o sistema econômico era constituído,
entre outros aspectos, por grande número de pequenas empresas. Com o
crescimento e a diversificação da Revolução Industrial, a partir do final do
século XIX, foi aumentando o grau de concentração no sistema, com a
criação de grandes conglomerados e monopólios, que alteraram a face do
modelo capitalista.
A maior parte das estruturas de mercado admite a maximização do lucro
total, o que, na teoria neoclássica, é representado pela igualdade entre a
receita e a despesa marginal na produção de determinado bem ou serviço.
Algumas estruturas permitem o controle de preços pelos agentes
econômicos, enquanto outras, como é o caso da concorrência perfeita, faz
com que eles se comportem como tomadores e não formadores de preços.
Considerações iniciais
Passos e Nogami (2003, p. 287) indicam que
(...) mercados estão estruturados de maneira diferenciada em
função de dois fatores principais: número de firmas produtoras
atuando no mercado e homogeneidade ou diferenciação dos
produtos da firma.
Síntese do módulo
Neste ítem, serão tratadas as diferentes estruturas de mercado. A
estrutura escolhida será um dos fatores mais determinantes na formação
dos preços nos variados mercados.
4 . 1 Os modelos de estrutura de mercado
As estruturas de mercado são diversificadas, observando-se desde
aquela em que se vê um grande número, tanto de ofertantes quanto de
demandantes de produtos e serviços, até a situação em que apenas um
produtor ou mesmo um consumidor dominam, por completo, o mercado.
As teorias econômicas clássicas e neoclássicas enfatizam suas leis e
princípios tendo em vista a primeira dessas estruturas, isto é, a da
concorrência perfeita entre os agentes econômicos.
A concorrência perfeita reflete uma condição de mercado na qual a
quantidade de compradores e vendedores é tão grande que, na verdade,
nenhum deles, em sua ação
individual, consegue alterar o nível de preços vigente na economia.
As hipóteses para a constituição do mercado operando em concorrência
perfeita referem-se:

à existência de um grande número de compradores e vendedores,
pequenos, porém, em relação ao tamanho do mercado. Costuma-se
afirmar que os agentes desse mercado são tomadores de preços;

aos produtos homogêneos, isto é, perfeitamente substituíveis entre
si;

à livre entrada e saída de firmas do mercado, dada a inexistência de
barreiras legais e econômicas e de direitos de propriedade e
patentes;

à transparência de mercado, garantindo informação tanto para
vendedores quanto para compradores no mercado, de tal modo que
os concorrentes conhecem tanto a qualidade quanto o preço de
nossos produtos e vice-versa.
Todas as demais estruturas são, generica mente, conhecidas como sendo
de concorrência imperfeita.
Para melhor visualização dessas estruturas, monta-se o quadro 3, a
seguir:
A figura 4, a seguir, demonstra as estruturas fundamentais, mostrando o
“posicionamento” da concorrência perfeita, do monopólio e do oligopólio.
Como vemos, o monopólio representa uma alternativa em que uma
única empresa domina a oferta de determinado bem ou serviço, que, por
isso, não possui substituto.
O monopólio puro ocorre raramente, sendo mais comum o oligopólio, em
que um pequeno número de empresas é responsável pela oferta de
produtos e serviços.
Quando temos a predominância de um único comprador, fica caracterizada
a estrutura conhecida como monopsônio, cuja ocorrência também mais
comum é o oligopsônio, identificado por um mercado composto por muitos
vendedores, mas com poucos compradores. Um exemplo pode ser
identificado no setor industrial, quando um fabricante ou montador de
automóveis negocia com fornecedores que o atendem exclusivamente.
Resumida mente, compradores e vendedores interagem, com base em
diversas estruturas de mercado. Entre os fatores que dão forma a essas
estruturas de mercado, temos:

a quantidade de empresas vendedoras que atuam neste mercado;

o tamanho das empresas, quanto ao seu poder de compra e de
negociação;

o grau de interdependência entre as empresas que atuam no
mercado;

as semelhanças ou diferenças entre os produtos dessas em
presas;

a natureza e a quantidade de consumidores (empresas e
indivíduos);

a disponibilidade de informações disponíveis para os vendedores e
compradores, no que se refere a preços e condições comerciais;

o grau de habilidade de que as empresas individuais dispõem para
influenciar a procura no mercado como um todo via promoção do
produto, aspectos qualificativos, facilidades de comercialização,
etc.;

a facilidade com que as firmas entram e saem da indústria (isto é,
do respectivo setor de produção).
Uma das classificações mais simples e, ao mesmo tempo, mais abrangente,
foi proposta por Stakelberg em 1934, que estudou detalhadamente as
estruturas de concorrência imperfeita. Tanto do lado da oferta como da
demanda, podemos identificar as situações em que existe apenas um
agente econômico, uma pequena quantidade e uma grande quantidade de
agentes econômicos. Combinando-se essas situações, chegamos a uma
matriz de nove diferentes estruturas, como é mostrado no gráfico 6, a
seguir:
As estruturas de quase monopólio e quase monopsônio refletem os casos
em que existe um único vendedor ou comprador confrontando-se com um
pequeno número de compradores ou de vendedores, respectiva mente.
Os oligopólios são os modelos que mais se aproximam das estruturas de
mercado encontradas atualmente. O oligopólio bilateral caracteriza-se por
pequena quantidade de vendedores e também por uma pequena
quantidade de compradores.
Atualmente, destaca-se a concorrência monopolística, em que há muitas
empresas vendendo produtos diferenciados, que não são substitutos
próximos entre si, identificados por marcas diferentes, fazendo com que os
produtores possam comercializar o seu produto a um preço mais
conveniente, maximizando seus lucros.
As características das estruturas caracterizadas como de concorrência
imperfeita são:
Monopólio
É o extremo oposto da concorrência perfeita, admitindo apenas um
ofertante de um bem ou serviço que não apresenta um substituto próximo
ou concorrente no mercado, exercendo uma significativa influência na
determinação do preço do bem ou do serviço, em função de:

existência de uma única empresa ofertante para o produto: seja
por condições de acesso a determinada matéria-prima, detenção
de patente industrial sobre o produto e/ou processo de
fabricação ou mesmo direitos autorais;

inexistência de produtos substitutos próximos: no caso de
produtos complexos ou muito caros;

existência de barreiras à entrada de novas firmas na indústria:
necessidade de grande aporte de capital e/ou de conhecimentos
técnicos, permitindo a obtenção de economias de escala;

controles sobre a matéria-prima;

direitos autorais e patentes de produção: que impedem a
competição de outros produtores, na tecnologia de produto ou de
processo;

