O SR

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O Sr. ULDURICO PINTO (PMN-BA) pronuncia o
seguinte
discurso:
Senhor
Presidente,
Senhoras
e
Senhores Deputados, venho neste período de Grande
Expediente tratar de temática que considero central no
debate contemporâneo, referindo-me à intensificação na
produção científica mundial e de forma mais enfática, na
produção nacional, em especial por acreditar que, ao
trilharmos esse caminho, daremos consistentes passos em
direção ao maior progresso socioeconômico.
Os
desafios
da
globalização
são
inúmeros
e
estimulam a produção do saber em diversos setores, onde
no campo da Medicina, por exemplo, podemos constatar o
quanto as descobertas científicas descortinam um cenário
repleto de esperança para milhares de pessoas.
É exatamente o ocorrido na recente notícia de que
pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz conseguiram isolar o
vírus da gripe suína, o H1N1, detectando um padrão
diferenciado em relação ao registrado pelo Centro de
Controle de Doenças dos Estados Unidos.
Comemoramos descoberta tão importante, com a
convicção de que a Gripe Suína, na sua capacidade de
cruzar fronteiras numa velocidade impressionante, ainda
representa foco de intensa preocupação.
Desde abril, quando foi registrada pela primeira vez
no México, a doença atingiu dezenas de países e num
ritmo tão acelerado, que acabou por justificar, em 11 de
junho, a decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS)
de elevar o nível de alerta da fase 5 para o patamar 6, o
mais elevado no escalonamento adotado.
Cabe
frisar
–
inclusive
para
o
perfeito
dimensionamento dessa decisão – que a fase 5 significa a
propagação do vírus de pessoa para pessoa em pelo
menos dois países de uma mesma região.
Quando a propagação de pessoa para pessoa
passa a ser registrada em, no mínimo, um país de outra
região, a OMS deve elevar o nível para a fase 6, fato
caracterizador de um quadro pandêmico.
Espera-se que a elevação para essa fase seja
responsável por recrudescer a adoção de amplas medidas
de saúde nos Estados membros da OMS, com a expansão
do vírus sendo enfrentada com a máxima eficiência.
Sim! A dimensão atingida pela Gripe Suína faz
aumentar nosso sentimento de apreensão e desperta a
lembrança de outras pandemias ocorridas no Século XX.
Responsável por infectar milhares de pessoas e
que chegou a matar 1 em cada 20 doentes, a Gripe
Espanhola – ocorrida entre 1918 e 1920 – até hoje é
relembrada nos estudos de enfrentamento de pandemias.
Além dela, não podemos esquecer – por toda a angústia
gerada – outras pandemias de gripe, como a Asiática, em
1957, ou a de Hong Kong, em 1968.
Nobres Parlamentares, conforta-nos saber que
nenhuma pandemia anterior foi detectada e monitorada tão
rapidamente, sendo assim, os dados estatísticos ainda
revelam que não podemos diminuir nossos esforços
conjuntos para combater problema de tamanha magnitude.
Enfatizo,
com
esse
pressuposto,
o
avanço
científico promovido pelo Instituto Adolfo Lutz, que a partir
de relevante produção de conhecimento especializado no
campo da saúde coletiva, confere fundamental destaque ao
desenvolvimento de pesquisas aplicadas e justifica parcela
considerável de seu conceito de excelência, atribuído, com
plena justiça, por muitos pesquisadores no Brasil e no
mundo.
Excelência evidenciada na própria nota técnica
do
Instituto, ao explicar, com a devida ênfase, que o
isolamento do vírus propiciou o sequenciamento do
material genético da estirpe brasileira.
No detalhamento dessa explicação, afirma ainda
que a caracterização genética insere-se como fundamental
na investigação da epidemiologia molecular do vírus,
sobretudo para verificar se o padrão viral se mantém ou se
já sofreu diferenciação dos padrões encontrados em outras
regiões do mundo.
Se no campo da Medicina as descobertas
científicas geram entusiasmo, outras áreas do saber
também se beneficiam com tais avanços.
