A Caminho da Páscoa

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a Caminho da Páscoa
no ano 2017 favorável
A caminho da Páscoa...
com a Quaresma - 2017
No ano favorável…
Discípulos
responsáveis!
Diocese de Viseu
[1]
discípulos responsáveis
a Caminho da Páscoa
no ano 2017 favorável
discípulos responsáveis
A Caminho da Páscoa... com a Quaresma
...no Ano Favorável: 2017
0.Antes de mais… uma explicação
Termina o Jubileu e fecha-se a Porta Santa. Mas a porta da misericórdia do nosso coração
permanece sempre aberta de par em par. Aprendemos que Deus Se inclina sobre nós (cf. Os 11, 4),
para que também nós possamos imitá-Lo inclinando-nos sobre os irmãos. (MM 16 - Carta Apostólica
do Papa Francisco Misericordia et Misera na conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia)
Este caderno de subsídios para o tempo da Quaresma-Páscoa nas comunidades cristãs
quer ser um auxiliar de voo, do voo evangélico dos discípulos de Jesus, sempre mais além do já
feito, mais além de dificuldades, mais além de cansaços. O Espírito em nós é sempre novidade e
surpresa.
Encontraremos dinâmicas, sugestões, textos… tudo para ajudar na caminhada da
misericórdia, junto de Jesus, no nosso mundo concreto:
1. A Rocha dos discípulos. Dinâmica de construção para a Quaresma-Páscoa.
2. Outras sugestões para implementar neste tempo litúrgico, simples de realizar… e de
grande proveito. Experimentem!
3. Textos para aprofundar, de apoio à dinâmica. Breves e profundos, apropriados neste
Ano Favorável na nossa diocese de Viseu.
Tudo ao serviço da melhor dinâmica, a dinâmica divina de proximidade ao ser humano,
como lembra o Santo Padre, e que pode marcar o nosso itinerário para a Páscoa, e intensificar a
cor vital dos nossos ‘aleluias pascais’.
A misericórdia renova e redime, porque é o encontro de dois corações: o de Deus que vem
ao encontro do coração do homem. Este inflama-se e o primeiro cura-o: o coração de pedra fica
transformado em coração de carne (cf. Ez 36, 26), capaz de amar, não obstante o seu pecado.
Nisto se nota que somos verdadeiramente uma «nova criação» (Gal 6, 15): sou amado, logo existo;
estou perdoado, por conseguinte renasço para uma vida nova; fui «misericordiado» e,
consequentemente, feito instrumento da misericórdia. (MM 16)
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1.A Rocha dos discípulos: uma dinâmica de construção
Objetivos
Com esta dinâmica pretende-se:
- concretizar a nossa realidade de discípulos “atingidos” pela Palavra de Deus, e por isso
capacitados e motivados interiormente para uma responsabilidade criativa e comprometida, a
partir da vontade de Deus, discernida como Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus.
- introduzir uma dinâmica concreta do protagonismo da Palavra na vida cristã, e da partilha vital,
que chama à conversão, e ao seguimento de Cristo, e constrói a comunidade eclesial.
Texto evangélico
Os discípulos de Jesus edificam sobre a rocha (cf. Lc 6,47-49). Este texto evangélico pode ser o início
da reflexão e da caminhada da Quaresma.
24«Todo
aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem
prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os
ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
26Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá compararse ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, engrossaram os rios,
sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.»
“Construção” da Rocha dos discípulos
No Primeiro Domingo da Quaresma, colocar em lugar visível e acessível os seguintes elementos,
que, se possível, serão objetos reais. Se for muito complicado, podem ser desenhados ou realizados em
esferovite, cartolina ou outros materiais:
1. Uma “rocha”, com a indicação: “Edificamos sobre a rocha”, ou outra
apropriada.
Em cada domingo, nesta “rocha”, haverá tiras de papel colorido (em número suficiente
para distribuir entre os que celebram a Eucaristia ou passam pela igreja), com a Palavra do
Evangelho, mas apenas as frases mais significativas.
