Arroz Orgânico

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ARROZ
Oryza sativa L.
1. INTRODUÇÃO
O arroz é uma planta anual, monocotiledônea, pertencente à
família Gramineae (Poaceae), gênero Oryza e espécie Oryza sativa L. A
faixa de plantio da cultura estende-se de 53° norte a 35° sul de latitude e
desde o nível do mar até 2.400 metros de altitude.
O cultivo do arroz convencional ocupa o 2º lugar em área
plantada no mundo, só perdendo para o trigo. O maior produtor é a China
Continental, seguido da Índia, Indonésia, Bangladesh, Vietnã, Tailândia,
Burma, Japão e o Brasil, ocupando o 9º lugar, com 2% da produção
mundial.
No Brasil o maior estado produtor de arroz convencional é o
estado do Rio Grande do Sul, seguido de Minas Gerais, Mato Grosso,
Maranhão, Santa Catarina, Goiás, Tocantins, São Paulo e Mato Grosso do
Sul. No Estado de São Paulo, a cultura ocupa o 7º lugar em área plantada,
com produtividade média em torno de 1.800 quilos por hectare.
2. MODALIDADES DE CULTIVO DE ARROZ
As modalidades de cultivo de arroz para o Estado de São Paulo
são:
2.1. ARROZ DE SEQUEIRO: cultivado em terras altas, depende
exclusivamente de precipitação pluviométrica, sendo por isso considerada
uma cultura de risco, principalmente devido aos períodos de veranico que
ocorrem nos meses de janeiro e fevereiro, e que coincidem com a fase de
florescimento, principalmente (diferenciação floral até floração plena). O
cultivo de sequeiro predomina nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul, Maranhão, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
2.2. ARROZ DE SEQUEIRO COM IRRIGAÇÃO SUPLEMENTAR
POR ASPERSÃO: a cultura é irrigada nos períodos de déficit hídrico, de
forma a atender as exigências hídricas mínimas em cada fase do ciclo da
planta.
2.3. ARROZ DE VÁRZEA: cultivado em áreas de baixada, que
apresentam-se, normalmente úmidas ou encharcadas, com vegetação
hidrófila; a água provém da inundação periódica das margens dos rios. O
sistema de cultivo permanente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina é o
de irrigação por inundação.
2.4 ARROZ IRRIGADO CULTIVADO EM VÁRZEAS
SISTEMATIZADAS: a irrigação é controlada e feita pela inundação dos
tabuleiros ou quadras, formando-se lâminas de água.
3. CLIMA
3.1. TEMPERATURA
A temperatura mínima para germinação do arroz varia de 12 a
13°C, sendo que a temperatura ótima varia de 30 a 35°C e a temperatura
máxima de 38 a 40°C. Para a maioria dos cultivares, o crescimento normal
pode ser admitido com temperaturas acima de 20 a 24°C, com máxima ao
redor de 40 a 42°C. A temperatura média adequada para o ciclo vegetativo
do arroz varia de 20 a 38°C, sendo que as ótimas para produção de grãos
oscilam entre 29 a 32°C. A temperatura mínima para floração varia de 22 a
24°C e a temperatura mínima para frutificação varia de 20 a 25°C.
3.2. CHUVAS
A produção de grãos de arroz de sequeiro é limitada pela
quantidade e distribuição de chuvas. Considera-se que, durante o ciclo da
cultura, devam ocorrer, pelo menos, 200 mm de chuva por mês, sendo que
as fases mais exigentes em água compreendem o emborrachamento, a
floração e o enchimento de grãos.
4. SOLO
4.1. Profundidade
A profundidade efetiva do solo para a cultura do arroz
corresponde à faixa de perfil do solo, onde o sistema radicular penetra
livremente, buscando nutrientes e água. A concentração excessiva de
elementos tóxicos como, por exemplo, o alumínio, a ocorrência de
camadas adensadas pouco permeáveis e a presença de camadas de
rochas próximas à superfície, são fatores que interferem no volume de solo
disponível ao sistema radicular.
