01 OUT 2008

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3
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
04 |AS MELHORES BANDAS DO MUNDO
06 | SOMOS PEQUENOS MAS BONS
Raquel Louçã Silva | Directora
[email protected]
08 | ELES ‘RULAM’ E OS FÃS PULAM
10 | A ERA DA FUSÃO
Editorial
Põe no ‘on’,
hoje é Dia Mundial da Música!
«Sem música a vida seria um crespúsculo»,
escreveu Nietzsche em ‘O Crepúsculo dos
Deuses’.
11 | MOMENTOS BEM VIVIDOS
12 | SOMOS O QUE OUVIMOS?
14 | PORQUÊ PAGAR QUANDO PODES TER DE GRAÇA?
16 | BENJAMINS DA PUBLICIDADE
18 | agenda de concertos
Numa altura em que não há dia que passe sem ser Dia Mundial
de qualquer coisa, da listagem não poderia deixar de constar,
e bem, o Dia Mundial da Música. É hoje, dia 1 de Outubro.
Para assinalar a data com propriedade não podemos, ora bolas!, oferecer-te uma mão cheia de CD, nem tão pouco um bilhete para ‘o tal’ concerto mas fazemos melhor, muito melhor,
damos-te estas 20 páginas cheinhas de música. Consegues ouvir? Isso é que é preciso!
Põe no ‘on’, aperta o cinto e prepara-te para começar numa
viagem colossal pelas melhores bandas de sempre do mundo.
Dos 50 aos 90 o frenesim é tanto que depois há-de apetecer
estacionar para saborear com mais vagar os riffs da actualidade. O que marca o panorama do momento por cá e por lá.
Muitos talvez não façam parte da selecção para futuro artigo
sobre as bandas que marcaram o início do século, mas isso já
são outras considerações que deixamos por tua conta.
Ah, já que estacionaste, aproveita e senta-te à mesa para um
café com a malta porque também lançamos achas suficientes
para alimentar um fogosa discussão. A relação entre a música
que cada um ouve e a sua maneira de estar na vida. A moda
das bandas que agora disparam no top porque entraram no
anúncio tal. Ou a pertinente questão que a indústria musical
atravessa com esta história da Internet.
Porque isto, porque aquilo, e para terminarmos com a verdadeira cereja no topo do bolo, a agenda de concertos. Que no
que toca à música processem-me se quiserem mas defendo
com unhas e dentes, mesmo sob tortura, que é em concerto
que melhor se vive aquilo que Nietzsche dizia ser a nossa luz.
FICHA TÉCNICA
Directora
Raquel Louçã Silva
Conselho de Gerência
António Stilwell Zilhão
Francisco Pinto Barbosa
Gonçalo Sousa Uva
Colaboradores
João Silva Santos
Laura Alves
Mariana Seruya Cabral
Pedro Quedas
Raquel Ramos
Tiago Carrasco
Projecto gráfico
Joana Túlio
Paginação
Bernardo Simões Correia
Marketing
Rui Gonçalves e Vanda Filipe
Publicidade
Margarida Rêgo (Directora Comercial)
João Fernandes (Account Senior)
Rui Tito Lopes (Account Senior)
Sede Redacção | Estrada da
Outurela nº 118 Parque Holanda
Edifício Holanda 2790-114
Carnaxide
Tel | 21 420 13 50 | Fax | 21 420 13 69
Tiragem | 35 000
Distribuição | Gratuita
Impressão | Grafedisport
Casal Sta. Leopoldina - Queluz
de Baixo 2745 Barcarena
ISSN 1646-1649
Os álbuns
mais
vendidos
1.‘Thriller’ (1982)
Michael Jackson
108 milhões de exemplares
2.‘Back to Black’ (1980)
AC/DC
42 milhões
3.‘The Bodyguard’ (1992)
Whitney Houston
42 milhões
4.‘Greatest Hits’ (1976)
Eagles
41 milhões
5.‘Dark Side of the Moon’ (1973)
Pink Floyd
40 milhões
1967
o ano
de ouro
1967 é considerado pela
maioria dos especialistas
como o melhor ano musical da história. Os Beatles
lançaram ‘Sgt. Peppers
Lonely Hearts Club Band’,
os The Doors lançaram o
seu primeiro álbum, os
The Velvet Underground
surpreenderam com ‘The
Velvet Underground and
Nico’ e os Jefferson Airplane deram a conhecer
‘Surrealistic Pillow’. Como
se não bastasse, foi em
1967 que nasceu Kurt
Cobain
Viagem dos 50 ate aos 90
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
04
As melhores
bandas do mundo
De Elvis a Nirvana. De Kraftwerk a Madonna. Os últimos 50 anos do último século estão repletos
de grandes músicas e de grandes bandas. Houve os que venderam milhões de discos e os que mobilizaram milhões de pessoas. Na História ficaram os que, década a década, criaram milhões de novas
possibilidades musicais e sociais.
Tiago Carrasco
[email protected]
Anos 50
Little Richard
Período de actividade: (1951 – presente)
«O Rock ‘n’ Roll é malvado, porque o
Rock ‘n’ Roll obriga-te a consumir drogas e as drogas fazem com que te tornes
homossexual».
Chuck Berry
Período de actividade: (1955 – presente)
«Os rapazes queriam êxito, carros e paixão. Essa era a tendência e nós saltámos
para cima dela».
Elvis Presley
Período de actividade: (1953 – 1977)
«A minha voz nasceu por vontade de
Deus, não por minha».
Miles Davis
Período de actividade: (1944 – 1991)
«O jazz é como o blues, mas com um
pouco de heroína».
Ser homossexual e negro nos Estados
Unidos dos anos 50, não era tarefa fácil.
Little Richard conseguiu sê-lo e ainda
fazer música para brancos. Lidou, desde cedo, com o preconceito: chegou a
cantar na rua, a lavar pratos e a vender
bíblias, mas o seu êxito ‘Tutti-Frutti’,
de 1955, catapultou-o para o sucesso.
A sua mistura frenética de blues e gospel explodiu e fragmentou a sociedade
americana. É considerado um dos ‘arquitectos’ do rock e uma das grandes
influências para os Beatles e para os
Rolling Stones.
Outro dos pioneiros do rock foi Chuck
Berry, guitarrista e compositor do Mis
souri. John Lennon chegou mesmo a
dizer: «Se tentarem dar outro nome ao
Rock ‘n’ Roll, terá de ser Chuck Berry».
Foi considerado pela revista Rolling Stone como o quinto maior artista de todos
os tempos e a sua música de maior sucesso, ‘Johnny B. Goode’, foi uma das
obras culturais enviadas para o espaço
na sonda Voyager I. Berry combinava as
influências dos blues e do country com
animadas letras sobre carros e raparigas.
Em 1959, foi preso por explorar sexualmente uma índia apache de 15 anos que
encontrou durante uma digressão.
O caminho estava aberto para a chegada do ‘Rei’. Elvis Presley inovou com os
seus movimentos de anca, a poupa, as
patilhas e uma voz quente e versátil. Na
base estava uma mistura inédita entre
as sonoridades afro-americanas de blues
e gospel e os ritmos ‘brancos’ de country
e pop. Foi o primeiro artista de massas,
o segundo mais vendido de sempre, depois dos Beatles, com 600 milhões de
discos, e o terceiro com mais singles a
liderar as tabelas mundiais (17, contra
18 de Mariah Carey e 20 dos Beatles).
Contagiante no palco, contagiado pela
hipocondria fora dele, Elvis morreu em
1977 na casa-de-banho da sua mansão
em Graceland por motivos ainda hoje
desconhecidos.
Enquanto o rock dava os primeiros
passos, o jazz conquistava múltiplas
variantes e dimensões. Apesar de não
ser o mais virtuoso dos seus intérpretes,
Miles Davis foi o mais inovador de todos
os trompetistas. Foi o pioneiro do cool
jazz e fez parte do desenvolvimento do
jazz modal e do jazz fusion. Ainda hoje,
o trompete de Davis é um dos mais
procurados para a música ambiente e
para a banda sonora de filmes e documentários.
E ainda houve o piano de Ray Charles,
a guitarra de Johnny Cash e a voz de
Sinatra.
Beatles ocupam um lugar de destaque.
Nunca ninguém vendeu tantos discos,
teve tanto mediatismo e influenciou
tanta gente como a banda de Liverpool.
Lennon, McCartney, Starr e Harrison
Anos 60
The Beatles
Perído de actividade: (1960 – 1970)
«Somos mais famosos do que Jesus
Cristo». (John Lennon – Vocalista)
já venderam mais de 1000 milhões de
discos, puseram 40 êxitos no topo das
tabelas britânicas e foram considerados
a melhor banda de sempre pela Rolling
Stone e pela Billboard. ‘Sgt Pepper’s
Lonely Hearts Club Band’, de 1967,
é considerado o seu melhor álbum. O
assassinato de John Lennon, em 1980,
terminou com a possibilidade dos Beatles voltarem a tocar juntos.
Os Rolling Stones são vistos como os
antagonistas dos Beatles nos 60’s mas,
na verdade, foram os The Doors que
mais se demarcaram do paradigma do
rock na época. Com o seu som ácido,
marcado pela influência do jazz e pelo
uso do sintetizador, abriram as portas
da percepção até ao infinito. Sucessos
como ‘Riders on the Storm’ e ‘Break on
Trough’ fazem com que continuem a
vender mais de um milhão de discos por
ano. O vocalista Jim Morrison, símbolo
de rebeldia e de liberdade, morreu em
circunstâncias misteriosas numa banheira de um quarto parisiense.
O rock psicadélico e o pop/rock contracenavam com o folk-rock, cujo maior intérprete é o polémico Bob Dylan. Dylan
começou por levantar a bandeira da paz
e da luta contra a guerra do Vietname,
mas, ao contrário de John Lennon e
de Jim Morrison, decidiu não agitá-la.
