ANGOLA EM 30 DIAS

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ANGOLA
EM 30 DIAS
Abril & Maio de 2016
Sumário Executivo

Em Abril a inflação homóloga aumentou para o nível mais elevado dos últimos
10 anos, atingindo 26,41%. Todavia, a nível mensal, a variação do Índice de
Preços ao Consumidor (IPC) reduziu de 3,43% para 3,14%, de Março a Abril.

Face a esta alta de inflação, o BNA implementou várias medidas com caracter
restritivo: aos 11 de Abril aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias de
25% para 30%, no intuito de retirar liquidez do mercado; e no dia 29 de Abril
aumentou a taxa de juro de redesconto em cerca de 100 p.b., de 15% para 16%
na reunião do Comité de Política Monetária (CPM),

Apesar da postura do BNA, a massa monetária (M3) aumentou 26% em Abril,
nível muito próximo ao da taxa de inflação. O aumento da massa monetária é
resultado do aumento do crédito ao sector público em 78% e do crédito a
economia em 26%. O aumento da massa monetária foi antecedido pelo
aumento de 13,7% na base monetária, provocado pelo crescimento do crédito
ao sistema financeiro de 75%. Por outro lado, fruto das recentes medidas
tomadas pelo BNA, as transações no mercado monetário interbancário (MMI)
aumentaram cerca 12,8% entre Abril e Maio. Contudo, em termos homólogos
estas transacções reduziram cerca de 67%.

Para além da variação da massa monetária, um factor relevante para o
aumento da taxa de inflação é certamente o processo actual de desvalorização
cambial. Depois da forte desvalorização de 32% em 2015 e dos 15% em Janeiro
de 2016, o BNA passou a fazer desvalorizações mais suaves, tendo o kwanza
depreciado apenas 4,36% de Fevereiro a Abril do ano corrente, atingido 165,88
por USD e 185,36 Kz/EUR.

O processo de desvalorização em curso justifica-se pela redução das reservas
internacionais líquidas em cerca de 3% em termos homólogos, enquanto a
desvalorização mais suave está a ser suportada pelo ligeiro aumento do preço
do petróleo, em Abril e Maio, e pela restrição do acesso à divisas, por via da
concessão para sectores prioritários da economia. A venda de divisas média
caiu cerca de 58% de 2015 à Maio 2016.

Os aumentos recentes dos preços do petróleo, levaram ao aumento das
receitas petrolíferas em cerca de 38,8% em Abril, para o nível de 620 milhões
USD. O Aumento das receitas foi seguido de imediato pela diminuição das
emissões de dívida pública em Abril em cerca de 42% face ao mês de Março,
ficando em 168.849,57 milhões AKZ, depois do aumento de 79% em Março, o
que contribuiu para um aumento nos stocks de 5%.

A redução das emissões e o anúncio da possível abertura de um programa
com o FMI, estão a levar ao reajuste para baixo das taxas de juro dos títulos
do tesouro domésticos e dos eurobonds. As taxas de juro dos BT’s a 364 dias
depois de terem atingido 19,88% na terceira semana de Maio caíram para 18,4%
na última semana do mesmo mês. As yileds dos eurobonds caíram em Abril,
após a divulgação do possível acordo com o FMI. O reajustamento das Yields é
um fenómeno que está a acontecer com outros países da África Subsariana
com acesso ao mercado internacional de dívida, como o Gana e a Zâmbia.

A postura da política monetária manteve-se estável na África do Sul, no Gana
e na Nigéria, enquanto no Quénia foi expansionista.
Inflação