4.2. Conservação do Solo
A erosão hídrica é o maior problema, atualmente, na agricultura,
pois degrada o solo e causando problemas na qualidade e disponibilidade
de água através da poluição e assoreamento de mananciais, enchentes na
época das chuvas e escassez na época de estiagem.
A erosão degrada o perfil do solo, arrastando, além dos
sedimentos, insumos em geral, como sementes e fertilizantes, causando
diminuição da produção agrícola e empobrecimento do meio rural.
O manejo inadequado do solo tem propiciado a erosão hídrica,
pela redução da cobertura vegetal e da infiltração de água no solo.
O aumento da cobertura vegetal reduz, consideravelmente, a
energia de impacto das gotas de chuva contra a superfície do solo,
refletindo diretamente na desagregação da estrutura do solo, reduzindo o
selamento superficial e aumentando a infiltração de água.
Fatores que afetam o solo
O uso de maquinário pesado, implementos a disco, como arados,
grades niveladoras e aradoras, representa o principal fator agravante da
erosão do solo, compactam o solo sub-superficialmente, mantém poucos
resíduos na superfície e aceleram sua decomposição. Estes aspectos
colaboram para a redução do potencial produtivo do solo, a médio e a
longo prazo. Por outro lado, além de não haver implementos alternativos
no mercado, estes apresentam vantagens como: o rendimento operacional
é elevado, o controle de plantas daninhas é eficiente; boa incorporação de
corretivos e fertilizantes.
Como melhorar o solo
Algumas práticas podem ser adotadas para se conservar o solo
em cultivos de arroz. São elas: plantio em nível, terraços, usos de faixas
de retenção, adubação verde, rotação de cultura e manejo adequado do
solo. Em cultivos de arroz de sequeiro, recomenda-se a rotação de
culturas com amendoim, algodão e leguminosas, e nos cultivos irrigados, a
rotação com pasto, leguminosas, batatinha e trigo (visando ao controle do
arroz-vermelho e preto).
4.3. Tipos de solo
Todos os tipos de solo prestam-se ao cultivo de arroz, devendo
ser evitados os solos halomórficos (salinidade alta), as areias quartzosas
marinhas, os litossolos e os cambissolos (muito rasos).
5. SISTEMATIZAÇÃO DO TERRENO EM ARROZ IRRIGADO
A sistematização é o nivelamento da terra, a fim de torná-la plana
ou ligeiramente plana. A área a ser sistematizada deverá receber e
conservar a água de irrigação nos talhões, os quais devem ser quadrados
ou retangulares para facilitar a mecanização e devem possuir as mesmas
características do solo.
Levantamento do terreno
Inicialmente, deve-se fazer o levantamento dos caminhos, limites,
drenos, sistemas de distribuição de água e pequenos diques, e das
características do solo.
A área deverá estar limpa. É comum fazer-se um pré-nivelamento
para a maior precisão do levantamento planialtimétrico. Em áreas
alagadas, aconselha-se fazer uma drenagem superficial para permitir o
trânsito de máquinas e equipamentos.
Se a declividade da área for cerca de 1%, divide-se o terreno em
tabuleiro; se superior a 1%, divide-se em patamares. O desnível entre os
patamares não deve ser superior a 0,60 metro. Para a semeadura em solo
seco, pode haver desnível de até aproximadamente 0,1%; para semeadura
em solo inundado não deve haver desnível nos tabuleiros e patamares.
Construção de tabuleiros
Na construção dos tabuleiros, o movimento de volumes
excessivos encarece o projeto, além de remover a camada fértil do solo
nas estacas de corte e sobrepô-las nas estacas de aterro. Se não for
possível evitá-lo, pode-se raspar a camada fértil para o centro do tabuleiro
e repô-la sobre o terreno nivelado.
O declive, a profundidade, a textura e a estrutura do solo, e a
disponibilidade de água são condições a serem verificadas para se realizar
a irrigação superficial.
