File - Estudo Psicologia

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AULA ESTRUTURADA 1
Unidade de Ensino: Unidade 1- Saúde Mental e Políticas Públicas.
Carga Horária: 20h/a
Objetivos da Unidade: Definir conceitos ligados às políticas públicas e sociais
e sua relação com a psicologia enquanto prática transformadora do sujeito e da
realidade.
Competência: Compreender as bases históricas das políticas sociais e discutir
a inserção do psicólogo nas políticas públicas.
Habilidades: Capacidade crítica de leitura e de discussão das políticas sociais
e da psicologia frente às políticas públicas.
Temas:
A construção histórica das políticas públicas e sociais. Conceitos de políticas
públicas e sociais.
Proposta Metodológica:
As aulas teóricas serão desenvolvidas de forma interativa, com projeção
multimídia, programas de computador, exposição dialogada, discussão e
problematização dos assuntos, trabalhos em grupos, utilização diversificada de
recursos didáticos e audiovisuais, objetivando a construção de espaços
potenciais de ensino-aprendizagem.
As aulas práticas serão desenvolvidas em laboratórios e/ou espaços
específicos à disciplina em questão.
1. Atividade de Aprendizagem teórico/prática – 16h/a
A construção histórica da psicologia social:
O homem é constituído no e pelo social.
Sofre mudanças contínuas que são influenciadas pelo contexto histórico,
político, econômico, social e cultural.
Contexto da produção da psicologia social no Brasil:
1- Progresso da sociologia, antropologia, educação e psicologia;
2- Avanço da psicologia social na Europa e nos EUA;
3- Condições econômicas e demandas sociais de comunidades.
Final do séc XIX:primeiros estudos sobre os fenômenos psicossociais como
movimentos de massa (1895/ Gustavo Le Bon)
1908- Publicação de “Psicologia Social” de Edward Ross.
1921-Publicação de “Pequenos estudos de psicologia” de Francisco José de
Oliveira Viana (temas sobre o meio social e político).
1886- Sylvio Romero (sociólogo, professor e historiador): contribuiu para a
Psicologia Social com suas publicações sobre literatura e manifestações
políticas, econômicas e artísticas. Acreditava numa psicologia dos povos.
1894- Raimundo Nina Rodrigues (médico): a diferença entre povos civilizados e
bárbaros é baseada numa organização cerebral herdada.
1905- Manoel Bonfim (medicina, educação, história, psicologia): estudar um
grupo social analisando o meio no qual está inserido, como também seus
antecedentes. Dirigiu o Laboratório de Psicologia Experimental (RJ) em 1906.
1930-Primeiros cursos superiores em Psicologia Social.
Déc 50- estudos sobre comunicação de massa, violência, papéis sociais.
Déc 60-revolução militar pondo fim à liberdade democrática.
Crise na Psicologia Social relacionada à teoria e metodologia utilizadas:
cognitivismo, experimentalismo como método, individualismo e perspectiva ahistórica (comportamentos sociais como fatos dados). Não abordava a
realidade social e as vivências cotidianas. Não questionava o papel político.
Psicologia Social Clássica:compreensão do comportamento do indivíduo na
sociedade através de causas internas. Psicologia Social reduzida como uma
das áreas da psicologia.
Déc 70: impasses da Psicologia Social enquanto espaço de práticas políticas.
1979- Congresso de Psicologia Interamericana: reconhece a crise e trabalha a
possibilidade de uma Psicologia Social voltada para as condições próprias
década país.
Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO): produção de
conhecimento científico da realidade brasileira - perspectiva sócio-histórica.
Déc 80:Psicologia Social buscou autonomia científica.
Déc 90: preocupação com a imagem do psicólogo junto à população.
A partir de 2000: Psicologia Social mais comprometida com o social e com as
condições de vida das pessoas em determinado contexto.
Buscava conhecimentos particulares e recuperar o indivíduo na sua história e
o indivíduo atravessado pela história de sua sociedade.
Objeto de estudo: relações sociais.
Métodos: pesquisa participante.
Um dos objetivos: indivíduos e grupos passem da condição de sujeitados a
sujeitos transformadores do social.
Dialoga com a sociologia, a antropologia, as ciências política, as ciências da
saúde e a filosofia política.
Psicologia: Políticas Públicas
Atuação do âmbito privado: sujeito e sua relação com o social: processos
coletivos e espaço público
A psicologia é chamada para se posicionar no contexto social brasileiro:
 Representação institucional da psicologia: comprometimento social;
 Intervenções psicossociais.
Objetivo da política: “processar as diferenças entre as pessoas e possibilitar
uma vida em comum” (ROCHA, 2001).