Redefiniu-se como poeta e músico e renegou a influência política. Foi criticado
por muitos críticos e fãs, mas músicas
como ‘Like a Rolling Stone’ ou ‘Masters
The Doors
Período de actividade: (1965 – 1972)
«Vejo-me como um cometa flamejante,
uma estrela cadente. Toda a gente pára,
olha e exclama: ‘Oh, olha para aquilo!’
Depois, desapareço. E eles nunca voltarão a ver uma coisa como aquela e não
vão ser capazes de me esquecer». (Jim
Morrison – vocalista).
Bob Dylan
Período de actividade: (1956 – presente)
«Nunca escrevi uma canção política. As
canções não podem salvar o mundo. Já
ultrapassei isso».
Velvet Underground
Período de actividade: (1965 – 1973)
«Nunca sorrimos, virávamos as costas
à plateia e mostrávamos-lhes o dedo.
A nossa missão era chatear as pessoas,
fazer com que se sentissem desconfortáveis, fazê-las vomitar». (John Cale –
Baixista)
Eleger quatro bandas na década de 60 é
como ir ao Olimpo resgatar quatro deuses gregos para figurarem num templo
imortal. Mas, no que toca ao divino, os
05
of War’ tornaram-se tão eternas como o
seu talento.
Considerado pelo diário britânico ‘Daily
Observer’ como o álbum mais influente
de sempre, ‘The Velvet Underground
and Nico’, acabou por marcar o final dos
anos 60. Os The Velvet Underground
passaram quase despercebidos na época,
mas influenciaram dezenas de artistas
nas décadas seguintes. Sem eles não
existiriam David Bowie, Jesus and Mary
Chain, Depeche Mode ou Joy Division. Financiados e intelectualmente motivados
por Andy Wahrol, os The Velvet Underground foram o expoente máximo do experimentalismo musical. Nunca ninguém
tinha tocado tão abertamente temas
relacionados com sexo, drogas pesadas,
sadomasoquismo e prostituição.
Anos 70
Kraftwerk
Período de actividade: (1970 – presente)
«Reproduzimos a grande variedade de
sons e músicas existente no cérebro das
pessoas». (Ralf Hutter)
Pink Floyd
Período de Actividade: (1964 – presente)
«Não existe um lado negro da lua. Na
verdade, ela é toda escura». (Roger Waters – Baixista/Vocalista)
Led Zeppelin
Período de actividade: (1968 – 1980)
«Gosto da ideia de estar sozinho. Gosto
da ideia de estar sozinho em muitos aspectos da minha vida. Gosto de me sentir
só. Gosto de precisar de coisas». (Robert
Plant – Vocalista)
Bob Marley
Período de actividade: (1961 – 1981)
«A erva é a cura de uma nação. O álcool
é a destruição».
Bob Marley
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
Período de actividade: (1961 – 1981)
«A erva é a cura de uma nação. O álcool
é a destruição».
O álbum ‘Dark Side of The Moon’, de
1973, é presença incontornável nas votações de melhores discos do século. Os
Pink Floyd foram pioneiros do rock progressivo e agitaram o mercado musical
com capas de discos vanguardistas e
concertos elaborados. Em 1979, em plena guerra-fria, o álbum ‘The Wall’ deu a
primeira machadada no muro de Berlim
e o grupo inglês assumiu-se, com as suas
letras de tom filosófico e social. Os Pink
Floyd já venderam mais de 200 milhões
de discos em todo o mundo, mas sofreram várias divisões internas: o fundador
Syd Barret foi expulso devido ao vício em
drogas e David Gilmour e Rogar Waters
bateram-se em tribunal pelos direitos legais das músicas.
O movimento punk alastrava-se em Londres e em Nova Iorque ao som de Sex
Pistols e de Ramones. No entanto, os
Led Zeppelin davam a conhecer a génese
do heavy-metal, misturada com aprendizagens retiradas da música celta, índia,
clássica e até do reggae. O resultado está
hoje à vista: são a única banda na história
a colocar todos os seus álbuns no top 10
dos E.U.A, já venderam 300 milhões de
discos e lideram o top da VH’1 como a
melhor banda de hard-rock. O fim dos
Led Zeppelin coincidiu com a morte do
baterista John Bonham, sufocado no
próprio vómito, em 1980. O grupo voltou
a reunir-se em 2007, para um concerto
no Estádio de Wembley, com Jason Bonham, filho de John, na bateria.
Enquanto os suecos ABBA começavam a
levar o público para as pistas de dança,
os alemães Kraftwerk aumentaram as
opções dos Dj’s ao inventarem a electrónica. ‘Trans –Europe Express’, de 1977,
é uma obra urbana e intelectual sem
paralelos no seu tempo, tendo os sintetizadores e os primeiros computadores
como principais ferramentas. Sem Kraftwerk, não existiria o techno, o house e
o electro.
Ao mesmo tempo, do Mar das Caraíbas,
surgiam batidas de liberdade. Bob Marley e os Wailers punham a Jamaica e o
reggae no mapa musical. Marley foi a
primeira estrela dos pobres e oprimidos
e dos países subdesenvolvidos, abrindo
a porta para outras músicas do mundo.
Mais tarde, nomes como Cesária Évora
e Youssou N’Dour aproveitariam a abertura.
Anos 80
Michael Jackson
Período de actividade: (1968 – presente)
«Quando olho para uma criança, vejo a
cara de Deus. É por isso que eu as amo
tanto».
Madonna
Período de actividade: (1982 – presente)
«Toda a gente diz que te ama quando
está prestes a ejacular-se».
Metallica
Período de actividade: (1981 – presente)
«É tudo divertimento e jogos, até alguém
perder um olho. Depois, são divertimentos e jogos que não podes ver». (James
Hetfield – Vocalista)
The Clash
Período de actividade: (1976 – 1986)
«Gosto de tocar na América porque sei
que não vou levar com uma garrafa de
cerveja na cabeça. Aprecio isso». (Joe
Strummer – Vocalista)
O punk era o parente pobre da cena musical até à chegada dos The Clash. Com
‘London Calling’, de 1979, o grupo londrino mostrou que o punk também podia ser bem tocado. Para isso, puxaram
pelas influências do reggae, do funk e do
rockabilly e, através das letras vincadamente esquerdistas, demarcaram-se do
niilismo dos Sex Pistols e da simplicidade
dos Ramones. A Rolling Stone escolheuos como a melhor banda dos 80’s.
Aproveitando os ensinamentos de Led
Zeppelin, os californianos Metallica encarnaram a figura de reis do heavy-metal.
A música vestida de negro e de cabelos
longos era dominada por quatro grandes
bandas: Anthrax, Megadeath, Slayer e
Metallica. A partir de 1986, com o lançamento de ‘Master of Puppets’, o conjunto
de Lars Ulrich e de James Hetfield passou
a liderar esta corrida, apesar do criticismo
pelas incursões por projectos comerciais.
Hoje, com 90 milhões de discos vendidos
e sete Grammy, são a banda de metal
com maior projecção no mundo.
Guitarras à parte, os anos 80 ficaram
marcados pela projecção das grandes
estrelas pop. Michael Jackson, de todas
a mais cintilante, embasbacou o mundo
com ‘Thriller’, de 1982, o álbum mais
vendido da história com 108 milhões de
exemplares. Uma fusão de R&B, soul,
rock, funk e disco, acompanhada por
vertiginosos passos de dança e pelo videoclip mais aclamado de sempre. O menino que começou a cantar com os irmãos
nos Jackson Five, que fez uma operação
à pele para ficar branco e que se tornou
na maior estrela popular mundial nunca
deixou de se sentir um menino. Talvez,
por isso, tenha sido tantas vezes acusado
de pedofilia ao longo da vida.
Madonna aproveitou o rasto de sucesso
deixado por Michael Jackson para se
lançar como a grande diva do estilo pop.
Primeiro, apareceu com cruzes góticas ao
pescoço. Depois, veio o sexo, o cinema,
as pistas de dança e a maturidade. Hoje,
tem estatuto e irreverência de sobra para
dedicar o seu single ‘Like a Virgin’ ao
Papa ou para se crucificar em palco com
imagens de crianças africanas, famintas,
a rodar na tela. Herdeira de Patti Smith,
Aretha Franklin e Janis Joplin, Madonna
é, actualmente, uma das mulheres mais
respeitadas do mundo. Porque sempre
fez o que quis.
Longe desta realidade, os Rage Against
the Machine (RATM) constituíam-se
como a banda com convicções políticas
mais marcadas. Fundadores do rapcore,
uma fusão de rap, punk e hardcore, os
Anos 90
Nirvana
Período de actividade: (1987 – 1994)
«Prefiro ser odiado pelo que sou, do que
ser amado pelo que não sou». (Kurt Cobain – Vocalista)
RATM solidarizaram-se com várias causas apoiadas pela extrema-esquerda,
como por exemplo, com o Exército Zapatista, no México, ou com os Senderos
Luminosos, no Peru. Em 1993, o grupo
apareceu despido e de membros atados
em palco, em protesto contra a censura
de uma das suas músicas. Zack de la Rocha, o vocalista, consegue rimar autênticos discursos políticos sobre as fortes
batidas do rock pesado.
Se dúvidas haviam, ‘Ok, Computer’
(1997) dissipou-as. Os ingleses Radiohead conseguiram que o seu rock alternativo alicerçado no ‘falsetto’ do vocalista
Tom Yorke se tornasse num marco da
década. Os temas sobre a alienação moderna e a introdução dos efeitos electrónicos aproximaram o grupo do art-rock e
de um registo conceptualista. Em 2007,
os Radiohead tornaram-se na primeira
banda mediática a lançar um álbum – ‘In
Rainbows’– por meio do download digital, em que os compradores pagavam
aquilo que queriam.