Para saber-se o tempo em que se deve manter a lâmina de água
sobre a superfície do solo, no tabuleiro, usa-se o método do infiltrômetro
de anel. Este, determinará a velocidade básica de infiltração (VIB) de água
no solo (vide Boletim Técnico nº 189-CATI).
6. PREPARO DO SOLO
O preparo do solo é prática essencial à cultura do arroz,
proporcionando-lhe benefícios como a vincorporação dos restos da cultura
anterior, diminuição dos riscos de deficiência hídrica, pelo aumento da
aeração do solo e de sua capacidade de retenção de água;eliminação das
plantas invasoras e enterrio de suas sementes superficiais, retardando sua
concorrência com a cultura na fase inicial; propiciar a formação de camada
uniforme para receber as sementes, minimizando-se as falhas.
Métodos de preparo do solo
Para cada modalidade de plantio de arroz, pode
recomendado diferentes métodos de preparo do solo. Assim temos:
ser
Arroz de sequeiro em terras altas
Recomenda-se a aração invertida, que consiste em passar a
grade aradora ou niveladora; em seguida, o arado de aiveca; e novamente
a grade niveladora. Este preparo reduz os riscos de danos por estiagem,
pelo maior armazenamento de água no perfil do solo e maior
desenvolvimento da raiz. Em solos inclinados, o preparo e o plantio devem
ser feitos em nível, para controlar a erosão.
Arroz de baixadas não sistematizadas:
Faz-se a drenagem da área no final das chuvas (abril-maio). Em
seguida roça-se, a vegetação. A aração e a gradeação são feitas como em
várzeas sistematizada; a única diferença é que o solo não é nivelado.
Arroz irrigado em baixadas sistematizadas
No cultivo do arroz irrigado, o ideal é preparar-se uma camada de
6 a 8 cm de solo pulverizado assentada sobre uma camada adensada de 5
a 10 cm, para evitar-se a perda de água e nutrientes por infiltração ou
percolação.
O solo deve estar bem renivelado, de modo que a lâmina de água
no tabuleiro seja uniforme, evitando-se o afogamento das plantas nas
partes mais baixas ou a falta de água nas partes mais altas, este último
favorece o desenvolvimento de plantas invasoras.
Os métodos mais usados no preparo de solo em arroz irrigado
são a semeadura em solo seco, fazendo-se a aração à profundidade de
15 a 25 cm e, em seguida, gradeia-se. Na semeadura em solo inundado
(sementes pré-germinadas e transplante de mudas).
O método inundado é realizado em duas fases, sendo a 1ª fase formação da lama na camada superficial (em solo seco com inundação
posterior, ou em solo inundado) e a 2ª fase - renivelamento e alisamento
do solo:
8. CALAGEM
A cultura do arroz é bastante tolerante à acidez do solo,
produzindo razoavelmente, mesmo em casos em que esta é elevada, isto
é, para pH em torno de 4,2 a 5,2.
A faixa ideal de pH para a cultura situa-se entre 5,7 a 6,2.
O calcário elimina o alumínio e o manganês, que são prejudiciais
à planta, e disponibiliza principalmente o cálcio, o magnésio e o fósforo,
além de favorecer as atividades microbiológicas no solo.
De acordo com a análise química do solo aplicar calcário para
elevar a saturação por bases a 50%, para arroz de sequeiro e 40% para
arroz inundado. Empregar, no máximo, 2 t/ha de calcário/ano. Aplicar pelo
menos 3 meses antes da semeadura se o teor de Mg no solo for inferior a
5 mmolc/dm3, para teores de Mg maiores pode empregar qualquer tipo de
calcário.
9. ADUBAÇÃO
A recomendação de adubação deve ser baseada na análise de
solo. Aplicar no plantio, de acordo com a análise do solo e a produtividade
esperada. Deve ser considerado que os teores de fósforo elevam-se com a
inundação do terreno.
