O PROBLEMA DA VERDADE E A QUESTÃO DO REALISMO

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O PROBLEMA DA VERDADE E A QUESTÃO DO REALISMO
Anaeliza Petersen de Albuquerque Veras (bolsista do PIBIC/CNPq), Gerson Albuquerque de
Araújo Neto (Orientador, Depto de Filosofia – UFPI)
Introdução
Os realistas assumem posições de como o mundo não depende do sujeito. O mundo é, foi e
continuará existindo independente do sujeito. Um realista é aquele que defende que se um sujeito
fecha os olhos, o mundo, externo a este, continua existo tal como antes. Continua igual como no
momento em que o sujeito estava com os olhos abertos.
A questão do realismo provoca uma discussão entre Hilary Putnam e o filósofo americano
Richard Rorty. Rorty é acusado por Putnam de ser relativista e de negar a verdade. No livro Verdade
e Progresso, Rorty faz uma defesa de suas ideias dos ataques Putnam. A obra, trata de diversos
assuntos de interesse filosófico como direitos humanos, feminismo, diferenças culturais e outros.
Contudo o interesse nesta pesquisa é a discussão com o realismo e com a verdade.
O objetivo geral desta pesquisa é analisar o problema da verdade e a questão do realismo em
Richard Rorty. O tema do realismo é um dos que estão em aberto na filosofia. Constitui, portanto, um
campo fértil para várias pesquisas de cunho filosófico. Tem-se como objetivos específicos, estudar a
obra Verdade e Progresso e fazer uma reflexão sobre a questão do realismo na defesa de Richard
Rorty das acusações do filósofo Hilary Putnam.
Metodologia
A metodologia aplicada consistiu em uma leitura sistemática dos textos, contando com um
levantamento e fichamento destes, para obtenção de uma melhor compreensão da problemática
apresentada. O método utilizado foi o analítico.
A filosofia analítica exerce função de analisar o significado, de modo que acredita haver
alguns razoáveis equívocos na linguagem da filosofia ao se delimitar conceitos-chave. Esses
pequenos erros são tomados como vagos e confusos e se dão nas diversas linguagens.
Richard Rorty, crítico da filosofia tradicional, deixou uma obra que representa a corrente
neopragmatista, propondo uma abordagem inovadora para os caminhos do pensamento filosófico
atual. Para ele, problemas como o da verdade só podem ser entendidos com uma reformulação do
pensamento filosófico, transformando-o em problemas de linguagem até que se consiga alcançar a
verdade.
Resultados e Discussão
Para a filosofia analítica, antes de se construir teorias filosóficas acerca do mundo, deve-se
primeiro analisar seu significado. Desse modo, todos os conhecimentos não passam de vocabulários:
são apenas ferramentas utilizadas para representar o mundo já que o mundo não tem capacidade de
falar com as pessoas, são estas que falam com ele e sobre ele.
Muitos consideram que a verdade é uma correspondência às realidades como ela ‘realmente
é’, e por isso, erroneamente, pensam que os pragmatistas negam a existência da verdade. O que
ocorre, para Rorty, é que não se pode fornecer uma explicação ontológica da relação entre a mente
ou linguagem (do sujeito) e os objetos se não é possível que se saia da condição de sujeito para
então descrever tal relação conforme uma perspectiva neutra, isolando elementos básicos. A solução
não seria a relação entre sujeito e objeto, mas, o que se produz a partir dessa relação.
Davidson defende que o conceito de verdade relaciona-se com os outros conceitos de crença
e de significado. E então, o que garante essa ligação são os usos da linguagem, que nos mantém em
contato com o mundo. Rorty tira das ideias de Davidson a noção de que sempre estamos em contato
com o mundo, com a realidade.
Embora a ciência seja verdadeira, quando uma teoria é deixada em esquecimento não
significa dizer que se tornou falsa, mas que não possui mais utilidade, pela contingência do tempo e
do acaso. Daí aparece a distinção verdade-justificação: a verdade estabelece-se provisoriamente, por
justificação. Admitindo que a verdade esteja justificada em alguma posição (em tempo ou cultura) em
um grupo, infere-se que também podem existir grupos melhores que possam apresentar crenças
melhores, ou mais úteis. Na ausência da verdade, é colocado o critério de utilidade em seu lugar, que
predomina enquanto houver utilização dela. A substituição proposta por Rorty não requer o
estabelecimento de critérios de classificação em mais ou menos útil, pois, depende dos objetivos a
serem delineados.
