B•4 •EDUCAÇÃO E SAÚDE Macapá (AP), Sexta-feira, 15 de Abril de 2016 DISFUNÇÃO Os sintomas para reconhecer as disfunções temporomandibulares As articulações temporomandibulares são consideradas as mais complexas do nosso organismo Muitas pessoas já ouviram falar em Disfunções Temporomandibulares (DTMs), mas não têm conhecimento sobre os principais sinais e sintomas que podem indicar esta condição. As DTMs são anormalidades mais prevalentes nas mulheres e que atingem os músculos da mastigação (região da face e da cabeça) e/ou a ATM (Articulação Temporomandibular), que está localizada nas laterais do rosto, à frente do ouvido. Geralmente, o desconforto é temporário, quase sempre ocorrendo em ciclos. “Porém, quando mal diagnosticados ou tratados de forma equivocada, os sintomas podem evoluir tornandose de longa duração e de caráter crônico”, explica João Henrique Padula, presidente da SBDOF. Os principais sinais e sintomas são: dificuldade ou dor para abrir e movimentar a boca, dor ou ruídos na Articulação Temporomandibular, dor na região da orelha, dor ou cansaço nos músculos da face e certos tipos de dores na cabeça. O diagnóstico deve ser feito por um dentista especialista em DTM e Dor Orofacial. Segundo Padula, existem subtipos de DTM diferentes entre si, o que modifica a forma de tratamento. Tratamentos como o uso de placas de mordida, exercícios mandibulares, compressas de calor ou frio, acupuntura, medicamentos, infiltrações articulares, agulhamento nos músculos da mastigação; quando combinados com cuidados realizados pelo paciente em casa, produzem melhores resultados. O objetivo do tratamento é controlar a dor, recuperar a função do aparelho mastigatório e reeducar o paciente no que diz respeito aos fatores que prolongam seus sintomas. Sobre a SBDOF Com cerca de 300 membros em todo o Brasil, a SBDOF (Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial) conta com profissionais especializados e experientes prontos para auxiliar na divulgação dos sintomas e dos métodos validados para o tratamento. A sociedade também busca a conscientização da população em geral e dos médicos que atuam em áreas que podem estar envolvidas no diagnóstico – como, por exemplo, otorrinolaringologistas, neurologistas e reumatologistas – para que todos saibam reconhecer os sintomas e onde procurar um especialista que indicará o caminho para cada caso específico. As articulações temporomandibulares são consideradas as mais complexas do nosso organismo Especialistas do INTO curam fraturas com células-tronco Estudos realizados por um grupo de especialistas do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia – INTO conseguiu reduzir pela metade o tempo de recuperação de fraturas com a utilização de células-tronco. Os avanços obtidos pelos especialistas podem contribuir para reduzir o número de fraturas que não curam. Elas somam 20% de todos os casos e afetam jovens e também idosos. Atualmente cerca de 15% das cirurgias realizadas pelo INTO são casos de emergência por fratura. "A motivação para investigar esses casos teve base na quantidade de fraturas que tratávamos e simplesmente não cicatrizavam. Por que, afinal? Como a gente poderia resolver?", conta o chefe da área de Trauma Adulto e Idoso do Into, o cirurgião ortopédico Leonardo Rocha. As pesquisas resultaram em uma técnica capaz de deslocar o dobro de células-tronco normalmente produzidas pelo corpo para o foco das fraturas. "Ficamos surpresos quando descobrimos que a gente conseguia dobrar o número de células-tronco para a cicatrização dos ossos" explica o médico. A experiência rendeu ao grupo de seis especialistas o convite para apresentar o trabalho inédito no Congresso Americano de Ortopedia, na Flórida, nos Estados Unidos. Resultado imediato A equipe de pesquisadores, coordenada pelo diretor do Into, As pesquisas resultaram em uma técnica capaz de deslocar o dobro de células-tronco normalmente produzidas pelo corpo para o foco das fraturas João Matheus Guimarães, e pela coordenadora das pesquisas de pós-graduação, Maria Eugênia Duarte, utilizou estímulo mecânico na medula óssea para dobrar o número de células-tronco nos locais de fratura em 13 pacientes. Para isso, os especialistas utilizaram um instrumento chamado fresa óssea, normalmente utilizado para alargar o osso quando é necessário implantar próteses. "É preciso extrapolar as técnicas usuais de tratamento porque, muitas vezes, elas não se mostram eficazes e rápidas o suficiente para atenuar o sofrimento dos pacientes" observa o diretor, João Matheus Guimarães. Os resultados da pesquisa já beneficiam pacientes como a cabeleireira Joyce Cipriano da Silva, 18 anos, que ficou impressionada com a rapidez da recuperação: "Um mês depois de quebrar o fêmur, eu já estava sã e caminhando". Todos os pacientes em testes no Into regeneraram os ossos. Além disso, o tempo médio de recuperação caiu de 4 a 6 meses para até 2 meses. Agora o objetivo dos pesquisadores é de que a técnica inovadora possa ser utilizada em larga escala no Into, referência nacional no atendimento de alta complexidade ortopédica no Sistema Único de Saúde (SUS). Só no ano passado, foram feitas 9.156 cirurgias - 21% a mais do que no ano anterior. Só as fraturas geraram 1.295 cirurgias no ano passado. O Into é hoje o único hospital brasileiro e um dos 19 do mundo que integram a International Society of Orthopaedic Centers (ISOC), entidade que congrega os melhores hospitais de ortopedia existentes.