Humanização da dor e sofrimento humanos no contexto

Propaganda
OSlO
Humanização
da dor e sofrimento
no contexto
hospitalar
humanos
Léo Pessiní
Este artigo
procura
dor e sofrimento
e reclama
como
humanos
que um espelho,
A
humanização
deste
dor e sofrimento
muito
questão,
contexto
seja. física.
universo
petência
desta
maior
de saúde.
intervir
da dor/sofrimento.
técnico-científica
para nos deixarmos
brasileiro
formador
tecnologização
campo
e humana,
das filosofias
em meio
em nossa
Para além
e religiões.
desumanizada
públicas
também
ao cuidado
e
pela
digno
da
fase rudimentar.
relacionadas
Há
com
a
para criar uma nova cultura.
o resgate
de uma
visão
nas suas várias dimensões.
da difícil
o cuidado
à dor e sofrimento
sensibilidade
sociedade
é urgente
humanos
se fala
essa problemática
está numa
de profissionais
e espiritual.
Hoje. muito
da
reflete
No tocante
ainda
do cuidado.
no cuidado
obrigatoriamente,
de políticas
da dor e sofrimento
emocional
tocar
passa,
de operacionalização
que cuide
na nossa
da sociedade.
de saúde
no aparelho
de crescente
psíquica.
instituição
humana
no hospital.
O hospital
acontece
condicionante
o sistema
em termos
da dimensão
da saúde, especificamente
o que de pior e de melhor
holística,
social,
e a necessidade
das instituições
humanos,
bem como
antropológica
ciosa
no âmbito
humanização
o que se fazer
"porquê"
a importância
da desumanização
desumanizante.
Num
realçar
resposta
solidário,
do outro
e nos humanizarmos
à questão
ou
do
que alia com-
é uma chance
pre-
no processo.
"O sofrimento somente é intolerável
quando ninguém cuida. 11
Dame CicelySaunders
N
o
7
"O
-[
[
11
S corpos nao so}rem, aS pessoas so}rem.
Eric CasseI
o
.-
g
~
~
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,O)
~
"Não há riqueza maior que a saúde do corpo,
nem contentamento maior que a alegria do coração.
É melhor a morte do que uma vida amarga e o
descanso eterno, mais que uma doença prolongada. 11
Eclesiástico
30, 16-17
1__1-
.
INTRODUÇÃO
"'Numa primeira aproximação à questão da
que atinge o todo da pessoa(4). Avança real-
humanização da dor e sofrimento humanos no
contexto hospitalar, constatamos que passamos por uma profunda crise de humanismo.
çando a necessidadede uma visão antropológica holística que valorize as diversasdimensões
do fenômeno dor/sofrimento, ou seja, a
Falamos insistentemente de ambientes desumanizados, tecnicamente perfeitos, mas sem
dimensão física, psíquica, social e espiritual
(5). Em termos de assistênciade saúde, enfa-
alma e ternura humana. A pessoahumana vulnerabilizadapela doençadeixou,de sero centro
tiza a necessidadeimperiosa de cuidado solidário que une competência técnico-científica e
de atençõese passoua ser instrumentalizada
em função de determinado fim, podendo ser
humanidade, principalmente naquelas situações extremas na fronteira entre a vida e a
transformada em objeto de aprendizado,o sta-
morte (6).
tus do pesquisador,ou ser cobaia de pesquisa,
só para citar algumas situ1ções que comprometem a verdade ética de que as coisas têm
1. As catedrais contemporâneas da saúde
preço e podem sertrocadas,mudadase comer-
e do sofrimento humano
cializadas, mas as pessoastêm dignidade que
deve ser respeitada! A manipulação, enfim,
Façamosinicialmente uma rápida viagematé a
sutilmente sefaz presentee rouba aquilo que é
Idade Média e entremos numa catedral.
mais precioso à vida humana: sua dignidade.
,
"VIsívelà distância,emblema
da cidade,a catedral
é na realidadeo coraçãode um vastoconjuntode
Acreditamos que frente a este cenário gerador múltiplas/unções:centroreligioso,intelectual,ecode sofrimento podemos implementar uma nômico,caritativo,artístico,umacidadesagradae
52
política de assistênciae cuidado que honre a
dignidade do ser humano doente. Nos limites
simbólicadentroda cidade.Lugar dos principais
centrose nós de organizaçãodo espaçourbano e
de um texto introdutório à problemática em
do urbanismo(comsua praça),ela é tambémum
tela, nosso roteiro tem como partida uma aná-
centrodo poder,objetode conjlitos'l(l).
lise contextual da realidade hospitalar (1),
apresentaalguns dados preocupantesem relação à dor na realidadebrasileira (2), segueana-
A catedralera ao mesmo tempo símbolo, centro e sínteseda história da cidade. Em volta e
lisando o fenômeno da tecnologizaçãodo cuidado que transforma a dor e o sofrimento
dentro deste templo, viviam-se e reviviam-se
todos os acontecimentosfelizes,tristes e dolo-
humano num mero problema técnico (3),
aprofunda a problemática no contexto clínico,
ridos daquelepovo. Diante de suasportas realizam-se os teatros que cantavam a vida da
propondo uma distinção entre dor, que sesitua
populaçãoà luz de seusvaloresculturais e reli-
mais no âmbito da dor física e do sofrimento
giosos. Os vitrais, como os outdoorsde hoje,
ÓSIO
eram catecismos coloridos de suas crenças.
É importante termos uma visão histórica de
Todas as corporações celebravam dentro da
catedralo dia do seupadroeiro, bem como suas
como era esta instituição até muito recentemente, e que passoupor transformaçõesradi-
reuniões de rotina. A vida, as festas, as ale-
cais ao longo do séculoxx. A narrativa de M.
grias, as tristezas, a morte, as esperanças, Foucault é simplesmentecontundente: '.Antes
enfim a vida -do nascerao morrer -era celebrada dentro daquele edifício sagrado,a catedral, verdadeiro orgulho de todos.
do séculoXVIII, o hospital era essencialmente
uma instituição de assistência aos pobres.
