TÉCNICO EM SECRETARIADO - INSTITUTO FEDERAL GOIANO CENÁRIOS ECONOMICOS E MERCADOS FUNDAMENTOS DA ECONOMIA O termo economia origina-se das palavras gregas oikos (casa) e nomos (normas). Na Grécia antiga, Economia significava a arte de bem administrar o lar, levando-se em conta a renda familiar e os gastos efetuados, durante um período. Em seu tratado Ho Oikonomikos, Xenofonte (355 a. C.) ensinou as regras básicas para a administração de uma casa, para a caça, pesca, agricultura e o manejo dos escravos. Posteriormente, as normas relativas à administração do lar e das terras de um senhor em particular foram estendidas à polis (cidade-estado). Modernamente, define-se Economia como a ciência que estuda o emprego de recursos escassos, entre usos alternativos, com o fim de obter os melhores resultados, seja na produção de bens, ou na prestação de serviços. Os recursos escassos são os bens e serviços empregados na produção, mediante uma tecnologia conhecida, para a produção de outros bens e serviços de maior valor total e destinados a atender a demanda. Os usos são alternativos, porque os fatores e as matérias-primas podem ser utilizados para produzir mais estradas ou mais escolas, mais canhões ou mais tratores. A produção de todos os bens não pode ser aumentada ao mesmo tempo, no curto prazo, porque os recursos são limitados. Os bens produzidos, como alimentos, vestuário, estradas, máquinas e os serviços prestados à população, como os ligados à saúde, educação e lazer, atendem as necessidades do indivíduo que, por definição, são ilimitadas, ao passo que a oferta dos bens e serviços que compõem sua cesta de consumo é escassa. Além disso, o consumidor só pode comprar todos os bens que deseja até o limite de sua renda. Portanto, a Economia estuda as atividades econômicas cujas operações envolvem o emprego de moeda e a troca entre indivíduos, empresas e órgãos públicos. Ela enfoca, de um lado, o comportamento das empresas, que procuram produzir de modo mais eficiente, reduzindo custos, sem perder qualidade, a fim de obter os melhores resultados, ou lucro. De outro lado, ela avalia o comportamento dos consumidores, tendo em vista os preços, a renda de que dispõem e a oferta de bens e serviços no mercado. A expressão Economia Política era utilizada pelos economistas clássicos preferencialmente ao termo Economia. Com a análise marxista, a Economia Política passou a ter maior amplitude, com ênfase no estudo das relações sociais de produção, no sentido de luta de classes entre capitalistas e trabalhadores. Com a consolidação da análise neoclássica, a partir de 1870, a expressão Economia Política passou a ser usada de preferência no contexto da análise marxista. Com a análise neoclássica, permaneceu o termo Economia. Nesta última abordagem, em seu aspecto teórico e positivo, predomina uma visão mais técnica do sistema econômico. As implicações sociais e políticas da Economia ficam reservadas para sua subdivisão política econômica. A Economia moderna, portanto, pode ser dividida em Economia Descritiva, Teoria Econômica e Economia Aplicada. A Economia Descritiva estuda fatos particularizados, sem lançar mão de análise teórica, como estudos sobre a indústria petroquímica brasileira, a agricultura dos cerrados ou a economia informal da cidade de Salvador. Ela utiliza, basicamente, dados empíricos e análise comparativa. A Teoria Econômica analisa, de forma simplificada, o funcionamento de um sistema econômico, utilizando um conjunto de suposições e hipóteses acerca do mundo real, procurando obter as leis que o regulam. Ela divide-se em dois grandes grupos: a) Microeconomia, que trata do comportamento das firmas e dos indivíduos ou famílias, preocupando-se com a formação dos preços e o funcionamento do mercado de cada produto individual; b) Macroeconomia, que diz respeito aos grandes agregados nacionais, estuda o funcionamento do conjunto da economia de um país, envolvendo o nível geral dos preços, formação da renda nacional, mudanças na taxa de desemprego, taxa de câmbio, balanço de pagamentos etc. Por meio do estudo do comportamento dessas variáveis macroeconômicas, as autoridades econômicas estabelecem políticas monetárias, fiscais, cambiais, taxa de juro etc., visando influenciar o nível da atividade econômica, para que se mantenha em uma situação de equilíbrio, ou em direção às metas estabelecidas. As decisões do nível macroeconômico têm suas repercussões no equilíbrio microeconômico do mercado. Da mesma forma, o comportamento dos consumidores e das firmas reflete-se no nível agregado, influenciando variáveis macroeconômicas. A Economia Aplicada, por sua vez, utiliza “a estrutura geral de análise fornecida pela Teoria Econômica, para explicar as causas e o sentido das ocorrências relatadas pela Economia Descritiva” (Stonier & Hague, 1967, p. 1). Como exemplo de Economia Aplicada, tem-se as disciplinas de Economia do Meio Ambiente, Economia do Setor Público, Desenvolvimento Econômico etc. Em síntese, a Economia estuda a utilização dos recursos escassos, escolhendo entre usos alternativos, com o fim de produzir bens e serviços úteis para a satisfação das necessidades dos consumidores. DEFINIÇÕES • Curto prazo é o espaço de tempo em que é fixo o estoque de alguns fatores de produção (capital, terra). • Longo prazo: todos os fatores são variáveis; • Necessidades básicas: alimentação, vestuário, saúde, educação e cultura, transporte, habitação, segurança e lazer . Lei do Salário Mínimo • Cesta de consumo: conjunto de bens e serviços desejados e/ou adquiridos pelo consumidor. RESUMO DA DIVISÃO DA ECONOMIA Economia Descritiva: estuda fatos particularizados: produção de calçados no Brasil: oferta, demanda . Teoria Econômica: funcionam sistemas econômicos, leis); - Microeconomia: agente individual (firma, consumidor); -Macroeconomia: agregados economia nacional: Renda Nacional, inflação ... nacionais, funcionam.da Economia Aplicada: estuda a aplicação leis econômicas aos fatos explicados pela economia descritiva: Economia do Setor Público, Desenvolvimento Econômico A IMPORTÂNCIA DA ECONOMIA - Cenário Político, doméstico,mercado de trabalho e outros... Exemplos:Metas, índices, reajustes, tributos, remunerações, juros, etc... - Índices: IGP – Índice Geral de Preços, calculado pela FGV. É uma média ponderada do índice de preços no atacado (IPA). Usado em contratos de prazo mais longo, como aluguel. INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 6 salários mínimos, medido pelo IBGE (São Paulo, 28,46%; Rio de Janeiro, 12,52%; Belo Horizonte, 11,36%; Salvador, 9,10%; Porto Alegre, 7,83%; Recife, 7,10%; Brasília, 6,92%; Fortaleza, 5,61%; Belém, 4,20%). CUB - Custo Unitário Básico, índice que reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor, que é calculado por sindicatos estaduais da indústria da construção, chamados de Sinduscon, e usado em financiamentos de imóveis. Outros: IGP-M/FGV (Índice Geral de Preço de Mercado); IPCA/IBGE (Índice de Preço ao Consumidor Amplo). SISTEMAS ECONÔMICO FUNDAMENTAIS: A forma política, social e econômica pela qual está organizada uma sociedade (moeda, câmbio, redução, etc.) Elementos básicos - Estoque de recursos produtivos ou fatores de produção: recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial), capital, terra, reservas naturais e tecnologia. - Complexo de unidade de produção: Empresas; - Conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais: que são a base da organização da sociedade. Classificação - Sistema Capitalista, ou economia de mercado: regido pelas forças de mercado, predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fatores de produção. os principais são: G8: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia; G5: Brasil, México, Índia, África do Sul e China. - Sistema Socialista, ou economia centralizada: aquele em que as questões econômicas fundamentais são resolvidas por um órgão central de planejamento, predominando a propriedade pública dos fatores de produção. Alguns ainda considerados socialistas: República Popular da China, República de Cuba, República Democrática Popular da Coréia, República Democrática Popular Laoana e a