De NWA (Niggaz with Attitude) ficou a
música ‘Fuck the Police’, censurada nos
Estados Unidos. Mas este grupo de rap
californiano significou muito mais do que
isso. Marcou o início do gangsta rap, um
dos estilos musicais mais recorrentes dos
últimos 20 anos. Os seus arranjos musicais em jeito de reportagem áudio, com
sirenes, gritos e tiros, foram inovadores
e uniram-se às rimas de denúncia. A entrada no novo milénio viria a confirmar o
crescimento do hip-hop e o surgimento
do movimento indie pelas mãos dos The
Strokes.
Radiohead
Período de actividade: (1988 – actualmente)
«Se querem entreter-se, levantem-se e
vão ver Hanson» (Thom Yorke – Vocalista)
Rage Against the Machine
Período de actividade: (1990 – 2000/
presente)
«Eu estou nesta banda para dar voz a
várias lutas pelo mundo fora. Para mim,
a tensão nesta banda é um sacrifício mínimo». (Zack de la Rocha – Vocalista)
NWA
Período de actividade: (1986 – 1991)
«Isto vai forçar as pessoas a desafiaremse a si mesmas e a analisarem em que
ponto estamos a nível do racismo». –
(Ice Cube)
No início da década de 1990, o rock mudou-se para Seattle e mudou a sua identidade para grunge. Nirvana, Pearl Jam,
Alice in Chains e Soungarden inundaram
o mundo com um rock alternativo que
representava uma nova geração vestida
com camisa aos quadrados e calças de
fato de treino. Kurt Cobain, vocalista de
Nirvana, foi a principal figura deste movimento. O álbum ‘Nevermind’ está entre
os 30 mais vendidos de sempre. A saúde
de Cobain começou a deteriorar-se pelo
uso abusivo de drogas e o músico acabaria por falecer em Abril de 1994.
[01 OUT 2008]
06
Somos pequenos
mas bons
Do rock ao indie, do hip hop ao fado vadio, do pop dançável ao metal, o nosso País não se faz apenas de Cristianos Ronaldos e de pastéis de Belém. O panorama da música nacional é, actualmente, feito de inesperadas
revelações, mas também de grandes clássicos que nunca passam de moda. Eis algumas sugestões ‘made in
Portugal’ que vale a pena ouvir.
Pontos Negros
Laura Alves
Sam the Kid
[email protected]
Deolinda
O fado não é só triste e fatalista. É
também airoso e desbocado. Assim
é Deolinda, a espevitada figura que
dá rosto ao projecto de Ana Bacalhau (voz), Pedro da Silva Martins, Zé
Pedro Leitão e Luís José Martins. Os
amores e desamores, a Lisboa castiça
e bairrista, as cusquices das vizinhas e
um certo romantismo kitsch, tudo isto
entra no colorido e ecléctico álbum de
estreia, ‘Canção ao Lado’, editado em
Abril deste ano.
Buraka Som Sistema
A freguesia da Buraca, na Amadora,
nunca mais foi a mesma desde que o
conceito de kuduro progressivo entrou
no léxico musical. Os Buraka Som Sistema, um colectivo formado por Riot,
Lil’John e Conductor, com participação
regular de Kalaf, criaram um novo género, misturando no mesmo pote cultural as tradições do kuduro, os ritmos
do funk, do reggaeton e do hip hop.
Temperado com uma pitada de electrónica, o som dos Buraka nasceu com o
EP ‘From Buraka to The World’ e regressou, este ano, com o álbum ‘Black
Diamond’ lançado esta segunda-feira.
Pontos Negros
Se fossem americanos talvez se chamassem Black Dots, numa assumida
alusão aos rockeiros White Stripes.
Mas em Portugal fala-se português, e
os Pontos Negros são uma das bandas
revelação deste ano. Afinal, por cá
também se faz ‘roque enrole’, e a ban-
da de Queluz, composta por Jónatas
e David Pires, Lipe e Silas puseram a
malta a cantarolar a letra de um ‘Conto
de Fadas de Sintra a Lisboa’. O álbum
de estreia – ‘Magnífico Material Inútil’
– é editado este mês, revelando que
ser suburbano é um estilo de vida, e
o facto de serem cristãos evangélicos
apenas uma circunstância.
Xutos & Pontapés
As apresentações são desnecessárias.
Tim, Zé Pedro, Kalú, Cabeleira e Gui
estão prestes a atingir o impensável
numa banda punk/rock portuguesa: os
30 anos de carreira. Ver um concerto
de Xutos actualmente é assistir a um
encontro de gerações. Avós, pais e netos partilham as mesmas canções e a
idade parece não pesar. Nem no palco,
nem fora dele. Agraciados por Jorge
Sampaio com a Ordem do Infante D.
Henrique e inspiração para um musical
intitulado ‘Sexta-feira 13’, os Xutos
percorreram um longo caminho desde
os tempos do ‘Rock Rendez-Vous’, mas
continuam a gritar ‘Olá Vida Malvada’
Sam The Kid
De Chelas para o mundo, Samuel Mira
transformou-se em Sam The Kid e provou que não é preciso ser negro para
fazer hip hop. Com quatro álbuns na
bagagem, Sam recorre com frequência
a samples de discos antigos e vídeos
de todo o género, usando os sons e as
vozes a seu bel-prazer. Uma rima leva a
outra, o improviso flui e, sem karaokes
nem retoques, ‘Pratica(mente)’, de
Mónica Moitas
10 nomes nacionais do momento
[Especial Dia Mundial da Música]
07
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
Deolinda
2006, foi considerado um dos melhores álbuns desse ano.
ção com ‘Shangri-la’ em 2007.
Blasted Mechanism
WrayGunn
Haverá espaço para uma cultura rockabilly modernizada em Portugal?
A resposta é... WrayGunn. Guitarras
que exalam sexo, o sensual e o animalesco entrelaçados, concertos vertiginosos e uma carreira solidamente
construída de rock, blues e algum
saudosismo das décadas de 1950 e
60 fazem da banda liderada por Paulo
Furtado um festim para os sentidos.
As vozes de Raquel Ralha e de Selma
Uamusse trazem valor acrescentado
ao projecto, que encontrou a reden-
Alegadamente vindos de outro planeta, são uma das mais originais bandas
portuguesas. O projecto sofreu algumas alterações ao longo dos anos,
sendo que a saída de Karkov no início
deste ano provocou uma reviravolta
no grupo. A nova voz dos Blasted é
Pedro Lousada, ex-Zedisaneonlight,
que assumiu o nome Guitshu. O recurso a máscaras alienígenas é a imagem da banda desde o seu começo,
tal como a introdução de sonoridades
orientais e instrumentos inventados.
O último álbum, ‘Sound in Light’, foi
Mónica Moitas
Fernando Ribeiro, Moonspell
lançado num formato inovador, dando a possibilidade de fazer o download de um segundo disco.
ght Eternal’, cujo sucesso demonstra
que continua a haver lugar para o black
metal. Não será um lugar ao sol, mas
sim à lua…
riações, e o mais recente trabalho,
‘Dreams in Colour’, inclui uma inesperada versão de ‘Rocket Man’ de Elton
John.
David Fonseca
Da Weasel
Perdeu-se um fotógrafo, mas ganhouse um músico. Longe vão os tempos
dos Silence 4 e David Fonseca tem
sabido impor-se na cena pop/rock
com os três álbuns gravados a solo,
sempre numa atmosfera que remete
para o pop dançável dos anos 80. A
sua versatilidade levou-o a integrar
o aclamado projecto Humanos, com
Manuela Azevedo dos Clã e Camané,
reinventando temas de António Va-
Galardoados com Globos de Ouro e
prémios da MTV, dificilmente os Da
Weasel imaginariam o sucesso que
iriam alcançar quando criaram a banda, em 1993. Um EP e seis álbuns depois – entremeados com uma edição
especial de ‘Re-Definições’ e um disco
ao vivo – a história da doninha faz-se
de muitos singles que o público ouve,
canta e não esquece. Os refrões ‘olá
nina, quero tratar de ti’ e ‘uh uh yeah
Moonspell
O nome Morbid God não dirá muito
à maioria das pessoas, mas foi por aí
que começaram os Moonspell, uma
das poucas bandas de gothic/black
metal nacionais. 2006 revelou-se um
bom ano para a banda liderada por
Fernando Ribeiro: o álbum ‘Memorial’
atingiu o top na primeira semana de
vendas e, no final do ano, venceram o
prémio da categoria Best Portuguese
Act dos MTV Europe Music Awards.
Sucederam-se ‘Under Satanae’ e ‘Ni-
yeah, faz faz dada’ são apenas dois
exemplos entre muitos.
10 nomes internacionais do momento
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
08
Eles ‘rulam’
e os fãs pulam
Arrastam multidões atrás de si, são extravagantes, vendem milhões de discos
e, sejam novatos ou veteranos, têm o mundo na palma da mão.
Com estilos musicais e públicos diferentes, eis os sons que, actualmente,
fazem o planeta estremecer.
Coldplay
Metallica
P!nk
Laura alves
[email protected]
Vampire Weekend
Não sabemos se o Conde Drácula
aprecia indie rock, mas talvez o CD
dos Vampire Weekend ande a rodar
nos night clubs da Transilvânia. A
descontracção e leveza que marca o
homónimo álbum de estreia destes
nova-iorquinos não só provoca uma
irresistível vontade de dançar, como
também de cantar. Quem esteve este
ano nos concertos na Casa da Música,
no Porto, e no Alive!, em Lisboa, sabe
do que estamos a falar. Não foi à toa
que a Rolling Stone incluiu o tema
‘Cape Cod Kwassa Kwassa’ na sua lista das 100 Melhores Canções de 2007
e a revista Spin os elegeu, já este ano,
‘A Melhor Banda Revelação do Ano’.
