A Mamona A mamoneira (Ricinus communis L.) é uma oleaginosa

advertisement
A Mamona
A mamoneira (Ricinus communis L.) é uma oleaginosa de
destacada importância no Brasil e no mundo. Seu óleo é uma
matéria prima de aplicações únicas na indústria química
devido a características peculiares de sua molécula que lhe
fazem o único óleo vegetal naturalmente hidroxilado, além de
uma composição com predominância de um único ácido
graxo, ricinoléico, o qual lhe confere as propriedades químicas
atípicas.
Além da vasta aplicação na indústria química, a mamoneira é
importante devido à sua tolerância à seca, tornando-se uma
cultura viável para a região semi-árida do Brasil, onde há
poucas alternativas agrícolas. No entanto, esta cultura não é exclusiva da região semi-árida,
sendo também plantada com excelentes resultados em diversas regiões do país.
O Brasil é atualmente o terceiro país produtor de mamona e tem potencial para aumentar
rapidamente sua participação nesse mercado, pois dispõe de áreas aptas e tecnologia de
cultivo, além de experiência nesse cultivo que já teve grande importância para a economia
nacional.
As áreas de plantio de mamona no Brasil estão sendo ampliadas de forma rápida para atender à
demanda por biodiesel, um mercado em expansão em todo o mundo e que tem potencial para
trazer importantes benefícios para o país: geração de renda no meio rural, redução da emissão
de gás carbônico causador do Efeito Estufa, diminuição da poluição do ar nas cidades e
fortalecimento da economia nacional pela economia de divisas com a importação de diesel.
Remy Com. e Benificiamento de Mamona Ltda - Av. Pres. Castelo Branco - 1141 - CEP 86061-01 Londrina - Pr. - (43) 3348-6776
Como Plantar?
A mamoneira é uma planta heliófila, ou seja, deve ser
plantada exposta diretamente ao sol e não tolera
sombreamento. Tem grande tolerância ao estresse
hídrico, mas é exigente em fertilidade do solo. Embora
tolere a seca, com boa disponibilidade de água sua
produtividade é muito maior. Também pode ser plantada
sob irrigação.
Para cada condição climática e nível tecnológico, deve-se
procurar escolher uma cultivar apropriada, pois há grande
variação nas características das variedades plantadas no
Brasil. Os principais detalhes sobre o cultivo de mamona são detalhados a seguir.
Clima Adequado para a Mamona
A condição ideal para cultivo de mamona inclui altitudes entre 300 e 1.500m, temperatura média
entre 20 e 30ºC e chuvas anuais entre 500 e 1.500 mm.
Quando cultivada em baixas altitudes, devido à temperatura mais alta, a planta tende a perder
energia pela respiração noturna e sofrer redução na produtividade.
Temperaturas muito altas também podem provocar perda da viabilidade do pólen, reversão sexual
e outras mudanças fisiológicas que prejudicam a produção, enquanto temperaturas menores que
20ºC podem favorecer a ocorrência de doenças e até paralisar o crescimento da planta.
Quanto à pluviosidade, a planta pode produzir com quantidade de chuva inferior a 500mm, devido
a sua grande tolerância à seca, mas a produção pode ser muito baixa para obter viabilidade
econômica. Chuva superior a 1.500mm são consideradas excessivas para essa planta, podendo
provocar diversos problemas como crescimento excessivo, doenças e encharcamento do solo.
Solo
O solo para plantio de mamona deve ser plano ou com declividade de no máximo 12%, pois essa
planta tem pouca capacidade de proteção contra a erosão e crescimento inicial muito lento,
demorando a cobrir o solo para protegê-lo da ação das gotas de chuva.
A acidez prejudica o crescimento das plantas, devendo-se escolher áreas com pH próximo a
neutralidade (entre 6,0 e 7,0) ou fazer a correção do pH com calagem e com gessagem se
necessário.
O solo para plantio de mamona deve ser bem drenado, pois a planta é extremamente sensível ao
encharcamento, mesmo que temporário. Cerca de três dias sob encharcamento pode provocar
morte das plantas. Solos com alta salinidade também são pouco recomendados, pois a presença
de alta concentração de sais pode prejudicar o crescimento da planta.
