Visualização do documento AULA 14.doc (38 KB) Baixar AULA 14 – ANOMIA Anomia, - origem grega = falta/ausência de lei norma/conduta, a (ausência) + nomos (lei). Na Grécia Antiga o termo era usado para indicar violação da lei. Na Sociologia adquiriu novos significados a partir da obra de pensadores franceses do século XIX (Besnard, 1987, pp.21-139; Orrù, 1987, pp. 94-117; Izzo, 2002, p.1-28). Segundo Felipe A. de Miranda Rosa (2004, p.82), anomia tem três significados: a) Quando uma pessoa vive em situação de transgressão das normas, demonstrando pouca vinculação às regras da estrutura social a qual pertence. Ex. um delinqüente. Anomia significa, aqui, ilegalidade. b) Quando ocorre um conflito de normas que estabelece exigências contraditórias, tornando difícil a adequação do comportamento do indivíduo à norma. Neste caso anomia significa ausência de regra clara de comportamento. Ex. o conflito de deveres jurídicos no caso de uma pessoa que deve prestar serviço militar e possui a liberdade de seguir sua convicção religiosa que proíbe o uso de armas e a violência. c) Quando se constata falta de normas que vinculem as pessoas num contexto social. Exemplos: 1º) o iluminismo jurídico, Séc. XVIII: abolia-se ou não a tortura judicial? A inquisição? A pena de morte? Neste processo há um momento de “perda de referencial”. 2º) Nos anos 60 eclodiu o movimento da contracultura hippie. Por um período não se sabia bem o que era justo, injusto, certo, errado. Explodiu uma crise de valores, em que se questionava tudo. Era um período de transição, vivia-se uma situação de anomia. 3º) Uma guerra onde impera uma situação de ausência de normas entre a população dos Estados em conflito (saques, atos de violência). A quebra do sistema organizacional social propicia a transgressão de qualquer norma. DESVIO DE COMPORTAMENTO OU COMPORTAMENTO DESVIANTE Com isto podemos afirmar que anomia significa ausência de normas de referências sociais, não se tratando, portanto, unicamente de um problema dos indivíduos que transgridem as regras de comportamento, nem de uma situação de conflito de deveres em casos concretos, mas de uma crise social de caráter amplo, onde os membros do grupo social ou mesmo a sociedade não sabem o que fazer. Preocupa-se o estudo da anomia com as causas, e não apenas com os fatores CAUSA – aquilo que determina a existência de uma coisa. É o agente causador do fenômeno social, origem/ razão de ser.– Eliminada a causa o fenômeno desaparece. FATOR – Não dá origem ao fenômeno, mas concorre para a sua maior ou menor incidência. É a circunstância que de qualquer forma concorre para o resultado. Exs.: pobreza, miséria, analfabetismo. Durkheim e Merton. Teoria de Durkheim a palavra anomia, “Da divisão social do trabalho”, 1893. -comentou as formas "anormais" da divisão do trabalho (crises econômicas, grandes conflitos entre as classes) = enfraquecem a solidariedade social, segundo o autor, esses fenômenos eram devidos à falta de regulamentação das relações sociais, ou seja, a um estado de anomia. Como solução para o problema da anomia na sociedade moderna, Durkheim sugeriu a criação de regras de solidariedade capazes de diminuir as desigualdades sociais. Durkheim desenvolveu assim seu pensamento: a) a sociedade moderna, para poder atingir os seus fins, inclusive de produção e sobrevivência, precisa organizar-se; b) a organização impõe divisão de trabalho ou tarefas; c) a divisão de tarefas produz especialização; d) a especialização ocasiona isolamento dentro do grupo, motivando um enfraquecimento do espírito de solidariedade do grupo global; e) o enfraquecimento desse espírito de solidariedade acarreta uma influência dissolvente e, por via de conseqüências, o comportamento de desvio. Teoria de Merton Merton afirma que em todo contexto socio-cultural desenvolvem-se metas culturais, estas expressam os valores que orientam a vida dos indivíduos em sociedade. A sociedade estabelece determinados meios para que o indivíduo possa atingir essas metas. Trata-se de recursos institucionalizados ou legítimos que são socialmente