Tokyo Hotel
Se nas escolas secundárias fosse obrigatório ter Alemão, ir a um concerto
dos Tokyo Hotel poderia ser considerado trabalho de casa. Contudo, talvez desse modo as passagens destes
teen-idols por Portugal não tivesse
causado tamanha euforia. A moda do
emo catapultou os Tokyo Hotel para
a ribalta e, num ápice, os gémeos Bill
(voz) e Tom Kaulitz (guitarra), juntamente com Gustav Schäfer (bateria)
e Georg Listing (baixo), conquistaram
prémios, discos de platina e uma legião de fãs pelo mundo inteiro.
Amy Winehouse
Praticamente não há dia em que
não surja nos jornais ou em novos
videos na Internet. Seja pelo abuso
de drogas, pela conduta descontrolada, pela extrema magreza ou por
qualquer outra coisa, excepto pela
música. No entanto, Amy Winehouse chegou ao topo porque tem, realmente, talento. Adorada por uns,
criticada por outros, o facto é que
a cantora britânica, premiada com
cinco Grammys, não se livra da fama
de eterna rebelde. O estado de saúde debilitado que, aliás, pudemos
comprovar durante a sua actuação
no último Rock in Rio, dá origem a
apostas quanto à longevidade da
sua carreira. Caso se confirme o pior
cenário, o R&B ficará, sem dúvida,
mais pobre.
P!nk
Baptizada Alecia Beth Moore, P!nk
teve, de facto, o cabelo rosa, mas
a verdade é que a cantora pop não
mantém um novo visual durante muito tempo. Iniciou a carreira musical
bastante jovem, com apenas 13 anos,
e após algumas experiências menos
bem sucedidas, P!ink estreou-se a
solo em 2000 com ‘Can’t Take Me
Home’, conquistando a dupla platina.
A fama consolidou-se ao interpretar,
juntamente com Christina Aguilera,
Lil’ Kim e Mýa, o tema ‘Lady Marmalade’ para o filme ‘Moulin Rouge’.
Dois Grammys e mais quatro álbuns
depois – o mais recente, ‘Funhouse’,
será lançado este mês no mercado –
P!nk tem-se reinventado de forma
inteligente. O novo single ‘So What’
atingiu, entretanto, o n.º 1 nas tabelas da Austrália, Nova Zelândia e
Canadá.
09
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
Madonna
Se existe uma rainha da música pop,
o título só a ela poderá ser atribuído.
Condensar em poucas linhas uma
carreira de 25 anos é virtualmente impossível, contudo, apesar do seu meio
século de idade (quem diria…), Madonna não pretende ficar por aqui. Ou
seja, daqui a um par de anos haverá,
de certeza, ainda mais para contar. A
recente passagem da diva pelo Parque
da Bela Vista esgotou as bilheteiras
meses antes do concerto, os fãs passaram a noite a acampar, os noticiários
acompanharam de perto o evento,
houve tributos à cantora… Polémica e
‘glamorosa’, Madonna é a artista que
mais vezes venceu o MTV Video Music
Awards – ‘apenas’ 21 prémios… –, os
singles que lança vão directos ao topo
das tabelas e, por isto e muito mais, é
a cantora mais bem paga do mundo.
Kanye West
Produtor e rapper, Kaney West
possui um nome auspicioso, já que
‘Kanye’ significa ‘o único’ em suaíli.
West produziu músicas para artistas
da cena hip hop e R&B como Alicia
Keys e Eminem. A passagem para o
rap deu-se com Jay-Z, com quem
trabalhou no álbum ‘The Blueprint’.
As críticas bastante positivas relativamente à sonoridade do disco facilitaram-lhe a passagem da produção,
nos bastidores, para o estrelato, no
palco. Já com três álbuns, estando o
quarto – ‘808s & Heartbreak’ – previsto para Novembro, o rapper possui
fortes convicções sociais e políticas,
ficando para a História a polémica
frase proferida aquando da devastação causada pelo furacão Katrina em
Nova Orleães: «George Bush doesn’t
care about black people.»
Linkin Park
Foi com “Hybrid Theory”, o primeiro
álbum, que os Linkin Park convenceram o mundo de imediato. Vencedora de dois Grammys e diversos prémios da MTV, a banda californiana
confirmou o sucesso da estreia com
“Meteora” e, já no ano passado,
“Minutes to Midnight”, entrou directamente para os tops, vendendo 600
mil cópias na primeira semana após
o lançamento. O recurso a dois vocalistas é uma das principais marcas
de estilo da banda, que conjuga o nu
metal com o ritmo do rock e ainda
influências do hip hop. Mike Shinoda, MC do grupo, segue o caminho
do rap, enquanto Chester reflecte o
lado metal dos Linkin Park.
Madonna
Coldplay
‘Viva la Vida or Death And All His
Friends’, o mais recente trabalho
dos britânicos Coldplay, foi buscar o
nome a um quadro de Frida Khalo,
uma opção justificada pela ousadia
da obra. O quarto álbum da banda
de Chris Martin saiu para o mercado em Junho deste ano, contudo, o
single ‘Violet Hill’ foi disponibilizado
gratuitamente um mês antes no seu
site oficial, garantindo vários milha-
res de downloads de imediato. Desde
‘Parachutes’, a carreira dos Coldplay
tem sido cimentada de sucessos incontestáveis: temas melancólico-depressivos como ‘Yellow’ e ‘Trouble’,
ou plenos de energia, como ‘Speed of
Sound’ e ‘Clocks’, fazem dos Coldplay
um dos projectos de rock alternativo
mais versáteis da actualidade.
Metallica
No futuro, tavez os dicionários ve-
nham a incluir o nome Metallica
no significado de ‘heavy metal’.
Nascidos na Califórnia em 1981,
os Metallica tornaram-se um mito
para várias gerações e têm sabido
reinventar-se ao longo dos anos,
balançando entre o thrash metal, o
hard rock e temas mais melódicos,
como os lendários ‘Nothing Else Matters’ e ‘Unforgiven’. As passagens de
Metallica por Portugal em 2007 e
pelo palco do Rock in Rio 2008 con-
firmam o estatuto da banda como
um dos mais influentes projectos
do panorama metal de sempre. O
recente lançamento do nono álbum
da banda – ‘Death Magnetic’ – é um
dos acontecimentos mais falados dos
últimos tempos.
O estranho
mundo
das covers
Outro modo de fazer a
ponte entre mundos musicais opostos, são as covers
que permitem aos artistas
não só fazer homenagem
a clássicos do seu próprio
universo criativo, mas também incursões esporádicas
em canções que provavelmente nunca sonhariam
tocar. Alguns dos melhores
exemplos de experiências
gloriosamente conseguidas
incluem: ‘I Will Survive’, de
Gloria Gaynor, pelos Cake;
‘All That She Wants’, dos
Ace Of Base, pelos The
Kooks; ‘Careless Whisper’
dos Wham, pelos Gossip;
‘No Diggity’, dos Blackstreet, pelos Klaxons; ou ‘Feeling Good’, de Nina Simone,
pelos Muse.
Mistura de influencias
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
10
A era
da fusão
Soul e Country. Hard Rock e Reggae. Britpop e Hip Hop. Indie e Fado. Com a crescente tendência
para as colaborações artísticas, a única definição que se pode dar à música do século XXI é que
não tem definição. Na era da Internet, os rótulos nunca mais serão os mesmos.
Buraka Som Sistema
Vampire Weekend
White Stripes
Pedro quedas
[email protected]
Quando olhamos para o nosso passado
musical, para as evoluções e choques
que a indústria tem absorvido ao longo
dos últimos 100 anos, tentar definir um
fio condutor é uma actividade que pode
levar uma pessoa à loucura.
Mas, mais do que uma ordem geral, é
possível definir certas eras musicais que
marcaram anos – por vezes décadas –
normalmente através de
uma dinâmica local, com
focos de criatividade centrados em cidades específicas. Falamos do ‘flower
power’ de San Francisco,
da Motown de Detroit, da
‘Madchester’ em Manchester ou mesmo o grunge,
em Seattle. Quando alguns
dos nomes mais conhecidos
decidiam fugir dos seus rótulos – como quando Ray Charles decidiu cantar country ou os Led Zeppelin
gravaram uma música de reggae – tais
incursões eram vistas como experiências ou mesmo forte rupturas.
Na era da Internet, esse processo
tornou-se muito mais natural. Qualquer
pessoa, em qualquer canto do mundo,
tem acesso quase ilimitado a um sem
número de culturas musicais, o que explica a popularidade crescente da ‘world
music’ ou fenómenos como os Vampire
ências tem-se sentido
tanto na revisitação
de êxitos das carreiras
de Sérgio Godinho ou
GNR, como em fenómenos recentes como
os Buraka Som Sistema, com a sua exploOne Republic & Timbaland
ração electrónica dos
ritmos do kuduro.
Weekend, com o seu híbrido de pop oci- Um estilo que tem retirado benefícios
consideráveis desta tendência tem sido
dental com afropop.
