Psicologia do Desporto

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 Psicologia do Desporto
A actividade física afecta as vidas de muitas pessoas, de diversas idades, sejam
praticantes, treinadores ou simples espectadores de transmissões desportivas televisivas.
Jaime Cruz, catedrático de Psicologia do Desporto, afirma que, "o desporto é
provavelmente, o fenómeno social mais importante e influente do século XX" (1997,
15). Por este motivo, não é surpreendente que um número cada vez maior de psicólogos
se interesse pelas interacções produzidas nas situações desportivas, tanto para investigar
os processos psicológicos que nelas se desenvolvem (a concentração, a adesão ao
exercício, etc.) como para aplicar técnicas de intervenção psicológica derivadas do
estudo dos referidos processos (controle da tensão, aumento da motivação e confiança,
etc.).
Em qualquer actividade física, por exemplo, uma aula ou competição de aeróbica,
podem observar-se os principais processos psicológicos. Assim, quando o aluno realiza
a sua sessão há-de aprender novas respostas motores e, prestar atenção a determinadas
chaves do modelo que o professor utiliza. Portanto, o praticante vai aos treinos num
estado emocional e motivadora que depende dos últimos alcances conseguidos e de toda
a sua história de exercício. Este estado variará, também, segundo o tipo de instruções
que receba do seu treinador ou das reflexões que o desportista faça a si próprio em
diferentes momentos da sessão.
Hoje em dia, a Psicologia do desporto é considerada como uma disciplina dentro das
Ciências do desporto, que atende fundamentalmente:
a) Os factores psicológicos que interferem na participação e no rendimento desportivo
(1).
b) Os afectos psicológicos derivados a participação num programa desportivo ou de
actividade física (2).
Em relação ao primeiro aspecto, esta disciplina examina o papel dos factores
psicológicos que incidem na iniciação e na manutenção da prática desportiva –
motivação do praticante, estilo de comunicação do professor, expectativas,... -, assim
como no rendimento do desportista; retro alimentação do treino, auto confiança, auto
controle emocional. Nos próximos assuntos iremos ocupar-nos de todos eles.
Em relação ao segundo aspecto, a Psicologia do desporto aborda os efeitos psicológicos,
tanto positivos – redução da ansiedade, melhoria da auto estima, melhoria da auto
confiança,... – como os negativos – transtornos alimentares, burn out,... – derivados da
prática da actividade física. Existem numerosos estudos que asseguram com convicção a
influência curativa da actividade física. No mundo actual, onde o stress está na ordem
do dia e os transtornos psicológicos afectam 20% da população nalgum momento da sua
vida, o desporto está a consolidar- se como uma estratégia eficaz para o tratamento de
níveis ligeiros e moderados relativamente a quadros de ansiedade e depressão. Sobre
este tema foram descritas algumas conclusões:
- Em geral, o exercício físico a longo prazo está relacionado com diminuições das
neuroses e da ansiedade.
- Os exercícios físicos próprios traduzem-se na diminuição de diversos índices de stress,
como a tensão neuromuscular, o ritmo cardíaco em repouso e nalgumas hormonas
relacionas com o stress.
- Manifestou-se que o exercício regular está relacionado com diminuições da depressão
a longo prazo.
- Quanto maior é o número total de sessões de exercícios, maior é a redução dos níveis
de depressão.
- A intensidade do exercício não está relacionada com alterações na depressão.
- Quanto mais longo é o programa de exercícios, maior é a redução dos níveis de
depressão.
- O tempo total de exercício semanal não está relacionado com mudanças na depressão.
 Entender e Formatar a motivação do praticante
Os professores treinadores e educadores físicos frequentemente perguntam porque
algumas pessoas estão muito motivadas e se esforçam constantemente por atingir o
êxito, enquanto que outras parecem carecer de estímulos e iludem a avaliação e a
competição. A motivação é, sem qualquer dúvida, a primeira condição para a
aprendizagem. Para aprender as capacidades físicas e técnicas de qualquer actividade, é
prioritário que o desportista se sinta motivado para pôr o máximo esforço e dedicação
possíveis nessa aprendizagem. Se um aluno não tem esta motivação, por mais que
disponha de muito talento e capacidades para se converter num bom desportista,
dificilmente se destacará.
 O que é a motivação?
