http://www.kaosenlared.net/noticia/katyn-a-grande-intriga Katyn, a grande intriga “Após a aniquilação do nazismo pelo Exército Vermelho, Katyn vem sendo usada para difamar o socialismo e tentar diminuir a importância da URSS na guerra”.O genocídio nazista é desmascarado. Luiz Carcerelli A morte recente do presidente da Polônia, Lech Kaczynski, e outras 96 pessoas, num acidente aéreo em 9 de abril, deu aos reacionários de plantão pelo mundo mais um gancho para trazer à tona intrigas e difamações contra a União Soviética e Stalin. Acontece que a comitiva se dirigia a Katyn, localidade próxima de Smolensk, na Rússia, para prestar "homenagens" a supostas vítimas polonesas dos serviços secretos do Exército Vermelho. Imediatamente o monopólio dos meios de comunicação do mundo todo ressuscitou o caso, do qual se falou mais até do que da morte do presidente polonês. O massacre de Katyn ficou assim conhecido através de uma intriga nazista que data de 1943, quando acusaram o Exército Vermelho de ter executado com tiros na nuca a cerca de 10 mil poloneses, principalmente militares. Os nazistas anunciaram uma "investigação" no território ocupado por eles, com a ajuda de um governo títere e de uma Cruz Vermelha coagida e enquadrada, para chegarem a conclusão de que não foram eles, e sim os soviéticos que cometeram tal atrocidade. Para entender Katyn é necessário entender primeiro o papel desempenhado pela Polônia no panorama europeu e o Pacto de Não-Agressão assinado pela URSS e a Alemanha nazista. A Alemanha, que saiu destroçada da Primeira Guerra Mundial, foi reerguida e rearmada pelos países imperialistas e tinha propósitos expansionistas, principalmente contra a URSS e o socialismo. No entanto, sabia que consolidar uma posição forte na Europa era fundamental e abrir uma guerra com dois fronts seria suicídio. A URSS, por outro lado, não tinha dúvidas que um ataque nazista a seu território era questão de tempo e por mais que as contradições interimperialistas estivessem se agravando era ela, a pátria do socialismo, o inimigo jurado de todas as potências imperialistas. Sabia que em caso de agressão nazista deveria contar apenas com suas próprias forças e ter uma estratégia precisa, pois os possíveis aliados esperariam um desgaste das duas partes antes de intervir. Tais suspeitas se confirmaram com a demora da abertura da segunda frente iniciada com o desembarque da Normandia, já no fim da guerra. A URSS Precisava de tempo para se preparar política, econômica e militarmente para o confronto inevitável. Não por acaso a diplomacia revolucionária soviética trabalhou arduamente toda a década de 1930 por um acordo de não-agressão com a Inglaterra, França e inclusive com a Polônia, acordo jamais realizado. Em 23 de agosto de 1939, o Pacto de Não-Agressão entre a URSS e a Alemanha é assinado e até hoje reacionários e oportunistas de todos os matizes acusam a URSS de ter dado a senha para o início da guerra. O que esquecem de se referir é que teria sido suicídio não se preparar para enfrentar a Alemanha armada até os dentes e que todas as potências imperialistas olharam para o outro lado, tanto no caso da Polônia como da Tchecoslováquia, Bulgária, etc., até que os nazistas desfilaram em Paris. Com o Pacto, a URSS entrou em um esforço monumental em que fábricas foram mudadas de lugar, armas foram aperfeiçoadas e produzidas em massa, estradas abertas e o principal, massas foram preparadas política, ideológica e militarmente para enfrentar o inimigo. O fato é que o Pacto permitiu a preparação e a ordem de resistir até o último homem em Moscou, Leningrado e Stalingrado, sendo essas as duas pedras fundamentais da vitória sobre o nazi-fascismo. Não é de se estranhar que sejam justamente elas que mais queixas e lamúrias levantem da reação. Neste cenário a Polônia desempenhava papel fundamental: era a única barreira entre a Alemanha e a URSS, Hitler queria ocupá-la prontamente e a necessidade de criar ali a primeira linha de defesa do território soviético também era premente. Ademais, o pacto estabeleceu que a URSS ocuparia apenas o território com maioria da população ucraniana, bielorrussa e russa, que então compunham a união das nações soviéticas. A guerra se desenvolveu rapidamente e em 1941 parte significativa do território soviético já estava ocupado, incluindo a região de Smolensk, onde se situava Katyn. Em 11 de abril de 1943, autoridades nazistas começam a difundir a patranha de Katyn. Afirmando que haviam descoberto, dois meses antes, covas coletivas com cerca de 10 mil oficiais poloneses assassinados pelos soviéticos, supostamente em 1940. Surpreende o fato de tal "descoberta" bombástica ter sido feita apenas dois meses após a derrota dos nazistas em Stalingrado e o conseqüente início da contra-ofensiva soviética. O que ocorreu em 1919, no fim da 1ª Guerra Mundial, estabeleceu-se a chamada "Linha Curzon", que delimitava a fronteira entre a Polônia e a jovem pátria proletária. Insatisfeitos, os poloneses se aproveitaram da fragilidade militar dos revolucionários russos e avançaram a oeste da linha, tomando grande extensão do território russo. Em 17 de janeiro de 1939 a URSS ocupou o território a oeste da Linha Curzon e imediatamente iniciou a distribuição de terras aos camponeses, implementando também outras medidas populares e democráticas. Durante a batalha para retomar estes