A religiosidade medieval Idade Média

Propaganda
Baixa Idade Média
As mutações na expressão da religiosidade
O ensino medieval
MUTAÇÕES NA EXPRESSÃO RELIGIOSA
Surto urbano e prosperidade económica da Europa dos séculos XII-XIII
Mundanização da Igreja
Surgimento de seitas religiosas
(heresias)
(Albigenses, Valdenses, etc.)
REACÇÃO DA IGREJA
Ordens Mendicantes:
IV Concílio de Latrão
Franciscanos e
Inquisição
Dominicanos
Confrarias
IV Concílio de Latrão
• O IV Concílio de Latrão foi convocado pelo Papa
Inocêncio III, em10 de Abril de 1213.
• O Concílio iniciou-se a 1 de Novembro de 1215.
• Daí saiu um projecto de reforma eclesiástica que
assentou em quatro pontos fundamentais:
– Organização e centralização de toda a hierarquia eclesiástica,
submetida ao pontífice romano;
– Luta contra o poder laico na Igreja;
– Disciplina do clero;
– Combate às heresias – criação de um tribunal episcopal (a
Inquisição).
Em 1231, o Papa Gregório IX, colocou este tribunal sob a direcção e
controlo directo dos legados pontifícios, criando assim uma instituição
cuja função era “inquirir” e castigar as doutrinas contrárias à ortodoxia.
A expansão do ensino
O renascimento urbano trouxe consigo o
aparecimento de escolas ligadas às
catedrais que progressivamente vieram a
ganhar autonomia, até dar origem às
universidades.
• Escolas monásticas e laicas
• Escolas catedrais
• Universidades (Estudos Gerais)
• No século VI, S. Bento de Núrsia elabora, no Mosteiro de Monte
Cassino, na Campânia (Itália), a regra - regula - que tantos mosteiros
viriam a adoptar.
• Esta regra beneditina recomenda que os monges permaneçam num
mesmo lugar, façam voto de pobreza e de castidade, prestem
obediência ao abade, pratiquem a hospitalidade e a caridade para com
os pobres, trabalhem manualmente de forma a garantir a sua
subsistência, rezem e, mais importante do que tudo, que se dediquem
ao estudo e ao ensino.
• Os mosteiros beneditinos tornam-se assim centros culturais que vão
desempenhar um papel decisivo na história da civilização ocidental.
Fechados no seu scriptorium (a oficina de escrita e iluminura) e nas
suas bibliotecas, os monges copistas, contribuíram de forma decisiva
para salvar do esquecimento as obras literárias da Antiguidade.
• É nos mosteiros espalhados pela Europa, longe do rebuliço das novas
cidades emergentes na Europa, que surgem as Escolas Monásticas
que visam, inicialmente, apenas a formação de futuros monges.
•
Funcionando de início apenas em regime de internato, estas escolas
abrem mais tarde escolas externas com o propósito da formação de
leigos cultos (filhos dos Reis e os servidores também).
• O programa de ensino, de início, muito elementar - aprender a ler,
escrever, conhecer a Bíblia (se possível de cor), canto e um pouco de
aritmética - vai-se enriquecendo de forma a incluir o ensino do latim,
gramática, retórica e dialéctica .
Escolas Catedrais
• Se, até ao século XI, a vida intelectual era praticamente monopólio
da Igreja, a partir do século XII, inaugura-se uma nova fase.
• À margem da sociedade feudal, emerge um novo grupo social, a
burguesia, urbana, mercantil e manufactureira, dedicada à finança,
acumulando riquezas, poder e importância cultural.
• É com o seu apoio que se vai operar a renovação da ideia de
escola, a sua abertura para além das paredes dos mosteiros e
abadias rurais. O ensino literalmente deixa o campo e instala-se
definitivamente nas cidades.
• As Escolas Catedrais (escolas urbanas), saídas das antigas
escolas episcopais (que alargaram o âmbito dos seus estudos),
tomaram a dianteira em relação às escolas dos mosteiros.
Instituídas no século XI por determinação do Concilio de Roma
(1079), passam, a partir do século XII (Concilio de Latrão, 1179), a
ser mantidas através da criação de benefícios para a remuneração
dos mestres, prosperando nesse mesmo século.
• A actividade intelectual abre-se ao exterior, ainda que de forma
lenta, absorvendo elementos das culturas judaica, árabe e persa,
redescobrindo os autores clássicos, como Aristóteles e, em menor
escala, Platão.
Universidades
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•
•
Supõe-se que a primeira universidade europeia tenha sido na cidade
italiana de Salerno, cujo centro de estudos remonta ao século XI. Além
desta, antes de 1250, formaram-se no Ocidente a primeira geração de
universidades medievais. São designadas de espontâneas porque nascem
do desenvolvimento de escolas preexistentes. As universidades de
Bolonha e de Paris estão entre as mais antigas. Outros exemplos são a
Universidade de Oxford e a de Montpellier.
Mais tarde, é a vez da constituição de universidades por iniciativa papal ou
real. Exemplo desta última é a Universidade de Coimbra, fundada em
1290.
Originalmente, estas instituições eram chamadas de studium generale
(Estudo Geral), agregando mestres e discípulos dedicados ao ensino
superior de algum ramo do saber (Medicina, Direito, Teologia). Porém, com
a efervescência cultural e urbana da Baixa Idade Média, logo se passou a
fazer referência ao estudo universal do saber, ao conjunto das ciências,
sendo o nome studium generale substituído por universitas
Aula numa Universidade Medieval,
iluminura do século XIII
(Museu Britânico, em Londres)
As sete Artes Liberais e os Estudos Superiores
As Sete Artes Liberais estão divididas em dois
grupos:
•Trivium: gramática, retórica e dialéctica
(disciplinas que se ocupavam do discurso, da
palavra)
•Quadrivium: aritmética, geometria,
astronomia e música (disciplinas dedicadas ao
estudo da natureza, representadas pelos
números)
 As
sete Artes
Liberais
eram,
nas
universidades da Idade Média, a preparação
indispensável para os estudos superiores.
As Sete Artes Liberais,
figura do 'Hortus
deliciarum' de 'Herrad von
Landsberg' (século XII)
 As disciplinas ditas superiores formavam a
parte central e preparatória do currículo das
universidades medievais, preparando o aluno
para entrar em contacto com as três principais
formações de tais centros de saber: a
Medicina, o Direito e a Teologia (e a Filosofia).
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