Instituição de assistência, como também de
separaçãoe exclusão.O pobre como pobre tem
Em nossa civilização contemporânea, a catedral da cidade está sendo substituída por
necessidade
de assistênciae, como doente,portador de doençae de possívelcontágio,é perigoso.
outros tipos de templos sagrados, por novos
tipos de catedrais. É o caso das catedraisdo
Por estas razões,o hospital deve estar presente
tanto para acolhê-loquanto para proteger os
esporte,que são os grandes estádios; as cate- outros do perigoque eleencarna.O personagem
drais da riqueza,que sãoos bancos;as catedrais ideal do hospital, até o séculoXVIII, não é o
do lazer, que são os grandesparques de entre- doentequeé precisocurar, mas o pobre que está
tenimento e diversões;as catedraisdo prazer,
que são as casas noturnas requintadas e os
morrendo.É alguémquedeveser assistido material e espiritualmente,alguéma quemsedevedar
motéis luxuosos; as catedraisdo trabalho,que
são as fábricas e empresasprestadorasde serviços; as catedraisdo saber,que são as universi-
os últimos cuidadose o último sacramento.Esta
é a /unção essencialdo hospital. Dizia-se correntemente,nestaépoca,queo hospital era um mor-
dades.E no m~io de tantos novos templos, eis
redouro,um lugar ondemorrer"(2}.
que surgem as catedraisda saúde,que são os
hospitais.
Passarde uma instituição onde sevai para morrer para uma instituição onde se cuida e se
Dentro de um hospital, como nas antigas cate-
aprimora a saúde exigiu muito tempo e desco-
drais, recapitulam-se todas as fasesda vida do
ser humano. O nascimento, com suasfestase
bertas c-ientíficas.Entremos no hospital. Esta
instituição é um pequenomicrocosmodo gran-
esperanças,as doenças,a restauraçãoda saúde,
a cura, as pesquisasna buscade novos medica-
de macrocosmo(sociedade),isto é, nele encontramos em dose concentrada um resumo do
mentos, as cruzadasdas campanhaspreventi-
que de mais nobre, bonito e incrível encontra-
vas, asvigdias nas UTls -as corporaçõesou as
mos na sociedade,bem comp o que de mais
equipesprofissionais combatendo o "inimigo"
infecção; as oraçõese meditaçõesnos oratórios
triste, degradantee violento nela existe. Ele
aceita a todos indiscriminadamente. Nele nos
e/ou capelas, sem esquecerdo silêncio e da
inquietude em momentos de despedida de
defrontamos com a realidadenua e crua, sem
disfarcesou máscaras,que caem por terra sem
vida.
pedir licença. É uma realidade contrastante
f
.
que nos questiona. Nela nos defrontamos com
o santo e o bandido, o crente e o ateu, a crian-
opçãopelaeutanásiatoma-se atrativa,no sentido
de abreviara vida intencionalmentepor causada
ça que apenasexalouo primeiro vagido de chegadae que setoma um grito de adeuse o velhinho que, no vigor dos seus90 anos, ainda luta
dor e do sofrimento.É muito freqüenteouvir nas
UTIs e corredoresdo hospitalpacientesque verbalizamem alto e bom tom quenão tememtanto
para viver e de fato vive... -e que alguns dias
a morte em si mesma,mas sim a dor e o sofri-
após a alta volta ao hospital para agradecere
distribuir um "presentinho" aosque delecuida-
mento do processodo morrer. O cuidadoda dor
e do sofrimento é a chavepara o resgateda dig-
ramo Em situações de emergência, chega no
pronto-socorro alguém que fez tudo para tirar
nidadedo serhumano nestecontexto crítico, e é
um dosobjetivosda Medicina desdetemposime-
a própria vida numa tentativa frustrada de suicídio, e nós, profissionais da saúde,somos cha-
moriais. A problemáticada dor e do sofrimento
não é pura e simplesmenteuma questãotécnica:
madosa fazero possívele o impossívelpara que
estamosfrente a uma dasquestõeséticascontem-
continue a viver. Tantas jovens mulheres que-
porâneasde primeira grandezae que precisa ser
rendo sermães,e por problemasde esterilidade vista e enfrentadanas suasdimensõesfísica,psínão podem; por outro lado, outras, sendofér- quica, social e espiritual. Finalmente, veremos
teis, desperdiçamvidas e em muitas circunstân- neste capítulo que, no Brasil, estamos ainda
cias morrem no processo.Trata-sede uma rea- numa fase bastante rudimentar em relação ao
lidade simplesmenteparadoxal.
cuidadoda dor no sistemade saúde.Existe muita
É um contraste chocante, provocador de
dor não aliviadaea esperança
estána intervenção
nas escolasde fonnação dos profissionais da
indigna~ão ética em muitas instâncias, mas
que nos convoca a sermos arautos do cuidado
da vida marcada pela dor e sofrimento.
saúde,na refonnulaçãocurricular,quecontemple
estavisão antropológica,para além da fonnação
tecnocientíficanecessária
e na implementaçãoda
Ninguém vai ao hospital por prazer ou para
tirar férias, muito menos para passear.Trata-se
filosofia doscuidadospaliativos,em nívelinstitucional ou domiciliar,frente aquelassituaçõesem
de uma necessidadede preservaçãoda própria
que curar não é mais possível.Falamosaqui no
vida. É neste contexto que sempre temos a
presença inoportuna da dor e do sofrimento
cuidadodo sofrimento tenninal da vida humana.
Vejamosa seguircomoa dor é tratadano contex-
que nos provocam profundamente como seres to de saúdebrasileiro.
humanos e como profissionais da saúde.
Uma dassituaçõescríticas do cuidadoda vida é
2. Alguns dados sobre dor na realidade
quandoestaé marcadapor dor e sofrimentointo-
brasileira
leráveise sem perspectiva,provocadospor determinada doençaséria de característicasmortais.
O contexto da assistência médica em nosso
Este é um dosmotivospelosquaismuitas vezesa
país é ainda caracterizado, em muitos seg-
s
ÓSIO
mentos populares, por uma cultura que cheira
cas, causadorasde dor contínua, ou que retor-
o conformismo dolorista ("é assim mesmo")
na em intervalos de mesesou anos.
da sociedadeenquanto tal. Num ethos social
marcado por desigualdadee exclusão,herança
Estudos epidemiológicossobre a ocorrência e
de nosso período de escravidão,"o pobre tem
etiologia dos quadros álgicos são poucos, e o
que sofrer", e o crente não menos, para
conhecimento sobre o tema ainda é bastante
"ganhar o céu". Felizmente, este manto dolo-
primário no BrasJ. Sabe-se,porém, que a dor
rista, que acaba sacralizando a desigualdade é a razão principal pela qual 75%-80% das
sociopolítica e cultural, vai desaparecendoaos pessoasprocuram o sistemaprimário de saúde.
poucos.
A dor crônica acometeparcela significativa da
populaçãobrasJeira e é apontada como sendo
Alguns sinais positivos já começama surgir no
a principal causade falta ao trabalho, licenças
contexto clínico brasJeiro. Foi criado em
1997, no âmbito do Ministério da Saúde, um
Programa Nacional de Educação Continuada
médicas,aposentadoriaspor doença,indenizações trabalhistas e baixa produtividade. No
BrasJ, 6 dos 11 medicamentos campeõesde
em Dor e Cuidados Paliativos para os
venda no ano de 1998 foram analgésicose/ou
Profissionais da Saúde (3).
antiinflamatórios (5).