Preparo do Solo
O preparo do solo é fundamental para o êxito de uma
lavoura de mamona. Essa prática tem dois principais
objetivos: controlar plantas daninhas e aumentar a
aeração do solo. Ambos os fatores são de grande
importância, pois a mamoneira é muito sensível à
concorrência com as plantas daninhas e muito exigente
em aeração do solo, pois suas raízes só se desenvolvem
adequadamente em solo com bom suprimento de
oxigênio.
Época de Plantio
A época de plantio deve ser determinada de forma a aproveitar ao máximo o período chuvoso, mas
sendo a colheita feita em época seca. Para isso, deve-se observar o ciclo da cultivar a ser plantada
e o início e fim do período chuvoso.
Métodos de Plantio
O semeio da mamona pode ser feito de forma manual ou
mecanizada. No plantio manual, devem ser abertas covas
com profundidade de 5 a 10cm e plantadas 3 sementes. A
adubação com fertilizantes químicos pode ser feita na
mesma cova, tendo-se o cuidado de deixar a semente a
pelo menos 5cm de distância do adubo para evitar morte
da semente. Usando adubo orgânico esse isolamento não é necessário. Para plantio mecânico,
deve-se observar se o tamanho das sementes é compatível com as engrenagens internas que
podem lhe causar danos. A adubação pode ser feita concomitantemente ao semeio.
Tratos Culturais
Adubação
A mamoneira é muito exigente em fertilidade do solo, tendo produtividade muito alta em solos alta
fertilidade natural ou que receberam adubação em quantidade adequada. Deve-se sempre fazer a
análise de solo e fornecer a quantidade de fertilizantes recomendada pelo laudo técnico. Mesmo
sob intenso déficit hídrico a mamoneira é capaz de aproveitar a adubação, o que diminui o risco
dessa prática, principalmente em zona semi-árida.
A adubação em excesso pode ser prejudicial à produtividade, principalmente nas cultivares de
porte médio e crescimento indeterminado, pois pode provocar crescimento excessivo e queda na
produtividade.
População de Plantas
A definição da população de plantas é um passo
importante, pois não envolve custos significativos, mas
tem grande efeito sobre a produtividade. A população é
definida pelo espaçamento entre linhas e distância de
plantas dentro da linha, também chamada de densidade.
Em cultivares de porte médio, a distância entre as plantas
geralmente recomendada é de 1m, mas o espaçamento
pode variar entre 2 e 4m entre linhas, dependendo da
fertilidade do solo, quantidade de chuva esperada e
intenção de consorciação com outras culturas.
Um dos principais fatores para essa definição é a quantidade de água, pois em locais muito secos
deve-se permitir maior distância entre as plantas para diminuir a concorrência, enquanto em locais
mais chuvosos ou sob irrigação o espaçamento pode ser mais estreito.
Em solos muito férteis ou que receberam adubação, as plantas tendem a crescer mais e nessa
condição o espaçamento muito estreito pode provocar o estiolamento das plantas.
Para realização de cultivo consorciado, deve-se permitir espaçamento de pelo menos 3m entre
linhas, para que haja espaço para crescimento da outra cultura, podendo ser de até 4m caso se
deseje priorizar a produção da cultura consorciada.
No caso de plantio mecanizado, o espaçamento muitas vezes é definido pela regulagem das
máquinas usadas para o plantio também de outras culturas ou em distância que permita o
aproveitamento da colheitadora.
Debaste
O desbaste ou raleio consiste na retirada das plantas em excesso em cada cova. Deve ser feito
entre 10 e 20 dias após a emergência. Deve-se ter cuidado para não danificar o sistema radicular
da planta que permanecerá em campo, o qual é superficial e frágil. O ideal é cortar a planta a ser
eliminada abaixo das folhas cotiledonares, Caso se opte pelo arranquio, deve-se evitar puxar as
plantas para cima, procurando-se puxar para o lado.
Nunca se deve deixar mais de uma planta na mesma cova, pois as duas competiriam por espaço,
água e nutrientes, resultando em produção menor que a de uma planta sozinha.
No caso de plantio mecanizado não se faz desbaste, devendo-se obter a população de plantas
desejada apenas pelo ajuste da quantidade de sementes por metro linear, considerando-se o
percentual de germinação da semente.
Cultivo Consorciado
O plantio de mamona pode ser feito em consórcio com
outras culturas, principalmente as alimentares. O
consórcio mais comum é com o feijão que é uma planta
de ciclo rápido e que concorre pouco com a mamoneira. O
amendoim também é um consórcio muito promissor, pois
contribui com o enriquecimento do solo com nitrogênio e
concorre pouco com a mamoneira.