República Socialista do Vietnã. RELAÇÕES DA ECONOMIA COM AS OUTRAS CIÊNCIAS Biologia: crescimento, fluxo de renda e de riqueza. Mudanças nos gostos dos consumidores afetam o crescimento dos setores produtivos. Física: estática e dinâmica (acelerador dos investimentos); ciclo (flutuações), velocidade e força (multiplicador emprego e renda), equilíbrio (geral e parcial); Psicologia: comportamento racional . Maximizar satisfação (utilidade) ou lucro. Impulsos p/consumir, investir, construir uma fábrica. Comportamento dos trabalhadores, consumidores e empresários; História: o passado pode repetir-se. O que explicou o desenvolvimento dos países ricos? Exportação, pesquisa tecnológica e intervenção do governo. Estatística: estuda dados, avalia regularidades (probabilidades, médias, variâncias, tendências) Curvas ajustadas dão robustez às teorias p/realizar previsões e tomar decisões econômicas. Matemática: formula com rigor teorias a ser testadas: C = a + bY (função ajustada : estimativas de “a” e “b”. Os parâmetros a e b são significantes?) Econometria: aplica métodos estatísticos e matemáticos na análise de dados econômicos para dar conteúdo empírico a teorias econômicas para confirmá-las ou refutá-las. Geografia: as relações econômicas ocorrem no espaço geográfico: custo transporte, localização recursos; Economia ambiental: reduzir a demanda de recursos não renováveis (petróleo, gás natural, madeiras e minérios) e a poluição ambiental (emissão de gás carbônico que provoca o efeito estufa). Sociologia: relações econômicas implicam relações sociais. Ações privadas afetam o bem-estar social. O ambiente social influencia os mercados, o consumo, a oferta, as finanças públicas e o crescimento econômico. Ciência Política: ações do Governo ligam-se com instituições e o regime político do país. Os políticos influenciam o orçamento do governo, a aprovação de leis e o nível de bem-estar de toda a população. RELAÇÃO COM AS CIÊNCIAS JURÍDICAS Relações econômicas entre os indivíduos, empresas, instituições e órgãos governamentais ocorrem condicionadas a um conjunto de normas jurídicas, estabelecidas em um contexto social. Comportamento dos consumidores e dos produtores, move-se por motivações reguladas por essas normas. Consumidores são obrigados a pagar pelos bens e serviços adquiridos. Produtores e comerciantes são obrigados a vender bens e serviços c/qualidades e características especificadas nos manuais ou contratos de venda. LEIS E NORMAS JURÍDICAS Lei nº 6.404 (15/12/76): constituição e funcionamento das S/A. A empresa terá o capital dividido em ações, sendo a responsabilidade dos sócios ou acionistas limitada ao número de ações. O objeto da empresa é o lucro, mas através de meios não contrários à ordem pública e aos bons costumes. Lei n. 10.303 (2001): cria a Comissão de Valores Mobiliários (regula a bolsa de valores e demais títulos). Lei n. 8.078 (11/09/1990): Código de Defesa do Consumidor: regula relações de consumo (qualidade, segurança, durabilidade, desempenho, propaganda enganosa, abusos de preços e fraude). EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO Quase que invariavelmente, todas as modernas áreas do conhecimento tiveram lume na Grécia Antiga. Não o seria por menos que a era grega dos filósofos (dos pré-socráticos aos pós-socráticos) gregos é considerada pela gama maior dos historiadores como grande fonte do conhecimento humano, eis que as teorias cognitivas se passaram precipuamente, nos diálogos de Sócrates, anotados por Platão e, mais tarde, estudados criticamente por Aristóteles. Assim o é com a Ciência Jurídica e o estudo da Justiça, com a Administração Pública e a Política, com a análise das competências do homem, com a Filosofia em si, que àquela época abarcava diversas outras áreas e de forma consoante, também a sociologia. Como não haveria ser diferente, a Economia, ou melhor, o Pensamento Econômico também tem suas primeiras origens na Grécia, especificamente no que Aristóteles chamou de oikosnomos, que mais tarde se traduziria por economia. Platão também produziu esboços econômicos, contudo não asseverou suas considerações como que em um termo apartado. Para Platão, a Economia era partícipe da Filosofia, como todas as demais áreas do conhecimento. Embora o pensamento filosófico grego tenha discorrido primeiramente sobre a economia, esta só vem se tomar corpo, quando surge a teorização sistemática econômica publicada na obra A riqueza das nações, por Adam Smith, em 1776. Como pré-concebido, até esta data a economia era parte integrante da Filosofia Social, da Moral e da ética, sendo que Smith é quem lhe dá status de ciência individual. A relação da economia com a moral é facilmente percebida quando analisada a Lei da Usura, em seus primórdios, quando se iniciou uma espécie de criminalização do abuso de juros, o que comprometeria toda a sociedade, subjugando-a ao poder dos economicamente poderosos. Ainda no século XVI, nasce a primeira escola econômica, denominada como mercantilista. O mercantilismo é marcado por um processo de alargamento dos mercados consumidores e, principalmente, dos produtores de matéria-prima, bem como pela revolução comercial, pela centralização do comércio como atividade econômica e pelo protecionismo e intervencionismo estatal na economia. Evidentemente, as práticas econômicas neste período histórico só possuíam um viés, o de acúmulo de lucros, o enriquecimento. Esse apego descomedido à lucratividade criou a principal crítica proposta a esta escola econômica, pois como bem assestou Montaigne "o lucro de um país é o prejuízo de outro", já que o lucro era vislumbrado superior a qualquer outra concepção humana. A produção de riqueza, nesta fase do pensamento econômico, é individualista e regional. Contudo, inegável a contribuição deste período econômico, eis que os primeiros princípios da economia nascem justamente neste ínterim. Após o mercantilismo, a fisiocracia nasce na França, já por volta do século XVIII, elaborando, essa escola do pensamento econômico, importantes trabalhos sobre o tema. Em primeiro lugar, é imprescindível analisar a etimologia da palavra fisiocracia, qual seja, a união dos termos fisio=natureza, e cracia=governo/poder. Desta forma, fisiocracia traduz-se por governo da natureza. Para os fisiocratas, a riqueza consistia nos bens produzidos a partir da natureza, em atividades econômicas que proviessem da relação do homem com o ambiente, a exemplificar a caça, a pesca e a mineração. Ao mesmo passo que a ciência econômica era conduzida ao pensamento fisiocrata, um grande movimento filosófico-cultural difundia uma nova percepção do homem, o Iluminismo. Relacionaram-se as duas veias epistemológicas iluministas de Rousseau, Locke e Montesquieu e a posição econômica de Quesnay. Contudo, alguns autores tratam como efêmero o pronunciamento da Teoria Fisiocrata, a rigor das palavras de Joseph A. Schumpeter[1]: A fisiocracia não existia em 1750. Entre 1760 e 1770, Paris inteira, além de Versalhes, falava dela. Em 1780, quase todo mundo (exceto os economistas profissionais), já havia se esquecido dela. De qualquer monta, a participação desta escola possibilitou novas tendências econômicas e, por isso, deve ser citada dada a sua importância, ao menos, científica, se é que na prática não exerceu maiores influências. A fisiocracia, por certo, surgiu como força reativa ao mercantilismo, argüindo que não se fazia necessária a intervenção estatal na economia, pois a lei natural era suprema, superior, até mesmo ao soberano. Estas duas escolas, juntas das lições de David Ricardo, Jean Baptiste Say, Thomas Malthus e, por fim, John Stuart Mill, formalizaram o pensamento clássico da economia como ciência, todos partindo das linhas primordiais de Adam Smith, sendo que Mill foi o personagem principal da transição entre a teoria clássica da economia, o que viria a ser tratado – aprioristicamente – por Alfred Marshall como Teoria Neoclássica. A Teoria Neoclássica, com início em 1870 e desenvolvimento até o século XX, impõe a relevância do conceito de microeconomia. Essa Teoria é manifestamente influenciada pelo período final da Revolução Industrial – se