Recomenda-se o plantio anterior e a cobertura verde do solo,
com os adubos verdes, como ervilhacas, trevo, nabo forrageiro e aquáticas
(azolla) que vão suprir a necessidade de nitrogênio.
Emprega-se adubos orgânicos, para reestruturar o solo, como
cinza de casca de arroz carbonizada, a cama de aviária compostada,
assim como esterco de animais curtidos.
Pode também ser formulados compostos orgânicos ou Bokashi
com 20 a 80 kg/ha de P2O5, 20 a 60 kg/ha de K2O e 0 a 3 kg/ha de Zn,
além de 10 kg/ha de N e 20 Kg/ha de S.
Aplicar em cobertura, adubo orgânico foliar rico em nitrogênio,
cerca de 40 dias após a emergência das plantas. Reduzir a dose de N de
as apresentarem crescimento inicial muito vigoroso e coloração verde
intensa.
10. SEMEADURA
10.1. Variedades
A recomendação é o emprego das cultivares regionais. No caso
de arroz parbolizado, utiliza-se no sul do Brasil, entre outras: Epagri-106108 e 109, que são de grão fino, agulhinha. Há também a variedade
japonesa Formosa IAS 12-9, de grão curto e redondo, muito rústica e
produtivo para o arroz integral.
10.2 Época da semeadura
A época de semeadura é definida em função da ocorrência de
condições adequadas de água, luz e temperatura.
Época: Recomenda-se a semeadura, de arroz de sequeiro de
outubro a dezembro e de arroz irrigado de setembro a dezembro, sendo
que os melhores resultados são obtidos em plantios efetuados em outubro
e novembro.
Para arroz irrigado de muda, com o uso da plasticultura pode-se
antecipar esta semeadura para o mês de julho para os cultivares IAC 4440
e IAC 242.
10.3. Espaçamento e densidade:
A população de plantas por umidade de área é calculada em
função dos espaçamentos usado entre linhas e da densidade de plantas
nas linhas. A população ideal é determinada por diversos fatores, como:
características fenotípicas da planta (porte da planta, forma, e disposição
das folhas), preparo do solo, fertilidade do solo, época de semeadura,
cobertura de terra nas sementes.
Arroz de sequeiro: recomenda-se espaçamentos de 40 a 50 cm
entre linhas, com 50 a 60 sementes por metro linear nos espaçamentos
mais estreitos e 60 a 70 sementes por metro linear nos mais largos, com
um consumo de 35 a 45 kg/ha.
Arroz irrigado: (a) convencional: recomenda-se espaçamento de
30 cm entre linhas e 90 a 100 sementes/metro linear, com um consumo
aproximado de sementes de 100 kg/ha; (b) a lanço em solos secos ou
submersos: 120 a 150 kg/ha de sementes; (c) plantio por mudas: 200 a
250 m² por hectare de sementeira, utilizando-se 350 a 450 kg/ha de
sementes/m², com um gasto aproximado de 90 kg de sementes para
plantio de 1 hectare. O número de mudas varia de 3 a 5/cova e o
espaçamento entre mudas é de 0,20 x 0,30 m.
Profundidade de semeadura:
Varia de 2 a 5 cm e a cobertura de sementes com terra de 2 a 3
cm conforme a umidade do solo. Em solos argilosos a profundidade usada
é menor pois estes retêm mais água.
11. COMBATE A ERVAS INVASORAS
A cultura do arroz, ao competir com as plantas invasoras, é
prejudicada, pois além de causar redução na produção, estas plantas
abrigam pragas e agentes patológicos. O arroz daninho (Oryza sativa L)
deprecia a qualidade do produto; espécies como o angiquinho
(Aeschynomene rudis Benth) podem dificultar a operação da colheita.
Como forma de combate, recomenda-se o plantio de adubos
verdes fortes antes do plantio do arroz, para reduzir a população das ervas
invasoras, as ervas que persistem devem ser posteriormente erradicadas
com capina.