Alguns cuidados são importantes ao fazer o cultivo
consorciado:
o plantio da cultura consorciada deve ser feito pelo
menos 15 dias depois da mamona, pois a germinação e o
crescimento inicial da mamoneira são muito lentos e se
forem plantados juntos ela pode ficar muito prejudicada;
deve-se deixar pelo menos 1m de distância entre a linha da mamona e da cultura consorciada para
evitar sombreamento e concorrência excessiva;
deve-se evitar o consórcio com culturas que cresçam mais que a mamona, como o milho ou
gergelim, pois o sombreamento dessas plantas pode prejudicar muito a produção da mamona.
Deve-se dar preferência a culturas rasteiras ou de porte baixo como feijão e amendoim;
o feijão deve ter porte ereto, evitando-se aqueles com característica de trepadeira, o qual poderia
subir pelo tronco da mamoneira e prejudicar sua produção;
a cultura consorciada deve ter o ciclo o mais curto possível para diminuir a competição com a
mamona.
Poda
A poda é uma prática muito utilizada no Brasil que tem o
objetivo de evitar o plantio da lavoura todo ano. Deve ser
feita ao final da colheita. Recomenda-se que a lavoura
seja podada no máximo uma vez para evitar aumento da
ocorrência de pragas e doenças.
Não se recomenda a realização da poda em locais
favoráveis à ocorrência da prodridão-dos-ramos (solos
pouco férteis, temperaturas altas e clima muito seco), pois
grande parte das plantas pode morrer dessa doença
durante o período seco, ocasionando baixo estande e produtividade insatisfatória.
Cultivares de porte baixo ou anãs e híbridos não são apropriadas para cultivo com poda.
Colheita, Beneficiamento e Armazenamento
Colheita Mecanizada
Para fazer colheita mecanizada, deve-se plantar um cultivar indeiscentes (que não soltam as
sementes quando o fruto seca), o que possibilita que a colheita seja feita apenas uma vez quando
todos os cachos da lavoura estiverem secos.
Não existem máquinas vendidas exclusivamente para colheita de mamona, devendo-se fazer
adaptações na colheitadeira de milho, incluindo-se proteções laterais, cerdas para retenção dos
grãos e cobertura do cilindro com uma capa de borracha.
A máquina realiza a colheita e o descascamento ao mesmo tempo e para que o descascamento
seja viável, essa operação só pode ser feita nas horas mais quentes do dia e em dias secos. Caso
as plantas ainda tenham muita folha no momento da colheita, deve-se fazer aplicação de um
desfolhante.
Colheita Manual
Nas cultivares de porte médio, que são semi-deiscentes e
produzem vários cachos, a colheita da mamona deve ser
feita quando 2/3 dos frutos do cacho estiverem secos.
Isso torna necessário a realização de várias colheitas,
aumentando a necessidade de mão-de-obra. Caso o clima
não esteja muito quente e seco, condição que favorece a
abertura dos frutos e queda das sementes, se as
sementes não estão caindo pode-se adiar um pouco a
colheita para diminuir o número de passagens na lavoura
e reduzir os custos com mão-de-obra.
A retirada dos cachos pode ser feita quebrando o talo ou
cortando com auxílio de um alicate de poda (mais
indicado). O transporte dos frutos até o terreiro de secagem pode ser feito de diversas formas: em
sacos, balaios, cestos, carroças etc. Geralmente, a separação dos talos e frutos, se necessária, é
feita no terreiro.
Secagem
Os cachos devem ser espalhados em camadas de no
máximo 10cm e revolvidos várias vezes durante o dia. Se
possível, os cachos devem ser amontoados no final da
tarde e cobertos com uma lona plástica para evitar chuvas
ou mesmo o orvalho noturno. Essa amontoa deve ser feita
com os frutos ainda quente, ou seja, antes do solo esfriar
para que o calor seja conservado. Da mesma forma, pela
manhã os frutos só devem ser espalhados quando o sol já estiver quente.
O tempo de secagem dependerá do nível de umidade no momento da colheita e das condições
ambientais, principalmente temperatura e insolação. Geralmente, os frutos estarão prontos para o
descascamento após 2 ou 3 dias secagem.