No momento oportuno, na celebração da Eucaristia, serão distribuídas entre os fiéis com
uma adequada motivação a guardar-viver a Palavra de Deus (poderá ser após a homilia, com um
cântico a acompanhar, no final da eucaristia, ou outro momento, que pareça mais oportuno – com fundo
musical). É a Palavra para o caminho, para a vida e para a semana. Também pode distribuir-se no
início ou no fim da sessão da catequese, de uma reunião, da recitação do rosário...
2. Sobre a rocha, colocar uma cruz de cor escura. Pode acrescentar-se panos
escuros sobre ela, nuvens à volta… No caminho quaresmal, estes sinais de escuridão serão
retirados progressivamente, em cada domingo. O momento de retirar os símbolos pode ser o ato
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penitencial da Missa (que poderia ser sempre cantado, acompanhando o gesto da retirada do
elemento), salientando a misericórdia do Senhor, que tudo transforma...
3. A cruz que, progressivamente, ficará mais iluminada. Podem aparecer panos cor de
rosa no quarto domingo da quaresma. No domingo da Páscoa e tempo pascal, tem que se atingir o
máximo ponto de luz, de alegria… iluminação, flores, cores…
Conforme a realidade das diferentes comunidades cristãs, realizar uma partilha simples
sobre a Palavra da semana. Na sessão de catequese, na homilia, em post-it que se colam à rocha…
2.Outras sugestões
- “Todos discípulos”. Tanto na Quaresma como no Tempo Pascal, salientar – sem palavras - o
lema deste ano: na celebração eucarística colocam-se no presbitério pessoas de diferentes idades,
tarefas, etc. Pode ser no momento do Pai Nosso, ou no final da eucaristia, como envio...
- “Espelhos”. Através de diferentes meios, segundo as possibilidades e públicos, realizar uma
“exposição” simples, (imagens, marionetes, canções breves, pessoas caraterizadas de acordo com a
figura bíblica de relevo nesse domingo…), na qual são salientados os diferentes tipos de discípulos
que aparecem nos Evangelhos da Quaresma e Páscoa, sempre em relação com o Mestre.
A sua situação e reações, a sua relação com Jesus, as suas traições, a sua conversão… Jesus,
Mestre, Salvador, Aquele que passa fazendo o bem, atingindo com a sua graça, com o seu Espírito,
o discípulo e os discípulos… Jesus, Caminho de uma vida alternativa: dar a vida por amor. Naqueles
discípulos, nós também revemos a nossa situação pessoal e comunitária, para dar o passo a uma
conversão. Em cada imagem pode aparecer o texto evangélico alusivo ao tal discípulo ou discípula.
E alguma questão aberta sobre ele.
Devem procurar-se tempos para realizar este percurso pela exposição, e motivar
apropriadamente.
No final do “percurso” pelos diferentes discípulos, que poderá estar colocado em painéis,
colocar um último painel que será um espelho real, com um rótulo na parte superior: “Sou um
seguidor de Jesus. Ele conta comigo!”.
(Estes elementos poderão ser registados em fotografia, e enviados para:
[email protected], a fim de serem expostos na página da diocese, mostrando a
sintonia com o Plano Pastoral e sua realização local).
- “Deus próximo nos gestos fraternos”
O Papa Francisco convida-nos a gestos concretos que dão rosto à misericórdia. Realizados com
plena consciência e intencionalidade, desde a interiorização da Palavra, são o melhor fruto da
nossa fé.
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A misericórdia possui também o rosto da consolação. «Consolai, consolai o meu povo»
(Is 40, 1): são as palavras sinceras que o profeta faz ouvir ainda hoje, para que possa chegar uma
palavra de esperança a quantos estão no sofrimento e na aflição. Nunca deixemos que nos roubem
a esperança que provém da fé no Senhor ressuscitado. É verdade que muitas vezes somos sujeitos
a dura prova, mas não deve jamais esmorecer a certeza de que o Senhor nos ama. A sua
misericórdia expressa-se também na proximidade, no carinho e no apoio que muitos irmãos e
irmãs podem oferecer quando sobrevêm os dias da tristeza e da aflição. Enxugar as lágrimas é
uma ação concreta que rompe o círculo de solidão onde muitas vezes se fica encerrado.