As principais plantas invasoras que ocorrem com maior
freqüência constituindo problema nas regiões produtoras são:
MONOCOTILEDÓNEAS: Oryza spp (arroz daninho); Echinochloa
crusgalli
(capim-arroz);
Echinochloa
cruspavonis
(capim-arroz);
Echinochloa colonum (capim-arroz); Echinochloa sp (capim-arroz);
Ischaemum rugosem (capim-macho); Brachiaria plantaginea (capimmarmelada); Brachiaria purpurascens capim-fino); Cyperus ferax (tiriricão);
Cyperus iria (pêlo-de-boi, junquinho); Cyperus esculentes (tiririca amarela);
Cyperus spp (tiriricas).
DICOTILEDÓNEAS:
Archynomene
rudis
(angiquinho);
Aschynomeme selloi (sensistiva); Amaranthus hybridus (carurú); Borreria
alata (erva quente); Erysine portulacoides (tripa-de-sapo); Heteranthera
uniformes (aguapé); Polygonun spp (erva-de-bicho); Portulaca oleracea
(belchaega); Sagitaria montevidensis (chapéu-de-couro); Sagitaria
guyanensis (chapéu-de-couro).
12. PRINCIPAIS PRAGAS
12.1 PRAGAS DE SOLO, NOME, SINTOMAS E PREJUÍZOS
cupins: Synthermes molestus, Procornitermes sp, Cornitermes sp
Formam ninhos subterrâneos, encontrados a cerca de 2 m de
profundidade. Ataques internos em solos arenosos, com baixa umidade,
cultivados anteriormente com gramíneas. Os cupins se alimentam do arroz
semeado e também atacam o sistema radicular das plantas do arroz
destruindo-o. As plantas mostram um amarelecimento morrendo
posteriormente. O aspecto da touceira é totalmente seco, e se desprende
com facilidade do solo.
Elasmo: Elasmopalpus lignosellus
Completamente desenvolvida, a lagarta adulta mede 15 mm de
comprimento. Tem coloração verde azulada, com cabeça marron escura,
de tamanho pequeno. O ataque se inicia pouco abaixo da superfície do
solo, onde cavam galerias em direção ao centro das hastes. Esse inseto
no arroz produz o conhecido "coração morto", que se caracteriza pelo
secamento da folha central, que se desprende com facilidade. Esta praga
é limitante para culturas do cerrado. Para o controle utiliza-se Bacillus
thurigiensis (Dipel).
Lagarta rosca: Agrotis ipsilon
A larva tem coloração pardo acinzentada escura, medindo até 45
mm, hábitos noturnos e durante o dia ficam enroladas, abrigadas do sol.
Gorgulhos aquáticos: Helodytes faveolatus, Neobagous sp,
Hydrotimetes sp, Orizophagus oryzae
Grande importância nos canteiros de mudas, onde as larvas são
encontradas em maior quantidade, atacando raízes e cavando galerias. As
plantas jovens atacadas apresentam aspecto clorótico. Em infestaçães
intensas, pode haver a completa destruição do canteiro e até das mudas
transplantadas. Os adultos se alimentam do parênquima das folhas, onde
deixam orifícios da largura de suas mandíbulas.
12.2 PRAGAS DA PARTE AÉREA:
Lagartas: Mocis latipes
Spodoptera frugiperda
Alimentam-se das folhas, podendo destruir completamente a
cultura.
Percevejos: Oebalus poecilus
Tibraca limbativentris
O primeiro constitue em certas regiões a mais importante praga
do arroz. O adulto mede 7 a 8 mm de comprimento por 4 mm de largura.
As ninfas são muito vorazes, sugam os grãos leitosos, provocando o seu
chochamento. Podem também, sugar o grão maduro, uma mancha de cor
marrom escura. Esses grãos se tornam gessados e quebram com
facilidade, no beneficiamento.
O segundo suga a haste do arroz, causando um estrangulamento
da mesma. Utiliza-se defensivos alternativos produzidos com extratos de
plantas, como alho.