é que se pode dizer que houve um fim neste processo, considerando a amplitude do desenvolvimento industrial até os dias atuais – o que de antemão já clarifica a preocupação com as economias voltadas às unidades de consumo, diferente da polarização macroeconômica da Teoria Clássica. Em terras tupiniquins é possível observar esta vertente teórica da economia, pois é justamente neste lapso temporal que se dá início ao que Celso Furtado chamou de "gestação da economia cafeeira", até a depreciação e queda do ciclo desta microeconomia que entre outras protagonizou a mais imponente crise econômica mundial em 1929, agindo diretamente na macroeconomia, portanto. Justaposta esta fase do pensamento econômico, já em 1936, com a publicação de Teoria geral do emprego, dos juros e da moeda, de John Maynard Keynes, nasce a era keynesiana, assim denominada pela sobeja importância da obra acima identificada, relacionando o período com o seu autor. Keynes ocupou a cátedra que havia sido de Alfred Marshall, na Universidade de Cambridge, sendo esse, então, seu antecessor acadêmico e teórico. Keynes voltou o foco da economia, enquanto ciência, para os efeitos provocados pelas microeconomias na macroeconomia, ou seja, as influências positivas e negativas que o comportamento das unidades de consumo poderiam exercer sobre a economia global. Marco Antonio Vasconcellos bem delineia a proposta mais impositiva do pensamento Keynesiano, o que se mostra válido colar: Segundo o pensamento keynesiano, um dos principais fatores responsáveis pelo volume de emprego é explicado pelo nível de produção nacional de uma economia, que por sua vez é determinado pela demanda agregada ou efetiva. Ou seja, inverte o sentido da lei de Say (a oferta cria sua própria procura) ao destacar o papel da demanda agregada de bens e serviços.[2]. Tais argumentos de Keynes foram fatores de forte influência nas economias capitalistas, principalmente no período pós-guerra (segunda guerra mundial), aduzindo-se, por mais, que tais países tiveram um bom desenvolvimento, creditando ainda mais as idéias de Keynes. Após muito se tratar dos pilares econômicos construídos por Smith e ampliados por seus sucessores, não se pode deixar de trazer à baila a principal crítica ao pensamento que deu círio ao capitalismo, que é o entendimento de Marx, especialmente no que o autor chamou de Valor-Trabalho. Para Marx, a apropriação do excedente produtivo – a reconhecida mais-valia – é a própria explicação da acumulação e da evolução das relações das classes sociais. Esse conceito da mais-valia, em resumo exprimido, é a diferença entre o valor da produção e da venda, que gera o lucro, por exemplo. Karl Marx influenciou não só a economia com seus escritos, transcendeu esta área do conhecimento, sendo influenciador da sociologia, da filosofia, do direito e da administração, mas, contudo, irrompeu algumas barreiras postas pela teoria clássica de Smith e criou, ao menos, a dúvida, sendo o algoz do capitalismo mas, acima de tudo, o solucionador do problema social econômico, embora taxado por utópico, à semelhança de seu influenciador Hegel. Em síntese a evolução do pensamento econômico variou por estas vertentes científicas expostas neste breve relato, formando a economia como a conhecemos hoje, marcando os conceitos de micro e macroeconomia e, destes tantos outros conceitos que fizeram desta ciência, uma das mais importantes para o desenvolvimento mundial. OS PROBLEMAS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS O problema econômico fundamental consiste, em primeiro lugar, em decidir o que produzir e em quais quantidades. Sendo os recursos produtivos limitados, como mão-de-obra especializada (engenheiros, técnicos de nível médio, ferramenteiros, torneiros etc.), matérias-primas, capital fixo (máquinas, equipamentos, prédios, estradas, portos), capital financeiro para pagar os trabalhadores e adquirir matérias-primas, terras férteis para a agricultura e empresários dispostos a arriscar seus recursos no setor produtivo, e as necessidades humanas ilimitadas, a sociedade precisa decidir qual será a composição dos bens e serviços que naquele período será produzido e em quais quantidades. Além da expectativa de obter lucro, a escolha de um empreendedor em produzir prédios ou produzir alimentos, armas ou medicamentos depende do conhecimento que ele tem do mercado, de seu acesso à tecnologia e da tradição familiar. Do ponto de vista da sociedade, a escolha do que produzir está relacionada com as opções de política econômica dos dirigentes. A sociedade pode desejar mais usinas hidrelétricas e mais estradas, ou maior produção de grãos e habitações populares. Em segundo lugar, vem a questão de como produzir, que diz respeito à tecnologia. O conhecimento tecnológico pode ser comprado de outros países, mediante o pagamento de direitos (royalties). Para descobrir novos produtos e processos de produção novos ou aperfeiçoados, as empresas investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Geralmente, os países menos desenvolvidos investem menos em P&D, por insuficiência de recursos técnicos e financeiros, preferindo importar técnicas conhecidas em outros países. A decisão de como produzir implica a escolha das técnicas, o que, mais uma vez, envolve a questão dos preços dos recursos. Se a mão-de-obra for barata e o custo do capital elevado, as empresas tenderão a utilizar mais trabalho (L, de labor) e menos capital (K), isto é, o processo de produção será mais manual e menos mecanizado. Nesse caso, diz-se que as técnicas são de trabalho intensivo. Inversamente, nos países desenvolvidos, em que os salários são elevados e os direitos sociais dos trabalhadores mais amplos, as empresas tendem a mecanizar em massa o setor produtivo. Outra tendência dessas empresas é produzir alguns tipos de bens nos países em desenvolvimento, com mão-de-obra barata. Elas continuam produzindo, em seus países, os produtos que exigem alta dose de capital; diz-se que elas empregam alta relação K/L (capital intensivo), implicando o emprego de máquinas sofisticadas e robôs. A robotização está sendo empregada também em países em desenvolvimento, como o Brasil, principalmente na indústria automobilística. A explicação é a de que, com a globalização da produção em nível mundial, as empresas precisam reduzir custos, para poder competir. Entretanto, a robotização também é empregada em operações perigosas, como é o caso da Petrobrás, na prospecção de petróleo em águas profundas. Em terceiro lugar, a decisão para quem produzir é tomada pelas empresas, em função da expectativa de realizar lucro. Com esse objetivo, elas escolhem os consumidores que desejam abastecer com bens e serviços, conforme as diferentes classes de renda a que pertencem. Por exemplo, uma empresa do ramo da construção civil pode escolher entre construir prédios de luxo para a classe A, ou prédios mais modestos para a classe média, ou, ainda, uma combinação desses dois tipos de obra. Do ponto de vista privado, a escolha envolve sempre a expectativa de maximizar lucros e a disponibilidade de recursos e de tecnologia. NECESSIDADES ILIMITADAS X RECURSOS LIMITADOS Da escassez dos recursos ou fatores de produção, associada às necessidades ilimitadas do homem, originam-se os chamados problemas econômicos fundamentais: - O QUE e QUANTO PRODUZIR? - COMO PRODUZIR? - PARA QUEM PRODUZIR? • O que produzir: decisão tomada em conjunto pelas unidades consumidoras (que constituirão a demanda por bens e serviços) e pelas unidades produtoras. • Como produzir: os produtores deverão adotar a combinação de fatores de produção que proporcione o menor custo de produção. • Para quem produzir: a distribuição dos benefícios resultantes da produção dependerá da quantidade de cada fator de produção utilizado e da sua produtividade. Em economias de mercado, esses problemas são resolvidos predominantemente pelo mecanismo de preços atuando por meio da oferta e da demanda. FATORES DE PRODUÇÃO- FP Fatores de Produção, chamados recursos de produção da economia, são constituídos pelos recursos humanos (trabalho e capacidade empresarial), terra, capital e tecnologia. A cada