existência de monopólios legais: quando há a concessão do setor
público para a exploração de determinados serviços, como
abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica,
transporte coletivo, etc. Nesse caso, cabe ao governo a fiscalização
da quantidade e da qualidade do serviço oferecido e das taxas e
dos preços praticados no mercado. Há situações em que o próprio
Estado se encarrega da exploração de determinados recursos
minerais estratégicos (como o petróleo).
Concorrência monopolística
Este modelo insere-se entre a concorrência perfeita e o monopólio, à
medida que existem muitos ofertantes concorrendo entre si, com certa
facilidade para entrar ou sair do mercado. Há, como outro elemento
comparativo, certa facilidade para entrar ou sair do mercado. Os produtos
oferecidos são substitutos muito próximos, mas contam com elementos
diferenciadores que os tornam únicos, como é o caso de equipamentos
eletrônicos, eletrodomésticos, etc. E é essa diferenciação que irá possibilitar
ao produtor o poder de monopólio e a liberdade para determinar o preço do
produto, como é o caso do monopolista. Há uma resposta da demanda às
variações dos preços desses bens e serviços, que depende da “elasticidade-
preço da demanda”, que veremos posteriormente.
Oligopólio
Nesse caso, poucas empresas detêm o controle da maior parte do mercado
e este modelo se desenvolve por fusão, incorporação ou eliminação de
pequenas empresas, propiciando, tal como no monopólio, a obtenção de
economias de escala, em função de controle sobre as matérias-primas e da
existência de patentes e licenças de uso de marcas. Trata-se de uma
estrutura muito utilizada nas economias atuais.
No caso de oferta de produtos como o cimento e o alumínio, que são
considerados substitutos perfeitos entre si e, portanto, homogêneos, a
pequena quantidade de ofertantes caracteriza um oligopólio puro ou
oligopólio perfeito. O oligopólio diferenciado é caracterizado por uma
concentração de poucos ofertantes de produtos que possuem algum
diferencial entre si, como é o caso da indústria de cigarros e indústria
automobilística, dentre outras.
Os processos de união desses oligopólios abrangem situações como as
caracterizadas por um cartel, que é uma organização formal de produtores
de um mesmo setor, visando favorecer os participantes mediante a divisão
da produção e a maximização dos lucros totais do grupo. A capacidade
ociosa dos produtores é, segundo muitos estudiosos, um fator de
instabilidade dos cartéis, estimulando o não-cumprimento das condições
por eles com bi nadas.
Deve ser mencionada, também, a significativa interdependência entre os
oligopolistas, considerando que as decisões sobre preços são estabelecidas
de forma interdependente, em razão direta das condições de cada
participante e, naturalmente, influenciam as dos demais produtores.
A seguir, um resumo das principais estruturas de mercado, adaptadas no
quadro 4, abaixo.
Síntese do tema
Esse tópico identificou e comparou as características das diferentes
estruturas de uma economia baseada no livre funcionamento dos mercados.
Questões para revisão
1.
Qual era o tamanho das empresas no início da sociedade baseada no
livre funcionamento dos mercados?
2.
O que se entende por mercado funcionando
concorrência perfeita? Cite exemplos.
3.
Quais são as características das estruturas mistas de mercado? Cite
um exemplo.
4.
Quais são as características das estruturas oligopolistas de mercado?
Cite um exemplo.
5.
A livre entrada e saída de firmas do mercado caracteriza que tipo de
estrutura de mercado? Por quê?
6.
O que é oligopsônio? Qual é a diferença desse conceito em relação ao
de oligopólio?
7.
Aponte quatro fatores que sejam determinantes para a estruturação
de mercado de um sistema econômico.
8.
O que caracteriza um monopsônio? Dê um exemplo de monopsônio
em sua região, caso exista algum.
9.
O que é um exemplo claro de concorrência imperfeita?
em
regime
de
10.
Como Stakelberg classificou as estruturas de mercado?
11.
O que caracteriza um quase monopólio? Existe algum na sua região?
12.
Qual é a semelhança entre o conceito de monopólio e o de
monopsônio?
13.
O que caracteriza um monopólio bilateral? Cite exemplo.
14.
O que a homogeneidade dos produtos significa para uma estrutura de
mercado identificada como “concorrência perfeita”?
15.
Muitos vendedores e um só comprador é situação que define um
mercado do tipo
a) Monopólio.
b) Monopsônio.
c) Quase monopólio.
d) Oligopólio.
e) Monopólio bilateral.
Resposta correta: alternativa b. A classificação proposta por Stakelberg,
em 1934, evidencia essa estrutura de mercado, observada em casos como,
por exemplo, aquisição de um determinado tipo de válvula, utilizada
exclusivamente pela Petrobrás. Nesse caso, esta última define o tipo de
produto, suas características construtivas e funcionais, submetendo suas
especificações aos diversos produtores. A alternativa a está incorreta, pois
se refere a um mercado com um único vendedor e vários compradores. As
alternativas c e d estão erradas, dado que se referem a mercados com
poucos vendedores. A alternativa e está incorreta por se tratar de um
mercado com um único vendedor negociando com um único comprador.
4. 2 Uma visão histórica
Os mercados foram se tornando mais concentrados a partir do final do
século XIX, com concorrência predatória entre as empresas que eram
dotadas de potentes estruturas de capital. Ocorreu, então, a formação de
associações, como os pools, trustes, companhias holding e fusões de
empresas.
Sandroni (2005, p. 669) informa que
Os pools reúnem, em caráter temporário, duas ou mais empresas,
com fins especulativos. É justamente o caráter de manipulação de
preços que diferencia o pool do consórcio (...). O pool (...) procura
forçar a elevação de preços e, então, vender com lucros elevados.
Os trustes, de outra parte, são associações mais fortes do que os pools,
tendo sido adotados, por exemplo, pelas empresas de petróleo norteamericanas, e foram declarados ilegais pelo governo norte-americano.
A criação de uma companhia holding representou outra alternativa de
controle e limitação da concorrência. Trata-se de uma companhia central
que
assume
o
controle
acionário
de
empresas
subsidiárias.
Independentemente de fusões e associações, o próprio crescimento
vertiginoso das empresas determinou o estabelecimento de leis antitrustes.
Outra grande mudança ocorreu com a forma de administração das
empresas, que foi sendo transferida dos donos (e seus descendentes) para
administradores e executivos especializados.
Heilbroner (1979, p. 168) comenta:
(...) a nova administração adotava agora uma nova estratégia de
crescimento da empresa – ou melhor, abandonava a antiga.
Avanços na tecnologia, mudanças no design do produto,
publicidade, observação atenta de outras firmas a serem
adquiridas em outras áreas – tudo isso forneceu amplas
oportunidades para o impulso gerencial de expansão.
Síntese do tema
Neste tema, foi oferecida uma perspectiva histórica sobre as várias
formas de atuação das corporações nos mercados respectivos, verificandose a tendência à concentração da produção para a maximização dos lucros e
das vendas.
Questões para revisão
1.
O que é um pool de empresas?
2.
O que são companhias holding?
3.
O que caracteriza uma economia de escala?
4.
Como são formados os trustes?
5.
O que contribuiu para o gigantismo das organizações sobre todos os
demais fatores?
6.
Qual é a contribuição da administração científica para a consolidação
das grandes companhias no seu segmento de atuação?
7.
Que razões levaram as empresas a se juntarem em um processo de
fusão?
8.
A concorrência direta e frontal de uma firma contra outra foi
substituída por quais atributos?
9.
Quais são as evidências de que a administração profissional exerceu
algum impacto sobre a estrutura de mercado?
10.
O que caracteriza uma concorrência predatória? Aponte algum
exemplo.
11.
No tocante à concentração da produção, um truste caracteriza:
a) Um aglomerado de pequenas e médias empresas com alguma
diversificação de produção.
b) Um aglomerado de pequenas e médias empresas concentradas numa
verticalização de produtos.
c) Um conjunto de empresas muito grandes, altamente diversificado.
d) Um conjunto de empresas pertencentes a diversos grupos nãofinanceiros, geralmente situados numa mesma localidade, próximo ao
centro abastecedor de matéria - prima.
e) Uma particular estrutura de mercado, com nítidas semelhanças com
o duopólio.
Resposta correta: alternativa c. Os trustes são associações mais fortes
do que os pools e foram adotados por empresas de grande porte, como as
petrolíferas norte-americanas. As alternativas a e b estão erradas pois se
referem a associações de pequenas empresas. A alternativa d está
incorreta, dado que os trustes não precisam estar situados em localidades
próximas ou se referirem a associações apenas de grupos não-financeiros. A
alternativa e refere-se a uma estrutura de mercado com apenas dois
vendedores e vários compradores.
5 A OFERTA, A DEMANDA E O EQUILÍBRIO DE MERCADO
Objetivo
Neste ítem, analisaremos as condições de funcionamento dos mercados,
com base nas trocas entre os agentes econômicos, feitas em situações de
equilíbrio entre a demanda e a oferta dos vários bens e serviços.
Considerações iniciais
O
mercado
pode
ser
visto
como
uma
instituição
social,
independentemente de correspondência com determinado espaço físico, na
qual são trocados, de forma livre, os bens, serviços e fatores de produção
da economia. Nas economias modernas, a intermediação é realizada com a
utilização de moeda.
Referimo-nos ao mercado como relacionado a determinado bem ou
serviço. Os mercados são estruturados de formas diversas, como foi
relatado no ítem anterior.
Num mercado competitivo, há muitos compradores e vendedores, tal
que cada um deles praticamente não exerce qualquer influência no
estabelecimento do preço do bem ou serviço que transaciona.
Os preços são responsáveis por orientar as decisões dos agentes
econômicos no mercado. Quando são baixos, estimulam o consumo e inibem
a produção. O contrário ocorre quando eles são altos. Os preços
representam, efetivamente, o mecanismo de equilíbrio de mercado.
Para a economia, importam mais os preços relativos (relação entre os
preços dos vários bens) do que os absolutos. Como argumenta Vasconcellos
(2007, p. 47),
(...) se o preço da margarina cair em 10%, mas o preço da
manteiga também cair em 10%, nada deve acontecer com a
demanda dos dois bens (supondo, também, queda da renda em
10%). Agora, se cai apenas o preço da margarina, e o preço da
manteiga permanece constante, evidentemente aumenta a
quantidade demandada de margarina, e cai a demanda de
manteiga, sem que o preço absoluto da manteiga também tenha
se alterado.
Síntese do módulo
Os vários mercados existentes na economia promovem o encontro dos
ofertantes e demandantes dos variados bens, serviços, fatores de produção
e financeiros.
5 . 1 O equilíbrio de mercado
Diferentemente do que ocorre com os mercados competitivos (em
concorrência perfeita), nos outros casos, diferentes vendedores ou
compradores podem exercer influências sobre os preços e, então, o preço
dominante será o médio, vigente no mercado.
Ao analisarmos um determinado mercado, devemos nos certificar de seu
tamanho e produtos que transaciona. Há que se considerar, também, que
alguns mercados operam de forma local (como o imobiliário), e outros,
mundialmente (ouro).
A inflação pode fazer com que erremos nas comparações de preços
(nominais) ao longo do tempo. Por isso, valemo-nos de índices de preços
(como o IPCA, do IBGE), que transformam uma série em valores reais.
A demanda por certo produto corresponde à quantidade que os
consumidores desejam e podem comprar, conforme os preços em vigor, para
o respectivo bem ou serviço.
Ela depende de vários fatores, como:

preço do próprio bem ou serviço;

preço de outros produtos, que lhe são complementares;

preços de outros produtos, que podem substituí-lo nas transações
dos agentes econômicos;

preferências do consumidor;