territórios, 10 mil oficiais e soldados poloneses foram feitos prisioneiros de guerra, sendo utilizados na construção de estradas, etc. Durante a invasão nazista à URSS em 1941, a Ucrânia foi ocupada muito rapidamente e não houve tempo para a evacuação de todos os prisioneiros, razão pela qual os poloneses se converteram em prisioneiros de guerra alemães. Eis que em abril de 1943 os alemães anunciam a descoberta das fossas com as vítimas do massacre, atribuindo as mortes aos soviéticos num momento crucial da ofensiva do Exército Vermelho. Não é difícil imaginar o que houve com os prisioneiros poloneses, mas mesmo assim ainda há testemunhos que confirmam a morte dos poloneses pelas mãos dos carrascos hitlerianos. Maria Alexandrovna Sashneva, professora de uma escola primária local, declarou a uma comissão especial organizada pela União Soviética em setembro de 1943, imediatamente depois de o território ser libertado dos alemães, que em agosto de 1941, dois meses depois da retirada soviética, o que lhe disse um prisioneiro polonês fugitivo. Seu nome era Juseph Lock e relatou dos maus tratos sofridos sob a ocupação alemã: "Quando os alemães chegaram, se apoderaram do campo de prisioneiros poloneses e estabeleceram um regime estrito. Os alemães não consideravam os poloneses como seres humanos. Os oprimiram e humilharam de todas as maneiras possíveis. Disparavam nos poloneses sem motivo algum. Ele decidiu fugir..." Outros relatos revelam as pressões sofridas pelas "testemunhas" do massacre. Parfem Gavrilovich Kisselev, habitante da região de Katyn, foi preso torturado e obrigado a assinar um documento onde dizia ter testemunhado a execução dos poloneses pelos soviéticos. Quando pensava que o pesadelo havia acabado, foi novamente obrigado a testemunhar perante uma comissão polonesa, mas não confirmou a versão nazista e de novo foi preso e surrado, até que repetisse a história ditada pelos carrascos alemães. Muitos confirmaram o depoimento de Kisselev e um exame confirmou as torturas a que foi submetido. Outros testemunhos dão conta de que seria impossível, no estado que se encontravam os corpos, que os mesmos estivessem enterrados por três anos, como diziam os nazistas. Os cadáveres não estavam decompostos, como seria de se esperar de uma vala comum, mas com partes bastante íntegras e mantinham os membros quando eram puxados para a superfície sem nenhum cuidado. Por fim, até o próprio Goebbels em mais de uma oportunidade deixaria registrado que tudo não passava de propaganda contra a URSS. Em seu diário, ele escreveu em 18 de maio de 1943: "desgraçadamente a munição alemã foi encontrada em Katyn. É fundamental que este incidente se mantenha em segredo. Se for conhecido pelo inimigo todo o assunto de Katyn terá que ser abandonado." A correspondência secreta A campanha difamatória sincronizou a imprensa nazista e a imprensa polonesa colaboracionista e é bastante esclarecedor acompanhar a correspondência entre Stalin e Churchill1 neste período. Em 21 de abril Stalin escreveu "... A campanha de difamação contra a União Soviética, iniciada pelos fascistas alemães, a respeito do extermínio, por eles, dos oficiais poloneses na zona de Smolensk, em território ocupado pelas tropas alemãs, foi imediatamente acolhida pelo governo do Sr. Sikorski e alçada por todos os meios pela imprensa oficial polonesa. O governo do Sr. Sikorski, não só não fez nada frente a essa calúnia fascista contra a URSS, como nem sequer achou necessário dirigir-se ao governo soviético para pedir explicações ..." Stalin comenta então que os dois governos, nazista e polonês, chamaram a Cruz Vermelha para participar da investigação, que se viu obrigada a fazê-la em um regime de terror. Comenta ainda que a forma sincronizada como tal campanha foi iniciada indicava a existência de acordo entre os dois governos. Finaliza a carta afirmando que o governo soviético concluiu pela necessidade de romper relações diplomáticas com o governo polonês no exílio. No dia 23 Churchill responde "... Nos oporemos energicamente, está claro, a uma ‘investigação' da Cruz Vermelha Internacional ou de qualquer outro organismo em território dominado pelos alemães. Uma investigação deste gênero seria uma enganação e seu veredito seria obtido por intimidação. Mr. Eden se reunirá hoje com o Sr. Sikorski para pedir-lhe que renuncie a dar apoio moral a uma investigação feita sobre a proteção dos nazistas. ..." Churchill passa então a falar da "posição difícil" de Sikorski, que se ele fosse substituído poderia ser pior, e a tentar convencer Stalin a não romper relações. Sem dúvida, manter relações com governos reacionários era importante para Churchill e a difamação da URSS em nada lhe atingia, ao contrário. Mas para a URSS, manter relações com o governo reacionário polonês era, no mínimo, admitir a possibilidade de culpa. Assim sendo, em 25 de abril Stalin, em um curto bilhete, agradece o envolvimento de Churchill, mas afirma que já havia tomado as providências para o rompimento. Nas cartas seguintes, datadas de 25 e 30 de abril, Churchill demostra seu caráter dúbio. Afirma que existiam diferenças entre as posições polonesas e nazistas, que os poloneses haviam inquirido os soviéticos sobre o assunto e que após enérgica intervenção britânica Sikorski havia se comprometido em não insistir em que a Cruz Vermelha fizesse a investigação. Logicamente