A inflação homóloga em Luanda aumentou para 26,41%, apesar do
esforço do BNA em tornar a política monetária mais restritiva. A
inflação voltou a superar os registos dos últimos 10 anos, depois de
atingir 23,60% em Março de 2016. Este nível de inflação representa
uma diferença de 18,18 p.p. face ao mesmo período do ano passado,
quando a variação homóloga do IPC atingiu cerca de 8,23%, segundo
o relatório do INE. As categorias que mais variação tiveram em
termos homólogos são: saúde com 49,10%; bens e serviços diversos
35%; bebidas alcoólicas e tabaco 34,91%; educação 31,94%.
O aumento acontece apesar do BNA ter adoptado medidas
concretas para restringir a liquidez, por via do aumento da taxa de
juro directora, aumento do rácio de reservas obrigatórias para 30%,
em moeda nacional, conjugados ao esforço do Governo em criar um
sistema de preços vigiados.
Inflação Homóloga
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%
mar/14
ag o/14
jan/15
jun/15
nov/15
ab r/16
Inflação Homóloga
02. Beb idas Alcoólicas e Tabaco
04 . Hab itação, Ág ua, Electricidade e Comb ustíveis
07. Transportes
10. Educação
Apesar disto, em termos mensais a inflação de Luanda reduziu, de
3,43% para 3,14% entre Março e Abril, dando sinais de que a postura
restritiva do BNA e a gestão da depreciação do Kwanza poderão
reduzir a inflação homóloga nos próximos meses.
A nível nacional, o Índice de Preços do Consumidor Nacional (IPCN)
mensal atingiu cerca de 3,10%, sendo Luanda com 3,14%, Bengo com
3,10%, Lunda Norte com 3,03% as províncias com maior aumento. As
províncias com menor variação foram o Huambo 2,33%, Uíge com
2,60% e o Cunene com 2,64%.
Apesar do forte processo de desvalorização cambial em curso, a
inflação dos bens não transacionáveis é a que mais tem evoluído,
fruto do ajustamento que os operadores fizeram dado que muitos
dos bens desta categoria são administrativamente controlados, tal
como a educação, saúde, água e electricidade.
A nossa expectativa é que a inflação mensal volte a reduzir em
Maio.
12. Bens e Serviços Diversos
Fonte: INE
Inflação Mensal
4,0%
3,5%
3,0%
2,5%
2,0%
1,5%
1,0%
0,5%
0,0%
jan/14
ab r/14
jul/14
out/14
jan/15
ab r/15
jul/15
out/15
jan/16
ab r/16
Fonte: INE
Mercado Monetário

Apesar da postura restritiva adoptada pelo BNA houve um
crescimento forte dos agregados monetários. Nos meses de Março e
Abril a massa monetária (M3) aumentou 23% e 26%, em termos
homólogos. O aumento da massa monetária em Abril resulta do
crescimento do crédito à economia de 26% e do crédito ao sector
público de 78%, contribuindo com 15 p.p. e 6 p.p. respectivamente.
Os restantes 5 p.p. foram gerados pela diferença entre a reavaliação
cambial dos activos externos e do capital do sistema financeiro. A
base monetária, porém, cresceu apenas 13,7%, alavancado pelo
aumento do crédito à outras instituições financeiras em 75% e
contrabalançado pela redução do crédito líquido ao Governo (23%) e
a reavaliação cambial dos activos externos e o capital do BNA.

Analisando os dados da inflação vê-se que, apesar da redução da
oferta e da desvalorização cambial, o crescimento da corelacionado
à taxa de inflação. A inflação voltou a ser um fenómeno monetário.

Para conter o aumento da liquidez e da inflação, o BNA no dia 11 de
Abril aumentou o coeficiente das reservas obrigatórias em 5p.p. para
30% e no seu último Comité de Política Monetária (CPM) aumentou a
taxa de redesconto para 16%, uma variação de 1p.p. mesmo nível da
taxa de juro de Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez.
Caso a taxa de inflação e os agregados monetários aumentem
significativamente, é expectável que o BNA volte a adoptar medidas
contraccionistas.

Em consequência, no mês de Abril as reservas obrigatórias
aumentaram 1,6% em contrapartida da redução de 1,4% das reservas
livres (de Janeiro a Abril esta redução atingiu 19,5%), levando
também ao aumento das transações no mercado monetário
interbancário (MMI) em cerca 12,8% entre Abril e Maio. Contudo, em
termos homólogos estas transacções reduziram cerca de 67%.
Paralelamente as taxas as taxas de juro LUIBOR aumentaram, a
Overnight de 11,01% para 14% e de 12 meses para 16,54%.
Taxas de Juro do BNA
16%
14 %
12%
10%
8%
6%
4%
2%
0%
dez/14
fev/15
ab r/15
jun/15
ag o/15
out/15
dez/15
Taxa BNA Taxa BNA
Ab sorção O/N
OMA 28 d ias
Fonte: BNA
fev/16
ab r/16
Ced ência O/N
Ab sorção 7 dias
OMA 63 dias
Taxas de Juro Luibor
%
17,00
16,00
15,00
14 ,00
13,00
12,00
11,00
10,00
Overnight
Fonte: BNA
30 dias
90 dias
180 dias
mar/16
270 dias
360 dias
ab r/16
3
Mercado Cambial