Hilary Putnam e Richard Rorty concordam em diversos pontos cujos quais são inaceitáveis na
visão de outros filósofos. Putnam, assim como Rorty, entende ocorrências em que um fato pode ser
ao mesmo tempo verdadeiro e falso: verdadeiro em determinado momento, e, falso noutro. Rorty
concorda com Putnam no sentido de que elementos do que se impõe ao termo linguagem, ou mente,
adentram de modo profundo no que se atribui como sendo realidade.
Os mantém distintos o fato de que Putnam considera Rorty como um relativista cultural,
mesmo embora que Rorty tenha “escrito, insistentemente, contra a ideia de que a filosofia é um
pedestal sobre o qual repousa nossa cultura”. (RORTY, 2005, p. 38). Como defesa, Rorty aponta que
Putnam está equivocado, pois, ambos acreditam que deixar de lado a ideia de um conhecimento que
não tem relação com valores ou interesses, deve ter, portanto, considerável importância cultural. Um
ser sem valores seria também, um ser humano sem fatos, para Putnam. Então, valores de cultura,
assim como racionalidade e história, se fazem importantes para atingir o consenso de verdade.
Do seu ponto de vista, Rorty aponta uma sugestão preliminar sobre a diferença fundamental
entre eles. Esta seria relacionada ao fisicalismo, com traços presentes em Rorty, como a convicção
de que é fornecido um vocabulário útil através do darwinismo. Ainda como elemento de distinção,
Putnam sugere que ele e Rorty possuem conceitos distintos de ‘garantia’.
Rorty menciona que em uma passagem, Putnam aceita as ideias dele ao admitir que
poderíamos nos “comportar melhor se nos tornássemos rortianos”. Conclui, que “de qualquer
maneira, na maior parte do tempo, Rorty pensa de fato que o realismo metafísico está errado. Nós
estaríamos em melhor situação se o ouvíssemos no que diz respeito a ter menos crenças falsas.”
(PUTNAM, 1990, p. 24-25).
Sobre Putnam, ainda conclui que, o que ele pensa é na ideia de que somos construídos com,
e por meio da, evolução de tal maneira que somos capazes de rastrearmos a verdade. Somos
pensadores, e enquanto admitimos a posição de pensadores, estamos comprometidos a existência
de algum tipo de verdade. Igualmente, Rorty indica que devemos deixar de lado a preocupação se as
crenças estão bem fundamentadas e direcionar essa preocupação para criação de alternativas para
as crenças atuais.
Conclusão
Pode-se concluir, com este estudo, que a preocupação com questões de linguagem inseremse na filosofia contemporânea através dos limites encontrados no conceito de representação. Ao não
admitir o conhecimento como representação, a questão acerca da verdade não é vista como
correspondência com o real, para Rorty. Tudo o que se pode fazer é estabelecer um consenso de
utilidade, a verdade passa a existir apenas quando surge um consenso do que é verdadeiro, e isso
ainda irá depender do momento em que é analisada para ser considerada verdade ou não. Assim, a
verdade é algo que nos persuade não porque é boa, ou para a comunidade real ou imaginária, mas
porque se impõe para além das práticas linguísticas conhecidas.
Hilary Putnam acusa Richard Rorty de tornar a questão da verdade um problema sério para o
realismo. Com o aprofundamento das discussões entre Putnam e Rorty, entendeu-se que Rorty
assume que não há diferença entre eles se considerarmos que as ideias de ambos são tidas como
absurdas para alguns outros filósofos. Assim, eles estão em um mesmo patamar: separados
daqueles que os acusam de ter visões absurdas. Tal elemento de discussão é fundamental para que
se compreenda a importância da reflexão sobre o diálogo entre os dois.
Referências Bibliográficas
DAVIDSON, Donald. The Myth of the Subjective. In: Relativism: interpretation and confrontation,
Notre Dame, Indiana: Notre Dame University Press, 1989.
GHIRALDELLI JUNIOR, Paulo. Introdução à Filosofia. Barueri, SP: Manole, 2003.
PUTNAM, Hilary. Corda tripla: mente, corpo e mundo. Aparecida: Ideias e letras, 2008.
______. Razón, Verdade e Historia. Madrid: Tecnos, 1988.
______. Realism with a human face. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 1990.
______. Representation and reality. Cambridge, Massachusetts: MIT Press, 1988.
RORTY, Richard. Pragmatismo: a filosofia da criação e da mudança. In: ______; Magro, Cristina e
Pereira, Antonio M. (org.). Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000.
______. Verdade e progresso. Barueri: Manole, 2005.
SEARLE, John. Mente, linguagem e sociedade: filosofia no mundo natural. Rio: Rocco, 2000.
Palavras-chave: Verdade. Realismo.
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