O que entender por dor? A palavra "dor" origina-se do latim d%re. Os dicionários costu-
As dores oncológicas representam 5% das
dores crônicas. Estima-se que 18 mJhões de
mam defini-Ia como impressão desagradável pessoasno mundo apresentemcâncerdiagnosou penosa,deco~ente de alguma lesão ou con- ticado atualmente, e a dor é um problema
tusão, ou de um estado anormal do organismo comum nesses pacientes. Os estudos têm
ou de parte dele.
apontado que a dor oncológica não tem sido
adequadamentecontrolada, não por falta de
O tema dor é geralmente negligenciadopelos
profissionais e educadoresdo setor saúde que
recursos terapêuticos, mas por avaliação
imprecisa do quadro de dor e utJização inade-
elaboram os currículos de formação dos futu-
quada do arsenalantiálgico disponível.
ros profissionais da área. Segundo especialistas, existem basicamentedois tipos de dor: as Estudos realizados nas unidades de cuidados
agudase as crônicas. A dor aguda geralmente paliativos e câncerda OrganizaçãoMundial da
está associadaa algum tipo de lesão corporal e
tende a desaparecerlogo que esta melhora. A
Saúde (OMS) mostram que 4,5 mJhões de
pacientes em países em desenvolVimentoe
dor crônica é aquela que perdura por mais de
desenvolvidosmorrem anualmente sem receber
seis meses. É aquela que persiste além do
tratamento da dor e semquelhes sejamconside-
tempo razoávele esperadopara a cura de uma
radosoutros sintomastão prevalecentesquanto
lesão, ou que está associadaa doençascrôni-
a dor e que também causamsofrimento.
55
.
Em suma, a dor ainda não recebea atenção
pela dignidade do serhumano, bem como sen-
devida na assistênciaà saúde em nosso país.
Necessitamos de programas de educação em
sibilidade no processode tomada de decisões
terapêuticas, devem permear toda a atividade
relaçãoa essaproblemática para doentes,fami-
de ensino, pesquisae assistência;
liares, médicos, farmacêuticos, enfermeiros,
psicólogos, assistentessociais e outros profis-
3) Presença de equipe multidisciplinar. A
sionais. O desafiopara a comunidade científi-
experiência assistencialrepresentaa possibili-
ca, para os profissionais da saúdee para toda a
sociedadeé a elaboraçãode um programa espe-
dadede integraçãodos conceitosque envolvem
o estudo da dor e seumanejo. O treinamento
cial sobre essaquestão nos currículos de for-
deve incluir o atendimento aos doentes com
mação dessesprofissionais. O tema dor deve
dor, realizado por todos os profissionais de
ser discutido e esclarecido para que haja
melhor compreensãoe prevençãode sua pre-
saúde,de forma integrada. Entre os princípios
que devemalicerçaros programaseducacionais
sença, bem como de seucontrole (6,7).
da área da saúde em dor, devem ser acrescentados os conceitos da filosofia de cuidados
Estes programas de educação devem funda-
paliativos que visam cuidar da dor e sofrimen-
mentar-se em alguns princípios fundamentais,
to dos pacientesfora de possibilidadesterapê~-
que assinalamosa seguir:
ticas.
1) Visão da dor nas suasdiferentes dimensões.
As escolasmédicas, em geral, têm a graduação
A dor é uma experiência em que aspectosbiológi~os, emocionaise culturais estãoligados de
baseadano famoso relatório Flexner, datado
de 1912, que fundamenta o ensino da
modo indivisível e no seu ensino deve-sepro- Medicina com uma visão biocêntrica/tecnover informação para que estesaspectospossam cêntrica. O corpo humano é estudadopor parser adequadamenteconsiderados,investigados tes e a doençaé vista como sendo o mau fun-
~
""
5&
e abordados. As intervenções terapêuticas
devem sempreque possívelatuar na causa da
dor, sendodesejáveisas terapias que interfiram
cionamento dos mécanismosbiológicos, estudados sobo ponto de vista da biologia molecular e celular. O objetivo da açãomédica é inter-
pouco na fisiologia e no comportamento normal do indivíduo, que sejampouco complexas,
vir física ou quimicamente para normalizar o
funcionamento da unidade esfacelada.A fina-
menos dispendiosase com mínimo potencial
lidade da escolamédica era formar estudiosos
de complicaçõese efeitos adversos;
2) Valores éticos e a importância da qualidade
em doenças, especialmente especialistasque
atuassemem hospitais, e não capacitaros profissionais para cuidar de doentes. Tal modelo
de vida. A valorização da qualidade de vida da
pessoafrágil pela dor e sofrimento e que talvez
esteja enfrentando o adeus à vida; o respeito
resulta numa visão reducionista da pessoa
como um todo. A preocupaçãoatual da/relação
entre as condições psicossocioculturais na
I
,
,
i
,.
ÓSIO
expressãoe na solução de questõesde saúde
pessoado fracassoe da vergonha da disfunção
implicou a inclusão de um conceito sociocêntrico na educaçãobásica. Esta deve desenvolver-se na organização de currículos com fun-
eréctil (impotência), proporcionando o prazer
e a felicidade sexual. Atualmente, não mais
possuímos os místicos de outrora, que atri-
damentação antropocêntrica, ou seja, compe-
buíam à dor um sentido e ao sofrimento uma
tentes para formar profissionais capazes de
contribuir para o bem-estar físico, psíquico e
social dos doentes (7,8). Passamosa seguir a
considerar a questão que fundamentalmente
razão de ser. Estamos numa sociedadesecularizada em que o sofrer não tem sentido, e por
isso somos incapazesde percebero sentido do
sofrimento. As culturas tradicionais tomam o
tem um componente ético, mas que a ideologia a toma mero problema técnico.
homem responsávelpor seu comportamento
sobo impacto da dor, sendoque hoje é a sociedade industrial que respondediante da pessoa
que sofre, para livrá-Ia desteincômodo.
