novos alvos na quimioterapia contra doença de chagas

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NOVOS ALVOS NA QUIMIOTERAPIA CONTRA
DOENÇA DE CHAGAS
Thamires Torres Ferreira
Rio de Janeiro
2012
THAMIRES TORRES FERREIRA
Aluna do Curso de Farmácia
Matrícula 0823800157
NOVOS ALVOS NA QUIMIOTERAPIA CONTRA DOENÇA
DE CHAGAS
Trabalho de Conclusão de Curso, TCC, apresentado
ao Curso de Graduação em Farmácia, da UEZO
como parte dos requisitos para a obtenção do grau de
Graduação em Farmácia, sob a orientação do
Professor André Luiz Fonseca de Souza.
Rio de Janeiro
Julho de 2012
ii
NOVOS ALVOS NA QUIMIOTERAPIA CONTRA DOENÇA
DE CHAGAS
Elaborado por Thamires Torres Ferreira
Aluna do Curso de Farmácia da UEZO
Este trabalho de Graduação foi analisado e aprovado com
Grau: 10 (DEZ)
Rio de Janeiro, 04 de Julho de 2012
_____________________________________
Prof. André Luiz Fonseca de Souza, da UEZO - Presidente
_____________________________________
Prof. Sérgio Henrique Seabra, da UEZO.
_____________________________________
Prof. Francisco José Rocha de Sousa, da UEZO
RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL
Julho 2012
iii
Dedico este trabalho a meus familiares, amigos e a
todos os professores e colaboradores que me
apoiaram na jornada da graduação. Em especial,
minha avó Suelli Guerra Torres que foi a minha
grande inspiração.
iv
AGRADECIMENTOS
A Deus, fonte de luz e sabedoria. Meu grande protetor.
Aos meus pais, Solange Torres e Miguel da Costa e à minha irmã Larissa Torres, por toda
força, amor, paciência e incentivo, que juntamente ao meu namorado, Jacson Machado, me
proporcionaram momentos de grandes alegrias.
Aos meus avós paterno (in memorian) e materno, em especial, Vovó Sueli Guerra (in
memorian), a grande responsável por este trabalho. Motivo da minha inspiração e total
admiração. Guerreira sofreu por muitos anos vítima da doença de Chagas. Este trabalho é
dedicado a ela!
Aos meus colegas de classe, pelos momentos de alegria, companheirismo e dedicação.
Estar com vocês me ensinou muito. Levarei pra sempre lições que cada um me ensinou.
Um abraço especial para os amigos Bruno Pinheiro, Débora Rocha, Rodrigo Cavalheiro e
Rosana Vale, muito obrigada pela grande amizade.
Aos amigos que fiz na faculdade durante essa intensa jornada.
Aos meus tios por toda a força e carinho que sempre tiveram por mim.
À minha grande amiga, Marcela Teso, pela oportunidade de estágio. A todos da
Naturativa, pelo incentivo e carinho.
Às minhas amigas, de sempre para sempre, Flávia e Luciane.
Ao meu professor orientador, André Luiz Fonseca de Souza. Obrigada pela paciência de
sempre. Ter que ler meus milhões de emails, recheados de dúvidas, não é tarefa fácil.
A todos meus professores que contribuíram para o meu sucesso.
Ao professor Sérgio Henrique Seabra pelos conselhos e pela oportunidade que me deu na
área da pesquisa. O Plasmodium chabaudi vai ficar para sempre na minha memória.
v
Poucas coisas no mundo são mais poderosas que um
impulso positivo - um sorriso. Um mundo de
otimismo e esperança, um “você consegue” quando
as coisas estão difíceis.
Richard de Vos
vi
Resumo
A doença de Chagas é uma infecção causada por um protozoário chamado
Typanosoma cruzi. É transmitida através das fezes de um inseto conhecido como barbeiro.
A doença de Chagas vem sendo discutida, pois até a presente data não há sequer um
medicamento ou tratamento eficaz para as fases aguda e crônica da doença e para pacientes
pediátricos e geriátricos, e vem vitimando milhões de pessoas no mundo. Ano após ano
aumentam os riscos de contágio e de mortes.
Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi o de realizar um estudo baseado na
literatura a fim de buscar os novos alvos que vem sendo pesquisados para o tratamento
seguro e eficaz da doença de Chagas.
De posse deste estudo é possível verificar que vem sendo bastante estudados
caminhos para a cura da doença. Contudo, infelizmente, verifica-se também que a indústria
e o governo não estão interessados no assunto, dando pouco suporte financeiro aos
pesquisadores e com isso, o tratamento e a cura podem estar num futuro bem distante.
Palavras-chave: Doença de Chagas, Trypanosoma cruzi, novos alvos, tratamento,
medicamentos.
vii
ABSTRACT
The Chagas disease is an infection caused by a protozoan called Trypanosoma
cruzi. It is transmitted through the feces of an insect known as a barber. The Chagas
disease has been discussed, because to date there is not a medicine or effective treatment
for acute and chronic phases of the disease and pediatric and geriatric patients, and is
victimizing millions of people worldwide. The risk of infection and death increases rapidly
each year. In this context, the objective of this study was to conduct a study based on
literature in order to seek new targets that has been investigated for the safe and effective
treatment of Chagas disease.
Based on this study it was observed that many researchers have been extensively
studied ways to cure Chagas disease. However, unfortunately, it can be noted that the
industry and the government are not interested in the subject, giving some financial support
to researchers and thus, treatment and cure can be a very distant future.
Keywords: Chagas disease, Trypanosoma cruzi, new targets, treatment, medications.