Todos precisamos de consolação, porque ninguém está imune do sofrimento, da tribulação
e da incompreensão. Quanta dor pode causar uma palavra maldosa, fruto da inveja, do ciúme e da
ira! Quanto sofrimento provoca a experiência da traição, da violência e do abandono! Quanta
amargura perante a morte das pessoas queridas! E, todavia, Deus nunca está longe quando se
vivem estes dramas. Uma palavra que anima, um abraço que te faz sentir compreendido, uma
carícia que deixa perceber o amor, uma oração que permite ser mais forte... são todas expressões
da proximidade de Deus através da consolação oferecida pelos irmãos (MM 13).
- “No ano favorável… os discípulos dão graças!”
Preparar um espaço “favorável”, onde celebrar momentos comunitários de oração com a
valorização da adoração e ação de graças, motivando para descobrir a história pessoal e
comunitária como tempo habitado por Deus. Aproveitar, por exemplo, a iniciativa do Papa, “24
horas para o Senhor”. No tempo pascal, pode-se realizar a “Via Lucis”, de forma análoga, como é
feita a “Via Crucis”, na Quaresma.
Não é de esquecer a importância do Sacramento da Reconciliação, que faz nascer uma
profunda experiência de gratidão. O Papa lembra-nos na Carta Apostólica Misericordia et Misera,
n. 11:
“O sacramento da Reconciliação precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida cristã;
para isso requerem-se sacerdotes que ponham a sua vida ao serviço do «ministério da
reconciliação» (2 Cor 5, 18) (…) Uma ocasião propícia pode ser a celebração da iniciativa 24 horas
para o Senhor nas proximidades do IV domingo da Quaresma, que goza já de amplo consenso nas
dioceses e continua a ser um forte apelo pastoral para viver intensamente o sacramento da
Confissão”.
- “Discípulos que partilham a experiência pessoal”. Preparação conjunta, com o
sacerdote, das homilias de Quaresma e Páscoa. Partilha de experiência pessoal de encontro com
Cristo, mais do que ideias ou doutrinas.
- “O verdadeiro templo”. Realizar celebrações onde fique mais em evidência a “Igrejacomunidade de cristãos”, para além de delimitações jurídicas, bairrismos, etc.: juntar fiéis de
várias paróquias numa só celebração. Celebração do perdão na Quaresma. Celebração eucarística
festiva na Páscoa.
- “Coração dilatado”. Partilha de fé e comunhão junto das pessoas mais fragilizadas, por
exemplo, nas Instituições e Centros Sociais. Discípulos que encontram outros discípulos. Na
Eucaristia, na oração, e no convívio. Aprendemos uns com os outros… Todos amados, junto do
único Mestre.
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- “Responder”. A Palavra de Deus levanta questões… Os discípulos vivem numa dinâmica
vocacional que se estende à vida toda, e em toda a vida.
Quais podem ser essas questões que nos traz a Palavra? E quais são as nossas respostas?
Eis algumas:
5 março: Mt 4, 1-11
As tentações de Jesus
Eu vivo de toda a palavra que sai da boca de Deus?
Eu vivo, tu vives, nós vivemos…? O que alimenta a nossa vida como comunidade cristã?
12 março: Mt 17,1-9
A Transfiguração
Aproximando-se deles, Jesus tocou-lhes, dizendo: «Levantai-vos e não tenhais medo.»
Escuto Jesus, o Filho amado?
19 março: Jo 4,5-42
A Samaritana
Dialogo com Jesus? Deixo que Ele me revele a minha própria verdade? Conheço o dom que
Deus tem para dar? Que peço a Deus?
26 março: Jo 9,1-41
Cego de nascença
Como foi que os meus olhos se abriram? “E tu que dizes dele, por te ter aberto os olhos?»
2 abril: Jo 11,1-45
Lázaro
Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E
todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre. Crês nisto?