Um dos exemplos mais flagrantes da o fado, que saiu das tascas escuras para
fusão de estilos actual envolve o fenó- os grandes palcos, em grande parte demeno do hip hop e do R&B, e a relação vido ao modo como este tem entrado
de influência mútua que têm tido com em esferas que antes evitava – seja
todos os outros universos musicais. Isto num sample de uma música de Sam
manifesta-se não só na criação de novos The Kid, na louca experimentação da
estilos, como o ‘rap rock’, mas também Naifa ou nos imensamente populares
em parcerias pontuais que abrem novos Humanos.
caminhos. Uma nova era que vê os One Mas, ao contrário do que muitos posRepublic a lançar um single remixado sam pensar, o intercâmbio de culturas
por Timbaland, Kanye West a cantar não tem de significar necessariamente a
em conjunto com Chris Martin, dos Col- morte do ‘ingrediente’ original. Um ano
dplay, ou um dueto entre Alicia Keys e depois de ter tocado no Sudoeste com
Jack White, dos White Stripes, no novo os Humanos, o fadista Camané regressou a terras alentejanas para se mostrar
filme do James Bond.
a solo. E, na tenda do palco secundário,
uma multidão de festivaleiros fez silênO ‘melting pot’ português
Se durante muitos anos a realidade cio para se ouvir cantar o fado.
musical portuguesa andou um passo
atrás das tendências mundiais, o panorama actual é consideravelmente mais
risonho. A cultura de partilha de influ-
11
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
Vodafone Portugal aposta na musica
Momentos
bem vividos
Consciente da importância que a música assume na vida de todos nós, a Vodafone Portugal tem,
ao longo dos últimos anos, criado diversas parcerias nesta área. Um concerto, um festival ou
uma canção especial que se ouve na rádio, despertam múltiplas emoções e estados de espírito que
a Vodafone faz questão de valorizar. Desta forma, a associação da marca aos artistas e eventos
musicais de referência faz todo o sentido.
Uma década de música
Em 2004, 2006 e 2008 a Vodafone patrocinou o maior festival de música do mundo, o Rock in Rio. Este patrocínio
enquadra-se perfeitamente na estratégia de comunicação
e posicionamento da marca, já que associa a Vodafone
ao mais importante acontecimento musical em Portugal
durante estes últimos anos, dando continuidade à ligação da marca aos grandes eventos musicais realizados
no nosso País, como já tinha acontecido com os MTV
Europe Music Awards Lisboa 2005. No âmbito deste
evento, tal como no Rock in Rio, a marca promoveu diversas acções de activação do patrocínio, permitindo aos
seus clientes ganhar bilhetes para os concertos e festas
MTV, bem como para assistir ao vivo ao espectáculo, que
se realizou pela primeira vez em Portugal, no Pavilhão
Atlântico.
Dois anos depois a marca patrocinou a transmissão dos
MTV Europe Music Awards 2007 em Portugal e ofereceu
a 4 Clientes a oportunidade única de se deslocarem a Munique para assistir à cerimónia de entrega dos cobiçados
prémios.
A Vodafone apoiou também a digressão dos portugueses The
Gift, com os quais lançou o seu álbum AM-FM nos telemóveis Vodafone live!. Numa
iniciativa pioneira em Portugal e, provavelmente, em todo o mundo, em Novembro
de 2004 foi possível fazer download de faixas musicais inéditas e ouvi-las no telemóvel antes do seu lançamento junto do público.
Entre 2005 e 2008 foram efectuados pré-lançamentos exclusivos de vários artistas
(Linkin Park, Shakira, Keane, Fergie, The Gift, Now15, Avril Lavigne, Beyonce and
Shakira, Ivete Sangalo, Madonna, entre outros) no portal Vodafone live!, permitindo
aos clientes adquirir as faixas dos novos álbuns, toques, imagens, RingDings e vídeos, antes dos álbuns estarem à venda nas lojas.
Em Julho de 2007 decorreu a transmissão em directo de todos os concertos do Live
Earth para o telemóvel dos clientes Vodafone – 24 horas de música ’non-stop’, com
concertos realizados em oito cidades de todos os continentes que contaram com a
participação de mais de 150 artistas de renome internacional.
Já no mês seguinte, os clientes tiveram acesso, em directo e em exclusivo, ao
concerto de Pedro Abrunhosa no Porto, com a primeira apresentação de “Luz”, o
seu novo álbum.
De acordo com os estudos disponíveis, a estratégia seguida pela Vodafone tem
sido reconhecida e apreciada pelo mercado. O conjunto de iniciativas que apoia e
desenvolve nesta área permite que a Vodafone seja a primeira operadora de telecomunicações que os portugueses reconhecem como ligada à música e, ainda,
seja considerada a terceira entre a totalidade das marcas em Portugal com maiores
indíces de associação à música.
No futuro a Vodafone pautará a sua presença na área da música pela continuação
do desenvolvimento e implementação de projectos próprios e inovadores, tendo
inclusivamente já preparado um conjunto de acções para este e para o próximo ano
e que em breve divulgará.
montagem: Bernardo Simões Correia
Nos últimos anos, a Vodafone Portugal, líder em inovação no sector nacional das
telecomunicações, tem-se preocupado em criar parcerias que reflictam a sua política
de comunicação. A música é, sem dúvida, uma ferramenta poderosa de transmissão
de valores e de emoções, além da abrangência que tem em termos de público. Diz-se
que a linguagem da música é universal e, de facto, é das formas mais eficazes de
comunicar com os outros.
A estratégia da marca aposta, claramente, na utilização da música como um transmissor de alegria de viver, inovação, irreverência e espírito ‘cool’. Objectivo? Chegar
a um segmento muito especial: os jovens dos 18 aos 35 anos com o lema ‘Viva o
momento’.
Através dos vários serviços e conteúdos disponibilizados no portal Vodafone live! e
das experiências que os patrocínios e eventos realizados proporcionam, a Vodafone
procura fazer chegar às pessoas a música que querem, quando querem e onde estiverem, para que possam viver cada momento com a sua música preferida.
A Vodafone
e
a Música
A aposta da Vodafone na
música em Portugal foi reforçada em 2007 através
da concepção e produção
de eventos de música originais e inovadores, de
formato desenvolvido pela
própria Vodafone, como os
Concertos Flash, Vodafone
House Party e Vodafone
SoundClash! Com estas
iniciativas, a marca procurou sintonizar os amantes
de música com os artistas
nacionais, permitindo-lhes
participar em iniciativas
musicais inéditas no nosso
País. Foram realizadas diversas acções nas quais se
procurou levar a música às
principais cidades de Norte
a Sul do País. Destacamse os Concertos Flash em
seis cidades; a Vodafone
House Party, com um concerto ‘privado’ dos Blasted
Mechanism; e o Vodafone
SoundClash! que colocou
no palco e frente a frente
músicos como os GNR, The
Gift, Blasted Mechanism e
Boss AC.
Dizem
eles
Nuno Silva
Metal
http://www.myspace.com/
hybridlys
«Ainda vives numa sociedade muito
fechada. A crítica está sempre
presente.»
Saul Lopes
HipHop
http://www.myspace.com/
speaker2007
«Não são as calças largas e o
boné ao contrário que vão dizer
que sou MC.»
Bruno Sousa
Electrónica
http://www.myspace.com/
bandidosdesesperados
«O que eu quero da música electrónica é que me faça dançar,
não quero saber se é pró Bush
ou pró Obama.»
[01 OUT 2008]
Somos
o que ouvimos?
12
Aquilo que ouvimos influencia o nosso comportamento e o nosso
visual? O MU pediu a
um MC autodidacta, a
um DJ ‘straight edge’
e a um metaleiro violoncelista para defenderem as suas cores,
perdão, sons.
raquel ramos
[email protected]
Estou em plena Lisboa à procura de
uma BMX roxa, acompanhada, possivelmente, por alguém com o cabelo
dessa mesma cor. A expectativa não se
cumpre: a bicicleta, ‘sinal’ combinado
para reconhecer o representante da música electrónica neste artigo, ficou em
casa com um pneu furado e, quanto ao
Bruno, apesar de não ter uma imagem
comum, vem quase a preto e branco.
«Há vários estilos de música electrónica,
alguns com uma indumentária característica», explica. «O que mais me agrada
em Lisboa [veio dos Açores] é o facto
de encontrares vários grupos e poderes
dizer ‘identifico-me com aqueles’. Isso [a
imagem] é uma mensagem que as pessoas transmitem». Uma mensagem que
pode ser contraditória? «Sim, às vezes,
por causa dos brincos e do cabelo comprido, as pessoas pensam ‘esse gajo de
certeza que fuma drogas e coisas assim’.
Também gosto de enganar as pessoas!
(risos)», brinca o DJ da dupla Bandidos,
que se afirma ‘straight edge’, ou seja,
não fuma nem bebe. «Acho extremamente má a associação entre a música
e o álcool e as drogas. Há pessoas que
vão para os festivais por haver cerveja
barata e nem chegam a ouvir o trabalho
dos músicos», lamenta.
Orgulho e Preconceito
«Sempre tive uma imagem diferente»,
diz Bruno, habituado às críticas, presentes desde os tempos em que começou
Matilde Homem
Musica vs atitude
[Especial Dia Mundial da Música]
a comprar a sua própria música até à
entrada num curso de Belas-artes, que
coincidiu com uma mudança gradual de
estilo, de maneira de ser e de preferências músicais. Hoje, a música electrónica,
especialmente a francesa, é a sua eleita,
mas mantém o gosto pela «energia e raiva» do metal, que iniciou o seu interesse
pela música.
Fiel aos sons mais pesados do heavy
metal, Nuno também se habituou a
ver a sua imagem censurada. «Como
professor, tinha colegas que falavam do
cabelo comprido... e em casa também
recebia críticas dos meus pais. Mas, se
pensarmos um bocadinho para trás, até
aos anos 60, isto já aconteceu. É um
reviver com outros estilos musicais».
Aos 32 anos, o visual de Nuno está mais
suave (conta-me que cortou o cabelo há
cerca de mês e meio), «se calhar por
causa da idade». «A pessoa começa a
cansar-se de ver sempre a mesma imagem no espelho. Já usei calças elásticas,
téni-bota e o cabelo comprido até às
costas», recorda o baixista dos Last Year
of Silence. Com efeito, conforme explica
Rui Gomes, investigador do Observatório das Actividades Culturais, «ao longo
do processo de transição para a vida
adulta, que inclui também a autonomia
residencial e a eventual constituição de
uma família própria, há um conjunto de
códigos de conduta e de convenções que
se vão alterando».