Descascamento
Há diversos modelos de máquinas para descascamento da mamona, podendo variar o princípio de
funcionamento, a mobilidade e a necessidade ou não de retirada dos talos.
Algumas máquinas podem ser acopladas ao trator, sendo levadas para dentro da lavoura e
evitando o transporte dos frutos para um ponto específico. Muitos modelos também dispensam a
necessidade de separação dos talos do cacho, diminuindo a necessidade de mão-de-obra e
reduzindo os custos de produção.
Essa operação é muito importante para obtenção de um produto de boa qualidade. Os dois
principais aspectos a serem observados são a baixa umidade dos frutos e a regulagem da
máquina. Muitas vezes, além de estar seco, o fruto precisa ser exposto ao sol antes de ser
colocado para descascar. As sementes de mamona têm tamanhos muito variados entre diferentes
cultivares e as máquinas geralmente são reguladas para um único tamanho. Por isso, é importante
não haver mistura de sementes de diferentes cultivares na hora de descascar.
Os principais problemas provocados pelo descascamento são sementes não descascadas
(também chamadas de marinheiros) e sementes quebradas. A indústria aceita no máximo 10% de
marinheiros, pois acima disso a eficiência de extração de óleo é comprometida. A quebra das
sementes são a principal causa da acidificação do óleo, comprometendo a qualidade desse
produto.
Armazenamento
O armazenamento das sementes de mamona pode ser feito em sacos de 60 kg ou em silos. As
sementes armazenadas não são atacadas por pragas que comprometam sua qualidade, apenas
alguns insetos podem se alimentar de uma estrutura externa da semente (carúncula), mas sem
comprometer sua qualidade.
O principal cuidados necessário ao armazenamento é o cuidado com a umidade do grão no
momento do ensacamento e durante o período em que permanecer armazenado. Para um bom
armazenamento é desejável que se tenha baixa temperatura, baixa umidade do ar e boa aeração.
Mamona enriquece ração
QUARTA, 18 FEVEREIRO 2009 . O ESTADO DE S.PAUL O
Normalmente usada como adubo orgânico - é rica em nitrogênio, fósforo e potássio
- ou como nematicida em cultivos de hortaliças, a torta de mamona, subproduto
obtido a partir da extração do óleo de mamona, está sendo estudada para virar
ingrediente de ração animal. A pesquisa, que faz parte do Projeto Biodiesel, da
Embrapa, está sendo conduzida pela Embrapa Agroindústria de Alimentos.
De acordo com o engenheiro de alimentos José Luis Ramirez Ascheri, pesquisador
da Embrapa Agroindústria de Alimentos, o uso da torta de mamona em ração para
animais de médio e grande porte - bovinos, caprinos, ovinos, suínos e aves - é
alternativa vantajosa do ponto de vista econômico e social.
"É uma possibilidade de agregar valor ao cultivo da mamona, feito, geralmente, por
pequenos e médios agricultores. Outra vantagem é que ela barateia custos com a
dieta animal, uma vez que substitui, com eficiência, a torta de soja", afirma.
Segundo ele, a torta de mamona tem 40% de proteína e bom teor de minerais.
Cita, ainda, o fato de que uma nova destinação ao resíduo evita seu descarte no
ambiente. "A torta de mamona é altamente tóxica e, no ambiente, pode provocar
casos de fitotoxicidade."
Para tornar viável e segura a ração feita com a torta, explica Ascheri, deve-se
neutralizar as substâncias tóxicas presentes nas sementes da mamona. "Essa
neutralização é feita por meio da extrusão, processo que combina o aquecimento
do resíduo com a adição de um agente químico. Esse processo anula o poder tóxico
da torta", garante.
Já está comprovado o valor nutricional da ração feita com a torta, mas os
resultados de ganho de peso de animais devem ser apresentados em julho. "Aí,
poderemos indicar, conforme a categoria animal, a proporção adequada da torta na
composição da ração."
INFORMAÇÕES:
Embrapa Agroindústria de Alimentos, tel. (0--21) 3622-9600
Fernanda Yoneya
Torta de mamona poderá ser usada como ração animal
DOMINGO, 08 FEVEREIR O 2009 . DIÁRIO DE C ANOAS - RS
Projeto desenvolvido pela Embrapa Agroindústria de Alimentos, localizada no Rio de
Janeiro, quer mostrar que resíduos da fabricação do biodiesel, a partir da mamona,
podem ser aproveitados, em vez de irem para o lixo.
