Nome 1º autor, e-mail, instituição

Propaganda
III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO
UNISALESIANO
Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de
pesquisadores
Lins, 17 – 21 de outubro de 2011
AVALIAÇÃO DE MEMBRO SUPERIOR EM MULHERES MASTECTOMIZADAS
MARA VANIA GUIDASTRE
[email protected]
MARCELA DA SILVA MUSSIO
[email protected]
ANA CLÁUDIA DE SOUZA COSTA
[email protected]
RESUMO
O câncer de mama é a neoplasia de maior ocorrência entre as mulheres.
Observa-se no pós-operatório imediato a dificuldade de movimentar a articulação do
ombro, proveniente da tração exercida na cavidade axilar, na parede torácica e no
membro superior. A fisioterapia no pós-operatório, melhora a qualidade de vida das
pacientes, e tem como objetivos: a diminuição da dor, manutenção da amplitude de
movimento e da força muscular, prevenção do linfedema e entre outros objetivos. O
objetivo do estudo foi avaliar o membro superior de mulheres mastectomizadas,
comparando força, amplitude de movimento e circunferência do membro superior
homolateral à cirurgia.
Palavras Chaves: Fisioterapia, Câncer de Mama, Câncer de Mama - Avaliação
INTRODUÇÃO
Segundo Granja (2004) a mama é considerada como um símbolo de vida,
além de desempenhar um papel relevante na sensualidade e sexualidade feminina,
retratando um símbolo de feminilidade, estética e de afeto.
Guirro; Guirro (2004) afirmam que o câncer de mama é a neoplasia de maior
ocorrência entre as mulheres. Faz-se necessário ressaltar que ele é a principal
causa de mortalidade por neoplasia maligna entre as mulheres brasileiras, e a
segunda causa de mortes em geral.
Ele é considerado um tumor com taxa de sobrevida alta, mas a grande
mortalidade entre as mulheres brasileiras deve – se, em partes, pela descoberta
tardia da doença. (FONSECHI – CARVASAN; GURGUEL; MARCHI, 2006).
O câncer de mama é mais comum em mulheres com idade maior que 40
anos, embora tenha se observado um aumento de sua incidência em faixas
etárias mais jovens, nulíparas, com menopausa tardia, com menarca antes
dos 11 anos, com histórico de câncer de mama na família (parentesco de 1º
grau). (BIAZÚS et al, 2001, p. 341)
Jammal, Machado; Rodrigues (2008) descrevem que a cirurgia no câncer de
mama tem por objetivo promover o controle local, com a remoção de todas as
1/5
III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO
UNISALESIANO
Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de
pesquisadores
Lins, 17 – 21 de outubro de 2011
células malignas presentes junto ao câncer primário, proporcionar maior sobrevida,
orientar a terapia sistêmica, definir o estadiamento cirúrgico da doença e identificar
grupo de maior risco de metástase à distância.
“A opção cirúrgica será determinada pelos seguintes fatores: histológicos,
tamanho do tumor, idade da paciente, experiência e preferência do cirurgião”.
(CAMARGO; MARX, 2000, p. 26).
Monteiro (2007), afirma que após a cirurgia, a mulher passa a ter uma nova
realidade do esquema corporal, pois ocorrem alterações importantes em nível
anatômico, fisiológico e funcional que podem vir acompanhadas de dores,
degradação da forma física e mudança do esquema corporal, alterando sua maneira
de sentir e vivenciar o corpo.
Guirro; Guirro (2004) declaram que a fisioterapia pós-operatória, no câncer de
mama, melhora a qualidade de vida das pacientes, e tem como objetivos: a
diminuição da dor, a prevenção de problemas pulmonares decorrente do tempo de
repouso no leito, a manutenção da amplitude de movimento e da força muscular, a