Bom, pode definir-se como a direcção e intensidade do esforço. Frequentemente,
quando os treinadores trabalham com desportistas que parecem não ter motivação,
atribuem imediatamente esta carência às características pessoais do aluno: "Estes alunos
não se preocupam em aprender", "Com alunos tão desmotivados não se pode fazer
nada", etc. Noutras ocasiões, os treinadores não têm em conta as qualidades pessoais
dos seus jogadores e, em vez disso, culpam a desmotivação aos factores situacionais:
"Com certeza que este material é aborrecido", "É que são demasiadas horas de treino",
etc.
Na realidade, o nível de motivação dum desportista, resulta da interacção entre
os factores da personalidade (por exemplo, se predomina na orientação ao êxito ou ao
fracasso, à tarefa ou ao resultado,...) e as influências das situações (a probabilidade de
êxito, o valor aliciante da actividade, a orientação do treinador...). Esta combinação
condiciona as atitudes e os comportamentos que o desportista apresentará. Sem dúvida,
que os primeiros influenciam a motivação das pessoas, mas também intervém o
ambiente em que estas participam. E, para um professor, é frequentemente mais fácil
mudar a situação do que as características pessoais dos alunos.
Convém que os professores estejam conscientes dos motivos que induzem os
alunos para praticar um desporto ou, no nosso caso, para solicitar os serviços dum
treinador pessoal. Estes motivos entrariam dentro do que se chama a "motivação
intrínseca", que é a motivação que nasce do próprio aluno e que o leva a treinar
afincadamente. É importante que o treinador satisfação esta motivação do aluno e a
complemente com outros elementos que constituem a "motivação extrínseca" (treinos
motivadores, reforços positivos, elogios.). A motivação intrínseca foi sempre
considerada como o tipo de motivação mais potente e aquela que deve ser fomentada
pelos professores. Os desportistas motivados intrinsecamente persistem mais no esforço,
são mais resistentes às dificuldades de aprendizagem, porque encontram prazer na
realização da actividade em si mesma e não no resultado obtido.
 Como motivar?
Os treinadores influenciam, de forma significativa, na motivação dos praticantes
pelo que têm a oportunidade de criar climas que potenciem o êxito. Para isso podem
seguir as seguintes recomendações:
Sublinhar no desportista as metas de mestriae domínio. Isto pressupõe ajudar as
pessoas ao preparar-se para uma actividade, que estabeleçam objectivos relacionados
com executar correctamente essa tarefa, retirando importância ao resultado. A sociedade
faz muito finca-pé e valoriza os resultados desportivos acima doutras coisas, pelo que
rebaixar o valor das metas de resultado nem sempre resulta. Será muito útil que o
professor domine a técnica de estabelecimento das metas.
 Avaliar e modificar as atribuições.
As atribuições são os argumentos e razões com que as pessoas explicam os seus
êxitos e fracassos. Muitas vezes são pouco adaptativas ou inadequadas, como alguns
desportistas que quando falham ou não conseguem os seus objectivos responsabilizam
os factores externos (falta de tempo, stress, lesões,...). Por isso, convirá conhecer as
avaliações que o atleta faça ao longo da sua preparação e ir corrigindo-as para que tenha
uma visão mais realista dos factores que explicam o seu rendimento.
 Proporcionar experiências satisfatórias.
A percepção do êxito fortalece os sentimentos da competência pessoal. Por
exemplo, se um aluno baixa uns quilogramas no peso da carga e se organizam
exercícios para brindar experiências satisfatórias, conseguir-se-á potenciar a motivação
e a auto confiança.
 Utilizar a focalização positiva do ensino
Esta focalização propõe forçosamente o uso do reforço positivo para evitar os
efeitos negativos secundários da crítica ou o castigo como focagem principal.
A investigação demonstra, por exemplo, que os desportistas que jogam com
treinadores orientados positivamente dão-se com melhor com os colegas, desfrutam
melhor da sua experiência desportiva, têm melhor trato com os técnicos e exibem
melhor coesão de equipa.
 O que é e como podemos reforçar?
O reforço é a consequência que segue a acção duma pessoa. Quando é positiva,
foi comprovado que aumenta as probabilidades de que se produza a acção inicial. Aí a
necessidade do reforço.
Assim, é fundamental que o desportista veja reforçados os seus esforços no
cumprimento dos exercícios físicos, assim como os avanços na sua condição física no
final do tempo. Tão rapidamente se domina uma actividade física ou técnica (por
exemplo, o atleta já mantém as costas direitas num estiramento), ou se produz um
comportamento de esforço desejável (fazer uma repetição a mais, apesar do
esgotamento), o programa de reforço pode ser paulatinamente reduzido até ser
intermitente. Para reforçar, há que escolher os comportamentos mais importantes e
concentrar neles os reforços, tendo em conta as seguintes recomendações:
- Reforça as aproximações ao êxito.
