Assistência de enfermagem em portadores de Anemia

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SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS INTEGRADAS
DA UNAERP CAMPUS GUARUJÁ
Assistência de enfermagem em portadores de Anemia Falciforme
Fabrício Lima da Silva
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da
Unaerp - Campus Guarujá
[email protected]
Fernanda Carina Rey Cota Paixão
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da
Unaerp - Campus Guarujá
[email protected]
Alice Sebastiana Lima da Silva
Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da
Unaerp - Campus Guarujá
[email protected]
Luciane Ferreira do Val
Docente do Curso de Graduação em Enfermagem e de
Especialização em Saúde da Família da Unaerp - Campus Guarujá
[email protected]
Este simpósio tem o apoio da Fundação Fernando Eduardo Lee
Resumo:
A Anemia Falciforme é a forma mais comum de um grupo de hemoglobinopatias
genéticas na qual a hemoglobina humana normal (HbA) é parcial ou
completamente substituída por hemoglobina Falciforme mutante (HbS). Esse
estudo tem o objetivo de apresentar a Assistência de Enfermagem ao portador da
Anemia Falciforme nos pontos mais importantes em diferentes faixas etárias e
contribuir com o Núcleo de Estudos Indígenas e Afro-Brasileiros (Neiab) de uma
Universidade Particular do Litoral Paulista. Para tanto, foi utilizado o estudo tipo
bibliográfico, baseado em literatura especializada sobre o tema. Verificou-se que a
Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) contribui com o aumento da
2
qualidade dos cuidados a esta clientela, pois esta patologia pode apresentar
diversas complicações como alterações neurológicas, respiratórias, cardíacas,
digestivas, renais entre outras. Sugere-se que mais estudos de enfermagem sejam
realizados, baseados em evidências clínicas contribuindo assim, com a Ciência da
Enfermagem moderna e o crescente reconhecimento dessa profissão.
Palavras-chave:
Anemia
Hemoglobinopatias.
Falciforme,
Assistência
de
Enfermagem,
Apresentação: oral.
Seção 4 - Curso de Graduação Em Enfermagem da Unaerp - Campus Guarujá.
1. Introdução
A Anemia Falciforme (AF) é uma doença originária da África e Ásia, onde
historiadores mencionam que muitas ossadas encontradas nessas regiões (7.000
a.C.), apresentavam alterações produzidas por esta doença. Estudos ainda
indicam que todos os corpos de indivíduos portadores de uma enfermidade, que o
quadro clínico se assemelhava ao da Anemia Falciforme, eram identificados com
uma tatuagem. (1)
Em 1910, a AF foi descrita pela primeira vez por Hericle, um médico norte
americano que tratou de um paciente jovem, negro, proveniente das Antilhas e
que havia emigrado para Chicago, nessa época a doença foi classificada como
Anemia Hemolítica Congênita. (1)
Em 1914, Linus Pauling, Itano e Wells conseguiram identificar por meio de
uma técnica chamada de Eletroforese, a hemoglobina S (Hb S), onde pela
primeira vez, a medicina descobriu uma doença molecular. (1)
A AF é uma doença genética, que levou ao conceito de doença molecular
(grifos do autor), por ser uma Anemia Hemolítica grave resultante de um defeito
na molécula da Hemoglobina. Caracteriza-se por crises de dor, lesão tecidual
crônica e progressiva. (1)
Geneticamente, as pessoas com AF recebem de seus pais a Hemoglobina
anormal chamada de Hemoglobina (S), quando recebem parte da mãe e outra
parte do pai elas são (SS). Portanto, a denominação da Anemia Falciforme é
reservada para a forma da doença que ocorrem nesses homozigotos SS. O defeito
é a substituição do único aminoácido na cadeia Beta da Hemoglobina. A
hemoglobina A normal contém dois Alfas e dois Betas, existem dois genes para
síntese de cada cadeia. As pessoas que recebem apenas um gene anormal
Hemoglobina (S) e outro normal Hemoglobina (A) são denominadas de portadoras
do Traço Falciforme. (7)
A causa da Hb S é uma mutação puntiforme com uma única substituição
de aminoácidos (ácidos glutâmicos pela valina) na porção 6 da cadeia de βglobina. Essa mutação leva uma insolubilidade das moléculas Hb S quando