Depois da forte desvalorização de 32% em 2015 e dos 15% em
Janeiro de 2016, o BNA passou a fazer desvalorizações mais suaves,
tendo o kwanza depreciado apenas 4,36% de Fevereiro a Abril do
ano corrente, atingido 165,88 por USD e 185,36 Kz/EUR.
O processo de desvalorização em curso justifica-se pela redução
das reservas internacionais líquidas em cerca de 3% em termos
homólogos, enquanto a desvalorização mais suave está a ser
suportada pelo ligeiro aumento do preço do petróleo de Abril a Maio
e pela restrição do acesso à divisas, por via da concessão para
sectores prioritários da economia. A venda de divisas média caiu
cerca de 58% de 2015 à Maio 2016.
A contracção no volume de divisas vendido no mercado cambial e a
restrição ao acesso têm afectado levado os agentes económicos a
procurar outras fontes para a obtenção de moeda estrangeira
(maioritariamente notas), levando ao aumento da procura no
mercado informal e pressionando desta forma a depreciação do
Kwanza neste mercado.
A gestão criteriosa implementada pelo BNA e a conjugação desta
com as medidas de política monetária restritivas serão fundamentais
para mitigar a dimensão dos níveis de desvalorização cambial
necessários para equilibrar o mercado. Se o BNA continuar com o
mesmo perfil de desvalorização dos meses anteriores e do ano
passado é expectável que a taxa de câmbio atinja cerca de 179
Kz/USD no final do ano. Porém, é mais provável que este perfil se
altere.
Taxas de Câmbio
210,00
1,54
190,00
1,45
170,00
1,36
150,00
1,27
130,00
1,18
110,00
1,09
90,00
70,00
1,00
ab r/14
ag o/14
dez/14
AOA/E UR (esq.)
ab r/15
ag o/15
dez/15
AOA/U SD (esq.)
ab r/16
EUR/USD (dir.)
Fonte: Bloomberg; BNA
Reservas Internacionais Líquidas
milhões USD
28.000
27.000
26.000
25.000
24.000
23.000
22.000
21.000

Em Abril as RIL fixaram-se em 24.774,16 milhões USD, num mês em
que as receitas petrolíferas aumentaram.
jan/15
abr/15
jul/15
out/15
jan/16
abr/16
Fonte: BNA
Finanças Públicas