9 abril, Ramos: Mt 26, 14 – 27, 66 Paixão e morte de Jesus
Acredito em Jesus Salvador, no seu amor infinito por mim, até dar a própria vida? Sou
discípulo do crucificado por amor?
16 abril, Páscoa: Jo 20, 1-9
Acredito em Jesus ressuscitado? Que significa Ele na minha vida? O sentimos vivo na nossa
comunidade? Onde procuramos Jesus?
23 abril: Jo 20, 19-31
Tomé
Acreditamos que Jesus está no meio da nossa comunidade?
Encho-me de alegria por ver o Senhor?
30 abril: Lc 24, 13-35
Emaús
Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?
Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?
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7 maio: Jo 10,1-10
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Bom Pastor
Conheço Jesus, Bom Pastor? Como sou eu bom pastor para os irmãos com quem partilho a
vida?
14 maio: Jo 14,1-12
Permanecei em Mim
Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o
Pai. Como é que me dizes, então, 'mostra-nos o Pai’? Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em
mim?
21 maio: Jo 14, 15-21
Enviarei o Espírito da verdade
Acredito que o Espírito Santo está sempre comigo, connosco? Que frutos produz na minha
vida a presença do Espírito Santo?
28 maio: Mt 28, 16-20
Ascensão do Senhor
Vejo e adoro Jesus, ou duvido? Onde O procuro?
Somos discípulos que testemunhamos a alegria do Evangelho, até os confins do mundo,
pelo menos do nosso mundo?
4 junho: Jo 20, 19-23
Pentecostes
Recebo a paz de Jesus, e a comunico?
Somos a comunidade de crentes que responde aos apelos do Espírito Santo? Que apelos
são? Que respostas damos?
3.Textos para aprofundar
Se alguém quer vir após mim…
Um dia, quando orava em particular, estando com Ele apenas os discípulos, perguntou-lhes:
«Quem dizem as multidões que Eu sou?»
Responderam-lhe: «João Baptista; outros, Elias; outros, um dos antigos profetas
ressuscitado.» Disse-lhes Ele: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a palavra e
respondeu: «O Messias de Deus.»
Ele proibiu-lhes formalmente de o dizerem fosse a quem fosse; e acrescentou: «O Filho do
Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores
da Lei, tem de ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.»
Depois, dirigindo-se a todos, disse: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo,
tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me. Pois, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas,
quem perder a sua vida por minha causa há-de salvá-la. (Lucas 9, 18-24)
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1. O cristão, seguidor de Jesus
Tornar-se cristão, hoje como ontem, é em primeiro lugar tornar-se discípulo de Jesus. Um
discípulo caminha no seguimento de um Mestre, assume as suas opções e tenta viver, com outros,
um estilo de vida inspirado nelas.
Ser discípulo significa não se ficar pelas ideias que circulam mas ousar tomar uma posição.
É o que faz Pedro em nome dos discípulos, ao proclamar que Jesus não é apenas mais um profeta,
como diz a multidão, mas que Ele é o Cristo, o Messias de Deus.
Mas ainda não é suficiente. O discípulo é convidado a aprofundar a identidade d’Aquele
que segue. E o caráter messiânico de Jesus não se conforma com os modelos correntes. Ele é
diferente e desconcertante, revelando-se, no Mistério Pascal, caminho de dom e de serviço, e não
de poder e de glória.
Seguir este Messias implica, por isso, comprometer-se em formas de pensar e viver que
podem estar contra a corrente da sociedade. A preocupação com os mais pobres, o perdão, a
generosidade, a recusa da força e das suas estratégias fazem parte do caminho do seguimento.
Nos preceitos que se seguem à profissão de fé de Pedro e às explicações de Jesus, são
sublinhados traços particulares do discípulo que se inscrevem diretamente no seguimento das
escolhas e da identidade de Jesus.
Renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz, perder a vida: estes apelos são demasiado
perturbadores. Pode até perguntar-se se faz sentido viver assim! Não são eles o oposto da nossa
dinâmica natural, do nosso apego a uma vida feliz?
No percurso vital de Jesus, onde estes preceitos se inspiram, o primeiro desafio é o do risco
e da descentralização de si mesmo.