viii
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Parasito Trypanosoma cruzi .................................................................................. 6
Figura 2. Estádios evolutivos do triatomíneo, de ovo a adulto ............................................ 7
Figura 3. Ciclo de vida do Trypanosoma cruzi no inseto e no homem ................................ 8
Figura 4. Taxa de mortalidade anual de Doença de Chagas/100.000 habitantes, Brasil,
1980/1996.............................................................................................................................10
Figura 5. Número de hospitalizações anuais por Doença de Chagas, brasil, 1990/1997 ... 11
Figura 6. Formas tripomastigotas sanguineas do Trypanosoma cruzi .............................. 15
Figura 7: Fluxograma para a realização de testes laboratoriais para a doença de Chagas na
fase crônica .......................................................................................................................... 16
Figura 8. Fluxograma para avaliação da transmissão vertical do T. cruzi ......................... 17
Figura 9. Mecanismo de ação proposto dos fármacos nifurtimox e benzonidazol ............ 18
Figura 10. Estrtutura química do Benzonidazol ................................................................. 20
Figura 11. Estrutura química do Nifurtimox ...................................................................... 21
Figura 12. Estratégias para a descoberta de compostos bioativos candidatos a novos
fármacos contra as doenças negligenciadas......................................................................... 23
ix
LISTA DE QUADROS
Quadro 1. Principais reações colaterais no tratamento da Doença de Chagas....................22
x
SIGLAS E ABREVIATURAS
IOC
Instituto Oswaldo Cruz
DNA
Ácido desoxirribonucléico
kDNA
Ácido desoxirribonucléico com presença de cinetoplastos
RNA
Ácido ribonucleico
T.Cruzi
Trypanosoma cruzi
CCC
Cardiopatia chagássica crônica
OMS
Organização Mundial de Saúde
WHO
World Health Organization
DCH
Doença de Chagas
ELISA
Ensaio imunoenzimático
DCA
Doença de chagas aguda
PCR
Reação em cadeia polimerase
IFI
Imunofluorescência direta
IGM
Imunoglobulinas tipo M
ATP
Adenosina Tri-fosfato
IGG
Imunoglobulinas tipo G
xi
BHC
Hexaclorobenzeno
LAFEPE
Laboratório Farmacêutico de Pernambuco
NF
Nifurtimox
BZ
Benznidazol
HGPRT
Hipoxantina-guanina-fosforibosil transferase
SUMÁRIO
RESUMO ............................................................................................................................. vi
ABSTRACT ........................................................................................................................ vii
LISTA DE FIGURAS ........................................................................................................ viii
LISTA DE QUADROS ........................................................................................................ ix
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ........................................................................... x
1.
INTRODUÇÃO...........................................................................................................1
2.
OBJETIVOS................................................................................................................2
2.1. OBJETIVO GERAL...........................................................................................2
2.2. OBJETIVO ESPECÍFICO..................................................................................2
3.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA..................................................................................3
3.1 HISTÓRICO...........................................................................................................3
3.2 O PARASITO.........................................................................................................5
3.2.1 O VETOR..................................................................................................6
3.3 CICLO DE VIDA...................................................................................................7
3.4 DOENÇA DE CHAGAS........................................................................................8
3.4.1 DIAGNÓSTICO......................................................................................12
3.4.1.1 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ......................................12
3.4.1.1.a MÉTODO PARASITOLÓGICO....................................12
3.4.1.1.b MÉTODOS IMUNOLÓGICOS......................................13
3.4.2 PROFILAXIA..........................................................................................17
3.5 QUIMIOTERAPIA EXISTENTE........................................................................18
3.6 NOVOS ALVOS..................................................................................................22
4.
CONCLUSÃO...........................................................................................................28
5.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................29
1
1. INTRODUÇÃO
A doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, foi descoberta
por Carlos Chagas em 1909. O agente etiológico é um protozoário flagelado que tem como
principal forma de transmissão um inseto comumente chamado de barbeiro. O barbeiro
pica e defeca ao mesmo tempo, contaminando assim o homem. Ao entrar na célula
humana, ele passa da forma infectante tripomastigota para amastigota onde são
multiplicadas e passadas célula a célula, até chegar à corrente sanguínea [1]. Há outras
formas de infecção como: transfusão de sangue, ingestão de alimentos contaminados,
acidente de laboratório, manejo de animais contaminados, entre outros.
Uma das mais graves manifestações clinicas da Doença de Chagas é a miocardite
(aumento do tamanho do coração). A doença de Chagas também causa em seus infectados:
febre, mal estar, inflamação e aumento dos gânglios linfáticos, entre outros sintomas [2-3].
A quimioterapia utilizada para o tratamento da doença está longe de ser ideal. Com
altos efeitos colaterais e baixa efetividade, além de não serem eficazes na fase crônica da
doença e não serem administrados em crianças, o Nifurtimox e Benzonidazol tem sido os
únicos fármacos utilizados para o tratamento. O medicamento ideal seria aquele
com:baixos efeitos colaterais, pouca toxicidade ao paciente, alta atividade contra o
parasita; eficiente nas infecções agudas e crônicas; administração oral e em poucas doses;
longo prazo de meia vida [4]. O principal motivo do baixo número de medicamentos
disponíveis é a indústria considerar o mercado econômico limitado, e, assim, não investir
em pesquisas [5], tornando-se assim uma doença negligenciada pois não é de interesse das
indústrias farmacêuticas e de pouca importância para o governo, em certas ocasiões.
2
2. OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
Este trabalho tem como objetivo revisar os fármacos antichagásicos já existentes no
mercado, buscando novos alvos para o tratamento da patologia.
2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO
A partir deste tema central, abordar o ciclo da doença, modo de infecção, sinais,
sintomas, diagnósticos e tratamentos; revisar os fármacos Nifurtimox e benzonidazol,
mostrando seu modo de ação; buscar em estudos novos alvos e terapia para a doença e
trazer noticias atuais quanto à evolução da doença e da terapia envolvida.