Amigos, amigos,
música à parte?
«A música tem um papel central na
formação de amizades próximas», con-
sidera Rui Gomes. O sociólogo chama
a atenção, porém, para outros factores
decisivos, como a escola, os vizinhos e os
hábitos culturais. «A música pode aparecer não propriamente como uma causa
ou consequência do grupo de amigos,
mas antes como um meio de expressão
do próprio processo de identificação com
o mesmo». Os confrontos entre as diferentes ‘tribos’ existem, mas a colaboração entre elas é mais comum do que se
poderia julgar. «Mesmo alguma espécie
de disputa ritualizada pode fazer parte
do convívio entre grupos diversos», explica Rui Gomes. E que o diga Nuno, cujo
círculo de amigos foi sempre «eclético».
«Nunca pensei: ‘vou juntar-me só àquela
malta que ouve heavy metal’. Claro que,
até uma certa idade, há sempre aquela
piadinha do ‘ah, se calhar o heavy metal
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
Largos Horizontes
Adrian North, professor de psicologia da
Universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, passou três anos a tentar responder
a uma pergunta: ‘Haverá uma relação
entre o gosto musical e a personalidade?’ O estudo foi publicado no início de
Setembro, revelando, entre outras conclusões, as parecenças entre os ouvintes
da música clássica e os do heavy metal.
A hipótese não espanta o metaleiro desta história, que tem inclusive formação
em música clássica: «Em termos de rigor
musical, são músicas que são trabalhadas, têm alguma quadratura e exigem
alguma inteligência.» Contudo, Nuno
concorda com Rui Gomes na recusa
de uma «relação determinista» entre a
música e a personalidade. «Para além da
música clássica, até consigo ouvir electrónica, se for boa, e pop-rock também
ouço sem problemas. Acho que faz bem
ouvir muitas coisas».
Exigências do palco
É esta mesma atitude que encontro na
minha conversa com um fã do hip hop
que tem a música no corpo, literalmente: um ‘m’ tatuado no pulso direito e um
‘u’ no esquerdo (que não significam MU,
os nossos fãs ainda não são tão devotos!), em recordação de um projecto
antigo, Mentes Urbanas. «Pá... eu gosto
de todos [os tipos de música]!», conclui
Saul, após uma breve reflexão. O jazz e o
«rock antigo» («Pink Floyd, Supertramp,
Queen...os CD’s do meu pai») têm o seu
lugar no pódio, mas o primeiro lugar é
do hip hop «sempre, até morrer».
MC (mestre de cerimónias) por conta
própria, actua sob o nome de Speaker,
e é aí, em palco, que o seu estilo muda.
«Como podes ver, olha, estou assim, estou de t-shirt. Acho que não estou mal!
(risos)... Quando estou em actuação, é
um bocado mais arrojado, o meu chapéu
tem de estar lá». E os gestos? «(risos) É
como a minha mãe diz: ando a apanhar
moscas! (risos). Mas deve haver MC’s
que rimam com as mãos nos bolsos!
(risos)».
Terminei todas as entrevistas pedindo
um ‘sim’ ou ‘não’ à pergunta «somos o
que ouvimos?». Saul deu-me uma resposta curta, sem sombra de hesitação:
«Eu sou».
Matilde Homem
é que é bom’, mas depois também vais
aprendendo a ouvir outras coisas».
Matilde Homem
13
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
14
Porquê pagar
quando podeS ter de graça?
A música, cuja definição é complexa e sempre lata, existe desde os primórdios da humanidade; a Internet, um outro
conceito de difícil definição e também bastante lato, teve a sua origem no início dos anos 80. A ligação entre as duas,
inegável na sociedade actual, deve-se a três grandes acontecimentos.
do seu disco In Raibows no seu sítio a
troco de qualquer ou mesmo nenhuma
quantia monetária – foi a gota de água
para a revolução que se esperava no
meio e a estocada final na indústria discográfica, levantando mais uma vez a
questão fundamental do porquê pagar
por algo disponível gratuitamente.
João Silva Soares
[email protected]
Tudo começou com o aparecimento do
formato mp3 em 1991 – desde então,
tornou-se possível ao utilizador comum
de computadores pessoais manipular
músicas como quem manipula ficheiros. Só alguns anos mais tarde com
o Napster, o primeiro software de
partilha de ficheiros dedicado quase e
exclusivamente à partilha de ficheiros
musicais que apareceu em 1999, é que
o fenómeno ganhou magnitude crescente e cada vez mais expressão a uma
escala global. Muito recentemente,
a massificação do iPod/leitor de mp3
permitiu a fuga em larga escala das
músicas, antes confinadas à utilização
restrita nos computadores pessoais,
para objectos do dia-à-dia. Finalmente,
a sua utilização tornou-se fácil e cómoda para o cidadão comum, que actualmente ouve a música que quer durante
grande parte da sua existência diária.
Nunca antes o homem teve toda a
música aos seus pés: com alguns recursos, esforço e sorte, é possível obter
qualquer música de qualquer disco de
qualquer músico editado em qualquer
parte do mundo, por vezes até antes
da data oficial de lançamento. Depois
de encontrado num computador algures no mundo, o ficheiro é transmitido
através da Internet e passa para o leitor
de mp3 em segundos, estando imediatamente disponível para a sua audição.
Isto vem acontecendo ilegalmente e de
uma forma massificada desde o ano
2000, o que foi a causa motriz dos últimos sete anos consecutivos de descida
no número de CDs vendidos.
A selecção darwiniana
e a indústria discográfica
A não-resposta, imediata e eficaz, da
indústria discográfica ao seu arqui-inimigo, contribuiu em grande parte para
o aumentar do problema. Uma opinião
válida nos dias de hoje é “o porquê ter
de pagar por uma coisa que se pode ter
grátis?”, e a essa questão fundamental
sem resposta fácil a indústria discográfica ainda não conseguiu responder,
senão com processos nos tribunais
ineficazes e impopulares.
Pequenas expressões de sentido de
negócio e proteccionismo de receitas
acontecem esporadicamente, mas na
realidade não vem da parte das grandes discográficas habituadas aos lucros
do formato tradicional com caixa e livrinho mas sim de novas direcções que
trazem novidade e ar fresco ao meio.
Hoje em dia, as vendas de downloads
traduzem cerca de um quarto do total
de receitas da indústria musical e o iTunes da Apple é a plataforma de venda
individual de músicas na Internet com
maior expressão e que vende mais música nos Estados Unidos – desde o seu
lancamento em Abril de 2003, demonstra um crescimento exponencial contando recentemente com 5000 milhões
de músicas vendidas, 3 mil milhões das
quais ocorreram apenas no último ano.
Existem também outros formatos de
venda: por exemplo uma assinatura
mensal na ordem dos 10 euros permite
o livre acesso a um catálogo quase-total da música comum dos dias de hoje,
certas bandas efectuam venda directa
nos seus próprios sítios.
Youtube e Myspace
projectam novatos
Por outro lado, não só a indústria se
tenta adaptar a nova realidade trazida
pela Internet; as bandas cedo perceberam a potencialidade para a divulgação
deste meio. Enquanto antes, era sempre necessário propor um produto às
editoras, que por sua vez escolhiam,
editavam e distribuíam, hoje em dia
cada vez menos se necessita deste
intermediário. O sítio myspace é o perfeito exemplo da montra pós-moderna
para milhares de bandas de todo o
mundo, disponibilizando algumas das
suas músicas para audição grátis. O
youtube mostra também prestações ao
vivo de muitas bandas, embora geralmente não sejam providenciadas pelas
próprias mas sim por fãs anónimos destas que decidem a custo do seu tempo
e esforço disponibilizar os seus vídeos
caseiros. Em relação a telediscos, um
outro formato musical, o youtube tem
de se restringir aos contornos legais
dos direitos de autor, pelo que é comum grandes editoras impossibilitarem
a disponibilização dos seus conteúdos
protegidos. Inevitavelmente, da mesma forma ilegal que circulam músicas,
também se encontram nos sítios habituais vastas colecções de telediscos ou
de concertos.
É também habitual bandas actuais terem os seu próprios sítios oficiais na
Internet onde geralmente está a sua
música ou pequenas amostras desta,
dependendo isso dos contratos com
as editoras e com o cariz comercial ou
independente da banda. Hoje em dia
existem como existiam anteriormente as bandas de carreira ou da moda
apoiadas em todos os aspectos pelas
grandes editoras discográficas que com
o lucro como objectivo oferecem condições de produção musical inigualáveis
e são encarregadas da distribuição e da
divulgação, ficando por isso com uma
parte do bolo final. Por outro lado, a
Internet permitiu uma democratização
no mundo da música, sendo agora
muito mais fácil para a Ana Free do
que foi para os The Gift há mais de 10
anos atrás. Por último, os Radiohead
em 2007 contornaram toda a indústria
discográfica e ofereceram o download
Quem gosta de música
sai a ganhar
Com a Internet, não só as bandas
emergentes têm a vida facilitada mas
também os apreciadores de música em
geral, quer tanto pelo dramático aumento da oferta de música disponível
quer pela facilidade de comunicação
em nichos de mercado característica
da Internet. A Internet, é nos dias de
hoje, o primordial canal de divulgação
de música e para além disso, que apresenta o maior potencial futuro. Antes
a escolha do consumidor confinava-se
à intersecção dos inventários das lojas
locais com as recomendações de amigos e conhecidos; os mais aficionados
ouviam programas de divulgação na
rádio ou liam os hoje históricos críticos
de música nos suplementos de jornais
dedicados à crítica de música. Paralelamente, hoje em dia existe uma quantidade apreciável de sítios na Internet de
divulgação e crítica de música, desde
magazines, quer generalistas quer especializadas, com alguma oficialidade e
com publicação exclusivamente digital
até ao número infinito de blogues de
individuais que o fazem por amor à
camisola e às suas músicas preferidas.