renda do comprador;

aspectos climáticos e sazonais;

expectativas sobre o futuro.
A lei da demanda está baseada na teoria do valor-utilidade (que surgiu
em resposta à teoria do valor-trabalho, desenvolvida pelos pensadores
clássicos Smith, Malthus, Ricardo e Marx, notadamente). Com base nela, o
grau de satisfação que os consumidores atribuem aos variados bens e
serviços disponíveis no mercado se deve, fundamentalmente, a preferências
e aspectos de ordem psicológica, os quais são diferentes de um para outro
consumidor.
A demanda é representada em um gráfico cartesiano que indica quanto o
consumidor pode adquirir, em função de várias alternativas de preços de
um certo bem ou serviço. Se, por exemplo, o preço for $ 2,00, poderá
consumir, considerada a sua renda, 10 unidades. Se o preço for $ 3,00,
poderá consumir 8 unidades, e assim por diante.
A oferta corresponde à quantidade que os produtores desejam vender,
conforme os preços em vigor para um respectivo bem ou serviço. A oferta
de um produto depende de vários fatores, como:

preços dos fatores de produção;

tecnologia disponível para a produção do bem ou serviço;

quantidade de empresas que oferecem o produto no mercado.
A oferta é representada em um gráfico cartesiano que indica quanto o
produtor pode vender, em função de várias alternativas de preços de um
certo bem ou serviço. Se, por exemplo, o preço for $ 2,00, poderá vender,
considerados os seus custos, 8 unidades. Se o preço for $ 3,00, poderá
vender 10 unidades, e assim por diante.
Na situação de equilíbrio, as quantidades ofertadas e demandadas são
igualadas, adequando os desejos e atitudes dos produtores e consumidores
dos bens e serviços.
Esse equilíbrio propicia a eficiente alocação dos recursos escassos de
forma que possam ser atendidas as necessidades dos agentes econômicos.
Confirma-se que o sistema de preços pode direcionar e coordenar os
comportamentos dos agentes econômicos.
Esse ponto de equilíbrio, todavia, nem sempre corresponde à condição de
bem-estar social.
Síntese do tema
O equilíbrio de mercado (preço e quantidade) ocorre nos casos em que
coincidem a demanda e a oferta de um determinado bem ou serviço.
Questões para revisão
1.
Qual é o mecanismo adotado para permitir a interação entre
compradores e vendedores?
2.
Esclareça o que você entende por mercados locais. Dê um exemplo
de um produto e de um serviço que seja transacionado nesse tipo de
mercado.
3.
Defina os chamados mercados mundiais. Aponte ao menos um bem
ou serviço que seja produzido ou comercializado em todo o mundo.
4.
O que diferencia os preços nominais dos reais, numa economia
baseada no funcionamento dos livres mercados?
5.
O que diferencia um mercado competitivo de outro concentrado, com
menor número de agentes econômicos?
6.
O que diferencia um mercado competitivo de outro concentrado, com
menor número de agentes econômicos?
7.
Como é formada a demanda
determinado bem ou serviço?
8.
O que configura um equilíbrio de mercado?
9.
Quando os compradores estão aptos a adquirir produtos e
serviços?
10.
Que instrumentos são requeridos para se fazer a comparação e a
conversão de grandezas de preço de diferentes bases?
11.
Quando os vendedores estão aptos a vender seus produtos e
serviços?
12.
O que significam preços e quantidades para o equilíbrio de
mercado?
13.
Comente sobre pelo menos dois fatores que afetam a d emanda de
um determinado produto.
14.
Faça o mesmo com relação à oferta desse produto.
15.
Você consegue identificar o equilíbrio de mercado para
determinados produtos ou serviços em sua região? Quais são esses
produtos ou serviços?
16.
Se o nível de preço do mercado for maior do que o preço de
equilíbrio entre a oferta e a procura de determinado bem, então:
total,
num
mercado
de
um
a) A demanda será maior do que a oferta, e a concorrência entre os
compradores elevará ainda mais os preços.
b) A oferta será maior do que a procura, e a concorrência entre os
vendedores fará baixar os preços.
c) A demanda será maior do que a oferta, e a concorrência entre os
vendedores fará baixar os preços.
d) A oferta será maior do que a procura, e a concorrência entre os
vendedores elevará ainda mais os preços.
e) A oferta e a procura estarão em pleno equilíbrio.
Resposta correta: alternativa b. Em mercados em que existem muitos
ofertantes e muitos demandantes, observa-se que quando o preço do bem
ou serviço for superior ao de equilíbrio, haverá um estímulo à produção, de
forma a aumentar a quantidade oferecida no mercado. As alternativas a e c
estão incorretas, dado que, se o preço for maior do que o de equilíbrio,
haverá uma redução da quantidade demandada. A alternativa d está
errada, pois será a concorrência entre os produtores que irá,
gradativamente, reduzir o preço, tendendo a um retorno à condição de
equilíbrio do mercado. A alternativa e está incorreta, dado que o preço não
estará, nesse caso, refletindo o equilíbrio entre a oferta e a demanda.
5 . 2 O excedente do consumi dor
Consideremos a existência no mercado dos consumidores A, B, C e D,
cuja disposição para pagar (que depende de suas preferências individuais)
para a obtenção dos respectivos bens ou serviços está expressa na tabela 3,
a seguir:
O indivíduo A está disposto a pagar no máximo $ 100. B, por sua vez,
pagaria até $ 80. Já o indivíduo C quer negociar o bem ou serviço pagando
no máximo $ 70. E o indivíduo D quer desembolsar só $ 50 para adquirir o
produto.
A tabela revela que cada consumidor tem uma específica disposição para
pagar, em função de determinada renda e preferências quanto à forma, cor,
qualidade, tecnologia envolvida na produção.
Essa disposição para pagar será comparada com o valor efetivamente
pago quando a transação for consumada, determinando o chamado
excedente do consumidor. O excedente do consumidor pode ser calculado a
partir dos dados da sua própria demanda.
A tabela 4, a seguir, revela, por faixas de preços, os números de
potenciais consumidores e as quantidades que demandariam do respectivo
bem ou serviço.
Se A está disposto a pagar até $ 100, obviamente também estará para
qualquer quantia inferior a esse valor. Portanto, ele se soma a todos os
demais na faixa de preço estabelecida inferiormente ao valor de $ 100. O
mesmo ocorre com o indivíduo B, que se junta àqueles que se posicionam
abaixo de $ 80, que é a sua máxima disposição para pagar; e também com o
indivíduo C na faixa que vai até $ 70, e o indivíduo D, posicionado na
disposição a pagar até $ 50.
Aglutinando as informações, o gráfico 7, a seguir, revela os respectivos
preços e quantidades demandadas pelos indivíduos.
Se o preço de mercado for $ 80, verifica-se um excedente do consumidor
A de 20, dado que ele estava disposto a pagar $ 100.
O conceito de excedente do consumidor é dado, então, por
Se o preço fosse alterado (diminuído) para $ 70, aumentaria o excedente
desse consumidor (de 20 para 30), como demonstra o gráfico 9, a seguir.
Assim, a curva de demanda total do mercado, que contém todas as
quantidades desejadas pelos vários consumidores, conforme os preços em
vigor, revela, no gráfico 10, a seguir, a área que corresponde ao excedente
do consumidor.
P1 e Q1 correspondem, respectivamente, ao preço e à quantidade no
mercado que irão regular os interesses dos compradores, e o excedente do
consumidor será definido pelo triângulo abc.
Se o preço for reduzido para P2, a quantidade demandada será de Q2,
maior do que a quantidade inicial Q1. Haverá um benefício para todos os
consumidores iniciais, que irão obter um excedente demonstrado pelo
retângulo P1P2ef. Os novos consumidores irão usufruir o excedente indicado
pelo triângulo def.
O excedente do consumidor é uma medida do benefício que o
consumidor recebe ao adquirir um bem por um preço inferior àquele que
estava disposto a pagar inicialmente, caracterizando o princípio de que o
bem-estar econômico está associado ao usufruto de bens ou serviços a
preços menores do que aqueles que a sociedade, como um todo, está
disposta a pagar por eles.
Para quem defende essa teoria, o crescimento industrial depende da
produção diversificada e da melhor competição dentro do mercado
industrial, levando a um decréscimo dos preços, e permite à sociedade
adquirir os bens e serviços que demanda, independentemente das várias
classes sociais em que se enquadram os consumidores.
Síntese do tema
O excedente do consumidor é demonstrado pela diferença entre o
máximo que ele estaria disposto a pagar, conforme a sua renda e outras
preferências individuais, e o valor efetivamente pago.
Questões para revisão
1.
Defina e esclareça,
consumidor”.
com
apoio
numérico,
o
“excedente
do
2.
Por que ocorre o somatório dos indivíduos dispostos a pagar até $ 50,
conforme dados da tabela? E também da quantidade demandada?
3.
Identifique algum bem ou serviço em que você tenha observado a
ocorrência de um excedente do consumidor, por ocasião de suas
compras. Exemplifique a resposta.
4.
Se o preço se reduzisse a $ 50, qual seria o excedente do consumidor
total utilizando os dados da tabela 4? Demonstre graficamente o
resultado de suas investigações.
5.
Quais são os aspectos que levam os indivíduos a valorizar, de forma
diferenciada, o produto a ser adquirido?
6.
Qual seria a consequência de uma elevação do preço de mercado
sobre o excedente do consumidor? Formule um exemplo numérico
para justificar sua resposta.
7.
Estabeleça graficamente os dados da questão anterior.
8.
De que maneira o crescimento industrial contribui para a formação do
excedente do consumidor? Exemplifique, indicando algum bem ou
serviço.
9.
Qual é o excedente caracterizado pelo triângulo def na figura
referente a preços, quantidades e excedente do consumidor a preços
menores?
10.
Qual seria a consequência de uma diminuição do preço de mercado
sobre o excedente do consumidor? Formule um exemplo numérico
para justificar sua resposta.
11.
É a curva de demanda ou a de oferta que demonstra o excedente do
consumidor? Detalhe a sua resposta.
12.
Um excedente do consumidor caracteriza:
a) O preço que o consumidor está disposto a pagar menos o preço que
ele efetivamente pagou pelo bem ou serviço.
b) O preço que o consumidor efetivamente pagou menos o preço que
ele estava disposto a pagar pelo bem ou serviço.
c) O preço que o produtor está disposto a vender menos o preço que o
consumidor está disposto a pagar.
d) O preço que o produtor está disposto a vender menos o preço que ele
efetivamente recebeu pelo bem ou serviço.
e) As alternativas a e b são complementares entre si.
Resposta
correta:
alternativa
a.
Um
“excedente
do
consumidor”caracteriza um “ganho” obtido, isto é, uma economia de
recursos e, como tal, indica a diferença entre o que se está disposto e o que
efetivamente se paga pelo bem ou serviço. Por isso, quanto maior for a
soberania do consumidor, maior será o seu excedente, gerando
