TESE DE MESTRADO ORIENTADOR: PROF. DR. DOUGLAS

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TESE DE MESTRADO
ORIENTADOR: PROF. DR. DOUGLAS FERRARI
ARTIGO: A Importância da Informação e Humanização nas Unidades de
Terapia Intensiva
___________________________________________________________________
Prof.Dr. Douglas Ferrari*
Prof. Jakeline Siqueira de Melo**
RESUMO
O presente artigo, cujo método utilizado foi de revisão bibliográfica, tem por
finalidade discutir, numa dimensão teórica, a importância da Informação e
Humanização nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Neste trabalho, se propõe
que a informação e comunicação têm um papel fundamental na implantação e
solidez da humanização nas UTIs. Assim, objetiva-se demonstrar que existe redução
do sentimento de sofrimento com a melhoria da informação e da comunicação, pois
a internação na UTI e a situação vivida pelo paciente estende o sofrimento do
momento à família tanto pelos possíveis riscos como pelo distanciamento dos
familiares.
Palavras – chave: 1.Unidades de Terapia Intensiva 2.Informação 3. Humanização
ABSTRACT
This article, the method used was a literature review, aims to discuss a theoretical
dimension, the importance of Information and Humanization in Intensive Care Units
(ICUs). This work proposes that information and communication play a key role in the
implementation and robustness of humanization in ICUs. Thus, the objective is to
demonstrate that there is reduction in the sense of suffering with the improvement of
information and communication, for the ICU and the situation experienced by the
patient extends the suffering of the family when both the possible risks to the
remoteness of the family.
Key - words: 1.Unidades Intensive 2.Information 3. humanization
* Orientador do trabalho
** Mestranda em Terapia Intensiva do IBRATI. Área: Tecnologia da Informação e Comunicação,
Humanização e Relações Públicas. 2012.
1
1. A Importância da Informação e da Comunicação na Saúde
É inegável, nos dias atuais, a importância da informação e comunicação na
saúde, principalmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Esta premissa tem
início desde o primeiro momento quando o paciente chega à UTI, ocasião em que os
profissionais de saúde precisam se comunicar com os familiares ou mesmo com o
paciente. A informação em si, pode ser efetivada de muitas maneiras, por esta
razão, este artigo busca nortear esta comunicação, ato de extrema importância para
amenizar os sofrimentos de quem se encontra neste momento em aflição, seja
paciente, familiares ou até mesmo os profissionais de saúde.
2. A Comunicação
“A comunicação é essencialmente relação”1. Ela é uma das condições
básicas da existência e permanência da vida. A evolução e condição humana
apresenta como o ser humano necessita da comunicação para garantir sua
subsistência. Até porque o homem é um ser social, portanto necessita se comunicar
com o outro para que exista uma relação.
Nas relações sociais ela está presente. “A comunicação é vivência individual
e coletiva; é prática social; experiência cotidiana que leva a formação de pontos de
vista”1. Ela é multidimensional, objetiva e estruturada de posições, que entre outras
propriedades, “define algumas importantes condições de produção dos sentidos
sociais”1.
O
campo
da
comunicação
pode
ser entendido
como um
espaço
sociodiscursivo de natureza simbólica, permanentemente atualizado por contextos
específicos, formado por teorias, “modelos e metodologias, sim, mas também por
agentes, instituições, políticas, discursos, práticas, instâncias de formação e, muito
importante, por lutas e negociações”1.
Entre as muitas faces da comunicação, encontramos nas instituições de
saúde, certo número de atividades que se caracterizam como de comunicação. Três
são mais comuns e frequentemente identificadas como “a comunicação”. São as de
responsabilidade das assessorias de comunicação social, principalmente nos seus
2
aspectos de gestão da imagem pública da instituição; aquelas conhecidas como
divulgação científica “e aquelas englobadas pela comunicação organizacional, que
dizem respeito aos processos internos às organizações de produção, circulação e
apropriação da informação”1.