3. A dor e o sofrimento como problema
técnico
Em meio medicalizado, a dor perturba e desnorteia a vítima, obrigando-a a entregar-seao
Vivemos numa sociedadedominada pela analgesia, em que fugir da dor é o caminho racio-
tratamento. Ela transforma em virtudes obsoletas a compaixão e a solidariedade,fonte de
nal e normal. À medida que a dor e a morte
são absorvidas pelas instituições de saúde, as
reconforto. Nenhuma intervenção pessoal
pode mais aliviar o sofrimento. Só quando a
capacidadesde enfrentar a dor, de inseri-Ia no
faculdadede sofrer e de aceitar a dor foi enfra-
ser e de vivê-Ia ~o retiradas da pessoa.Ao ser
tratada por drogas, a dor é vista medicamente
quecida é que a intervenção analgésica tem
efeito previsto. Nesse sentido, a gerência da
como um barulho de disfuncionamento nos
dor pressupõe.a medicalizaçãodo sofrimento.
circuitos fisiológicos, sendo despojadade sua
dimensão existencial subjetiva. Claro que esta
mentalidade retira do sofrimento seusignificado íntimo e pessoale transforma a dor em pro-
SegundoIllich, o médicoe seucliente, por viverem numa sociedadeque valoriza a anestesia,
aprendema "abafar a interrogação inerente a
blema técnico. Diz-se que hoje temos a chamada trindade farmacológica da felicidade, no
nível físico-corporal, psíquico e sexual, que
está disponível a conta-gotas nas prateleiras
toda a dor". Numa sociedadeanalgésica,parece
razoável se libertar dos incômodos impostos
pela dor, mesmoque isto custe a perdada independência.À medidaque a analgesiadomina, o
das farmácias, a um custo razoável.O xenical
-para o emagrecimento e busca da felicidade
comportamento e o consumo fazem declinar
toda a capacidadede enfrentar a dor, índice da
do corpo escultural; o prozac -para livrar-se
capacidadede viver. Ao mesmotempo, diminui
dos incômodos da depressãoe da busca do
a faculdadede desfrutar prazeressimplese esti-
bem-estar psíquico, e o viagra, que liberta a
mulantes fracos. Serão necessáriosestimulan-
\
"
r
.
tes cadavez mais poderosospara dar àspessoas particulares e individuais, que uma visita a um
a impressão de que estão plenamente vivas. especialistarenomado, um bom calmante, um
Fala-seaqui de esquizoalgia,significando o sin-
passeio ou um regime alimentar na base dos
toma de supermedicalização,
destruiçãoiatrogênica do poder de sofrer. Gestãotécnica da dor,
"diets'" e "lights" podemresolver.Isto é muito
importante de ser levado em conta principal-
que enfraquecee expropria(9).
mente numa realidadede América Latina, em
que temos "dor e sofrimento sociais" provocaA medicalização penetra fundo em nossas dos por um sistema socioeconômicoexcludenvidas e constitui um dos domínios em que o
poder da técnica foi mais bem acolhido e
te em plena era de globalizaçãoeconômica (8).
Considerando-seestecontexto "macro", volte-
menos contestado. Cada pessoatorna-se um
mo-nos agora ao contexto "micro", ou seja,à
hóspede potencial dos hospitais, um paciente
quasecerto de determinadascirurgias, um fre-
realidadeclínica, fazendo uma distinção entre
a dor e o sofrimento humano causadopelas
qüentador assíduode consultórios e ambulatórios. Se antes freqüentar um hospital era sinal
de pobreza (local de concentraçãode indigen-
enfermidades(11).
tes), hoje os hospitais e clínicas são indica40res de desenvolvimento econômico e social,
4. A dor e o sofrimento humano no contexto clínico
lugares que as pessoastêm obrigação quase
moral de freqüentar (10).
A cura da doença e o alívio do sofrimento,
Sob tat ótica, a dor foi transformada em problema de economia política. A pessoatorna-se
desde o nascedouroda medicina hipocrática,
são aceitos como sendo os objetivos da
Medicina. A doença destrói a integriqade do
consumidora de anestesiase se lança à procura de tratamentos que determinam insensibili-
corpo, e a dor e o sofrimento podem ser fatores de desintegração da unidade da pessoa.
dade, inconsciência, abulia e apatia provocadas Enquanto hoje a medicina está até que bem
artificialmente. Toda dor é vista como resulta- aparelhadapara combater a dor, no que tange
do de tecnologia faltosa, de legislação injusta ao lidar com o sofrimento encontra-se ainda
ou ausênciade medicina analgésica.A heteronomia da dor transforma-a em demandaaguda
num estágiobastante rudimentar (12).
de medicamentos, hospitais, serviçosde saúde
Ganha sempre mais importância e até uma
mental e outros cuidadosprofissionais.
certa popularidade nos meios científicos que
Por estecaminho da medicalizaçãoda vida bio-
lidam com pacientes terminais a distinção
entre dor e sofrimento. Disso resulta a neces-
lógica e psíquica, os problemas cruciais são
despojadosde suasdimensõessociais, são des-
sidade de, ao tratarmos da problemática, estabelecermosclaramente as definições e distin-
politizados, e apresentam-se como questões çõesnecessárias.
-
,
PÓSIO
CasseIaba
que "o sofrimento ocorre quando
lima abordagemque contemple não somenteo
existe a possibilidade de uma destruição imi-
tratamento de suas causas,mas também de
nente da pessoa,continua até que a ameaçade
suasconseqüênciaspsicológicase sociais.
desintegraçãopassaou até que a integridadeda
pessoaé restauradanovamentede outra maneira". Aponta que o"sentido e a transcendência"
Existem pelo menos mais duas definições de
dor que valem a pena lembrar. Em 1979, a
oferecem duas pistas de como o sofrimento
Associação Internacional para o Estudo da
associadocom a destruição de uma parte da
Dor assima definiu:
personalidadepode serdiminuído. Dar um significado à condição sofrida freqüentemente
reduz ou mesmo elimina o sofrimento a ela
"uma experiência emocional e sensorialdesagradável, associada com dano potencial ou
associado...A transcendênciaé provavelmente
atual de tecidos, descrita em termos de tais
a forma mais poderosana qual alguémpode ter
sua integridade restaurada, após ter sofrido a
danos". Em 1986, reformulou esseconceito
para "uma experiência sensorial e emocional
desintegraçãoda personalidade(13).
desagradável,associadaa lesõesreais ou potenciais, ou descrita em termos de tais lesões"(4).
Em relaçãoà dor, constata-seque grandeparte
dos profissionais de saúde não sabem o que
Dame Cicely Saunders, a fundadora do
significa" dor" quando falam nela. A dor tem
duas característicasimportantes: a primeira é
que estamos diante de um fenômeno dual: de
um lado, a perc~ção da sensação;de outro, a
moderno hospice, tomando esta descrição
como basecunhou a expressão"dor total", que
inclui além da dor física a dor mental, social e
espiritual. Falhar em considerar esta aprecia- \
respostaemocional do paciente a ela. A segunda característica é que a dor pode ser sentida
ção mais abrangentede dor é uma das principais causaspelas quais os pacientes não rece-
como aguda, e portanto passageira,ou crôni-
bem alívio adequadodos sintomas dolorosos.
ca, e conseqüentementepersistente.