13. PRINCIPAIS DOENÇAS E CONTROLE
13.1. Brusone
Causada pelo fungo Pyricularia oryzae. Afeta as folhas, bainhas,
nós dos colmos, panículas e grãos. O patógeno se transmite pelas
sementes, restos culturais e ervas invasoras. Nas folhas, inicialmente
aparecem pequenos pontos castanhos, que aumentam formando manchas
elípticas de centro cinza e bordos marrons, às vezes circundados por halo
amarelado. Pode haver a queima total das folhas até a morte das plantas.
Quando ocorre infecção nos colmos, nós e entrenós, pode haver
impedimento da circulação da seiva e consequente chochamento da
panícula, ou necrose do local, com posterior acamamento da planta.
Infecção no "pescoço" (nó basal da panícula) acarreta esterilidade da
panícula, quando a infecção ocorre na fase do florescimento até estágio
leitoso dos grãos, e redução do seu peso, se o ataque for mais tardio.
Medidas culturais para controle da brusone - Uso de
sementes certificadas; semeadura em época normal; adubação
equilibrada, evitando o excesso de nitrogênio; rotação de cultura;
eliminação de restos culturais e ervas invasoras; utilização de cultivares
resistentes; troca de cultivares a cada 2-3 anos ou uso simultâneo de duas
ou mais cultivares.
13.2.Mancha parda
Causada pelo fungo Bipolaris oryzae (= Helminthosporium
oryzae). As folhas apresentam manchas ovais, de cor marrom, podendo
apresentar centro esbranquiçado. Nos grãos, as manchas são marromescuras, ocasionando a redução no peso dos grãos, chochamento, ou
perda de qualidade, devido a gessamento e coloração escura. A doença é
transmitida principalmente pelas sementes, e o patógeno pode sobreviver
muitos anos nos restos de cultura.
O controle é feito através da semeadura de cultivares tolerantes e
práticas culturais adequadas (as mesmas recomendadas para o controle
da brusone). O emprego de caldas cúpricas, como a calda viçosa é
recomendada.
13.3. Mancha estreita
Causada pelo fungo Cercospora oryzae. Manchas estreitas e
alongadas, de cor pardo-avermelhada, surgem principalmente nas folhas,
podendo incidir também nas bainhas, colmos e glumas. Essa doença
aparece geralmente no final da cultura, enfraquecendo a planta e
provocando maturação precoce dos grãos, com redução no seu peso. O
fungo permanece nas sementes e restos culturais. O uso de medidas
culturais preventivas para o controle da brusone atuam também no
controle da mancha estreita.
13.4. Escaldadura da folha
Ocasionada pelo fungo Gerlachia oryzae (= Rhynchosporium
oryzae), ocorre normalmente do emborrachamento até a maturação dos
grãos. As folhas ficam com os bordos ou ápices atacados, com manchas
verde oliva. Mais tarde aparecem faixas concêntricas, marrom claro e
escuro. A folha pode secar. Os grãos atacados apresentam descoloração
das glumas e esterilidade. A doença se transmite pela semente e é
favorecida por solos com níveis elevados de matéria orgânica, alta
densidade de plantio, excesso de Nitrogênio e alta umidade.
13.5. Crestamento da bainha
Ocasionada por Thanatephorus cucumeris (forma perfeita de
Rhizoctonia solani). Nas bainhas e colmos aparecem manchas ovais,
elípticas ou redondas, de cor cinza claro com bordas de cor marrom, sobre
as quais há formação de esclerócios. Esta doença provoca acamamento
das plantas e espiguetas estéreis. O controle deve ser feito mediante
destruição dos restos de cultura anterior, drenagem da área na entresafra
e adubação equilibrada, evitando excesso de Nitrogênio.
13.6. Manchas de grãos
Sintomas como manchas nas glumas, escurecimento total e
esterilidade das espiguetas são associados a fungos de vários gêneros,
tais como Helminthosporium, Curvularia, Nigrospora, Alternaria, Fusarium
e Phoma. Sua incidência é favorecida pela ocorrência de frio (15 - 20°C)
durante os períodos de emborrachamento e floração. Como medida de
controle recomenda-se evitar o plantio tardio.