3. A Informação
A Informação e a comunicação caminham juntas no nome das instituições e
de alguns cursos, editais, programas de pesquisa entre outros. “Estão juntas
também nas representações das pessoas, que têm dificuldade para estabelecer uma
diferença entre uma e outra. Mas, não são sinônimos” 1.
Do ponto de vista teórico, comunicação e informação têm as mesmas matrizes,
localizadas na teoria geral dos sistemas, na Cibernética, na teoria matemática da
comunicação (ou modelo informacional). “Porém, a partir da incorporação da teoria
crítica pela comunicação, nos anos 50, iniciou-se um processo de diferenciação: a
informação seria o meio; e a comunicação torna-se o fim, ou seja, o resultado do
processo comunicativo”1.
Na atualidade, por questões políticas e teóricas, a palavra informação vem
sendo usada para substituir a palavra comunicação. No entanto, isso se torna um
procedimento que pode prejudicar a compreensão dos processos sociais implícitos e
implicados no conceito de comunicação, assim como das dimensões históricas,
políticas e econômicas das relações sociais, além de dificultar a percepção dos
interesses em luta1. Por isso, é necessário distinguir, pois, a comunicação é
dialógica, tem vários fluxos e torna-se um processo dinâmico de construção de
sentidos deslegitima a de transferência linear e bipolar de mensagens. “Até porque
nenhum discurso parte do zero, sem antecedentes e sem provocar consequências”1.
“A comunicação é tanto melhor quanto maior for o aspecto comunicativo e
quanto maior for a capacidade de equilíbrio entre os aspectos individuais(de
liberdade) e os aspectos coletivos(de participação)”2.
Já a informação, no seu sentido comum, designa um conjunto de indicações
relativas a fatos, pessoas etc. “Em geral, a informação é quantificada a depender da
3
intenção dos comunicadores envolvidos. Portanto, está fadada a um sentido mais
restrito, ou seja, fazer parte do processo comunicativo”3.
4. A Humanização
É fundamental o tratamento humanizado no atendimento ao paciente
internado, pois, ela consiste em atender as necessidades do paciente,
“compreendendo seus anseios e de seus familiares, aonde serão mais bem
assistido, durante todo o tratamento, caracterizado por um atendimento
acolhedor e valorização do ser humano”4.
Muitas vezes, a irresponsabilidade, a sobrecarga de atividades dos
funcionários, a falta de iniciativa e a negligência são causadores de um cuidar
ineficiente. “Por isso, é fundamental que o profissional de saúde ao receber um
paciente, deve fazê-lo humanamente, identificando-se com sua dor, oferecendo
segurança, ouvir e permitir ser ouvido, sem julgamentos e agressões”4.
Um dos objetivos de um programa de humanização implantado em Unidades
de Terapia Intensiva (UTI) deve ter como prioridade diminuir e administrar a
ocorrência de conflitos entre familiares, pacientes e equipes multidisciplinares de
saúde. O interessante é perceber que este programa transforma pessoas e
resgata a cidadania de todos os envolvidos.
É possível, apesar das dificuldades, constituir um atendimento calcado em
princípios como a integralidade da assistência, a equidade, a participação social
do usuário, dentre outros. Para isso, é necessário demandar a revisão de
práticas cotidianas, com ênfase na criação de espaços de trabalho menos
alienantes e que valorizem a dignidade do trabalhador e do usuário.
“Na possibilidade de resgate do humano, naquilo que lhe é próprio, é que
pode residir a intenção de humanizar o fazer em saúde” 4.
4
5. Objetivos
Entre os objetivos da humanização e da utilização mais eficiente da informação e
da comunicação nas UTIs, está a diminuição da angústia diante da morte. A UTI já
traz em sua bagagem cultural, a essência de um local conhecido como de “risco de
morte”. Bem verdade, que este estigma vem sendo subtraído na medida em que as
pessoas de senso comum e os profissionais de saúde vão se conscientizando da
verdadeira força de uma Unidade de Terapia Intensiva, como um local de risco, mas
também de maiores cuidados e observação dos pacientes. Neste quadro, mais uma
vez “a ferramenta da comunicação torna-se instrumento de intervenção na área da
saúde, o que coloca o processo de relação intersubjetiva e, consequentemente, o
processo de comunicação como o instrumento de intervenção por excelência”5.