prevenção do linfedema e de retrações e aderências cicatriciais, e a manutenção da
postura adequada.
A fisioterapia oncológica é recente e tem como objetivo restaurar e preservar
a integridade cinético – funcional de órgãos e sistemas e prevenir complicações
causadas pelo tratamento do câncer. (FARIA, 2010).
No PO imediato, a fisioterapia busca alterações neurológicas ocorridas
durante a cirurgia, presença de dor, edema linfático precoce e alterações na
dinâmica respiratória. Durante o resto do tratamento, se busca a melhora da
qualidade de vida dessa paciente. (FARIA, 2010).
De acordo com Camargo; Marx (2000) a dificuldade de movimentar a
articulação do ombro do lado operado, aparece causada pela dor proveniente da
tração exercida na cavidade axilar, na parede torácica e no membro superior. A
cicatriz também é um fator limitante do movimento, pois a paciente tem medo de tirar
o dreno aspirativo de posição e de desunir as bordas cirúrgicas; mostra-se receosa
na realização dos exercícios recomendados.
O objetivo deste estudo foi avaliar o membro superior de mulheres
mastectomizadas, comparando força, amplitude de movimento e circunferência do
membro superior homolateral à cirurgia.
A pesquisa foi norteada na seguinte questão: até que ponto a mastectomia
interfere na força, amplitude de movimento e circunferência do membro superior
homolateral?
METODOLOGIA
Participaram do estudo 7 indivíduos, do gênero feminino, que já havia
realizado a cirurgia para remoção do Câncer de Mama entre 2 a 25 anos de pós –
operatório, dentro da faixa etária de 48 a 81 anos de idade.
Para realização da seguinte pesquisa foram utilizados dados da ficha de
avaliação elaborada pelas próprias autoras, tendo como variáveis pessoais: idade,
tempo de cirurgia, tipo de cirurgia, presença de linfedema e tempo de instalação do
linfedema.
As variáveis clínicas foram obtidas através da aplicação dos seguintes testes:
dinamometria, goniometria; perimetria e prova de função muscular, que também
constam na ficha de avaliação, sendo aplicada a ficha de avaliação uma única vez.
2/5
III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO
UNISALESIANO
Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de
pesquisadores
Lins, 17 – 21 de outubro de 2011
As pacientes que aceitaram participar desta pesquisa foram encaminhadas a
pedido médico ao Centro de Reabilitação Física Dom Bosco, na Clínica de Ortopedia
para tratamento fisioterapêutico. Sendo assim das 7 participantes que contribuíram
para a nossa pesquisa, 6 já haviam feito tratamento fisioterapêutico.
RESULTADOS
A idade média das pacientes é de 65,28 anos, com o tempo médio de cirurgia
de 10 anos. Mais da metade dessas pacientes apresentaram linfedema (57,14%) e
o tempo médio do mesmo foi de 4 anos.
Na dinamometria observamos que comparando com o membro contralateral
existe uma diminuição da preensão palmar do membro direito. A média e desvio
padrão dessas pacientes, foi do lado direito 22,71 ± 4,85 e do lado esquerdo 24,43 ±
5,09.
Quando analisado os resultados da goniometria, foi constatado que para os
movimentos de ombro, cotovelo e punho, a maioria estão diminuídos do lado
homolateral a cirurgia. A média e desvio padrão foram: movimento de flexão de
ombro direito 829 ± 44,21, esquerdo 869 ± 65,38; extensão de ombro direito 300 ±
17,02, esquerdo 378 ± 16,97; abdução de ombro direito 824 ± 41, esquerdo 990 ±
25,1; adução de ombro direito 188 ± 12,16, esquerdo 250 ± 10,01; rotação lateral de
ombro direito 367 ± 20,39, esquerdo 431 ± 19,29; rotação medial de ombro direito