O agronegócio, por exemplo, representa uma
área onde o conhecimento em nanotecnologia tem função
estratégica. Felizmente a Embrapa – além de seus
pesquisadores com grande capacitação técnica para
acompanhar e promover estudos nessa nova fronteira do
conhecimento – tem buscado a ampliação de sua estrutura
física, com o Laboratório Nacional de Nanotecnologia e a
Rede
de
Nanotecnologia
Aplicada
ao
Agronegócio
evidenciando tal realidade.
As oportunidades são imensas e altamente
promissoras. O conhecimento em nanociência permite-nos
compreender a matéria em sua forma estrutural mais
elementar, na qual átomos e moléculas interagem e se
organizam e isso é de completa relevância numa
perspectiva multidisciplinar.
Com efeito, vemos, nos inovadores usos de
produtos agropecuários em que a nanotecnologia é
utilizada, o constante diálogo com outras áreas do saber.
Inclusive, a extensão do tema tem possibilitado
múltiplas
linhas
de
pesquisa,
como
o
estudo
de
nanocatalisadores para a descontaminação ambiental ou
ainda a produção de biocombustíveis.
Esse ano nos dias 5, 6 e 7 de maio estive em Tel
Aviv, em Israel, onde tive a oportunidade ímpar de
participar da AGRITECH, que a grosso modo, posso dizer
que é uma feira mundial científica sobre biotecnologia.
Essa feira científica é voltada para as soluções
na agricultura e encontrar meios para aumento de
produção de alimentos, sem a interferência de pragas e
intempéries, analisar o DNA das plantas e extração do
genoma para aumento da produção de alimentos.
A fome meus senhores será, no terceiro milênio,
o grande problema do Mundo e com ela, senhores, sempre
vem outras pragas, como doenças, instabilidade econômica
e guerras.
A solução está na ciência, e na AGRITCH, tive a
oportunidade de ver e apreciar tecnologias de vanguarda ,
como por exemplo: A Técnica do inseto macho estéril, que
consiste no bombardeamento por radiação em machos de
insetos
tornando-os
estéreis,
soltos
em
grandes
quantidades no meio ambiente, provoca uma queda na
procriação de insetos causadores e transmissores de
doenças.
E com todas essas novidades no campo das
tecnoculturas é que devemos enfatizar na pesquisa,
valorizando o conceito de sustentabilidade, reafirmando a
preocupação da Embrapa com projetos que preservem
ecossistemas e a biodiversidade.
Enaltecer o competente trabalho do Instituto
Adolfo Lutz ou da Embrapa traduz meu profundo
agradecimento a eficientes instituições e pesquisadores,
verdadeiros
copartícipes
de
um
grade
projeto
transformador, isso conseguido com os recursos parcos,
imaginem se os recursos fossem os desejados com certeza
os resultados serão mais significativos com os nossos
objetivos .
Como coordenador da Frente Parlamentar para
o Apoio e Desenvolvimento da Biotecnologia, vejo o quanto
o engajamento de cientistas de Norte a Sul do País é
capaz de sensíveis mudanças no nosso histórico quadro de
desigualdades.
A dengue em meu estado a BAHIA SE
ALASTRA
COMO
tivéssemos
uma
RASTILHO
política
DE
sanitarista
PÓLVORA
preventiva,
e
se
com
técnicas do inseto estéril e uma conscientização social, de
que todos estamos na linha de frente e
assim atingir
moralmente àqueles que contribuem para a perpetuação
do mosquito da dengue hemorrágica, por não destruírem
os focos de procriação do mosquito em suas propriedades.
E sobre tudo isso é que devemos nos ater e
refletir com calma e sensatez, sobre como nos enquadrar e
conquistar nosso espaço nessa nova tecnologia e não
ficarmos
para
trás,
mais
uma
vez,
no
progresso
tecnológico.
Com o progresso biotecnológico, podemos
produzir mais alimentos ou remédios, que é de extremo
valor, conseguindo assim, da mesma forma, inequívoco
impulso industrial, com reflexos na geração de emprego e
renda.