3
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1
HISTÓRICO
A história da doença de Chagas se inicia com uma tripla descoberta, no interior de
Minas Gerais. Em abril de 1909, Carlos Chagas (1878-1934), pesquisador do Instituto
Oswaldo Cruz (IOC), comunicou ao mundo científico a descoberta de uma nova doença
humana. Seu agente causal (o protozoário que denominou de Trypanosoma cruzi, em
homenagem ao mestre Oswaldo Cruz) e o inseto que o transmitia (triatomíneo conhecido
como “barbeiro”) também haviam sido por ele identificados, ao final de 1908. O “feito” de
Chagas, considerado único na história da medicina, constitui um marco decisivo na história
da ciência e da saúde brasileiras. [6]
Trazendo uma contribuição inovadora ao campo emergente da medicina tropical e
dos estudos sobre as doenças parasitárias transmitidas por insetos-vetores, Chagas traria a
público não apenas uma nova entidade nosológica, mas a realidade sanitária e social do
interior do país, assolado pelas endemias rurais. Enaltecida por Oswaldo Cruz como a
maior das “glórias de Manguinhos”, a descoberta trouxe imediato prestígio e projeção ao
jovem cientista, que receberia várias distinções acadêmicas no Brasil e no exterior, tendo
sido indicado ao Prêmio Nobel por duas vezes. [6]
A partir de 1911, Chagas e seus companheiros do Instituto Oswaldo Cruz se puseram
em campo para melhorar o diagnóstico e tentar estabelecer um tratamento específico da
doença, que vitimava geralmente crianças em sua etapa aguda e desencadeava uma terrível
e mortal cardiopatia em muitos casos da fase crônica. [7] Muitos medicamentos foram
experimentados contra o Trypanosoma cruzi (T. cruzi), agente da moléstia, ao longo de
décadas, sem sucesso: arsenicais, antimoniais, derivados do quinino, aminas, sulfas e
antibióticos, que se mostravam ativos em outras infecções e doenças tropicais como a
sífilis, a malária, a doença do sono, as leishmanioses, a tuberculose, a amebíase, etc.,
mostravam-se inócuos contra o tripanossoma de Chagas. Este protozoário, ao infectar o
homem, se abriga na intimidade de várias células e mostra capacidade de defender-se
4
contra uma série enorme de compostos químicos e de agentes biológicos, mediante
estratégias e artifícios como neutralização, inativação, capeamento, variação antigênica,
etc.. Na realidade, somente nos anos 40 alguns compostos mostraram alguma ação contra
o T. cruzi em modelos experimentais e casos agudos humanos. O principal deles foi o
quinoleínico "Bayer 7.602", com discreta atividade parasiticida, seguindo-se um arsenical
composto de enxofre, denominado "Spirotrypan", muito usado nos anos 50. [7] Muito
tóxico, remédios como estes reduziam efetivamente o número de parasitas circulantes na
doença aguda, mas eram praticamente ineficazes na crônica, nunca logrando a extinção
total do parasitismo, como seria necessário para a cura. A doença de Chagas, cada vez mais
diagnosticada, ganhou o estigma de incurável. [7]
Os anos 60 trouxeram fatos animadores, como o trabalho de Zigman Brener,
indicando a necessidade de que o tratamento fosse prolongado (até 60 dias) e o surgimento
de drogas mais ativas, os nitrofuranos. Dentre estes, o mais efetivo foi o "nifurtimox"
(Lampit ), que realmente levou à cura vários casos agudos e mesmo de alguns crônicos,
trazendo esperanças aos doentes e à comunidade científica.[7] Mais adiante surgiu outro
fármaco, um derivado imidazólico denominado "benznidazol" (Rochagan ), um pouco
mais efetivo. A partir daí, multiplicaram-se os ensaios terapêuticos que levariam pelo
menos 20 anos para alcançar consenso e resultados comparáveis entre os pesquisadores.
Apesar de apresentarem moderada toxicidade, estes medicamentos conseguiam eliminar o
parasita no sangue e nos tecidos, se administrados na dose certa e durante o período de 2
meses, efeito este mais palpável na fase aguda.[7] Sempre indicado para ser feito por
médico, o tratamento exige cuidadosa atenção para adequação da dose do fármaco e para o
manejo de reações colaterais que ocorrem em cerca de 30 a 40% dos pacientes, em
gravidade variável. Para o Lampit as reações principais referem-se à perda de apetite,
emagrecimento, irritabilidade e alterações temporárias de comportamento.[7] Para
o Rochagan, ocorrem principalmente reações na pele (semelhantes à urticária), alterações
digestivas, neurite e diminuição de glóbulos brancos no sangue. Em alguns pacientes, tais
reações adversas são intensas e obrigam a suspender o medicamento. Com muitos estudos
experimentais e em humanos, já nos anos 80 a comunidade científica brasileira indicava o
tratamento específico para todos os casos agudos e congênitos da doença de Chagas,
ampliando-se aos poucos esta indicação para casos crônicos de baixa idade e de infecção
5
recente, assim como na qualidade de preventivo para situações de acidentes de laboratório
e de transplantes de órgãos de doador chagásico para receptor não-chagásico. [7]
3.2
O PARASITO
O Trypanosoma cruzi é um protozoário pertencente à ordem Cinetoplastida
(caracterizada pela presença do cinetoplasto, que corresponde a uma condensação de DNA
localizado no interior de uma mitocôndria única e ramificada por todo o corpo do
protozoário) e à família Trypanosomatidae.[8] Os membros dessa família apresentam de
um a quatro flagelos e podem ser encontrados em diferentes insetos hemípteros, animais
silvestres e domésticos. O T. cruzi é um organismo diplóide que se multiplica
predominantemente por divisão binária. Desta forma, o genoma de cada isolado evolui
independentemente. [8]
A mitocôndria do T. cruzi tem o cinetoplasto que retêm material genético
denominado kDNA, localizado abaixo do corpúsculo basal. O kDNA é formado por
maxicírculos e minicírculos, que formam uma rede de kDNA que se divide
automaticamente e inicia o processo de replicação celular. [9]
Como formas replicativas estão incluídas os epimastigotas, presentes no tubo
digestivo do inseto vetor e amastigotas observados no interior das células de mamíferos.
As formas não replicativas e infectantes, os tripomastigotas metacíclicos, são encontrados
nas fezes e urina do inseto vetor e os tripomastigotas circulantes no sangue de mamíferos.
[8]
Os tripomastigotas podem entrar em qualquer célula, com exceção de neurônios,
iniciando seu ciclo de replicação. [10]
6
Figura 1: Parasito Trypanosoma cruzi
Fonte: Portal Chagas
3.2.1
O VETOR
A maioria das espécies de triatomíneos deposita seus ovos livremente no ambiente,
entretanto, algumas espécies possuem substâncias adesivas que fazem com que os ovos
fiquem aderidos ao substrato. Essa é uma característica muito importante, uma vez que
ovos aderidos às penas de aves e outros substratos podem ser transportados passivamente
por longas distâncias, promovendo a dispersão da espécie. [11]
A oviposição ocorre entre 10 e 30 dias após a cópula e o número de ovos varia de
acordo com a espécie e principalmente em função do estado nutricional da fêmea. Uma
fêmea fecundada e alimentada pode realizar posturas por todo o seu período de vida adulta.
Um triatomíneo (seja ninfa ou adulto) que tenha se alimentado em um mamífero
(incluindo o homem) infectado com o T.cruzi pode adquirir a infecção, assim
permanecendo por toda a sua vida. Não há transmissão transovariana do T. cruzi, portanto,
os ovos não são infectados e os insetos que dele eclodirem permanecerão livres de infecção
até a primeira ingestão de sangue contaminado. [11]
7
Figura 2. Estádios evolutivos do triatomíneo, de ovo a adulto.