455 ± 14,97, esquerdo 471 ± 7,89; flexão de cúbito direito 660 ± 27,74, esquerdo 710
± 31,25; extensão de cúbito direito 10 ± 2,58, esquerdo 7 ± 2,04; flexão de punho
direito 407 ± 18,36, esquerdo 360 ± 18,70; extensão de punho direito 332 ± 12,50,
esquerdo 361 ± 10,70; adução de punho direito 178 ± 8,52, esquerdo 196 ± 7,42;
abdução de punho direito 300 ± 10,48, esquerdo 260 ± 5,16; prono direito 528 ± 4,
esquerdo 540 ± 0; supino direito 520 ± 8,16, esquerdo 538 ± 0,81.
Na perimetria as medições foram realizadas 7, 14 e 21cm acima e abaixo do
cúbito de ambos os lados, com as pacientes em decúbito dorsal. Os valores para
média e desvio padrão foram do lado esquerdo abaixo 7 cm: 26 ± 1,67, 14 cm: 22 ±
2,67, 21 cm: 16,85 ± 2,70; acima 7 cm: 28,57 ± 3,35, 14 cm: 31,14 ± 3,71, 21 cm:
34,85 ± 4,14; do lado direito abaixo 7 cm: 18,14 ± 2,19, 14 cm: 24,57 ± 3,69, 21 cm:
28,57 ± 3,35; acima 7 cm: 31,57 ± 4,23, 14 cm: 34,14 ± 3,07, 21 cm: 36,71 ± 2,75.
Já na prova de função muscular, notamos que das 7 pacientes avaliadas, 4
não apresentaram nenhuma diminuição da força; as outras 3, apresentaram
diminuição leve do lado mastectomizado. Das três que apresentaram diminuição,
apenas uma tem linfedema, ou seja, mostrou que a presença de linfedema pode ser
que não interfira na força muscular. Já em questão do tipo de cirurgia, dessas três
pacientes, duas fizeram mastectomia radical e uma quadrantectomia, sendo assim, o
tipo de cirurgia talvez não seja um fator determinante para a diminuição.
DISCUSSÃO
Para Calas, Dutra e Koch (2007) o câncer de mama é uma das causas mais
importantes de mortalidade entre as mulheres.
A cada dia mais cresce a preocupação sobre esse assunto, pois a sua
incidência e taxa de mortalidade são muito altas e as alterações psicossomáticas
trazem danos à paciente (Aires, et al.,1999).
3/5
III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO
UNISALESIANO
Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de
pesquisadores
Lins, 17 – 21 de outubro de 2011
É considerado um tumor de bom prognóstico quando é descoberto e tratado
precocemente. (Fonsechi-Carvasan, Gurgel, Marchi; 2006).
Tem como fatores de risco idade maior de 40 anos, que nunca tiveram filhos,
com menopausa tardia, menarca precoce, histórico familiar. (BIAZÚS, et al, 2001)
No estudo realizado, foram utilizadas pacientes mastectomizadas, com faixa
etária de 48 à 81 anos, com tempo de cirurgia de 2 à 25 anos.
Para Camargo, Marx (2000) o objetivo da fisioterapia vai ser de prevenir a
incapacidade e limitação funcional do membro superior homolateral a cirurgia, do
linfedema, de retrações e aderências cicatriciais.
O linfedema é uma das complicações mais temidas entre as mulheres. Ele
acontece pela redução na capacidade do sistema linfático de drenar líquido do
interstício para o sangue, causando alterações no tecido cutâneo e subcutâneo.
(JAMMAL, MACHADO, RODRIGUES, 2008).
Jammal, Machado, Rodrigues (2008) afirmam que ele traz desconforto, dor e
dificuldade funcional, atrasando na implementação do tratamento.
No presente estudo das 7 mulheres avaliadas, 4 apresentaram presença de
linfedema no membro superior homolateral à cirurgia.
Diante disso, o objetivo deste estudo foi avaliar o membro superior de
mulheres mastectomizadas, comparando força, amplitude de movimento e
circunferência do membro superior homolateral à cirurgia.
Guirro; Guirro (2004), afirmam que há uma redução da força ativa do membro
superior envolvido, após a cirurgia, devido à remoção do músculo peitoral maior.
A força da garra geralmente é diminuída devido ao linfedema e rigidez