desoxigenadas, acarretando em polimerização das mesmas e conseqüentes
afoiçamento das hemácias, sendo caracterizada, portanto, por uma produção
anormal de Hb, anemia hemolítica e danos teciduais agudos e crônicos causados
3
por fenômenos vaso-oclusivos pelas hemácias em foice. Anemia falciforme afeta
cerca de 250.000 crianças a cada ano, principalmente aquelas de determinadas
etnias como negros e descendentes desses no Mediterrâneo, Caribe, Américas
Central e do Sul. Descendentes do Oriente médio e Índia oriental também podem
ser afetados. É uma desordem genética autossômica recessiva na qual as pessoas
afetadas possuem o genótipo homozigótico para Hb S. Indivíduos com genótipo
heterozigótico para essa condição possuem o chamado traço falciforme, uma
suave e assintomática condição. Se ambos os pais são portadores do traço
falciforme, há uma chance de 25% em cada gestação de terem uma criança coma
anemia falciforme. É necessário um diagnóstico precoce para realizar profilaxia
e/ou minimizar as complicações dessa doença. Apesar de todo o conhecimento a
cerca dessa doença o tratamento baseia-se no controle das crises e na profilaxia.
(4)
Existe uma explicação para o surgimento dessa Hemoglobina S. Há
milhares de anos na Ásia menor, o organismo humano sofreu uma alteração para
se defender da malária. Assim, aqueles que tinham o gene S, e os seus
descendentes que tiveram a hemoglobina modificada geneticamente
apresentavam muita dificuldade para evolução da malária. No entanto, esta
modificação fez com que filhos de pais com alteração parcial, sem sintomas e
hígidos, geravam filhos com anemia e diversos outros problemas de saúde. (4)
Com o decorrer do tempo e as grandes migrações, a África e as áreas
tropicais e equatoriais, passaram a ser o local preferencial da malária, onde os
sobreviventes eram os que apresentavam as alterações da hemoglobina, mais
adaptada ao seu meio e em convívio com a malária. Foram estes contingentes
populacionais africanos, transportados como escravos ao nosso país, a partir do
século XVII, que introduziram o gene da hemoglobina S em nosso país.
Atualmente, a AF encontra-se na população brasileira que tem ascendência
negróide, dependendo da região do país, entre 6 a 10% da população. Portanto, a
AF não é um privilégio da raça negra, ela pode ocorrer em qualquer pessoa com o
gene da Hemoglobina S. (6,7)
A hemoglobina falciforme tem a propriedade de adquirir um cristal quando
exposta a uma baixa tensão de oxigênio. O oxigênio no sangue venoso é
suficientemente baixo e pode causar esta mudança em que a célula que contém a
Hemoglobina S fica deformada, rígida e semelhante a uma foice. A hemoglobina S
é longa e rígida e pode alojar-se nos pequenos vasos, empilhando-se umas contra
as outras, tornando o fluxo nessa região ou órgão lento. (1)
Os portadores da AF são na maioria das vezes, assintomáticos, mas em
situações especiais ou críticas, com falta de oxigênio ou nas mulheres durante a
gravidez, infecções urinárias e parto complicado podem levar a uma crise. Como
dito anteriormente, o exame laboratorial que estabelece o diagnóstico da AF é a
Eletroforese de hemoglobina. Esse exame é indicado para todas as pessoas,
independente da cor da pele ou idade. As hemácias falciformes têm uma
sobrevida curta de 15 a 25 dias, sendo que a hemoglobina normal é de 120 dias,
os paciente estão sempre anêmicos com valores de hemoglobina variando de 7 a
10g/dl sendo que os valores normais são entre 14,5 a 22,5 g/dl em lactentes,
11,5 a 15,5 g/dl em crianças de 6 a 12 anos e adultos: 13-18g/dl em homens e
12-16g/dl em mulheres. (10)
Os portadores do traço falcêmico podem gerar a cada quinhentos
nascimentos uma criança com anemia falciforme. A prevalência média do Traço
4
Falciforme no Brasil está em torno de 2%, número que pode variar segundo as
características étnicas da população estudada, chegando, por exemplo, a 5,5% na
Bahia, onde há uma forte presença de negros e mestiços na população.