As receitas petrolíferas aumentaram cerca de 38,8% em Abril, para
cerca de 620 milhões USD, depois de terem reduzido cerca de 18%
em Março. Apesar deste aumento mensal, em termos homólogos, a
receita diminuiu cerca de 25% face ao mesmo período de 2015. O
aumento da receita mensal resulta do aumento das quantidades
exportadas em 16,86% e do preço em 19,17%, fixando-se em 1,88
barris/dia e 36 USD, respectivamente.
O aumento das receitas foi seguido pela diminuição das emissões
de dívida pública em Abril em cerca de 42% face ao mês de Março,
ficando em 168.849,57 milhões AKZ, depois do aumento de 79% em
Março. A redução das emissões foi seguida pela diminuição de 61%
nas amortizações e de um aumento nos stocks de 5%. Apesar desta
redução mensal nas emissões, em termos anuais, a variação
homóloga demonstra um crescimento nas emissões de 182,16% e de
68%,72 no stock de títulos.
A evolução anual das emissões e do stock de dívida têm
pressionado o aumento das taxas de juro dos títulos públicos, tendo
as taxas de 90 dias evoluído de 5,05% para 14,9%, a taxa a 1 ano
evoluiu de 5,27% para 18,03%. Entretanto, o efeito do aumento do
preço do petróleo já se fez sentir nas taxas dos títulos públicos,
tendo caído de 19,88% para 18,37% na última semana de Maio.
A nível internacional, apesar do aumento das yields dos Eurobonds
de Angola e da maior parte dos países da África Subsariana, ao
mesmo tempo que as agências de rating, Fitch, Moody’s, e S&P
fazem um downgrade aos ratings de Angola, nos últimos meses
parece haver um processo de correcção positiva das expectativas
dos investidores em relação a Angola. A yield dos Eurodonds reduziu
de 13,35% no dia 11 de Fevereiro para 9,78% aos 29 Abril de 2016. De
facto, as taxas de juro intensificaram a sua redução em Abril, após a
divulgação de um possível acordo entre o FMI e as autoridades
angolanas.
Bilhetes do Tesouro
%
mil milhões AKZ
600
20
18
550
16
14
500
12
450
10
8
400
6
4
350
2
300
0
jan/15
mai/15
Stocks BTs
set/15
BT 91d
jan/16
BT 182d
mai/16
BT 364 d
Rating da Dívida soberana
A n os
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
Fitch
Ratin gs
M oody ´ s
Stan dard In ve stors
s & Poors Se rvice
B+
B+
B1
Positivo
Positivo
Positivo
BB-
BB-
Ba3
Estável
Estável
Estável
BB-
BB-
Ba3
Positivo
Estável
Positivo
BB-
BB-
Ba3
Positivo
Estável
Positivo
BB-
BB-
Ba2
Estável
Estável
Estável
B+
B+
Ba2
estável
estável
negativo
B+
B
B1
negativo
estável
negativo
3
Economia Real

O recente relatório do Banco Africano de Desenvolvimento, African
Economic Outlook aponta para um crescimento de 3,3% da Crescimento Sectorial do PIB não Petrolífero (%)
economia angolana em 2016, menos 0,5 pontos percentuais do que
em 2015, reflexo da exposição da economia à volatilidade do
mercado petrolífero. Antes do BAD, outras instituições internacionais
tinham revisto para baixo a perspectiva de evolução da economia
angolana em 2016, como o FMI ,2,5%, e o Economist Intelligence Unit
,1,1%.

As exportações de petróleo situaram-se em 56,31 milhões barris em
Abril, aproximadamente 1,87 milhões barris/dia, que compara aos
53,13 milhões barris, cerca de 1,77 milhões barris/dia, registados no
período homólogo. A mesma evolução positiva verificou-se no mês
de Março, tendo o país exportado 48,18 milhões barris em 2016,
superior em relação aos 47,63 milhões barris registados no ano
transacto, a melhoria da capacidade produtiva aumenta a
probabilidade de se atingir os níveis previsto no OGE 2016, 1,89
milhões barris/dia.
2
20
3
3
2016
1
0
5
2,20
2,50
3,50
-4,002015 P.Crise
3,20
5,80
0,80
2,2
12,0
3,5
2,6
3,2
2,0
2,5
2015 OGE16
-10
-5
0
5
10
15
20
25
Serviços mercantis
Energia
Construção
Indústria transformadora
Diamantes e outros
Pescas e derivados
Agricultura

Fonte: OGE 2016 e Plano. Crise
A procura por maior eficiência influenciou o Executivo a reestruturar
a petrolífera estatal Sonangol, resultando num split-off, separando o Crescimento Real da economia por sectores (%)
seu core business, como concessionária, das demais actividades em
que a mesma estava inserida, o que implicará maior foco na sua
actividade principal, promovendo também maior eficiência no sector.
12,00
10,9
10,00

No que se refere ao sector não-petrolífero, a Unidade Técnica para
o Investimento Privado (UTIP), instituição criada nos últimos meses
de 2015 para o controlo e suporte técnico das iniciativas de
investimento privadas, divulgou que o volume de intenções de
investimentos desde a sua criação estão avaliadads em 30 mil
milhões USD, tendo sido aprovados apenas o montante de 7,5 mil
milhões USD, em projectos dos sectores da agricultura, pescas e
indústria.
9,8
8,2
8,00
7,8
6,8
6,6
6,00
5,3
4,8
4,8
4
4,00
3,3
2,00
2,7
2,4
0,00
2013 -0,9
2014 Prel
2015 Rev
2015 Est
2016
-2,00
-2,6
-4,00
Petrolífero
Não P etrolífero
PIB g lobal
Fonte: OGE 2016
Economia Regional