Um desses co-produtos é a torta de mamona. Usada atualmente no Brasil apenas
como adubo orgânico em hortas e jardins, a torta de mamona, devido ao seu valor
protéico, pode substituir a torta de soja como alimento animal, significando
barateamento de custos para o produtor rural e os fabricantes de rações.
A torta de mamona tem 40% de proteínas, o que corresponde ao valor da torta de
soja usada na alimentação de animais e na preparação de rações.
Para isso, porém, ela precisa ser desintoxicada, isto é, necessita ter retiradas as
substâncias tóxicas e alergênicas presentes nas sementes da mamona. Essas
substâncias podem gerar quadros de conjuntivite, dermatite, faringite e bronquite
em pessoas não protegidas. Além disso, elevados teores em rações podem causar a
morte dos animais.
A Embrapa Agroindústria de Alimentos já conseguiu desativar os agentes da torta
da mamona considerados como tóxicos. Em paralelo, a Embrapa Caprinos, situada
em Sobral (CE), está realizando os testes no campo, utilizando esse ingrediente já
desintoxicado na alimentação animal.
Segundo informou Agência Brasil o coordenador da pesquisa na Embrapa
Agroindústria de Alimentos, José Luis Ascheri, a expectativa é que no segundo
semestre deste ano o co-produto do biodiesel possa entrar em fase de
industrialização, visando sua comercialização no mercado de rações animais.
A indústria que trabalha com a exploração da mamona vai ter sempre torta
sobrando a preço baixíssimo. E, a partir da pesquisa, os empresários vão investir
em um sistema de extrusão que resultará em um produto com valor agregado,
disse.
Outro co-produto do biodiesel que está sendo estudado é o glicerol, ou glicerina,
para se encontrar formas de purificar e, depois, ser colocado no mercado a preços
mais competitivos, já que é um ingrediente que está sendo descartado do processo
de extração do biodiesel, revelou o pesquisador. O glicerol pode ser usado na
indústria farmacêutica e na fabricação de sabonetes
O projeto de utilização da torta de mamona na alimentação animal será
apresentado pela Embrapa Agroindústria de Alimentos no Show Rural Coopavel,
que será aberto amanhã (9), em Cascavel (PR). O evento reunirá, até o dia 13
deste mês, produtores e técnicos para discutir inovações na agricultura familiar.
Pesquisador garante viabilidade técnica da mamona
para biodiesel
SEXTA, 26 SETEMBRO 2008 . EMBRAPA
A mamona é tecnicamente viável à produção de biodiesel. Quem garante é o
pesquisador Francisco Brito, da Embrapa Meio-Norte, pioneiro nas pesquisas com
mamona no estado do Piauí. Segundo ele, o óleo, quando transformado, pode ser
misturado ao diesel mineral na proporção de até 50 por cento, com uma
viscosidade de 5,9 cP - unidade de referência de viscose – ficando no limite
estabelecido pela Agência Nacional de Petróleo, que vai de 3 a 6 cP.
Hoje, no Brasil, só é permitido 3 por cento de mistura de óleo vegetal com o diesel.
É meta do Governo Federal atingir, até 2014, 5 por cento de mistura. Por tanto,
mesmo se a mistura fosse numa proporção de 50 por cento de óleo de mamona a
50 por cento de diesel, o índice de viscosidade ainda estaria no limite estabelecido,
caindo por terra a idéia da não viabilidade da mamona como matriz energética.
O pesquisador tem mais argumentos para apostar na viabilidade do óleo da
mamona. Segundo Francisco Brito, "o produto é também economicamente viável,
socialmente justo e ecologicamente correto", pois polui menos durante a
combustão, "lançando menor quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, o
vilão do efeito estufa". Ele garante que a espécie, por ser uma planta perene,
seqüestra carbono durante todo o ano, ao contrário de outras culturas de ciclo
curto.
As condições de desenvolvimento da planta, segundo Francisco Brito, são
favoráveis no semi-árido. A mamona precisa de chuvas regulares durante a fase
vegetativa e de períodos secos na maturação dos frutos. As pluviosidades entre 600
e 700 milímetros proporcionam rendimentos superiores a 1,5 tonelada por hectare.
O período mais crítico é caracterizado nos primeiros 60 dias.