fator de produção corresponde uma remuneração, a saber: Fator de Produção Tipo de Remuneração Trabalho Salário Capital Juro Terra Aluguel Tecnologia Royalty Capacidade Empresarial Lucro a) Terra, ou recursos naturais (N): água, minerais, madeiras, peixes, terrenos e terra p/agricultura; b) Trabalho, ou recursos humanos (L), trabalhadores, funcionários, técnicos, engenheiros, gerentes e administradores; c) Capital (K): máquinas, prédios (fixo), ferramentas e dinheiro (giro); d) Capacidade empresarial : assume riscos p/obter lucro; e) Tecnologia: modo de produzir, qualidade (fator não considerado nos livros mais antigos) CLASSIFICAÇÃO DOS BENS Bens livres: não se tem um preço (embora úteis, não são escassos). Ex.: Ar atmosférico, água (?!) Bens econômicos: Bens de consumo final: - bens duráveis: eletrodomésticos, automóvel...; - bens não duráveis: alimentos, vestuário...; Bens de produção: - bens de consumo intermediário (insumos); - bens de capital: máquinas, equipamentos... SETORES DA ECONOMIA PRIMÁRIO: agricultura, pecuária, caça, pesca, extrativa vegetal e reflorestamento; SECUNDÁRIO: indústria extrativa mineral, mineral não-metálico, petróleo e gás; indústria de transformação e serviços industriais de utilidade pública. - Indústria de transformação: siderurgia, metalurgia, mecânica, material elétrico, material de transporte, química, petroquímica, plástico, eletrônica, vestuário, mobiliário, produtos alimentares, etc; TERCIÁRIO: comércio, transportes, comunicações, instituições financeiras, serviços, administração pública, educação e saúde, etc. Curva de Possibilidades de Produção (ou curva de transformação) Suponhamos uma economia que só produza máquinas (bens de capital) e alimentos (bens de consumo) e que as alternativas de produção de ambos sejam: Alternativas de Produção Máquinas (milhares) Alimentos (toneladas) A 25 0 B 20 30 C 15 45 D 10 60 E 0 70 Desenhar Gráfico no quadro... Alternativa (A): todos os fatores de produção seriam alocados para produção de máquinas Alternativa (E): todos F.P. alocados somente para produção de alimentos; Alternativas (B, C e D): F.P. distribuídos da produção de um e de outro bem. A curva ABCDE indica todas as possibilidades de produção de máquinas e de alimentos nessa economia hipotética. Qualquer ponto sobre a curva significa que a economia estará operando no pleno emprego, ou seja, a plena capacidade, utilizando os fatores de produção disponíveis. POSSIBILIDADES DE CAPACIDADE DE PRODUÇÃO: - PLENO EMPREGO (na curva ABCDE); - DESEMPREGO ou OCIOSA (abaixo da curva). CUSTO DE OPORTUNIDADE Conceito: A TRANSFERÊNCIA DOS F.P. DO PONTO “A” PARA PRODUZIR “B” IMPLICA UM CUSTO DE OPORTUNIDADE QUE É IGUAL AO SACRIFÍCIO DE SE DEIXAR DE PRODUZIR PARTE DE “A” PARA SE PRODUZIR MAIS NO PONTO “B”. Exemplo: Para aumentar a produção de alimentos de 30 para 45 toneladas (passar do ponto B para C), o custo de oportunidade em termos de máquinas é igual a 5mil, que é a quantidade sacrificada desse bem para se produzir mais 15 toneladas de alimentos. Alternativas de Produção Máquinas (milhares) Alimentos (toneladas) A 25 0 B 20 30 C 15 45 D 10 60 E 0 70 DESLOCAMENTO DA CURVA DE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO O deslocamento da CPP para a direita indica que o país está crescendo. Isso pode ocorrer tanto em função do aumento da quantidade física de fatores de produção quanto em função de melhor aproveitamento dos recursos já existentes, o que pode ocorrer com: - progresso tecnológico, qualificação da mão-de-obra, maior eficiência produtiva e organizacional das empresas, etc. Funcionamento de uma economia de mercado: fluxos reais e monetários Para entender o funcionamento do sistema econômico, vamos supor uma economia de mercado que não tenha interferência do governo e não tenha transações com o exterior (economia fechada). Agentes econômicos serão: a) As famílias (unidades familiares) b) As empresas (unidades produtoras) As famílias são proprietárias dos fatores de produção e as empresas, através da combinação dos F.P., produzem bens e serviços e os fornecem às famílias pelo mercado de bens e serviços. A esse fluxo denominamos: Fluxo Real da Economia As famílias e as empresas exercem duplo papel. No mercado de bens e serviços, as famílias demandam bens e serviços, enquanto as empresas os oferecem; no mercado de fatores de produção, as famílias oferecem os serviços dos F.P, enquanto as empresas os demandam. No entanto, o fluxo real da economia só é possível com a presença da moeda, que é utilizada para remunerar os fatores de produção e para o pagamento dos bens e serviços. Desse modo, paralelamente ao Fluxo Real temos um Fluxo Monetário Conclusão: Em cada um dos mercados atuam conjuntamente as forças da oferta e da demanda, determinando o preço. Assim, no mercado de bens e serviços formam-se os preços dos bens e serviços, enquanto no mercado de fatores de produção são determinados os preços dos fatores de produção (salário, juros, aluguéis, lucros, etc.) MICROECONOMIA Microeconomia é o ramo da ciência econômica voltado ao estudo do comportamento das unidades de consumo (indivíduos e famílias); ao estudo das empresas e ao estudo da produção de preços dos diversos bens, serviços e fatores produtivos. MICROECONOMIA Costuma-se definir a procura, ou demanda individual, como a quantidade de um determinado bem ou serviço que o consumidor estaria disposta a consumir em determinado período de tempo. É importante notar, nesse ponto, que a demanda é um desejo de consumir, e não sua realização. Demanda é o desejo de comprar. A Teoria da Demanda é derivada da hipótese sobre a escolha do consumidor entre diversos bens que seu orçamento permite adquirir. Essa procura individual seria determinada pelo preço do bem; o preço de outros bens; a renda do consumidor e seu gosto ou preferência. A Demanda é uma relação que demonstra a quantidade de um bem ou serviço que os compradores estariam dispostos a adquirir a diferentes preços de mercado. Assim, a Função Procura representa a relação entre o preço de um bem e a quantidade procurada, mantendo-se todos os outros fatores constantes. Quase todas as mercadorias obedecem à lei da procura decrescente, segundo a qual a quantidade procurada diminui quando o preço aumenta. Isto se deve ao fato de os indivíduos estarem, geralmente, mais dispostos a comprar quando os preços estão mais baixos. Relação de demanda para maçãs: Consumidores | A B C D | | | | Preço ($ por unidade) 10,00 08,00 06,00 04,00 | Quantidade demandada | | | | 50 100 200 400 Assim se torna fácil a observação de que as relações preço - quantidade são inversas. Enquanto a relação da demanda descreve o comportamento dos compradores, a relação da oferta descreve o comportamento dos vendedores, evidenciando o quanto estariam dispostos a vender, a um determinado preço. Os vendedores possuem uma atitude diferente dos compradores, frente aos preços altos. Se estes desalentam os consumidores, estimulam os vendedores a produzirem e venderem mais. Portanto quanto maior o preço maior a quantidade ofertada. A Função Oferta nos dá a relação entre a quantidade de um bem que os produtores desejam vender e o preço desse bem, mantendo-se o restante constante. O equilíbrio da oferta e da procura num mercado concorrencial é atingido com um preço que faz igualar as forças da oferta e procura. O preço de equilíbrio é aquele com o qual a quantidade procurada é precisamente igual à quantidade oferecida. Como se disse, a quantidade de um produto que os compradores desejam adquirir depende do preço. Porém a quantidade que as pessoas desejam comprar depende também de outros fatores. Relação entre as quantidades demandadas e o preço dos bens: levando-se em conta apenas o preço do bem observa-se quando a demanda aumenta ocorreu uma diminuição no preço; quando ele diminui é um resultado de um aumento do preço. Relação entre a procura de um bem e a renda do consumidor: a. Bem Normal: São aqueles cuja quantidade demandada aumenta quando aumenta-se a renda; b. Bem de luxo: Ao se aumentar a renda a quantidade demandada aumenta em maior Proporção; c. Bem de primeira necessidade: Ao se aumentar a renda