Também existem rádios que emitem na
Internet, um fenómeno cada vez mais
expressivo e cada vez mais democratizado, sendo possível ao comum mortal
obter umas horas semanais para ter
o seu próprio programa, feito a partir
de sua casa através da Internet. Desta forma, um meio que dantes estava
restrito a meia dúzia de profissionais,
que ocupavam as mesmas posições
que ainda hoje ocupam e ditavam com
os seus gostos o que era o bom gosto,
está hoje aberto a todos que queiram
exprimir a sua opinião.
Todavia, muito interesse continua a
acontecer no mundo da música para o
amante de música. Faz-se mais, inovadora e melhor, ouvem-se e conhecemse muito mais bandas, divulga-se muito
mais facilmente, existe cada vez um
maior número de concertos e cada vez
mais pessoas para os ver. A única coisa onde se perdeu foi na venda de CD.
Quem está mal e necessita de reformulação é a indústria discográfica e todo o
seu modus operandi.
[01 OUT 2008]
[Especial Dia Mundial da Música]
Musica na internet
15
«Muito recentemente, a massificação do iPod/
leitor de mp3
permitiu a fuga
em larga escala
das músicas, antes confinadas à
utilização restrita nos computadores pessoais,
para objectos do
dia-à-dia.»
Publicidade lança bandas
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
16
Benjamins da
publicidade
São filhos da publicidade ‘desenganosa’ e não há zapping que os derrube. É neles que pensamos
quando revolvemos neurónios a sonhar com ‘aquela música do anúncio’. Porque o mesmo mundo
analógico que nos ensina que ‘O algodão não engana’ é cada vez mais um mecenas que catapulta
talentos musicais para a ribalta.
mariana cabral
[email protected]
Voz autêntica na
campanha
da
SuperBock
Ninguém muda de canal quando
soa a voz de Brandi Carlile. O
spot publicitário da conhecida
marca de cerveja teve o condão
de hipnotizar olhos e ouvidos
nacionais com ‘The Story’. Rouco
e desconcertante, o timbre de
Carlile faz-nos querer ser cerveja
para tomar parte nos «momentos
autênticos da vida» que vemos
passar no anúncio.
Anos antes, em 2005, a cantora
já tinha sido eleita como um dos
‘10 artistas a manter debaixo de
olho’ pela revista Rolling Stone.
A Superbock ficou atenta e em
2008 caçou a voz rasteira de
Seattle para cantar e encantar
os aspirantes a consumir. Nos
EUA já não era novidade: depois
de tocar na primeira parte dos
concertos de The Fray, Chris
Isaak ou Tori Amos, o pundonor
sem precedentes aconteceria
quando escolhem três dos seus
temas para melodiar a série
Anatomia de Grey. Nós por cá,
algo encafuados na cauda da
Europa, só demos por ela quando
a ouvimos chegar às televisões
do nosso lar, sem custos nem
portes de envio. É um fenómeno
televisivo que actuará em carne e
osso no Porto, Coimbra e Lisboa,
em Novembro.
O jingle
mais
viciante da
história da
publicidade
Em 2002, a Coca-Cola incubou
o êxito de BJ Bobo num spot
publicitário destinado ao mercado
espanhol. Um ano depois, o
sucesso foi tal que o anúncio
foi reeditado para cobertura
internacional. Ainda se lembram?
O grito de guerra ‘Chihuahua!’
convenceu-nos de que é possível
tornar uma aborrecida viagem
de metro numa alegre rave
matutina, apenas com um gole de
Coca-Cola.
O jingle transportou o cantor
suíço para lugares invejáveis
nas tabelas europeias, embora o
anúncio não tenha sido um acto
isolado na carreira de DJ Bobo,
cujo início remonta a 1992. Não
obstante, é com orgulho que
a Coca-Cola pode afirmar que
imortalizou o viciante ‘Chihuahua’,
elevando-o à categoria dos singles
mais vendidos de 2003 a nível
internacional.
Cantar
a poupar
tostões
Nunca vimos tanta gente com
vontade de «virar a vida de pernas para o ar/e procurar uma casa
para morar». Apregoando bons
spreads no crédito habitação, Ricardo Azevedo conseguiu comprar
a prestações um merecido espaço
no nosso leitor de mp3. ‘Pequeno
T2’ é aquela música trauteável que
faz bater o pé ao mesmo tempo
que conquista novos fãs a Ricardo Azevedo e potenciais clientes
ao Millenium BCP. O ex-vocalista
dos EZ Special viu neste binómio
a fórmula mágica para lançar um
álbum a solo e em português –
‘Prefácio’ promete ser «recheado
de grandes canções que falam
sobre sonhos, receios, paixões e
peripécias», como descreve o site
oficial. O sucesso do novo single
‘Entre o sol e a lua’ só prova que
é possível conquistar o País com
apenas duas assoalhadas.
17
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
Vodafne
007
do mecenato
publicitário
Se falamos de caça ao talento não
podemos deixar de mencionar
o grande mecenas de todos os
tempos: a Vodafone. O caso
modelo? Os Dandy Warhols.
O carismático ‘Bohemian Like
You’ do álbum ‘Thirteen Tales
From Urban Bohemia’ foi a
pérola encontrada na missão
de salvamento perpetrada pela
marca de telecomunicações.
Recuemos no tempo: na data
original de lançamento, em 2000,
o tema nem espreitou as tabelas
musicais, remetendo-se a um
modesto número 42 do Reino
Unido. Contudo, a iniciativa de
reanimação parte da operadora,
que em 2001 decide ressuscitar
o single para a campanha
publicitária ‘How Are You?’.
O antes
e o depois
O boom foi quase imediato e
entre 2001 e 2004 a música
viajou com a marca num semfim de publicidades por todo
o globo, contracenando com
individualidades como David
Beckam. Era caso para dizer
que ouvir ‘Bohemian Like You’
na rádio fazia lembrar o anúncio
da Vodafone e não o contrário.
Em tempos mais recentes, a
banda tem sido uma das vozes
mais críticas sobre a invasão
americana no Iraque mas ‘despe’
a seriedade quando se apresenta
amiudadamente em palco como
veio ao mundo. Com mais de
oito álbuns no bolso, o grupo
originário de Portland apresenta
agora o álbum ‘Earth to the Dandy
Warhols’, já sem paternidades
publicitárias.
Ídolos,
versão
publicitária
Quem não se lembra do memorável ‘Are you gonna be my girl’ dos
australianos Jet? A banda conheceu um arranque sem igual com
a nova campanha da Vodafone
Live!, da mesma maneira que os
Bloc Party desbravaram caminho
para um mar de fãs em Portugal,
pouco depois do protagonismo da
faixa ‘Banquet’ na pantalha publicitária da marca. Os britânicos
não se fizeram rogados e aproveitaram a visibilidade para dar a conhecer o álbum de estreia, ‘Silent
Alarm’ (2005).
Na grelha actual a chuva de estrelas não parece querer abrandar, a
avaliar pelo falatório sobre adaptação para ‘Roaming’ do êxito
‘Jamming’, de Bob Marley. Para
já, os embaixadores da marca são
os Drive By The Argument, que
cedem a efervescente ‘The Sega
Method’ para a campanha em
decurso. Mais um fenómeno em
ascensão?
«Uma música
sexy faz uma
marca sexy
e vice-versa»
O MU falou com João Carvalho Oliveira, Director Criativo da JWT, a empresa
responsável pela publicidade da Vodafone, para descobrir a fórmula mágica
por trás da escolha das músicas.
Como funciona o brainstorming no processo de selecção das músicas para um anúncio?
Na mesma medida que funcionam outros brainstormings. Tem de responder
à questão: ‘Que música serve melhor a ideia do anúncio e que impacto ela
terá on air?’
Num olhar leigo, parece-me que faz mais sentido escolher uma
música famosa para dar visibilidade ao produto. Porquê escolher
a equação inversa?
Porque muitas vezes com grandes marcas é possível e desejável juntar sinergias
com outras valências da comunicação e catapultar uma música relativamente
desconhecida para que o mainstream a descurava simplesmente por não
fazer parte das playlists das editoras e rádios. A música é um referente da
marca e ocupa um share of mind importante na cabeça das pessoas. Uma
música sexy faz uma marca sexy e vice-versa. O posicionamento da Vodafone
deve muito à música. É um património muito importante da marca.
Esta relação duplamente vantajosa pode ser o futuro da publicidade?
O futuro da publicidade tem tudo menos a ver com fórmulas. Temos de
arranjar maneira de nos diferenciarmos todos os dias. Mas é um truque utilizado muitas vezes sem vergonha.
Enquanto consumidor de publicidade, quais foram para si as músicas mais bem escolhidas para anúncios?
As que me transportaram para um universo que não conhecia e que me
puseram só por si a pensar a marca de outra forma foram, por exemplo,
‘Mountain Playstation’, ‘Guiness surfer’ ou ‘Vodafone dandy warhols’.
[Especial Dia Mundial da Música]
[01 OUT 2008]
Recepções
aos
caloiros
Apesar de a maior parte das festas
académicas de recepção aos novos
alunos já ter decorrido, em algum
locais a animação ficou para mais
tarde. Espreita lá onde ainda podes
ir abanar o esqueleto...