tais iniciativas eram apenas de fachada, uma vez que o estrago já estava feito e os nazistas não parariam por causa dos protestos do governo títere da Polônia. Churchill repassa uma petição do governo polonês para que seja autorizada a saída de poloneses em território russo e iraniano para sua incorporação no exército. Insiste ainda no problema do rompimento de relações estre a URSS e a Polônia e se compromete a "chamar à ordem e à disciplina" "a imprensa polonesa em Londres, que obviamente também participava da campanha difamatória". Afirma ainda que "... Até agora tem sido uma vitória de Goebbels. Este se inclina atualmente com o maior zelo à idéia de que a URSS organizará um governo polonês em território russo e só negociará com ele. Nós, naturalmente, não poderíamos reconhecê-lo e seguiríamos mantendo relações com Sikorski ..." Stalin responde em 4 de maio afirmando que até a data da carta a campanha difamatória não havia encontrado resistência em Londres, que julgava desnecessário desmentir a articulação de um governo polonês em território russo e que o governo soviético nunca havia imposto obstáculos à saída de soldados poloneses da URSS. O fato é que ao desfraldar a patranha de Katyn, Hitler prestava um grande serviço a seus colegas imperialistas. Tentava vender a imagem de que os comunistas eram tão ruins como os nazistas. De fato, após a aniquilação do nazismo pelo Exército Vermelho, Katyn vem sendo usada para difamar o socialismo e tentar diminuir a importância da URSS na guerra. Não por acaso, em 2009 estreou o filme Katyn, do polonês Andrzej Wajda, requentando a intriga nazista. Porém, apesar de filmes sobre a Segunda Guerra terem rendido muita bilheteria para Hollywood, quer enaltecendo a invasão da Normandia, quer tentando "queimar o filme" da URSS, o papel destacado do povo dos sovietes liderados pelo Marechal Stalin é indelével. Seguirá sempre nas mentes e nos corações dos povos como a lição de bravura e desprendimento de um povo para derrotar a besta mais reacionária que já surgiu. http://www.mariosousa.se/Tratadodenaoagressao.html 23 de Agosto de 1939: O Tratado de Não Agressão Mútua entre a União Soviética e a Alemanha Para mais de 60 anos leva o Tratado de Não Agressão Mútua entre a União Soviética e a Alemanha em Setembro de 1939, também conhecido como Tratado Molotov-Ribbentrop. Este Tratado tem sido deturpado e utilizado na guerra fria das potencias ocidentais para desinformar sobre a política da União Soviética, tentando os desinformadores transformar este país num aliado da Alemanha nazista. Estas campanhas de desinformação continuam ainda hoje com toda a força embora a União Soviética já não exista e os jornais da burguesia tenham dado o comunismo por morto milhares de vezes. Mas a verdade é que o comunismo está bem vivo! O que se pretende com as campanhas contra a União Soviética é combater as simpatías comunistas existentes nas classes trabalhadoras do mundo em que vivemos e defender as injustiças do capitalismo. Por esta mesma razão é importante dar ao público a história do passado e as circunstâncias em que o Tratado de Não Agressão Mútua foi assinado. Europa em 1939 A situação da Europa de 1939 era dominada por uma grande tensão política e militar, provocada pelos ataques militares e as ocupações feitos pelos países fascistas durante este decénio. Em Outobro de 1935, a Itália fascista invadiu a Abissinia (Etiopia), que foi totalmente ocupada pelos italianos em 1936 depois de grandes massacres contra a população. Em 1936, em Espanha, os fascistas iniciaram a guerra civíl contra o povo espanhol, que vieram a ganhar dois anos mais tarde depois de receberem uma ajuda militar massiva da Itália fascista e da Alemanha nazista. Em 1936 a Alemanha assinou com o Japão o chamado Pacto Anti-Cominterne contra a União Soviética, um pacto ao qual a Itália se juntou pouco tempo depois. Em Março de 1938 a Alemanha nazista anexou a Áustria que deixou de existir como país independente. A traição à Checoslováquia A próxima vítima dos nazistas alemães foi a Checoslováquia. Em Maio de 1938 Hitler concentrou as tropas alemãs na fronteira com a Checoslováquia e exigiu que fossem entregues à Alemanha todos os territórios da Checoslováquia onde existia população de língua alemã. Nestes territórios, os chamados Sudetas, estavam concentradas todas as defesas militares checoslovacas contra intervenções vindas do ocidente, da Alemanha, e a sua perda significaria deixar a passagem livre a uma invasão alemã. A União Soviética, que tinha um pacto de ajuda mútua com a Checoslovaquia, mobilisou nessa altura 40 divisões das suas tropas para defesa da Checoslováquia, para a fronteira soviética com a Polónia e propôs à França para mobilisar as suas tropas para a fronteira com a Alemanha. A França tinha uma aliança militar com a Checoslováquia e a defesa deste país ficava assim perparada em duas frentes. Mas a França traiu o seu aliado. Em 29 de Setembro de 1938 em Munique, na Alemanha, foi assinado um tratado pela França, Inglaterra, Alemanha e Itália que deu à Alemanha o direito de ocupar e anectar os Sudetas. A ocupação foi feita passados alguns dias sem resistencia militar da Checoslováquia, depois deste país ter recusado a ajuda militar da União Soviética. (pouco depois e com a autorização de Hitler, a Polónia e a Ungria onde a reação tinha o poder, ocuparam