Sermão -Morrer para Crescer

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Morrer para Crescer
Objetivos:
1 – Apresentar a vida de Estevão como exemplo para nós
2 – Mostrar a necessidade de conhecer a Palavra de Deus
3 – Estimular o desenvolvimento de Fé e Coragem
4 – Despertar para a necessidade de busca do Espírito Santo
Textos base: Atos 6 e 7.
Introdução:
A revolução de 1932 foi de grande importância para o nosso pais.
No Estado de São Paulo, o dia 9 de julho é feriado em lembrança ao início
Revolução Constitucionalista, como é historicamente chamada, que se
encerrou 87 dias depois em 04 de outubro.
Getúlio Vargas era o presidente do Brasil. Ele havia promovido a
revolução de 1930, que havia tirado o poder dos estados e quebrado a
constituição. Em 23 de maio de 1932 jovens estudantes paulistas
enfrentaram tropas nacionais em praça pública pedindo uma nova
constituição. Neste conflito quatro jovens, Mario Martins, Euclides
Miragaia, Dráusio Marcondes e Antonio Camargo foram mortos. Dos seus
sobrenomes e nomes foi formada a sigla M.M.D.C que serviu de nome
para um movimento armado que iniciou a guerra em 9 de julho.
Nos cartazes espalhados pelo estado via-se um soldado
apontando para cada pessoa com um texto abaixo dizendo: Você tem um
dever a cumprir, alem da sigla M.M. D.C.
Muitos jovens morreram nesta revolução, mas o resultado foi
uma mudança no panorama nacional e a criação da nova constituição
federal dois anos depois.
No parque do Ibirapuera na capital paulista existe um obelisco
que serve de mausoléu para estes jovens que deram a vida pela pátria. Lá
pode-se ler a sigla M.M.D.C. e abaixo uma frase: “Viveram pouco para
morrer bem. Morreram jovens para viver sempre”.
Existem ruas e praças em homenagem a esses jovens. A morte
desses quatro moços foi certamente o grande combustível de motivação
para essa revolução.
A bíblia nos conta a história de alguém que morreu em favor do
cristianismo. Depois da morte de Jesus, a morte deste homem foi o maior
combustível do crescimento da igreja primitiva. Hoje estudaremos um
pouco sobre a vida e morte de Estevão e extrair lições para nossa
caminhada cristã.
Contexto
A primeria aparição de Stephanus, como é seu nome em grego, se
dá no contexto da escolha dos diáconos. A Igreja cresceu rapidamente.
Em menos de uma semana ela saltou de 120 membros para 8.120. Foi um
crescimento astronômico de quase 7.000%.
Os conversos eram de várias origens e logo começaram os
problemas. At. 6:1.
É importante que você entenda quem eram os helenistas. Com a
diáspora, os judeus foram espalhados pelos mais diversos lugares do
mundo de então. A língua predominante desta época, embora sob
comando romano, era o grego.
A cultura helenista, como é chamada a cultura grega devido ao
nome grego da Grécia, Ellos, havia dominado todas as pessoas. Assim
como a língua inglesa hoje, o grego era a língua internacional. Muitos
desses judeus espalhados se estabilizaram em outros países e seus filhos
nasceram falando grego. Muitos judeus já nem falavam mais o hebraico.
Foi por esta razão que surgiu a famosa Septuaginta, tradução por 70 rabis
do antigo testamento do hebraico para o grego.
Os helenistas eram esses judeus que falavam grego. Eram pessoas
de mente mais aberta, culturalmente expandidas, menos preconceituosas
e desenvolvidas intelectualmente. Paulo era um helênico, assim como
Barnabé e outros.
O problema era que surgiu um preconceito entre hebreus e os
helênicos e estes reclamaram desta situação. Preocupados com a
organização da igreja, os apóstolos escolheram sete diáconos para
auxiliar no trabalho. Todos os sete possuem nomes gregos, o que
sugerem que eram helênicos.
Ao contrário do que alguns pensam, a função destes homens não
era meramente burocrática, mas claramente o foco de sua atividade era o
evangelismo.
Nós temos relatos mais detalhados de apenas dois dos diáconos,
Felipe e Estevão, sendo que Estevão se destaca por sua capacidade e
espiritualidade.
Sua ação foi rápida e decisiva. Trabalhou pouco, mas de maneira
espetacular. Seu contato com Deus foi tão grande que estava nítido em
seu semblante. Atos 6:15. De buscar a contemplação do Senhor, seu
rosto estava iluminado. Deus usou este homem para cumprir um
importante papel no desenvolvimento de Sua igreja.
Muitas são as características notáveis de Estevão, mas vamos nos
deter a TRÊS aspectos principais que devemos aplicar em nossa vida.