Estado: Políticas públicas:
1. Política econômica
2. Política urbana
3. Política social: garantir condições básicas.
Política social efetiva: acesso aos direitos sociais básicos, elevação da
qualidade de vida, transformação da realidade social.
As 3 linhas de execução das políticas públicas (Demo):
1. desenvolvimento de políticas assistenciais, e não assistencialistas:
geração de emprego e de renda;
2. desenvolvimento de políticas participativas voltadas para a emancipação
do sujeito;
3. intervenção nas desigualdades existentes entre setores e categorias:
direitos das mulheres, das crianças, dos adolescentes, dos idosos, dos
homossexuais, dos negros, e não somente na desigualdade entre ricos
e pobres.
Envolvem: planejamento, gestão, execução, monitoramento e avaliação.
O psicólogo ocupa, frequentemente, a ponta da política pública. Mas ela pode
intervir em todas essas fases, como em:
 diagnósticos de situações, realidades e programas sociais;
 pesquisas qualitativas e levantamento da realidade a ser trabalhada;

avaliações e monitoramento das ações e políticas implantadas;
 planejamento de ações, construção de diretrizes, princípios e ações
voltadas para a formulação de políticas públicas.
Ainda, existem dois tipos de atuações da psicologia no contexto das políticas
sociais:
1-atuação tradicional: trata o sujeito de maneira descontextualizada,
priorizando os processos universais: prática normativa, reguladora e
acomodativa com intervenções padrões que reproduzem o modelo clinico
tradicional. Mesma intervenção independente do contexto e das demandas e
especificidades locais.
2-atuação que busca a gênese dos fenômenos a serem modificados na
realidade sócio-histórica: intervenção com práticas voltadas para a promoção
do sujeito a partir de sua participação e envolvimento nas ações realizadas,
buscando a transformação social. Assim, a psicologia se aproxima das políticas
sociais.
Psicologia nas políticas sociais: possibilita o sujeito escapar da tutela do
estado- emancipação e protagonismo social.
Políticas emancipatórias e participativas x políticas compensatórias e
assistencialistas.
As ações do psicólogo devem ser pautadas nas noções de: igualdade,
comunidade e cooperação.
Linhas da ação:
 intervenção: forma mais tradicional e mais importante. Refere-se ao
atendimento direto ao público: oficinas, encontros, orientações e
encaminhamentos. Prioriza ações coletivas.Objetivo: aquisição de
competências, habilidades pessoais, sociais, políticas; valorização do
protagonismo social e construção da autonomia; incentivar a construção
de projetos de vida.
 Capacitação: refere-se à capacitação de autores sociais: educadores,
agentes de saúde, lideranças comunitárias, técnicos. Objetivo: formação
social e política com novas lideranças que não adotam a mesma postura
tutelar do Estado; autogestão e auto-sustentação de grupos sociais;
inclusão produtiva, trabalhos de geração de renda, economia solidaria e
cooperativismo.
 Articulação: trabalhara questões relacionadas à articulação entre os
diversos setores e entre diferentes atores. Objetivo: possibilitar a
intersetorialidade, fortalecer os atores da sociedade civil.
 Informação e comunicação: refere-se à informação como instrumento
que diminui as vulnerabilidades sócias. É desenvolvida pela formulação
de diagnósticos, pesquisas e coletas de dados que servem para discutir
a realidade social. As informações são sobre: mapeamento e programas
e serviços oferecidos à população, direitos sociais. Resgate da historia
da comunidade, dos grupos e entidades; resgate da identidade e cultura
locais, fortalecendo o sentimento de pertencimento.
Psicologia nas políticas públicas: avançar na busca da democracia, da
igualdade, da cidadania; dialogar com a teoria e a prática levando em
consideração o contexto social.
Pobreza: repressão do acesso às vantagens sociais, não apenas como
carência material.
Pobreza sócioeconômica: carência material imposta do bem estar social:
fome, favela, desemprego, mortalidade infantil (indicadores sociais).
Pobreza política: dificuldade do pobre superar a condição de objeto
manipulado para atingir a de sujeito consciente e organizado em torno
de seus interesses.
Política social: retoma o problema das desigualdades sociais.
Do ponto de vista do grupo dominante: tática de desmobilização e
controle.
Estado: instância delegada de serviço público. Não importa seu tamanho
ou sua presença, e sim a quem ele serve.
Desenvolvimento: oportunidade através da educação.
Política social no contexto capitalista subdesenvolvido: alcance limitado
e não ultrapassa a lógica do sistema.
Política social: proposta planejada de enfrentamento das desigualdades
sociais ou esforço e redução destas.
Desigualdade tem um caráter histórico –estrutural: Inventada pelo
capitalismo. Só pode ser suprimível na história se atuar em sua causa
(modo de produção capitalista).