partes da Checoslovaquia no Teschen e na Slovaquia.) Qual “Paz no nosso tempo”? Quando da sua chegada a Inglaterra, depois da assinatura do tratado que entregava os Sudetas aos nazistas o primeiro-ministro inglês Chamberlain proclamou a célebre ”Paz no nosso tempo”. No aeroporto acenou às multidões à sua espera com um papel, uma declaração de paz entre a Alemanha e a Inglaterra, assinado por ele mesmo e Hitler. Esta ”Paz”, era garantida para todo o futúro! Esta declaração de não agressão, um tratado de não agreção entre a Alemanha e a Inglaterra, tinha sido porposta por Chamberlain a Hitler e assinada no dia seguinte ao Tratado de Munique, em 30 de Setembro de 1938, por Chamberlain e Hitler no apartamento de Hitler. A declaração estipulava que ”os dois povos (alemão e inglês) nunca mais entrariam em estado de guerra” e que ”todas as questões entre os dois países se resolveriam através de conversações”. Pensa-se por vezes que o papel que Chamberlain mostrou às multidões à sua espera foi o Tratado de Munique e que a ”Paz no nosso tempo” se referia a uma paz para toda a Europa. Assim não foi, o papel era o tratado de não agressão entre a Inglaterra e a Alemanha, e a paz, uma paz para a Inglaterra. Como de costume o Império Britânico reservava-se um posição à parte, deixando os problemas para outros. Não à politica soviética de segurança coletiva A traição da França é também digna de se notar. Embora a França tivesse uma aliança militar com a Checoslováquia para a defesa mútua no caso de agressão alemã, o governo checoslovaco nunca foi consultado sobre a divisão do país ou convidado a participar nas conversações de Muníque. Na realidade o único que foi premitido aos representantes do governo checoslovaco foi esperar pelos resultados fora dos locais das conversações, onde mais tarde lhes foi entregue o documento com os resultados da traição da França e da Inglaterra. A União Soviética, que também tinha um tratado de ajuda militar com a França e era uma das grandes potencias militares da Europa, não foi convidada a participar nas conversações de Munique. A razão era de que a União Soviética queria uma politica de segurança colectiva para todos os países da Europa e por várias vezes tinha propôsto uma frente antifascista para pôr fim à politica de guerra de Hitler. A proposta de uma frente antifascista era totalmente oposta à política dos países ocidentais de colaboração com Hitler e Mussolini. Tratado de não agressão entre a França e a Alemanha Em Dezembro do mesmo ano de 1938 a França seguiu o exemplo da Inglaterra e assinou também uma declaração mútua de não agressão com a Alemanha. Estes acordos de paz e não agressão feitos pela França e Inglaterra com Hitler isolaram a União Soviética como defensora da luta antifascista e como única oposição militar a Hitler. Mas apesar do Tratado de Munique e das declarações de não agressão, as potencias ocidentais foram todas envolvidas numa guerra mundial. Na realidade a expansão nazista não tinha sido planeada para terminar nos Sudetas. Isso era só a ilusão a que a França e a Inglaterra se queriam agarrar. Os nazistas queriam o mundo inteiro. Em 15 de Março de 1939 os alemãs quebraram os acordos de Munique, invadiram e ocuparam a Checoslovaquia, e dividiram o país em dois protectorados alemães, a Bhoemia e a Moravia, e um estado às suas ordens, a Eslovaquia. A Checoslovaquia deixou assim de existir. Uma semana depois a Alemanha ocupou a região da cidade de Klaipeda (Memel) na Lituânia e apresentou novas reinvidicações territoriais, desta vez com respeito à Polónia. Os nazistas exigiam que o chamado “corredor polaco”, uma região entre a Prussia oriental e o resto da Alemanha, a única saída da Polónia para o mar, fosse integrada na Alemanha. França e Inglaterra contra a União Soviética A guerra da Alemanha nazista contiuava para oriente na direção da União Soviética. Já em 1925 Hitler tinha indicado no seu livro Mein Kampf que a Alemanha debaixo do regime nazista teria como fim destruir o comunismo e conquistar novas regiões para a Alemanha nos territórios da União Soviética. Mas entre Hitler e a União Soviética estava a Polónia, um estado com uma aliança de defesa com a França e a Inglaterra. O risco de um grande conflito com várias potencias de grande poder militar envolvidas tornou-se um facto. O facto é de que seria impossivel para os políticos francêses e inglêses entregar a Polónia à Alemanha nazista como tinham feito com a Checoslováquia. Depois da traição em Munique contra a Checoslovaquia, a situação política interna nos países ocidentais tinha-se modificado radicalmente, de tal maneira, de que no caso de se efectuar uma agreção alemã contra a Polónia, os chefes politicos em França e Inglaterra seriam obrigados a intervir para não ficarem totalmente desacreditados ante os seus povos. Por outro lado, se os governanter na França e na Inglaterra pudessem transformar os acontecimentos numa situação em que a União Soviética como única potencia fosse obrigada a defender a Polónia e enfrentar a Alemanha nazista, os politicos do ocidente poderiam evitar a crítica do povo dizendo que o conflito era um ajuste de contas entre “dois países não democráticos”. Foi esta táctica que os governos francês e inglês se dicidiram a empregar no seus desígnios de fazer a Alemanha nazista atacar a União Soviética. O Japão invade a