África do Sul: O Comité de Política Monetária (CPM) manteve a taxa
de juro directora em 7%, em consequência da redução da inflação
que recuou em 0,1p.p. para 6,2% em Abril. A aproximação da taxa à
meta do Banco Central (BC) de 3% a 6%, apesar da contínua
desvalorização do Rand (ZAR) que em Maio alcançou o nível de
10,18%, reflecte a moderação contínua da inflação nuclear – excluindo
alimentos e crude. O CPM reviu em baixa de 0,8% para 0,6%, as
expectativa de crescimento do PIB em 2016, pelo impacto da seca e
da queda na cotação internacional das commodities.
Taxa de Inflação (%)
26,41
27
24
23,60
21,80 21,30
21
19,20
18,70
17,29
18
15
Gana: O BC decidiu manter a taxa de juro de referência em 26% na
reunião de Maio, diante da redução da inflação em 0,5p.p. para 18,7%
em Abril e da suavização da desvalorização da moeda (Cedi) em 1,5%
até Maio, que contrasta com os 14% de 2015 foi de 14% face ao dólar.
A conjuntura actual observa-se enquanto decorre o programa
Extended Fund Facility solicitado ao FMI em 2015 com duração de 3
anos, de aproximadamente mil milhão USD.
Nigéria: A taxa de juro de referência manteve-se em 12% em Maio,
apesar da taxa de inflação ter evoluído em 0,9p.p para 13,7% em
Abril, contribuído para a inflação acumulada de 4,1p.p. e da contínua
desvalorização da moeda (Naira) que em 2015 alcançou o nível de
6%. A yield dos Eurobonds do maior produtor de crude de África que
maturam em 2023, reduziram em 0,91p.p. para 7,33% em Maio,
período em que o petróleo, que representa cerca de 35% do PIB,
valorizou em 43%.
13,70
13,61
12,80
12
9
6,20
6,30
6
3
Angola
África do Sul
Gana
Moçambiq ue
Ab ril de 2016
Nigéria
Zâmbia
Maio de 2016
Fonte: Bloomberg
Taxas de Juro de Referência (%)
%
30
26,00 26,00
25
20
15,50 15,50

Quênia: O BC adoptou uma política monetária expansionista
contrária a maioria das economias africanas, com a redução da taxa
de juro de referência em 1p.p. para 10,5% a primeira redução da taxa
em três anos. A decisão do comité reflecte a redução da inflação
para 5,3%, mantendo-se na meta de 2.5% a 7,5% e a valorização da
moeda (xelim) em 1,4% em relação ao dólar, reforçando a expectativa
de crescimento de 6,1% em 2016, após registo de 5,6% em 2015.
15
14,00 14,00
12,75
12,00 12,00
10,75
10
7,00 7,00
7,00 6,75
6,00 6,00
5
0
Angola
África do Sul
Botswana
Fonte: Bancos centrais
Gana
Moçambiq ue
Namíbia
Abril de 2016
Nigéria
Zâmbia
Maio de 2016
4
Cobertura de Notícias- Abril e Maio

A taxa de juro Luibor Overnight atingiu os 14%, tornando os empréstimos entre bancos mais caros. A taxa
de juro de referência do mercado interbancário angolano para maturidade 1 dia, LUIBOR Overnight,
atingiu os 14% no dia 27 do corrente mês que compara aos 11,01% verificados no dia anterior, tornando
mais custoso aos bancos financiarem-se no mercado interbancário. O aumento é uma consequência das
recentes medidas com carácter contraccionista adoptadas pelo Banco Central, nomeadamente o
aumento das taxa de juro directora, de 12% para 14%, e das reservas obrigatórias de 25% para 30%.