a quantidade demanda se Mantém inalterada pois, ao se tratar de algo de primeira necessidade já fazia parte das antigas aquisições do indivíduo; d. Bem inferior: São aqueles cuja quantidade demandada diminui quando a renda aumenta. Geralmente são vens para os quais há alternativas de melhor qualidade. Até agora se viu como os deslocamentos da demanda e oferta afetam os preços. O conceito de elasticidade - preço nos permite uma maior compreensão do sistema de preços e das reações observadas no mercado. A elasticidade é a relação entre as diferentes quantidades de oferta e procura de certas mercadorias em função das alterações verificadas em seus respectivos preços. Seguindo-se esse conceito as mercadorias podem ser classificadas em bens de demanda elástica ou inelástica. Os bens de demanda inelástica são os de primeira necessidade, indispensáveis à subsistência do consumidor. Os bens de demanda elástica são aqueles que não são indispensáveis à subsistência do consumidor. Assim são, geralmente, os bens de luxo. Alguns fatores que influenciam a elasticidade da demanda da demanda seriam a existência de substitutos ao bem, a variedade de usos desse vem, o seu preço em relação ao uso global dos consumidores e o preço do bem em relação à renda dos consumidores. Para um vendedor faz realmente muita diferença o fato de ser elástica ou não a demanda com a qual ele se defronta. Se a demanda for elástica e ele reduzir o preço, obterá mais receita. Por outro lado se a demanda for inelástica e ele reduzir o preço obterá menos receita. MACROECONOMIA A macroeconomia estuda a economia em geral analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados como renda e produtos, níveis de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda, taxa de juros, balança de pagamentos e taxa de câmbio. O enfoque macroeconômico pode omitir fatores importantes, mas estabelece relações entre grandes agregados e permite compreender algumas interações relevantes. A macroeconomia se preocupa com aspectos em curto prazo como desemprego, por exemplo. A macroeconomia possui algumas metas como aumentar o nível de empregos, estabilizar os preços, distribuir renda, crescer a economia, solucionar conflitos de objetivos. A estrutura macroeconômica se compõe de cinco mercados: • Mercado de Bens e Serviços: Determina o nível de produção agregada bem como o nível de preços. • Mercado de Trabalho: Admite a existência de um tipo de mão-de-obra independente de características, determinando a taxa de salários e o nível de emprego. • Mercado Monetário: Analisa a demanda da moeda e a oferta da mesma pelo Banco Central que determina a taxa de juros. • Mercado de Títulos: Analisa os agentes econômicos superavitários que possuem um nível de gastos inferior a sua renda e dificitários que possuem gastos superiores ao seu nível de renda. • Mercado de Divisas: Depende das exportações e de entradas de capitais financeiros determinada pelo volume de importações e saída de capital financeiro. A Macroeconomia é a parte da economia especializada na análise das variáveis agregadas: produção nacional total, renda, desemprego, balança de pagamentos e taxa de inflação. A diferença principal com a microeconomia é que esta estuda a composição da produção e os determinantes da oferta e da procura de bens e serviços, como se interrelacionam nos mercados e como são determinados seus preços relativos. O Produto nacional bruto (PNB) mede em termos monetários o que se produz em um país, a produção final, que corresponde, por definição, à demanda final. O PNB potencial, em determinado momento, depende da quantidade de fatores da produção disponível — trabalho e capital — e da tecnologia. Esses três elementos mudam com o tempo, e a teoria do crescimento analisa sua modificação a longo prazo. A teoria macroeconômica estuda as causas e as conseqüências do desemprego. Até a publicação, em 1936, de The General Theory of Employment, Interest and Money (1936; Teoria geral do emprego, do juro e da moeda), de John Maynard Keynes, a explicação clássica das causas do desemprego dizia que elas eram determinadas pelas estruturas rígidas do mercado de trabalho, que impediam que os salários baixassem até o nível do ‘equilíbrio’. Keynes afirmou que o desemprego pode estar relacionado a uma insuficiente demanda agregada ao mercado de bens, e não a um desequilíbrio no mercado de trabalho. Essa insuficiência tem relação com o investimento planejado menor que a reserva disponível. Também ressalta a importância das variações do nível de produção e emprego, como movimentos equilibradores que permitiriam igualar o investimento e a reserva, determinando-se assim o nível de equilíbrio da renda nacional total e da produção nacional. A ênfase do keynesianismo na demanda, como determinante chave do nível de produção a curto prazo, permitiu iniciar o desenvolvimento da contabilidade nacional e de conceitos, tais como o gasto total em consumo, em formação de capital (produção de maquinaria, fábricas etc.), em gastos públicos e em exportações e importações, que constituem os elementos chave que compõem a ‘demanda final’ agregada à economia. Também permitiu realizar a análise dos determinantes desses elementos chave da demanda final, ao desenvolver a teoria da demanda agregada de consumo e suas relações com os níveis da receita, assim como sua dependência dos tipos de interesses existentes. Portanto, a teoria monetária é uma parte essencial da teoria macroeconômica, uma variável monetária cuja função principal, em um mundo de incertezas, limita-se a equilibrar a oferta e a demanda de dinheiro, e não a equilibrar o investimento e a poupança planejados. A teoria monetária também está relacionada com outro elemento chave da macroeconomia: a inflação. Para completar o estudo dos principais componentes da demanda agregada, devem ser considerados os fatores de equilíbrio externo, ou seja, o saldo entre exportações e importações e os seus determinantes, sobretudo os tipos de câmbio. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL O Sistema Financeiro Nacional conforme apresentado é caracterizado por quatro fases distintas: 1. O Sistema Financeiro Nacional em sua primeira fase caracterizou-se pela intermediação financeira na sua forma mais simples através de atividades relacionadas ao setor cafeeiro e a implantação de projetos no setor de infra-estrutura. 2. A partir da segunda fase caracterizada pelo período das Guerras e da Depressão, que se estendeu de 1914 a 1945, houve uma série de processos de considerável importância no quadro geral da intermediação financeira no Brasil, com destaque aos seguintes: • Expansão do sistema de intermediação financeira de curto e médio prazo; • Disciplina, integração e ampliação das margens de segurança, face a criação da Inspetoria Geral dos Bancos (1920), instalação da Câmara de Compensação (1921) e a implantação da Carteira de Redescontos do Banco do Brasil (1921); • Estudos para criação de um Banco Central no país. Esses destaques trouxeram amplos benefícios ao sistema financeiro do país, à medida que deu maior consistência ao processo de intermediação. 3. A terceira fase que se estendeu de 1945 a 1964, caracterizou-se como fase de transição entre a estrutura simples de intermediação financeira da primeira metade do século e a complexa estrutura montada a partir das reformas institucionais de 1964-65. Nos anos de transição as principais transformações no sistema financeiro nacional foram: • Consolidação e penetração no espaço geográfico da rede de intermediação financeira de curto e médio prazo; • Implantação de um órgão normativo, de assessoria, controle e fiscalização, o SUMOC - Superintendência da Moeda e do Crédito; • Criação de uma instituição financeira central de fomento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, BNDE; • Criação de instituições financeiras de apoio a regiões carentes; • Desenvolvimento espontâneo de Companhias de crédito, financiamento e investimento de médio e longo prazo. 