Por ser médico em meu País, tenho percebido
uma invasão silenciosa e perigosa de um pensamento
social, de que existem em nosso país, apenas médicos e
profissionais de saúde que ministram medicamentos.
Perderam a primazia de pesquisadores, pois os
fundos para as pesquisas científicas têm diminuído em
nosso
país,
nossas
universidades
científicas
estão
perdendo seus espaços laboratoriais e estudam através de
slides, filmes, vídeos e outros meios de mídia, estamos
perdendo o estudo in loco, onde a aproximação direta do
cientista, com a causa do problema está cada vez mais
distante em nossas universidades.
Não sejamos nós, “aqueles” destinados, pelos
países ricos a usar e ter o que eles desejam que nós
usemos, nossa independência não deve ser somente
territorial, mas intelectual e científica.
Devemos dar os mecanismos aos nossos
pesquisadores e cientistas, para que possamos algum dia
ter a independência que esses países têm e nós ainda não.
Senhoras e Senhores Deputados, temos a
consciência de que a aceleração no processo de
globalização produziu, entre seus diversos efeitos, a
deterioração de muitos componentes básicos ambientais,
com inarredável impacto em nosso cotidiano.
Defender, de maneira efusiva, ecossistemas
diversos encontra respaldo na própria proteção da
qualidade de vida da espécie humana, tendo em vista a
compreensão, felizmente consolidada minuto a minuto, de
que agressões ao meio ambiente, num desenvolvimento de
caráter predatório em sua essência, atingem-nos em
grande medida e num espaço temporal cada vez menor.
O enfoque predatório remete-nos ao central
debate
sobre
riscos
ambientais.
Riscos
como
as
consequências já verificadas no regime climático mundial e
responsáveis por gerar tanta angústia. Não é por menos
que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas – um dos encontros mais importantes na história
dos acordos ambientais e que será realizado no fim deste
ano – tende a congregar os maiores especialistas em torno
de temática com extraordinária repercussão no nosso
quotidiano.
Sabemos que o sólido conhecimento científico
é essencial
aliado
na
busca pelo desenvolvimento
sustentável.
Conhecimento preocupado com o mapeamento
das regiões mundiais mais atingidas por práticas de
desmatamento, com a emissão de gases poluentes ou
ainda com a análise de biodiversidades afetadas pelo
desenvolvimento predatório.
Pensemos, portanto, na busca por avanços
tecnológicos em perfeita harmonia com a sustentabilidade
e tendo a Ciência como parceira sempre presente.
A matriz de progresso econômico – alicerçada
numa
dimensão
predatória
desenvolvimento
sustentabilidade
e
fundamentado
–
significa
em
contraste
ao
no
conceito
de
perigoso
caminho
da
estagnação .
Nesse sentido, a própria produção de lixo
tecnológico tem suscitado análises em diversos centros de
pesquisas que tentam verificar diferentes fatores, como a
grau de toxicidade ou o elevado período de decomposição
de determinados resíduos.
Desse modo, a discussão sobre a destinação
final ecologicamente correta de materiais adquire grande
relevância, com o conceito de sustentabilidade assumindo
posição proeminente.
E
em
toda
essa
dinâmica,
o
processo
educacional cumpre valiosa missão, principalmente por
estimular a adoção de acertadas condutas do ponto de
vista ambiental, numa conscientização aprimorada.
O adequado uso de eletroeletrônicos, num
cenário de práxis ambientalmente corretas, aí se insere. A
constatação de que subprodutos gerados por esses
equipamentos
muitas vezes não retornam ao ciclo
produtivo causa compreensível inquietação, sobretudo com
a certeza de essa prática projeta-se no rol daquelas
ocasionadoras de impacto ambiental.
E
vemos,
como
situação
agravante,
a
repetição desse processo, pois são equipamentos que,
diante de tantas inovações tecnológicas surgidas na
Modernidade, tornam-se obsoletos com frequência.
Cabe, ainda, mencionar que as consequências
à saúde da população podem ser graves quando resíduos
são dispostos de maneira inapropriada.