Estimativas sugerem que 250.000 crianças com AF nascem a cada ano no
mundo, sendo 100.000 delas somente na Nigéria. (10)
Apesar de a AF ser a doença hereditária de maior prevalência no Brasil, são
escassos estudos epidemiológicos na literatura nacional. Alguns estudos
demonstraram uma prevalência de Hemoglobina S em recém-nascidos (RN) de
aproximadamente 4% a 5%, não havendo diferença estatisticamente significante
entre os RN portadores ou não dessa hemoglobina quanto ao sexo, peso e Apgar
(8, 9).
Porém, em 2001, o Ministério da Saúde lançou a Portaria nº 822 que
institui no Sistema Único de Saúde (SUS), o Programa Nacional de Triagem
Neonatal que garante a todos os recém-nascidos brasileiros igual acesso aos
testes de triagem, incluindo as hemoglobinopatias. A triagem antes da portaria
era restrita a pontos isolados do território nacional, ligada a universidades,
Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAES) e algumas vezes, por Leis
municipais (4).
Cabe lembrar que a triagem neonatal, mais conhecida como teste do
pezinho (grifo nosso), limitava-se à investigação da fenilcetonúria e do
hipotireoidismo congênito, que são condições clínicas importantes, mais de
menor incidência. (4)
Com relação às características dessa doença, é fundamental esclarecer que
existe uma variabilidade clínica. Enquanto algumas pessoas apresentam quadro
de grande gravidade e estão sujeitos a inúmeras complicações e freqüentes
hospitalizações, outras apresentam uma evolução mais benigna, em alguns casos
quase assintomáticos. Tantos os fatores hereditários como adquiridos contribuem
para esta variabilidade clínica. Entre os fatores adquiridos mais importantes está
o nível sócio-econômico, com as conseqüentes variações da qualidade da
alimentação, de prevenção de infecções e de assistência médica (7).
Isto exposto denota-se a importância de estudos que auxiliem na
compreensão desta doença, visto que há pouca informação e divulgação da
problemática do assunto descrito.
Enquanto estudantes do último ano do Curso de Graduação em
Enfermagem de uma Universidade Particular do Litoral Paulista houve o interesse
em estudar como assistir o portador da Anemia Falciforme, afinal estuda-se o
cuidar em enfermagem em diversas patologias essa viria a somar. Outra
finalidade foi de contribuir com um grupo denominado Núcleo de Estudos
Indígenas e Afro-Brasileiros. (12)
O Neiab tem diversas funções que visam debater e estudar questões da
população negra e indígena e de políticas de promoção da igualdade racial. Existe
também, o intuito de envolver estudos sobre a população indígena, afrobrasileira, mulher e questões de gênero de etnias.
O núcleo é composto por professores e funcionários dessa Universidade e
da Fundação Fernando Lee, que desenvolvem diversas linhas de pesquisas entre
elas a da Saúde, e por meio do estudo das relações étnicas e de gênero, tem a
finalidade de “estimular o processo de superação das desigualdades sociais com a
formação de uma consciência crítica da importância desses grupos na sociedade
brasileira”.(12)
5
2 . OBJETIVOS
a) Descrever a Assistência de Enfermagem ao portador de Anemia
Falciforme (AF).
b) Contribuir com o Núcleo de Estudos Indígenas e Afro-Brasileiros (Neiab),
de uma Universidade Particular do Litoral Paulista, quanto às
orientações sobre essa patologia.