Mongólia Ao mesmo tempo que estes acontecimentos se passavam no ocidente verificavase uma situação muito grave na fronteira oriental da União Soviética. Em 1931 o imperialismo japonês tinha invadido a Manchuria e transformado esta região do norte da China numa colónia japonêsa, da mesma maneira que a Koreia foi transformada em colónia em 1910. A Manchuria foi utilizada para novas agressões. No verão de 1937 o Japão invadiu o norte da China e atacou Shanghai com um exército de 100.000 homens. Depois disto a ameaça dos imperialistas japonêses voltou-se contra a cidade de Vladivostok, na costa soviética do pacífico e contra a república da Mongólia com a qual a União Soviética tinha uma aliança militar. Em Maio de 1939 iniciou-se a invasão japonêsa da Mongólia na zona do rio Chalchin-Gol. A União Soviética veio em defesa do seu aliado, e no final de Agosto de 1939, depois de quatro mêses de guerra atróz, os japonêses foram totalmente vencidos e obrigados a retirar com pesadas baixas. Nova proposta soviética Durante o decénio de 1930 a União Soviética lutou firmemente para que todos os países que eram contra o fascismo e o nazismo se unissem num sistema de segurança coletiva para pôr fim a todos os planos de guerra. Dois dias depois da tomada de Praga pelos alemães, em 17 de Abril de 1939, quando a realidade já tinha mostrado aos povos do mundo a inutilidade de tratados que não impunham condições aos fascistas e nazistas, a União Soviética propôs mais uma vez um acordo militar à França e à Inglaterra para aliança contra a Alemanha. Uma opinião pública muito grande nos países ocidentais apoiava esta proposta. Num inquérito feito no verão de 1939 em França verificou-se que 76% dos francêses eram a favor do uso da força contra a Alemanha se este país invadisse a Polónia, e 81% apoiavam uma aliança entre a França, a Inglaterra e a União Soviética. Em Inglaterra a opinião pública era neste caso ainda maior, sendo 87% a favor duma aliança com a França e a União Soviética. Este factor foi importante na situação política da Europa ocidental. Em 25 de Julho de 1939 os governos francês e inglês foram obrigados a aceitar um proposta soviética de conversações para uma aliança militar entre os três países. Nesta altura o exército alemão já tinha concentrado uma grande parte das suas tropas na fronteira polaca e o risco de guerra crescia sem parar. Os coroneis polacos no governo respondiam a estes preparativos de invasão dizendo que o exército polaco podia vencer qualquer invasão, viesse ela do ocidente ou da União Soviética. A União Soviética nunca tinha ameaçado a Polónia, sendo a declaração dos coroneis polacos para os ouvidos nazistas. Os coroneis queriam mostrar de que lado estávam, esperando assim que fosse possivel chegar a um acordo com Hitler. Proposta alemã para acordo de não agressão No dia 26 de Julho de 1939, o dia seguinte à resposta positiva dos governos francês e inglês, o governo da União Soviética foi contactado pelo governo alemão com uma proposta de conversações para negociar um acordo entre os dois países. A União Soviética não deu resposta à proposta alemã, sendo novas propostas enviadas à União Soviética nas semanas seguintes, com termos sempre mais favoráveis à União Soviética. Entre outras coisas a Alemanha considerava agora que os estados bálticos eram parte da esfera de influencia da União Soviética e que as tropas alemãs não seriam estacionadas nesses países. Isto referia ao facto de que a Alemanha tinha ocupado a cidade porto de Klaipeda (Memel) na Lituania, o que a União Soviética considerava como uma ameaça para a sua segurança. 18 dias para chegar a Moscovo! As negociações entre a União Soviética, a França e a Inglaterra iniciaram-se finalmente em 12 de Agosto de 1939, no mesmo dia que as delegações francêsa e inglêsa chegaram a Moscovo. É interessante observar que numa situação internacional em que o perigo da explosão de uma grande guerra na Europa aumentava todos os dias, as delegações francêsa e inglêsa levaram 18 dias a chegar a Moscovo! Não há dúvida de que este atraso foi uma parte da táctica das potencias ocidentais para empatar as negociações e provocar uma situação em que a União Soviética sózinha seria obrigada a enfrentar uma guerra com a Alemanha nazista. No tom ameaçador de Hitler para com a Polónia, podia-se fácilmente compreender que a invasão estava para breve. O único que teria podido pôr fim aos planos conquistadores de Hitler era uma aliança imediata da União Soviética, França e Inglaterra, seguida de grande concentração de tropas desses países nas fronteiras da Alemanha. Mas a França e a Inglaterra não tinham pressa. Sem poderes para negociar! Quando as negociações das três potencias se iniciaram em Moscovo no dia sábado 12 de Agosto de 1939, verificou-se que as delegações francêsa e inglêsa eram chefiadas por diplomatas de categoria inferior (o general francês Doumenc e o ajudante do rei inglês, o almirante Drax) que não tinham recebido dos seus governos os poderes necessários para negociar e assinar um aliança militar ou qualquer outros pactos com a União Soviética! Isto causou grande admiração e transtorno entre os componentes da delegação soviética. Qual era na realidade o intenção da ida a Moscovo de delegações sem poderes para negociar e assinar uma aliança militar? A delegação soviética, que era chefiada pelo marchal