Fonte: Livro Iconografia
O T. cruzi é encontrado nos mais diversos nichos ecológicos, contribuindo cada tipo
de ecótopo para formar modalidades distintas de focos naturais da parasitose. Apresenta
uma enorme competência em infectar espécies de hospedeiros. Esse flagelado está
amplamente distribuído em todas as regiões do país, sendo reportado em infecções naturais
em cerca de uma centena de espécies de mamíferos silvestres e domésticos pertencentes a
oito diferentes ordens. Desse modo, como parasita de animais silvestres, podemos
encontrar diferentes espécies de mamíferos sustentando diferentes ciclos de transmissão os
quais podem estar isolados ou conectados. Esse caráter é particular e único para cada
localidade. [12]
3.3
CICLO DE VIDA
Ao picar e defecar, o mosquito elimina através das fezes a forma tripomastigota
metacíclica do protozoário e este invade a célula humana onde se transformam em
amastigotas. Assexuadamente, as amastigotas se multiplicam dentro das células,
transformam-se novamente em tripomastigotas, onde destroem as células e são liberadas à
corrente sanguínea. Nesta fase começa o estágio diagnóstico, pois é possível, através de
exames específicos de sangue, encontrar infecção.
Após atingir a corrente sanguínea, os tripomastigotas invadem células e proliferam
dentro de cada uma, na forma de amastigota, liberando mais e mais parasitas no sangue.
8
Já o ciclo do protozoário no inseto conhecido como barbeiro, se dá quando o inseto
pica um individuo contaminado. O parasita encontra-se na forma tripomastigota (forma
circulante na corrente sanguinea) e, no intestino do inseto, transforma-se na forma
epimastigota onde proliferam e, novamente, transformam-se na forma tripomastigota, que
é a forma infectante.
Figura 3. Ciclo de vida do Trypanosoma Cruzi no inseto e no homem
Fonte: Adaptado de SBPZ
3.4
DOENÇA DE CHAGAS
A patologia da Doença de Chagas se manifesta em duas fases: aguda e crônica. A
aguda é a forma logo após infecção, dura aproximadamente 2 meses, onde são encontrados
parasitos no sangue. É normalmente assintomática, dificultando o tratamento. Quando há
manifestação de sintomas, apresenta um quadro febril seguidas de miocardites. Em
crianças, pode levar à morte devido a complicações de insuficiência cardíaca e processos
inflamatórios [13-14]
9
A forma crônica da doença se manifesta de maneira mais grave, e em 60% dos
casos, ainda assintomática. Sendo que 30% desenvolvem complicações cardíacas ou
digestivas severas. [13]
A causa principal de morbidade e mortalidade na doença de Chagas é o
acometimento cardíaco, que ocorre de 5 a 30 anos após a infecção primária em cerca de
30% dos indivíduos infectados pelo T. cruzi. Na cardiopatia chagásica crônica (CCC),
ocorre uma inflamação e destruição progressiva do tecido cardíaco, levando a alterações da
condução dos impulsos elétricos no coração e arritmias. Paralelamente, ocorre um
progressivo afinamento do músculo cardíaco, levando à dilatação das cavidades do
coração, tendo como conseqüência a incapacidade de bombear adequadamente o sangue
para o organismo, um quadro chamado de insuficiência cardíaca congestiva. Dessa forma,
a CCC freqüentemente tem um curso fatal, uma vez que o tratamento é apenas sintomático
e a possibilidade de realização de transplantes cardíacos é bem menor que a demanda.
Existem cerca de 2 milhões de pacientes acometidos de CCC em nosso país. A CCC é
responsável por, aproximadamente, 15% dos casos de pacientes atendidos por insuficiência
cardíaca congestiva, em hospitais do Estado de São Paulo. Um grupo menor dos pacientes
infectados por T. cruzi (cerca de 5% a 8%) desenvolve alterações no tubo digestivo (os
chamados megaesôfago e megacólon), aparentemente por destruição dos neurônios que
controlam sua motilidade; esses problemas digestivos dificilmente levam ao óbito. Já no
acometimento cardíaco, que é tratado apenas sintomaticamente com sucesso variável, o
paciente em geral vem a falecer em decorrência de complicações irreversíveis da doença.
A CCC é a indicação mais comum para o implante de marcapassos cardíacos
artificiais em nosso país. [15]
Nos pacientes com insuficiência cardíaca refratária, o único caminho é o transplante
cardíaco, um procedimento dispendioso e inacessível para a grande maioria dos pacientes.
Estudos com animais experimentalmente infectados indicaram que o tratamento com
drogas anti-T. cruzi não parece evitar a progressão da cardiopatia. [15]
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) há cerca de 10 milhões de
infectados no mundo (sendo aproximadamente cinco a sete milhões apenas no Brasil, e,
entre esses, 15.000 morrem por ano vitimas das complicações da doença. Mais de 25
10
milhões de pessoas estão em risco, onde destes, há 200.000 novos casos anuais). A doença
já foi restrita à América Latina, mas já alcançou regiões da Europa e América do
Norte.[16]
No Brasil, onde se concentra a maioria dos casos sul-americanos, as áreas de maior
endemicidade correspondem aos Estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia,
Paraná e Rio Grande do Sul. [17]
A Amazônia foi por muitos anos considerada indene de doença de Chagas, a despeito
da bem conhecida existência de um ciclo enzoótico natural envolvendo uma variedade de
espécies de mamíferos e triatomíneos silvestres da região [18]
Figura 4. Taxa de mortalidade anual de Doença de Chagas/100.000 habitantes, Brasil, 1980/1996
Fonte: CENEPI/FNS-MS
Mesmo após detectados os primeiros casos humanos autóctones, a doença era tida
como de ocorrência ainda rara na região, e o risco de endemização visto como
possibilidade de certo modo remota, ou a médio prazo, quer pela introdução de espécies
domiciliares tidas como boas vetoras ao homem, vindas de áreas endêmicas, quer pela
domiciliação de espécies nativas da própria região, por força de pressão ecológica exercida
pelos desmatamentos. [19]
11
Cem anos após sua descoberta, a Doença de Chagas ainda é um problema gravíssimo
de saúde pública. Para que haja um possível tratamento, a doença de Chagas deverá ser
tratada bem no começo, até 2 anos após a infecção, ainda na fase aguda.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde e o banco Mundial, são gastos mais
de seis bilhões de dólares por ano no tratamento dessa doença, pois, essa enfermidade faz
com que o indivíduo se torne debilitado e incapaz, sendo uma das principais causas de
aposentadoria antecipada. [20]
Figura 5. Número de hospitalizações anuais por Doença de Chagas, brasil, 1990/1997
Fonte: GT- Programa de controle da doença de Chagas/C CD TV/DEOPE/FNS.
O manejo da Doença de Chagas em situações de idade avançada e de superposição
de agravos envolve novos conhecimentos e práticas, em especial com relação com
enfermidades crônico-degenerativas prevalentes na terceira idade como hipertensão,
diabetes, coronariopatias, etc.; [21]
12
3.4.1 DIAGNÓSTICO
No estágio inicial da infecção o diagnóstico pode ser obtido através de exame
microscópico direto no sangue periférico.