3 . MATERIAS E MÉTODOS
Para este estudo utilizou-se como suporte metodológico à pesquisa
bibliográfica. A metodologia funciona como suporte e diretriz para uma pesquisa.
A pesquisa bibliográfica foi pertinente, pois oferece meios para definir, resolver,
não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas, tendo
por objetivo permitir uma análise de suas pesquisas ou manipulação de suas
informações. (11)
Com tais premissas, o material bibliográfico foi levantado em bibliotecas
públicas, de instituições educacionais particulares, bem como em Base de dados
eletrônicos, com os descritores: anemia falciforme e assistência de enfermagem. O
período de busca foi de 1995 a 2007, pois foi onde surgiram textos mais
relevantes sobre o tema.
Tendo em vista o referencial escolhido para este estudo, após o
levantamento em acervos, sucessivas leituras dos textos encontrados,
participação em palestras de especialistas sobre o assunto, foi possível
estabelecer uma série de correlações para, ao final, refletir, analisar e responder
aos objetivos propostos nesse estudo.
4 . RESULTADOS E DISCUSSÃO
Quanto à evolução da doença, cabe destacar que pacientes/clientes com
anemia falciforme podem viver anos sem a necessidade de hospitalização e a
assistência ambulatorial pode favorecer a prevenção de intercorrências e
melhorar a qualidade de vida, reduzindo complicações e facilitando a
recuperação. Por outro lado, podem ocorrer manifestações clínicas mais severas
em órgãos vulneráveis, como cérebro, fígado, coração, pulmão, pele, medula
óssea ou baço, que impõem a hospitalização ou até mesmo a intervenções
cirúrgicas (1).
Portanto, a assistência de enfermagem deve ser orientada para a prevenção
da crise falciforme, sua identificação precoce, intervenções em situações severas e
reabilitações, considerando as peculiaridades do paciente frente ao seu ciclo
evolutivo (3 5).
Um grande número de clientes apresenta manifestações clínicas muito
graves com inúmeras complicações e freqüentes internações, a Sistematização da
Assistência de Enfermagem (SAE) a ser elaborada ao paciente com AF tem como
objetivo atender todas as Necessidades Humanas Básicas Afetadas (NHBA).
As manifestações clínicas da AF variam acentuadamente entre os genótipos
da doença, mesmo no genótipo mais grave é possível detectar casualmente
6
pacientes assintomáticos, enquanto outros sofrem incapacitação em
conseqüência das complicações da doença. A maioria dos sistemas orgânicos está
sujeita ao processo de vaso-oclusão, resultando na falência multissistêmica
característica, tanto aguda quanto crônica. Outras complicações são as infecções
que constituem uma importante causa de morbidade e mortalidade, sendo a
principal causa de hospitalização. (3)
O recém-nascido é protegido pelos elevados níveis de hemoglobina fetal nos
eritrócitos durante as primeiras 8 a 10 semanas de vida, como estes níveis
declinam, as manifestações clínicas da AF aparecem, e as manifestações
hematológicas são detectáveis a partir da 10ª a 12ª semanas de vida. (4)
O cliente típico é anêmico, porém assintomático, tendo um estado de saúde
razoável e estável durante a maior parte do tempo, este estado de relativo bemestar é interrompido periodicamente por uma crise que pode ter um início súbito
e, ocasionalmente, um desfecho fatal. O reconhecimento precoce e a subseqüente
avaliação clínica das crises são de extrema importância para a diminuição da
morbimortalidade da AF. (4)
Vários tipos de crises ocorrem e podem ser classificadas em: vaso-oclusivas
(dolorosas), aplásticas e megaloblásticas, de seqüestração, e hemolíticas.(3,7)
As crises vaso-oclusivas (VO) ou falciformes são as mais comuns,