Por vezes,existe um momento na doença críA dor aguda tem um momento definido de início, sinais físicos objetivos e subjetivos e ativi-
tica em que os sentimentos de desesperançae
impotência se tomam mais intoleráveis que a
dade exageradado sistema nervoso. A dor crô-
própria dor. Neste ponto, a diferença entre dor
nica, em contraste, continua além de um
e sofrimento toma-se evidente. Nem sempre
período de seis meses, com o sistema nervoso
seadaptandoa ela. Nos pacientescom dor crô-
quem está sentindo dor está sofrendo. O sofrimento é uma questão subjetiva e está mais
nica, nem, sempre existem sinais objetivos,
ligado aosvaloresda pessoa.Porexemplo,duas
mesmo quando eles apresentam mudanças
pessoaspodem ter a mesma condição física,
visíveis em sua personalidade,estilo de vida e
habilidade funcional. Esse tipo de dor exige
mas somente uma delas pode estar sofrendo
com isso. A palavra dor deve ser usada para a
59
.
percepçãode um estímulo doloroso na perife-
bilidade provocadapela doença exige uma res-
ria ou no sistema nervoso central associadaa
posta, chamada"cuidado" (16).
uma resposta efetiva. Nem toda dor leva ao
sofrimento (a dor de um atleta vencedor de
Um dos principais perigos em negligenciar a
uma maratona leva ao prazer), e nem todo
sofrimento requer a presençade dor física (a
distinção entre dor e sofrimento no contexto
clínico é a tendência dos tratamentos se con-
angústia de saber que um ente querido tem
centraremsomentenos sintomas físicos, como
mal de Alzheimer, por exemplo).
se apenas fossem a única fonte de angústias
Daniel Callahan (14) definiu sofrimento como
sendoa experiênciade impotência ê6m d pros-
para o paciente. Isto resulta, freqüentemente,
na situação de pacientesque estãofisicamente
mais confortáveis por causada terapia da dor,
pecto de dor não aliviada, situação de doença
que leva a interpretar a vida vazia de sentido.
Portanto, o sofrimento é mais global que a dor
A distinção entre dor e sofrimento tem um
e, fundamentalmente, sinônimo de qualidade
de vida diminuída (15) -situações como as de
significado todo particular e urgente quando se
trata de cuidar da dor dos pacientesterminais.
doençassériase prolongadasque causamrupturas sociais na vida do paciente, juntamente
Diante da impotência que define o sofrimento,
Callahan (17) acredita que "a medicina que
com a crise familiar, preocupaçõesfinanceiras,
premoniçõesde morte e preocupaçõesque sur-
somenteprocura prolongar a vida, estendendo,
mas não aliviandoo sofrimento,chegouno fim de
j
mas cujo sofrimento continua presente.
:
j
gemda manifestaçãode novos sintomas e seus seusrecursose objetivos".Não fazer a distinção
possí"eissignificados.
entre dor e sofrimento nos permite continuar
agressivamentea prescrevertratamentos médi-
A dor pode ser definida como uma perturbação, sensaçãono corpo, como já dito anteriormente. O sofrimento, por outro lado, é um
cos fúteis, na crença de que enquanto protegem os pacientesda dor física também os protegem de todos os outros aspectos.Em outras
conceito mais abrangentee complexo. Podeser
definido, no caso de doença, como um senti-
palavras,a distinção nos obriga a perceberque
a disponibilidade de tratamento da dor em si
mento de angústia, vulnerabilidade, perda de
não justifica a continuação de cuidados médi-
controle e ameaça à integridade do eu. Pode
cos fúteis. A continuação de tais cuidados
existir dor sem sofrimento e sofrimento sem
pode simplesmente impor mais sofrimentos
dor. Em cada caso, somente nós podemos
para o paciente terminal.
senti-Io, bem como aliviá-lo. Certamente,
algum nível de dor e sofrimento pode sertolerado, e seria na verdadeutópico dizer que o alí-
Ouvimos, com freqüência, confidências de
pacientesterminais que não têm tanto medo de
vio de toda dor e sofrimento seria um objetivo
morrer, mas temem o sofrimento relacionado
apropriado para o sistemade saúde.A vulnera-
com o processodo morrer. Isto ocorre especial-
j;~
-
']
\
PÓSIO
mente quando esta experiênciaé marcadapela
notadamente no âmbito hospitalar (UTls e
dependênciamutJante, a dor e o sofrimento
emergências),inicialmente, foram de extrema
não cuidadosque tão heqüentementeacompanham a doençaterminal, ameaçandoa integri-
importância nestesúltimos anos para resgatar
o serhumano para além de sua dimensão físi-
dade pessoale a perspectivade um futuro.
co-biológica e situá-Io num contexto maior de
Um dos primeiros objetivos da medicina ao
sentido e significado, nas suasdimensõespsíquica, social e espiptual (20,21).
cuidar dos pacientes terminais deveria ser o
aliviar a dor e o sofrimento causados pela
Dimensão frsica
doença. Embora a dor física seja a fonte mais
comum de sofrimento, a dor no processodo
morrer vai além do físico, tendo conotações
É a facilmente observada quando presente.
Surge de um ferimento, de uma doença ou
culturais, subjetivas,sociais,psíquicase éticas.
Portanto, lidar efetivamente com a dor em
todas as suas formas é algo crítico e de suma
da deterioração progressiva do corpo, no
idoso e no doente terminal, impedindo o
funcionamento físico e o relacionamento
importância para um cuidado digno dos que
estão morrendo.
com os outros. No nível físico, a dor funciona como um alarme de que algo está errado
Podemosdizer que a dor é fisiológica, enquan-
no funcionamento do corpo. Contudo, como
a dor física afeta a pessoana sua globalidade
to o sofrimento é psicológico. O sofrimento é
de ser, ela pode facilmente ir além de sua
muito mais vasto, mais global, isto é, existen-
função como um sinal de alarme. A dor seve-
cial. Ele inclui~s dimensõespsíquicas,psico-
ra pode levar a pessoa, por vezes, a pedir a
lógicas, sociaise espirituais. A dor é uma experiência somatopsíquica.A dor e o sofrimento
própria morte.
se reforçam mutuamente: uma dor muito
forte e persistente pode influir em todas as
Dimensão psíquica
dimensões do sofrimento, e, inversamente, a
É a dimensãodo sofrimento que pode ter múl-
ansiedade,a depressão,a solidão ou o sentimento do não-sentid0 da vida podem acentuar
tiplos fatores causais num capítulo de alta
complexidadena área da saúdemental. Entre
a dor (18,19). Passemosa algumas considera-
inúmeras situaçõescríticas que podem desen-
ções a'respeito dasdimensõesdo sofrimento.
cadear sofrimento psíquico, lembramos o
enfrentamento da própria morte. Brotam sen-
5. As dimensões da dor/sofrimento
timentos caracterizados por mudança de
humor, sentimentos de perdado controle sobre
A contribuição da medicina psicossomáticae a
o processode morrer, perda de esperançase
sonhos ou necessidadede redefinir-se perante
entrada da psicologia no contexto da saúde,
o mundo.