No século I, a cruz não era um objeto devocional, uma joia decorativa ou sinal de pequenos
sacrifícios a fazer para agradar a uma divindade bizarra. Ela evoca a rejeição social e o risco de
morrer. Ela indica aos discípulos que a sua escolha pode valer-lhes a perda da sua boa reputação e
conduzi-los a dar a vida pelo Evangelho. Isto é visível, ainda hoje, através de todos os mártires que
se atreveram no compromisso pela paz, pela justiça, pelo amor, e que pagaram o preço dessa
ousadia, como Jesus.
Este compromisso arriscado vive-se em “cada dia”, expressão que encontramos no Painosso, em Lucas, para o pedido do pão. A renúncia de si é consequência deste risco. Na nossa
cultura, onde a ‘obsessão de si’ reclama muito espaço, o mesmo acontecendo com a preocupação
pela segurança, este princípio surpreende, convidando a ver a existência de outra forma.
O que é que conta numa vida? Encontra-se mais alegria no dar do que no guardar-se, diznos Jesus. Uma vida centrada em si mesmo leva à perda do gosto de viver e da alegria que a
acompanha. Uma abertura a Alguém maior que si próprio, um serviço atento às necessidades dos
outros, com os seus imprevistos e inseguranças, estilhaçam os muros e fronteiras que nos fecham
na banalidade ou na insignificância e são fonte de uma vida em abundância.
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Outro traço do discípulo de Jesus é apresentado desde o início. Lucas mostra-nos Jesus em
oração, o que faz com mais frequência do que os outros evangelistas. A cada momento
importante da sua vida, Jesus retira-se para rezar, da escolha dos discípulos à agonia no jardim.
A oração, a relação com o Pai, pauta a vida de Jesus. Ele que, no entanto, é apresentado
em Lucas como um homem de ações e de relações, extremamente comprometido com as
pessoas. É nesta oração que Jesus encontra o fôlego que mantém vivo o seu amor e o seu dom.
Seria surpreendente que nós, os discípulos, agíssemos de outra forma.
Daniel Cadrin
2. O discípulo à procura
Neste mundo e neste tempo, neste “Ano Favorável”, os discípulos e discípulas de Jesus
continuamos a receber o chamamento de um Deus amoroso, para seguir o seu Filho Jesus,
impulsionados pelo Espírito Santo. Recebemos o chamamento a sermos discípulos e discípulas
hoje.
Mas, como seguir Jesus hoje?
É difícil pensar em sermos discípulos de Jesus e não olhar nos seus olhos, e perguntar-Lhe a
Ele: Como é que eu posso seguir-Te hoje? Como é que eu posso caminhar pelos caminhos sem ter
um lugar onde repousar a minha cabeça? Como é que eu posso tornar-me irmão dos que mais
sofrem, dos que são esquecidos, dos que são “invisíveis”? Como é que eu posso lutar contra tudo
o que humilha e destrói a pessoa humana? Como aprender a chamar a Deus “Paizinho”? Como
transmitir o amor de Deus pai-mãe? Como assumir que o trono de Jesus é a cruz? Como ser
testemunha ressuscitada do Ressuscitado?
Um infinito número de questões levanta-se no coração do crente. Qual será a resposta do
discípulo, da discípula? A resposta não nasce apenas na racionalidade, mas sobretudo no coração.
Porque o discípulo escolhe com o seu coração: “Amarás o Senhor de todo o teu coração…”
Mas o discípulo descobre que seguir Jesus é sempre em comunidade de irmãs e irmãos. O
sopro do Espírito Santo convoca-nos para transmitir um testemunho de fraternidade. Será com
certeza, a partir deste seio comunitário, que se realizará uma caminhada à procura de respostas:
Como ser discípulo hoje!
E acreditamos também numa outra chave fundamental nessa procura de respostas:
colocar no centro da nossa existência e atividade aos preferidos de Jesus, os que estão no coração
de Deus: os pobres, os marginalizados, os excluídos. “O que fizestes a um destes os meus irmãos
mais pequenos, foi a mim que o fizestes…”
José Luis Graus
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3. Cabeça e coração
Os
discípulos de hoje precisamos urgentemente de interiorizar a nossa religião se
quisermos reavivar a nossa fé.