CONTROLE DAS DOENÇAS
A cultura do arroz sofre o ataque de diferentes doenças fúngicas,
ocasionando enormes prejuízos aos orizicultores. A forma mais
econômica, segura e eficaz para o agricultor, no controle da brusone, é
através da utilização de variedades resistentes.
As seguintes medidas são preconizadas:
 Preparo adequado do solo a fim de propiciar às plantas melhor
enraizamento, o que diminui os efeitos da falta de umidade no
desenvolvimento da cultura (sequeiro).
 Utilização de sementes selecionadas, evitando-se a transmissão do
fungo Pyricularia oryzae por essa via, principalmente no primeiro ano
de plantio.
 É importante também fazer o plantio de modo uniforme com a
semente colocada à mesma profundidade.
 Evitar a adubação nitrogenada em cobertura, dos 30 aos 40 dias
após o plantio, preferindo-se efetuá-la no início do primórdio floral, ou
seja, dos 42 aos 48 dias, no caso de variedades precoces, e de 52 a 60
dias, para variedades de ciclo médio.
 A densidade de plantio e espaçamento devem estar de acordo com
as recomendações técnicas.
 Colheita na hora certa, isto é, com dois terços das panículas
maduras, de modo a evitar a perda por infecção na fase semi-madura.
 Utilização de cultivares com tolerância à doença, substituindo-se
aquelas cultivadas anteriormente por novas, melhoradas.
 Rotação de culturas, com eliminação dos restos da lavoura de arroz,
que representam a fonte inicial de disseminação da doença para o
plantio seguinte.
 Emprego da calda viçosa.
14. COLHEITA
A colheita pode ser realizada basicamente de dois modos:
manual ou mecânico. Em ambos os casos, o termo geral "colheita"
engloba algumas operações realizadas em seqüência: corte dos colmos, a
formação de feixes; o transporte dos mesmos até um local adequado onde
ocorre a batedura ou trilha, isto é, a retirada dos grãos do restante da
planta; em seguida tem lugar a limpeza, onde as impurezas são retiradas e
por fim, o armazenamento em sacos ou a granel.
A produção média das lavouras orgânicas é de 120 sacas/há ou 6
mil kg por hectare, um pouco abaixo dos 7.500 kg geralmente obtido nos
sistemas convencionais.
Colheita manual
O arroz é cortado em feixes, a cerca de 20 cm so solo, com um
tipo especial de foice, conhecido popularmente como "ferro para arroz".
Após o corte pode ser amontoado, ocorrendo uma certa seca o que facilita
a batedura. Nesta operação, os feixes de colmos são batidos contra uma
armação (estrado) de madeira na altura de 0,60 m do chão. Pode-se
também usar um tambor de 200 l, colocado "deitado". O local da batedura
deve ser forrado (chão) e protegido por anteparos laterais de pano
sustentados por 4 estacas.
Outra maneira possível de trilhar o arroz é com o pisoteio dos
colmos estendidos no chão, em camadas, com animais (bovinos, equinos
e muares) ou usando-se tratores de pneus.
Colheita semi-mecanizado
No processo semi-mecanizado podem ser usadas pequenas
trilhadoras acionadas a pedal, manualmente ou por pequenos motores.
Estas máquinas geralmente possuem um ventilador que realiza a limpeza
do produto.
Para que a batedura seja realizada adequadamente e para que
haja maior rendimento no beneficiamento, a umidade dos grãos do arroz
por ocasião da colheita deve estar no ponto ideal. Na colheita manual a
faixa é de 18 a 20% e na mecânica, de 20-24% (em base úmida). Na
prática colhe-se o arroz quando 2/3 dos grãos estiverem maduros, com
sua cor característica e 1/3 correspondentes à base da panícula, com a cor
esverdeada, porém com massa firme, resistente à pressão.