.
Dimensão social
gico, é como que advertênciade utilidade incontestável;mas, repercutindotambémna vida psi-
É a dimensãodo sofrimento marcadapelo isolamento, criado justamente pela dificuldade de
comunicaçãosentida no processodo morrer. A
cológicado homem, muitas vezestoma-se desproporcionadaà sua utilidade biológica, e pode
assumir dimensõestais que gerem o desejode
presençasolidária é fundamental. A perda do
eliminar a própria vida custe o que custar.
papel social familiar é também muito cruel.
Por exemplo, um pai doente toma-se depen-
"As súplicasdos doentesmuito gravesque, por
J
dente dos filhos e aceita ser cuidado por eles.
vezes,pedema morte não devemsercompreendidascomo expressãode uma verdadeiravonta-
j
j
Dimensão espiritual
Surge da perda de significado, sentido e espe-
de de eutanásia;nestescasossão quasesempre
pedidosangustiadospara aliviar a dor, por um
cuidado médico melhor, por amor" (27).
.)
.I
rança. Apesar da aparente indiferença da
sociedadeem relação ao "mundo além deste",
a dor espiritual está aí. É quando o doente
Nesta mesma direção, uma força-tarefa (task
force) do Estado de Nova York sobre a Vida e
confidencia ao seu conselheiro espiritual: "dói
a Lei elaborou em 1994 um documento inti-
a alma". Necessitamos de um sentido e de
uma razão para viver e para morrer. Em recen-
tulado Quando a morte é procurada: suicídio
assistidoe eutanásiano contextomédicoe reto-
tes pesquisasnos Estados Unidos, ficou evidenciado que o aconselhamento em questões
mou e atualizou a questão num Suplemento,
em 1997, cuja conclusãovale a pena registrar
espiritlhis situa-se entre as três necessidades ipsis litteris:
mais solicitadas pelos que estão morrendo e
seusfamiliares (22, 23, 24, 25, 26).
"O grande interesse público sobre o suicídio
Essas dimensões do sofrimento inter-relacio-
medicamenteassistidorepresentaum sintoma
de um problema muito maior: nossa falha
nam-se e nem sempre é fácil distinguir umas
coletiva em responderadequadamenteao sofri-
dasoutras. Se os esforçospara lidar com a dor
enfocamsome~teum aspectoe negligenciamos
mento que os pacientesfreqüentemente experimentam no final da vida. Aperfeiçoar os cui-
demais, o paciente não experimentaráalívio da
dados paliativos, e responder às necessidades
dor e sofrerá mais. A dor não aliviada, como psíquicas, espirituais e sociais dos pacientes
dissemos,pode causarnão somente depressão, que estão morrendo, deve ser uma prioridade
mas até levar a pessoaa pedir para morrer.
nacional crítica. Se o suicídio assistido será
Como diz a Declaraçãosobre a Eutanásia, da
Sagrada Congregaçãoda Fé (5 de maio de
1980): "A dor física é certamenteum elemento
finalmente legalizado ou não, esperamosque
todos os que estão envolvidos no debate sobre
a legalização unirão as forças para ajudar a
inevitávelda condiçãohumana; no plano bioló-
atingir este importante objetivo" (28).
02
i
,
i
i
ÕSIO
Vale relembrar, novamente, a dra. Cicely
tões pendentes,ou simplesmentecomo forma
Saunders,quandoafirma: "o sofrimento somen-
de garantir algum controle em face da perda da
te é intolerávelquando ninguém cuida" (29). É
na filosofia do hospice,viabJizaçãoda medicina
paliativa, quevemosa integralidadedo serhuma-
autodeterminação.Outros, negam a dor para
mantero sentimentode que ainda estãono controle, apesar de evidências em contrário.
no no cuidadoda dor e do sofrimento (30).
Outros, usamsua dor para proteger-sede questões mais difíceis. Outros, numa perspectivade
,
I
I
!
fé, abraçama dor,acreditandoque tem um valor
6. O cuidado da dor e do sofrimento
redentorque podemoferecera Deus (32, 33).
A dor física é geralmente a mais fácJ de se
Os médicos também falham em aliviar a dor
controlar. Embora os textos médicos descrevam abordagensfarmacológicas e não-farma-
dos pacientes.Alguns ignoram a natureza da
dor. Outros não diagnosticamacuradamentea
cológicaspara controlar a dor, existemuita dor
sua origem, ou falham em avaliar o pa~iente
física não aliviada. Peritos estimam que 75%
dos pacientes com dor são tratados inadequa-
em intervalos regulares para detectar novos
processos causadores de dor e que exigem
damente, e que de 60% a 90% dos que estão
novasterapias.Alguns simplesmentenão acre-
na fase terminal sentem dor de severaa moderada, suficiente para prejudicar as funções físi-
ditam na descriçãoda dor do paciente.Outros,
ainda, não tentam alternativas para a terapia
cas, o humor e a interação social. Quase 25%
medicamentosa,tais como estimulação elétri-
dos pacientesde câncer morrem com dor seve-
ca dos nervos, massagemou terapiasorientais,
ra e não aliviada"(31).
como a acupuntura, por exemplo(34, 35, 36,
37,38,39,40,41,42).