prescritos, existindo, porém outros meios que permitem atingir as mesmas metas, mas que violam as regras sociais vigentes e que são rejeitados socialmente. Exemplo: a riqueza pode ser obtida com a criação de uma empresa lucrativa ou com a prática de assaltos a bancos. A sociedade aceita o primeiro e rejeita o segundo, punindoo como crime. Do ponto de vista sociológico, podemos afirmar que ambos os meios podem levar ao enriquecimento. Estudando a sociedade americana, Merton observou que a meta cultural mais importante é o sucesso na vida, que inclui riqueza e prestígio. Segundo o autor, o elemento econômico apresenta uma importância particular na formação do conceito de sucesso nos EUA. Embora esta meta cultural (riqueza, popularidade, poder e prestígio) seja compartilhada por todos, só será atingida por poucos, visto que os meios socialmente admitidos não permitem à todos alcançar a meta cultural, acarretando, portanto, um desequilíbrio entre meios e metas. Este desequilíbrio propicia o aparecimento de condutas que vão desde a indiferença perante as metas impostas até a tentativa de alcançar tais objetivos através de meios contrários aos interesses sociais (criminalidade). Classificação dos tipos de comportamentos (Merton denomina de modos de adaptação): - Conformidade – o indivíduo busca atingir as metas culturais através de meios estabelecidos na sociedade. Não existe, aqui, desvio de comportamento, o indivíduo está adaptado às regras estabelecidas na sociedade. É o que se denomina comportamento modal. - Inovação – a conduta do indivíduo está de acordo com as metas culturais, mas, percebendo que os meios legítimos não estão ao seu alcance ou são insuficientes e não estão ao seu alcance, inova, objetivando realizar as metas por outros meios, mesmo que reprováveis. O indivíduo adota o princípio de que "os fins justificam os meios". Ex: A criação dos primeiros grupos de rock. Nesta modalidade de comportamento também estão incluídas as condutas desviantes, como a criminalidade. - Ritualismo – o indivíduo demonstra um desinteresse em atingir as metas, porém continua respeitando as regras sociais, apegando-se às mesmas como em uma espécie de ritual. O receio do insucesso, do fracasso produz desencanto e desestímulo. O indivíduo limita-se ao cumprimento das normas e regulamentos, sem sequer indagar acerca da conveniência e da finalidade das mesmas. Ex. É o caso de certas pessoas que se acomodam ou se contentam com o pouco conquistado, e se apegam à ritualidade diária e o pleno respeito da legalidade. - Evasão – se caracteriza pelo abandono das metas e dos meios de institucionalizados, indicando uma falta de identificação com os valores e regras sociais, ou seja, o indivíduo apesar de viver em determinado meio social não se adapta ao mesmo. Os adeptos desse comportamento, segundo Merton, estão na sociedade mas não são dela. A conduta mais extrema de evasão é o suicídio. - Rebelião – é caracterizada pelo inconformismo e pela revolta. O indivíduo é negativo em relação aos meios e as metas. A grande diferença entre esta conduta e a evasão consiste no fato de que o grupo ou o indivíduo rebelde propõe o estabelecimento de novas metas e a institucionalização de meios para atingi-las, ou seja, rejeita as metas e meios dominantes, por julgá-los insuficientes ou inadequados. A conduta de rebelião busca a configuração de nova ordem social. Mertom entende que esta conduta não pode ser considerada como negativa. Exemplo- conduta de rebelião constituem movimentos de revolução social. -Bibliografia: Cavalieri Filho, Sérgio. Programa de Sociologia Jurídica, Ed. Forense2005. - Sabadell, Ana Lúcia, Manual de Sociologia Jurídica. Ed. RT, 2005. Arquivo da conta: lemosamo Outros arquivos desta pasta: AULA 1.doc (37 KB) AULA 14.doc (38 KB) AULA 2.doc (55 KB) AULA 3.doc (41 KB) AULA 4.doc (41 KB) Outros arquivos desta conta: Empreendedorismo História IED 2 Penal Relatar se os regulamentos foram violados Página inicial Contacta-nos Ajuda Opções Termos e condições Política de privacidade Reportar abuso Copyright © 2012 Minhateca.com.br