Na fase crônica o diagnóstico se baseia,
sobretudo, na detecção da resposta sorológica do hospedeiro ou na amplificação in vitro da
população de parasitos, através dos métodos de xenodiagnóstico ou hemocultivo. [22]
O diagnóstico pode ser obtido também através do exame "Chagas Stat-Pak" que
consiste num teste rápido. Não necessita de armazenamento a frio, utiliza-se de tamanho de
amostra mínima e fornece a detecção visual de anticorpos para T. cruzi.[22]
Há outros métodos diagnósticos tais como: imunoflorescência, hemaglutinação,
fixação de complemento, radioimunoensaio e ELISA. No entanto, estes ensaios podem ser
de impraticável execução em áreas rurais, devido aos requisitos de instrumentações
laboratoriais para realização ou interpretação de testes. A maioria também necessita de
armazenamento a frio.[22]
3.4.1.1 Diagnóstico laboratorial
3.4.1.1.a Método parasitológico
Dentre as diversas técnicas, a mais simples é a da microscopia direta sobre gota
fresca de sangue, examinada entre lâmina e lamínula, com ocular 10 e objetiva 40. O
exame deve ser minucioso e abarcar toda a lamínula, sendo positivo quando se encontra o
parasito (geralmente em movimentação serpenteante entre as hemácias e leucócitos) com
sua forma alongada, grande cinetoplasto e l flagelo muito móvel. Diante da suspeita
clínica, se negativo o primeiro exame, deve-se repeti-lo por três ou quatro vezes ao dia,
durante vários dias. Também se pode usar a técnica de gota espessa corada, como
empregada para malária, mas que é bem menos sensível que o exame a fresco. A
propósito, não muito raramente tem ocorrido o diagnóstico ocasional de doença de Chagas
aguda (DCA) pelo achado do parasito em esfregaços corados para contagem diferencial de
leucócitos e em hemogramas de pacientes febris. Desde os anos 1960, o diagnóstico
parasitológico direto
da DCA vem sendo aperfeiçoado com procedimentos de
13
enriquecimento, sendo mais empregadas as técnicas de microhematócrito (centrifugação e
exame do creme leucocitário) e de Strout (centrifugação do soro após retirada do coágulo).
Cabe ainda mencionar que a utilização de técnicas moleculares modernas, como a de PCR,
permite detectar com grande sensibilidade e especificidade frações do DNA do parasito.
Mesmo podendo ser positivas também na fase crônica, revelam-se úteis como auxílio
diagnóstico de DCA – especialmente nos casos congênitos. [23]
O diagnóstico molecular da doença de Chagas (Polymerase Chain Reaction - PCR
acoplado à hibridização com sondas moleculares) tem apresentado resultados
extremamente promissores, permitindo que esta metodologia seja utilizada como teste
confirmatório. Caso haja forte suspeita de fase aguda da doença de Chagas e os exames
parasitológicos diretos citados acima resultem negativos, o diagnóstico molecular pode ser
associado a técnicas sorológicas (pesquisa de IgM). Os dados da literatura mostram que a
sensibilidade da PCR é superior à da hemocultura e do xenodiagnóstico. A técnica de PCR
deve ser realizada por centros colaboradores usando a mesma metodologia com protocolos
definidos, devendo ser desenvolvidos procedimentos operacionais padronizados. [24]
3.4.1.1.b Métodos imunológicos
Hemaglutinação indireta
A interpretação do resultado varia de acordo com o ponto de corte determinado pelo
fabricante dos kits.
Imunofluorescência indireta (IFI)
O resultado da imunofluorescência indireta é normalmente expresso em diluições. São
consideradas como sorologia positivas reações a partir da diluição de 1:80.
Ensaio imunoenzimático (ELISA)
Consiste na reação de anticorpos presentes nos soros com antígenos solúveis e purificados
de T. cruzi obtidos a partir de cultura in vitro (ou antígenos recombinantes de T. cruzi).
Esse antígeno é adsorvido em microplacas e os soros diluídos (controle do teste e das
amostras) são adicionados posteriormente. Os anticorpos específicos presentes no soro vão
se fixar aos antígenos. A visualização da reação ocorre quando adicionada uma antiimunoglobulina marcada com a enzima peroxidase, que se ligará aos anticorpos específicos
caso estejam presentes, gerando um produto colorido que poderá ser medido por
espectrofotometria. O resultado considerado sororreagente é aquele que apresente o valor
14
da densidade ótica igual ou superior ao ponto de corte (Cut-Of ) do resultado do controle
negativo.[23]
As sorologias que detectam IgM (imunofluorescência e hemaglutinação), também
são utilizadas para diagnóstico da fase aguda; entretanto, só se deve confirmar o
diagnóstico de forma aguda com o encontro de parasito no sangue periférico. Na fase
crônica, utiliza-se mais freqüentemente os métodos de detecção de anticorpos circulantes
(IgG). [23]
Fase aguda
Na fase aguda da doença de Chagas, o diagnóstico laboratorial é baseado na
observação do parasito presente no sangue dos indivíduos infectados, através de testes
parasitológicos diretos como exame de sangue a fresco, esfregaço e gota espessa. [22]
O teste direto a fresco é mais sensível que o esfregaço corado e deve ser o método
de escolha para a fase aguda. Caso estes testes sejam negativos, devem ser usados métodos
de concentração. Os testes de concentração (micro-hematócrito ou Strout) apresentam 80 a
90% de positividade e são recomendados no caso de forte suspeita de doença de Chagas
aguda e negatividade do teste direto a fresco. Em casos sintomáticos por mais de 30 dias,
devem ser os testes de escolha, uma vez que a parasitemia começa a declinar. [24]
15
Figura 6. Formas tripomastigotas sanguineas do Trypanosoma cruzi
Fonte:Ministério da Saúde, 2005.