E a área colhida no estado do Piauí vem despencando ano após ano. Na safra 20052006, quando a Embrapa Meio-Norte e parceiros intensificaram os trabalhos com a
mamona, a área colhida chegou a 11.015 hectares. Este ano, o número mudou
radicalmente: apenas 4.076 hectares de área colhida foram registrados pelo IBGE.
Mesmo diante dos obstáculos, a Embrapa Meio-Norte está encarando mais um
desafio. A Unidade está negociando um projeto junto ao Ministério do
Desenvolvimento Agrário para trabalhar ações de geração e transferência de
tecnologias, com mamona em consórcio com feijão-caupi, em 28 municípios do
Território Serra da Capivara, na região sul do Piauí. Setecentas famílias devem
participar das ações.

Projeto de Lei aponta mamona como principal
componente do biodiesel brasileiro (25/11/2004
A cultura da mamona deve se consolidar como a principal
componente do biodiesel a ser produzido no Brasil. A
conclusão é do Conselho de Altos Estudos e Avaliação
Tecnológica da Câmara dos Deputados, que divulgou na
semana passada o estudo "Biodiesel e Inclusão Social".
O conselho também apresentou, durante os debates, o
Projeto de Lei 3368/03 que obriga a adição de 2% de
biodiesel ao óleo diesel e concede isenção total de
tributos federais para o biodiesel produzido pela
agricultura familiar. O Conselho foi transformado em
comissão geral para debater o uso do combustível no
país. Órgão consultivo da Câmara, reinstalado no ano
passado pelo presidente João Paulo Cunha e integrado
por 23 deputados, o conselho completa este mês um ano
de funcionamento.
Com o estudo do Conselho, a cultura da mamona pode se
tornar em curto prazo, no cenário do Nordeste, um dos
principais componentes do programa nacional de
biodiesel. A estimativa é de cerca de 40% do biodiesel
produzido no Brasil nos próximos anos, misturas B2 e B5
depois, sejam obtidos a partir dessa oleaginosa.
"Dentre as demais oleaginosas é a que apresenta as
maiores potencialidades para o Nordeste, seja pela
relativa familiaridade do agricultor com a cultura, seja
pela possibilidade do uso de tecnologias mais simples
para a sua produção, pela maior resistência à seca, pelo
elevado teor de óleo que apresenta, e ainda, pela boa
produtividade, cujos recentes trabalhos da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária já sinalizam
significativos avanços tanto em condições de sequeiro
quanto irrigadas", avalia Paulo Antônio Motta dos Santos,
assessor da comissão.
Os Estados do Nordeste podem levar vantagem imediata
no cultivo dessa cultura. O principal atrativo que a Paraíba
oferece é o custo baixo de produção da mamona, cerca de
R$ 800,00 por hectare cultivado em condições de
sequeiro. Em Campina Grande (PB), ), em Irecê (BA), em
Barbalha (CE) e em outros estados da Região, a Embrapa
Algodão - estatal vinculada ao Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, desenvolve pesquisas de
melhoramento genético da cultura, cujos objetivos é fazer
aumentar o teor de óleo das sementes de mamona para
60%.
O Brasil tem potencial para fornecer mais de 60% do
biodiesel em substituição ao diesel que o mundo inteiro
consome atualmente. Somente de babaçu tem-se no
Brasil 17 milhões de hectares nativos. A agricultura
brasileira consome seis bilhões de litros de diesel que
poderiam ser totalmente substituídos pelo biodiesel
produzido no país.
O estudo do deputados federais aborda a utilização de
novas fontes alternativas de combustível, para
economizar recursos e reduzir a poluição provocada pelos
gases tóxicos lançados na atmosfera por veículos
automotores. O Conselho avaliou contribuições
encaminhadas por acadêmicos e pesquisadores dos
principais centros tecnológicos do País que trabalham
com energia renovável proveniente de biomassa.
O presidente do Conselho de Altos Estudos, deputado Luiz
Piauhylino (PTB-PE) assinalou que, "mais do que em
qualquer outro momento da história, a ciência e a
tecnologia passam a constituir um insumo fundamental
para a viabilização estratégica do desenvolvimento
econômico e social do País". Ele alertou que energias de
fonte renovável, como o biodiesel, sinalizam perspectivas
concretas para o fortalecimento e a inserção competitiva
brasileira no cenário internacional. A expectativa é de
que, a médio e longo prazos, o programa possa criar 500
mil novos empregos diretos.