secundária dos dedos. (GUIRRO; GUIRRO, 2004).
Monteiro (2007) ressalta que após a cirurgia os músculos elevadores da
escápula, redondo maior, redondo menor e infra-espinhoso podem estar sensíveis à
palpação, restringindo a movimentação ativa do ombro.
Em nosso estudo, foi notado que durante a goniometria quase todos os
movimentos apresentaram diminuição. Já na perimetria, todo o membro ipsilateral à
cirurgia apresentou diferença ao lado oposto. Na prova de função muscular, foi
constatado que o linfedema e o tipo de cirurgia talvez não afetem na força muscular
apresentada.
No entanto, acaba contrastando com a teoria de alguns autores, não sendo
possível no presente estudo, correlacionar a presença de linfedema com as
possíveis limitações nestas pacientes.
REFERÊNCIAS
AIRES, N. M. et al. Conhecimento dos Métodos para Diagnóstico do Câncer de
Mama entre Estudantes de Medicina. Revista Brasileira de Ginecologia e
Obstetrícia. Rio de janeiro, v. 21, n. 5, p. 133 – 137, 1999.
BIÁZUS, J.V; et al. Patologia Benigna da Mama. In: FREITAS, F; MENKE, C.H;
PASSOS, E.P; RIVOIRE, W. Rotinas em Ginecologia. 5. Ed. Porto Alegre: Artmed
Editora Ltda, 2001.
4/5
III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO
UNISALESIANO
Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de
pesquisadores
Lins, 17 – 21 de outubro de 2011
CALAS, M. J. G; DUTRA, M. V. P.; KOCH, H. A. Ultra-sonografia mamária: avaliação
dos critérios ecográficos na diferenciação das lesões mamárias. Radiologia
Brasileira. São Paulo, v. 40, n. 1, p. 1 – 7, Jan/ Fev. 2007.
CAMARGO, M. C.; MARX, A. G. Reabilitação Física no Câncer de Mama. São
Paulo: Roca, 2000.
FARIA, L. As práticas do cuidar na oncologia: a experiência da fisioterapia em
pacientes com câncer de mama. História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Rio de
Janeiro, v. 17, supl. 1, p. 69 – 87, Jul. 2010
FONSECHI - CARVASAN, G. A. F.; GURGEL, M. S. C.; MARCHI, A. A.
Rastreamento mamográfico do câncer de mama em serviços de saúde públicos e
privados. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetricia. Rio de Janeiro, v. 28, n.
4, p. 214 – 219, 2006.
GRANJA, C. F. O impacto Físico – Funcional do Câncer de Mama em Mulheres
Submetidas a Tratamento Cirúrgico: uma abordagem fisioterapêutica. 2004.
Monografia (graduação em Fisioterapia). Universidade Estadual do Oeste do
Paraná, Cascavel.
GUIRRO, E.;GUIRRO, R. Fisioterapia Dermato-Funcional fundamentos,
recursos e patologias. 3 ed. rev. e ampliada. Barueri, São Paulo: Manole, 2004.
HISLOP, H. J.; MONTGOMERY,J. Daniels e Worthingham - Provas de função
muscular: técnicas de exame manual. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008
JAMMAL, M. P.; MACHADO, A. R. M.; RODRIGUES, L. R. Fisioterapia na
Reabilitação em Mulheres Operadas por Câncer de Mama. O Mundo da Saúde.
São Paulo, v 32, n.4, p. 506-510, 3.Abr.2008.
KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios Terapêuticos. Barueri, São Paulo: Manole,
2005.
MONTEIRO, S. E. Fisioterapia no Pós-operatório de Câncer de Mama. In:
BARACHO, E. Fisioterapia Aplicada à Obstetrícia, Uroginecologica e Aspectos
de Mastologia. 4 ed. rev. E ampliada. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2007.
5/5
Download
Random flashcards
modelos atômicos

4 Cartões gabyagdasilva

Anamnese

2 Cartões oauth2_google_3d715a2d-c2e6-4bfb-b64e-c9a45261b2b4

A Jornada do Herói

6 Cartões filipe.donner

paulo

2 Cartões oauth2_google_ddd7feab-6dd5-47da-9583-cdda567b48b3

Estudo Duda✨

5 Cartões oauth2_google_f1dd3b00-71ac-4806-b90b-c8cd7d861ecc

Criar flashcards