“A transformação do indivíduo em paciente inclui a vivência de uma série de
separações marcadas, frequentemente, por experiências de fragmentação e perda
de autonomia sobre o próprio corpo. Internado, o paciente sofre ruptura com seu
cotidiano” 6.
É por isso, que entre os objetivos da informação e da comunicação em uma UTI
está em facilitar o apoio, já que existe maior tempo de permanência dos pacientes
nas UTIs; como também, tornar a relação interativa com o paciente, entendendo que
a comunicação deve ser participativa, na tentativa de diminuição dos sofrimentos,
seja para os pacientes que conseguem se comunicar, através da comunicação
gestual, ou a fala. No caso dos pacientes que não conseguem emitir sons ou gestos,
o respeito, o entendimento da presença e a segurança os deixam em condições de
tranquilidade. “A preocupação com a satisfação dos clientes vem ganhando
importância crescente na área de saúde, principalmente pela tomada de consciência
a respeito da condição de cidadãos e à luta constante pelo exercício da cidadania” 7.
6. Ferramentas
As ferramentas de informação e comunicação são bem simples mas de
grandes resultados, como por exemplo: usar terapeuticamente o silêncio. Este é
fundamental em um ambiente de UTI. Até porque o barulho dos equipamentos, o
5
pouco espaço existente e a atenção que os profissionais de saúde devem ter
gera ambiente propício para um local que reverta o silêncio em tranquilidade.
Evidentemente, este silêncio não deve ser transformado em um gesto indiferente,
mas na oportunidade de comunicar uma prática profissional concentrada.
Outra maneira de implantar a humanização é ouvir reflexivamente; ou seja,
compreender as palavras do paciente, como também, verbalizar a aceitação para
que o processo comunicacional se concretize na relação de emissor e receptor.
O uso terapêutico do humor é sem dúvida uma das técnicas mais conhecidas
de humanização de UTIs, pois torna a relação dialógica e dialética, num conjunto
de ações divertidas, oportunizando o sorriso em um ambiente de dor. É bem
certo, que este humor deve ser na medida certo, em períodos intercalados, e,
principalmente focado na terapia do riso, do relaxamento e de tornar o ambiente
mais descontraído.
Entre as ferramentas que justificam a utilização da comunicação e informação
e a implantação da humanização em UTIs, está um dos princípios do Sistema
Único de Saúde(SUS), que tem como premissa a invocação de que a
comunicação é um direito do cidadão.
“A comunicação, um ator que sempre existiu, mas raramente foi reconhecido
como protagonista principal tinha sua ação circunscrita à de um simples
coadjuvante na dramaticidade do ato médico” 8.
7. Dificuldades
Entre as dificuldades encontradas na busca da implantação da Informação,
comunicação
e
humanização
em
uma
UTI,
estão
as
informações
não
compreendidas pelos familiares, como também a gravidade do paciente. Muitos
familiares ficam ansiosos por notícias objetivas sobre o quadro do paciente. Mas,
como a recuperação deste depende de uma série de procedimentos médicos e de
saúde, e muitas vezes seu quadro geral é imprevisível, a cada momento, a equipe
multidisciplinar pode informar uma situação diferente, o que gera nos familiares a
angústia da expectativa e da espera.
6
A dinâmica da Unidade também é uma dificuldade, a depender do local, a
grande quantidade de pacientes, profissionais circulando, a troca de plantões gera
uma falta de informação. Dentro deste quadro, muitas vezes o grau de
desconhecimento da evolução clínica do paciente é uma constante, o que gera
problemas de comunicação.