O saldo da balança comercial caiu 22,8% no 4º trimestre de 2015. O INE divulgou as Estatísticas de
Comércio Externo em que se destaca a queda de 22,8% do saldo comercial no 4º trimestre do último ano
para 424,97 mil milhões AKZ, face ao 3º trimestre do mesmo ano, penalizado pela redução das
exportações em 12% para 912,69 mil milhões AKZ, ao passo que as importações mantiveram-se estáveis
em torno dos 487,72 mil milhões AKZ. No mesmo relatório, importa salientar, o maior destaque da
economia italiana como principal destino para as exportações angolanas, que com o incremento de 65,7%
para 49,65 mil milhões AKZ face ao trimestre anterior passou de 10º para 2º maior destino das
exportações.

O Instituto Nacional do Café (INCA) divulgou aumento das receitas com a exportação de café. O INCA
divulgou que em 2015 o país obteve com a exportação de café 2 milhões USD, superior em 262% ao
registo de 552 mil USD referente a 2014 e em 207% ao resultado de 650 mil USD relativo a 2013. O
registo reflecte o aumento da procura pelo produto nacional em países do Médio Oriente, além dos
habituais consumidores Europeus como Portugal, Itália e França. A expectativa do INCA consiste em
dobrar a capacidade de produção actual de 15 mil toneladas/ano, no prazo de 2 a 3 anos para dar
cobertura a procura em crescimento.

O Banco Nacional de Angola (BNA) aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias para 30%. O BNA,
aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em 5 p.p., para 30%, em MN, mantendo a estrutura de
constituição anterior, um mínimo de 20% em liquidez fina e um máximo de 80% em títulos e obrigações
do tesouro pertencentes à carteira do próprio banco e/ou com Contratos de Financiamento de médio e
longo prazo com o Ministério das Finanças desde que emitidas ou desembolsados a partir de Janeiro de
2015. A medida permitirá absorver liquidez e conter os níveis de inflação actualmente em 23,6%.

O executivo vai reduzir as despesas com viaturas por via da alteração da Lei do Património Público, num
período em que o stock de Bilhetes e Obrigações do Tesouro atingem o nível mais elevado dos últimos 8
anos. Foi aprovada na generalidade da Assembleia Nacional a proposta de alteração da Lei nº18/10, de
Agosto – Lei do Património Público, visando limitar os gastos do Estado com a aquisição de veículos
automóveis. A mesma restringe a aquisição directa de veículos pessoais apenas para os funcionários do
Estado que sejam titulares de cargos políticos. Destaca-se que o executivo gastou 9,8 mil milhões AKZ
para assegurar, no intervalo de 3 em 3 anos, a manutenção das viaturas adquiridas. A Lei é aprovada
numa altura em que os avanços do endividamento do Estado levam o estoque de dívida dos BTs a
máximo desde a crise de 2008.

O executivo angolano aprovou a pauta de valores para comparticipação das famílias e empresas nos
custos com a recolha do lixo. A taxa pelo serviço de recolha e tratamento de resíduos sólidos reduziu em,
aproximadamente, 70% para os agregados familiares, com destaque para os distritos urbanos cujas taxas
reduziram de 10 mil AKZ para 2.500 AKZ e para os condomínios que diminuíram de 15 mil AKZ para
3.500 AKZ. No entanto, as taxas referentes as pessoas colectivas apresentaram, em média, aumento de
4,2%, com a maior elevação a registar-se na taxa aplicada as grandes empresas que evoluiu de 150 mil
AKZ para 164 mil AKZ. A cobrança irá abranger a província de Luanda e será integrada à factura de
fornecimento de electricidade.

As taxas de juro dos Bilhetes do Tesouro atingiram os 19,10%. Segundo os dados referentes a segunda
semana de Maio divulgados pelo BNA, o custo da dívida do Estado a 1 ano situou-se em 19,10%,
superando os 18,20% verificados na semana anterior.