Vorochilov, o comissário do povo para a defesa, tinha recebido do governo soviético plenos poderes para negociar e assinar a aliança militar com a Inglaterra e a França. Veio a verificar-se que a missão das delegações inglêsa e francêsa era de discutir uma aliança militar com a União Soviética “sómente como uma hipótese”. Mais uma vez se provava que as delegações tinham sido enviadas a Moscovo para empatar as conversações, mais uma jogada dos países ocidentais para fazer com que Hitler atacasse a União Soviética, estando este país só e isolado. Seguindo uma proposta soviética, os delegados das delegações estrangeiras enviaram telegramas aos seus países pedindo aos seus governos os poderes necessários para a negociação e concluio de uma aliança militar. A resposta a este pedido, nestes dias dramáticos em que os exércitos de Hitler se concentravam nas fronteiras da Polónia e a paz mundial estava ameaçada, demorou três dias! Quando a resposta chegou, no dia 15 de Agosto, verificou-se que as delegações fransêsa e inglêsa não tinham recebido os poderes necessários dos seus governos. Proposta soviética nunca respondida Entretanto e apesar de tudo as conversações continuaram. A delegação soviética tentava fazer vêr aos governos dos países ocidentais que a situação na Europa tomara um carácter muito sério e que uma aliança militar entre as três potencias seria positiva para todos. Para demonstrar que assim era, a União Soviética apresentou nas conversações que se seguiram, porpóstas concretas dos efetivos militares que punha ao dispôr da aliança militar com a França e a Inglaterra se a Alemanha nazista iniciasse outra guerra na Europa. Isto significava que a União Soviética punha na defesa colectiva da Polónia, 136 divisões, 5000 canhões pesados, 9000 tanques e 5000 aviões de combate. Além disso a União Soviética também apresentou um plano de guerra para a união das três potencias contra a Alemanha nazista. A delegação soviética pediu também aos representantes da França e da Inglaterra que apresentassem propostas sobre os seus efetivos militares a tomar parte na luta, uma questão nunca respondida. Os soviéticos queriam também que as delegações ocidentais tomassem contacto com os seus aliados, a Polónia e a Roménia, para estes darem livre passagem às tropas soviéticas que iriam de encontro ao exército invasor alemão. Conversações com o governo alemão As delegações ocidentais não mostraram nenhum interesse pelas propostas soviéticas. Também não apresentaram nenhumas propostas concretas, só se dedicando nas conversações a discussões sobre detalhes sem importância para uma aliança, como por exemplo o numero de efetivos alemães e a sua colocação actual. Um tempo precioso para a União Soviética estava a passar. Durante estes dias dramáticos o exército invasor alemão formava-se para ataque nas fronteiras da Polónia. A guerra era quase inivitável e a estrada dos alemães para invadir a União Soviética estaria aberta em breve. Nestas circunstâncias o governo soviético decidiu aceitar as conversações propostas pelo governo alemão. O primeiro contacto consultativo tinha sido feito a 12 de Agosto quando se verificou que as delegações inglêsa e francêsa não tinham poderes para negociar uma aliança militar com a União Soviética. Nessa altura a União Soviética tinha aberto uma discução de um tratado de não agressão com o governo alemão. Tratados deste tipo tinham sido assinados pelos governos francêses i inglêses com a Alemanha em 1938. O governo soviético compreendia que a guerra com a Alemanha era inevitável e queria desta maneira ganhar tempo valioso para aumentar o poder defensivo do país. Um tratado de não agressão poderia dar ao país um periodo de tempo da maior importancia. Mais tarde verificou-se que assim foi. Fim das conversações No dia 22 de Agosto de 1939 as conversações em Moscovo entre as três potencias, Inglaterra, França e União Soviética chegaram a um fim definitivo. O chefe da delegação francêsa, o general Doumenc, tinha por então obtido poderes para assinar uma aliança militar com a União Soviética, documento que entregou ao marchal Vorochilov. O interesse repentino da França pelas negociações (e a proposta renovada pela Alemanha de um tratado de não agressão…) terá talvez a sua origem no facto de que nesta altura o exército imperial japonês invasor da Mongólia, estava a ser totalment aniquilado pelos exércitos da União Soviética e da Mongólia. Entretanto, no acto da entrega dos seus novos poderes ao marchal Vorochilov, o general Doumenc foi obrigado a reconhecer que a delegção inglêsa não tinha obtido plenos poderes do seu governo e que a sua participação na aliança militar não se iria verificar. Além disso as potencias ocidentais não tinham obtido dos seus aliados polacos e roménios a autorização para as tropas soviéticas passarem por esses países para ir de encontro ao invasor alemão. Esta questão tinha uma importancia fundamental. A nova posição da França era positiva mas sem a Inglaterra a aliança não tinha grande valor. No ano anterior a França, numa situação identica, tinha traído a Checoslováquia. A questão da Polónia e da Roménia era também importante. A Polónia ameaçava a União Soviética com guerra se o exército soviético entrasse na Polónia para ajudar a defender o país contra a invasão alemã! Estava visto que a Polónia nesta altura já não tinha salvação. As