O espaço físico da Unidade também pode ser uma dificuldade, ambientes de
UTI, que tem como premissa ser um espaço quase hermético, devido a grande
quantidade de equipamentos, muitas vezes torna-se uma barreira para que a fluidez
das informações seja tranquila.
Outra barreira para a implantação da humanização em uma UTI está nas
falhas de comunicação do profissional, nem sempre ele se adéqua a ter uma relação
de comunicação, seja com os pacientes ou mesmo com outros profissionais, ou por
timidez ou outras barreiras da existência, como a briga interna de poderes, a falta de
solidariedade ou mesmo a visão diferenciada de mundo, pessoas ou a discordância
como barreira para a implantação de um atendimento humanizado. Nestes casos,
“parece que nos dedicamos a dar respostas que fazem declinar a solidariedade, a
reciprocidade, o apego, o respeito entre os diferentes, enfim, coisas que fazem do
homem um animal social” 9.
8. Resultados
É bem verossímil e de senso comum, que as técnicas de comunicação são
um meio de promover o relacionamento terapêutico, portanto, torna-se um
auxiliar do tratamento clínico. E, como resultado da assistência e excelência da
qualidade.
Quando existe um direcionamento da implantação da humanização em uma
UTI, é interessante a utilização da descrição de todas as etapas necessárias
para executar uma atividade, denominado procedimento. “Por isso, a atitude de
algumas instituições de criar manuais de normas e rotinas, o que é muito
saudável, pois evita desperdício de energia e de tempo”10.
7
A identificação das necessidades dos pacientes torna-se mais breve quando
existe uma troca de informações e a melhoria da comunicação, desta forma
acontece à diminuição dos conflitos, principalmente quando existe uma
sobrecarga de trabalho dos profissionais.
9. Considerações Finais
A adequada comunicação entre o médico, a equipe multiprofissional, o
paciente e seus familiares é o resultado de uma maior satisfação na integração de
todos.
Além do tratamento diferenciado, a comunicação deve ser realizada de forma
simples, honesta e humana. E, a família tem o direito de saber a verdade do quadro
clínico para que não existam sobressaltos de emoções ao se deparar com um
quadro clínico negativo. Por isso, a comunicação deve ser feita em ambientes
tranquilos e reservados, quadro propício de uma UTI.
Referências
1. ARAUJO, Inesita Soares de. CARDOSO, Janine Miranda. Comunicação e Saúde.
Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2007.
2. HANSEN, João Henrique. Como entender a saúde na Comunicação? São Paulo:
Paulus, 2004.
3. VANOYE, Francis. Usos da Linguagem, problemas e técnicas na produção oral e
escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
4 TRIO FTA ENFERMAGEM. Humanização – Humanizar é preciso! Disponível em:
http://ftaenfermagem.blogspot.com.br/2010/06/humanizacao-humanizar-epreciso.html. Acesso: 30 de abril de 2012, as 23 horas.
5. SILVA, A.L.A. et al. Comunicação e Enfermagem em Saúde Mental. Revista
Latino-americana de Enfermagem. Ribeirão Preto, v. 8, n. 5, p. 65-70, 2000.
8
6. TORALLES-PEREIRA, M.L. et al. Comunicação em Saúde: algumas reflexões a
partir da percepção de pacientes acamados em uma enfermaria.São Paulo:
Faculdade de Medicina de Botucatu/IBB, 2004.
7. MALIK, A.M. Qualidade na Gestão local de serviços e ações de saúde. v. 3, São
Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 1998.
8. EPSTEIN, Isaac. Prefácio da VI Conferência Brasileira de Comunicação e Saúde.
Cátedra UMESP/UNESCO.ano
9. LOVISOLO, Hugo Rodolfo. A Evolução faz sentido, inclusive na atividade física?
Revista Sinais Sociais, v. 3,n. 9. Rio de Janeiro: SESC, 2009
10. TANCREDI, Francisco Bernardini.
Planejamento em Saúde. São Paulo:
Faculdade de Saúde Pública da USP, 1998.
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