Na poluição do solo, da água e do ar, esses
resíduos – pelo amplo grau de toxicidade que possuem –
são responsáveis por causar sérios danos, atingindo, em
especial, aquelas comunidades mais próximas a aterros ou
lixões.
Essa é uma lógica cruel, pois acaba por
vulnerabilizar homens, mulheres e crianças que já se
encontram em situação de imensa vulnerabilidade social.
Pensemos,
portanto,
na
reutilização
de
subprodutos no ciclo produtivo como viável alternativa não
somente de correta concepção ecológica, mas como
poderosa forma de geração de emprego e tendo imediata
interface com a inclusão social.
Empresas
especializadas
nesse
tipo
de
serviço, com seus postos de trabalho sendo multiplicados
pela crescente demanda do mundo moderno, muito
contribuiriam
para
o
alcance
de
uma
matriz
de
desenvolvimento sustentável e com positivos reflexos
socioeconômicos.
Nobres
Parlamentares,
nos
estudos
biotecnológicos ou ainda nas criteriosas análises sobre
mudanças no regime climático, nossos cientistas, por tudo
que realizam, merecem os mais elevados elogios.
Quero, dessa forma, fazer destacada menção
às pesquisas desenvolvidas por nossos mestres e
doutores, que tanto contribuem para o crescimento na
produção
científica
nacional
que,
felizmente,
vive
verdadeiro ciclo virtuoso, com os recursos que possuem.
Adjetivação justificável, pois o Brasil tem
subido no ranking internacional da produção científica, que
compara o quantitativo de trabalhos publicados pelos
pesquisadores de cada país em revistas e jornais
especializados.
Isso
representa,
para
muitos
analistas,
resultado imediato de um grande crescimento no número
de teses e estudos elaborados entre 2007 e 2008, com o
consequente aumento de 19 mil para a impressionante
marca
de
30
aproximadamente.
mil
artigos
científicos
publicados,
Na busca por fatores explicativos dessa
significativa
evolução,
aparecem
com
destaque
os
investimentos da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (Capes).
Com efeito, vemos tanto o número de mestres
e doutores no País passando, entre 1996 e 2007, de 13,5
mil para 40,6 mil, quanto constatamos que a concessão de
bolsas de estudo pela Capes aumentou de 19 mil para 41
mil no mesmo período.
Na formação de doutores, em 2000 o número
foi de 5.335, enquanto em 2008 rompemos a barreira
simbólica de 10 mil doutores formados.
No cotidiano da pós-graduação, os positivos
efeitos são sensíveis, com estudos na área de TV Digital e
de nanobiotecnologia, entre outras temáticas.
Estudos que estreitam a relação entre centros
universitários
e
empresas,
todos
imbuídos
nesse
maravilhoso projeto de construir um País cada vez mais
próspero e conectado ao que existe de mais moderno em
produção científica.
Sim! Vivemos um ciclo virtuoso, pois entre os
180 países do ranking ora mencionado, revela-se notável o
índice brasileiro de crescimento.
Em que pese essa constatação, necessitamos
melhorar em outros quesitos, como o próprio número de
citações que um estudo gera após sua publicação.
Esse
índice,
conforme
lembrado
por
pesquisadores, é essencial na qualitativa mensuração de
determinado estudo.
Acrescido a tal aspecto, o maior incentivo
conferido
a
pesquisas
científicas
certamente
terá
ressonância positiva nesse ciclo que desejamos ver com
virtuosidade ainda maior e capaz de melhorar a posição
brasileira no ranking internacional.
Nesse
desiderato,
torna-se
premente
fortalecer o nível de investimento no ensino superior
público e privado, com pesquisadores tendo propícias
condições de construção e multiplicação do saber.
Construção
e
multiplicação
do
saber,
Senhoras e Senhores Deputados, que andam de mãos
dadas e com permanente foco em nosso próspero e breve
futuro! Um futuro de inclusão social, de sustentabilidade e
de avanço tecnológico, com cientistas motivados e
conscientes do grandioso papel que desempenham na
sociedade.
Contem com meu entusiástico apoio!
Senhor Presidente e a todos os patriotas que nos
assistem, meu muito obrigado.
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