características do paciente com AF. A crise VO resulta da obstrução dos vasos
sanguíneos por hemácias falciformes, onde ocorre hipóxia tecidual, morte
tecidual e dor localizada. (3,7)
As crises aplásicas e megaloblásticas consistem em parada transitória da
eritropoiese caracterizada por quedas abruptas dos níveis de hemoglobina,
contagem de reticolócitos e percussores eritróides da medula óssea. (6,7)
A sequestração é caracterizada pelo aprisionamento de eritrócitos
especialmente no baço, levando a exacerbação aguda da anemia, baço
hipersensível, e de tamanho aumentado e, por vezes, hipovolemia. (3,6)
A crise hemolítica ocorre quando a taxa de hemólise é aumentada, é raro
acontecer e pode representar outras complicações da AF.(6,7)
Na identificação precoce de possíveis alterações, a assistência à criança
deve incluir a coleta de material para investigação laboratorial básica
(hemograma completo, radiografia de tórax, cultura de sangue, garganta, urina I
e urocultura), informações da família sobre o padrão alimentar e de hidratação,
surgimento de episódio hemolíticos, crises dolorosas, tumefação das mãos e dos
pés, distensão e dor abdominais, sinais de hipóxia, infecção, uso indevido de
analgésicos. (3,6,7)
Nas crises álgicas com episódios de dor que variam de uma pessoa a outra
e podem ocorrer em qualquer época e durar, horas, dias e até mesmos semanas,
a assistência de enfermagem é fundamental. As crianças menores de cinco anos
podem apresentar dor nas mãos e nos pés (dactilite), podendo ser a primeira
manifestação da doença.(6,7)
As medidas assistenciais incluem estimular a ingestão generosa de
líquidos, redução de atividade física excessiva, identificação pelos familiares de
sinais flogísticos, infecciosos, desidratação, dor, crise de falcização, de seqüestro
esplênico (intercorrência grave), conhecimentos dos processos iniciais frente a
estas manifestações, recursos de saúde disponíveis e alternativas de contato com
a equipe de saúde. (3,5)
7
Para a Assistência de Enfermagem ao adolescente tem como objetivo
desenvolver o autocuidado e preservar a auto-estima. Tem-se ainda o propósito
de adaptar o cliente às diferenças de crescimento e desenvolvimento sexual que
nesta fase é de suma importância. (3,5)
Em relação à assistência ao adulto devemos salientar a administração de
medidas de identificação precoce e preventiva de possíveis complicações clínicas
que são. (3,8)
Complicações oculares que incluem sinuosidade dos vasos das
conjuntivas, retinopatia proliferativa, deslocamento e hemorragia da
retina. (1,2,9)
Complicações neurológicas ocorrem em 25% dos pacientes, os
eventos comumente observados incluem ataques isquêmicos
transitórios (AIT), acidente vascular encefálico (AVE), hemorragia
cerebral, convulsões e coma inexplicado. O AVE ocorre mais
comumente entre 1 a 15 anos de idade e com freqüência provoca
comprometimento motor e cognitivo. (1,2,9)
Síndrome Torácica aguda que consiste em dispnéia, dor torácica,
febre, taquipnéia, leucocitose e infiltrados pulmonares na radiografia.
Isto acomete cerca de 30% dos clientes podendo ser fatal. As causas
habituais incluem vaso-oclusão, infecção e embolia pulmonar
gordurosa da medula óssea infartada. Na evolução progressiva
associada à redução pronunciada da pressão de oxigênio arterial,
hipoxemia, hipertensão pulmonar (Doença pulmonar restritiva), pode
ser necessário um tratamento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
(1,2,9)
Embora não haja nenhuma miocardiopatia específica o tratamento
quase sempre envolve considerações cardíacas. A compensação com
alto débito cardíaco (DC) para anemia resulta em aumento das
câmaras que é inversamente proporcional aos níveis de hemoglobina.