1 – PRECISAMOS CONHECER A PALAVRA DE DEUS
Em Atos 6:10 a bíblia afirma que as pessoas não podiam resistir a
sabedoria de Estevão. No capítulo 7 encontramos um maravilhoso
sermão que denota profundo conhecimento bíblico.
Estevão era um profundo pesquisador da Palavra de Deus. Não
era um leitor ocasional ou mesmo de freqüente superficialidade. Ele não
encarava a leitura das escrituras como o cumprimento de um dever diário
que precisava logo ser vencido. Ele tinha sede de conhecer a vontade de
Deus para sua vida e seu povo. Ele se aplicava no estudo como sua única
chance de cumprir a vontade de Deus.
Seu sermão mostra que ele estudava e procurava correta
interpretação do texto bíblico. Percebemos que ele sabia exatamente o
contexto histórico que estavam vivendo e tinha plena certeza que a vinda
de Jesus foi o cumprimento das promessas dos profetas e iniciou uma
nova era religiosa. Em seu discurso ele aponta a transição do centro da
religião dos judeus, deixando os rituais e fixando-se em Jesus.
O conhecimento bíblico de Estevão aliado a sabedoria recebida
de Deus proporcionaram a ele a possibilidade de defender a correta
interpretação da palavra de Deus e a exaltação de Jesus.
Nós como adventistas já fomos considerados como “Povo da
Bíblia”mas temo muitas vezes que não sejamos mais dignos deste titulo.
Poucas pessoas dedicam tempo diário para ler a bíblia e dentre estes, a
maioria se dedica apenas a leituras superficiais.
Como está nosso conhecimento sobre nossas crenças distintivas?
Sabemos explicar o porque de nossa crença na guarda do Sábado?
Podemos explanar a importância da doutrina do Santuário Celestial?
Temos condições de mostrar biblicamente a existência do Grande
Conflito?
Se como Estevão hoje tivéssemos que defender nossa fé,
teríamos condições de fazer um discurso tão profundo como o dele?
Alguns se amparam na promessa divina de que quando precisarem
defender sua fé as palavras virão a sua boca, mas lembre-se de que Deus
nunca faz por você aquilo que você mesmo pode fazer.
Não podemos mais nos contentar com meras leituras de bíblia,
com restrições aos textos mais fáceis e suaves. Temos que devorar a
Palavra de Deus. Nos aprofundar em seus ensinamentos. Buscarmos
recursos externos, comentários, dicionários, enciclopédias e entender de
fato Sua Palavra. O tempo está passando e logo chegará um tempo em
que esta oportunidade nos será tirada. Precisamos aproveitar a chance
que ainda tempos de conhecer a real vontade de Deus.
2 – PRECISAMOS DE FÉ E CORAGEM
Atos 6:5 diz que Estevão era cheio de fé. Mas a fé de Estevão não
era um mero assentimento intelectual ou declarações vazias. Ela traduziu
em atos corajosos ao lado de Deus.
O poder de Estevão foi tão grande que ele começou a ter
adeptos, o povo estava maravilhado com sua ação. Atos 6:8 a 10. Muitos
se aproximaram dele e se converteram ao cristianismo.
Toda essa habilidade e influência incomodou o Sinédrio. No verso
11 diz que, a semelhança do que fizeram com Jesus, os fariseus
subornaram testemunhas para aprisionar Estevão. Eles tinham autonomia
concedida pelo império romano para julgar e condenar assuntos
referentes à sua religião.
Mesmo diante dos perigos, Estevão não se acovardou. No final de
seu sermão, percebendo a exaltação dos seus acusadores e sabendo da
necessidade de falar a verdade, proclamou corajosamente: Atos 7:51 a
53. Ele pôs o dedo na ferida, mostrou o erro de seus compatriotas, e
mesmo sabendo que lhe custaria a vida, expôs a verdade que Deus lhe
apresentara.
Precisamos de mais fé corajosa em nossos dias. Uma fé que se
manifeste diante do apedrejamento dos apelos para ceder aos convites
do mundo. Uma fé que diga não ao pecado. Que abandone a perversão
de alguns programas de televisão, que permaneça ao lado do Sábado
mesmo a custa da perda do emprego ou de uma matéria na faculdade.
É tempo de observar uma fé que permaneça ao lado do que é
correto mesmo que isso custe sua reputação, sua família, seu status
social, suas amizades, seu conforto e suas vontades.
Estamos no final da história deste mundo e não há mais espaço
para uma fé unicamente de aparência, mas sim para uma fé viva,
posicionada e pronta a agir pela vontade de Deus.