4. A última fase da evolução da intermediação financeira no Brasil iniciou-se em 1964-65, com a promulgação de três leis que introduziram profundas alterações na estrutura do sistema financeiro nacional: • Lei n° 4.380 - 21/08/64: instituiu a correção monetária nos contratos imobiliários de interesse social, criou o Banco Nacional de Habitação e institucionalizou o Sistema Financeiro de Habitação; • Lei n° 4.595 - 31/12/64: definiu as características e as áreas específicas de atuação das instituições financeiras e transformação do SUMOC e seu Conselho em Banco Central do Brasil e Conselho Monetário Nacional, respectivamente; • Lei n° 4.728 - 14/07/65: disciplinou o mercado de capitais e estabeleceu medidas para seu desenvolvimento. A partir desses três institutos legais, o sistema financeiro brasileiro passou a contar com maior e mais diversificado número de intermediários financeiros não bancários, com áreas específicas e bem determinadas de atuação. Ao mesmo tempo, foi significativamente ampliada a pauta de ativos financeiros, abrindo-se um novo leque de opções para aplicação de poupanças e criando-se, em decorrência disto, condições mais efetivas para a ativação do processo de intermediação". A quarta fase iniciou-se pela implementação dessas reformas até os dias atuais. Além daquelas instituições citadas, foi incorporado ao quadro do sistema a Comissão de Valores Mobiliários, criada pela Lei n° 6.385, de 7/12/76. Após o período de 1968 a 1973, o país passou a conviver com uma conjuntura adversa internacional (choque do petróleo de 73 e 79 e a crise da dívida externa de 82) e conturbada a nível interno (redemocratização e inflação). Influenciado também por esses acontecimentos, surgiu por parte dos agentes econômicos a necessidade de se protegerem quanto as oscilações adversas a que estão sujeitos, tanto a fatos e políticas internas, quanto externas. A transformação que vem passando a intermediação financeira nos últimos anos é motivada pelo desenvolvimento da economia, refletindo em processos de fusões e incorporações, resultando em aumento de competitividade. Diante disso a atividade de intermediação financeira, além de minimizar a incerteza e os riscos a níveis compatíveis com as exigências de maximização dos ganhos, terá que proporcionar cada vez mais segurança e agilidade no julgamento e previsão de melhores retornos. O Sistema Financeiro Nacional é constituído: • · Conselho Monetário Nacional; Do Banco Central do Brasil; - do Banco do Brasil S.A. • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; - das demais instituições financeiras públicas e privadas. O Conselho Monetário Nacional: o CMN acaba sendo o conselho de política econômica do país, visto que o mesmo é responsável pela fixação das diretrizes da política monetária, creditícia e cambial. Atualmente, seu presidente é o próprio Ministro da Fazenda. O Banco Central do Brasil: o BACEN é o órgão responsável pela execução das normas que regulam o SFN. São suas atribuições agir como: banco dos bancos, gestor do SFN, executor da política monetária, banco emissor e banqueiro do governo. É muito discutida a elevação do grau de independência do BACEN. Diversas discussões apresentam pontos positivos e negativos de tal alteração www.bc.gov.br A Comissão de Valores Mobiliários: a CVM é um órgão normativo voltado ao mercado de ações e debêntures. Ela é vinculada ao Governo Federal e seus objetivos podem sintetizados em apenas um: o fortalecimento do mercado acionário. www.cvm.gov.br O Banco do Brasil: até janeiro de 1986 o BB assemelhava-se a uma autoridade monetária mediante ajustamentos da conta movimento do BACEN e do Tesouro Nacional. Hoje, é um banco comercial comum, embora responsável pela Câmara de Confederação. www.bb.com.br O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social: contando com recursos de programas e fundos de fomento, o BNDES é responsável pela política de investimentos de LP do Governo e, a partir do Plano Collor, também pela gestão do processo de privatização. É a principal instituição financeira de fomento do Brasil por impulsionar o desenvolvimento econômico, atenuar desequilíbrios regionais, promover o crescimento das exportações, dentre outras funções. www.bndes.gov.br A Caixa Econômica Federal: a CEF caracteriza-se por estar voltada ao financiamento habitacional e ao saneamento básico. É um instrumento governamental de financiamento social. www.cef.gov.br Os Bancos Comerciais: os BC são intermediários financeiros que transferem recursos dos agentes superavitários para os deficitários, mecanismo esse que acaba por criar moeda através do efeito multiplicador. Os BC's podem descontar títulos, realizar operações de abertura de crédito simples ou em conta corrente, realizar operações especiais de crédito rural, de câmbio e comércio internacional, captar depósitos à vista e a prazo fixo, obter recursos junto às instituições oficiais para repasse aos clientes, etc. Os Bancos de Desenvolvimento: o já citado BNDES é o principal agente de financiamento do governo federal. Destacam-se outros bancos regionais de desenvolvimento como, por exemplo, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o Banco da Amazônia, dentre outros. As Cooperativas de Crédito: Equiparando-se às instituições financeiras, as cooperativas normalmente atuam em setores primários da economia ou são formadas entre os funcionários das empresas. No setor primário, permitem uma melhor comercialização dos produtos rurais e criam facilidades para o escoamento das safras agrícolas para os consumidores. No interior das empresas em geral, as cooperativas oferecem possibilidades de crédito aos funcionários, os quais contribuem mensalmente para a sobrevivência e crescimento da mesma. Todas as operações facultadas às cooperativas são exclusivas aos cooperados. Os Bancos de Investimentos: os BI captam recursos através de emissão de CDB e RDB, de capitação e repasse de recursos e de venda de cotas de fundos de investimentos. Esses recursos são direcionados a empréstimos e financiamentos específicos à aquisição de bens de capital pelas empresas ou subscrição de ações e debêntures. Os BI não podem destinar recursos a empreendimentos mobiliários e têm limites para investimentos no setor estatal. Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimentos: as "financeiras" captam recursos através de letras de câmbio e sua função é financiar bens de consumo duráveis aos consumidores finais (crediário). Tratando-se de uma atividade de alto risco, seu passivo é limitado a 12 vezes seu capital mais reservas. Sociedade Corretoras: essas sociedades operam com títulos e valores mobiliários por conta de terceiros. São instituições que dependem do BACEN para constituírem-se e da CVM para o exercício de suas atividades. As "corretoras" podem efetuar lançamentos de ações, administrar carteiras e fundos de investimentos, intermediar operações de câmbio, dentre outras funções. Sociedades Distribuidoras: tais instituições não têm acesso às bolsas como as Sociedades Corretoras. Suas principais funções são a subscrição de emissão de títulos e ações, intermediação e operações no mercado aberto. Elas estão sujeitas a aprovação pelo BACEN. Sociedade de Arrendamento Mercantil: operam com operações de "leasing" que tratam-se de locação de bens de forma que, no final do contrato, o locatário pode renovar o contrato, adquirir o bem por um valor residencial ou devolver o bem locado à sociedade. Atualmente, tem sido comum operações de leasing em que o valor residual é pago de forma diluída ao longo do período contratual ou de forma antecipada, no início do período. As Sociedades de Arrendamento Mercantil captam recursos através da emissão de debêntures, com características de longo prazo. Associações de Poupança e Empréstimo: são sociedades civis onde os associados têm direito à participação nos resultados. A captação de recursos ocorre através de caderneta de poupança e seu objetivo é principalmente financiamento imobiliário. Sociedades de Crédito Imobiliário: ao contrário das Caixas Econômicas, essas sociedades são voltadas ao público de maior renda. A captação ocorre através de Letras Imobiliárias depósitos de poupança e repasses de CEF. Esses recursos são destinados, principalmente, ao financiamento imobiliário