- Reforça a execução, não somente o resultado.
- Reforça o esforço.
O bom professor faz um uso exacto dos reforços positivos porque está
consciente de que, se abusar deliberadamente deles, perdem o seu valor. Convém fazer
elogios verbais e não verbais. Muitas pessoas esquecem a força que os elogios podem
ter. Eles proporcionam feedback positivo e ajudam os desportistas a continuar
esforçando-se para melhorar. Por exemplo, numa aula de manutenção, os participantes
com excesso de peso necessitam de uma boa dose de reforço positivo para permanecer
motivados e sentir-se bem consigo mesmos.
 Variar os conteúdos e as sequencias dos exercícios repetitivos
Os treinos desportivos e os exercícios físicos podem ser pesados e aborrecidos. Uma
forma de romper a monotonia e manter os níveis de motivação é modificando os tipos
de exercícios repetitivos e o formato das aulas, com o que o treino não só passará
melhor como se sentirá mais empurrado a superar novos reptos, beneficiando com tudo
isto.
Por vezes, as sessões físicas requerem repetições contínuas do mesmo movimento,
com muita concentração em cada uma delas, o que dificulta que o aluno possa manter o
mesmo nível de motivação durante todo o exercício. Neste caso, o professor deve estar
atento e quando detectar sinais de desmotivação nos seus alunos, deve intervir durante a
realização dos exercícios, utilizando por exemplo algum dos recursos antes
mencionados e com isso conseguindo que o treino recupere a intensidade que tinha.
 Implicar o participante na tomada de decisões
Deve dar-se aos treinados uma maior responsabilidade na tomada de decisões e no
estabelecimento de regras, pois isso aumentará a sua percepção de controlo e facilitará
as sensações de realização pessoal. Por exemplo, pode deixar-se ao seu critério a
execução de um exercício suplementar da sessão de treino (ex.: fazer mais abdominais).
 Estabelecer metas realistas
Estes objectivos não têm porque fundamentar-se nos resultados do rendimento
objectivo, senão que podem colocar-se em função dos pesos levantados, a melhora da
marca pessoal (descer de 4’33" para 4’25" o tempo investido a correr uma milha)... os
objectivos de execução
permitem aos atletas um controle da sua actuação (isto é, não dependem do que o colega
faça), dando maiores possibilidades de êxito. Atingi-los é um indicador de que o aluno é
competente nessa actividade, o que aumenta positivamente a sua motivação.
Por último, recordar um aspecto: a motivação também se transmite com o
exemplo. Um professor esforçado e satisfeito com o que faz, transmite espontaneamente
motivação aos seus alunos.
 A relação e a comunicação com o praticante
A comunicação é uma das capacidades que, juntamente com as de liderança e de
motivação, permitirão ao treinador pessoal ensinar correctamente os conteúdos do seu
programa. Qualquer professor, desportivo ou não, é basicamente um profissional da
comunicação. Não é em vão que, se calcula que 90% do trabalho dum professor consiste
em comunicar-se com os seus alunos!
Imaginem uma cena dum desportista que estamos a treinar e que deve fazer na
sessão de hoje exercícios de força, que se encontra com dificuldades para levantar o
peso previsto inicialmente. O treinador diz:
"Mas como é que não podes com este peso? Não posso pôr-te menos. Vamos lá, que
isto qualquer um pode fazer."
E quando o desportista lhe responde que "não trabalho bem com pesos", o treinador
responde "E afinal com que é que trabalhas bem?".
Esta cena faz finca-pé no importante que é a comunicação no âmbito do desporto e
do exercício físico.
Independente do brilhante que um treinador possa ser quanto à planificação duma
estratégia e do conhecimento dos aspectos técnicos do jogo, o êxito dependerá da
capacidade de se relacionar e comunicar de forma eficaz com os desportistas.
Essencialmente não é o que sabe mas sim como comunica e cria uma boa sintonia com
os outros, assim como a forma como comunica essa informação. Os transtornos na
comunicação estão na base de certos problemas quando os treinadores e professores
falam com os desportistas e alunos. Resolver estas lacunas de comunicação é
fundamental para preservar um ambiente positivo de aprendizagem ou treino. Por isso,
neste capítulo daremos algumas orientações acerca do modo de enviar e de receber
mensagens eficazes de forma verbal e não-verbal.