Inclusão Social - O relator do estudo e co-autor do
projeto, deputado Ariosto Holanda (PSDB-CE), ressaltou
que, além das vantagens econômicas, o biodiesel traz
significativo impacto no processo de inclusão social. "No
curto prazo, talvez não exista em pauta nenhum outro
projeto com potencial tão amplo para a geração de
emprego e renda no meio rural, em especial nas regiões
Nordeste, Norte e Centro-Oeste, onde se concentram
milhões de brasileiros totalmente excluídos da chamada
economia de mercado", destacou Holanda.
"É um grande caminho para a distribuição de renda no
meio rural; o potencial do biodiesel a partir da nossa
biomassa é muito grande, porque o povo do campo sabe
trabalhar o dendê, o babaçu, a mamona, a soja",
acrescentou o relator.
"A participação da Embrapa, eu diria que foi mais
expressiva quando da realização da videoconferência que
realizamos em novembro de 2003 na Câmara dos
Deputados. Na ocasião, a Empresa também participou da
exposição de trabalhos e protótipos que o Conselho
promoveu, expondo equipamento (mini-usina) para
obtenção de biodiesel pela rota do craqueamento
térmico, pesquisa desenvolvida juntamente com o
Departamento de Química da Universidade de Brasília",
ressalta Motta.
Produção - A Bahia é o maior produtor nacional, com 92%
da produção brasileira, concentrada fundamentalmente
na região de Irecê. Hoje o Brasil tem cerca de cinco
milhões de hectares zoneados agroecologicamente para o
cultivo dessa oleaginosa. Apenas na região Nordeste são
cerca de 19 milhões de hectares agricultáveis para regime
de sequeiro para todas as culturas, dos quais cerca de 4,5
milhões com aptidão para o cultivo da mamona em
condições de sequeiro. O uso de sementes certificadas
tem possibilitado uma produtividade de até 5,5 toneladas
por hectare na Bahia.
A certificação e a fiscalização de sementes tornou-se
outro gargalo na produção da mamona. Esse ano o
Governo Federal está destinando, através do Pronaf, R$
64 milhões para a revitalização da ricinocultura brasileira,
dos quais R$ 9 milhões apenas para ações junto ao serviço
público de assistência técnica e extensão rural.
Segundo o pesquisador da Embrapa Algodão, Napoleão
Beltrão, o biodiesel poderá suprir o abastecimento de
16% da frota nacional de veículos, ou mais, dependendo
dos investimentos e verificando-se as vocações regionais,
caso da mamona no Nordeste , do dendê no Norte e de
outras oleaginosas .
Além da questão econômica e energética, a mamona é
uma das principais fontes de biomassa e pode ajudar na
reversão do processo de poluição atmosférica mundial. "A
mamona seqüestra cerca de dez toneladas de carbono
por cada hectare plantado" e pode com as cultivares
atuais viver produzindo bem por dois ciclos, ou seja por
dois anos.
Congresso - Energia e Sustentabilidade. Este é o tema
principal do primeiro Congresso Brasileiro de Mamona,
que acontece entre os dias 23 a 26 de novembro, no
Centro de Convenções Raymundo Asfora, em Campina
Grande (PB). O evento é uma realização Embrapa Algodão
e seus parceiros e tem como principais objetivos discutir
os rumos da pesquisa e incentivar o desenvolvimento
sustentável do agronegócio e da indústria da cultura.
"O evento será um fórum inédito e privilegiado para a
troca de experiências e informações entre todos os
segmentos envolvidos nessa importante cadeia produtiva:
instituições de pesquisa, produtores, técnicos
extensionistas, indústrias, governos estaduais, empresas
de fomento e de geração de energia, universidades, ONGs
e estudantes", diz Ramiro Pinto, chefe adjunto de
Comunicação e Negócios da Embrapa e um dos
coordenadores do congresso. Estima-se um público de
setecentas pessoas vindas de todo o país.
A inscrição de trabalhos técnico-científicos para o
congresso se encerra no 15 de setembro de 2004 (data de
postagem). Maiores Informações podem ser obtidas da
seguinte forma: internet: www.cnpa.embrapa.br/cbm; email: [email protected]; telefone: (83) 315-4300 e
fax: (83) 315-4367
Dalmo Oliveira (MTb PB 0598/PB)
Embrapa Algodão
Contatos: (83) 315.4361 – [email protected]
Tema: Produtos Agropecuários
Download