As importações de Angola provenientes de Portugal caíram 44%. Segundo o Instituto Nacional de
Estatística de Portugal, as exportações de mercadorias de Portugal para Angola nos 2 primeiros meses
de 2016 registaram uma queda de aproximadamente 44%, de 340 milhões EUR para 190 milhões EUR, em
comparação ao período homólogo, diferença agravada se compararmos aos 482 milhões EUR registados
há 2 anos. A baixa do preço do petróleo e a consequente redução do volume de divisas disponíveis na
economia angolana para a importação têm penalizado ambas as economias, Angola poderá continuar a
perder peso como principal cliente do país europeu, tendo passado de 4º para 6º maior cliente.
5
Tabelas de Indicadores Económicos
Mercado Monetário e Mercado Cambial
Taxa de câmbio (média)
USD/AOA
EUR/AOA
Taxa de ju ro cré dito ( 180 d a 1 an o, %)
Empresas
Moeda Nacional
Moeda Estrangeira
Particulares
Moeda Nacional
Moeda Estrangeira
Taxa de de pósitos ( 180 d a 1 an o, %)
Moeda Nacional
Moeda Estrangeira
A gre gados M on e tários ( USD
)
M1
M2
M3
Taxa L u ibor ( fim de pe riodo, %)
O/N
30 dias
90 dias
180 dias
270 dias
360 dias
Taxa Básica ( fim-de -pe riodo, %)
Taxa In flação ( fim-de -pe riodo, y / y , %)
Re se rvas in te rn acion ais ( USD
)
Produ ção de pe tróle o ( mb/ d)
Fonte: BNA, INE, OPEP
dez/13
dez/14
2 015
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Jan
2 016
Fev
Mar
Abr
97,619
134,387
103,069
125,27
109,3
122,1
110,3
121,2
122,2
136,9
125,8
137,9
125,8
140,8
135,3
151,3
135,4
149,0
135,3
143,0
135,3
147,1
155,6
169,9
158,9
177,6
160,7
179,5
165,9
185,4
13,86
12,07
13,88
10,64
13,29
12,00
13,45
12,00
13,42
12,00
13,88
12,00
14,02
12,00
15,22
12,94
15,2
12
15,2
12
15,11
12,97
15,22
12
15,18
-
15,21
-
15,24
-
13,64
8,15
13,59
6,43
14,02
1,05
12,36
3,19
11,98
2,73
13,01
3,18
12,79
3,18
15,34
4,08
15,32
3,51
15,36
3,51
10,14
2,65
15,35
6,03
15,17
4,65
17,19
13,61
16,29
10,91
3,87
2,25
4,31
2,28
4,38
2,44
4,45
1,84
3,94
2,16
4,20
2,33
4,65
2,56
3,87
3,39
3,87
3,3
3,85
3,45
4,21
2,62
3,84
2,98
3,86
3,07
3,83
3,13
3,85
2,74
2.584,6
4.394,7
4.396,7
3.096,9
5.103,5
5.110,1
3.050,0
5.049,2
5.056,1
3.193,7
5.142,1
5.149,1
3.082,7
5.235,0
5.242,7
3.288,2
5.346,8
5.350,0
3.230,2
5.383,2
5.385,8
3.210,5
5.739,7
5.742,7
3.229,9
5.435,6
5.443,5
3.291,4
5.435,3
5.470,5
3.412,4
5.703,7
5.711,8
3.645,4
6.001,2
6.011,0
3.788,0
6.042,8
6.052,3
3.872,1
6.304,5
6.314,0
3.849,5
6.350,7
6.359,1
4,71
6,99
7,5
8,12
8,82
9,34
9,75
7,69
31.154
1,73
6,14
7,45
8,02
8,5
8,93
9,55
9
7,48
27.276
1,62
6,25
7,77
8,41
8,98
9,53
9,99
9,25
