24- Tipos textuais – Exercícios – Luiz Felipe (SFI e 0800)

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A ARMA
Luís Fernando Veríssimo
Nessa discussão sobre baixarias na TV e a má qualidade generalizada do que vai ao ar, ninguém
se lembra que toda casa brasileira — pelo menos toda casa brasileira com TV — tem uma arma eficaz de
autodefesa. É uma arma poderosa. Com ela se cala a boca do político embromador e do apresentador
gritão, se elimina o programa que choca ou desagrada e o troca por outro, se chega até, em casos
extremos, a cortar a força do aparelho ofensivo e silenciá-lo, para sempre ou por algum tempo, para
aprender. E tudo isto sem sair da poltrona.
O nome da arma é Controle Remoto. É movida a pilhas e cabe na palma da mão. Não é uma
invenção muito antiga. (Sim, crianças, houve um tempo em que para ligar e desligar a TV ou mudar de
canal você precisava sair do sofá e ir até lá. Inconcebível, eu sei.).
Mas minha neta começou a usar o controle remoto antes de começar a andar, e pelo menos duas
gerações se criaram usando-o sem se dar conta da mágica que tinham nas mãos. O poder de mover as
coisas à distância e comandar o mundo sem precisar sair do lugar é uma ambição humana desde as
primeiras bruxas, mas as gerações que se criaram com ele usam o CR com a inconsciência de um
cachorro brincando com uma bola de césio.
Se não se dão conta do seu poder mágico, muito menos se dão conta de que o CR é uma arma.
Porque o CR também representa essa outra coisa potente que temos para nos defender das agressões da
TV: o livre arbítrio. A capacidade de decidir por nós mesmos. De procurar uma alternativa, outro canal, ou
o silêncio. Em vez de dizer "isto deveria ser proibido" e incentivar, indiretamente, a censura, e negar o
direito dos outros de gostarem de porcaria, deveríamos exercer, soberanamente, a liberdade de escolha
do nosso dedão.
O Globo, 02.02.2012
1. Classifique os trechos extraídos da crônica de Luís Fernando Veríssimo, de acordo com a categorização
dos tipos textuais.
a) “É movida a pilhas a pilhas e cabe na palma da mão. Não é uma invenção muito antiga.”
b) “...minha neta começou a usar o controle remoto antes de começar a andar.”
c) “Porque o CR também representa essa outra coisa potente que temos para nos defender das
agressões da TV: o livre arbítrio.”
d) “Em vez de dizer ‘isto deveria ser proibido’ e incentivar, indiretamente, a censura, e negar o direito
dos outros de gostarem de porcaria, deveríamos exercer, soberanamente, a liberdade de escolha
do nosso dedão.”
e) “...deveríamos exercer, soberanamente, a liberdade de escolha do nosso dedão.”
2. Pode-se dizer que, ainda que o texto contenha trechos de diversos tipos textuais, predomina nele um
determinado de organização textual. Qual seria ele? Por quê?
3. No primeiro parágrafo, predominam modificadores de uma certa classe gramatical (“político
embromador”, “apresentador gritão”, “aparelho ofensivo”).
a) Qual seria ela? Justifique.
b) Além de pertencerem à mesma classe gramatical, estes modificadores servem a um mesmo
propósito para a defesa da ideia do autor. Qual seria este propósito?
4. Explique por que o controle remoto é comparado a “uma arma poderosa”, retirando do texto passagens
que ratifiquem esta comparação.
GABARITO
1. a) descrição; b) narração; c) argumentação; d) argumentação; e) injunção
2. Argumentação. O texto defende a ideia de que o poder de decisão individual, exercido através do
uso do controle remoto, é a melhor forma de se combater a má qualidade da programação televisa,
colocando-se contra a censura.
3. a) adjetivo, porque modifica substantivos; b) Criticar a programação da televisão.
4. O controle remoto é uma arma poderosa, pois é um meio eficaz de se lutar contra a má qualidade
da televisão; reforça esta ideia o uso dos verbos “calar”, “eliminar”, “cortar” – que exprimem ações
violentas.
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