diretos ou indiretos. Investidores Institucionais: os principais investidores institucionais são: Fundos Mútuos de Investimentos: são condomínios abertos que aplicam seus recursos em títulos e valores mobiliários objetivando oferecer aos condomínios maiores retornos e menores riscos. Entidades Fechadas de Previdência Privada: são instituições mantidas por contribuições de um grupo de trabalhadores e da mantenedora. Por determinação legal, parte de seus recursos devem ser destinados ao mercado acionário. Seguradoras: são enquadradas coo instituições financeiras segundo determinação legal. O BACEN orienta o percentual limite a ser destinado aos mercados de renda fixar e variável. Companhias Hipotecárias: dependendo de autorização do BACEN para funcionarem, tem objetivos de financiamento imobiliário, administração de crédito hipotecário e de fundos de investimento imobiliário, dentre outros. Agências de Fomento: sob supervisão do BACEN, as agências de fomento captam recursos através dos Orçamentos públicos e de linhas de créditos de LP de bancos de desenvolvimento, destinando-os a financiamentos privados de capital fixo e de giro. Bancos Múltiplos: como o próprio nome diz, tais bancos possuem pelo menos duas das seguintes carteiras: comercial, de investimento, de crédito imobiliário, de aceite, de desenvolvimento e de leasing. A vantagem é o ganho de escala que tais bancos alcançam. Bancos Cooperativos: são verdadeiros bancos comerciais surgidos a partir de cooperativas de crédito. Sua principal restrição é limitar suas operações em apenas uma UF, o que garante a permanência dos recursos onde são gerados, impulsionando o desenvolvimento local POLÍTICAS ECONÔMICAS POLÍTICA MONETÁRIA A Política Monetária representa a atuação das autoridades monetárias, por meio de instrumentos de efeito direto ou induzido, com o propósito de se controlar a liquidez global do sistema econômico. A ) Política Monetária Restritiva: engloba um conjunto de medidas que tendem a reduzir o crescimento da quantidade de moeda, e a encarecer os empréstimos. Instrumentos: • Recolhimento compulsório: consiste na custódia, pelo Banco Central, de parcela dos depósitos recebidos do público pelos bancos comerciais. Esse instrumento é ativo, pois atua diretamente sobre o nível de reservas bancárias, reduzindo o efeito multiplicador e, consequentemente, a liquidez da economia. • Assistência Financeira de liquidez: o Banco Central empresta dinheiro aos bancos comerciais, sob determinado prazo e taxa de pagamento. Quando esse prazo é reduzido e a taxa de juros do empréstimo é aumentada, a taxa de juros da própria economia aumenta, causando uma diminuição na liquidez. • Venda de Títulos públicos: quando o Banco Central vende títulos públicos ele retira moeda da economia, que é trocada pelos títulos. Desta forma há uma contração dos meios de pagamento e da liquidez da economia. B ) política Monetária Expansiva: é formada por medidas que tendem a acelerar a quantidade de moeda e a baratear os empréstimos (baixar as taxas de juros). Incidirá positivamente sobre a demanda agregada. Instrumentos: • Diminuição do recolhimento compulsório: o Banco Central diminui os valores que toma em custódia dos bancos comerciais, possibilitando um aumento do efeito multiplicador, e da liquidez da economia como um todo. • Assistência Financeira de Liquidez: o Banco Central, ao emprestar dinheiro aos bancos comerciais, aumenta o prazo do pagamento e diminui a taxa de juros. Essas medidas ajudam a diminuir a taxa de juros da economia, e a aumentar a liquidez. • Compra de títulos públicos: quando o Banco Central compra títulos públicos há uma expansão dos meios de pagamento, que é a moeda dada em troca dos títulos. Com isso, ocorre uma redução na taxa de juros e um aumento da liquidez. POLÍTICA FISCAL Política Fiscal é a manipulação dos tributos e dos gastos do governo para regular a atividade econômica. Ela é usada para neutralizar as tendências à depressão e à inflação. A ) Política Fiscal expansiva : é usada quando há uma insuficiência de demanda agregada em relação à produção de pleno - emprego. Isto acarretaria o chamado "hiato deflacionário", onde estoques excessivos se formariam, levando empresas a reduzir a produção e seus quadros de funcionários, aumentando o desemprego. As medidas nesse caso seriam: • Aumento dos gastos públicos; • Diminuição da carga tributária, estimulando despesas de consumo e investimentos; • Estímulos às exportações, elevando a demanda externa dos produtos; • Tarifas e barreiras às importações, beneficiando a produção nacional. B ) Política Fiscal restritiva: é usada quando a demanda agregada supera a capacidade produtiva da economia, no chamado "hiato inflacionário", onde os estoques desaparecem e os preços sobem. As medidas seriam: • Diminuição dos gastos públicos; • Elevação da carga tributária sobre os bens de consumo, desencorajando esses gastos; • Elevação das importações, por meio da redução de tarifas e barreiras. POLÍTICA CAMBIAL O mercado de câmbio (divisas) é formado pelos diversos agentes econômicos que compram e vendem moeda estrangeira, conforme suas necessidades. Empresas que vendem mercadorias ou ações no exterior estão aumentando a oferta de moeda estrangeira, em particular o Dólar, pois sua receita ocorre em moeda estrangeira. Empresas que compram bens ou ações do exterior estão demandando moeda estrangeira (Dólar), pois seus gastos ocorrem em dólares. Neste sentido, o preço da moeda estrangeira em relação à moeda nacional é determinado neste mercado. Este preço é chamado de taxa de câmbio (R$/US$). Cabe explicar que as relações econômicas, comerciais e financeiras dos agentes de determinado sistema econômico, com os agentes de outro sistema econômico (normalmente país), são registradas na Balança de Pagamentos. Eventuais déficits no Balanço de Pagamentos são decorrentes do fato de a entrada de divisas (dólares) ser inferior a saída de divisas. Este fato é resultado de dois desequilíbrios. O primeiro é que se exportam bens e serviços menos do que se conseguem importar, resultando em uma saída de divisas maior do que a entrada. O segundo desequilíbrio é causado pelo lado financeiro, onde não se conseguem atrair recursos (dólares) em quantidade suficiente para pagar as contas em dólar. Caso o câmbio esteja a R$ 2,50, significa que são necessários R$ 2,50 reais para comprar um dólar. Se este subir para R$ 3,00 por dólar, ocorreu uma desvalorização da moeda local em relação à moeda estrangeira. O preço da moeda estrangeira elevou-se. Se o preço sobe devido a um aumento da demanda por dólares, dizemos que ocorreu uma desvalorização do Real frente ao Dólar. Precisa-se de mais reais para comprar a mesma quantidade de dólares. Se o preço desce devido a um aumento da oferta de dólares, dizemos que ocorreu uma valorização do Real frente ao Dólar. Menos reais serão necessários para comprar a mesma quantidade de dólares. As empresas brasileiras que participam do comércio internacional dependem substancialmente da taxa de câmbio. Entender o funcionamento desse mercado é fundamental. Ele pode agir de três maneiras. a) Regime de câmbio flutuante Neste caso não há intervenção do Banco Central no mercado. O preço da moeda estrangeira, ou a taxa de câmbio, é determinado exclusivamente pela interação entre oferta e demanda. O BACEN não compra e não vende dólares. Esse procedimento é adotado nos principais países desenvolvidos. b) Regime de câmbio fixo Este regime representa um caso extremo de controle do mercado. O Banco Central deve estar constantemente regulando o mercado. Caso haja um excesso de procura/demanda por dólares, este deve vender dólares ao mercado para que o câmbio não se desvalorize. Caso ocorra um excesso de oferta de dólares no mercado, o Banco Central deve comprar o excesso para que o câmbio não se valorize. C) Formas híbridas de câmbio Formas híbridas de câmbio são maneiras de atuar sobre este; é uma mistura entre o câmbio fixo e o câmbio livre ou flutuante. Esta forma de câmbio é considerada híbrida, porque entre os parâmetros, superior e inferior, o câmbio flutua livremente, aproximando-se dessa forma do câmbio