8,23
25.537
1,68
6,25
7,77
8,39
8,99
9,5
10,00
9,25
8,86
25.600
1,73
11,29
9,01
9,33
9,9
10,06
10,28
9,75
9,61
24.948
1,87
12,27
10,64
10,87
10,93
10,83
11,14
10,25
10,41
24.205
1,81
13,26
11,4
11,45
11,37
11,19
11,27
10,50
11,01
24.464
1,75
11,81
11,33
11,50
11,60
11,56
11,65
10,50
11,66
23.842
1,77
11,66
11,39
11,55
11,68
11,78
11,89
10,50
12,4
23.479
1,81
11,53
11,32
11,56
11,73
11,89
12
10,50
13,29
24.890
1,84
11,31
11,44
11,88
12,21
12,56
12,84
11,00
14,27
24.572
1,85
11.30
11,47
12,1
12,55
12,92
13,31
12
17,34
24.534
1,73
11,3
11,67
12,87
13,44
13,87
14,43
12
20,26
23.888
1,75
11,01
12,27
13,31
14,01
14,61
15,26
14
23,60
24.297
1,77
14,00
13,49
14,4
15,18
15,79
16,54
14
26,41
24.774
1,79
Indicadores Económicos de Países da África Subsariana
População
A n gola
25,1
Á frica do Su l
PIB (t v, %)
PIB nominal
(USD
)
PIB per capita (USD)
Receitas (%PIB)
Despesas (%PIB)
Dívida Pública (%PIB)
Balança corrente
(%PIB)
Inflação (%)
2014
2015
2014
2015
2014
2015
2014
2015
2014
2015
2014
2015
2014
2015
2014
2015
4,8
3,0
126,8
103,0
5.199,3
4.100,3
35,3
24,8
41,9
28,9
40,7
62,3
-2,9
-8,5
7,49
14,27
4,89
54,0
1,5
1,3
350,1
313,0
6.483,8
5.694,6
28,2
29,7
32,0
33,7
47,1
50,1
-5,4
-4,4
5,78
Botswan a
2,1
3,2
-0,3
15,9
12,9
7.548,2
6.041,0
38,3
38,2
35,8
39,7
17,9
17,8
15,7
9,3
3,73
3,10
Camarõe s
23,1
9,2
7,7
35,9
38,9
452,9
475,9
14,6
16,1
13,3
14,2
16,8
18,8
-9,6
-12,2
1,20
0,89
Con go
4,4
3,4
2,5
2,2
2,0
1.151,7
1.051,6
60,6
59,4
59,9
59,3
49,5
60,0
-7,9
-2,6
2,92
5,49
Re p. D e m. Con go
81,7
3,3
3,0
10,7
9,7
452,8
401,8
12,4
11,8
14,7
15,5
34,7
35,6
-0,3
-2,2
6,03
7,56
G an a
26,9
5,7
3,0
6,1
6,4
344,0
354,3
25,0
24,7
29,8
30,7
100,4
83,4
-8,2
-8,9
24,15
24,86
M au rícia
1,3
3,6
3,4
12,6
11,6
10.032,6
9.218,4
20,6
22,5
23,8
25,9
56,1
58,1
-5,6
-5,1
0,19
1,33
27,1
7,4
6,3
16,9
15,0
619,3
534,9
31,8
29,4
42,5
35,4
57,0
74,8
-34,4
-41,3
1,10
11,10
N amíbia
2,2
4,5
4,5
13,2
12,8
5.988,1
5.776,9
35,4
33,7
39,4
39,6
25,0
27,2
-8,5
-9,8
4,63
3,50
N igé ria
178,7
3,3
4,4
1,3
1,4
14.769,9
14.940,7
37,3
34,3
33,6
32,3
68,6
68,1
-22,2
-14,2
0,52
3,16
Tan zân ia
47,7
2,5
1,7
4,4
4,0
3.483,6
3.139,7
30,1
27,6
31,3
33,1
13,7
17,4
3,3
0,5
6,19
4,93
Qu é n ia
44,1
7,0
7,0
48,1
44,9
1.028,8
941,8
14,9
15,1
18,0
18,8
35,2
40,5
-9,5
-8,7
4,75
6,84
Z âmbia
15,5
5,6
3,6
27,1
21,9
1.726,0
1.350,2
18,9
17,5
24,9
25,6
35,1
52,9
2,1
-3,5
7,86
21,11
Z imbabwe
13,4
3,3
1,5
14,2
14,3
1.070,6
1.064,4
26,6
27,3
28,1
28,5
51,1
53,0
-18,6
-17,3
-0,80
-2,35
M oçambiqu e
Fonte: FMI
6
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