Na operação de abano, os grãos são separados das impurezas
pequenas, de gravetos e poeira. No método mais antigo, o produto é
atirado para cima por meio de pás, ocorrendo o arraste das impurezas pela
corrente de ar.
Pode-se abanar manualmente o arroz pré-limpo, com utilização
de peneiras, em operação bastante demorada.
Estima-se que a produção de um operário nesta tarefa atinja a 35
kg/hora. Mecanicamente, com uma abanadora acionada por pequeno
motor de 1 HP, pode-se alcançar 500 kg/hora.
15. SECAGEM
O arroz pode secar na própria planta, em terreiros ou ainda, em
secadores. No primeiro caso, permanece por maior tempo no campo,
estando portanto, sujeito a perdas por ataque de pássaros e roedores e
por queda natural dos grãos. O ponto de secagem é de 13,5% de umidade
dos grãos.
Secagem natural
A secagem em terreiros, ao sol e ao vento é eficiente e barata. O
produto é espalhado em camadas de 5-10cm, sofrendo uma
movimentação de tempo em tempo com rodos de madeira, evitando-se
assim o superaquecimento localizado dos grãos, garantindo-se a
homogeneização da sua temperatura, e com ela, da umidade dos mesmos
no decorrer da secagem. À noite, o produto é amontoado e coberto com
encerado. Devido ao aquecimento durante o dia, a umidade migra do
interior dos grãos para a periferia, onde pode condensar, devido ao
abaixamento da temperatura atmosférica. No próximo turno, a umidade
externa é rapidamente evaporada. Obtém-se neste sistema intermitente,
um certo ganho no tempo de secagem e uma homogeneização da
umidade do produto.
16. ARMAZENAMENTO
O armazenamento visa à formação de estoques que serão
utilizados na entre-safra ou vendidos quando for mais oportuno para o
produtor. Grandes estoques reguladores são utilizados pelo Governo
Federal para regular a oferta e com ela, os preços de mercado.
O arroz pode ser armazenado em casca ou beneficiado. No 1º
caso, mais usual no longo prazo, algumas vantagens são importantes:
1) a casca dificulta a ação de agentes biológicos (insetos,
roedores, fungos, bactérias);
2) o rendimento no beneficiamento melhora após um mínimo de 3
meses de armazenamento; 3) as qualidades culinárias estão no seu ponto
ótimo após 6 meses de armazenamento. No 2º caso, (beneficiado) e que
ocorre para efeito de comercialização apenas, o prazo em geral é curto.
Os maiores problemas no armazenamento são decorrentes de
fatores ambientais (temperatura e umidade) e biológicos (roedores,
pássaros, insetos, cupins, fungos, etc.), intimamente relacionados.
O arroz pode ser armazenado a granel ou ensacado e deve ter no
máximo 13,5% de umidade (base úmida). nas temperaturas ambientes
prevalentes no Estado de São Paulo, com umidade relativa do ar abaixo
de 70% consegue-se o armazenamento seguro por longos períodos
(anos).
O armazenamento a granel ocorre em silos metálicos, tulhas,
containers, ou em barracões, caso em que é necessário atentar-se para a
umidade do piso (surgimento de fungos) ou através do telhado e para a
penetração de roedores e insetos.
O armazenamento em sacos é muito comum no nosso meio.
Usam-se sacos de juta, ráfia, algodão e de papel multifolhado cada um
com suas características de resistência mecânica e à penetração de
agentes biológicos.
Para evitar ou minimizar a ocorrência de transformações
indesejáveis e teor de umidade máximo para a armazenagem por 6 meses
é de 13,5% e de 12% para 12 meses. O local de armazenagem deve ser
limpo, seco, proteger o produto contra variações excessivas de
temperatura e possuir ventilação controlável. O piso deve ser impermeável
e a unidade, como um todo, facilitar o controle de pragas.
REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS
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e Padrões. Normas de Identidade, qualidade, embalagem e apresentação
do arroz. Brasília, 1984. v.3.
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