 Envio eficaz de mensagens
Há falhas no envio de mensagens quando as comunicações não são eficazmente
expressadas, não são recebidas ou são mal interpretadas. Alguns treinadores falam
demasiado, divagando sobre aspectos que aborrecem ou aturdem os seus clientes,
enquanto que outros falam muito pouco, pelo que não transmitem a informação
suficiente.
Os professores comunicam com os alunos durante o tempo da sessão através de
instruções, que lhes permitem:
- Realizar a explicação e demonstração dos exercícios que propõe aos desportistas. Por
exemplo, o professor precisa de comunicar para lhes indicar que o próximo exercício
trabalha a força do bíceps e para lhes explicar a forma de executar este gesto técnico
com os pesos. Nesta situação, o professor tem de captar a atenção dos seus alunos e
fazer-se entender, através da sua comunicação verbal e gestual. Deverá ser claro e
didáctico nas suas explicações, adequando-as ao vocabulário do seu público.
Posteriormente, à medida que os desportistas vão executando os exercícios, o
monitor vai-lhes comunicando instruções, individuais ou referentes a todo o grupo, com
dois objectivos:
- Proporcionar ao jogador feedback das suas acções. O feedback consiste na informação
que o professor dá ao aluno sobre como este está a executar o exercício (erros que
comete e deve corrigir, avanços que vai tendo, pautas do gesto técnico em que deve
concentrar-se, etc.). Por exemplo, " O corpo está bem colocado. Mas o pé de apoio está
muito longe do pedal. Lembra-te de que tem de estar à mesma altura".
- Por outro lado, o professor também comunica durante o exercício para estimular uma
atitude correcta do desportista enquanto treina, premiando assim o seu esforço e
animando-o a continuar. Exemplo: "Muito bem, André; continua esforçando-te assim".
Tanto antes como durante e depois da realização dos exercícios, é tarefa do professor
procurar incentivar a motivação e o interesse aos desportistas.
 Resumo
A psicologia do Desporto e o exercício físico são estudo científico do
comportamento dos indivíduos que executam uma actividade física e desportiva. Os
conselhos dos psicólogos desportistas actuais incluem a aplicação no acondicionamento
físico e no exercício e a exigência de informar assim como educar melhor os
consumidores
(por
exemplo,
professores,
treinadores,
desportistas,
dirigentes
desportivos...) relativamente à utilidade dos conhecimentos da psicologia desportiva.
Apesar dos enormes avanços nos últimos anos, a psicologia do desporto remonta aos
princípios dos anos de 1900, embora só se tenha desenvolvido em Espanha somente nos
últimos 25 anos.
A motivação definiu-se como a direcção e a intensidade do esforço. Um dos
modelos de estudo da motivação sugere algumas boas pautas a seguir:
- Os participantes estão motivados tanto pelas situações como pelas suas motivações
internas.
- É importante conhecer os motivos de implicação dos participantes.
- Há que estruturar situações que satisfaçam as necessidades dos praticantes.
- É bom reconhecer que, como treinadores ou preparadores pessoais, os profissionais
desempenham um papel decisivo no clima motivacional.
A comunicação eficaz requer esforço e trabalho. Frequentemente são produzidas
interrupções tanto na emissão como na recepção da mensagem. Aproximadamente 40%
do tempo comunicamos ouvindo. A audição activa é útil para favorecer a comunicação
franca e sincera.
Para comunicar as correcções ou críticas com eficácia, é bom utilizar o "método
sanduíche". Acima dos aspectos técnicos da destreza a repartir, o sucesso como
professor, treinador ou educador físico requer capacidade de comunicação.
Embora se tenha vendido ao público a ideia de que a forma física está no auge, a
maior parte dos adultos ainda não fazem exercício físico de forma regular e somente
uma pequena percentagem o faz com intensidade suficiente para que a sua saúde disso
tire proveito.
Os elementos que ajudam a seguir ou a abandonar um programa físico são a auto
motivação (combinada com a percentagem de gordura corporal), a ajuda do cônjuge, a
localização das instalações, o trabalho em grupo, a participação em actividades
anteriores, a intensidade do esforço que o exercício requer, o hábito de fumar, a
percepção de que nos falta tempo e a ocupação. Mas há pautas ao nosso alcance para
aumentar esta adesão.
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