negociações de Moscovo acabaram sem que as delegações estrangeiras mostrassem vontade de resolver os problemas que se punham. O desinteresse desses países para formar um poder conjunto contra os planos de guerra alemães atirou o mundo para uma catástrofe terrivel. Inglaterra preparava traição No que respeita à falta de plenos poderes da delegação inglêsa e ao total desinteresse mostrado nas conversações de Moscovo existe hoje uma explicação conhecida. A meio de Agosto de 1939 o governo soviético tinha suspeitas de que o governo inglês estava a preparar um acordo de paz com a Alemanha apesar da ameaça existente contra a Polónia. Nova investigação histórica feita pelo escritor inglês L. Mosley veio a mostrar que as suspeitas soviéticas eram correctas. Segundo Mosley, se a União Soviética não tivesse tomado a iniciativa em 22 de Agosto, Herman Göring, o braço direito de Hitler, teria viajado de avião a Inglaterra em 23 de Agosto para as negociações finais do tratado de paz com o primeiro ministro inglês Chamberlain. Por isto mesmo a delegação inglêsa fazia das conversações de Moscovo uma discução interminável de detalhes sem importancia. O que o governo inglês queria e estava a planear era uma aliança de todas as potencias imperialistas europeias contra a União Soviética. Declarações feitas pelo embaixador dos Estados Unidos da América em Londres, J. Kennedy, de que os Estados Unidos “devem ter as mãos livres em questões económicas no Leste e no Sueste”, indica que os Estados Unidos estavam a par da conspiração inglêsa contra a União Soviética e das conversações entre a Inglaterra e a Alemanha. A politica soviética para as potencias imperialistas destruiu totalmente os planos da Inglaterra. Tratado de não agressão com a Alemanha No dia 20 de Agosto chegou ao governo soviético uma nova proposta da Alemanha para a assinatura de um tratado de não agressão. No dia 22 de Agosto, depois das conversações com o chefe da delegação francêsa que punham em evidencia que uma aliança militar da União Soviética, França e Inglaterra nunca se realisaria, o governo soviético dicidiu aceitar a proposta alemã. No dia seguinte, em 23 de Agosto de 1939, o ministro alemão dos negócios estranjeiros Ribbentrop, chegou a Moscovo de avião e assinou o tratado de não agressão mútua com o ministro dos negócios estrajeiros soviético Molotov. A imprença borguesa ainda hoje afirma que União Soviética foi o único país a assinar um tratado com a Alemanha nazista. Isto é totalmente falso! Em 1933, pouco depois de Hitler ter tomado o poder, a França e a Inglaterra proposeram e assinaram um tratado de “compreensão e colaboração” com a Itália fascista e a Alemanha nazista. A Polónia, um aliado da Inglaterra, assinou um tratado de não agressão com a Alemanha nazista em 1934, sendo para isso aconcelhada pela Inglaterra. Em 1935 a Inglaterra assinou um tratado inglês-alemão sobre a tonagem permitida à armada alemã, tratado que dava o direito à Alemanha de aumentar a sua armada quase para a mesma tonagem que a França, o que era completamente ilegal segundo os acordos de Versailles. Em Setembro de 1938 a Inglaterra e a Alemanha assinaram uma declaração em que se establecia que estes países nunca mais entrariam em guerra. A França fez o mesmo em Dezembro de 1938. Na realidade a União Soviética foi a última potencia a assinar um tratado de não agressão com os nazistas. Zona de segurança militar O tratado de não agressão soviético-alemão, para além de declarar que estes países não entrariam em guerra, establecia também as relações entre os países no que diz respeito a outras questões relacionadas com aspectos militares entre a União Soviética e a Alemanha. Essas questões na imprença borguesa são geralmente chamadas de “anexo secreto”. O nome “secreto” dado pela imprença borguesa é para causar suspeita. Na realidade a maior parte do texto de tratados internacionais entre países, em especial em tempo de guerra, é sempre secreto. No chamado “anexo secreto” estableceu-se um linha de demarcação entre a Alemanha e a União Soviética que indicava as zonas de segurança militar a respeitar pelos dois países. A linha de demarcação passava pelos rios Narew, Wistula e San na Polónia. Além disso estableceu-se também que a Alemanha não teria influencia militar sobre a Finlândia, a Letónia e a Estónia. Esta parte do tratado de não agressão levantava uma barreira através da Europa Central que segundo Churchill em 1 de Outobro de 1939, era “absolutamente necessário para a segurança da Rússia em relação à ameaça nazista. A linha existe e faz uma frente no oriente que os nazistas não ousam atacar”. A Linha Curzon O interesse da União Soviética sobre as regiões da Polónia a oriente da linha de segurança referida, vem dos acôrdos de Versailles depois da primeira guerra mundial. Nesta altura o estado da Polónia não existia. A Polónia tinha deixado de existir em 1795 quando o que restava do país depois de duas anexações feitas anteriormente pelos países vizinhos, foi finalmente dividido pela Prússia, Áustria e Rússia. O último monarca da Polónia, Stanislav II foi então obrigado a abdicar. 