Fase crônica
Na fase crônica da doença, o diagnóstico parasitológico direto torna-se
comprometido em virtude da ausência de parasitemia. Os métodos parasitológicos
indiretos (xenodiagnóstico – ou hemocultivo), que podem ser utilizados, apresentam baixa
sensibilidade (20-50%). Sendo assim, o diagnóstico na fase crônica é essencialmente
sorológico e deve ser realizado utilizando-se dois testes de princípios metodológicos
diferentes: um teste de elevada sensibilidade (ELISA com antígeno total ou frações semipurificadas do parasito ou a IFI) e outro de alta especificidade (ELISA, utilizando
antígenos recombinantes específicos do T. cruzi), conforme descrito no fluxograma. [22]
Recentemente, o Ministério da Saúde realizou um estudo multicêntrico que avaliou
a sensibilidade e especificidade de doze ‘kits” de ELISA disponíveis no mercado
brasileiro, envolvendo os convencionais (que utiliza antígeno total ou frações semipurificadas do parasita) e não convencionais (que utilizam antígenos recombinantes). [22]
16
Figura 7: Fluxograma para a realização de testes laboratoriais para a doença de Chagas na fase crônica
Fonte: Ministério da Saúde, 2005
Transmissão vertical
Em casos suspeitos de transmissão congênita, é importante confirmar o diagnóstico
sorológico da mãe. Caso a infecção materna seja confirmada, deve se realizar o exame
parasitológico no recém-nascido. Se for positivo, a criança deve ser submetida ao
tratamento etiológico imediatamente. Os filhos de mães chagásicas com exame
parasitológico negativo ou sem exame devem retornar entre seis e nove meses, a fim de
realizarem testes sorológicos para pesquisa de anticorpos anti-T. cruzi da classe IgG. Se a
sorologia for negativa, descarta-se a transmissão vertical. [23]
17
Figura 8. Fluxograma para avaliação da transmissão vertical do T. cruzi
Fonte: Ministério da Saúde.
Período de incubação
• Transmissão vetorial – de 4 a 15 dias.
• Transmissão transfusional – de 30 a 40 dias ou mais.
• Transmissão vertical – pode ser transmitida em qualquer período da gestação ou durante
o parto.
• Transmissão oral – de 3 a 22 dias.
• Transmissão acidental – até, aproximadamente, 20 dias. [23]
3.4.2
PROFILAXIA
A profilaxia baseia-se, fundamentalmente, nas seguintes medidas:
-Combater os triatomíneos com aplicação de inseticidas à base de BHC
(hexaclorobenzeno) nos locais freqüentados por esses insetos, tanto no domicílio como no
peridomicílio.
-Melhorar as condições de moradia, estimulando a construção de habitações
condignas, que dificultem o alojamento de barbeiros. Estas melhorias devem atingir,
também, o peridomicílio, condicionando higiene aos anexos, tais como depósitos e abrigos
de animais domésticos.
-Controlar a transmissão transfusional através da realização de testes sorológicos
para a exclusão de doadores.
18
-Prevenir a transmissão acidental, mediante a adoção de medidas de biossegurança
(precauções universais) ao lidar com materiais contaminados com sangue ou secreções.
-Prevenir a transmissão congênita recomendando-se às gestantes com doença de
Chagas aguda medicação específica no último mês de gestação.
-Eliminar animais domésticos portadores da infecção. [17]
3.5
QUIMIOTERAPIAS EXISTENTES
Os primeiros compostos desenvolvidos experimentalmente para o tratamento
específico da tripanossomíase americana, após a sua descoberta em 1909, foram o atoxyl
(arsênico), a tintura de fucsina, o tártaro emético (antimonial pentavalente) e o cloreto de
mercúrio. Todos estes compostos se mostraram ineficazes no tratamento proposto. [25-26]
Por ser uma doença negligenciada, a doença de Chagas não conta com muitos
tratamentos. Como fármacos disponíveis temos apenas o Nifurtimox (5-Nitrofurano) e o
Benzonidazol (2-Nitroimidazol) que além de ineficazes na fase crônica da doença e em
crianças, possuem altos e intensos efeitos colaterais. [26]
Figura 9. Mecanismo de ação proposto dos fármacos nifurtimox (3) e benzonidazol (4)
Fonte: Quimioterapia da doença de chagas: estado da arte e perspectivas no desenvolvimento de novos
fármacos. Quim. Nova, vol. 32, no. 9, 2444-2457, 2009
19
Os metabólitos (eletrofílicos) formados através do mecanismo de ação de 3 e 4 podem
atuar também em outros sistemas, especialmente do hospedeiro (humano), devido a sua
alta reatividade. Esta baixa especificidade de ação em vias bioquímicas definidas do
parasito contribui para os efeitos citotóxicos observados no tratamento dos pacientes. [27]
Benzonidazol
Devido o baixo lucro que esses medicamentos trazem, não é de interesse dos
laboratórios a sua produção. No ano de 2003, o Laboratório farmacêutico suíço Roche
anunciou a doação ao governo brasileiro do direito de patente e de uso da tecnologia do
medicamento Rochagan ®, a base do fármaco benznidazol. O governo brasileiro concedeu
ao Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (LAFEPE) o direito de sua produção. Com
isso, este é o único laboratório, no mundo, a produzir um medicamento destinado ao
tratamento da doença de Chagas. A veiculação deste fármaco em um comprimido de
liberação prolongada permite a redução da toxicidade, graças à redução dos picos
plasmáticos respectivos a cada administração do medicamento. Estes sistemas, constituídos
de polímeros hidrofílicos, liberam o fármaco de forma gradativa pelo mecanismo de
dissolução e representam uma alternativa de baixo custo, quando comparada a outras
técnicas de liberação controlada. [28-29]
O benzonidazol (N-benzil-2- nitroimidazole-1-acetamida), derivado imidazolico,
consiste num fármaco cuja forma farmacêutica está na forma de comprimidos de liberação
imediata e sua posologia de 5 a 10 mg/kg/dia por 30 a 60 dias para adultos e para crianças
com menos de 40 kg a dose é de 7,5 mg/kg/dia durante 60 dias. [24]
20
Figura 10. Estrtutura química do Benzonidazol
Fonte: Quimioterapia da doença de chagas: estado da arte e perspectivas no desenvolvimento de novos
fármacos. Quim. Nova, vol. 32, no. 9, 2444-2457, 2009
O mecanismo de ação do Benzonidazol ainda não está bem elucidado, portanto pode
ser pelo estresse reativo, envolvendo modificação covalente das macromoléculas em
intermediários nitroreduzidos, ou por outras interações de nitroredução com os
componentes do parasito. [30]
Nifurtimox
Segundo Sobrinho et al., o nifurtimox é uma droga nitroheterocíclica, com atividade
tripanossomicida, antiprotozoária e antibacteriana contra as formas amastigotas do
parasito. Seu mecanismo de ação envolve a redução parcial ao ânion radical seguida por
auto-oxidação para regenerar o nitrofurano original e formar o radical ânion superóxido e
outras espécies reativas de oxigênio, como o peróxido de hidrogênio e radical hidroxila.