Não é suficiente ouvir o Evangelho “de longe”, distraidamente, de modo rotineiro e
gasto…, sem muitos desejos de escutar. Também não basta uma escuta inteligente preocupada
apenas por perceber. Precisamos de escutar Jesus vivo no mais íntimo do nosso ser. Todos,
pregadores e povo fiel, teólogos e leitores, precisamos de escutar a Boa Notícia de Deus, não a
partir de fora, mas desde dentro. Deixar que as suas palavras façam o caminho da cabeça ao
coração. A nossa fé seria mais forte, mais alegre, mais contagiosa.
José António Pagola
4. Mestre, onde moras?
Jesus será visto e reconhecido pelos seus discípulos como o Servo obediente que escuta a
Deus e ao povo sem cessar, e que carrega nos seus ombros os sofrimentos e doenças de todos,
para lhes oferecer o conforto e a libertação.
Jesus é ao mesmo tempo a Palavra e o perfeito ouvinte. Filho de Deus, vive do amor que
lhe comunica o Pai. E àqueles que faz discípulos ensinará tudo o que escutou como Filho Amado
do Pai e discípulo perfeito, para que sejam, no mundo, o seu rosto, a sua boca, e o seu corpo
oferecido em serviço a todos.
Entrar no caminho de Jesus Cristo para ser o seu discípulo significa entrar na obediência,
no serviço humilde, na sua fidelidade ao Abbá, até a morte de cruz; no seu amor aos irmãos até
dar a vida por eles.
A relação de Jesus com os seus discípulos começa com uma chamada. Jesus convoca a
quem Ele quer, nos mais diversos lugares – junto ao mar, no caminho, na montanha, numa
refeição…-, em circunstâncias diferentes, e com uma proposta bem definida: estar com Ele e
serem enviados a pregar a Boa Notícia. A novidade reside em que é Jesus que chama por própria
iniciativa.
Por tanto, o ponto de partida do discípulo de Jesus é um encontro com Jesus vivo, e isto
pode acontecer em muitos lugares e circunstâncias: através da escuta da Palavra, na mesa da
comunhão, em situações vitais nas quais a mente e o coração humano naufragam; e muito
especialmente, no rosto do outro.
A resposta do discípulo é a sua própria vida, dada e oferecida para que outros tenham vida.
É uma resposta nascida num itinerário de fé, que parte da chamada e encontro com Jesus, passa
pela conversão, segue em fidelidade até à cruz, e dá testemunho da ressurreição, disposto a dar a
vida pelos irmãos. Como o Mestre.
Maria Clara Lucchetti
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Jesus está
no vértice da aspiração humana.
É a meta das nossas esperanças
e das nossas orações.
É o ponto fulcral dos desejos da história
e da civilização.
O Messias,
o centro da humanidade.
Aquele que dá um valor
às ações humanas.
Aquele que dá forma
à alegria e à plenitude
dos desejos de todos os corações.
O verdadeiro homem,
o modelo de perfeição, de beleza e de santidade,
Posto por Deus para personificar o verdadeiro modelo,
o verdadeiro conceito de homem,
o irmão de todos,
o amigo insubstituível,
o único digno de toda a confiança
e de todo amor:
É o Cristo-homem.
E, ao mesmo tempo,
Jesus está na origem de toda a nossa verdadeira sorte.
É a luz pela qual a casa do mundo
toma proporções, forma, beleza e sombra.
É a palavra que tudo define,
tudo explica, tudo classifica,
tudo redime.
É o princípio da nossa vida espiritual e moral.
Dá a força e a graça.
Reverbera a sua imagem e a sua presença
em cada alma que se torna espelho
para acolher o seu raio de verdade e de vida,
de que crê n‘Ele
e acolhe o seu contato sacramental.
É o Cristo-Deus,
O Mestre, O Salvador, A Vida.
Paulo VI
[11]
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