Na perspectivado paciente,a dor pode aumentar a partir do medo, isolamento, insônia ou
depressão.As respostasdos pacientespara os
tratamentos de dor também podemvariar. Um
Os que utJizam terapias medicamentosassão
por demais tímidos em prescrevernarcóticos,
pelas seguintesrazões: a) ignorância básica da
dos grandesproblemasque os pacientestêm é
magnitude de dosesnecessáriaspara combater
encontraruma linguagemadequadaparaexpres- a dor aguda; b) medo exageradode causaruma
sar sua dor, de modo a que sejaadequadamente paradarespiratória; c) ansiedadeem relaçãoao
identificada e cuidada.Muitos relutam em falar
perigo de adicção; d) medo irracional de ser
da dor, porque sentem que os outros os julga- processadocivil ou criminalmente; e) estimatiriam como fracos e que só sabem reclamar. va exageradados efeitos colaterais de alguns
Outro problema em cuidar da dor dos doentesé
analgésicos,tais como adicçãopotencial.
que algunsnão cooperamcom o programaterapêutico, talvez para evitar efeitos colaterais do
Recentesestatísticasestimamque mais de 90%
tratamento que os impediriam de resolverques-
da dor pode seraliviada, e geralmentepor meio
:
,
--,
.
de drogas.O desafio, para os médicos, é identificar acuradamentea necessidade
de cuidar da
Em suma, no contexto clínico, um cuidado
adequadodos que estãomorrendo procura res-
dor e usar as técnicas para seucontrole.
peitar a integridade do doente como pessoa,
visando garantir que o paciente: a) serámanti-
Na verdade, há muito a serfeito nesta área do
do livre da dor tanto quanto possível,de forma
controle, administração e alívio da dor. O
sofrimento sentido na fase terminal da doen-
que o momento final seja marcado pela dignidade; b) receberácuidados continuados e não
ça é muito mais que físico. Ele afeta não
será abandonado ou perderá sua identidade
somente o conceito de si próprio, mas também o sensoglobal de sentir-se conectado com
os outros e com o mundo. Este sofrimento
pessoal;c) terá tanto controle quanto possível
em relação a decisõesrelacionadas com seu
tratamento, e permissão de recusar as inter-
psicossocioespiritual pode ser sentido como
vençõesterapêuticas que apenas prolongam o
uma ameaça para o paciente em relação ao
processodo morrer; d) será ouvido como pes-
sentido de vida, perda de controle, enfraquecimento da relação com os outros, uma vez que
soa nos seus medos, pensamentos,sentimentos, valores e esperanças;e) terá a opção de
o processodo morrer intensifica o isolamento
morrer aonde desejar.
e interrompe as formas ordinárias de contato
com os demais. Os pacientes em estadoterminal freqüentem ente têm sentimentos de
A força-tarefa do Estado de Nova York sobre
a Vida e a Lei conclui o documento Quando a
impotência,
morteé procurada:suicídioassistido e eutanásia
desesperança e isolamento.
Assim, um plano adequado para lidar com
este ~ofrimento psicossocioespiritual deve
enfrentar esta realidade.
no contextomédico com as seguintespalavras:
"O cuidado efetivo da dor exige um programa
compreensível,como é exemplificado na filo-
"Talvez o remédio mais eficaz em termos de
sofia dos cuidadosde hospice. Os profissionais
da saúdetêm o deverde oferecerefetivo alívio
cura seja a qualidadedo relacionamento mantido entre o paciente e seuscuidadores,e entre
da dor e paliaçãopara os sintomas dos pacientes quando necessário,de acordo com um jul-
o paciente e sua famdia. A qualidadecuradora
da relação terapêutica pode facilmente ser
gamento médico apropriado e as abordagens
mais avançadasdisponíveis. O alívio da dor e
enfraquecida ou ameaçada quando reações
emocionais(negação,raiva, culpa e medo)sentidas pelos pacientes, famdias ou cuidadores
não são adequadamentetrabalhadas. É claro
dos sintomas da doença é uma contribuição
poderosapara a qualidadede vida do paciente.
Ele pode também apressara recuperaçãoe prover outros benefíciosmédicos.Os médicose as
que está no coração da relação terapêutica
enfermeiras têm uma responsabilidadeética e
entre paciente e cuidadores o cuidado das
profissional para oferecer um cuidado efetivo
necessidades
de relaçãoe sentido, bem como de
uma comunicaçãohonesta e verdadeira" (43).
da dor e dos seussintomas. Esta responsabilidade deve ser entendida como central na arte
!
!
ÓSIO
da medicina e dos cuidadosmédicos. O cuida-
Jó, a não serpara observar,em forma de acusa-
do dos sintomas dolorosos sentidos pelo
paciente não devese restringir ao final da vida,
ção e julgamento, que ele devia ter feito alguma coisa de muito ruim para merecer aquele
nem deve ser um sinal de que os esfor}5oscura-
destino nas mãos de um Deus justo. Sob o
tivos foram abandonados.Os cuidadospaliativos devem ser compreendidos para incluir o
impacto de tantas perdas causadorasde sofrimento, Jó tentava desesperadamentemanter
controle dos sintomas em todos os estágiosda
doença"(44).
sua auto-estima, a certeza de que era um
homem bom e digno. A última coisa que desejava ouvir era que não vinha agindo bem (45).
Vale a pena lembrar um dos principais lemas
da medicina: Sedared%rem opus divinum est,
Extrapolando a explicação cientificamente
que traduzido para o português significa:
perfeita e o arrazoadoteológico, a solidarieda-
"Aliviar a dor é uma obra divina". Nesta missão de "aliviar a dor", quer como pro~sionais
ou simplesmente como sereshumano~, vale a
de marcada pela competênciatécnico-científica e humana é a chavedo cuidado e sentido do
"mistério" do sofrimento humano.
jll
iI
pena lembrar o livro da Bíblia, chamadoLivro
li
deJá, consideradoum dos clássicosda literatura universal. Seu personagem,Jó, sofre uma
,i
;
;
Considerações finais
série de perdas, entre outras a saúde, os bens
materiais e a própria famdia. Em meio a tantas perdas,ousa perguntar: " Por que Deus faz
Em suma, a questão da dor e do sofrimento
humanos, numa perspectiva ética filosófico-
isto comig~?"
teológica para além da dimensão "mistérica"
,
portadora de difíceis interrogaçõesexistenciais
Na visão do rabino Harold Kushner, as pala- não raramente sem respostasao porquê, semvras de Jó nem de longe contêm uma indagação pre exigem um cuidado que alie competência
de ordem teológica, elas são um grito de dor.
(...) O que Jó queria de seusamigos -o que ele
técnico-científica e humanismo. Um dos objetivos fundamentais da medicina, desdeos tem-
estavade fato pedindo com a pergunta "Por que
pos hipocráticos, é justamente minorar o sofri-
Deus faz isto comigo?" -não era teologia, mas
mento humano causadopelasdoenças.Com o
empatia. Não desejava que lhe explicassem fantástico progresso da medicina high tech,
Deus, tampouco estavaquerendo mostrar-lhes chegou-seà Jusão de pensarque a gestãotécque sua teologia era falha. Ele queria somente
dizer-lhes que era realmente um ser bom e que
nica da dor seria a solução,mas, independente
de seremum problema de ordem técnica, a dor
as coisasque estavamacontecendoeram terri-
e o sofrimento situam-se na esfera ética e
velmente trágicas e injustas. Mas seusamigos
devemserconsideradosnas suasvárias interfa-
empenharam-se tanto em ser advogados de
Deus que quase simplesmente esqueceramde
ces, de ordem física, psíquica, social e espiritual. O desenvolvimentoe implementação da
, ,65,
.