3 – PRECISAMOS SER CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO
A terceira lição que precisamos aprender de Estevão é a base
para todas as outras. Entre as características deste homem apresentadas
na bíblia, uma é mais freqüentemente repetida: Atos 6:5, 10, 55.
Estevão estava cheio do Espírito Santo. Interessante que no
original em grego a palavra traduzida por cheio tem um significado de
plenitude, cumprimento.
Cristo, antes de partir, prometeu conceder o Espírito Santo. Após
o preparo dos discípulos, o Espírito foi derramado e passou a coordenar a
igreja. Estevão estava repleto deste poder. Tudo que ele fez foi baseado
no poder do Espírito Santo.
Você pode considerar ser difícil estudar profundamente a Palavra
de Deus, e realmente muitas vezes isso é verdade. Talvez ao contemplar
sua fé você a considera fraca, débil, longe da fé corajosa dos mártires, e
muitas vezes esta é nossa situação. Mas o remédio para tudo isso está no
preenchimento de nossas vidas pelo Espírito Santo.
Jesus prometeu que o Espírito nos guiaria a toda a verdade, que
nos convenceria do pecado, da justiça e do juízo, que seria nosso
consolador e principalmente que receberíamos poder ao Ele descer sobre
nós.
Precisamos pedir a Deus pelo Espírito Santo. Jesus nos ensinou a
orar pelo Espírito Santo. Lucas 11:9 a 13. Deus nos atenderá quando
pedirmos pelo Espírito em nossas vidas.
Assim como esse poder esteve a disposição dos apóstolos no
passado, Ele esta a nossa disposição hoje. Ellen White diz: “A nós hoje,
tão certamente como aos primeiros discípulos, pertence a promessa do
Espírito. Deus dotará hoje homens e mulheres com poder do alto, da
mesma maneira que dotou aqueles que, no dia do pentecostes, ouviram a
palavra da salvação.” Ela diz mais: A presença do Espírito...dará a
proclamação da verdade um poder que nem toda honra ou glória do
mundo dariam. Deus não pede que façamos a obra que se acha perante
nós em nossas próprias forças...Ele outorgou o Espírito Santo para ajudar
em todo o aperto, para fortalecer nossas esperança e certeza, para
iluminar nossa mente e purificar nosso coração.”SC 252 e 253.
É isso que está faltando. É por isso que muitas vezes nos falta
poder. Precisamos desesperadamente nos completar com o Espírito
Santo, sermos preenchidos por Ele e atingirmos a plenitude através do
Seu poder. Precisamos orar e nos preparar para recebê-Lo e agirmos
segundo a vontade de Deus.
Assim como a igreja cristã foi revolucionada pela presença do
Espírito, nossa jornada cristã será transformada depois que recebermos o
Espírito e passarmos a agir segundo sua vontade.
Conclusão
No estudo de hoje aprendemos que Estevão foi um homem
especial. Vimos que ele conhecia profundamente a palavra de Deus, que
tinha uma fé corajosa e que estava cheio do Espírito Santo. Precisamos
seguir o exemplo deste homem.
Não sabemos porque exatamente Deus escolheu não interferir na
morte de Estevão. Parece estranho que alguém tão especial tenha tido
uma trajetória tão curta.
Mas a semelhança daqueles jovens que deram sua vida pela
estabilização de nosso país e que através de sua morte motivaram um
exército a avançar em direção a seus ideais, a morte de Estevão foi o
estopim da igreja cristã.
Depois que ele morreu ocorreu a conversão de Saulo e a
expansão do cristianismo a todos os cantos do mundo. Seu martírio foi
usado por Deus para motivar toda a igreja a avançar, se espalhar e pregar
o evangelho até os confins da terra.
Apesar de seu martírio prematuro, a bíblia nos revela uma
experiência muito especial de Estevão. Atos 7:55. Sim, Estevão viu a
glória de Deus e o próprio Jesus em honra a sua direita. Os céus se
abriram para ele, seu contato com Deus foi tão grande que Ele pode
contemplar o próprio Cristo e agora descansa até o encontro definitivo
com o Senhor.
Esta deve ser a experiência de cada um de nós. Se vivermos com
Estevão, também veremos a face de Cristo. Senão neste mundo, no dia de
Sua volta em poder grande glória nas nuvens dos céus.
Apelo:
Meu apelo para você nesta manhã é que seja um Estevão
moderno. Não que você precise ser martirizado pela Causa do Mestre,
mas que viva de forma a estar disposto a fazê-lo. Quero te convidar a
crescer em sua experiência do estudo da bíblia, a permitir que Cristo
desenvolva sua fé e a buscar constantemente o Espírito Santo, para que
possa finalmente contemplar o Senhor.
1 – Boqueirão – Curitiba – Setembro 2010
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