Quando a demanda de oxigênio ultrapassa a limitada capacidade de
suprimento de oxigênio, pode sobrevir infarto do miocárdio (IAM),
apesar das artérias coronárias normais. (1,2,9)
As alterações digestivas podem ocasionar plenitude pós prandial,
náuseas, vômitos, dor no quadrante superior, hepatomegalia,
colecistite aguda, obstrução do ducto biliar e pancreatite aguda. (1,2,9)
No seqüestro esplênico e aplasia de medula deve-se observar rápido
aumento do baço quando comparado à sua linha de base; queda da
hemoglobina, que baixa o suficiente para a necessidade de
transfusão, necessitando da ausculta torácica e abdominal: atrito
esplênico á inspiração (sinal de infarto esplênico agudo). (1,2,9)
Dentre as alterações renais, destaca-se a ocorrência de estase,
anóxia, hiperosmoralidade e proteinúria. Se estas alterações não
forem observadas podem levar o cliente a um quadro clínico que
necessite de um diagnóstico diferencial para glomerulonefrite,
infecção do trato urinário e distúrbio de coagulação. (1,2,9)
Priapismo, que se refere à ocorrência de ereção dolorosa não desejada
do pênis devido à oclusão total das veias e artérias penianas. Afeta
quase dois terços dos indivíduos entre 5 a 13 anos de idade, bem
como entre 21 a 29 anos. Observar a duração do priapismo, pois o
8
cliente pode evoluir para um quadro agudo da patologia se persistir
por mais de 24 horas; assistência médica pode ser necessária para
evitar a perda do processo funcional do pênis, gerando problemas
psicológicos para este cliente. (1,2,9)
Alterações ósseas levando a deformidades ósseas com algia e edema
local.
Úlceras de MMII, iniciando com pequenas lesões, crostas no terço
inferir da perna, estas são de difícil tratamento.
Clientes cirúrgicos podem desencadear elevado risco de complicações
durante o perioperatório, sendo que o hematologista deve fazer parte
da equipe cirúrgica, com isto os cuidados pós-operatórios devem ser
redobrados para evitar ao máximo crises vaso oclusivas. (1,2,9)
A gravidez em mulheres com AF traz consigo uma série de riscos
tanto para mãe quanto para o futuro bebê, como retardamento
gestacional e alta incidência de aborto. Contudo não são esses riscos
que impedem a gravidez de ser desejada por esse grupo de mulheres.
No programa do pré-natal deverá estar incluída constantemente a
avaliação do hematologista, em virtude da gestação ser um estado de
estresse físico e esta situação poderá desencadear alguns problemas
de saúde para estas mulheres. (1,2,9)
Dieta baixa em gordura, equilibrada em ferro, com teor adequado de
Vitaminas B e C e uma variedade de frutas, vegetais e grãos são
essenciais. Na sua dieta não deve ser esquecida a ingestão de água
diariamente, pois a mesma auxilia no transporte de nutrientes,
substâncias orgânicas, digestão, absorção e eliminação, mas também
a desobstrução dos vasos sanguíneos das células falciformes. (1,2,9)
Assim, a SAE na AF com sinais e sintomas de fadiga, palidez, dificuldade
respiratória, cefaléia, vertigem, icterícia esclerótica, febre, sinal de infecção por
causa do comprometimento da função esplênica e diminuição da capacidade
fagocitária entre outros podem ocorrer. (1)
Abaixo foram citadas algumas prescrições de enfermagem, gerais, ao
atendimento de um cliente portador dessa patologia:
1) Verificar sinais vitais de 6/6 h.
2) Orientar sobre alterações oculares e avaliação oftalmológica periódica.
3) Avaliar, comunicar e anotar dispnéia e qualquer sinal de cansaço aos
esforços.
4) Atentar, anotar e comunicar anorexia, náuseas, vômitos, glossite e
diarréia.
5) Atentar, anotar e comunicar perda sanguínea: melena, hematúria, e
ciclo menstrual aumentado.
6) Encorajar períodos de sono e repouso.
7) Orientar cliente e familiares sobre a patologia.
8) Orientar cliente e familiares para prevenção de quedas.
9) Atentar para queixas álgicas, avaliar com escala de dor, medicar
conforme prescrição médica e reavaliar após 30 a 40 minutos.
10) Estimular o aumento da ingestão hídrica e/ou manter hidratação
parenteral.