.
filosofia dos cuidadospaliativos, que se consti-
mento igualmente nos infunde temor, medo,
tui num clamor unânime de todas as partes
porque vemos como que num espelho nossa
envolvidasnesta discussão,é uma grandeesperança para a real efetivação de um cuidado
digno das pessoasque têm dor e sofrimento
fragilidade, vulnerabilidade e mortalidade,
dimensões de nossa existência humana que
nem sempregostamosde que sejamlembradas.
atrozes causadospor doenças.
É procurando traduzir em gestosconcretos o
A dor e o sofrimento humanos foram vistos no
valor da pessoahumana em termos de autocui-
nível fenomenológico enquanto sintomas
dolorosos,que exigemuma intervenção urgente e por vezesemergentede cuidados médicos
dado que estaremos melhor preparados para
cuidar da vida, com humanismo e competência
técnico-científica. Quem cuida do cuidador?
e de toda a equipe,de saúde. Não foi nosso
objetivo trabalhar a teologia ou antropologia
Considerar a pessoanão simplesmente como
um corpo, não reduzindo-a à biologia, pura e
do sofrimento humano (46), chave preciosa
para alcançar um horizonte de sentido numa
simplesmente,é um grandedesafio. Uma visão
holística, multi, inter e transdisciplinar, é
perspectivade ética. Lembramos, ao finalizar
estareflexão, uma preciosaafirmação antropo-
imperiosa. O serhumano é um todo uno, um
nó de relações.Ser gente é possuir corpo, é ter
lógica da exortaçãoapostólica Salv;jici Doloris,
ao afirmar que: "O sofrimento humano susci-
um psiquismo e coração, é conviver com os
outros, cultivar uma esperançae crescer na
ta compaixão, inspira também respeito e, a
perspectivada fé em valoreshumanos.
seu modo, intimida. Nele, efetivamente, está
conti~ a grandezade um mistério específico"
É zelando, promovendo e cuidando desta uni-
(47).
dadevulnerávelpela dor e sofrimento que estaremos sendo instrumentos propiciadores de
Reflitamos conclusivamente sobre o sentido
destaafirmação. O sofrimento suscitacompai-
vida digna. Quem cuida e se deixa tocar pelo
sofrimento humano do outro toma-se um
xão, isto é, empatia traduzida em ação solidá-
radar de alta sensibilidade, se humaniza no
ria e não somente uma exclamaçãoanestesia- processoe, para além do conhecimento cientídora de consciência: "que pena", "que dó". A fico, tem a preciosa chance e o privilégio de
66
indiferença, simplesmente, é um fator desu-
crescerem sabedoria.Esta sabedorianos colo-
manizante que aumenta ainda mais a dor e o
sofrimento. O sofrimento suscita respeito
ca na rota da valorizaçãoe descobertade que a
vida não é um bem a ser privatizado, muito
também. Em quem muito sofre acabamospor
menos um problema a ser resolvidonos circui-
criar uma auréola de sacralidade.Uma criança
que nascecom seríssimosproblemasgenéticos,
tos digitais e eletrônicos da informática, mas
um bem fundamental, um "mistério" e dom, a
por exemplo, os que a cuidam não se intimi-
ser vivido prazerosamente e solidariamente
dam em dizer "é um(a) santinho(a)". O sofri-
partilhado com os outros.
~
ÕSIO
~
RESUMEN
Humanización deI dolor y sufrimiento humano en el contexto hospitalario
Este artículo busca realzar Ia importancia y Ia necesidad de Ia dimensión humana en el
cuidado deI dolor y sufrimiento humano en el ámbito de Ia salud, específicamente en el
hospital. Hoy, se habla mocho y se reclama de Ia deshumanización de Ias instituciones de
Ia saindo El hospital refleja esa problemática como un espejo, 10 que de peor y mejor
sucede en nuestra sociedad deshumanizada y deshumanizante. La humanización de esta
institución pasa, obligatoriamente, también por Ia humanización de este universo mayor
condicionante de Ia sociedad. En 10 referente aI cuidado digno deI dolor y sufrimiento
humano, el sistema de salud brasilefio todavía está en una fase rudimentaria. Hay mocho
por hacer en términos de operacionalización de políticas públicas relacionadas con el
tema, como intervenir en el aparato formador de profesionales para crear una nueva cultura. En un contexto de creciente tecnificación deI cuidado, es urgente el rescate de una
visión antropológica holística, que cuide deI dolor y deI sufrimiento humano en sus varias
dimensiones, o sea, física, social, psíquica, emocional y espiritual. Más alIá de Ia difícil
respuesta a Ia cuestión deI "por qué" deI dolor y sufrimiento, campo de Ias filosofías y
religiones, el cuidado solidario, que coliga competencia técnico-científica y humana, en
medio deI dolor y sufrimiento deI otro, es una oportunidad preciosa para dejar tocar nuestra sensibilidad y humanizarnos en el proceso
Unitermos:Bioética-sufrimiento humano,humanizaciónhospitalaria-ética, dolory sufrimiento humano-etrca
,.'
I
;;67
.i
:1
.
ABSTRACT
A human approach to human pain and suffering
This
paper addresses the importance
sion of efforts to alleviate
the pain and suffering experienced
days to the dis-humanization
inhuman
requires
ofhealthcare
and dis-humanizing
human pain and suffering,
marked
holistic
gical, emocional,
else are these problems
reveaIing the best and the worst facets of our
of hospitaIs necessarily
approach to
the Brazilian health system is still at a very rudimentary
technologization
pain and suffering,
afie-ta-afie
provision
stage.
public policies on the issue, as well as to effect chan-
In addition
a territory
of care, mixing
to answering
be it physical, social, psycholothe question
better covered by philosophy
technical and scientific
tues in view of the pain and suffering
In a context
of medical care, it is impera tive to restare a
view of human pain and suffering,
or spiritual.
sympathy
Nowhere
societies. Thus, the humanization
experience
to develop
in the context of healthca-
education apparatus intent on creating a new culture.
by the increasing
anthropologic
institutions.
I
and references are made these
of society at large. With regard to a dignifying
Much needs to be dane to stimulate
ges in the professional
Many complaints
than at hospitaIs,
the humanization
[
of a badly needed approach to the human dimen-
re in general and hospitaIs in particular.
more cIearIy mirrored
in a hospital setting
knowledge
of "why"
people
and religion,
the
with human vir-
of others, presents us with a precious opportunity
and become more human in the processo
Unitcrms: Bioethics -human suffering, hospital humanization -ethics, human pain and suffering -ethics.
,
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