[29-31]
De acordo com Brener, o nifurtimox (3-metil-4 {(5-nitrofurfurilidene) amino}
tiomorfoline-1-,1-dioxide), produzido pelo Laboratório Bayer e lançado em 1967 com o
nome comercial de Lampit ®, na forma de comprimidos com 120 mg de princípio ativo,
foi a primeira droga usada no tratamento da fase aguda da doença de Chagas. [32]
21
Figura 11. Estrutura química do Nifurtimox
Fonte: Quimioterapia da doença de chagas: estado da arte e perspectivas no desenvolvimento de novos
fármacos. Quim. Nova, vol. 32, no. 9, 2444-2457, 2009
O nifurtimox (Nf) é bem absorvido após administração oral e seus níveis no plasma
são da ordem de 10 a 20 μM, concentrações menores podem ser detectadas nos tecidos e na
urina. O esquema terapêutico do Nf varia com a idade do paciente. [33-34-35-36]. Em
pacientes na fase aguda, na faixa etária entre 5 e 14 anos, a dose indicada é de 15mg/kg/dia
durante 120 dias; para adultos na fase crônica, a dose é de 8 a 10 mg/kg/dia por um período
de 30 a 120 dias, para tratamento da doença de Chagas agudo. A eficácia da droga em pacientes
crônicos adultos é baixa. [37-38]
O principal mecanismo de ação de Nifurtimox é a produção do radical livre hidroxila
(OH•) por meio da redução do radical nitro, o que leva a uma intoxicação do parasita.
Como consequência, os tecidos do hospedeiro também pode ser lesado, onde ocorrem as
reações adversas. [39]
As principais reações colaterais causadas pelos fármacos Nifurtimox e Benzonidadol
são representados no quadro 1, abaixo:
22
Quadro 1. Principais reações colaterais no tratamento da doença de Chagas
Fonte: Ministério da Saúde
3.6
NOVOS ALVOS
A OMS definiu exigências que devem ser atendidas por um fármaco ideal para o
tratamento da Doença de Chagas. São elas:
 Cura parasitológica tanto nos casos agudos quanto nos casos crônicos;
 Ação eficaz em medicamentos de dose única ou em pequenas doses, para que não
haja abandono de tratamento;
 Custo reduzido, para que haja uma grande acessibilidade;
 Baixos efeitos colaterais e ausência de efeitos teratogênicos;
 Nenhuma necessidade de hospitalização para o tratamento;
 Nenhuma indução da resistência. [40]
23
Figura 12. Estratégias para a descoberta de compostos bioativos candidatos a novos fármacos
contra as doenças negligenciadas.
Fonte: Quimioterapia da doença de chagas: estado da arte e perspectivas no desenvolvimento de novos
fármacos. Quim. Nova, vol. 32, no. 9, 2444-2457, 2009
Para que seja possível o desenvolvimento de um fármaco ideal, é necessário que se
conheça profundamente o ciclo de vida do parasito, assim como seu metabolismo. [40]
O processo de descoberta e desenvolvimento de novos fármacos engloba várias
estratégias e uma combinação de métodos tradicionais e modernos, de natureza
intrinsecamente multi e interdisciplinar, integrando especialidades como a química,
biologia, medicina, farmácia, bioquímica, farmacologia, bioinformática, entre outras. A
ação dos fármacos pressupõe a interação de uma molécula pequena (ligante) com uma
macromolécula (receptor biológico), tipicamente uma proteína de alguma via bioquímica
associada a uma condição de doença ou disfunção em humanos.32-34. [41-42]
A tripanotiona redutase do T. cruzi tem sido considerada uma enzima chave no
metabolismo oxidativo do parasito. Os derivados nitrofuranos têm demonstrado que são
24
capazes de produzir a inativação irreversível desta enzima. Chung et al. (2003) obtiveram
um derivado a partir do nitrofural, o hidroximetilnitrofurazona, o qual se apresentou muito
eficaz como tripanossomicida nos testes realizados in vitro. [43]
O T. cruzi requer esteróis específicos para a proliferação e a viabilidade de células
em todos os estágios de seu ciclo e é extremamente susceptível a inibidores da biossíntese
de esteróis. [44] Os estudos realizados na Venezuela e no Brasil mostraram que possuem
potencial ação triponossomicida in vitro fármacos inibidores da biossíntese de esteróis,
comercialmente disponíveis, aplicados com sucesso no tratamento de fungos, como o
cetoconazol, o fluconazol e o itraconazol. Entretanto, estudos demonstraram que estes
compostos não são capazes de eliminar o parasito in vivo durante a infecção aguda ou
crônica ou ainda de interromper o progresso da doença. [39]
Passou-se, então, a sintetizar novos compostos com similaridade estrutural com estes
compostos estudados. Dentre eles, foram desenvolvidos derivados do triazol, o D0870
(Zeneca Farmacêutica) e o posaconazol (SCH 56592, Schering- Plough), capazes de
induzir a cura parasitológica radical em modelos murinos das fases aguda e crônica da
doença de Chagas. Estes foram os primeiros compostos relatados como capazes de curar a
doença nessas fases. Foram também capazes de erradicar cepas de T. cruzi resistentes aos
nitrofuranos e aos nitroimidazóis em ratos infectados, mesmo que estivessem
imunosuprimidos. A notável atividade tripanossoomicida destes derivados é atribuída à
combinação de potência e atividade intrínseca seletiva anti-Trypanosoma cruzi e especiais
propriedades farmacocinéticas. [30]
O posaconazol, um análogo estrutural do itraconazol, foi registrado em 2005 na
União Européia, na Austrália e nos Estados Unidos, para a profilaxia e terapêutica de
micoses sistêmicas refratárias e agentes convencionais, sendo também o candidato
principal para pacientes com doença de Chagas. Mais recentemente, outros triazóis, tais
como o ravuconazol (BMS 207 147; Bristol-Myers Squibb), o TAK-187 (Takeda
Companhia Química) e o UR-9825 (Grupo Uriach), também demonstraram atividade
tripanossomicida in vitro e in vivo. [30]
O T. cruzi contém uma protease responsável pela maior parte da atividade
proteolítica do parasito em todos os seus estágios de vida, conhecida como cruzipaina ou
25
GP57/51. Os inibidores seletivos desta protease obstruem a proliferação dos epimastigotas
extracelulares e dos amastigotas intracelulares e interrompem a metaciclogênese, indicando
que a enzima executa funções essenciais para a sobrevivência e o crescimento do parasito.