9
11) Atentar para as necessidades do cliente para reduzir ao máximo a
ansiedade e o medo da patologia.
12) Comunicar enfermeira se pico febril para coleta de hemocultura.
13) Atentar para hipertermia, anotar e medicar conforme prescrição
médica.
14) Observar diariamente as vias parenterais.
15) Avaliar gasometria arterial.
16) Verificar saturação de oxigênio e manter níveis normais.
17) Verificar hemograma, atentar para neutrofilia (sinal de infecção).
18) Realizar radiografia de tórax e eletrocardiograma para análise
imediata quando prescrito.
19) Manipular com cuidado as articulações ósseas, principalmente os
locais edemaciados e doloridos.
20) Realizar balanço hídrico nas 24 h.
21) Atentar e comunicar sinais de desidratação.
22) Observar, anotar e comunicar sinais de nictúria, enurese noturna e
hematúria.
23) Orientar banho morno e esvaziamento vesical se priapismo.
24) Evitar ingestão excessiva de álcool.
25) Verificar pulso, perfusão periférica e temperatura dos MMII. (1)
Quanto a Evolução de Enfermagem desse cliente, deve ser dado ênfase as
NHBA, a assistência que foi preconizada e a resposta do cliente a essa assistência
nas suas 24 h.
Também, é primordial o aconselhamento genético precoce, onde os pais e
responsáveis devem receber uma Educação em Saúde fornecida pela equipe
multiprofissional, salientando a importância da (o) enfermeira (o), esclarecendo a
respeito de assuntos como alimentação, complicações da doença, imunização e de
como lidar um possível sentimento de culpa por terem filhos com doenças
hereditárias.(6)
A enfermeira (o) que faz o aconselhamento deve dar oportunidade aos pais
de falarem, perguntarem e expressarem seus sentimentos, instruindo-os da
melhor maneira de cuidar dos seus filhos. Não se pode esquecer que toda
orientação deve ser estendida aos locais de convívio do portador da AF, sendo
criança, visitar a escola, onde essa passará boa parte de sua infância.(6)
Os pais e amigos devem ser orientados a permitir que seus filhos cresçam
sem superproteção devido a doença, pois poderá acarretar em adolescentes
reprimidos. Com isto, observa-se uma gama de problemas relacionados à fase
adulta ocasionados pela falta de orientação quando criança. (6)
5 . CONCLUSÕES
Apesar de as alterações genéticas e dos mecanismos da biologia molecular
da hemoglobina terem sido descobertos e elucidados há mais de 50 anos, essa
doença continua com uma terapêutica limitada, baseando-se principalmente no
manejo preventivo e no tratamento de suas complicações podendo-se fazer pouco
para a cura efetiva dos clientes.
Esse estudo atingiu seus objetivos, podendo-se verificar que o portador da
AF necessita de uma Assistência de Enfermagem específica e, portanto, o
10
enfermeiro não pode esquecer de que, a assistência de enfermagem com
qualidade deve prevalecer, de modo a permitir que os portadores de AF tenham a
melhor qualidade de vida possível.
Sugere-se que mais estudos de enfermagem sejam realizados baseados em
evidências clínicas contribuindo assim, com a Ciência da Enfermagem moderna e
o crescente reconhecimento dessa profissão.
6 . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Santos GER. Enfermagem no tratamento de anemia falciforme. São
Paulo. EPU,1999.
2. Ramallho AML. Piva e Silva RA. Portaria do Ministério da Saúde nº 822/
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2002.
4. Paiva ES, Ramallho RB. Riscos e benefícios da triagem genética. O traço
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da União 2001:5jun.
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set;(2): 747-755.
11. Lakatos EV, Marconi MA. Fundamentos de metodologia científica. São
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12. Neiab. Núcleo de Estudos Indígenas e Afro-Brasileiros. em:
<http://www.unaerp.br/main.php?module=conteudo&file=index&pagin
aId=1619> Acessado em: (01 maio 2007).
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