livre. Todavia, quando a taxa de câmbio aproximase ou ultrapassa as bandas, as autoridades intervêm no mercado comprando ou vendendo divisas (dólares) até que a taxa retorne aos patamares estabelecidos. Sendo assim, podemos considerar essa taxa fixa dentro de determinados valores. POLÍTICA DE RENDAS Refere-se a interferência do governo na formação de renda, através do controle e congelamento dos preços. Esse controle sobre os preços e salários é obtido através do combate ao aumento persistente e generalizado nos preços, que é a inflação. As políticas antiinflacionárias brasileiras são o salário mínimo, o congelamento de preços e salários etc. CONCLUSÃO As ações de política monetária, fiscal e cambial têm como finalidade maior alcançar objetivos que tragam benefícios para a população, sendo que tanto o resultados destes objetivos como os reflexos, muitas vezes indesejados, que estas trazem acabam por afetar a vida de todos, empresas e pessoas. Porém é importante saber que o governo, antes da adoção das medidas de política econômica, procura fazer uma leitura do cenário macroeconômico, buscando verificar qual a situação em que se encontra a economia, para traçar um plano de onde espera chegar. Para isto ele utiliza-se de mecanismos de observação da atividade econômica, que são conhecidos como indicadores econômicos. GLOBALIZAÇÃO O conceito globalização surgiu em meados da década de 1980, a qual vem a substituir conceitos como internacionalização e transnacionalização, porém se voltarmos no tempo podemos observar que é uma prática muito antiga. A humanidade desde o início de sua existência vem evoluindo, passou de uma simples família para tribos, depois foram formadas as cidades-estado, nações e hoje com a interdependência de todos os povos do nosso planeta, chegamos a um fenômeno natural, denominado de "aldeia global". Globalização ou mundialização é a interdependência de todos os povos e países do nosso planeta, também denominado "aldeia global". As notícias do mundo são divulgadas pelos jornais, radio, TV, internet e outros meios de comunicação, o mundo assistiu ao vivo e a cores em 11 de setembro, o atentado ao World Trade Center (as torres gêmeas), a invasão americana ao Iraque, quem não assistiu o Brasil penta campeão mundial de futebol. Com toda essa tecnologia a serviço da humanidade, da a impressão que o planeta terra ficou menor. Podemos também observar que os bens de consumo, a moda, a medicina, enfim a vida do ser humano sofre influência direta dessa tal Globalização. Hoje uma empresa produz um mesmo produto em vários países e os exportam para outros, também podemos observar a fusão de empresas, tudo isso tem como objetivo baixar custos de produção, aumentar a produtividade, então produtos semelhantes são encontrados em qualquer parte do mundo. A Globalização analisada pelo lado econômico-financeiro teve seu início na década de 80, com a integração a nível mundial das relações econômicas e financeiras, tendo como pólo dominante os Estados Unidos. Analisando a Globalização podemos destacar o lado positivo como: o intercambio cultural e comercial entre nações, importante para todos os povos, os riscos reais, entre outros. Agora vamos ver o lado negativo: a Globalização é crescente os povos ficam a cada dia mais interdependentes, porém os países desenvolvidos são os maiores beneficiados ficando cada vez mais ricos, enquanto os países em desenvolvimento ficam cada vez mais pobres. Então algumas medidas deverão ser tomadas para tentar mudar este quadro. CRISES ECONÔMICAS A partir de 1997, o mundo submergiu por mais de dois anos em uma seqüência de crises, em que países vinham caindo como peças de dominó. Inicialmente, foi a Tailândia, ainda no primeiro semestre de 1997, passando para a Indonésia, a Coréia do Sul e Hong Kong. Depois de uma pausa, atingiu de cheio a Rússia e, finalmente, o Brasil. Embora estes tenham sido os epicentros, os efeitos da crise foram sentidos em todo o mundo, incluindo a segunda maior economia do planeta, o Japão. Apesar de poder-se distinguir períodos mais agudos, sua origem e natureza são claras: a fragilidade econômica e institucional de países despreparados para a abertura ao fluxo de capitais externos. Em suma, a enxurrada de capitais externos, assim como criou os sonhos, também os destruiu. Mais do que buscar vilões para a crise, é preciso compreender sua natureza, tarefa que ainda cria muitas divergências entre especialistas. As causas são tantas e estão tão interligadas que lançam dúvidas sobre todas as teorias apresentadas. Alguns atribuem a crise ao capitalismo clientelista e à fraquezas fundamentais dos países asiáticos. Outros apontam para a volatilidade dos fluxos de capital internacional e de todo o sistema econômico global. Outros, ainda, dizem que os culpados são os Estados Unidos e o Fundo Monetário Internacional, ou então a venalidade e a incompetência dos governos da Rússia, Indonésia ou de outros países. Ainda cabe muita discussão entre os economistas sobre quais fatores levaram à crise foram inevitáveis, quais foram substanciais e quais foram superficiais. Além disso, há uma impressão crescente de que não exista nenhuma boa resposta à vista e que talvez a crise seja o preço do desenvolvimento econômico. A crescente prosperidade que se tem visto no mundo parece ter tornado irrefreável a tendência de aumento progressivo no fluxo de capitais entre os países. Algumas das principais causas da crise parecem ser, de fato, a própria natureza humana. O fator psicológico vem aumentando o seu grau de importância na explicação para a velocidade de propagação das crises, em uma espécie de “sentimento de manada” que varre os mercados com otimismo ou pessimismo exagerados. Neste contexto, o papel dos reguladores parece secundário. Em momentos de insanidade há pouco o que se possa fazer. De maneira geral, os regulamentadores do mercado estão sempre defasados das inovações e os movimentos de defesa nas ondas pessimistas se tornam não somente imprevisíveis, como irrefreáveis. O fato é que, mesmo após a crise, a recuperação dos países asiáticos parece também ter sido mais rápida, ainda que a um alto custo no curto prazo. Alguns diriam que estes são percalços naturais do sistema econômico e que a crise purifica e renova as energias da economia, preparando a para novo salto. Qualquer que seja a explicação, fica a dúvida sobre se haverá final feliz ao cabo de cada crise e sobre o que poderá acontecer se esta também se propagar pelas economias dos chamados países desenvolvidos. Outra constatação assustadora é a de que ainda não existem mecanismos para conter o desastre. Os governos dos países desenvolvidos não captaram os sinais da catástrofe e a intervenção dos organismos internacionais se mostrou canhestra. Uma atuação preventiva parece incompatível com o espírito que move o mercado, a busca do lucro a riscos calculados. De fato, sempre haverá quem se atraia para boas oportunidades, correndo maiores riscos. A dificuldade reside no fato de que qualquer indício de risco acima do calculado assusta os investidores, que tendem a agir freneticamente. Neste contexto, o papel dos organismos internacionais, que seria o de dar garantias ao mercado sobre o país em questão, já não mais pode ser exercido e a única solução passa a ser a injeção de recursos públicos, já que ninguém mais pode ser convencido a colaborar. Na ordem natural das coisas, quando os ricos sofrem prejuízo, os pobres perdem o emprego. A ação preventiva regulatória, que impediria a ação imprudente das instituições financeiras que acabam “alavancando” demasiadamente os recursos financeiros, sem respaldo na economia real, criando as denominadas “bolhas”, acaba esbarrando nas dificuldades de fiscalização e monitoração, no conflito de interesses e na inexistência de organismos que possam interferir, de fato, na soberania econômica das nações. A visão simplista de tentar reverter a globalização, fechar fronteiras, proibir operações com derivativos, tributar as transações financeiras, entre outras, pode ter o efeito de elevar ainda mais a instabilidade, prejudicando, novamente, as nações menos desenvolvidas.