Será que é preciso haver desigualdades para haver políticas sociais?
A história é dinâmica, desigual e conflituosa.
A política social supõe planejamento e percepção de que é possível
intervir no processo histórico. “Não se pode enfrentar a pobreza sem o
pobre”.
Se no capitalismo a regra é a exploração do trabalho alheio, é possível
uma política social efetiva?
Se considerarmos que a desigualdade se enfrenta a partir dos desiguais,
podemos pensar em política social.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a
moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e
à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Cidadania:
Latim civitas – “cidade”
Conceito que teve origem na Grécia, sendo usado para designar os direitos
relativos ao cidadão “aquele que vive na cidade) e participara das decisões
políticas.
Pressupõe todas as implicações decorrentes de uma vida em sociedade, como
os deveres.
Ao longo da história, o conceito de cidadania foi ampliado:
 Conjunto devalores sociais que determinam o conjunto de deveres e
direitos de um cidadão;
 Direito de ter direitos e deveres.
“O sentido de viver criativo: reflexões sobre a trajetória de vida da líder
Valdete Cordeiro, do Alto Vera Cruz”. Adriana Dias Gomide.
Pesquisa realizada com o método história de vida: fatos passados são
narrados, novos sentidos e novas significações são formados.
Uso abusivo de antidepressivos e ansiolíticos x expressão corporal e cantigas
de roda (Meninas de Sinhá).
Grupo “Meninas de Sinhá”: nova identidade, reconstrução da auto-estima
Espoliação das lembranças: famílias pobres e a sedimentação do passado.
Desenraizamento X resgate da cultura.
Grupo como espaço de reconhecimento, busca de sentido, forma de
enfrentamento das desigualdades sociais.
Brincadeira: possibilidade de construção de uma outra história.
Obrigação X direito
Cidadania: construída num processo de conscientização e prática simultâneas.
Relação entre indivíduo e território= Qualidade de vida
“Território e Trabalho: condições e limites para as ações do sujeito
social”.
História de vida: possibilidadede de apreender o vivido, negociar as condições
sociais que lhe são particulares.
Práticas que possibilite o exercício político e a transformação do lugar social e
espacial X práticas que aumentam a vunerabilização e desigualdade (regula
modos de participação)
Processo de constituição do sujeito social: aquele que emerge quando um
grupo nomeia-se como “nós” e reconhece seu pertencimanto comum; exigencia
do sujeito; interrogações do sentido.
A história se inscreve no espaço que é um espaço social, por meio de conteúdo
a ele agregado pelos atores que ali se inscrevem.
O espaço se transforma, assim, em território. Precisa ser compreendido a partir
de seus atores e de sua história.
O sujeito social é marcado pelos lugares onde movimenta de diferentes formas.
O espaço é anterior ao território. O território se forma a partir do momento em
que o espaço sofre a ação do homem.
Entre o espaço e o território, encontramos a cidade e a cidadania.
2. Atividade de Aprendizagem Orientada – 4h/a
Atividade em sala de aula. Deverá ser realizada individualmente e
discutida coletivamente.
Questões:
1-Defina políticas públicas.
2-O trabalho do psicólogo no consultório particular pode ter uma
dimensão política?Justifique.
3-“Toda relação social é uma relação política”. Justifique.
4-Será que é preciso haver desigualdades para haver políticas
sociais?
Avaliação:
Qual a importância da atuação do psicólogo nas políticas públicas?
Responda as seguintes questões referentes à discussão dos textos: “O
sentido de viver criativo: reflexões sobre a trajetória de vida da líder
Valdete Cordeiro, do Alto Vera Cruz” e “Território e Trabalho: condições e
limites para as ações do sujeito social”.
1- Como a problemática do uso abusivo de medicamentos pelas mulheres
rendeiras do Alto Vera Cruz foi resolvida?
2- Qual o papel da brincadeira no grupo de cantigas Meninas de Sinhá?
Quais os efeitos da proposta desse grupo na subjetividade dessas
mulheres?
3- Articule os seguintes conceitos à narrativa do Grupo de Cantigas
Meninas de Sinhá: “cidadania”, “território”, “trabalho”, “sujeito social”.
Bibliografia:
SAADALLAH, Marcia Mansur. A psicologia Frente às Políticas Públicas. In:
MAYORGA, Claudia e PRADO, Marco.Aurélio.Máximo. (Orgs.). Psicologia
Social - articulando saberes e fazeres. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
CARVALHO, Alysson Massote. Políticas públicas. Belo Horizonte: UFMG,
Pró-Reitoria de Extensão, 2002. 142p. ISBN 8570412932.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice: o social e o politico na
pos-modernidade. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1996. 348p. ISBN 8524905786
(Broch.)
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