Apostila-do-Socorrista-Est-cio-de-S- - WEJ

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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
Curso: Fisioterapia
Disciplina: Socorros e Urgências
Prof: André Luís Montillo
SUMÁRIO
MANUAL DE PRIMEIROS SOCORROS
OS DEZ MANDAMENTOS DO SOCORRISTA
1- Primeiros Socorros
2- Entrevista
3- Sinais Vitais : Ver / Ouvir / Sentir
3.1 Pulso
3.2 Respiração
3.3 Pressão Arterial
3.4 Temperatura Corporal
3.5 Nível de Consciência
3.6 Dilatação das Pupilas
3.7 Cor da Pele
4- Exame da Cabeça-aos-pés
TRANSPORTE DE ACIDENTADO
Conceito:
Indicações:
Cuidados:
Tipos de Transporte:
SISTEMATIZAÇÃO DO POLITRAUMATIZADO:
O ABC da Vida
Abordagem e Tratamento das Vias Aéreas
Trauma Torácico
Trauma Abdominal
Traumatismo Crâneo Encefálico - TCE
Traumatismo Raquimedular – TRM
ESTADO DE CHOQUE
Conceito:
Causas:
Sinais e Sintomas:
Atendimento:
HEMORRAGIA
Classificação:
Atendimento:
RESGATE DO POLITRAUMATIZADO
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PARADA CÁRDIO RESPIRATÓRIA (PCR)
Conceito:
Sinais de uma Parada Cardio-respiratória (PCR):
Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP):
Atendimento:
Outros Métodos de Respiração Artificial:
Método Holger-Nielsen
Método Sylvester
FRATURAS
Conceito:
Classificação:
Sinais e Sintomas:
Atendimento:
FERIMENTOS
Conceito:
Atendimento:
QUEIMADURAS
Conceito:
Gravidade:
Causas:
Classificação das queimaduras:
Atendimento:
DESMAIO
Conceito:
Causas:
Sinais e Sintomas:
Atendimento:
CONVULSÕES
Conceito:
Causas:
Sinais e Sintomas:
Atendimento:
AFOGAMENTO
Conceito:
Sinais e Sintomas:
Atendimento:
ENGASGAMENTO
Sinais de Engasgamento:
Atendimento:
TRAUMA NA CRIANÇA
TRAUMA NA GRAVIDEZ
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MANUAL DE PRIMEIROS SOCORROS
Os Primeiros Socorros constituem-se no primeiro atendimento prestado à vítima em situações de acidentes ou
mal-súbito, por um socorrista, no local do acidente.
Lembre-se, a função do socorrista é:
 Manter a vítima viva até a chegada do socorro
 Evitar causar o chamado 2º trauma, isto é, não ocasionar outras lesões ou agravar as já existentes.
Os primeiros minutos que se sucedem a todo acidente, principalmente nos casos mais graves, são
importantíssimos para a garantia de vida da vítima, principalmente se forem bem aproveitados pelo
Socorrista.
As chances de sobrevivência diminuem drasticamente para as vítimas de trauma que não recebem cuidados
médicos especiais dentro de uma hora após o acidente.
Se o acidentado tiver a sorte de ter um Socorrista por perto, que possa prestar-lhe os Primeiros Socorros,
aumentam as suas chances de recuperação.
Da parte de quem presta o auxílio, há uma verdadeira corrida contra o tempo, onde os seus conhecimentos
técnicos (de primeiros socorros) têm de ser praticados com Rapidez e Eficiência.
O autocontrole é fundamental porque, sem ele, atitudes irresponsáveis podem por em risco a vida do paciente
e a sua própria.
OS DEZ MANDAMENTOS DO SOCORRISTA
1. Mantenha a calma.
2. Tenha em mente a seguinte ordem de segurança quando você estiver prestando socorro:

Você é a prioridade (o socorrista). Utilize luvas descartáveis para evitar contato direto com sangue ou
outras secreções.

Depois a sua equipe (incluindo os transeuntes).

E por último e nem menos importante, a vítima.
Isso parece ser contraditório a primeira vista, mas tem o intuito básico de não gerar novas vítimas.
3. Ao prestar socorro, é fundamental ligar ao atendimento pré-hospital de imediato ao chegar no local do
acidente. Podemos por exemplo discar 3 números: 193 (número do corpo de bombeiros).
4. Sempre verifique se há riscos no local, para você e sua equipe, antes de agir no acidente.
5. Mantenha sempre o bom senso.
6. Mantenha o espírito de liderança, pedindo ajuda e afastando os curiosos.
7. Distribua tarefas, assim os transeuntes que poderiam atrapalhar lhe ajudarão e se sentirão mais úteis.
8. Evite manobras intempestivas (realizadas de forma imprudente, com pressa).
9. Em caso de múltiplas vítimas dê preferência àquelas que correm maior risco de vida como, por exemplo,
vítimas em parada cárdio-respiratória ou que estejam sangrando muito.
10. Seja socorrista e não herói (lembre-se do 2o mandamento).
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1 - Primeiros Socorros:
É importante que se conheçam os mecanismos da injúria. Certas lesões são "comuns" a certos tipos de
acidentes: fraturas são associadas a quedas e colisões; queimaduras são freqüentes em incêndios e explosões;
perfurações dos tecidos moles do corpo, costumam ser provocadas por ferimentos à bala; e assim por diante.
Assim, as lesões decorrem, em geral, de colisão de veículos, quedas, incêndios, explosões, assaltos
(coronhadas, navalhadas, tiros, etc.), afogamentos e acidentes de barco, arma de fogo, envenenamentos,
acidentes com máquinas, eletricidade (inclusive raios), picadas e mordidas de animais, e outras causas.
Acontece que, muitas vezes, o acidente ocorre quando a vítima está sozinha e, chegando auxílio, o Socorrista
depara-se com aquela pessoa inconsciente e não sabe, de imediato, a causa da lesão e / ou da gravidade da
mesma.
Roteiro de Prioridades no atendimento (Chamado de ABC da Vida): SISTEMATIZAÇÃO
A- Abertura das vias aéreas com controle cervical
B- Boa ventilação
C- Circulação / Controle das hemorragias
D- Distúrbios Neurológicos
E- Exposição completa da Vítima e controle térmico.
* Toda vítima de trauma possui lesão cervical até provar o contrário!
* O Estado de uma vítima é inversamente proporcional ao número de informações obtidas pelo Socorrista.
* Não se administra nada via oral para vítimas inconscientes!
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Na prestação dos Primeiros Socorros, convém Observar:
1 - Local: seguro ou perigoso? perto ou longe do Posto Médico ou Hospital? há necessidade e meios de
remover dali o acidentado?
2 - Acidentado: está consciente? e tentando dizer-lhe algo ou apontando para alguma parte do seu (dele)
corpo? está sozinho? (se há vários corpos, pode-se suspeitar, por exemplo, de envenenamento por Monóxido
de Carbono).
3 - Curiosos: escute o que dizem. Peça ajuda. Afaste os que estiverem só atrapalhando.
4 - Agente causador: caiu algo sobre o paciente? há fumaça? está próximo de um trator tombado?
5 - Ferimentos: o acidentado está caido numa posição anormal (com o braço torto, por ex.)? há sangue?
6 - Sintomas: o Socorrista deve apurar os seus sentidos, de modo a poder ver, ouvir e cheirar, à procura de
sintomas. O vômito, por exemplo, é indicativo de algumas lesões específicas; urinar sangue é sinal de fratura
de bacia; etc. Observar se o acidentado apresenta sintomas como: náusea, sede, fraqueza, inquietação, medo,
etc. Esses sintomas serão muito úteis ao serem passados, posteriormente, ao Médico que atender o
acidentado.
Verificar:
Pele: fria, viscosa, quente
Olhos: embaçados, pupilas dilatadas
Face: pálida, rubra
Lábios: azuis, descolorados
Pulso: rápido, fraco
Respiração: ofegante, quase inexistente, outras.
Quanto ao nível de consciência da Vítima, devemos verificar:
A = alerta (acordado)
F = fala
D = dor
I = inconsciente (não responde)
2 - Entrevista:
Se no local do acidente, estiverem outras pessoas (além do acidentado e do Socorrista), é importante que se
obtenha(m) dela(s) as informações e a ajuda de que necessita, para o melhor atendimento da vítima.
As informações a serem obtidas pelo Socorrista nesta "entrevista" rápida, podem estar relacionadas a:
 causas e hora do acidente
 conhecimento ou parentesco da vítima
 indicação de antídodos e endereços úteis
 idade, hábitos, doenças e remédios usados pelo acidentado
 conhecimento prévio de Primeiros Socorros
3 - Sinais Vitais: Ver / Ouvir / Sentir
Respiração: Geralmente usa-se o dorso da mão para senti-la.
Pulso: No Carotídeo ou Radial (adultos e crianças).
PA: Precisa-se de instrumental específico.
Temperatura: Precisa-se de instrumental específico.
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Sinais vitais são indicativos do funcionamento normal do organismo e diz respeito a:
3.1 - Pulso
3.2 - Respiração
3.3 - Pressão arterial
3.4 - Temperatura corporal
3.5 - Nível de consciência
3.6 - Dilatação das pupilas
3.7 - Cor da pele.
3.1 - Pulso:
O que se chama comumente de "pulso" está associado às pulsações ou às batidas do coração, impulsionando
o sangue pelas artérias, e que podem ser sentidas ao posicionarmos as pontas dos dedos em locais estratégicos
do corpo. As pulsações devem ser contadas durante 60 segundos, para se determinar o número de batidas por
minuto. Ou, como mostra o texto da figura acima, contam-se os batimentos durante 15 segundos e multiplicase por 4.
A interpretação deste resultado, nos adultos, é mostrada na tabela a seguir:
BATIMENTOS CARDÍACOS EM ADULTOS (Bat. /min)
NÚMERO
INTERPRETAÇÃO
60 a 80
Normal
< 60
Lento (bradicardia)
>= 100
Rápido (taquicardia)
100 - 150
Emergência (acidentado)
> 150
Procurar Médico rápido
Como regra geral, sempre que os batimentos cardíacos forem menores que 50 ou maiores que 120 por
minuto, algo seriamente errado está acontecendo com o paciente.
É possível que haja a necessidade de se proceder à massagem cárdio- respiratória e à respiração boca-a-boca.
3.2 – Respiração:
A respiração, na prática, é o conjunto de 2 movimentos normais dos pulmões e músculos do peito:
1 - inspiração (entrada de ar pela boca/nariz); e
2 - expiração (saída de ar, pelas mesmas vias respiratórias).
Nota-se a respiração pelo arfar (movimento de sobe e desce do peito) ritmado do indivíduo.
A respiração normal e alterada, é mostrada na tabela abaixo:
RESPIRAÇÃO EM ADULTOS (No./min)
NÚMERO
INTERPRETAÇÃO
12 -20
Normal
<10 >28
Séria emergência
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3.3 - Pressão Arterial:
A pressão arterial é a força com que o coração bombeia o sangue para as artérias. É medida por meio do
Aparelho de Pressão (almofada inflável, com manômetro, em volta do braço), em unidades de milímetros de
mercúrio.
A pressão arterial é dada por 2 números: 12 por 8 é a normal (ou 120 mmHg máxima ou sistólica e 80 mmHg
mínima ou diastólica ).
Problemas muito sérios podem acontecer se a pressão atinge os valores da tabela abaixo:
PRESSÃO ARTERIAL ANORMAL (mmHg)
MÁXIMA
MÍNIMA
> 180
> 104
< 90
< 60
3.4 – Temperatura Corporal:
A temperatura corporal é medida em termômetros (de mercúrio ou digitais) colocados, durante alguns
minutos, com a extremidade que contem o bulbo (no primeiro caso) nas axilas ou na boca do paciente.
A temperatura corporal normal é 36,8º C. A partir de 37,8º C já se configura a febre.
A Hipertermia pode agravar na suspeita de TCE, porque aumenta o metabolismo e a PCO2 determinando
aumento da Pressão Intracraneana.
A Hipotermia, alerta para o choque hipovolêmico e conseqüentemente suspeitar de sangramento interno ou
externo.
3.5 – Nível de Consciência:
Alguns traumas provocados por acidentes, podem alterar o nível de consciência do indivíduo.
A verificação desse nível pode ser checada do seguinte modo:
A = Alerta. Se o acidentado estiver alerta (ou acordado), provavelmente não deve ter sido alterado o seu nível
de consciência.
F = Fala. Deve-se procurar fazer perguntas ao acidentado, neste caso, para saber se sua fala foi afetada e qual
o seu nível de consciência.
D = Dor. Um terceiro estágio do nível de consciência, ainda mais grave, é quando o acidentado não fala, mas
geme de dor.
N = Não fala. Este é o caso extremo ou o mais perigoso. Possivelmente o paciente está desacordado
(desmaiado) ou em estado de coma.
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3.6 – Dilatação das Pupilas:
A dilatação das pupilas (ou da menina dos olhos) é uma reação normal do organismo à diminuição da luz
incidente no globo ocular. Quando a intensidade luminosa aumenta, ela secontrai.
Alterações nesse mecanismo são provocadas por certas lesões, como por exemplo, as do crânio.
O Socorrista deve observar, inicialmente, se os diâmetros ou as aberturas das pupilas são iguais nos dois
olhos. Em seguida, com uma lanterninha, verificar se elas se contraem com a incidência do foco.
3.7 – Cor da Pele:
Alterações na cor da pele, normalmente rosada nas pessoas de cor branca, podem ser usadas para diagnosticar
certos tipos de acidentes. Senão vejamos:
a)Cor Vermelha: pressão alta, ataque cardíaco, álcool, queimaduras, sol excessivo, doença infecciosa, etc.
b)Cor Branca: choque, ataque cardíaco, anemia, distúrbios emocionais, desmaio, etc.
c)Cor Azul: asfixia (sufocação), hipóxia (falta de oxigênio), dispnéia, ataque cardíaco, envenenamento, etc.
d)Cor Amarela: doença do fígado.
e)Cor Preta e Azul: derramamento de sangue abaixo da superfície da pele.
4 – Exame da Cabeça-aos-Pés:
Uma vez verificados os sinais vitais, o Socorrista deve proceder a um exame minucioso do acidentado,
literalmente da cabeça aos pés. Neste exame:
4.1 - OLHE: para possíveis descolorações da pele, deformidades, penetrações, ferimentos, aberturas no
pescoço e qualquer movimento anormal do tórax.
4.2 - OUÇA: mudanças no ritmo da respiração, sons estranhos ao respirar e ruídos de ossos quebrados.
4.3 - CHEIRE: odores estranhos vindos do corpo do paciente, hálito e roupas.
4.4 - SINTA: as deformações, flacidez, pulsações, endurecimentos ou maciez anormais, espasmos e
temperatura da pele.
Alterações:
Vários são os tipos de ferimentos com os quais você poderá se deparar num acidente ou situação de
emergência. Sabendo dos passos a serem seguidos (avaliação da vítima) será mais fácil prestar um adequado
socorro e evitar complicações ou pioras do quadro.
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Transporte do Acidentado:
Conceito:
Remoção da vítima de um local perigoso para um seguro e deve ser feito por pessoas treinadas e em algumas
situações com equipamentos especiais.
Indicações:
Vítimas inconscientes.
Vítimas com queimaduras grandes.
Hemorrágicos.
Envenenados.
Chocados.
Vítimas sob suspeita de fraturas, luxações e entorses.
Cuidados:
Tem que verificar o que é mais grave no momento.
Observar os sinais vitais.
Controlar hemorragia.
Imobilizar (se houver suspeita de fratura).
Evitar ou controlar estado de choque.
Manter o corpo da vítima em linha reta.
Cada parte do corpo deve ser apoiada.
Em caso de suspeita de envenenamento, não deixar a vítima andar.
Tipos de Transporte:
De apoio:
Auxiliar na locomoção, pode ser com um ou dois socorristas. Para longas distâncias. Indicado para casos de
luxações, entorses, fraturas de membros inferiores (sem hemorragia). Não é indicado para envenenados.
Lua-de-mel:
Faz-se carregando a vítima, como noivos. Para longas distâncias. Indicado para transporte de pessoas
inconscientes sem suspeita de lesão da coluna.
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Pegada pelas extremidades:
É o transporte utilizado com dois socorristas.
O socorrista que apoiará o tórax da vítima passa os seus braços por baixo da mesma e cruza-o sobre o peito da
vítima. As costas da vítima devem estar em contato com o peito do socorrista. O outro socorrista irá ajoelharse, colocar as pernas da vítima sobre as suas, abraçar as pernas da vítima e se levantar.
De arrasto:
Para curtas distâncias. Há várias formas de transporte de arrasto como usando lençol ou pelos braços.
Indicado para vítimas com suspeita de lesão na coluna. Deve-se manter a cabeça da vítima imóvel durante o
transporte.
De cadeira:
Faz-se com a vítima sentada na cadeira. Deve ser realizado por duas pessoas. Retirada de vítimas de locais
onde seja inviável o transporte de arrasto, dentre outros.
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Em bloco:
Utilizado por três ou quatro socorristas. A vítima é transportada em bloco evitando ao máximo movimento na
coluna. Os socorristas devem estar atentos ao caminhar para não tropeçarem um no outro. A direção do
transporte é na dos pés da vítima.
Pegada Larga:
Os socorristas seguram os antebraços um do outro
A vítima cai sobre os braços dos socorristas
Os braços da vítima deverão passar por trás do pescoço dos socorristas.
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Transporte de vítimas em maca:
Deve ser utilizado em situações nas quais a vítima precisará ser deslocada para um local mais seguro ou em
locais sem possibilidade de chegada de socorro adequado. Deve-se disponibilizar quatro ou mais socorristas.
Pode ser utilizada uma maca de madeira ou de material de estrutura similar, ou pode-se ainda improvisar uma
maca a partir de outros materiais. Pode-se, por exemplo, retirar a porta de um cômodo e utilizá-lo para
transportar a vítima ou pode-se utilizar lençóis e/ou casacos e com cabos de madeira improvisar uma maca. O
mais importante é compreender que a maca objetiva promover o transporte da vítima em uma superfície
estável, a qual apoie todo seu corpo e possibilite o transporte da mesma em um mesmo plano.
É importante que antes de se realizar o transporte da vítima em maca, um dos socorristas teste a maca, a fim
de se checar se a mesma conseguirá suportar o peso da vítima.
Atenção especial para vítimas inconscientes: elas devem ser fixadas à maca para evitar, que durante o
transporte, elas caiam e agravem as lesões.
Após acomodar a vítima na maca, os socorristas devem andar de maneira conjunta, arrumando o passo, para
impedir que um deles ande com o passo mais rápido ou mais lento e dificulte o transporte.
Quando o terreno for plano, conduzir a vítima com os pés para diante, preservando a cabeça de possíveis
choques.
Quando o terreno for íngreme, a maca deve ser mantida de preferência em posição horizontal, a menos que o
socorrista não tenha condições físicas de fazê-lo.
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Sistematização no Politraumatizado: Atendimento no Trauma.
Princípio Básico:
Agir rapidamente nas condições que colocam a Vida em Risco.
Trauma: Se Baseia no Tripé dos 3 “R”.
 Reconhecer as Lesões
 Reanimar
 Reparar
Norma de Conduta nos Politraumatizados:




Avaliação Primária
Reanimação
Avaliação Secundária
Cuidados Definitivos
ABORDAGEM SISTEMÁTICA
O 1º Socorrista que avalia o Traumatizado tem em suas mãos a possibilidade de modificar o resultado final,
isto faz a diferença entre a Vida e a Morte.
Avaliação Primária: RECONHECER AS LESÕES.
ABCDE-

Nesta fase determina-se a presença de condições que ameaçam a Vida e inicia-se seu
tratamento Simultaneamente

Deve ser completada em 20 a 30 Segundos.

Ordem de Prioridade: ABC da VIDA
Abordagem das Vias Aéreas e Controle da Coluna Cervical
Boa Ventilação
Circulação Garantida com Controle das Hemorragias
Déficit Neurológico
Exposição Total do Paciente
As Prioridades NÃO significam atendimento por ETAPAS
Devem ser avaliadas SIMULTÂNEAMENTE na dependência da Gravidade de cada um dos itens.
Se Identificar qualquer alteração em uma Função Vital, deverá ser realizada, Imediatamente, a Medida de
REANIMAÇÃO para posteriormente RESTAURAR esta Função.
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Avaliação Secundária:
 Coluna Cervical e Crânio
 Traumatismo Maxilo-facial: Sem alterações nas Vias Aéreas é avaliado depois do paciente
estabilizado e fora de Risco Iminente de Morte
 Tórax: Inspeção, Palpação, Percussão e Ausculta Pulmonar e Cardíaca.
 Abdomem: Escoriação e Ferimentos: Suspeitar de lesão interna.Neste caso NÂO é importante a
definição diagnóstica e SIM se uma Intervenção Cirúrgica se faz Necessária. Tenta-se identificar o
Hemoperitôneo: Sangue na cavidade abdominal por lesões de vísceras internas: Abdomem Agudo:
Cirurgia Imediata.
Sinais Clínicos:
o Dor
o Distensão Abdominal
o Macices Móvel
 Reto: Toque Retal
o Presença de Sangue
o Presença de Fraturas Pélvicas: Fraturas Expostas Ocultas
o Integridade da Parede do Reto
o Tônus Insfecteriano
o Creptação
o Posição Alta da Próstata: Sangue na Cavidade Pélvica
 Extremidades
o Inspeção e Palpação: Cianose e Deformidades
o Pulsos Periféricos
 Exame Neurológico:
o Pupilas
o Pares Cranianos
o Nível de Consciência
o Escala de Glasgow (0 / 15)
 Hipotermia: Deve-se evitar.
o Sala com Temperatura Agradável
o Fluidos EV Aquecidos
o Cobertores
 Sonda Nasogástrica: Contra indicada na suspeita de lesão na base do Crânio: Otorragia, rinorragia,
equimose nas mastóides (Sinal de Battle) e equimose periorbitária (Sinal de Guaxinim).
 Sonda Vesical: Contra indicada na suspeita de lesão da uretra: Para controle da Diurese.
 MonitorizaçãoContínua:
o Monitorização Cardíaca
o Gasometria Arterial
o Oxímetro de Pulso
 Reavaliação Constante
o Pressão Arterial
o Pulso
o Enchimento Capilar
o Débito Urinário
Cuidados Definitivos:
Paciente Estabilizado e Completamente Avaliado: CTI / CC / Unidade Específica
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Abordagem e Tratamento das Vias Aéreas:
O que mais rapidamente leva o Politraumatizado ao Óbito é a Impossibilidade de Suprir o Cérebro e outras
estruturas Vitais de Sangue Oxigenado.
EVITAR A HIPOXEMIA:
Administrar em TODOS Politrauatizados OXIGÊNIO SUPLEMENTAR.
Avaliação Primária:
A- Avaliação das Vias Aéreas e Controle da Coluna Cervical
 Proteção das Vias Aéreas
 Desobstrução das Vias Aéreas
B- Boa Ventilação
Atenção: O Politraumatizado apresenta uma multiplicidade de sinais e sintomas que chamam mais a atenção
mascarando sinais óbvios de comprometimento das Vias Aéreas Superiores e Inferiores, podendo evoluir para
resultados catastróficos.
Evidências de Problemas nas Vias Aéreas: Comprometimento:




Súbito e Completo
Insidioso e Parcial
Progressivo
Recorrente
Sinais de Alerta:
 Taquipnéia: Dor e Ansiedade. Mas também indício inicial de Vias Aéreas comprometidas.
 Alteração no Nível de Consciência:
o Agitado ou Inconsciente com TCE
o Torporoso por Alcolismo ou Drogas
Estas Situações principalmente quando associado a trauma torácico esta indicado a
Intubação Traqueal:
 Oferecer Via Aérea Definitiva
 Permitir Oxigênio Suplementar
 Estabelecer e Manter a Ventilação Adequada
 Impedir a Broncoaspiração
o Recusar a Ficar Deitado ou Comportamento Agressivo
o Traumatismo no Pescoço: Hemorragias de partes moles ou lesão de laringe ou traquéia.
Atenção: Deve-se Manter a Oxigenação para Impedir a HIPERCARBIA
AGITAÇÃO
TORPOR
HIPOXEMIA
HIPERCARBIA
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 Trauma Facial: Ação mais enérgica com as Vias Aéreas: Fraturas Faciais: Hemorragias, secreções e
avulsão dentária determinam problemas adicionais com as Vias Aéreas e até mesmo perda do suporte
muscular do assoalho da boca determinando a queda da língua e obstrução da orofaringe.
 Resposta Verbal: Avalia Vias Aéreas e Oxigenação Cerebral: Pergunta-se Nome e Idade.
 Grandes Queimados: Complicam Rapidamente as Vias Aéreas por inalação de Gases Aquecidos.
 Trauma Acima da Clavícula: Trauma Cervical e Lesão do Conjunto Laringo-Traqueal.
 Exame da Região Cervical: Desvio da Traquéia, deformidades, hematomas em expansão, rupturas
laringo-traqueais.
Atenção: Turgência da Jugular: PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO.
 Cianose ou Tiragem Intercostal: Evidências do Comprometimento das Vias Aéreas ou Ventilação.
 Respiração Ruidosa: ESCUTE: Obstrução Parcial da Faringe ou Laringe.
 Vômitos: Possibilidade de Obstruir as Vias Aéreas. Na Suspeita Deita-se o Paciente Por Inteiro em
Decúbito Lateral e Aspira-se. NÃO GIRE A CABEÇA NUNCA.
Atenção: Antes de Ventilar com Ambú-máscara é importante avaliar o potencial da Orofaringe e Aspirar se
necessário. Se Aspirar um paciente Intubado NÃO Esqueça que ELE Precisa RESPIRAR.
Evidencias de Problemas na Ventilação:
1º Passo: Manter a Potencia das Vias Aéreas.
2º Passo: Avaliar a Condição VENTILATÓRIA do Paciente.
Atenção: Se as Vias Aéreas estão pérvias e sob controle mas o paciente ainda Não VENTILA BEM deve-se
identificar as Causas Complicantes Associadas:
 Traumatismo Torácico: Pode Conduzir a HIPOXEMIA.
o Dor: Fraturas de Costelas
o Assimetria Torácica: Fraturas de Costelas Prejudicando a Mecânica Ventilatória.
o Ausculta Anormal: Lesão Torácica Importante:
 Pneumotórax Hipertensivo
 Pneumotórax Aberto
 Hemotórax Maciço
 Tórax Flácido com Contusão Pulmonar Subjacente.
 Lesões Neurológicas: TCE e TRM Cervical comprometendo o Padrão Ventilatório Conduzindo a
HIPOXEMIA.
 Grandes Queimados: Explosões ou Incêndios.
o Vias Aéreas Aquecidas: Inalação de Gases Quentes
o Intoxicação por Monóxido de Carbono
o Lesão Torácica: Pela Explosão.
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Sistematização do Atendimento Inicial nas Vias Aéreas: METODIZAÇÃO




Desobstrução das Vias Aéreas
Intubação
Indicação de Via Aéreas Cirúrgicas
Suporte Ventilatório
Seqüência:
 Retirar o Capacete: Somente se Tiver certeza que não Haja Lesão que seja comprometida com a Retirada
do Capacete e se Realmente Houver Necessidade.
Sempre é Feita com Auxilio de Outra Pessoa: Um Estabiliza a Cabeça e o Pescoço e o Outro retira o capacete
tracionando no Sentido Craneal pela abas laterais do capacete.
 Resposta Verbal
 Aspirar e Remover os resíduos da Orofaringe: Remoção Manual ou com Aspirador de Ponta Rígida.
 Avaliar a Obstrução por Partes Moles: Queda da Língua.
NUNCA COM HIPEREXTENÇÃO DA CABEÇA.
 Elevação do Mento: Eleva-se a Mandíbula para Cima e para Frente, Delicadamente.
 Tração da Mandíbula: Tracionar a Mandíbula para Frente através da Preensão dos Ângulos da
Mandíbula uma mão em cada Lado.
Outros Recursos para Liberar as Vias Aéreas:



Cânula Orofaringe (Guedel): Eleva a Língua e libera a Orofaringe.Com o abaixador de língua colocase com a concavidade voltada para baixo, atrás da língua ou introduz-se invertida e posteriormente
faz-se a rotação da Cânula ficando com a concavidade para baixo atrás da língua.
Nunca no Paciente Consciente porque pode induzir ao Vômito.
Cânula Nasofaringe: Contra indicada na Suspeita de Lesão na Base do Crâneo.
Manobra de Heimlich (Tosses Artificiais): Paciente Obstruído e em Supino realiza-se Compressão
Rigorosa e Repetidas no Tórax e Abdomem.
 Máscara de Oxigênio ou Cateter Nasal: Mascara Facial com Resrvatório com Fluxo de Oxigeneo 10 a 12
litros/ minuto.
 Oxímetro de Pulso: Verifica-se a eficiência das Vias Aéreas e Ventilação. Auxilia na Indicação, Urgência
e Eficiência da Via Aérea Definitiva e Ventilação. O Aparelho fica prejudicado no Paciente com
Vasoconstricção e Anêmico.
Relação da Saturação de O2 e Pa O2.
Sat.de O2
Pa de O2
50%
27mmHg
60%
30mmHg
90%
60mmHg
95%
70mmHg
100%
90mmHg
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Via Aérea Definitiva:
É a Introdução da Cânula Endotraqueal com Cuff (Balonete), posteriormente insuflado, adaptada a um
Sistema de Ventilação Assistida com Pressão Positiva e Rica em Oxigênio e fixada ao paciente.
 Cânula Orotraqueal
 Cânula Nasotraqueal
 Via Aérea Cirúrgica:
o Cricotiroidotomia
o Traqueostomia
Indicações:
 Apnéia
 Impossibilidade de Manter Vias Aéreas pelos outros Métodos Anteriores
 Necessidade de Proteger contra Broncoaspiração
 Vias Aéreas Comprometidas por Inalação, Fraturas Faciais ou Convulsões Persistentes.
 TCE para Hiperventilação
 Impossibilidade de Manter Boa Saturação de Oxigênio pela Máscara Facial.
Intubação Orotraqueal:
 É Precedida de Ventilação com Ambú-Máscara ou Bolsa-Válvula-Máscara com Oxigênio a 12
Litros/Min, durante 1 Minuto.
 Tira-se o Colar Cervical Mantendo a Cabeça e o Pescoço Alinhados
 Utiliza-se o Laringoscópio para Visualizar a Glote
 Inicia-se a Intubação com a Manobra de Sellick: Pressão da Cartilagem Cricóide que além de facilitar
a introdução do Tubo evita o refluxo gástrico e a broncoaspiração.
 Todo Politraumatizado está de Estômago Cheio
 Introduz-se o Tubo Orotraqueal
Atenção: A Manipulação das Vias Aéreas no Politraumatizado com Suspeita de TCE pode Elevar a Pressão
Intracraneana, nestes casos pode-se Administrar Lidocaina 1,5mg/Kg para induzir uma Vasoconstricção
Cerebral e Controlar a Taquicardia do Estímulo Adrenérgico.
Cuidados:
o Intubação Gástrica
o Intubação Seletiva
o Cada Tentativa de Intubar o Paciente deve ser precedida da Ventilação com o Ambú-Máscara: No
Tempo da Própria Apnéia.
Intubação NasoTraqueal:
o Muito Indicado na Lesão da Coluna Cervical
Contra Indicação:
o Apnéia
o Suspeita de Fratura na Base do Crânio: Otorragia, rinorragia e hematoma Periorbitário: Fratura da
Lâmina Cricóide.
o Tempo Prolongado de Intubação: Pode causar Septicemia pela Sinusite.
Atenção: Mais de 3 Tentativas de Intubação sem Sucesso é Indicado a Via Cirúrgica
19
Via Aérea Cirúrgica:
Indicações:
o Edema de Glote
o Fratura da Laringe
o Grave Hemorragia na Orofaringe
o Quando a Intubação Endotraqueal Não é Factível
Tipos:
o Cricotiroidotomia: É a Mais Indicada. Pode-se fazer a Punção da membrana cricotiroidea (cricóide)
porém por Curto Tempo, apenas o necessário para preparar o material para a Cricotiroidotomia:
Utiliza-se Jelco 12 ou 14 no Adulto e 16 ou 18 na Criança. Esta Punção é por no Máximo 30 a 40
Minutos. No Jelco é introduzido Oxigênio a 15 Litros/Min.No Caso da Obstrução Total da Glote o
Oxigênio deve ser de 5 a 7 Litros/Min. Pelo o Risco de Barotrauma
 Contra Indicação:
 Crianças Menores de 12 anos
 Separação Laringo Traqueal: Contusão Grave no Pescoço ou Degolado.
o Traqueostomia: É Complexa e Demorada.
Atenção: Paciente Mantido Intubado com Oxigenação com Pressão Positiva pode evoluir com Barotrauma
por isso é necessário uma Reavaliação Permanente.
Abordagem da Ventilação:
1º Passo: Vias Aéreas Pérvias e Imobilização da Coluna Cervical
2º Passo: Boa Ventilação
Trauma Torácico:
Generalidades:
 25% dos Politraumatizados apresentam Trauma Torácico
 10% Trauma Fechado e 15% a 30% Trauma Aberto: Necessitam de Toracotomia
 Maioria Necessita para Reanimar de Procedimentos Simples
 Diagnóstico Precoce evita o Óbito da Paciente
Resultados do Trauma Torácico:
 Hipóxia
 Hipercabia
 Acidose Respiratória
Hipóxia:
 Hipovolemia
 Disfunção do Mecanismo Ventilação / Perfusão
 Alteração na Pressão Intratorácica
Hipercarbia:
 Hipoventilação
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Acidose Respiratória:
 Ventilação Inadequada
 Alteração na Pressão Intratorácica
 Depressão do SNC (Consciência)
Avaliação do Trauma Torácico:
 Reconhecer a Lesão na Avaliação Primária
 Reanimação das Funções Vitais
 Avaliação Secundária: Reparação: Tratamento Definitivo
Lesões Potencialmente Letais Reconhecidas na Primeira Avaliação:
 Pneumotórax Hipertensivo
 Pneumotórax Aberto
 Hemotórax Maciço
 Respiração Paradoxal: “Fleil Chest”
 Tamponamento Cardíaco
Pneumotórax Hipertensivo:
Diagnóstico Clínico:
 Intensa Dificuldade de Respirar
 Taquicardia
 Hipotensão Arterial
 Desvio da Traquéia
 Auxência dos Murmúrios Adventícios Unilateral
 Turgência da Jugular
 Cionose
Reanimação:
 Punção Torácica: Agulha no 2º Espaço Intercostal na Linha médio-clavicular do Hemitórax
Acometido.
Reparação:
 Drenagem Definitiva: Dreno no 5º Espaço Intertorácico na Linha média axilar anterior e
Subaquático.
Pneumotórax Aberto:
Resultado do Equilíbrio entre a Pressão Intratorácica e a Pressão Atmosférica através de uma ferida Aberta na
Parede Torácica ocorrendo Comunicação entre as 2 Pressões.
Reanimação:
 Tamponamento da Ferida Com Compressa Presa em 3 Pontas.
Reparação:
 Drenagem Torácica e Fechamento da Ferida.
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Hemotórax Maciço:
Quando ocorre acúmulo de mais de 1.500ml de Saugue na Cavidade Torácica.Pode Resultar de Ferida
Penetrante (Mais Freqüente) ou Trauma Fechado
Diagnóstico Clínico:
 Jugular Distendida pelo Aumento da Pressão Intratorácica
 Jugular Colabada pelo Choque Hipovolêmico
 Auxência dos Murmúrios Adventícios no Hemitórax Acometido
 Percussão Maciça
 Choque
Reanimação / Reparação:
 Drenagem Subaquática
 Reposição Volêmica
 Toracotomia: Drenagem de mais de 1.500ml de sangue ou sangramento contínuo: 200ml / hora em
4 horas.
Fleil Chest
Quando um Segmento da Parede Torácica perde a Comunicação Óssea com o Resto da Caixa
Torácica.Ocorre nas Fraturas Múltiplas de Costelas.
Diagnóstico Clínico:
 Respiração Paradoxal
 Contusão Pulmonar
 Restrição da Respiração pela Dor
HIPÓXIA
Reanimação:
 Atenção com a Hidratação: Cuidado com a Hiperhidratação, porque tanto o Choque quanto a
Hiperhidratação são prejudiciais as Funções Pulmonares.
 Oxigênio Úmido e Ventilação
 Analgesia
 Entubação e Vetilação: Avaliação Contínua da Freqüência Respiratória e Gasometria ou Oxímetro
de Pulso.
Tamponamento Cardíaco:
Mais freqüente nos Trauma Perfurantes.
Diagnóstico Clínico: Tríade de Beck
 Elevação da Pressão Venosa: Sinal da Jugular pode ser Prejudicado pelo Choque
 Queda da Pressão Arterial
 Abafamento das Bulhas Cardíacas
Diagnóstico Clínico:
 Pacientes que Não Respondem Bem ao Tratamento Adequado do Choque Hemorrágico
 Sempre Suspeitar: Trauma e Dispnéia relatada pelo Paciente.
22
Reanimação:
 Pericardiocentese:
 Retira-se 15 a 20 ml de Sangue
 Monitorização para Avaliar a Penetração da Agulha no Miocárdio (Alteração no Traçado do
ECG)
Reparar:
 Pericardiocentese Positiva:
 Toracotomia
 Inspeção Cardíaca
Lesões do Trauma Torácico Potencialmente Letais na Avaliação Secundária:
 Contusão Pulmonar
 Contusão do Miacárdio
 Ruptura da Aorta
 Ruptura Diafragmática
 Ruptura Laringo-Traqueal
 Ruptura do Esôfago
Trauma Abdominal:
Palavra Chave: Sempre Suspeitar de Trauma Abdominal no Politraumatizado
 20% dos Politraumatizados com Hemoperitôneo na Avaliação Primária tem o Exame Físico
Abdominal Normal.
 Os Sinais Clínicos Abdominais podem ser Mascarados por Lesões Extra Abdominal, TCE ou TRM.
Abordagem Clínica:
O Importante Não é o Diagnóstico e Sim Identificar a Lesão com Indicação de Loparotomia.
(ABDOMEM AGUDO)
Sinais Clínicos de Irritação Peritoneal: Cirurgia de Emergência – Laparotomia Exploradora
 Dor Abdominal
 Distensão Abdominal
 Macices Móvel
História Clínica:
 Hora do Trauma
 Mecanismo de Lesão: Desaceleração ou Direto
 Fatos Relacionados ao Paciente
 Tipo de Cinto de Segurança.
Abdomem Agudo
Laparotomia Exploradora
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Exame Físico:
 Inspeção
 Palpação
 Percussão
 Exame Retal e Vaginal
 Avaliação das Genitálias Masculinas
Exames Complementares:
 Raio X: Rotina de Abdomem Agudo
 TC
 US
 Lavado Peritoneal
Indicações de Laparotomia:
 Hipotensão Arterial com evidência de Trauma Abdominal
 Sinais Nítidos de Irritação Peritoneal
 Hipotensão Recorrente Mesmo com Tratamento Adequado
 Presença de Ar Extra-luminal
 Hérnia Diafragmática Traumática
 Evidências de Lesões Intra Abdominais na TC
 Trauma Aberto Abdominal: Peritoneal
Trauma Crânio Encefálico: TCE:
 50% de Óbito é por TCE
 A Avaliação Primária e a Reanimação devem Controlar Precocemente a Hipóxia Cerebral e o
Aumento da Pressão Intracraneana.
 Desta forma Prevenimos o Óbito Precoce e Seqüelas Neurológicas Irreversíveis.
SEMPRE:
 Vias Aéreas Pérvias e Boa Ventilação
 Repor Volemia
 Medicamentos Adequados
 Na Suspeita de TCE Contatar Imediatamente o Neurocirurgião
Informações Importantes ao Neurocirurgião:
 Identificação do Paciente e Mecanismo do Trauma
 Situação Cardiovascular
 Resultados dos Exames Neurológicos: Clínicos e Por Imagem (Raio X e TC)
 Lesões Associadas
 Resultado dos Exames Laboratoriais
Atenção: Não se Deve Retardar a Transferência do Paciente com Suspeita de TCE por Motivo de Antes
Realizar os Exames por Imagem.
24
Fisiopatologia:
Principal Característica: Alteração de Consciência.
Perda da Consciência Imediata ao Trauma: 2 Mecanismos:
 Lesão Bilateral do Córtex Cerebral
 Lesão do Sistema Reticular Ativador do Tronco Cerebral
Perda da Consciência Tardiamente ao Trauma: 2 Mecanismos:
 Baixo Fluxo Sangüineo Cerebral
 Aumento da Pressão Intra-craneana
PIC = Volume do Líquor + Volume de Sangue + Volume da Massa Cerebral
Atendimento Inicial:
 História do Trauma: Queda de Altura 4 X 1 Acidente de Automóvel
 Momento do Início da Inconsciência
 Atenção com a Análise do Nível de Consciência dos Pacientes com Hipotensão
(PS< 60mmHg), Alcoolizados ou Drogados.
Sinais Clínicos de Aumento Rápido da Pressão Intra-craneana:
 Hipertensão Arterial
 Bradicardia
 Bradipnéia
Cirurgia Imediata
Descompressão Intra-craneana
Craneotomia
Exame Neurológico: Mini Exame Neurológico
 Nível de Consciência
 Estado da Pupila
 Movimentos das Extremidades (Exame Motor)
1. Nível da Consciência: Escala de Glasgow:
Abertura dos Olhos:
 Espontânea: 4 Pontos
 A Fala: 3 Pontos
 A Dor: 2 Pontos
 Nenhuma: 1 Ponto
Resposta Verbal:
 Orientado: 5 Pontos
 Conversação Confusa: 4 Pontos
 Palavras Inapropriadas: 3 Pontos
 Sons Incompreensíveis: 2 Pontos
 Nenhuma: 1 Ponto
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Resposta Motora:
 Obedece a Comando Verbal: 6 Pontos
 Reage Corretamente no Local do Estímulo da Dor: 5 Pontos
 Reage se Afastando do Estímulo da Dor: 4 Pontos
 Flexão Anormal: Decorticaçâo: 3 Pontos
 Resposta Extensora: Descerebração: 2 Pontos
 Nenhum Movimento: 1 Ponto
Atenção: No Coma o Escore Máximo é 8 Pontos.
Análise da Gravidade Neurológica:
 Severa: 8
 Moderado: 9 – 12
 Pequeno: 13 – 15
2. Estado das Pupilas:
 Isocóricas: Diâmetros Iguais: Diferença de 1 mm já é Anisocoria
 Foto-Reagente
3. Exames das Extremidades:
 Movimentos Normais e Iguais dos 2 Lados
 Movimento Apenas com Estímulo Doloroso: Avaliar os 2 Lados
Atenção:
 Aumento do Tamanho da Pupila
 Déficit Motor de 1 Lado
 Cefaléia Progressiva
 Perda de Liquor
 Exposição do Tecido Cerebral
Sinais Clínicos Importantes:
 Otorragia
 Rinorragia
 Hematoma Periorbitário
Exames Complementares:
 Raio X
 TC
 Exames de Sangue:
o Hemograma Completo
o Bioquímica
Tratamento:
 ABC da Vida
 Reanimação:
o Manter o Metabolismo Cerebral:
 Oxigênio
 Glicose (Não Precisa de Solução Hipertônica)
o Impedir o Aumento da Pressão Intra-craneana:
 Hiperventilação: Reduz a PCO2: 26 a 28 mmHg
 Diurético: Diminui o Edema Cerebral: Manitol
 Gasometria Regular
LESÃO SEVERA
Independe da
Escala de Glasgow
26
Combater:
 Convulsão: Diazepam ou Até Anestesia
 Agitação: Lesão ou Hipoxia: Analgesia e Sedação
 Hipertermia: Aumenta o Metabolismo e a Pressão Intra-craneana
Trauma Raqui-Medular: TRM:
 Todo Paciente Politraumatizado deve ser Rigorosamente Imobilizado Protegendo a Coluna Vertebral
até que se Confirme ou Não uma Lesão Vertebral.
 Paciente Corretamente Imobilizado pode-se até Adiar o Diagnóstico Definitivo caso seja Necessário.
História:
 Condição Neurológica Prévia do Paciente
 Descrição do Trauma
 Presença de Paralisias Imediatamente após o Trauma
 Alteração do Estado Sensomotor.
Atenção: TODO Paciente com Trauma Acima da Clavícula e com TCE Sempre Suspeitar de TRM Cervical.
Exame Físico:
 Mobilização: Sempre a Técnica do Rolar o Paciente (4 Pessoas) e colocá-lo na Prancha Longa com
Imobilizador “Tipo Aranha”.
 Atenção com Dores Abaixo do Nível da Lesão que estarão Ausentes Mascarando o Diagnóstico.
Achados Clínicos TRM Cervical:
 Paralisia Flácida e Arreflexia
 Respiração Diafragmática
 Capacidade de Fletir, mas Não de Extender o antebraço
 Sensibilidade Dolorosa Apenas Acima da Clavícula
 Hipotensão com Bradicardia Sem Hipovolemia
 Priapismo
Coluna Vertebral:
 Dor, Deformidade, Edema, Equimose e Espasmo Muscular no Nível da Lesão Vertebral
Medula: 3 Tratos da Medula Vertebral:
 Cortiço-Espinhal: Força Motora Ipsilateral
 Espino-Talâmico: Dor e Temperatura Contralateral
 Coluna Posterio: Propriocepção Ipsilateral
Portanto: Alterações Sensitivas e Motoras é uma Lesão Completa da Medula Vertebral.
27
Tipos de Lesões Medulares:
Choque Neurogênico
Choque Medular
Choque Neurogênico:
Resulta do Impedimento das Vias Simpáticas Descendentes da Medula, determinando:
 Perda do Tônus Vasomotor
 Perda da Inervaçao Simpática do Coração
Características Clínicas:
Vasodilatação Visceral e nas Extremidades Inferiores
Hipovolemia Relativa
Hipotensão Arterial
Bradicardia
Choque Medular:
Presente Logo após a Lesão Medular.A Medula Não Apresenta Qualquer Função mesmo em Áreas Sem
Lesões Permanentes.
Características Clínicas:




Flacidez e Arreflexia
Edema Perimedular: Não Averá o Raflexo Bulbo-Cavernoso.
Dias ou Semanas Desaparece e Níveis sem lesão voltam a funcionar.
Níveis Lesionados o Estado de Flacidez é Substituído por Espasticidade.
Atenção: Quando Termina o Tempo do Estado de Choque Medular, que é demonstrado clinicamente com o
Retorno da Presença do Reflexo Bulbo-Cavernoso, as Lesões Neurológicas Presentes Serão Provavelmente
Irreversíveis, estando portanto Relacionadas Diretamente com o Nível da Medula Vertebral Lesada.
Efeito em Outros Órgãos ou Sistemas:
 Lesões Medulares Torácicas Altas ou Cervicais Baixas resulta em Paralisia da Musculatura
Intercostal determinando a Hipoventiloção.
 Lesão em C3 / C5 determina Paralisia Diafragmática evidenciada pela Respiração Abdominal e
Uso da Musculatura Acessória Torácica.
Diagnóstico Por Imagem:
 Raio X da Coluna Lateral
 TC
 RNM
Tratamento:
 Imobilização com Colar Cervical na Prancha Longa com Imobilizador “Tipo Aranha”
 Reposição Hídrica
 Vasopressores Cuidadosamente
 Transferência Imediata
28
Abordagem da Circulação: Controle das Hemorragias:
1º Vias Aéreas Pérvias e Imobilização da Coluna Cervical
2º Boa Ventilação: Incursões Respiratórias
3º Circulação: Controle das Hemorragias
Estado de Choque: Letra C: Circulação
Definição:
É o Distúrbio Hemodinâmico que Determina Perfusão Inadequada e Oxigenação Insuficiente de Órgãos e
Tecidos.
O Diagnóstico (Reconhecer a Lesão) é Urgente e o Tratamento (Reanimação/Reparação) Imediato, para
Evitar os Efeitos Deletérios Sobre as Células.
Etiologias: No Politraumatizado:
 Hemorrágicas: Mais Freqüente
 Cardiogênico
 Neurogênico
 Séptico: Mais Tardio
Atenção: Choque Hipovolêmico (Hemorragias): Necessita de Reposição Volêmica e da Interrupção do
Sangramento, muitas vezes Cirúrgica.
Diagnóstico: Imediato: Letra C
 Ação Inicial do Organismo: Liberação das Catecolaminas:
o Vasoconstricção cutânea, muscular e visceral
o Aceleração dos Batimentos Cardíacos
Sinais Clínicos Precoces:
 Taquicardia: Acima de 100 bpm
o 140 bpm: Fase Pré Escolar
o 160 bpm: 1º Infância
o Idoso: Pode esta Ausente
 Pressão Arterial: A Pressão Sistólica se Abaixa (menor 90 mmHg) com perde volêmica superiora
30%.
 Taquipnéia: perda de 500ml: 15 ipm para 30 a 40ipm na dependência da Hipovolemia.Pode
evoluir para Dispnéia
 Consciência: Pequenas Perdas é Mantida.Pode evoluir desde agitação até letargia.
 Oligúria: Sonda Vesical: Controle da Diurese Horária e Controle da Reposição Volêmica.
Atenção: Os Exames Laboratorias Não são Eficientes nas primeiras horas da Hemorragia: Hematócrito e
Hemograma.
29
Diagnóstico Diferencial:
Geralmente, trata-se Inicialmente o Palitraumatizado Supondo ser um Choque Hemorrágico.
Choque Não Hemorrágico:
 Choque Cardiogênico:
o IAM
o Arritmias
Raras no 1º Atendimento
o Contusão Cardíaca
o Tamponamento Cardíaco: Relacionada com Politraumatizado: 15 ml de Sangue no Pericárdio
por ferida Cardíaca. Deve ser monitorizado com ECG e estabelecer a PVC (Pressão Venosa
Central) precocemente.
Sinais Clínicos:
o Tríade de Beck.
o A Hipotensão Não Melhora com a Reposição Volêmica.
Atenção: O Pneumotórax Hipertensivo determina uma ação mecânica sobre o coração, se não for diagnóstico
e tratado evoluirá para o Choque Cardiogênico.
 Choque Neurogênico:
É Determinado por Lesão Medular em qualquer Nível da Coluna Vertebral.
Sinais Clínicos:
o
o
o
o
o
Hipotensão
Sem Taquicardia
Sem Vasoconstricção Cutânea.
O TCE Não Causa Choque Cardiaco
Deve Ser Suspeitado quando a Hipotensão Não Melhora com a Reposição Volêmica.
 Choque Séptico:
É Tardio e Determinado por Infecção Bacteriana nas Feridas Traumáticas: Principalmente lesões Intestinais.
Sinais Clínicos:
o
o
o
o
Pele Quente: Febre
Taquicardia Leve
Pressão Sistólica Normal.
Aumento da Pressão Diferencial
30
Choque Hemorrágico:
o Perda de Sangue Maciço: Lesão de Aorta
o Perda de Sangue Paulatina (Gradual): Lesão de Vasos Menores ou de Vísceras Maciças Intra
Abdominais.
Atenção: Nas Fraturas Múltiplas nas Extremidades pode haver uma perda de sangue, no início importante,
mas tende a Estabilizar a Hemorragia devido a Continência Compartimental que comprime os focos de
Sangramento.
Classificação:
Tipos:
 Interna: Não se Visualiza-se a Hemorragia (O Sangue Escoando) e o Diagnóstico é mais Difícil
devendo ser diagnosticado pelos Sinais Clínicos do Choque Hemorrágico.
 Externa: Visualiza-se o Local do Sangramento, sabe-se onde está Escoando o Sangue que pode ser:
o Venoso: Contínuo e Sem Pressão.
o Arterial: Pulsátil e Com Pressão.
Volume de Sangue Perdido:
 Classe I: Perda de 15% da Volemia. Compatível com a Perda dos Doadores de Sangue.
o Sintomas Mínimos com Taquicardia Leve e Transitória. Não Há Hipotensão nem Dispnéia.
o Se Controlada a Hemorragia, em 24 horas se restabelece a Normalidade.Se o Sangramento
continuar Atenção com o 1º Sinal Clínico de Alarme: Aumento da Freqüência do Pulso
Periférico.
 Classe II: Perda de 15 – 30% de Volemia:
o Taquicardia: É o Sinal Precoce
o Hipotenssão Arterial: Perda Próximo a 30% (1.500 ml)
o Taquipnéia: Podendo Evoluir com Dispnéia
o Diminuião da Pressão Diferencial: Aumento da Pressão Diastólica: Vasocostricção Periérica
o Alteração da Consciência
o Diurese Horária: Reflete a Perda de Sangue: 20 ml/hora – 30 ml/hora. Abaixo desses Valores a
Perfusão Tecidual está Prejudicada podendo Haver Necessidade de Transfusão Sangüínea.
 Classe III: Perda de 30 – 40% da Volemia.
Sinais Clínicos de Choque Hemorrágico São Evidentes:
o Taquicardia: Acima de 120 bpm
o Pressão Sistólica: Abaixo de 90 mmHg
o Taquipnéia: 30 – 40 ipm
o Dispnéia
o Diurese: 5 – 15 ml/hora
o Consciência Alterada
o Geralmente Necessita de Além da Reposição Volêmica com Solução Salina de Reposição de
Hemoconcentrados.
31
 Classe IV: Choque Grave: Perda de Mais de 40% da Volemia.
o Taquicardia: 140 bpm
o Pressão Sistólica Muito Baixa: Menor que 80 mmHg
o Pulso Periférico Imperceptível
o Diurese Horária: Mínima ou Zero (Anúria)
o Pode Haver Perda da Consciência
o Requerem Reposição Volêmica com Solução Salina e Hemotransfusão e Cirurgia Imediata.
Atenção:
Perda de Sangue Acima de 60% da Volemia é Incompatível com a Vida.
Perda de Sangue Por Fraturas e Lesões de Partes Moles:
o Fraturas de Tíbia e Úmero: Perda de 750 ml de Sangue
o Fraturas de Fêmur: Perda de 1.500 ml de Sangue
o Fraturas de Pélvis: Perda de Mais de 2.000 ml de Sangue que pode escoar para o
retroperitônio.
Atenção: O Edema pode também ser responsável por perda da Volemia. No Volume do Edema 25% é de
Plasma: Ex. 2.000 ml de Edema possui 500 ml de Plasma.
Tratamento Inicial do Choque Hemorrágico:
1º Passo: Vias Aéreas Pérvias e Imobilização da Coluna Cervical
2º Passo: Boa Ventilação
3º Passo: Circulação : Controle das Hemorragias.
Letra C: Tratamento Inicial do Choque Hemorrágico:
 Acesso Venoso Inicial é Primordial.
 Sangramento Externo: Comprimir a Ferida
 Contatar Imediatamente o Cirurgião
Letra D: Mini Exame Neurológico:
 Avaliar a Consciência: Escala de Glasgow
Letra E: Expor o Paciente:
 Determinar algum Local de Foco de Sangramento da Cabeça aos Pés.
Atenção: 2 Atitudes Importantes:
 SNG: Hipotensão pode ser Por Dilatação Gástrica: Sem Explicação
 Sonda Vesical: Após o Toque Retal: Controle da Diurese e Pesquisar Presença de Hematúria:
32
Linhas de Acesso Vascular:





2 Veias Periféricas dos Membros Superiores: Puncionar com Cateteres Grossos e Curtos: 16
Dissecção de Veias: Braquial ou Safena
Acesso Venoso Central: Cateterismo da Veia Cava
Via Intra-óssea: Crianças menores de 6 anos: Por Curto Período pela Infecção
No Acesso: Colher Amostra de Sangue para Exames Laboratorias:
o Tipagem Sangüínea
o Fator Rh
o Prova Cruzada
o Teste de Gravidez
o Pesquisa de Narcotóxico
o Gasometria Arterial
Reposição Inicial de Fluidos:
 Solução Salina Isotônica: Ringer Lactato: Repor o Cloro:
o Adulto: 1 – 2 litros Rapidamente
o Criança: 20 ml/ Kg
Avaliação da Resposta da Infusão Inicial:
 Diurese: Resposta Renal da Infusão Inicial.
 Reposição Adequada resulta em Diurese:
o Adulto: 50 ml/hora
o Criança: 1 ml/Kg/hora
 Avaliar a Gasometria
 Acidose Metabólica: Complicação do Choque.O Bicarbonato de Sódio é reservado para Ph menor que
7.2.
 Monitorização da PVC:
o Aumento Mínimo no Início: Necessita de Mais Volume
o Diminuição: Perda de Sangue é Maior que a Reposição
Decisão Terapêutica com Base na Resposta Inicial à Infusão Inicial:
3 Tipos de Respostas:
 Resposta Rápida: Paciente se Estabiliza Rapidamente com Aspecto Hemodinâmico Normal e os
Líquidos Infundidos podem ser suspensos Gradualmente: Perda de Volume Inferior à 20%
 Transitória: Melhora com a Infusão Inicial porém se Desestabiliza com a Suspensão Gradual da
Infusão.Neste Caso o Sangramento é Contínuo ou a Reposição Inicial foi Inadequada.Portanto
Aumenta-se a Reposição Salina ou pode-se Indicar a Hemotransfusão. Geralmente o Tratamento
Cirúrgico deve ser Imediato: A Perda é de 20 – 40% da Volemia.
 Mínima: É Menos Freqüente, porém são Pacientes Muito Graves.A Administração de
Hemoconcentrados Não Melhora o Paciente sendo , Portanto, Indicada a Cirurgia de Emergência.
Geralmente são Pacientes com Hemorragias Maciças em Tórax e Abdômen.
A Possibilidade de Choque Não Hemorrágico Deve Ser Suspeitada e Esclarecida.
O
Controle da PVC É Muito Importante.
33
Transfusão de Sangue:




É Realizada após a Transfusão de Solução Salina (Ringer Lactato) Inicialmente.
Nunca É a 1º Escolha de Infusão Mesmo Nos Pacientes Graves.
Pode-se usar Concentrados de Hemáceas ou Sangue Total
Pode-se Transfundir:
o Sangue Cruzado
o Tipo Específico
o Tipo O Negativo
 Deve-se Evitar a Hipotermia: Todos Os Fluidos Previamente Aquecidos.
Armadilhas na Reposição Volêmica:
 O Aumento da Pressão Arterial pode Não Significar Aumento do Débito Cardíaco, quando se
Administra Vasopressores.
 A Hipotensão por Hemorragia Não É Bem Tolerada Pelos Idosos, sendo assim a Indicação Cirúrgica
deve Ser Mais Precoce Possível para Evitar o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e o Acidente
Vascular Cerebral (AVC).
 A Hipotermia do Ambiente, Principalmente no Inverno, podem Agravar o Efeito da Hipotermia no
Choque Hemorrágico.
Atendimento nas Hemorragias Externas:
 Proteger-se com luvas (sempre que em contato com sangue ou fluidos corpóreos).
 Identificar o local exato da hemorragia, o sangue espalha-se e podemos estar realizando atendimento
no local errado.
 Colocar um pano limpo dobrado, no local do ferimento que ocasiona a hemorragia.
 Colocar a atadura em volta ou fazer uma atadura improvisada, com tiras largas ou cintos. Não utilizar
objetos que possam causar dificuldade circulatória (arames, barbante, fios, etc.). Faça um curativo
compressivo, sem prejudicar a circulação daquele membro.
 Se a hemorragia for em braço ou perna, eleve o membro, só não o faça se houver fraturas.
 Pressione a área com os seus dedos (ponto de pressão) para auxiliar a estancar a hemorragia.
 Caso o sangue continue saindo mesmo após a realização do curativo compressivo, não retire os panos
molhados de sangue. Coloque outro pano limpo em cima e uma nova atadura, evitando com isso,
interferir no processo de coagulação.
 Evite usar torniquete, pois ele pode levar a amputação cirúrgica do membro se não for afrouxado
corretamente e no tempo certo.
 Se a hemorragia for abundante, pegue uma camisa ou um cinto, coloque um pouco acima da
hemorragia e de um nó e puxe, fique segurando firme, isso vai diminuir a chegada de sangue ao local.
Esse método é para substituir o torniquete, e não causa lesões circulatórias, pois cada vez que o
socorrista cansar e tiver que "tomar fôlego", vai diminuir a pressão e aquela área será irrigada com
sangue arterial.
 Deve-se Sempre Considerar que Há Fratura no Membro com Hemorragia Externa, desta Forma além
de Comprimir a Ferida Devemos Imobilizar o Membro Comprometido Reduzindo a Mobilidade do
Foco de Fratura e Portanto Diminuindo o Sangramento de Origem Óssea.
 A Imobilização Também Determina Diminuição do Sangramento das Partes Moles porque as
Protegem de Lesões Secundárias.
34
Reavaliação do Paciente:
 Pacientes que Recebem Volume Inadequado de Reposição pode Permanecer em Hipoperfusão e
Desencadear Falência de Múltiplos Órgãos: Hemorragia de Causa Não Determinada É uma das
Causas.
 O Risco de Hipervolemia pode ser Evitado pelo Controle da PVC.
 Pacientes que Não Respondem Bem a Reposição Volêmica Inicial Adequada, devemos Pensar em:
o Perda Desconhecida de Fluídos
o Tamponamento Cardíaco
o Distensão Gástrica
o Infarto Agudo do Miocárdio
o Acidose Diabética
o Choque Neurogênico
o Pacientes Operados: Choque Séptico
Resgate do Paciente Politraumatizado. Atendimento Pré-Hospitalar (APH)
Objetivos:










Iniciar o Atendimento Adequado o Mais Precoce Possível: No Resgate do Paciente.
Avaliar o Risco da Vida do Paciente no Local do Acidente
Reconhecer, Reanimar e Reparar as Lesões o Mais Precoce Possível.
Avaliar o Paciente com os Princípios Básicos do Atendimento:
A. Vias Aéreas Pérvias e Proteção da Coluna Cervical
B. Boa Ventilação
C. Circulação: Controle das Hemorragias
Manter e Monitorizar as Funções Vitais do Paciente.
Evitar Lesões Secundárias.
Iniciar Imediatamente o Tratamento Adequado.
Transportar o Paciente de Forma Rápida e Segura.
Orientar o Hospital Receptor quanto ao Estado do Paciente.
Possibilitar o Hospital Receptor a se Preparar para Receber o Paciente.
D.O.U nº 144 de 29 de Julho de 2003
RESOLUÇÃO Nº 1.672, de 9 de JULHO de 2003
 Pacientes graves ou de risco devem ser removidos acompanhados de equipe composta por tripulação
mínima de um médico, um profissional de enfermagem e motorista, em ambulância de suporte
avançado. Nas situações em que seja tecnicamente impossível o cumprimento desta norma, deve ser
avaliado o risco potencial do transporte em relação à permanência do paciente no local de origem.
 Antes de decidir a remoção do paciente, faz-se necessário realizar contato com o médico receptor ou
diretor técnico no hospital de destino, e ter a concordância do(s) mesmo(s).
 O transporte de pacientes através de ambulâncias, com os equipamentos necessários e competente
classificação, está devidamente estabelecido pelas Resoluções CFM nº 1.671/2003 e nº 1.596/2000
(transporte aeromédico), além de normatização específica do Ministério da Saúde
 O hospital previamente estabelecido como referência não pode negar atendimento aos casos que se
enquadrem em sua capacidade de resolução.
35
 Todas as ocorrências inerentes à transferência devem ser registradas no prontuário de origem.
 Todo paciente removido deve ser acompanhado por relatório completo, legível e assinado (com
número do CRM), que passará a integrar o prontuário no destino. Quando do recebimento, o relatório
deve ser também assinado pelo médico receptor.
NORMATIZAÇÃO DA ATIVIDADE NA ÁREA DA URGÊNCIA -EMERGÊNCIA NA SUA FASE
PRÉ-HOSPITALAR – MINISTÉRIO DA SAÚDE:
 Consideramos como nível pré-hospitalar na área de urgência-emergência aquele atendimento que
procura chegar à vítima nos primeiros minutos após ter ocorrido o agravo à sua saúde, agravo esse que
possa levar à deficiência física ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto, prestar-lhe atendimento
adequado e transporte a um hospital devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de
Saúde (SUS).
 É importante frisar e definir que o sistema de atendimento pré-hospitalar é um serviço médico. Assim,
sua coordenação, regulação e supervisão direta e a distância deve ser efetuada unicamente por médico.
 Na urgência-emergência deverá haver uma ação integrada com outros profissionais, não-médicos,
habilitados para prestar atendimento de urgência-emergência em nível pré-hospitalar, sob supervisão e
coordenação médica.
 O treinamento do pessoal envolvido no atendimento pré-hospitalar, em especial ao trauma, deverá ser
efetuado em cursos ministrados por instituições ligadas ao SUS, envolvendo as escolas médicas e de
enfermagem locais, sob coordenação das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. Deverá haver
um programa mínimo que contemple todo o conhecimento teórico e prático necessário à realização
eficaz dos atos praticados. A aprovação dos treinandos deverá obedecer ao critério da competência, ou
seja, o aluno deverá demonstrar, na prática, em exercícios simulados, plena capacidade e competência
para realizar os atos.
NORMAS PARA VEÍCULOS DE ATENDIMENTO PRÉ- HOSPITALAR:
1- Ambulâncias:
I - Conceito e Definições:
I 1. Define-se ambulância como um veículo (terrestre, aéreo ou hidroviário) exclusivamente destinado ao
transporte de enfermos.
I 2. As dimensões e outras especificações do veículo deverão obedecer às normas da ABNT.
II - Classificação das Ambulâncias:
II 1. As ambulâncias são classificadas em :
Tipo A - Ambulância de transporte: veículo destinado ao transporte em decúbito horizontal de pacientes que
não apresentam risco de vida, para remoções simples e de caráter eletivo.
36
Tipo B - Ambulância de suporte básico: veículo destinado ao transporte pré-hospitalar de pacientes com
risco de vida desconhecido e transporte inter-hospitalar, contendo apenas os equipamentos mínimos à
manutenção da vida.
Tipo C - Ambulância de resgate: veículo de atendimento de emergências pré-hospitalares de pacientes com
risco de vida desconhecido, contendo os equipamentos necessários à manutenção da vida.
Tipo D - Ambulância de suporte avançado (ASA) ou ambulância UTI móvel: veículo destinado ao transporte
de pacientes de alto risco de emergências pré-hospitalares e transporte inter-hospitalar. Deve contar com os
equipamentos médicos necessários para esta função.
Tipo E - Aeronave de transporte médico: aeronave de asa fixa ou rotativa utilizada para transporte de
pacientes por via aérea, dotada de equipamentos médicos homologados pelos órgãos competentes.
Tipo F - Nave de transporte médico: veículo motorizado hidroviário destinado ao transporte de pacientes por
via marítima ou fluvial. Deve possuir os equipamentos médicos necessários ao atendimento dos mesmos
conforme sua gravidade.
III - Materiais e Equipamentos das Ambulâncias:
III 1. As ambulâncias deverão ter no mínimo dos seguintes materiais e equipamentos ou similares com
eficácia equivalente:
III 1.1. Ambulância de transporte (tipo A):
Sinalizador óptico e acústico; equipamento de rádio-comunicação fixo (obrigatório apenas para ambulâncias
que façam parte do sistema de atendimento pré-hospitalar); maca com rodas; suporte para soro e oxigênio
medicinal, maleta de emergência contendo: estetoscópio adulto; luvas descartáveis; esparadrapo;
esfigmomanômetro adulto/infantil; pacotes de gaze estéril.
III 1.2. Ambulância de suporte básico (tipo B):
Sinalizador óptico e acústico; equipamento de rádio-comunicação fixo (e móvel opcional); maca com rodas e
articulada; suporte para soro; instalação de rede de oxigênio com cilindro, válvula, manômetro em local de
fácil visualização e régua com tripla saída, para permitir a alimentação do respirador; fluxômetro e
umidificador de oxigênio; aspirador tipo Venturi: pranchas curtas e longas para imobilização de coluna,
maleta de emergência contendo: estetoscópio adulto e infantil; ressuscitador manual adulto/infantil, cânulas
orofaríngeas de tamanhos variados; luvas descartáveis; tesoura reta com ponta romba; esparadrapo;
esfigmomanômetro adulto/infantil; ataduras de 15 cm; compressas cirúrgicas estéreis; pacotes de gaze estéril;
cateteres para oxigenação e aspiração de vários tamanhos; talas para imobilização e conjunto de colares
cervicais; maleta de parto contendo: luvas cirúrgicas; clamps umbilicais; estilete estéril para corte do cordão;
saco plástico para placenta; absorvente higiênico grande; cobertor ou similar para envolver o recém-nascido;
compressas cirúrgicas estéreis; pacotes de gazes estéreis e braceletes de identificação.
III l. 3. Ambulância de Resgate (tipo C):
Sinalizador óptico e acústico; equipamento de rádio-comunicação fixo e móvel; maca com rodas e articulada;
suporte para soro, desfibrilador semi-automático, oxímetro de pulso portátil, instalação de rede de oxigênio
como descrita no item anterior; prancha longa para imobilização de coluna; prancha curta ou colete
imobilizador; conjunto de colares cervicais; cilindro de oxigênio portátil com válvula; manômetro e
fluxômetro com máscara e chicote para oxigenação; maleta de emergência como descrita no item anterior,
37
acrescida de protetores para queimados ou eviscerados; maleta de parto como descrito no item anterior;
frascos de soro fisiológico; bandagens triangulares; talas para imobilização de membros; cobertores; coletes
refletivos para a tripulação; lanterna de mão; óculos, máscaras e aventais de proteção; fitas e cones
sinalizadores para isolamento de áreas.
III 1. 4. Ambulância de Suporte Avançado (tipo D), também denominada ambulância UTI móvel:
Sinalizador óptico e acústico; equipamento de rádio-comunicação fixo e móvel; maca com rodas e articulada;
dois suportes de soro; cadeira de rodas dobrável; instalação de rede portátil de oxigênio como descrito no
item anterior (é obrigatório que a quantidade de oxigênio permita ventilação mecânica por no mínimo duas
horas); respirador mecânico de transporte, com alarmes de desconexão de circuito, pressão alta em vias
aéreas, falha de ciclo, baixa pressão de gás, PEEP até 15 cm de H2O; monitor multiparâmetro ou aparelhos
separados contendo, no mínimo, oximetria de pulso, pressão arterial não - invasiva; unidade geradora de
marca-passo transvenoso portátil; eletrocardiógrafo capaz de registrar ECG de 12 derivações; monitor
cardíaco e cardioversor com marca-passo externo com bateria e instalação elétrica disponível; duas ou mais
bombas de infusão com bateria e equipo; maleta de vias aéreas contendo: máscaras laríngeas e cânulas
endotraqueais de vários tamanhos; cateteres de aspiração; adaptadores para cânulas; cateteres nasais; seringa
de 20 ml para insuflar o "cuf"; ressuscitador manual adulto/infantil; sondas para aspiração traqueal de vários
tamanhos; luvas de procedimentos; máscara para ressuscitador adulto/infantil; lidocaína geléia e "spray";
cadarços para fixação de cânula; laringoscópio infantil/adulto com conjunto de lâminas; estetoscópio;
esfigmomanômetro adulto/infantil; cânulas orofaríngeas adulto/infantil; fios-guia para intubação; pinça de
Magyl; bisturi descartável; cânulas para traqueostomia; material para cricotiroidostomia; drenos para tórax;
maleta de acesso venoso contendo: tala para fixação de braço; luvas estéreis; recipiente de algodão com
antiséptico; pacotes de gaze estéril; esparadrapo; material para punção de vários tamanhos, incluindo agulhas
metálicas, plásticas e agulhas especiais para punção óssea; garrote; equipos de macro e microgotas; cateteres
específicos para dissecção de veias, tamanho adulto/infantil; tesoura, pinça de Kocher; cortadores de soro;
lâminas de bisturi; seringas de vários tamanhos; torneiras de 3 vias; equipo de infusão de 4 vias; frascos de
solução salina; caixa completa de pequena cirurgia; maleta de parto como descrito nos itens anteriores;
frascos de drenagem de tórax; extensões para drenos torácicos; sondas vesicais; coletores de urina; protetores
para eviscerados ou queimados; espátulas de madeira; sondas nasogástricas; eletrodos descartáveis; equipos
para drogas fotossensíveis; equipo para bombas de infusão; circuito de respirador estéril de reserva;
equipamentos de proteção à equipe de atendimento: óculos, máscaras e aventais; cobertor ou filme metálico
para conservação do calor do corpo; campo cirúrgico fenestrado; almotolias com anti-séptico; conjunto de
colares cervicais; prancha longa para imobilização da coluna.
III l. 5 Aeronave de Transporte Médico (tipo E):
Deverá conter os mesmos equipamentos descritos para as ambulâncias de suporte avançado, tanto adulto
como infantil, com as adaptações necessárias para o uso em ambientes hipobáricos, homologados pelos
órgãos competentes.
III 1. 6. Nave de Transporte (tipo F):
Poderá ser equipada como descrito nas ambulâncias de tipos A, B ou D, dependendo da finalidade de
emprego.
38
IV. Medicamentos:
IV.1. Medicamentos obrigatórios que deverão constar em toda ambulância de suporte avançado, aeronaves e
naves de transporte médico (tipos D, E ,F):
a) Lidocaína sem vasoconstritor; adrenalina, atropina; dopamina; aminofilina; dobutamina; hidrocortisona;
glicose 50%;
b) Soros: glicosado 5%; fisiológico 0,9%;
c) Psicotrópicos: hidantoína; meperidina; diazepan; midazolan;
d)Outros: água destilada; metoclopramida; dipirona; hioscina; nifedipina; dinitrato de isossorbitol;
furosemide; amiodarona; lanatosideo C.
V. Identificação:
V.1. - As ambulâncias do tipo B, C, D , E e F serão identificadas com símbolo próprio indicativo dos serviços
de resgate e emergências.
VI. Tripulação Mínima:
VI.1- Ambulância do tipo A: motorista
VI.2- Ambulância do tipo B: motorista com treinamento em APH e um auxiliar de enfermagem habilitado em
APH.
VI.3- Ambulância do tipo C: dois profissionais com treinamento em APH e resgate e motorista capacitado em
APH.
VI.4- Ambulância do tipo D: motorista, enfermeira e médico com treinamento em APH.
VII.5- Aeronaves e naves devem ter tripulação equivalente, conforme a gravidade do paciente a ser resgatado
ou transportado.
39
Seqüência de Atuação no Resgate do Politraumatizado:
1º Passo: Avaliar o Risco de Vida da Vítima no Local do Acidente
2º Passo: Realizar a Primeira Avaliação:
 Avaliar a Vítima com Base nos Princípios Básicos da Vida:
A. Vias Aéreas Pérvias e Proteção da Coluna Cervical
B. Boa Ventilação
C. Circulação: Controle das Hemorragias
 Reconhecer, Reanimar e Restaurar as Lesão da Vítima
3º Passo: Evitar Lesões Secundárias no Resgate:




Manter Sempre Oxigênio Suplementar
Imobilizar a Coluna Vertebral
Controlar as Hemorragias
Imobilizar as Extremidades com Suspeita de Lesões Osteo-articulares
4º Passo: Avaliar a Melhor Forma para Resgatar a Vítima:
 Remoção / Extricação de Ferragens e Colocar a Vítima na Prancha Longa.
 Colocar a Vítima Devidamente Estabilizada na Prancha Longa
5º Passo: Transportar a Vítima até a Ambulância (Tipos: D,E ou F)
6º Passo: Contatar o Hospital Receptor e Informar o Estado Clínico da Vítima.
7º Passo: Manter e Monitorizar os Sinais Vitais, Mantendo a Vida da Vítima.
8º Passo: Documentar os Dados e o Estado Clínico da Vítima e Todas as Situações que Cercam o Acidente
(Prontuário Médico).
9º Passo: Transportar a Vítima de Forma Rápida e Segura.
10º Passo: Conduzir a Vítima até o Médico Responsável da Unidade Hospitalar Receptora que Deverá
Assinar o Prontuário de Transferência que Deverá compor o Prontuário Médico do Paciente, ficando uma
Cópia nos Registros de Transferências da Ambulância.
40
Parada Cárdio Respiratória (PCR)
Definição:
É a cessação abrupta da Ventilação e Perfusão Sistêmica Efetiva e Espontânea.
Atenção: Não há Parada somente Cardíaca, pois essa situação é impossível de ocorrer. Parando o coração,
imediatamente ocorrerá a parada da função pulmonar, ou seja:
Parada Cárdio Respiratória
Diagnóstico:






Inconsciência
Apnéia: Ausência de Movimentos Respiratórios
Ausência de Pulsos Periféricos: Carotídeos e Femorais
Palidez, Pele Fria e Úmida
Cianose de Extremidades: Acidose Respiratória
Dilatação das Pupilas: Falta de Oxigênio Cerebral
Dúvida entre Morte e Parada Cárdio Respiratória: Faz-se as Manobras de Reanimação Cárdio Pulmonar.
Etiologias:
 Parada Cardíca Primária:
o Isquemia Coronariana: Infarto Agudo do Miocárdio: Determinando Arritmias Cardíacas como
a Fibrilação Ventricular.
 Parada Cardíaca Secundária:
o Secundária Lenta:
 Insuficiência Respiratória
 Choque
 TCE
o Secundária Rápida:
 Obstrução das Vias Aéreas
 Hemorragia Maciça
 Anóxia Alveolar: Embolia Pulmonar
Lembrete:
Qualquer que seja a Etiologia da Parada Cardíaca, a Reanimação deve ser iniciada imediatamente para evitar
Lesões Cerebrais Irreversíveis:
Parada do Fluxo Sangüíneo Cerebral por 10 minutos.
Reanimação Cárdio Respiratória / Reanimação Cárdio Pulmonar:
É a Realização de Procedimentos em vítmas com Parada Cardíaca com a finalidade de Restabelecer a
Circulação e a Oxigenação Cerebral e dos demais Órgãos, através da Massagem Cardíaca e da Respiração.
41
Objetivos:
 Evitar a Morte: “Salvar a Vida e Não Prolongar a Morte”.
 Restabelecer a Circulação e a Oxigenação
 Atendimento Imediato da Vítima Reduzindo as Chances de Lesões Cerebrais por Falta de Circulação
e Oxigenação Cerebral
Atendimento: Reanimação Cárdio Respiratória:
1º Passo: Estabelecer o Diagnóstico da Parada Cárdio Respiratória, onde o Sinal Clínico de Certeza Mais
Importante é a Ausência de Pulso Carotídeo.
2º Passo: Posicionamento Adequado do Paciente: Decúbito Dorsal em uma superfície rígida e Procedendo a
Extensão da Cabeça para Trás (Atenção com a Coluna Cervical no Politraumatizado) e Deslocando a
Mandíbula para Frente (Corrige a Obstrução da Faringe Posterior pela Base de Língua): Mantendo uma Via
Aérea Potente.
3º Passo: Ventilar o Paciente com os Métodos de Respiração Boca-Boca, Boca-Nariz e Respiração AmbúMáscara ou Intubação EndoTraqueal: Estimular a Ventilação: Movimentos Respiratórios e
Oxigenação.(Administrar Oxigênio pela Hipervetilação antes de qualquer tentativa de Intubar: 30 segundos).
Na Respiração Boca-Boca:
o Proteja seus lábios e os da vítima.
o Puxe Bastante o Ar e Insufle o Pulmão do Paciente até que haja a Elevação do Tórax.
o Fechar as Narinas da Vítima para Evitar o Escape de Ar Insuflante.
4º Passo: Massagem Cardíaca:
o Apoiar uma das Mãos Sobre a Metade Inferior do Esterno com os Dedos Fletidos e a Outra Mão sobre
a Primeira.
o Utilizar o Próprio Peso do Corpo e Manter os Braços em Extensão, Aplicando uma Pressão que
Deprima o Esterno Cerca de 4 a 5 cm e Retira-se Subitamente a Compressão.
42
Seqüência das Manobras de Reanimação Cárdio Respiratória:
 1 Socorrista:
 15 Massegens Cardíacas
 2 Ventilações
 2 Socorristas:
 5 Massagens Cardíacas
 1 Ventilação
43
Outros Métodos de Respiração Artificial:
Caso não haja condições de realizar o método boca-a-boca e seja detectado a ausência de fraturas, pode-se
combinar a pressão exercida nas costas da vítima com movimento dos braços.
 Método Holger-Nielsen
 Deitar o paciente de bruços, com a cabeça apoiada nas mãos e o rosto voltado para um dos lados
para melhor respirar.
 Junte os seus joelhos a cabeça da vítima e em seguida espalme as mãos nas costas dela. Os seus
pulsos devem ficar na altura das axilas do individuo.
 De forma vagarosa movimente para a frente até que seus braços estejam quase verticais. Ir
aumentando a pressão gradativamente. Em seguida, ajuste o peso do seu corpo sobre as costas da
vítima e use movimentos menos bruscos para a compressão final.
 Como última etapa desse processo, segure os cotovelos da vítima e levante seus braços para trás
até sentir a resistência máxima dos ombros.
 O ritmo é de 12 vezes por minuto podendo se estender por mais de quatro horas até que a
respiração esteja restabelecida e o médico tenha chegado.
 Método Sylvester
 Colocar a vítima com o rosto para cima.
 Apóie algo por baixo dos ombros para que a vítima incline a cabeça para trás.
 Ajoelhe-se diante da vítima e coloque a cabeça dela entre os seus joelhos.
 Segure-lhe os braços pelos pulsos. Cruze-os e comprima-os contra a parede inferior do peito.
 Depois puxe os braços do individuo para cima, para fora e para trás o máximo que puder.
 Repetições: 15 vezes por minuto.
 Cuidados:





Mantenha a vítima aquecida e afrouxe as roupas dela.
Aja Imediatamente, Sem Desanimar.
Mantenha a Vítima Deitada.
Mantenha a Vítima em Jejum Completo: Líquido e Sólidos
O Transporte da Vítima É Desaconselhável, a menos que seja Possível Manter o Rítimo da
Respiração. A Posição de Transporte é Decúbito Dorsal.
44
Outros Métodos de Respiração Artificial:
45
Utilização de Drogas:
 Via Venosa: Veias Periféricas e de Bom Calibre.
 Administração Endotraqueal: Utiliza-se o Dobro das Doses Utilizadas por Via Venosa.
Atenção: A Administração das Drogas Não É Prioridade em Relação as Manobras de Reanimação Cárdio
Respiratória e à Desfibrilação (Nos Casos de Fibrilação Ventricular)
Drogas Utilizadas:





Vasopressina: No Início da Reanimação Cárdio Respiratória
Adrenalina: A Administração pode ser Intracardíaca.
Atropina.
Amidarona: Anti-arritmico: Apenas na Fibrilaão Ventricular
Bicarbonato de Sódio: Nunca pela Via Endotraqueal
Eletrocardiograma: ECG.
 Assistolia: Ausência de Batimentos Cardíacos Representada pela Linha Isoelétrica no ECG: Morte
Súbita de Origem Não Cardíaca.
 Dissociação Eletromecânica: É a Parada Súbita da Função do Coração como Bomba (Função
Mecânica), sem a Parada do Rítimo Elétrico do Coração: Cardiopatia Estruturada Grave: ECG
“Normal” e Ausência de Pulso Carotídeo.
 Fibrilação Ventricular: É a Contração Incoordenada do Miocárdio em Conseqüência da Atividade
Caótica de Diferentes Grupos de Fibras Miocárdicas determinando a Falência Total do Coração: O
ECG Caracteriza-se por um Rítimo Caótico e Irregular Contínuo com perda do Aspecto do QRS no
Traçado.
Nesta Situação Utiliza-se o Desfibrilador, que é um Choque Elétrico Externo quantificado em Jaules:
3 a 5 Jaules/ Kg do Paciente no Máximo 360 Jaules.
Atenção:
A Fibrilação Ventricular representa 90% das Causas da Parada Cárdio Respiratória
46
Reanimação Cárdio-Respiratória
A.C.L.S.
Parada Cardio-Respiratória
PCR
Fibrilação
Ventricular
Assistolia
200 Jaules
300 Jaules
Dissociação
Eletromecânica
Massagem Cardíaca
Ambú-Máscara
Massagem Cardíaca
e
Ambú-Máscara
360 Jaules
T.O.T.
T.O.T.
360 Jaules
Amiodarona
Adrenalina
Massagem Cardíaca
Massagem Cardíaca
T.O.T.
Adrenalina
Bicarbonato de Sódio: Apenas após 10 minutos de
Parada Cárdio Respiratória
pH < 7,0: Impossibilita a ação das Aminovasoativas
1 minuto: 10% Destruição do Cérebro
10 minutos: 100% Destruição do Cérebro
SEM MASSAGEM CARDÍACA
47
Suporte Pós Reanimação:
Medidas que Visam a Recuperação de Neurônios e Sinapses após a Parada Cárdio Pulmonar.
 Pressão Arterial: PAmax: 120 a 140 mmHg por 5 minutos mantidas por drogas e depois manter a
PAmax: 90 a 110 mmHg.
 Hemodiluição: Hematócrito: 30 a 35%.
 Glicemia: Manter Sempre no Limite Superior de Normalidade.
 Pressão de O2: Maior que 100mmHg.
 Pressão de CO2: Entre 30 e 35 mmHg pelo menos por 4 horas.
 pH: Entre 7,3 e 7,5.
 Evitar a Hipotermia: Aquecer o Paciente e Líquidos Administrados.
 Sedação: Se Necessário: Contra-indicado no TCE.
 Manitol: Orientado pela Pressão Intra Craneana.
 Suporte Nutricional: Após 48 horas.
Fraturas:
Conceito:
È uma Solução de Continuidade no Tecido Ósseo. Pode Comprometer um ou mais ossos.
Classificação:
 Fechada: Não Há Comunicação do Foco de Fratura com o Meio Externo (Não Há Lesão na Pele).
 Exposta / Aberta: Quando Há Comunicação do Foco de Fratura com o Meio Externo: Direta ou
Indireta.
Sinais e Sintomas:







Dor Intensa no Local
Edema
Hematoma ou Equimose
Deformidades
Impotência Funcional
Avaliar Pulsos e Nervos Periféricos
Lesão Dérmica: Suspeitar Sempre de Fratura Exposta: Ser Operada Antes de 6 horas de Evolução.
Atendimento:
 Evite movimentar o local fraturado: Membro Comprometido.
 Caso o socorro for demorar ou seja um local onde não tenha como chamar uma ambulância e for
necessário transportar, serão necessários procedimentos para atender a vítima antes de transportá-la:
Imobilização Adequada: Incluindo Sempre a Articulação Proximal e Distal do Nível Provável
da Fratura.
 Se foi chamado socorro, não realize esses procedimentos, deixe que a equipe de socorro o faça, pois
eles dispõem de material adequado para o mesmo.
 Se a fratura for em braço, dedo ou perna, retire objetos que possam interferir na circulação (relógio,
anéis, calçados, etc.), porque ocorre edema no membro atingido, podendo comprometer a
Vascularização.
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 Em caso de fratura exposta, há sangramento, podendo ser intenso ou de pouco fluxo, proteja a área
com um pano limpo e enrole com uma atadura no local do sangramento.
 Evite comprimir o osso.
 Improvise uma tala. Utilize revistas, papelão, madeiras. Imobilize o membro da maneira que se
encontra, sem movimentá-lo, mantendo as Deformidades.
 Fixe as extremidades com tiras largas.
 Não fixe com tiras em cima da área fraturada, em função do edema e também para observar a
evolução e para não forçar o osso para dentro, podendo romper vasos sangüíneos e causar intensa dor.
 Utilize uma tipóia, lenço ou atadura.
 Não tente recolocar o osso no lugar, isso é um procedimento médico realizado dentro do hospital, com
todos os cuidados necessários.
 Se suspeita de fratura no crânio ou coluna cervical, proteja a cabeça da vítima de maneira que ela não
possa realizar movimentos, não lateralize a cabeça e não eleve-a.
 Em caso de fratura de bacia, o risco de ter hemorragia interna deve ser avaliado. pois pode ter
rompido vasos sangüíneos importantes, como a artéria femural e ou a veia femural, observe se há
presença de sinais e sintomas que possam levar caracterizar o Estado de Choque.
 Caso tenha que transportar, imobilize toda a vítima, o ideal é uma superfície rígida (tipo uma tábua),
fixe-a com tiras largas em todo o corpo e também faça um colar cervical.
 Mantenha-a avaliada constantemente.
49
Ferimentos:
Conceito:
É o rompimento da pele, podendo atingir camadas mais profundas do organismo, órgãos, vasos sangüíneos e
outras áreas. Pode ser provocado por vários fatores , dentre eles: faca, arma de fogo, objetos pérfurocortantes, arames, pregos, pedaços de metais, etc.
Atendimento:
Em ferimentos por Objeto Encravado:
 Não retire objetos encravados, (madeira, ferro, arame, vidros, galho, etc.). A retirada pode provocar
lesões nos órgãos e graves hemorragias, pois libera o ponto de pressão que está fazendo.
 Proteja a área com pano limpo, sem retirar o objeto, fixando-o para evitar movimentação durante o
transporte.
 Aguarde a chegada do socorro. Fique ao lado da vítima e conforte-a.
Em Perfuração de Vísceras:




Não recoloque as vísceras para dentro da cavidade abdominal.
Coloque um pano limpo em cima.
Umedeça com água limpa para evitar a ressecação.
Aguarde a chegada do socorro.
Queimaduras:
Conceito:
Toda e qualquer lesão decorrente da ação do calor sobre o organismo é uma queimadura.
Causas:
Corpo em contato com: chama, brasa ou fogo, vapores quentes, líquidos ferventes, sólidos super-aquecidos
ou incandescentes, substâncias químicas, emanações radioativas, radiações infra-vermelhas e ultra-violetas e
eletricidade.
Classificação das Queimaduras:
 1º Grau – Lesões da Camada Superficiais da Pele: Epiderme. Ex: raios solares.
 2º Grau - Formação de Bolhas na área atingida: Lesão da Epiderme e Derme.
 3º Grau - Atinge Tecidos mais Profundos:Epiderme,Derme e Hipoderme.
Gravidade:
 Deve-se Definir o Percentual do Corpo Comprometido pela Queimadura. Utiliza-se a Escala do “9”.
 Uma pessoa com 25% do corpo queimado está sujeita a "choque de queimadura" e pode morrer se não
receber imediatamente os primeiros socorros. O Choque é Conseqüente a Desidratação (Perda de
Água do Organismo) e Perda de Proteínas e Eletrólitos.
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Escala do “9”
Atendimento:







Caso a vítima esteja pegando fogo, abafe-a com um cobertor.
Evite rolá-la, para não causar maiores lesões.
Retire a roupa que não estiver grudada. Caso esteja grudada, não retire, pois ocasiona graves lesões.
Retire objetos que possam ser removidos, correntes, relógio, etc. Se estiverem grudados, não retire.
Se a vítima entrar em Estado de Choque, siga as instruções do capítulo: Estado de Choque.
Proteja-a com lençol úmido (molhe o lençol em água corrente).
Se a área atingida foi provocada por água fervente ou outros, lave em água corrente abundantemente,
pois alivia a dor.
 Proteja com pano limpo molhado em água e encaminhe-a a um hospital ou aguarde a chegada do
socorro.
 Não utilize nenhum tipo de pomada ou produtos caseiros na área afetada pela queimadura, somente
água.
 Aguarde a chegada do socorro ou encaminhe a vítima até um hospital.
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Desmaio:
Conceito:
É a diminuição da circulação e oxigenação cerebral, evoluindo com Perda Súbita da Consciência
Causas:
 Ambientes com muitas pessoas, sem uma adequada ventilação
 Emoções fortes
 Fome
 Insolação
 Inadequado recebimento de circulação e oxigênio no cérebro
 Dor intensa
 Outras causas
Sinais e Sintomas:
 Perda da Consciência
 Palidez
 Pulso Rápido e Fraco
 Sudorese
Atendimento:
 Arejar o ambiente, ou transportar a vítima para um local com melhor ventilação.
 Elevar os membros inferiores, com uma mochila, roupas, etc. com isso, o sangue circula em maior
quantidade no cérebro e nos órgãos nobres.
 Virar a cabeça para o lado, evitando que a vítima venha a vomitar e possa se asfixiar.
 Afrouxar a roupa, para uma melhor circulação.
 Após o desmaio ter passado, não dê água imediatamente, para evitar que a vítima se afogue, pois
ainda não está com seus reflexos recuperados totalmente.
 O mesmo em relação a deixá-la caminhar sozinha imediatamente após o desmaio. Faça-a sentar e
respirar fundo, após auxilie-a a dar uma volta, respirando fundo e devagar.
 Com isso, o organismo se readapta a posição vertical e evita que ela possa desmaiar novamente, o que
pode ocorrer se ela levantar bruscamente.
 Após esses procedimentos, pode dar água a vítima.
Se Ainda Não Houve o Desmaio:
Quando a vítima está prestes a desmaiar, faz-se outro procedimento:
 Sentar a vítima numa cadeira, fazer com que ela coloque a cabeça entre as coxas e o socorrista faça
pressão na nuca para baixo, (com a palma da mão), enquanto ela força a cabeça para cima por alguns
segundos. Esse movimento fará com que aumente a quantidade de sangue e oxigênio no cérebro.
 Realize esse procedimento umas 3 vezes, evitando com isso o acumulo desnecessário de sangue e
oxigênio no cérebro.
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Convulsões:
Conceito:
Distúrbio que ocorre no cérebro, podendo ocasionar contrações involuntárias da musculatura, provocando
movimentos desordenados e em geral, perda da consciência.
Causas:
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

Acidentes com Traumatismo de Crânio.
Febre Alta.
Epilepsia.
Alcoolismo.
Drogas.
Determinados Medicamentos.
Tumores Cerebrais.
Toxoplasmose.
Lesões Neurológicas.
Choque Elétrico.
Origem Desconhecida.
Outras Causas.
Sinais e Sintomas:

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



Agitação Psicomotora.
Espasmos Musculares com Clônus e Tremores.
Salivação Intensa.
Queda da Língua.
Perda da Consciência.
Relaxamento dos Esfíncteres: podendo urinar e evacuar, durante a convulsão.
Atendimento:
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
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



Afastar objetos do chão que possam causar lesões ou fraturas.
Afastar os curiosos, dar espaço para a vítima.
Proteger a cabeça da vítima com a mão, roupa, travesseiro, etc.
Lateralizar a cabeça para que a saliva escorra , evitando com isso que venha a se afogar.
Não imobilizar membros (braços e pernas), deixá-los livres.
Afrouxar roupas.
Observar se a respiração está adequada, se não há obstrução das vias aéreas.
Não tracionar a língua ou colocar objetos na boca para segurar a língua (tipo colher, caneta, madeira,
dedos, etc.).
Ao lateralizar a cabeça, a língua lateralizou-se também, liberando a passagem do ar.
Limpar as secreções salivares, com um pano ou papel, para facilitar a respiração.
Após passar a convulsão, se a vítima quiser dormir, deixe-a descansar, enquanto aguarda o socorro.
Não medique a vítima, mesmo que ela tenha os medicamentos. Os reflexos não estão totalmente
recuperados, e ela pode se afogar ao engolir o comprimido e a água.
Se a convulsão for provocada por febre alta (geralmente em crianças), atenda da mesma maneira
como descrito no atendimento e dê-lhe um banho com água morna de chuveiro, vista-a com roupas
leves e providencie a atendimento médico.
Se a convulsão for provocada por acidente ou atropelamento, não retire-a do local, atenda-a e aguarde
a chegada do socorro médico. É grave e tem risco de vida, se for transportada inadequadamente.
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Estado Pós-Convulsivo:
É o que ocorre após a convulsão. A vítima pode apresentar algum destes sintomas:

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Sonulência
Dificuldade para Falar
Palavras sem nexo
Sair caminhando sem direção, etc.
Não deixe a vítima sozinha nesta fase, pois ela pode atravessar a rua e ser atropelada.
Afogamento:
Conceito:
É a Asfixia gerada por aspiração de líquido de qualquer natureza que venha a inundar o aparelho respiratório.
Haverá suspensão da troca ideal de oxigênio e gás carbônico pelo organismo.
Sinais e Sintomas:
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Hipotermia (baixa temperatura corporal)
Náuseas, vômito e distensão abdominal
Cefaléia, tremores
Mal estar
Cansaço
Dores musculares
Apnéia (parada respiratória)
Parada cárdio-respiratória
Atendimento :
Objetivo:
Promover menor número de complicações provendo-se o cérebro e o coração de oxigênio até que a vítima
tenha condições para fazê-lo sem ajuda externa, ou até esta ser entregue a serviço médico especializado.
Meios:
Suporte Básico de Vida
Suporte Cardíaco Avançado de Vida
Socorrista:
 Deve promover o resgate imediato e apropriado, nunca gerando situação em que ambos (vítima e
socorrista ) possam se afogar, sabendo que a prioridade no resgate não é retirar a pessoa da água, mas
fornecer-lhe um meio de apoio que poderá ser qualquer material que flutue, ou ainda, o seu transporte
até um local em que esta possa ficar em pé.
 Deve saber reconhecer uma apnéia, uma parada cárdio-respiratória (PCR) e saber prestar reanimação
cárdio-pulmonar (RCP).
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Resgate:
O resgate deve ser feito por Fases Consecutivas:





Fase de Observação
Fase de Entrada na Água
Fase de Abordagem da Vítima
Fase de Reboque da Vítima
Atendimento da Vítima
Em Primeiros Socorros as alterações eletrolíticas e hídricas decorrentes de diferentes tipos de líquidos (água
doce ou salgada) em que ocorreu o acidente não são relevantes, não havendo tratamentos diferentes ou
especiais.
Os procedimentos em Primeiros Socorros devem adequar-se ao estado particular de cada vítima, no que se
refere às complicações existentes.
Vale frisar que o líquido que costuma ser expelido após a retirada da água provém do estômago e não dos
pulmões por isso, sua saída deve ser natural, não se deve forçar provocando vômito, pois pode gerar novas
complicações.
A Nível de Primeiros Socorros deve-se Sempre:
1. Acalmar a vítima, fazê-la repousar e aquecê-la através da substituição das roupas molhadas e fornecimento
de roupas secas, casacos, cobertores e bebidas quentes.
2. Manter a vítima deitada em decúbito dorsal procedendo com a lateralização da cabeça ou até da própria
vítima, afim de que não ocorra aspiração de líquidos.
3. Caso o afogado inconsciente seja deixado sozinho, ele deve ser colocado na posição de recuperação que
mantêm o corpo apoiado em posição segura e confortável, além de impedir que a língua bloqueie a garganta e
facilitar a saída de líquidos.
Outros Procedimentos em Casos Particulares:
1. Fazer a desobstrução das vias aéreas através da extensão do pescoço, da retirada do corpo estranho e da
tração mandibular atentando sempre para a possibilidade de trauma cervical. Pode Ser Necessário Realizar a
Manobra de Heimlich.
2. Em vítimas com parada respiratória, proceder com a respiração boca-a-boca objetivando manter a
oxigenação cerebral.
3. Em vítimas com PCR, efetuar a RCP em casos que o tempo de submersão seja desconhecido ou inferior ha
uma hora.
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Engasgamento:
É mais freqüente em Crianças Menores de 6 anos. Mas adultos e idosos também se engasgam, por isso é
fundamental saber como proceder diante de crianças, adultos e idosos engasgados.
O engasgamento pode ocorrer com qualquer coisa que possa entrar pelas Vias Aéreas e Obstruir a
Passagem de ar até os Pulmões.
Entre as crianças o campeão, segundo a literatura norte-americana, são os amendoins. Além deles as crianças
também se engasgam com pequenas peças de brinquedos, moedas etc.
Sinais de Engasgamento:
 Pode ser que a pessoa se engasque na sua frente. Neste caso é fácil saber - uma pessoa que está
respirando sem dificuldades passa a tossir sem parar.
 Uma tosse diferente - como se ela tentasse tirar alguma coisa de dentro da garganta - e é isso mesmo o
que está acontecendo. Ela pode também, tentar apontar para a garganta!
A Tosse é a forma mais eficiente de tirar qualquer "corpo estranho" de dentro das vias aéreas. Ela ocorre em
obstruções parciais. Naquelas que ainda existe algum ar passando pelas cordas vocais, algum ar ainda chega
ao pulmão. Se uma pessoa engasgada estiver tossindo, estimule-a.
Fique atento e veja se esta pessoa consegue tirar o corpo estranho com a tosse. Se esta pessoa estiver tossindo,
isto significa que algum ar ainda passa pelas vias aéreas e portanto ainda chega Oxigênio nos pulmões.
Se esta pessoa parar de tossir, significa que o quadro piorou. Agora nenhum ar esta chegando aos pulmões. A
obstrução neste caso é completa.
Atendimento:
Proceder com a Manobra de Heimlich. A manobra de Heimlich é simples e muito eficaz quando bem
realizada.
 A mão fechada é posicionada abaixo do osso do peito (processo xifóide). A outra mão é colocada
sobre a primeira e então são realizados movimentos em JOTA (para dentro e para cima). Isto provoca
aumento da pressão dentro do peito - capaz de expulsar o objeto. Pense na garrafa de champagne - é a
pressão que tira a rolha. Neste caso é usado o mesmo mecanismo, porém diferentemente do que
acontece com a garrafa de champagne, é desencadeado por compressão extrínseca - o movimento das
mãos forçando de fora para dentro - em JOTA - para aumentar a pressão.
 Faça 5 Movimentos Rápidos em Jota (para dentro e para cima). Cada movimento deve ser separado
do outro, ou seja, Todos os Movimentos devem ser Completos. Não inicie um novo movimento na
metade do anterior. Após os 5 movimentos, reavalie a vítima. Veja se esta já está tossindo ou
respirando.
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Pode acontecer de você encontrar um indivíduo deitado sem respirar. Você não sabe o que aconteceu.
Nesta situação - o procedimento é Rápido e Sistemático:
1. Verificar Grau de Consciência
 Soprar 2 vezes no ouvido, se a pessoa não se mexer está Inconsciente. Prosseguir ao 2º Passo:
2. Viabilizar as Vias Aéreas.
3. Realizar Imediatamente 2 Respirações Boca a Boca.
4. Reanimação Cárdio Pulmonar.
Atenção:
Se for uma vítima engasgada, você sentirá uma resistência na hora de fazer essas 2 respirações. Você deverá
desobstruir as vias aéreas da vítima fazendo a Manobra de Heimlich para vítimas inconscientes.
Atenção:
A manobra Não deve ser feita em Mulheres Grávidas ou Pessoas Muito Obesas.
Gestantes e Pessoas Muito Obesas a Manobra recomendada é das Compressões Torácicas:
 Nesta manobra o que é muda é o local e a forma dos movimentos:
 São compressões (não mais em JOTA) realizadas 2 dedos acima do apêndice xifóide (no mesmo local
onde é feita a massagem cardíaca externa).
 São feitas 5 compressões rápidas com a pessoa em pé ou deitada *se a pessoa estiver deitada, abrir as
vias aéreas antes de fazer a manobra.
Atenção: Manobras Realizadas em Bebês:
 O bebê é colocado no antebraço com a barriga encostando no antebraço do socorrista.(Decúbito
Ventral)
 São realizados 3 tapas secos entre as escápulas (osso das costas).
 A criança é então passada para o outro braço de forma que as costas da criança fiquem apoiadas do
antebraço do socorritas.
 São então realizados 3 compressões entre os mamilos da criança.
Este procedimento é repetido até que a criança coloque o corpo estranho para fora.
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Trauma na Criança:
Considerações Gerais:




O Trauma é a Principal causa de Morte no Paciente Pediátrico.
Mecanismo: 80% decorrente de Contusão,Queda e Atropelamento
Toda Criança Politraumatizada Apresenta Lesões Graves (Multissistemas), até prove o contrário.
A Avaliação Primária é igual a do Adulto: Abc da Vida:
 A: Avaliação das Vias Aéreas e Coluna Cervical
 B: Boa Ventilação
 C: Circulação e Controle das Hemorragias
 D: Déficit Neurológico
 E: Exposição do Paciente
Considerações Especiais: São Importantes durante a Avaliação e Manejo da Criança Politraumatizada tendo
em vista as Características Anatômicas Peculiares da População Pediátrica.
1º Tamanho e Configuração:
 Grande Energia num Alvo Pequeno (Massa Pequena) gera uma incidência muito Alta de Lesões de
Múltiplos Órgãos.
 Menos Tecido Adiposo
 Parede Abdominal Fina com Musculatura Pouco Desenvolvida e Gradil Costal Muito Alto e Mais
Flexível, Facilitando a Lesão de Baço e do Fígado.
2º Esqueleto:
 Mais Elástico
 Calcificação Incompleta
 Mais Flexível
 Contém Múltiplos Núcleos de Crescimento
 Gradil Costal Mais Flexível Produzindo Contusão Pulmonar Importante.
3º Estado Psicológico:
 Criança Politraumatizada está Fora do Seu Ambiente que Resulta em uma Insegurança e uma
Resposta com Medo e Choro.
4º Efeitos:
 Iatrogenia: Pode Determinar Alteração no Crescimento e Desenvolvimento
5º Equipamento:
 Adequado ao Tamanho da Criança em Atendimento.
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Características das Vias Aéreas que Dificultam a Manipulação:
 Laringe em Posição Anterior e Menor que a do Adulto
 Glote em Nível de C3 e Adulto em Nível de C5 e C6
 Epiglote Mais Forma em U que o Adulto e Ângulo Reto em Relação as Cordas Vocais
 Região Sub-glótica é Muito Estreita
 Traquéia Mais Curta e Complacente
 Língua Grande em Relação a Cavidade Oral
 Gengiva Mais Proeminente
Manipulação das Vias Aéreas e Ventilação:
 Prioridade Máxima: 3 a 5 minutos de Hipoxemia pode Resultar em Parada Cárdio Respiratória.
 Estabelecer as Vias Aéreas com Aspiração e Avaliar a Possibilidade de Queda da Língua
 Ventilação com Oxigênio a 100%, antes de Intubar se For Necessário.
 Cânula de Guedel com Visão Direta.
 Tubo Endotraqueal: Diâmetro do 5º dedo.
 Via Aérea Cirúrgica: Cricotireostomia acima de 12 anos.
 Punção com Jelco: 45 minutos de Oxigenação.
Choque:
 A Criança Tem uma Reserva Fisiológica Maior que o Adulto permanecendo Estável Mesmo com
Perda Importante de Sangue e Entrar em Estado de Choque Subitamente: O Que Requer Uma
Avaliação Clinica Permanente.
 Acessos: Venoso Periférico, Dissecção Venosa ou Intra-óssea (TAT ou Côndilo Externo do Fêmur).
 A Reanimação é Inicialmente com Ringer Lactato: 20ml/ Kg nos Primeiros 10minutos.
 Solicitar Avaliação do Cirurgião
 Hematócrito Menor que 30%: Concentrado de Hemácias: 10ml/Kg.
 Aquecer a Criança e os Líquidos Administrados.
Trauma Torácico:
 O Fechado é Mais Comum.
 Devido a Maior Complacência do Gradil Costal as Fraturas de Costelas são Menos Freqüentes com
Maior Incidência de Contusões Pulmonares Mais Graves.
 Lesão Vascular no Tórax é Rara.
 A Abordagem é a Mesma que no Adulto: Pneumotórax Hipertensivo, Hemotórax Maciço,
Pneumotórax Aberto e Tórax Instável.Sendo que as 3 últimas São Raras.
 Apenas 15% Necessitam de Toracotomia.
Trauma Abdominal:
 Atenção: O Hemoperitônio Não é Indicação Absoluta de Cirurgia, portanto o Lavado Peritonial é
Menos Importante que a Tomografia Computadorizada.
 Enzimas do Fígado: TGO>200 e TGP>100. Relaciona bem com os Indicativos na TC de Lesão
Hepática.
 As Lesões Mais Comuns: Baço e Fígado. Geralmente as Lesões Neste Órgãos param o Sangramento
Possibilitando um Tratamento Conservador e Acompanhado da Evolução da TC Abdominal.
 Principais Critérios Para Exploração Cirúrgica:
 Instabilidade Hemodinâmica Contínua
 Múltiplos e Grandes Fragmentos de Tecido Desvitalizados pela TC Abdominal.
 Pneumoperitônio ou Sinais Claros de Peritonite.
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Trauma de Crânio: TCE.
 Lesões Neurológicas São Comuns na Criança. Deve-se Examinar Sempre:
 Pupilas
 Membranas Timpânicas
 Couro Cabeludo
 Face
 Apresentam Melhor Prognóstico que o Adulto, Exceto Crianças Menores que 3 anos.
 Mais Importante é Evitar as Lesões Secundárias do Cérebro: Corrigindo a Hipóxia e/ou a Hipovolemia.
 A Criança no 1º Ano de Vida, devido a Elasticidade do Estojo Ósseo, permite as Deformidades e
Afundamento do Crânio Sem Fratura: Chamada Lesão em “Ping-Pong”
 Os Vômitos São Mais Freqüentes e Geralmente por Comprometimento Vestibular Transitório e Não
por Aumento da Pressão Intracraniana.
 As Lesões Focais São Menos Freqüentes.
 O Aumento da Pressão Intracraniana é Freqüente.
 Toda a Criança com Distúrbio da Consciência, Fratura de Crânio ou Trauma de Crânio Mesmo
Clinicamente Estável deve ficar em Observação por 48horas.
 Atenção: O Edema Cerebral Difuso Geralmente Evolui Após Período Lúcido da Criança.
Trauma Raqui-Medular: TRM.
 É Raro na Criança: 5% dos Casos em Crianças Menores de 10 anos
 Geralmente Acidente de Carro.
 Na Criança de 10 a 14 anos: Acidente de Carro e Esporte.
ATENÇÃO
Maus Tratos:
 Continua Sendo uma Grande Causa de Trauma na Criança.
 Quando Houver Disparidade entre a Avaliação Médica da Lesão e a História Fornecida pelos
Responsáveis Já é Razão para Suspeitar de Maus Tratos a Criança e Comunicar os Fatos as
Autoridades Competentes.
Pistas Para o Diagnóstico de Maus Tratos:





Intervalo Grande entre a Lesão ea Admissão
História de Lesões Repetidas
Respostas Inapropriadas dos Pais
Histórias Conflitantes
No Exame Físico:
 Lesões Peri-orais
 Lesões Genital ou Perianal
 Fratura de Ossos Longos em Crianças Maiores de 3 anos
 Hemorragia de Retina
 Ruptura de Vísceras Sem Trauma Importante
 Evidências no Raio X de Fraturas Prévias em Estágios Diferentes de Consolidação
 Lesões por Brasa de Cigarros.
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Trauma na Gravidez
Generalidades:
 O Trauma é a Principal causa de Óbito nas Mulheres em Idade de Procriação, até 35 anos,
acometendo 6% a 7% das Gestantes.
 A Mulher Politraumatizada Grávida é um Motivo de Insegurança para o Médico de plantão no Serviço
de Emergência por Não Ter Vivência Obstétrica Suficiente.
Conduta na Paciente Grávida:
 A Prioridade no Atendimento na Paciente Grávida Traumatizada permanece sendo o ABCDE da
Vida.
 Lembrar Sempre que a Presença do Feto implica em Problemas Adicionais na Conduta, tanto do
Ponto de Vista Técnico como Ético.
 Não Devemos Hesitar em Fazer Raio X na Gestante Vítima de Trauma, Não Importando o Tempo de
Gestação.
Atenção: “O Melhor Tratamento para o Feto está no Melhor Tratamento para Mãe”.
Modificações Fisiológicas e Anatômicas no Organismo Feminino em Gestação:
 Estas Modificações são Capazes de Influenciar a Relação Mãe-Feto, portanto devem ser Bem
Conhecidas e Entendidas para que Possamos Atender de Forma Eficiente a Gestante Traumatizada.
 São Modificações do Organismo Feminino, Capazes de Alterar Sensivelmente seu Comportamento e
Sua Resposta quando Submetida a Traumatismo Físico.
 Durante o Primeiro Trimestre de Gestação a Fisiologia da Mãe e Ligeiramente Modificada.
Alterações na Gravidez:
1. Cardiovasculares:
 Débito Cardíaco: Aumenta em 40% (1 a 1,5 litros) a partir da 10ª Semana. Durante o Primeiro
Trimestre pode Cair Transitoriamente devido a Compressão da Veia Cava Inferior pelo Útero
Gravídico.
 Freqüência Cardíaca: Aumenta: +15 a 20 bpm. Pelo Maior Volume Sistólico.
 Volume Sanguíneo: Aumenta em 50%. Portanto, com esta Reserva Muito Maior, podem ser perdidos
de 30% a 35% do Volume Sanguíneo Antes que Apareçam os Sinais Clínicos de Choque
Hipovolêmico. Surge o Perigo da Hipovolemia Residual onde corre-se o Risco de Subestimar as
Necessidades Volêmicas.
 Pressão Arterial: Pode ocorrer Queda da Pressão Sistólica (5mmHg) e da Diastólica (15mmHg) no 3º
Trimestre em virtude da Redução da Resistência Vascular Periférica. No Período “A Termo” a
Pressão Arterial se Normaliza. Se houver Aumento da Pressão Arterial devemos pensar na situação de
Pré-Eclâmpsia ou Eclampsia.
 Anemia Fisiológica: Hematócrito em torno de 32% a 34%.
2. Respiratórias:
 Volume Corrente: Aumenta em 40%.
 Ventilação por Minuto: Aumenta em 50%.
 Hiperventilação: Queda da pCO2 (27 a 32) e Aumento da pO2 (100 a 108)
61
3. Função Hematopoiética:




Contagem de Hemácias: Aumento em 25%.
Volume Plasmático: Aumento em 50%
Fibrinogênio: Aumento
Leucócitos: Aumento, podendo chegar à 18.000 – 25.000, por conta dos Neutrófilos
4. Gastrointestinais: Por Ação Miorrelaxante da Progesterona:
 Esvaziamento Gástrico Prolongado.
 Diminuição da Pressão do Esfíncter Esofagiano.
 Refluxo Gastro-Esofágico.
Atenção: Deve-se Considerar Toda Grávida Traumatizada de “Estômago Cheio”.
5. Sistema Endócrino:
 Hipófise está 30% a 50% Mais Pesada.
6. Músculo Esquelética:
 Alargamento da Sínfise Púbica: A partir do 7º Mês.
 Alargamento das Sacro-ilíacas.
7. Neurológica:
 Eclâmpsia: Complicação Tardia da Gravidez que no Trauma pode Simular o TCE. Deve ser
Considerada quando Houver Crises Convulsivas com ou sem Hipertensão Arterial, principalmente se
Houver Hiperreflexia.
8. Aparelho Gênito-Urinário:




Útero: Palpável no Púbis na 12ª Semana e na Cicatriz Umbilical na 20ª Semana.
Aumento da Fluxo Sanguíneo Uterino: 500 a 700 ml/min.
Hidronefrose Fisiológica: Aumento da Taxa de Filtração Glomerular e Diurese.
Bexiga: Desviada Cranialmente, portanto fica Mais Susceptível à Lesões.
62
Conduta Inicial no Atendimento à Gestante Traumatizada:
1. Obedecer a Avaliação com o ABCDE da Vida.
2. Evitar o Decúbito Dorsal Horizontal.
3. Manter a Paciente em Decúbito Lateral Esquerdo ou Elevar a Pelve à Direita: Desta Forma
Deslocamos o Útero para a Esquerda Evitando a Compressão da Veia Cava Inferior.
Atenção:
Compressão da
Veia Cava
Inferior
Queda do
Retorno
Venoso
Aumento
da Pressão
na V.C.I.
Compressão
do Sistema
Venoso
Abdominal
Queda do
Débito
Cardíaco
Aumento
da Pressão
nas
Vilosidades
Placentária
Aumento da Pressão
Venosa Periférica
nos Membros
Inferiores
Queda da
Pressão
Arterial
Parada
Cárdio
Pulmonar
Descolamento
Prematuro da
Placenta
Aumento do
Sangramento nas
Feridas dos
Membros Inferiores
Atenção:
Na Estabilização Materna no Choque Hipovolêmico Devemos Evitar o Uso de Vasopressores, porque
Diminuem o Fluxo Sangüíneo para o Útero Resultando em Hipóxia Fetal.
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