Os inibidores da protease, como o N-metil-piperazina-r-ureia-F-hF-vinil-sulfonapentil ou o
CRA-3316 (Celera Genomics), podem prolongar a sobrevida e induzir a cura
parasitológica em modelos murinos das fases aguda e crônica da doença de Chagas, com
toxicidade mínima. [45]
Os tripanossomatídeos e os parasitos apicomplexos contêm organelas específicas,
denominadas acidocalcissomos, organelas acídicas que contêm considerável fração do
cálcio intracelular e possuem uma H+-ATPase vacuolar e/ou uma H+-pirofosfatase
vacuolar para captação de H+, uma Ca2+/H+-ATPase, para captação de Ca2+ e uma
Ca2+/nH+-ATPase para liberação de Ca2+. Bisfosfonados, análogos metabólicos do
pirofosfato, são acumulados seletivamente no parasito e podem inibir as enzimas
envolvidas nas reações inorgânicas e orgânicas do pirofosfato, tais como a síntese do
farnesil-pirofosfato. Tais compostos têm potente e seletiva atividade anti-Trypanossoma
cruzi in vitro e in vivo. [30]
Parasitos tripanossomatídeos são absolutamente deficientes na biossíntese de purinas.
A enzima-chave deste alvo é a hipoxantina-guanina-fosforibosil transferase (HGPRT), um
alvo bioquímico válido nestes organismos. O interesse pela utilização do alopurinol no
tratamento da doença de Chagas surgiu em virtude de seu mecanismo de ação e após a sua
experimentação em animais, porém não demonstrou ação tripanossomicida na fase crônica
da doença. [46]
Este composto é um análogo da hipoxantina e age como um substrato alternativo da
hipoxantina guanina-fosforibosil
transferase,
sendo incorporado
ao RNA. Esta
incorporação resulta em um nucleotídeo não fisiológico que bloqueia a síntese de um novo
nucleotídeo. Diversos estudos já demonstraram sua potente ação tripanossomicida, porém
estudos mais criteriosos devem ser realizados para avaliar a eficácia dos fármacos. [26]
A seleção de compostos com potencial ação tripanocida, presentes em extratos de
plantas e produtos naturais, levou à investigação de diversas classes de compostos
responsáveis pela atividade antiparasitária, como naftoquinonas, terpenóides, isoflavonas e
26
alcalóides. [31] Um grande número de alcalóides tem sido testado para o T. cruzi. A
atividade deles ante as formas epimastigotas foi associada à inibição da respiração celular.
Dentre os compostos estudados, o que apresentou maior atividade antichagásica in vitro foi
a apomorfina. [47-48]
As plantas brasileiras Virola surinamensis e Piper solmsianum, oriundas da floresta
amazônica e da mata atlântica, respectivamente, demonstraram ser ricas fontes de
tetrahidrofurano, apresentando uma potente atividade in vitro contra as formas
tripomastigotas do parasito. [31]
Lirussi et al. (2004) realizaram estudos in vitro sobre as formas epimastigotas do T.
cruzi com 17 extratos de plantas utilizadas na medicina chinesa. Sete extratos de plantas
apresentaram uma atividade inibitória em relação aos parasitos, com percentual inferior a
25%; seis apresentaram resultados entre 25% e 60% e quatro plantas apresentaram uma
atividade excelente, com a inativação de 100% dos parasitos, sendo estas a Lithospermum
erythrorhizon, a Saussurea lappa, a Melia toosendan e a Cinnamomum cassia. [48]
Estudos com os naftoimidazóis, derivados das naftoquinonas, substâncias
encontradas nos ipês, árvores do gênero Tabebuia, demonstraram que estes compostos são
capazes de eliminar as três formas evolutivas do T. cruzi em células de camundongo, em
cultura in vitro. Outros compostos derivados das naftoquinonas também têm demonstrado
ação anti-Trypanossoma cruzi. Barreto (2006) sintetizou 60 derivados de naftoquinonas
pertencentes aos grupos dos imidazóis, oxazóis, fenoxazóis e das fenazinas e com eles fez
ensaios com formas tripomastigotas sangüíneas de T. cruzi. Os compostos mais ativos
foram três naftoimidazóis derivados de ß-lapachona com grupamento fenila (N1), 3indolila (N2) ou p-metil fenila (N3) ligado ao anel imidazólico. Estudos com N1, N2 e N3
demonstraram uma potente atividade sobre tripomastigotas, com potencial de toxicidade
nas células mamíferas. [49]
A própolis tem sido extensamente utilizada na medicina atual por apresentar uma
potente atividade antimicrobiana. Um extrato etanólico de própolis apresentou atividade in
vitro ante as formas epimastigotas, tripomastigotas e intracelular amastigotas do T. cruzi.
Atribui-se esta atividade à presença de flavonóides no extrato (Higashi & De Castro,
1994). Contudo os experimentos in vivo apresentam resultados controversos. Marcucci et
27
al. (2001) realizaram um estudo com a própolis brasileira, oriunda do estado do Paraná, no
qual quatro derivados do ácido hidroxicinâmico foram isolados e testados com
tripomastigotas do T. cruzi, apresentando um resultado abaixo da substância-controle, o
cristal de violeta. [50-51].
A análise dos dados acima mostra claramente que ainda são necessários mais uma série
de estudos para que se alcance a substância ou as substâncias anti-chagásicas ideais. Além
disso, também para Doença de Chagas, cada vez mais os pesquisadores estão buscando a
exploração da flora brasileira, o que é de grande valia, permitindo baixo custo, alta
disponibilidade e produção imediata das futuras drogas anti-chagásicas.
28
4.
CONCLUSÃO
A doença de Chagas, como uma doença negligenciada, sofre com o descaso das
grandes indústrias e do governo, pela falta de incentivo. Assim, restringindo a pesquisa em
busca do medicamento, dito ideal, para a doença.
O que há de pesquisa até então, está longe de ser satisfatório. Ainda há um longo
caminho a ser percorrido. Contudo, ainda pode-se contar com fármacos como
benzonidazol e o Nifurtimox.
O futuro dos novos alvos é promissor e há muito a ser estudado. A partir das
pesquisas para realização deste trabalho, foi possível constatar as dificuldades encontradas
para a obtenção de novos alvos para a Doença de Chagas.
Na verdade, a execução do trabalho permitiu mostrar novas linhas de pesquisa que
podem surgir a partir de uma linha central, que é a da quimioterapia anti-chagásica. Vale
ainda ressaltar que, além de todos os alvos citados no trabalho, ainda há muito o que se
descobrir do mundo dos parasitos, que nos permita avaliar diferencialmente o efeito
seletivo de fármacos, sem efeitos adversos ao hospedeiro humano.
29
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