Lisboa (Costa de Caparica)
Recepção ao Caloiro da Escola Superior de Saúde Egas Moniz
De 6 a 10 de Outubro
Dia 6 - Prince Wadada
Dia 7 - Dino Soulmotion (convidados
especiais Pacman e Sam The Kid);
Expensive Soul
Dia 8 - Tiago Silva
Dia 9 - Sugarleaf; Klepht
Dia 10 - Tara Perdida
Covilhã
De 26 de Outubro a 1 de Novembro
David Fonseca
Buraca Som Sistema
(o cartaz ainda não está totalmente
confirmado)
Faro
Decorre ainda até dia 3 de Outubro
ExpoFaro
Dia 1 - 11º Aniversário da Associação Académica da Universidade do
Algarve; Quim Barreiros
Dia 2 - Daniel D; Dezperados
Dia 3 - Serenata de abertura do ano
lectivo
Agenda de concertos
Dia
1
COIMBRA
Orquestra Filarmónica das Beiras
Coimbra - Teatro Académico Gil Vicente
- 21h30
LISBOA
Irmãos Verdades
Coliseu - 21h30
LAGOS
Wraygunn (Festa da Juventude) Auditório Municipal - 20h00
PORTO
Coro Gulbenkian - Casa da Música 12h00
Orquestra Gulbenkian
Fundação Calouste Gulbenkian - 19h00
LINDA-A-VELHA
Varukers + Crise Total + Dr. Bife e
os Psicopratas - Academia Recreativa
- 20h00
Frank Bretschneider (EME Festival)
Fundação Serralves
LISBOA
Sheila Jordan Quartet
(Jazz No País do Improviso) Lisboa Centro Cultural de Belém - 21h00
R. Kraft + Marina Couto + Rita Zukt
+ Tânia Pascoal (Lesboa)
Instituto Superior de Agronomia da
UTL - 23h30
Orquestra Metropolitana de Lisboa &
Mário Laginha Lisboa - Centro Cultural
de Belém - 21h00
Aki Onda & César Burago & Sei Miguel
Museu do Chiado - 22h00
LISBOA
Frank Bretschneider + Sanso Xtro +
Safe and Sound (EME Festival) - Teatro
Ibérico - 21h30
ODIVELAS
Trio Maria Viana - Centro Cultural
Malaposta - 21h30
Dia
7
ÁGUEDA
PORTALEGRE
Ensemble Contemporâneus (Dia
Mundial da Música) Portalegre - Centro
de Artes do Espectáculo - 21h30
Hauschka + Anna Troisi & Carten
Goertz + The Beautiful Schizofonic &
Tina Frank (EME Festival)
Teatro Ibérico - 21h30
PORTO
Orquestra Nacional do Porto Estação
de Metro de São Bento - 16h30
MAIA
Kandia
Tertúlia Castelense - 23h00
The Mary Onettes
O Meu Mercedes É Maior Que O Teu
- 23h00
ODIVELAS
Grupo de Música Contemporânea de Lisboa
Centro Cultural Malaposta - 21h30
PORTO
Orquestra Nacional do Porto - Casa da
Música - 18h00
S. JOÃO DA MADEIRA
Prana
Paços da Cultura - 22h00
PORTALEGRE
Factor C (Quina das Beatas) Centro de
Artes do Espectáculo - 23h00
My Truly Magnificent Band + Backstage Heroes
Eira - 00h00
Dia
2
CASTELO BRANCO
Francisco Ceia
Centro de Artes do Espectáculo - 21h30
Manifesto (tributo Victor Jara)
Escola Superior de Música e das Artes
do Espectáculo 21h30
PORTALEGRE
Avô Varejeira (Quina das Beatas)
Centro de Artes do Espectáculo - 23h00
Luísa Amaro (In-Canto)
Centro de Artes do Espectáculo- 21h30
The Band Apart + Before The Torn +
Hell In Heaven (End Of Summer Fest) Rock Café - 22h00
PÓVOA DE VARZIM
Lena d’Água
Casino da Póvoa
COIMBRA
Norberto Lobo
Salão Brazil - 23h00
SINTRA
Orquestra Metropolitana de Lisboa
Centro Cultural Olga Cadaval 21h30
LISBOA
OrchestrUtopica (Festival Expresso
Oriente)
Culturgest - 21h30
TONDELA
José Peixoto Elfdad Quarteto (Jazzin’
Tondela)
ACERT - 21h30
SANTARÉM
Drum & Bass Live Session - ANALOG
(live dnb)
Salvaterra de Magos
Orquestra Gulbenkian
Fundação Calouste Gulbenkian - 21h00
V.N.FAMALICÃO
Tango Quattro
Casa das Artes - 22h00
SINES
Coral Atlântico - Centro de Artes 21h30
VISEU
Pedro Carneiro
Teatro Viriato
TONDELA
Freeflow + Quimera Quinteto (Jazzin’
Tondela) - Tondela - ACERT
Dia
4
ÁGUEDA
V.N.FAMALICÃO
Clã + Lufa-Lufa - Casa das Artes 21h30
Greg Haines + Garcia & Machas & Maranha & Mota (EME Festival) - Teatro
Ibérico - 21h30
ODIVELAS
Duo Fernando Cupertino & Consuelo
Quireze
Centro Cultural Malaposta - 22h00
TONDELA
Carlos Barreto Lokomotiv (Jazzin’
Tondela)
ACERT
Dia
3
ÁGUEDA
Dúmbala Canalla + Pas Par Tout
(Festival O Gesto Orelhudo)
d’Orfeu – 22h00
ALVAIÁZERE
O’QueStrada + Melech Mechaya
(Festival do Chícharo)
CASTELO BRANCO
My Cubic Emotion + Monsieurpo +
Iodine (End Of Summer Fest)
Rock Café - 22h00
LAGOS
Clã (Festa da Juventude)
Auditório Municipal - 20h00
LEIRIA
Mi And L’au + Mazgani (Fade In
Festival)
Orfeão Velho - 22h00
O Menino É Lindo + MicroBand (Festival O Gesto Orelhudo) - d’Orfeu - 22h00
ALVAIÁZERE
Amélia Muge + Roncos do Diabo +
Jah Vai + Companhia Marimbondo
(Festival do Chícharo)
AMADORA
Claudia Leitte
Pavilhão União Progresso Venda Nova
- 22h00
BEJA
High Flying Bird
Galeria do Desassossego - 22h00
BRAGA
Noctem + Daemogorgon + Darkside
of Innocence + Humanart
Sala d’Ensaios Caffé (Vila Verde) 21h00
Fernando Tordo & Stardust Orchestra
Theatro Circo - 21h30
CASCAIS
Seven Colour Eye - Muralhas Rock
(Alcabideche) - 23h00
FIGUEIRA DA FOZ
Grimlet + Seven Stitches + Switchtense
Armazéns Antiga Fábrica - 22h00
FUNDÃO
Joakim & His Ectoplasmic Band +
Tigersushi Bass System (Imago)
Sala de Concertos - 00h00
Lost Locos (Festival O Gesto Orelhudo)
- d’Orfeu - 21:45
PORTO
Caspian + The Allstar Project - PortoRio - 21h30
The Band Apart + Before The Torn +
All Emotions Day + Thirteen Degrees
To Chaos Musicbox - 22h00
Tiga (10x10=01)
Lux
Dia
6
ÁGUEDA
Painted Black pre-listening party
Catedral Bar (Bairro Alto)
The Sight Show + NNY (EME Festival)
Lisboa - Teatro Ibérico - 21h30
Jorge Ferraz Trio
Lounge - 23h00
18
Der Blaue Reiter + VelgeNaturlig +
Frente Católica + Massacre Divino
Fábrica de Som - 22h00
PÓVOA DE VARZIM
Vítor Espadinha - Casino da Póvoa
Dia
5
ALVAIÁZERE
Pauliteiros de Miranda + Chocalheiros
de Vila Nova de Ficalho
(Festival do Chícharo)
BRAGA
João Frade Trio
Theatro Circo - 16h00
CASCAIS
Masta Killa + Afu-Ra + Black Company + Dealema + NBC & Os Funks +
Mundo Complexo + Bob Da Rage Sense + Nigga Poison + J-Ro + Nerve +
Royalistick + Dupla Consciência + PF
Cuttin’ + Formula Armada + X-Acto
Pavilhão da Quinta dos Lombos - 15h00
LAGOS
Da Weasel (Festa da Juventude)
Auditório Municipal - 20h00
LISBOA
Orquestra de Câmara Portuguesa Centro Cultural de Belém - 19h00
Religious Knives + Gala Drop - Museu
do Chiado - 22h00
Keith Caputo - MusicBox - 23h00
PORTALEGRE
Galandum Galundaina + Moçoilas + O
Semeador (Encontro de Grupos de MÚsica Tradicional Portuguesa) - Centro de
Artes do Espectáculo - 17h00
Melingo (Festival O Gesto Orelhudo) d’Orfeu - 21:45
ALMADA
Porcupine Tree - Incrível Almadense
- 21h00
BRAGA
Tim - Theatro Circo - 21h30
ODIVELAS
Rodrigo Leal & DManiac (Faça Música,
Seja Feliz)
Centro Cultural Malaposta - 15h00
PORTO
Truls Mørk & Håvard Gimse
Casa da Música - 19h30
Dia
8
ÁGUEDA
Vaguement La Jungle
(Festival O Gesto Orelhudo) - d’Orfeu
- 21:45
LISBOA
Capitão Fantasma + Deadfly Ensemble
+ Jellowaste! (Drop Dead Festival) Beach Tiki Party
Orquestra Didáctica da Foco Musical Centro Cultural de Belém - 21h00
ODIVELAS
Rodrigo Leal & DManiac (Faça Música,
Seja Feliz)
Centro Cultural Malaposta - 15h00
PORTO
Oslo Sinfonietta
Casa da Música - 19h30
Quarteto César Latorre
Jazz ao Norte
Porcupine Tree
Teatro Sá da Bandeira - 21h00
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Download