“poupança”de recursos na economia, graças à competição entre os agentes
econômicos que impulsionam a demanda e a própria oferta. A alternativa b
refere-se à perda e não ao ganho do consumidor. As alternativas c e d
relacionam-se com os resultados obtidos pelo produtor e não pelo
consumidor. A alternativa e está incorreta, dado que a e b são antagônicos
entre si.
5.3 O excedente do produtor
Este conceito guarda grande semelhança com o que foi discutido
anteriormente, no caso do consumidor; é denominado excedente do
produtor e pode ser representado como:
Para cada produtor há uma determinada configuração de custo de
produção.
Os custos fixos, como aluguel, depreciação, mão-de-obra indireta de
fabricação, salários do pessoal administrativo e outros dependem, entre
outros aspectos, dos preços e custos do mercado local, tamanho e
composição do parque industrial, custos dos transportes. Os custos variáveis
(mão-de-obra direta, matérias-primas e outros insumos) dependem de vários
fatores, como, por exemplo, do nível de tecnologia que emprega, da
localização do empreendimento e da especialização profissional requerida
para o desenvolvimento das atividades de produção.
As despesas administrativas, comerciais e financeiras incorridas pelo
produtor, a apuração do seu lucro líquido, que, na maioria das vezes, leva
em consideração o capital aplicado nas máquinas e equipamentos de
produção, nas instalações e demais imobilizações e a especificação das
necessidades que compõem o capital operacional ou de giro do negócio
acabam determinando os custos totais do produtor, que constituirá um
preço de oferta para o bem ou serviço que fabrica.
Para cada produtor há uma determinada configuração de custo de
produção.
Os custos fixos, como aluguel, depreciação, mão-de-obra indireta de
fabricação, salários do pessoal administrativo e outros dependem, entre
outros aspectos, dos preços e custos do mercado local, tamanho e
composição do parque industrial, custos dos transportes. Os custos variáveis
(mão-de-obra direta, matérias-primas e outros insumos) dependem de vários
fatores, como, por exemplo, do nível de tecnologia que emprega, da
localização do empreendimento e da especialização profissional requerida
para o desenvolvimento das atividades de produção.
As despesas administrativas, comerciais e financeiras incorridas pelo
produtor, a apuração do seu lucro líquido, que, na maioria das vezes, leva
em consideração o capital aplicado nas máquinas e equipamentos de
produção, nas instalações e demais imobilizações e a especificação das
necessidades que compõem o capital operacional ou de giro do negócio
acabam determinando os custos totais do produtor, que constituirá um
preço de oferta para o bem ou serviço que fabrica.
Consideremos a existência no mercado dos produtores E, F, G e H, de um
mesmo produto, homogêneo, e cujos custos de produção estão
representados na tabela 5, a seguir.
Para cobrir tais custos, o produtor individual exigirá preços no intervalo
entre $ 500 a $ 900, pelo respectivo produto. O produtor H aceitará qualquer
preço acima do que ele está disposto a receber pelo produto. Observa-se
que existirão quatro produtores dispostos a oferecer seus produtos a $ 900,
três a venderem por $ 800 — o produtor E quer receber $ 900 —, dois
dispostos a receber $ 600 e um a negociar seu produto por $ 500.
A tabela 6 a seguir demonstra essas alternativas.
Aglutinando as informações, o gráfico 12, a seguir, revela os respectivos
preços e quantidades ofertadas pelas empresas.
O excedente do produtor é identificado no gráfico 13, a seguir.
Se o preço de mercado for $ 600, o excedente do produtor H é o indicado
pelo retângulo P1abc.
Se o preço for alterado (aumentado) para $ 800, aumentará em $ 200 o
excedente do produtor H. O produtor G também será beneficiado com esse
excedente adicional de $ 200, já que seu custos de produção são de $ 600.
A nova área de excedente do produtor aparece no gráfico 14, a seguir.
Assim, a curva de oferta total do mercado revela, no gráfico 15, a seguir,
a área que corresponde ao excedente do produtor.
O gráfico acima aponta que, para um dado preço P1, existirá uma
quantidade Q1 que será ofertada. Em outras palavras, uma vez estabelecida
a curva de oferta para o bem ou serviço, a determinados preços
corresponderão determinadas quantidades que os produtores, no seu
conjunto, estão dispostos – e aptos – a oferecer. Este será então o preço de
mercado que irá regular o interesse de produtores. A este preço P1 existirá
um excedente do produtor definido pelo triângulo abc.
Imaginemos, agora, que, por razões diversas, o preço de mercado se
eleve a P2. Nesse caso, a quantidade ofertada será de Q2, maior do que a
quantidade inicial Q1. Todos os produtores iniciais serão beneficiados pelo
aumento do preço de P1 para P2, obtendo um excedente demonstrado pelo
retângulo P1P2de. E os novos produtores também irão usufruir um
excedente, conforme triângulo def.
O excedente do produtor é uma medida dos ganhos do produtor ao vender
um bem por um preço maior do que estava disposto a cobrar, tendo em conta
os seus custos de produção.
Síntese do tema
O excedente do produtor é demonstrado pela diferença entre o valor
efetivamente recebido e o máximo que ele estava disposto a receber, conforme a
sua estrutura de produção.
Questões para revisão
1.
O que é o excedente do produtor? Construa um exemplo numérico
indicando determinado tipo de bem ou serviço.
2.
O capital operacional e o de oportunidade são iguais para todas as
empresas componentes do sistema econômico? Por quê?
3.
Os custos e despesas são diferentes para cada empresa? Justifique
sua resposta, acrescentando um exemplo numérico.
4.
Os custos totais de produção de uma empresa afetam o montante
que constitui o excedente do produtor?
5.
Por que existem quatro produtores dispostos a oferecer seu produto a
preços superiores a $ 900, conforme indicado na tabela “Preço e
quantidade ofertada”?
6.
Por que o custo de produção de H é menor do que o custo de
produção de E?
7.
“Se, por algum motivo, o preço aumenta para $ 800, o produtor H
será beneficiado com um excedente adicional de $ 200”. Justifique a
afirmação, demonstrando graficamente sua resposta. Adote outros
valores em sua formulação.
8.
“Uma elevação do preço a níveis acima de P1, pelo comportamento
da oferta, faz com que ocorra um aumento do excedente do produtor
total”. Justifique grafica mente essa afirmativa.
9.
Como são conciliados os interesses de demandantes e ofertantes
num mercado competitivo, quando se comparam os excedentes de
um e de outro?
10.
Qual é a diferenciação entre a demanda e a oferta no que tange ao
grau de satisfação do consumidor comparado ao do produtor?
11.
Um excedente do produtor caracteriza:
a) O valor que o produtor pagou pela constituição de seu estoque de
matérias-primas.
b) O valor que o produtor recebeu menos o seu custo fixo de produção.
c) O valor que o produtor recebeu menos o seu custo total de
produção.
d) O valor que o produtor recebeu menos o seu custo de publicidade de
seu produto.
e) As alternativas a e b são complementares entre si.
Resposta correta: alternativa c. Um “excedente do produtor” caracteriza
um ganho efetivamente obtido em relação ao custo total da produção do
respectivo bem ou serviço. A alternativa a está errada por se referir apenas à
compra de fatores de produção e não à venda do produto. A alternativa b se
refere apenas a uma parte do custo — fixo —, ignorando os que variam
com a produção do bem ou serviço. A alternativa d se refere somente a um
particular tipo de custo para o produtor. A alternativa e está errada, dado
que a e b são antagônicos entre si.
5 . 4 A eficiência de mercado
A eficiência econômica é medida pela relação entre os produtos que se
consegue obter e os recursos que foram utilizados em sua fabricação,
como indica a figura 5 a seguir.
Confunde-se eficiência com eficácia. Esta última indica a relação entre
os resultados obtidos e os resultados pretendidos:
A eficiência do mercado, que executa cotidianamente um número enorme
de transações, consiste no atingimento da máxima satisfação, tanto de
consumidores quanto de produtores.
Vimos que o excedente do consumidor mede a diferença positiva entre o
que ele pagou e o que estava disposto a pagar:
De outra parte, o excedente do produtor mensura a diferença positiva
entre o que ele recebeu e o que correspondia a seus custos totais de
produção:
O mercado será eficiente ao equiparar esses dois excedentes. Se forem
iguais, então o mercado poderá ser considerado um excelente regulador das
relações de compra e venda entre os agentes econômicos. De forma geral,
essa eficiência pode ser medida com base na figura 6 a seguir:
O excedente total – consumidores + produtores – será o resultado da
diferença entre o valor que o consumidor estaria disposto a pagar e o custo
de produção do bem ou serviço. Portanto, um mercado é eficiente quando a
alocação na produção torna máximo esse excedente total.
Essa eficiência pode ser visualizada no gráfico 17, a seguir.
A implementação de políticas econômicas voltadas para o aumento da
produtividade pode possibilitar ao produtor uma racionalização dos seus
custos, gerando excedentes em relação ao preço praticado no mercado. A
concorrência entre os produtores fará com que o preço seja reduzido cada
vez mais, possibilitando a existência de excedentes do consumidor.
Quando os excedentes de um e de outro agente do mercado se equiparam,
dá-se a eficiência do mercado.
Enquanto esse processo não acontece, existem hiatos, demonstrados a
seguir.
No ponto Q-,à esquerda da quantidade de equilíbrio, o custo para os
ofertantes é menor do que o valor para os consumidores, existindo, portanto,
um desequilíbrio entre os interesses desses dois agentes econômicos. No
ponto Q+, à direita da quantidade de equilíbrio, o valor para os
consumidores é menor do que o custo para os ofertantes, também
revelando desequilíbrio entre os dois interesses.
Esse desequilíbrio poderá se manter ou até aumentar quando um dos
lados – oferta ou demanda – exercer um poder de mercado, e isso
determinará uma ineficiência de mercado, com o preço e a quantidade se
situando fora da condição de equilíbrio,
distorcendo a igualdade entre o excedente do consumidor e o excedente
do produtor.
Os determinantes da demanda e da oferta na formação do preço de
venda
Apregoa a teoria econômica que os preços são estabelecidos na
interseção das curvas de oferta e de demanda.
Se operar em um regime em concorrência perfeita, a empresa deverá
seguir, exatamente, o preço vigente no mercado.
Quando, como é a maioria dos casos, está inserida no regime de
concorrência imperfeita, o preço adotado pela empresa dependerá das
especificidades de seus produtos e dos próprios mercados em que atua.
Assim, o seu processo de formação e de alteração de preços deverá
contemplar as seguintes providências:

estabelecer o valor de mercado de um produto, comparando-o com o
dos competidores;

pesquisar a existência de alterações, tanto na oferta quanto na
demanda e proceder aos devidos ajustes, acompanhando os preços
dos competidores;

efetuar adaptações no preço em função das mudanças em seus custos
de produção, visando à obtenção ou à manutenção de adequadas
margens de lucros.
A empresa, nesse processo de tentativa-e-erro, está sujeita a riscos e,
por isso, deve considerar também que a demanda pelo seu produto pode
ser derivada de outros setores (como, por exemplo, no caso da demanda
de automóveis, que pode influenciar os setores fabricantes de freios).
Aspectos como os preços dos produtos complementares, substitutos,
variação da renda dos consumidores, legislações, mudanças climáticas
também precisam ser levados em conta pela empresa no processo de
formação do preço de venda do seu produto.
Síntese do tema
Neste tema, foram comparados os excedentes obtidos tanto pelos
produtores quanto pelos consumidores e como isso é refletido na eficiência
do sistema econômico.
Foram considerados, também, os aspectos relacionados à determinação
do preço de venda de um produto.
Questões para revisão
1.
Como se pode constatar a máxima satisfação do consumidor? E a do
produtor?
2.
Você consegue mensurar o valor que percebe nos produtos em que
está interessado? Dê um exemplo.
3.
Defina o conceito de eficiência econômica, exemplificando com dados
numéricos.
4.
Faça o mesmo com o conceito de eficácia.
5.
O que é o valor efetivamente pago numa transação econômica? Se
for maior do que o valor percebido, houve um excedente do
consumidor?
6.
Por que o valor recebido pelo produtor é igual ao que foi pago pelo
consumidor?
7.
Qual é o objetivo ao se utilizar um somatório de excedente do
consumidor e excedente do produtor?
8.
Por que o preço pago pelo consumidor e o valor recebido se anulam
na equação do excedente total?
9.
O que torna as áreas demarcadas pelo excedente do consumidor e
pelo excedente do produtor equivalentes?
10.
“Um mercado é eficiente quando a alocação de recursos torna
máximo o excedente total”. Justifique a afirmação com um exemplo
numérico.
11.
O que acontece quando o custo para os produtores se situa num
nível inferior àquele determinado pela quantidade de equilíbrio?
12.
De que maneira se poderia maximizar o excedente do produtor? E o
do consumidor?
13.
Em que condições uma empresa pode deter um certo poder de
mercado que lhe permita cobrar preço diferente em relação aos
concorrentes de seus produtos? Aponte um exemplo.
14.
O que acontece quando o custo para os produtores se situa num
nível superior ao determinado pela quantidade de equilíbrio?
15.
O excedente total será o resultado:
a) Da diferença entre a soma dos excedentes de consumidores e
produtores e o valor percebido.
b) Da diferença entre o valor que os consumidores estão dispostos a
pagar e o custo de produção do bem ou serviço.
c) Da soma entre o custo de produção e o lucro da firma.
d) Da soma do custo de produção com o valor percebido pelo
consumidor.
e) Da diferença entre o valor percebido e o valor efetivamente pago
pelo consumidor.
Resposta correta: alternativa b. O excedente total significa a soma dos
excedentes dos consumidores e produtores, que indica, pois, a diferença
entre o valor que os consumidores estão dispostos a pagar — valor
percebido — e o custo de produção do bem ou serviço, invalidando, assim,
as alternativas a e d. A alternativa c não está relacionada com os conceitos
de excedente do produtor e do consumidor. A alternativa e relaciona-se
somente com o excedente do consumidor.
5 . 5 As elasticidades da demanda
Vasconcellos (2007, p. 63) esclarece que “(...) elasticidade é sinônimo
de sensibilidade, resposta, reação de uma variável, em face de mudanças
em outras variáveis.” Esse conceito, como veremos, aplica-se em
diferentes formatos e situações, tanto nos casos de demanda, quanto de
oferta de bens e serviços.
Apresentamos, a seguir, duas alternativas de curvas de demanda (A e
B):
Tanto a forma quanto a inclinação de uma curva de demanda são
determinadas por fatores independentes do preço, como, por exemplo, a
natureza das preferências do consumidor, a disponibilidade de outros bens
complementares ou substitutos, sob a ótica dos consumidores.
Percebe-se, de pronto, diferença entre as inclinações das duas curvas de
demanda A e B. As variações de preço no caso da curva A provocam
mudanças de quantidade demandada em menor intensidade. No caso da
curva de demanda B, as variações do preço provocariam mudanças mais do
que proporcionais na quantidade demandada.
A elasticidade-preço da demanda é uma medida da sensibilidade da
quantidade demandada em relação às variações do preço do bem ou serviço,
medindo a variação percentual da quantidade em relação à do preço:
Portanto, a elasticidade é, na verdade, uma síntese das relações entre
duas variáveis: quantidade e preço (quantidade sobre preço).
O valor de Ed está relacionado a um determinado ponto da curva de
demanda, que, então, costuma apresentar diferentes elasticidades em seus
vários pontos. Altas elasticidades indicam alto grau de resposta à alteração
ocorrida no preço.
Esse conceito é de muita importância, por exemplo, no estudo do
equilíbrio da firma, maximização do lucro, formação do preço de venda.
a) O cálculo da elasticidade-preço da demanda
Precisamos, inicialmente, conhecer os preços e as quantidades iniciais
(Po e Qo) e finais (P1 e Q1). Uma variação no preço de Po para P1 altera a
quantidade demandada de maneira inversa, ou seja, quando o preço
aumenta, a quantidade demandada diminui de Qo para Q1. Ocorre o
contrário no caso de baixa do preço.
A variação percentual na quantidade demandada é indicada pela relação
entre a diferença absoluta verificada entre as quantidades Qo e Q1 – Δq – e
a sua comparação com a quantidade inicial Qo. A variação percentual no
preço é indicada pela relação entre a diferença absoluta verificada entre os
preços Po e P1 – 'p – e a sua comparação com o preço inicial Po:
Δq = Q1 – Qo
Δp = P1 – Po
Daí decorre que
O sinal de E d será sempre negativo. Costuma-se, porém, considerar o
resultado absoluto da divisão – módulo.
O valor de E d poderá ser igual a | 1|, menor do que |1| ou maior do
que | 1 | . Nos casos extremos, tenderá para zero ou para o infinito. E será
esse valor que determinará o tipo de elasticidade-preço da demanda,
conforme segue:

demanda elástica em relação a preço: quando o aumento percentual
da quantidade demandada é relativamente maior – mais do que
proporcional – do que a queda percentual dos preços ou, de outra
forma, quando a diminuição percentual da quantidade demandada é
relativamente maior do que o aumento percentual dos preços, o
valor de Ed será maior do que |1|;

demanda inelástica em relação a preço: quando o aumento
percentual da quantidade demandada é relativamente menor do que
a queda percentual dos preços ou, de outra forma, quando a
diminuição percentual da quantidade demandada é relativamente
menor do que o aumento percentual dos preços, o valor de E d será
menor do que |1|;

demanda de elasticidade unitária em relação a preço: quando o
aumento percentual da quantidade demandada é rigorosamente igual
à queda percentual dos preços ou, de outra forma, quando a
diminuição percentual da quantidade demandada é rigorosamente
igual ao aumento percentual dos preços, o valor de Ed será igual a
|1|;

demanda perfeitamente elástica em relação a preço: trata -se de uma
situação extrema, em que a curva de demanda se posiciona
paralelamente ao eixo horizontal, o que é verificado quando a
resposta da quantidade demandada é extremamente maior do que a
queda percentual dos preços, com o valor de Ed tendendo para o
infinito;

demanda plenamente inelástica em relação a preço: também retrata
uma situação extrema, com a curva de demanda se posicionando
paralelamente ao eixo vertical, denotando que a resposta da
quantidade demandada à variação percentual do
praticamente nula, com o valor de Ed tendendo a zero.
preço
é
Os gráficos 21 a 25, a seguir, demonstram os vários tipos de elasticidadepreço da demanda. Observe, em especial, o ângulo formado pelas retas de
demanda e a diferença entre quantidades e preços, indicadas por Δq e Δp.
b) O conceito de elasticidade-preço da demanda e sua relação com
a receita total da firma
Conhecida a elasticidade-preço da demanda de determinado produto,
pode-se verificar qual é a repercussão sobre a receita total da firma de
medidas relacionadas à formação do preço de venda, podendo-se, por
exemplo, se for o caso, adotar a prática de certos descontos em campanhas
promocionais.
Com base na curva da demanda, espera-se, naturalmente, que preços
mais baixos aumentem a quantidade vendida. Mas, se as experimentações
realizadas comprovaram que a demanda é inelástica em relação a preço,
então, fatalmente, haverá uma redução na receita total da firma, com todos
os aspectos negativos que esse fato acarreta no fluxo de caixa da
organização.
A receita total RT da firma é dada pela multiplicação do preço unitário P
pela quantidade vendida Q:
RT = P x Q
Num momento inicial
RT0 = P0 x Q0
e após os movimentos de preços e quantidades, teríamos
RT1 = P1 x Q1
No estudo destas relações, destacam-se duas situações distintas:
1)
A demanda é elástica em relação a preço
Uma diminuição no preço do produto ocasionará um aumento mais do que
proporcional da quantidade vendida, elevando a receita total da firma. Mas
um aumento no preço de venda poderá provocar uma contração da receita
da firma, dado que a diminuição da quantidade demandada será
proporcionalmente maior do que o aumento verificado do preço do produto.
2)
A demanda é inelástica em relação a preço
Uma variação percentual no preço do produto não provocará variações de
mesmo porte, quantidade demandada. Se houver uma diminuição do preço
do produto, o aumento da quantidade demandada, dele decorrente, será
proporcionalmente inferior, fazendo diminuir a receita total da firma. Um
aumento no preço do produto provocará uma redução menos do que
proporcional na quantidade demandada, ampliando a receita total da firma.
Essas duas situações estão indicadas nos gráficos 26 e 27, a seguir.
Existem outros tipos de elasticidade: a elasticidade-preço cruzada da
demanda e a elasticidade-renda da demanda.
Elasticidade-preço cruzada da demanda
De forma muito parecida com a anterior, a elasticidade-preço cruzada da
demanda – Ex– procura medir as variações percentuais de quantidade
procurada de um bem n em relação às variações percentuais no preço de
outro bem k relacionado:
Quando se tratar de bens complementares – como, por exemplo,
automóvel e combustível –, Ex será negativo. Quando o preço da gasolina
aumenta, a quantidade demandada de veículos diminui e vice-versa.
No caso de bens substitutos – como, por exemplo, manteiga e margarina
–, Ex será positivo. Quando o preço da margarina aumenta, a quantidade
demandada de manteiga também aumenta e vice-versa, como efeito da
substituição entre os produtos.
Evidentemente, se Ex for igual a zero – quando a variação percentual do
preço e/ou da quantidade demandada for nula – não haverá qualquer
relação entre os bens, nem de substituição, nem de complementaridade.
Elasticidade-renda da demanda
O conceito de elasticidade-renda é semelhante ao de elasticidadepreço, permitindo a medição das repercussões na quantidade demandada
de uma variação na renda do consumidor.
É indicada por:
Quando Er for positivo, ocorrerá variação positiva na quantidade
demandada, devido a variações positivas na renda do consumidor. Quando
Er for negativo, a quantidade demandada diminui em razão de um aumento
na renda do consumidor. Os chamados bens normais ou bens superiores
apresentam uma reação positiva a incrementos de renda do consumidor.
Se Ex for maior do que zero, porém menor do que um, trata-se de um
bem essencial. Se, no entanto, Ex for maior do que um, o bem é
considerado bem de luxo. Outros bens, denominados bens inferiores ou bens
de Giffen, têm sua quantidade demandada diminuída quando a renda do
consumidor aumenta, à medida que os consumidores começam a comprar
bens de melhor qualidade, abandonando os inferiores. Um aumento, por
exemplo, na renda do consumidor, não necessariamente irá provocar um
aumento, mas até, eventualmente, uma diminuição no consumo de sal,
dado que ele terá acesso a outros produtos que substituam o sal.
Se Er for zero, o consumo do bem n é independente do nível de
rendimento do consumidor.
Cabe, ainda, uma menção às elasticidades da oferta, que medem a
capacidade de reação dos produtores às mudanças no preço do produto e a
outras variáveis.
A elasticidade e sua relação com a explicação dos fenômenos
econômicos
Heilbroner (1979), ao analisar as causas da grande depressão americana –
início em 1929 – comenta, entre outros motivos, que ela foi agravada pela
demanda inelástica de produtos agrícolas.
Argumenta ainda esse autor que se os agricultores tivessem constituído
um oligopólio, o declínio da renda agrícola poderia ter sido limitado,
considerando que poderiam reduzir a produção a certa quantidade que
pudesse atender o mercado.
Síntese do tema
O conceito de elasticidade-preço da demanda e suas variações explica a
sensibilidade da quantidade demandada às variações de preços e outras
variáveis e suas influências sobre as receitas das empresas. A elasticidadepreço cruzada da demanda aponta a variação da quantidade demandada de
um produto em relação às variações de preços de outro produto. E as
variações da quantidade em relação às da renda do consumidor são
explicadas pela elasticidade-renda da demanda.
Questões para revisão
1.
O que são bens complementares?
2.
Quando um bem é considerado substituto de outro?
3.
O que determina a forma e a inclinação de uma curva de demanda?
4.
O que são bens normais? E bens inferiores?
5.
O que são os bens de Giffen? Dê um exemplo.
6.
Qual é o significado da elasticidade-preço da demanda?
7.
Como se calcula a magnitude da elasticidade-preço da demanda?
Demonstre com dados numéricos.
8.
Em que parte da curva de demanda seriam obtidas elasticidadespreço menores? E maiores?
9.
O que indica um valor de Ed maior do que | 1 | ? E menor do que
|1|?
10.
Por que são colocadas estas duas barrinhas ao lado do dígito 1 ?
11.
Qual o significado de Δ q ? e Δ p ? Utilize um exemplo numérico em
sua resposta.
12.
Conceitue uma demanda elástica em relação a preço, fornecendo um
exemplo numérico.
13.
Você consegue imaginar um produto com demanda plenamente
inelástica em relação a preço? E outro de demanda perfeitamente
elástica em relação a preço? Cite-os e explique por que eles são
assim considerados.
14.
Conceitue uma demanda inelástica em relação a preço, fornecendo
um exemplo numérico.
15.
Se um produto apresenta demanda elástica em relação a preço, é
conveniente a prática de uma política de preços altos? Por quê?
16.
Se um produto apresenta demanda inelástica em relação a preço, é
conveniente a prática de uma política de preços altos? Por quê?
17.
Qual é o significado de uma elasticidade-preço cruzada da demanda?
18.
O que significa uma magnitude Ex > zero? E no caso de Ex < zero?
Justifique sua resposta numericamente.
19.
O que é e como se mede a elasticidade-renda da demanda?
20.
Er pode atingir valor igual a zero? O que isso significa?
21.
Quando o valor de Er se situar entre zero e a unidade, qual é a
importância na análise do tipo de bem envolvido?
22.
Quando o valor de Er for maior do que a unidade, qual é o tipo de
bem envolvido?
23.
Um dos fatores que influenciam a elasticidade da demanda é:
a) A disponibilidade de recursos produtivos pelas em presas.
b) O tempo de produção do bem ou serviço.
c) A tecnologia envolvida na fabricação do bem.
d) A disponibilidade de mão-de-obra pela empresa.
e) O grau de essencialidade do produto ou serviço para o consumidor.
Resposta correta: alternativa a. No capitalismo, as forças produtivas
(empresas) pertencem, normalmente, à iniciativa privada, e a produção e a
repartição de bens e serviços são orientadas pelo sistema de preços. No
socialismo, a propriedade é pública, e a produção e a distribuição dos
produtos são feitas com base em planejamentos, central e setoriais,
atualizados periodicamente, invalidando as alternativas b, c e d. Também
está errada a alternativa e, por serem sistemas com características
diferentes.
6 DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA SOCIEDADE DE MERCADO
Objetivo
Neste ítem, abordamos as deficiências que são verificadas no
funcionamento das economias baseadas no livre comportamento dos
mercados e formas que têm sido adotadas para a sua correção, muitas vezes
com a efetiva participação do Estado.
Observamos, também, as expectativas desse modelo, em função dos
acontecimentos políticos, sociais e econômicos, notadamente das últimas
décadas do século XX e início do XXI.
Introdução
Cabem, agora, algumas indagações sobre o status e as perspectivas de
desenvolvimento e consolidação da sociedade de mercado. De modo geral,
poderemos considerar como insatisfatórias as experiências com o sistema
baseado no mando, focando o exemplo da ex-União Soviética? Mas o que se
pode ser dito, então, em relação à China, que também adotou tal sistema
no passado e que vinha, ao menos até a exacerbação da crise mundial no
segundo semestre de 2008, alcançando índices avantajados de crescimento
econômico? Como ocorrerá a recuperação americana e da Europa, aqui
incluído também o Japão, em relação a essa atual crise? Haverá um ímpeto
de desregulamentação dos mercados e/ou o governo passará a exercer
controle mais efetivo sobre as atividades econômicas, agindo com mais
rigor em sua responsabilidade de regulador? Será o caminho da regulação o
mais adequado para a eficiência da economia de mercado?
Síntese do módulo
É de conhecimento de todos que o sistema de mercado, isolado, não
consegue prover soluções para a demanda por bens
públicos, a diminuição dos processos de má distribuição da renda e de
degradação do meio ambiente. Analisaremos os processos que poderão ser
adotados para tentar ao menos amenizar a incidência desses problemas.
6 . 1 Economia centralizada versus economia de mercado
O sistema baseado no livre funcionamento dos mercados parece ter
tomado definitivamente a dianteira, quando se compara a eficiência na
solução dos problemas econômicos, a partir da dissolução da ex-União
Soviética, em 1991, que adotava o esquema de planejamento central.
Os países do antigo bloco soviético e a própria China estão, cada vez
mais, aceitando a autonomia da iniciativa privada, visando resolver as
questões centrais da economia “o quê e quanto produzir”, “como produzir”
e “para quem produzir”.
No sistema baseado nos mercados, é importante que os fatores de
produção sejam utilizados da forma mais eficiente possível, seja pelas
empresas, no que tange à obtenção de lucros, como pelos indivíduos, ao
procurar maximizar o atendimento às suas necessidades de consumo.
Tem sido constatado que o sistema de mercados resolve as questões e os
problemas econômicos de maneira mais eficiente, à medida que os agentes
econômicos, estimulados pelos sinais, conduzidos pelos mercados,
sintetizados no sistema de preços, realizam suas escolhas de produção,
consumo, poupança e investimentos.
Mas como demonstra a atual crise mundial, espalhada a partir das
ocorrências verificadas nos mercados financeiros norte-americanos, o poder
central
precisa
estar
atento
à
necessidadedereforçodaregulamentaçãodasatividades,deforma
a
evitar
desvios que comprometem a eficiência do sistema.
Ademais, mesmo em situações normais, sem crises de porte significativo,
existem várias situações em que o mercado, agindo livremente, não
consegue equacionar os problemas econômicos, como é o caso, por
exemplo, dos suprimentos dos bens públicos.
Bens públicos
Parkin (2009, p. 360) esclarece que:
Bens, serviços e recursos diferem na extensão na qual as pessoas
podem ser excluídas do [seu] consumo e na extensão na qual o
consumo de uma pessoa rivaliza com o de outras.
Os bens públicos, por não serem precificados, são não-excludentes e
não-rivais.
Entre os bens públicos enquadram-se os serviços de educação, saúde e
outros, para os quais não se consegue estabelecer um preço com base nas
ofertas de oferta e demanda do mercado. São, então, providos pelo próprio
governo, a partir de suas arrecadações de tributos.
É importante ressaltar, também, que os bens públicos estão relacionados
com o chamado “efeito carona”, isto é, a falta de incentivos para que seja
pago pelos beneficiários.
Parkin (2009, p. 365) comenta: “O governo cresce em parte porque a
demanda por alguns bens públicos aumenta em uma velocidade maior do
que a demanda por bens priva dos”.
Má distribuição de renda
As teorias neoclássicas admitem que um sistema de mercado é eficiente
no sentido de que não se consegue melhorar a situação de um agente
econômico sem que isso cause o prejuízo de outro.
Esse conceito de eficiência, porém, não se relaciona com o de justiça e
equidade social e, assim, em muitos países, notadamente nos menos
desenvolvidos, há sensíveis diferenças na repartição dos benefícios do
desenvolvimento econômico, favorecendo poucos em detrimento de muitos.
O sistema de preços, nesse caso, pode direcionar a produção para os bens e
artigos de luxo em vez dos que atendem às necessidades mais prioritárias
da maioria da população.
Outros custos sociais
Neste caso, referimo-nos a deficiências do sistema que transfere para o
setor público o atendimento a certos custos sociais, como é o caso de
poluição, congestionamento de trânsito e vazamentos de petróleo.
Esse fenômeno é denominado externalidades negativas, quando
determinadas empresas ou setores são afetados negativamente pela
atuação de outros. O inverso acontece no caso das externalidades positivas,
quando agentes econômicos são beneficiados pelas atividades de outrem.
Podem ser mencionadas, aqui, as atitudes exacerbadas ou fraudulentas
dos agentes econômicos à procura de lucro rápido e fácil, que podem
resultar em sérios desequilíbrios entre a oferta agregada e a demanda
agregada, manifestando-se nas crises financeiras ou econômicas.
Tais desequilíbrios acabam por afetar tanto os países do centro –
economias avançadas, de elevado poder aquisitivo – como os da periferia –
economias em estágios menos avançados de desenvolvimento.
Recentemente, a crise que afetou o mercado de imóveis residenciais nos
Estados Unidos repercutiu sobre todas as economias de mercado,
conclamando os governos dos países do centro, em uma primeira instância, a
intervirem de maneira decisiva sobre a oferta de moeda e crédito, de vital
importância para o suporte à demanda e oferta de bens e serviços
indispensáveis à sociedade como um todo.
Entendemos que os amplos processos de re-estatização, fortemente
recomendados após essa grave crise, devem ser entendidos como
provisórios, até que haja uma reorganização dos mercados, com o
restabelecimento das linhas de crédito, nacionais e internacionais, e de níveis
adequados de confiança entre os agentes econômicos, a partir de
regulamentações mais precisas pelos órgãos responsáveis pelo controle dos
sistemas financeiros, principalmente.
A história se repete e há quem já chame essas intervenções estatais de
pré-privatização, à medida que prevê, assim que for possível, o retorno das
empresas (principalmente as financeiras) para o controle da iniciativa
privada.
Nas décadas de 1980 e 1990, nações emergentes como o Brasil, México,
Argentina, Rússia e países do sudeste asiático enfrentaram desequilíbrios
estruturais que também exigiram a participação decisiva do Estado como
elemento promotor da indispensável regulação da atividade econômica para
a superação da crise.
Síntese do tema
A sociedade de mercado é ineficiente no tratamento dos bens públicos e
das questões sociais, como as relacionadas com a repartição da renda e
deterioração do meio ambiente.
O sistema, ademais, tem enfrentado crises financeiras e de outra ordem
com muita frequência, prejudicando a sua eficiência.
Questões para revisão
1.
O que diferencia uma economia de mercado de outra, planificada
centralmente?
2.
Como pode ser medida a eficiência operacional do sistema de
mercado?
3.
O que caracteriza uma economia que adota a planificação central de
suas atividades econômicas?
4.
O que você pensa sobre a liberdade de ação do consumidor? Como ela
contribui para a eficiência do sistema de mercado?
5.
Ao longo da análise efetuada nos ítens anteriores, você também
concorda que “restam poucas dúvidas de que o mecanismo de
mercado cumpre mais eficazmente que qualquer outro a finalidade
social predominante”? Que finalidade social predominante é essa?
6.
A respeito da planificação da economia da ex-União Soviética, não é
possível afirmar que:
a) A Nova Política Econômica, que pregava um retorno parcial para a
economia de mercado, foi a forma encontrada pelos governantes da
ex-União Soviética para desenvolver e industrializar o país nos
primeiros anos após a Revolução Russa.
b) Conseguir obter alimentos do setor agrário da economia para a
população urbana foi um grave problema nos primeiros anos da
Revolução. Com a coletivização das terras, esse problema foi
resolvido, já que estas passaram a ser do governo.
c) Como a Rússia era uma sociedade semifeudal, e com o capitalismo
restrito a um pequeno setor comercial e industrial, os problemas
enfrentados pelos líderes da Revolução Russa para desenvolver o país
eram significativos.
d) Ao contrário da economia de mercado, naquele país as ordens diretas
de uma agência governamental determinavam qual seria a a locação
de recursos e de trabalho.
e) Uma das grandes causas da passagem da Rússia de uma sociedade
camponesa para uma sociedade industrial deveu-se à capacidade de
planificação central para promover níveis muito elevados de
investimento. Porém, o sistema de planificação não é tão eficiente
para alocar os recursos da economia.
Resposta correta: alternativa b. A planificação central da ex-União
Soviética não levava em consideração a lucratividade e pressões da
demanda. Também a economia de mercado não considera “ordens diretas
de uma agência governamental para a alocação de recursos e de trabalho”.
As demais alternativas são todas aplicáveis à planificação central da
economia que se processou na ex-União Soviética.
6 . 2 O capitalismo e a economia de mercado
As críticas ao sistema capitalista, notadamente em relação aos seus
custos sociais, são antigas.
Acreditavam os defensores dos sistemas baseados na planificação
central da economia, contrário ao da livre iniciativa, que aquele
representava uma melhor e, principalmente, mais justa opção de
desenvolvimento, notadamente dos países mais pobres.
De fato, há significativas diferenças entre essas duas alternativas no que
tange ao atendimento às questões “o quê e quanto produzir”, “como
produzir” e “para quem produzir”.
Independentemente de aspectos ideológicos, porém, não se pode olvidar
o destaque a algumas das características essenciais do sistema baseado nos
livres mercados, tais como o direito legal à propriedade privada dos meios
de produção e a forma de determinação da distribuição do mercado. O
primeiro assegura que, no capitalismo, todos os meios de produção
pertencem a indivíduos, incluindo a sua própria força de trabalho. O
segundo refere-se à alocação dos recursos e à geração da renda, em suas
diversas modalidades, tais como salários, juros, lucros e aluguéis, apoiada
totalmente pelos mercados, sem distinção de classe social.
No socialismo, a propriedade dos fatores de produção é pública,
dependendo do planejamento e não do mercado, tanto para a alocação
geral de recursos como para a repartição da renda entre os agentes
econômicos.
Os futuros desafios
De fato, existem falhas quanto ao nosso entendimento acerca das
possibilidades de superação das dificuldades, visando a uma mais eficiente
e justa produção e repartição dos bens e serviços produzidos pela economia
de mercado. Em suas análises, Heilbroner (1979) evidenciou a necessidade
de, numa economia de mercado, os agentes aumentarem seu
conhecimento do funcionamento do sistema econômico.
Em momentos de crises econômicas e financeiras, costuma-se atribuir
à sociedade de mercado a culpa pelos problemas de recessão e
desemprego. Mas é importante considerar que o bom funcionamento dos
mercados demanda o exercício da moralidade e o direcionamento dos
estímulos corretos à atuação dos agentes econômicos, não podendo ser
dispensadas as medidas de regulação pelo Estado.
A desregulamentação, na dosagem certa, com a ação consciente do
Estado, pode continuar permitindo que alcancemos os benefícios em termos
de liberdade e inovação para a criação de produtos modernos e eficientes,
nos mais diferentes mercados (inclusive nos financeiros). Mas essas
facilidades, se aplicadas de forma extrema, podem conduzir a exageros que
se refletem em desarranjos da economia.
Não se trata, no nosso entender, de proceder à reestatização geral de
setores da economia, cujos malefícios também já foram constatados no
passado. As más condutas devem ser debitadas aos próprios agentes, e
não ao sistema de mercado, que tem se revelado, ao menos até o
momento, como a melhor alternativa para a solução dos problemas
fundamentais da economia.
Síntese do tema
A propriedade privada dos fatores de produção, a livre alocação de
recursos e a possibilidade de geração de rendas constituem o cerne de uma
economia de mercado. Seu desempenho, porém, não é imune a
comportamentos exacerbados e, como tal, requer vigilância e controle pelos
órgãos responsáveis.
Questões para revisão
1.
Por que a propriedade privada dos meios de produção constitui um
dos pilares do capitalismo?
2.
Você concorda com a afirmação de que todos os meios de produção
pertencem aos indivíduos, num regime capitalista? Por quê?
3.
Qual era o sistema econômico que possuía uma vocação natural para
a distribuição dos bens e serviços por toda a sociedade? Em sua
opinião, este sistema sobreviverá nos dias de hoje? Justifique sua
resposta.
4.
O capitalismo atua de forma eficiente no caso da alocação dos
recursos e possibilidades de geração de renda no caso brasileiro?
Justifique sua resposta.
5.
E a sua força de trabalho? Pertence a você, pelo preço que lhe
convém? Você tem um excedente do produtor quando negocia sua
própria força de trabalho?
6.
O que você pensa sobre a necessidade de conhecimento dos
fundamentos básicos do funcionamento do sistema econômico como
premissa para a obtenção de eficiência produtiva e adequada
distribuição por todos os agentes envolvidos dessa produção?
7.
No particular aspecto relacionado à propriedade privada dos meios
de produção, como se comporta o socialismo?
8.
Por que o planejamento é vital no caso do socialismo? E o
capitalismo, sobrevive sem planejamento? Por quê?
9.
Como você vê a intensa desregulamentação dos mercados,
notadamente os financeiros, que muitos afirmam ser uma das
maiores causas das severas crises verificadas nos países
desenvolvidos e em desenvolvimento?
10.
Na sua opinião, deveríamos desincentivar as inovações nos
mercados financeiros, de maneira a impedir a ocorrência de crises
que afetam os agentes econômicos dos diferentes países?
11.
Em relação às diferenças entre capitalismo e socialismo, é possível
afirmar corretamente, à luz dos conhecimentos adquiridos ao longo
deste curso, que:
a) No capitalismo, as forças produtivas da sociedade são de
propriedade privada, e esse sistema econômico apoia-se no
mercado, tanto para alocar os recursos produtivos entre os vários
usos possíveis, quanto para estabelecer os níveis de renda de
diferentes classes sociais (como salários e lucros). Por sua vez, o
socialismo reserva o direito de propriedade ao governo, além de
depender do planejamento para a alocação geral de recursos e para
a distribuição de renda.
b) O socialismo apoia-se no mercado, seja para alocar os recursos
produtivos entre os vários usos possíveis, seja para estabelecer os
níveis de renda de diferentes classes sociais (como salários e lucros).
O capitalismo depende do planejamento, e não do mercado, para
atingir esses objetivos.
c) No socialismo, as forças produtivas da sociedade são de propriedade
pública, enquanto que o capitalismo nega o direito à propriedade
privada, reservando o direito de propriedade ao governo.
d) O capitalismo baseia-se em procedimentos criados num passado
distante, sendo consolidados por um longo processo de sanções e
erros históricos. Por outro lado, o socialismo depende do mercado e
de suas soluções para decidir a alocação e mobilização de esforços,
bem como para distribuir a renda.
e) O capitalismo e o socialismo convivem integrados num mercado
complexo e dividido entre bens e serviços finais que provocam o
obsoletismo.
Resposta correta: alternativa a. No capitalismo, as forças produtivas
(empresas) pertencem, normalmente, à iniciativa privada, e a produção e a
repartição de bens e serviços são orientadas pelo sistema de preços. No
socialismo, a propriedade é pública, e a produção e a distribuição dos
produtos são feitas com base em planejamentos, central e setoriais,
atualizados periodicamente, invalidando as alternativas b, c e d. Também
está errada a alternativa e, por serem sistemas com caracteristicas
diferentes.
Referências bibliográficas
ARAÚJO, Carlos Roberto Vieira. História do pensamento econômico: uma
abordagem introdutória. São Paulo: Atlas, 2008.
GREMAUD, Amaury Patrick; DIAZ, Maria Dolores Montoya; AZEVEDO, Paulo
Furquim de; et alli. Introdução à economia. São Paulo: Atlas, 2007.
HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: LTC, 1986.
JORGE, Fauzi Timaco; SILVA, Fabio Gomes da. Economia aplicada à
administração. São Paulo: Pioneira, 1999.
PASSOS, Carlos Roberto M; NOGAMI, Otto. Princípios de economia. São Paulo:
Pioneira, 2005.
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de. Economia: micro e macro. São
Paulo: Atlas, 2007.
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