113 anos mais tarde, nos acôrdos de Versailles em 1918, os países reunidos decidiram-se por dar um novo estado ao povo polaco, construir uma nova Polónia. Esta decisão levantava problemas no que diz respeito à questão das fronteiras, especialmente a oriente, onde durante os séculos passados, a fronteira tinha sido mudada segundo o poder militar dos países da região em determinado momento histórico. Nos acordos de Versailles foi por isso dada a missão ao ministro dos negócios estrangeiros inglês general Curzon, de establecer a linha da fronteira da nova Polónia a oriente. O general Curzon propôs uma linha de fronteira que respeitava a divisão linguística, a lingua polaca de um lado e as linguas ucraina e bielorussa (russa branca) do outro lado. A Linha Curzon Esta linha fronteiriça, chamada Linha Curzon, foi aceite por todas as potencias presentes nos acôrdos de Versailles com excepção da nova Polónia. O novo chefe polaco Pilsudski exigia maiores concessões territoriais a oriente e para esse efeito iniciou uma guerra para fazer conquistas territoriais à Rússia Soviética. O novo país soviético encontrava-se numa situação muito fraca a seguir à primeira guerra mundial e sem possibilidades de levantar uma defesa efectiva. Com armas e dinheiro francês e o apoio de oficiais de diversos países europeus, Pilsudski entrou na Ucraina e na Bielorússia (Rússia Branca) e depois de uma guerra termenda, conquistou grandes territórios a esses países. A Rússia Soviética foi obrigada a aceitar uma fronteira que estava muito para oriente da Linha Curzon, centenas de quilómetros dentro das zonas linguísticas ucraina e bielorússa. Esta questão histórica viria a desempenhar um papel muito especial na situação existente em 1939. A “guerra ridícula” da França e Inglaterra Na última semana de Agosto de 1939 a Inglaterra tentou descartar-se da responsabilidade que tinha pelo seu aliado militar a Polónia, através de propôr a este país que deixasse a Alemanha anexar as regiões entre a Prússia Oriental e a Alemanha, o chamado corredor polaco, que os alemães exigiam. Era um novo tratado do tipo de Munique que tinha levado a Checoslováquia ao extremínio. Mas neste caso a Polónia não aceitou a proposta inglêsa de se render sem guerra. A máquina de guerra alemã conhecedoura da resposta polaca continuou os preparativos para a invasão da Polónia segundo os planos previstos. No dia 1 de Setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polónia. Três dias depois a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha, mas não iniciaram nenhuma resposta militar aos alemães em ajuda do aliado polaco. No entanto as forças militares da França, da Inglaterra e do exército polaco eram de 173 divisões e da Alemanha sómente de 103! Na própria zona fronteiriça entre a França e a Alemanha, a França e a Inglaterra tinham 110 divisões contra 25 divisões alemãs! A França e a Inglaterra premaneceram passivos vendo o aliado polaco morrer e a Polónia sendo dividida e destruida pelos alemães. A esta situação de “guerra” francêsa e inglêsa, que se prolongou por muitos mêses, deu a história o nome de “guerra ridícula”. Mas a guerra ridícula contra os alemães não impediu os governos francês e inglês de, quatro mêses mais tarde, em Dezembro de 1939, se declararam dispostos a enviar um exército de 150.000 homens para apoiar a Finlandia na guerra contra a União Soviética. A Alemanha invade a Polónia Na invasão da Polónia o exército alemão ganhou rápidamente uma série de batalhas decisivas. Em 3 de Setembro os alemães estavam já no rio Vistula, a 9 de Setembro em Varsóvia e a 11 de Setembro nas margens do rio San. O exército polaco foi forçado a retirar em toda a linha. A Polónia estava derrotada. Na parte oriental do país não ocupada pelos alemães, deixou de haver poder político e militar. Uma semana mais tarde a União Soviética entrou na Polónia, nas regiões da Ucrânia e da Bielorússia que a Polónia tinha anexado em 1920, parando na Linha Curzon, a fronteira entre a Polónia e a União Soviética aceite em Versailles em 1918. É importante observar que o exército soviético ocupou sómente as regiões a oriente da Linha Curzon e não toda a zona referida como zona de segurança militar soviética no anexo ao tratado de não agressão com a Alemanha. A União Soviética impediu desta maneira à Alemanha de conquistar as regiões da Polónia que a Polónia anteriorment tinha roubado à Rússia Soviética. 21 meses de paz para preparar a defesa O Tratado de Não Agressão, ou pacto Molotov-Ribbentrop como a imprensa borguesa chama ao documento, foi um passo necessário na política de paz da União Soviética. O Tratado de Não Agressão Soviético-Alemão destruiu a frente imperialista que a Inglaterra estava a formar contra a União Soviética e obrigou a França e a Inglaterra a entrar na luta anti-fascista. O Tratado de Não Agressão deu 21 mêses de paz à União Soviética, um tempo muito necessário para os soviéticos prepararem a defesa perante a invasão nazista. Durante esses mêses de trabalho duro, a produção industrial total da União Soviética aumentou em 13% por ano, tendo a industria de defesa aumentado em 39% por ano! Do príncipio de 1940 até à invasão nazista em Junho de 1941 o valôr total das reservas materiais do estado soviético aumentou de 4 biliões de rublos para 7,6 biliões de rublos e o exército transformou-se num exército moderno mecanisado com 5 milhões de homens em armas. O Tratado de Não Agressão foi a base que possibilitou à União Soviética de vencer a segunda guerra mundial, destruir a Alemanha nazista e libertar o mundo da barbaridade nazista. Mário Sousa, 26/8/1999